A segunda Copa do Mundo, realizada em 1934, foi a primeira disputada em solo europeu. A honra de ser o país-sede coube à Itália, uma escolha que o ditador Benito Mussolini transformou em uma engrenagem de propaganda para o seu regime fascista. Naquele ano, a geopolítica fundia-se definitivamente ao futebol. Como resposta ao boicote sofrido pelos europeus quatro anos antes, o Uruguai recusou-se a participar do torneio, tornando-se a única seleção campeã da história a não defender o seu título na edição seguinte. Além da ausência dos uruguaios, o torneio sofreu com o desfalque das seleções britânicas, que se mantinham isoladas da FIFA desde 1928.
Diante do complexo cenário de deslocamento e tensões, o continente americano teve baixa representatividade: apenas Brasil, Argentina e Estados Unidos atravessaram o Oceano Atlântico. O México também chegou a viajar para a Europa, mas sua participação foi curta, sendo eliminado pelos estadunidenses em uma repescagem realizada em Roma, poucos dias antes da abertura. Representando a África, o Egito se tornou o primeiro país do continente a disputar o Mundial, precisando apenas cruzar o Mar Mediterrâneo. Com um ambiente moldado para o seu sucesso e sob os olhares atentos do Duce, a seleção italiana despontava como a favorita, liderada pelo atacante Giuseppe Meazza.
Ao contrário de 1930, o Mundial de 1934 foi inteiramente disputado no formato de mata-mata, sem fase de grupos. Qualquer deslize significaria a eliminação imediata. A estreia da Itália ocorreu contra os amadores dos Estados Unidos e a classificação veio sem sustos, em uma goleada acachapante por 7 a 1. Contudo, o cenário complicou-se para a Azzurra nas quartas de final, diante da Espanha. O confronto original, marcado por extrema violência física de ambos os lados, terminou empatado em 1 a 1 após duas prorrogações. Como na época não existiam disputas por pênaltis, foi necessário realizar uma partida extra no dia seguinte. Com os dois elencos mutilados por lesões e cansaço, a Itália prevaleceu graças a um gol solitário de Meazza, selando o 1 a 0.
Na semifinal, os donos da casa enfrentaram a Áustria. O duelo foi amplamente considerado a final antecipada do torneio, jogado em Milão. Em uma partida nervosa, os italianos garantiram a vaga na grande decisão com outra vitória por 1 a 0, gol marcado pelo ítalo-argentino Enrico Guaita.
A final foi realizada em Roma, no Estádio Nazionale del PNF (Partido Nacional Fascista), sob uma atmosfera de extrema pressão, reza a lenda que Mussolini teria enviado bilhetes aos jogadores com o ultimato "vencer ou morrer". O adversário era a Tchecoslováquia que, eliminou Romênia, Suíça e Alemanha. O drama tomou conta do estádio quando os tchecos silenciaram a torcida local, abrindo o placar aos 26 minutos do segundo tempo. O que a lógica apontava como uma consagração fácil transformava-se em um pesadelo para a Azzurra. O alívio só veio faltando nove minutos para o apito final, quando Raimundo Orsi empatou a decisão e forçou a prorrogação.
No tempo extra, logo no quinto minuto, Angelo Schiavio virou o marcador, e o placar de 2 a 1 foi defendido até o fim. Ao apito final, a Itália explodiu em festa, um triunfo esportivo que se consolidou na entrega da taça ao capitão e goleiro Gianpiero Combi, o primeiro atleta a história das Copas a receber o troféu nessa condição. O Uruguai era o passado, e o mundo agora pertencia ao futebol pragmático e blindado da Itália de 1934.
A campanha da Itália:
5 jogos | 4 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 12 gols marcados | 3 gols sofridos
5 jogos | 4 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 12 gols marcados | 3 gols sofridos






