A Série D do Campeonato Brasileiro de 2020 passou por uma reformulação em seu regulamento que tornou a competição ainda mais atrativa e equilibrada. Em vez das 17 chaves de quatro equipes, os 68 participantes foram distribuídos em novo formato: oito clubes disputaram uma fase preliminar em mata-mata, avançando quatro para se juntarem a outros 60 participantes. O grupo de 64 times foi então dividido em oito chaves com oito clubes cada. Porém, todas as partidas aconteceram sem público nos estádios, devido a pandemia de Covid-19. A disputa ainda atravessou a temporada de 2021.
Com mais datas no calendário e maior exigência de elenco, a imprevisibilidade aumentou, mas o desfecho provou mais uma vez que um bom planejamento e uma estrutura sólida são imbatíveis no futebol. Vindo do interior de São Paulo e exibindo até então em sua galeria títulos estaduais das Séries A3 e B, o Mirassol ingressou na Série D pelo Grupo A7. A largada, porém, foi hesitante: sob o comando do técnico Eduardo Baptista, a estreia rendeu um empate em 1 a 1 com o Bangu no Estádio José Maria de Campos Maia, seguido por uma derrota por 3 a 1 para a Cabofriense fora de casa.
A primeira vitória veio no terceiro compromisso e compensou os tropeços iniciais: um expressivo 6 a 0 sobre o Toledo no Maião. A partir dali, a campanha do Leão da Alta Araraquarense decolou, impulsionada por goleadas como os 8 a 0 sobre o Nacional-PR e os 5 a 2 sobre o FC Cascavel no Maião, além de um 4 a 0 sobre o Toledo no Paraná. O Mirassol encerrou a fase inicial na vice-liderança do grupo com 26 pontos, acumulados com sete vitórias, cinco empates e duas derrotas.
Na segunda fase, o Leão superou o Caxias nos pênaltis por 3 a 0, após devolver em casa a derrota por 1 a 0 sofrida no Rio Grande do Sul. Nas oitavas de final, despachou o Brasiliense ao aplicar 5 a 2 no interior paulista e administrar o a derrota por 2 a 1 no Distrito Federal.
Nas quartas de final, a vaga história na Série C foi garantida ao derrubar a Aparecidense: vitória por 2 a 1 em casa e novo triunfo por 3 a 2 em Goiás. Na semifinal, o Mirassol não deu chances ao Altos-PI, aplicando 4 a 0 no jogo de ida no interior paulista e confirmando a vaga na final com um 1 a 0 no Piauí.
O Mirassol encarou na decisão o Floresta, que havia eliminado Itabaiana, Juventude Samas, América-RN e Novorizontino. O primeiro duelo seria realizado no Castelão, em Fortaleza, mas um incêndio de grandes proporções no local transferiu o confronto para o Estádio Vovozão, no CT do Ceará. A mudança repentina não abalou os paulistas, que venceram por 1 a 0 longe de seus domínios. A segunda partida disputou-se no Estádio José Maria de Campos Maia. Mantendo a solidez defensiva e a eficiência, o Leão voltou a vencer por 1 a 0, com gol anotado pelo atacante João Carlos. Ao apito final, a vitória colocou um ponto final na longa e atípica edição pandêmica da Série D, acrescentando mais uma taça nacional à vitoriosa tradição do futebol do interior de São Paulo.

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