Brasil Campeão da Copa do Mundo 2002

A quinta glória do Brasil em Copas do Mundo aconteceu na primeira edição do século 21, em 2002. Aquela edição foi histórica por ser a primeira realizada na Ásia e a primeira dividida entre dois países-sede: Japão e Coreia do Sul. O triunfo canarinho foi uma verdadeira epopeia, considerando o cenário caótico que antecedeu o torneio. O Brasil flertou com o vexame de ficar de fora do Mundial, enfrentando eliminatórias turbulentas e uma dança das cadeiras que viu dois técnicos (Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão) caírem em dois anos.

Coube a Luiz Felipe Scolari assumir o comando de um elenco desacreditado. Sob sua liderança, o treinador blindou o grupo, criando a "Família Scolari". No Oriente, o pragmatismo do esquema com três zagueiros casou perfeitamente com o talento do quarteto ofensivo composto por Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e o lateral Roberto Carlos. A trajetória começou na Coreia do Sul. A estreia contra a Turquia foi dramática: o Brasil saiu perdendo e precisou de muita insistência para virar o placar para 2 a 1. Passado o susto, a confiança começou a subir com as goleadas por 4 a 0 sobre a China e por 5 a 2 sobre a Costa Rica. Os resultados garantiram ao Brasil a liderança do Grupo C com nove pontos.

O verdadeiro teste de fogo começou no mata-mata, quando a delegação cruzou o mar em direção ao Japão. Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou a Bélgica. Os belgas chegaram a abrir o placar, mas o gol foi anulado pela arbitragem. Após o susto, Rivaldo e Ronaldo decidiram a vitória por 2 a 0.

Nas quartas de final, a pedreira foi contra a Inglaterra. Os ingleses saíram na frente, mas Ronaldinho Gaúcho assumiu o protagonismo brasileiro. Primeiro, ele fez uma jogada genial para servir Rivaldo, que empatou o jogo. No segundo tempo, Ronaldinho cobrou uma falta lateral direto para o gol, encobrindo o goleiro inglês. Logo após marcar o gol da virada por 2 a 1, o meia foi expulso, porém o Brasil segurou o placar.

Na semifinal, ocorreu o reencontro com a surpreendente Turquia. Diferente do primeiro jogo, não houve espaço para erros, mas sim para o oportunismo de Ronaldo Fenômeno. Com um chute de bico de chuteira, ele decretou o placar de 1 a 0, carimbando o passaporte brasileiro para a final.

A decisão, no Estádio Internacional de Yokohama, foi contra a Alemanha, que passou por Camarões, Arábia Saudita, Paraguai, Estados Unidos e Coreia do Sul. Apesar de serem as duas maiores potências da história dos Mundiais, os dois países jamais haviam se enfrentado em uma Copa do Mundo. A partida correu em alta velocidade, com chances reais de gol para ambos os lados.

Mas a noite estava reservada para Ronaldo. Dois anos antes, ele havia sofrido uma lesão no joelho que quase o aposentou do esporte. Aos 22 minutos da etapa final, Ronaldo aproveitou o rebote em um chute de Rivaldo e abriu o placar. Aos 34, Kleberson cruzou rasteiro da direita, Rivaldo fez um corta-luz, e o Fenômeno chutou no canto, fazendo 2 a 0.

O apito final coroou Ronaldo como o artilheiro do torneio, com oito gols. Com a vitória, o Brasil despachou os alemães e conquistou o planeta pela quinta vez. No momento de erguer o troféu, coube ao lateral Cafu ser eternizado como o capitão do pentacampeonato.

A campanha do Brasil:
7 jogos | 7 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 18 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Paulo Pinto/Estadão Conteúdo

França Campeã da Copa do Mundo 1998

A Copa do Mundo de 1998 representou uma nova era para o futebol mundial ao sofrer um aumento no número de participantes, expandindo-se de 24 para 32 seleções. A responsabilidade de sediar e estrear o novo formato coube à França, que não participava da competição desde 1986. Em total sintonia com o seu torcedor, a seleção francesa desbancou o favoritismo das potências tradicionais e marchou firme rumo ao inédito título mundial.

A primeira fase dos donos da casa foi tranquila. Integrando o Grupo C, a França estreou batendo a África do Sul por 3 a 0 e, logo em seguida, goleou a Arábia Saudita por 4 a 0. A equipe fechou a fase de grupos superando a Dinamarca por 2 a 1, garantindo a liderança da chave com nove pontos. O único revés nesse início promissor foi a expulsão do craque do time, Zinedine Zidane, na segunda rodada contra os sauditas. O meia foi suspenso por duas partidas após pisar em um adversário.

Nas oitavas de final, Les Bleus enfrentaram o Paraguai no jogo mais dramático de toda a sua campanha. Diante do ferrolho sul-americano, os franceses não balançaram as redes nos 90 minutos regulamentares. A incerteza pairava no ar quando a prorrogação se encaminhava para o fim. Foi quando o zagueiro Laurent Blanc entrou na área como centroavante para fazer o gol francês. A seis minutos do fim da prorrogação, o gol decretou o placar de 1 a 0 e entrou para a história como o primeiro "gol de ouro", o sistema de morte súbita, da história das Copas do Mundo.

As quartas de final reservaram um confronto contra a Itália, marcando o retorno de Zidane ao time titular. O equilíbrio tático arrastou o placar de 0 a 0 até o término da prorrogação. Na disputa de pênaltis, os franceses demonstraram maior controle emocional e carimbaram a classificação por 4 a 3.

A semifinal colocou a França diante da grande sensação do Mundial: a Croácia, que disputava a sua primeira Copa como nação independente. Os croatas surpreenderam e abriram o placar no início do segundo tempo. Mais surpreendente ainda foi o lateral Lilian Thuram, que jamais havia marcado um gol pela seleção. Com duas bolas roubadas, ele anotou os dois tentos da virada histórica. A vitória por 2 a 1 colocou a França na primeira final de sua história.

No novíssimo Stade de France, nos arredores de Paris, a França encarou o então campeão Brasil na decisão. Os brasileiros eliminaram Marrocos, Escócia, Chile, Dinamarca e Holanda. As horas que antecederam o apito inicial foram marcadas pela convulsão sofrida pelo brasileiro Ronaldo no hotel da delegação, episódio que desestruturou psicologicamente o Brasil e resultou em uma equipe apática em campo.

Alheia ao drama adversário, a França fez a partida de sua vida sob a batuta de Zidane. Demonstrando um oportunismo genial na bola parada, o camisa 10 marcou dois gols idênticos de cabeça no primeiro tempo, aproveitando cobranças de escanteio. No segundo tempo, mesmo com a expulsão do zagueiro Marcel Desailly, a França se defendeu com perfeição. Nos acréscimos, em um contra-ataque, Emmanuel Petit tocou na saída de Taffarel para dar o golpe de misericórdia. A categórica vitória por 3 a 0 conferiu à França o seu primeiro título mundial. Como Laurent Blanc estava suspenso por ter recebido cartão vermelho na semifinal, a honra de erguer a taça diante da torcida francesa a Didier Deschamps.

A campanha da França:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 15 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Brasil Campeão da Copa do Mundo 1994

Foram 24 anos de jejum e de frustrações acumuladas entre o tricampeonato em 1970 e a Copa do Mundo de 1994. No entanto, o destino voltou a sorrir para o Brasil no Mundial realizado nos Estados Unidos, que entrou para a história como a última edição disputada no formato de 24 seleções. A equipe comandada pelo técnico Carlos Alberto Parreira e pelo coordenador Zagallo não encantava, mas era eficiente. Um time que jogava pelo resultado positivo e nada mais. O talento ficava por conta de Romário, que fazia dupla de ataque com Bebeto. No meio e na defesa, Zinho, Mazinho, Dunga, Mauro Silva, Aldair e Taffarel, garantiam a blindagem necessária para o time.

A caminhada começou depois de muita pressão nas Eliminatórias, quando o Brasil se classificou somente na última rodada. Na fase de grupos da Copa, os fantasmas começaram a ser espantados com uma vitória por 2 a 0 sobre a Rússia. Na sequência, os brasileiros venceram Camarões por 3 a 0 e fecharam a primeira fase com um empate em 1 a 1 com a Suécia. O Mundial de 1994 foi o primeiro em que as vitórias passaram a valer três pontos, e a seleção Canarinho garantiu a liderança do Grupo B com sete.

No feriado de 4 de julho, o Brasil enfrentou os donos da casa pelas oitavas de final. Após a expulsão do lateral Leonardo por uma cotovelada em um atleta dos Estados Unidos, Romário apareceu para servir Bebeto, que marcou o gol da vitória brasileira por 1 a 0.

Nas quartas de final, o Brasil protagonizou um dos maiores confrontos da história dos Mundiais contra a Holanda. Após abrir dois gols de vantagem com Romário e Bebeto, o time brasileiro vacilou e cedeu o empate em um intervalo de doze minutos. A vitória veio de forma heroica na bola parada, com a cobrança forte e rasteira de Branco. O placar de 3 a 2 confirmou a classificação para a semifinal.

A Suécia reapareceu no caminho do Brasil na semifinal. Coube novamente a Romário, com 1,69 de altura, subir mais alto que a zaga sueca aos 35 minutos do segundo tempo, decretando o 1 a 0 e colocando o país na final contra a Itália, que passou por Noruega, Nigéria, Espanha e Bulgária.

A decisão reservou um confronto entre brasileiros e italianos no Rose Bowl, em Los Angeles. Era o duelo dos dois únicos tricampeões do planeta, uma reedição da final de 1970 e a chance de revanche da eliminação do Brasil em 1982. O jogo foi tenso e de poucas oportunidades de gol. Romário perdeu uma chance incrível na pequena área na prorrogação e, após 120 minutos, o placar permaneceu em 0 a 0.

Pela primeira vez na história, o título da Copa do Mundo seria decidido nos pênaltis. O drama brasileiro começou quando Márcio Santos errou a primeira cobrança. Porém, a frieza de Romário, Branco e do capitão Dunga manteve o Brasil vivo, ao mesmo tempo que a Itália também desperdiçou a primeira batida, e viu Taffarel defender o quarto pênalti. A cobrança final italiana ficou a cargo de Roberto Baggio. Mas o atacante desferiu um chute forte que subiu muito, voando por cima do travessão.

Com a vitória por 3 a 2 nos pênaltis, o Brasil rompia a fila e se isolava como o primeiro tetracampeão do mundo. Ao erguer a taça, Dunga desabafou contra as críticas sofridas nos anos anteriores, eternizou o triunfo da raça, da organização e do pragmatismo, lavando a alma de uma geração inteira de torcedores.

A campanha do Brasil:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 11 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Jack Mikrut/Imago/TT

Alemanha Campeã da Copa do Mundo 1990

Muitos críticos de futebol afirmam que a Copa do Mundo de 1990, na Itália, foi uma das mais fracas da história do ponto de vista técnico. De fato, o torneio ficou marcado pelo excesso de cartões vermelhos, pelo abuso do antijogo e pela menor média de gols de todas as edições dos Mundiais: apenas 2,21 por partida. Porém, classificar essa Copa como esquecível perto de um torcedor alemão é um erro. Afinal, foi em solo italiano que uma Alemanha em pleno processo de reunificação geopolítica transformou o sonho do tricampeonato em realidade.

O Mundial de 1990 demorou a engrenar para as grandes potências. A campeã Argentina, por exemplo, perdeu na estreia para Camarões, que tornou-se a primeira seleção africana a alcançar as quartas de final de uma Copa. A equipe argentina só ganhou sobrevida após eliminar o Brasil nas oitavas de final. Em contrapartida, a Alemanha, que ainda competia como Alemanha Ocidental, sobrou desde o início.

Sob o comando técnico do ídolo Franz Beckenbauer, os alemães estrearam goleando a Iugoslávia por 4 a 1 e, na sequência, atropelaram os Emirados Árabes por 5 a 1. Na última rodada, mesmo o empate em 1 a 1 cedido para a Colômbia no último minuto não tirou a liderança isolada do Grupo D das mãos alemãs, que fecharam a fase com cinco pontos.

Nas oitavas de final, a Alemanha encarou a rival Holanda e venceu por 2 a 1 em uma partida tensa, com gols de Jürgen Klinsmann e Andreas Brehme. Nas quartas, contra a Tchecoslováquia, a classificação veio com um triunfo por 1 a 0, com um gol de pênalti anotado por Lothar Matthäus. A semifinal reservou outro clássico europeu contra a Inglaterra. Após um empate por 1 a 1 nos 120 minutos de tempo normal e prorrogação, a vaga na final foi decidida nos pênaltis. O goleiro Bodo Illgner defendeu uma cobrança, os ingleses desperdiçaram outra, e a classificação alemã para a decisão foi confirmada com o placar de 4 a 3.

A final no Estádio Olímpico de Roma promoveu um reencontro histórico: um replay exato da final de 1986 contra a Argentina que, além do Brasil, eliminou União Soviética, Iugoslávia e Itália. Os alemães pisaram no gramado dispostos a reescrever o desfecho da Copa anterior. Na retranca, o time argentino abdicou do ataque e viu os alemães empilharem chances.

O destino do confronto mudou aos 39 minutos do segundo tempo. O árbitro assinalou um pênalti polêmico sobre o atacante Rudi Völler. Até os dias de hoje, os argentinos juram convictamente que o atacante simulou o contato e que o lance foi uma injustiça histórica. Andreas Brehme chutou forte e rasteiro, no canto esquerdo do goleiro.

O placar de 1 a 0 foi o suficiente para decretar a Alemanha como tricampeã mundial. A taça foi erguida pelo capitão Matthäus, e a conquista enfim fez justiça à geração de Klinsmann, Brehme e Völler, que vinha de dois vice-campeonatos consecutivos em 1982 e 1986. Além de consagrar Beckenbauer como técnico, que se igualou a Mário Jorge Lobo Zagallo ao vencer a Copa como jogador (1974) e como treinador. O título de 1990 ainda serviu como a imagem perfeita para a queda do Muro de Berlim. Meses após a final, as duas Alemanhas unificaram-se oficialmente, transformando aquela conquista esportiva no primeiro  abraço de uma nação que se reencontrou.

A campanha da Alemanha:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Bongarts/Getty Images

Argentina Campeã da Copa do Mundo 1986

A Copa do Mundo de 1986 entrou para a história como o torneio em que a genialidade de um único craque foi capaz de carregar uma seleção inteira nas costas rumo à glória máxima. Sob a liderança de Diego Maradona, a Argentina conquistou o seu bicampeonato mundial no México. Originalmente, a competição deveria ter sido realizada na Colômbia, mas o governo colombiano desistiu do compromisso quatro anos antes devido a graves problemas econômicos.

Diante da emergência, a FIFA escolheu o México, que superou um trágico terremoto em 1985 para se tornar o primeiro país a sediar o Mundial por duas vezes, reaproveitando a estrutura de 1970. Após a experiência de regulamento na Copa anterior, a entidade máxima do futebol reestruturou o torneio: manteve as 24 seleções, mas restabeleceu o sistema de mata-mata a partir das oitavas de final, classificando os dois primeiros de cada grupo e os quatro melhores terceiros colocados.

A caminhada argentina começou sob desconfiança, mas o time de Carlos Bilardo logo mostrou sua força na estreia com uma vitória por 3 a 1 sobre a Coreia do Sul. A campanha seguiu com um empate em 1 a 1 com a então campeã Itália e fechou a fase de grupos com um 2 a 0 sobre a Bulgária. Classificada na liderança isolada do Grupo A com cinco pontos, a Albiceleste enfrentou o seu tradicional rival, o Uruguai, nas oitavas de final, carimbando a vaga com uma vitória por 1 a 0.

Nas quartas de final, o futebol transcendeu o esporte para se tornar história viva no Estádio Azteca. O confronto contra a Inglaterra estava carregado por uma pesada atmosfera, sendo o primeiro encontro entre as nações após a Guerra das Malvinas de 1982. Em apenas quatro minutos no segundo tempo, o mundo testemunhou as duas faces de Maradona. No primeiro gol, aos seis minutos, o camisa 10 aproveitou um balão rebatido e dividiu pelo alto com o goleiro inglês. Usando a mão esquerda colada à cabeça, ele empurrou a bola para as redes. Na entrevista pós-jogo, Maradona declarou que o gol fora marcado "um pouco com a cabeça de e um pouco com a mão de Deus".

Aos dez minutos, veio a perfeição. Maradona dominou a bola ainda antes da linha do meio-campo, girou sobre dois marcadores ingleses e arrancou em velocidade pela ponta direita. Em uma corrida de mais de 60 metros, ele deixou mais quatro defensores para trás , driblou o goleiro e empurrou a bola para o fundo do gol. O "Gol do Século" selou a histórica vitória por 2 a 1. Na semifinal, a Argentina venceu por 2 a 0 sobre a Bélgica, com mais dois gols de Maradona.

A decisão do Mundial colocou frente a frente Argentina e Alemanha no Azteca. Os alemães eliminaram Escócia, Marrocos, México e França, mas não foram páreo para os argentinos, que abriram 2 a 0 em 55 minutos de jogo, com gols de José Luis Brown e Jorge Valdano. Os alemães chegaram a reagir em um intervalo de apenas seis minutos no final do segundo tempo e empataram a partida aos 35 minutos. 

Quando a final parecia se encaminhar para a prorrogação, Maradona lançou Jorge Burruchaga, que tocou na saída do goleiro e decretou o placar final de 3 a 2. A Argentina conquistava o bicampeonato mundial. Aquela Copa do Mundo selou a total e absoluta consagração de Diego Maradona, que ao erguer a taça como o capitão albiceleste, eternizou-se não como o maior ídolo de uma nação e o dono de uma era do futebol.

A campanha da Argentina:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto David Cannon/CA/Getty Images

Itália Campeã da Copa do Mundo 1982

A Copa do Mundo de 1982, na Espanha, ficou marcada como o torneio em que o peso da tradição atropelou o favoritismo técnico. A seleção da Itália custou a engrenar naquele Mundial, arrastando-se pelos gramados na fase inicial. Porém, quando a tática e a bola finalmente começaram a se entender com os jogadores, a Azzurra engatou a marcha rumo ao seu terceiro título mundial, quebrando um longo jejum de 44 anos sem títulos.

Para compreender o milagre italiano, é preciso olhar para o caos que antecedeu o torneio. Dois anos antes, em 1980, o futebol do país havia sido sacudido pelo Totonero, um escândalo de manipulação de resultados e apostas ilegais que culminou no rebaixamento de grandes clubes e na suspensão de vários atletas. Entre os envolvidos estava o atacante Paolo Rossi, que pegou dois anos de gancho e só foi liberado para jogar meses antes da Copa. Sob um clima de desconfiança, os jogadores blindaram-se contra as críticas da imprensa local e passaram a atender apenas os jornalistas estrangeiros.

A campanha italiana na primeira fase apenas alimentou o pessimismo. O torneio de 1982 foi o primeiro na história a contar com 24 seleções, divididas em seis grupos, e a Itália caiu no Grupo A. Foram três empates sonolentos: 0 a 0 contra a Polônia, seguido por um duplo 1 a 1 contra o Peru e Camarões. Com apenas três pontos conquistados e na vice-liderança, a Itália flertou com a eliminação precoce e só avançou para a fase seguinte pelo critério de desempate de gols marcados, com dois gols a favor, contra apenas um dos africanos.

Com 12 equipes classificadas para a segunda fase, o regulamento previa uma nova etapa de triangulares, e a Itália foi sorteada para o Grupo 3, ao lado da Argentina e do Brasil, considerado o maior favorito ao título. Contra os argentinos, a Azzurra finalmente acordou, conquistando a primeira vitória no torneio por 2 a 1. Na rodada seguinte, os italianos folgaram e assistiram ao Brasil vencer a Argentina por 3 a 1.

O cenário estava desenhado para uma decisão, Estádio de Sarriá, em Barcelona. O Brasil jogava pelo empate devido ao saldo de gols. À Itália, restava apenas a vitória. Foi então que o desacreditado Paolo Rossi, despertou e fez uma das maiores exibições individuais da história das Copas, com três gols. Os brasileiros buscaram o empate duas vezes, mas não tiveram forças para a terceira igualdade e a Itália venceu por 3 a 2, avançando de fase com quatro pontos. Embalada, a Azzurra reencontrou a Polônia na semifinal e se classificou para a final com um triunfo por 2 a 0, com mais dois gols de Rossi.

A final aconteceu no Santiago Bernabéu, em Madri, contra a Alemanha, que deixou para trás Chile, Argélia, Espanha, Inglaterra e França. No primeiro tempo, Antonio Cabrini chutou para fora uma cobrança de pênalti. Os gols só apareceram na segunda etapa. Aos 12 minutos, Rossi, aproveitou um cruzamento para abrir o placar de cabeça, Aos 24, Marco Tardelli ampliou, e Alessandro Altobelli marcou o terceiro gol aos 36 minutos.

Os alemães ainda descontaram para 3 a 1, mas nada que ameaçasse o triunfo da Itália, que voltou a figurar no topo das potências do futebol. Além disso, a conquista encerrou com chave de ouro a trajetória internacional do goleiro Dino Zoff que, aos 40 anos de idade, tornou-se o jogador mais velho a erguer a taça de campeão do mundo.

A campanha da Itália:
7 jogos | 4 vitórias | 3 empates | 0 derrotas | 12 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Argentina Campeã da Copa do Mundo 1978

A Copa do Mundo de 1978 jamais saiu do imaginário dos torcedores sul-americanos, especialmente dos argentinos, misturando uma das maiores festas do esporte a um dos períodos mais sombrios da história política do continente. Após diversas tentativas frustradas e décadas de espera, a Argentina enfim ganhava o direito de ser o país-sede do Mundial, que entraria para a história também pelo fim de uma era: seria o último torneio realizado no formato clássico de 16 seleções. Conduzida pelo técnico César Luis Menotti, que tomou a controversa decisão de cortar o jovem Diego Maradona, de apenas 17 anos, a seleção Albiceleste carregou nos ombros uma imensa pressão popular e o peso de ser utilizada como ferramenta de propaganda pela ditadura militar de Jorge Rafael Videla. Aquela era a chance de ouro para o país erguer a sua primeira Copa.

A Argentina disputou toda a primeira fase no Estádio Monumental, em Buenos Aires. A caminhada começou com duas vitórias por 2 a 1, contra a Hungria e a França. O ponto fora da curva ocorreu na última rodada: uma derrota por 1 a 0 para a Itália. O tropeço custou caro aos argentinos, que acabaram na segunda posição do Grupo A com quatro pontos, forçados a jogar a segunda fase fora da capital.

A etapa seguinte da Argentina foi disputado em Rosário, no Gigante de Arroyito. A estreia no Grupo 2 se deu com uma vitória por 2 a 0 sobre a Polônia, com dois gols de Mario Kempes. Na segunda rodada, ocorreu o clássico contra o Brasil, na partida que foi nomeada como a "Batalha de Rosário" devido à violência e às poucas chances criadas, resultando em um empate por 0 a 0. Como os brasileiros haviam derrotado o Peru por 3 a 0 anteriormente, a Argentina chegou à última rodada sem depender apenas de si para avançar à final. Naquela época, a FIFA ainda não adotava a regra de jogos simultâneos na rodada decisiva, o que abriu margem para uma das maiores polêmicas da história do futebol.

O Brasil entrou à tarde de 21 de junho e venceu a Polônia por 3 a 1. Com esse resultado, os argentinos atuaram à noite sabendo que precisavam derrotar o Peru por uma diferença de pelo menos quatro gols para ultrapassar o saldo brasileiro e ir à final. O que se viu foi um atropelo: uma goleada impressionante por 6 a 0. Até hoje, pairam suspeitas de que a partida foi arranjada nos bastidores e que os jogadores peruanos, sobretudo o goleiro Ramón Quiroga, nascido na Argentina, teriam recebido suborno ou sofrido ameaças dos militares argentinos. Com ou sem interferência externa, a Argentina garantiu a liderança do grupo com cinco pontos e oito gols de saldo, contra contra cinco gols do Brasil.

A final colocou a Argentina diante da Holanda, que voltou à decisão ao superar Irã, Escócia, Áustria, Alemanha e Itália. No Monumental, em Buenos Aires, o tempo normal foi truncado. Mario Kempes abriu o placar aos 38 minutos do primeiro tempo. Quando o título parecia garantido, os holandeses empataram aos 37 minutos da etapa final. Nos segundos finais, a Holanda acertou a trave do goleiro Ubaldo Fillol. A definição do campeão estendeu-se a prorrogação.

Empurrados por 71 mil torcedores, os argentinos buscaram buscaram a vitória no último lance do primeiro tempo suplementar, quando Kempes marcou seu segundo gol do jogo. Faltando cinco minutos para o fim definitivo, Daniel Bertoni anotou 3 a 1 e, pela primeira vez em sua história, a Argentina sagrou-se campeã mundial. Debaixo de muitos confetes e da euforia popular que invadiu o gramado, o capitão Daniel Passarella finalmente erguia a taça que os argentinos podiam chamar de sua.

A campanha da Argentina:
7 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 15 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Paul Popper/Popperfoto/Getty Images