Até 1928, a competição de futebol dos Jogos Olímpicos era o principal título que uma seleção nacional poderia ter. Mas, segundo as regras da época, apenas jogadores amadores podiam disputá-la. Em uma época em que o profissionalismo crescia no futebol, era preciso um torneio novo que se ajustasse às evoluções da modalidade. Foi sob esse argumento que, naquele mesmo ano, nasceu a Copa do Mundo, um campeonato idealizado pelo francês Jules Rimet, presidente da FIFA na época.
A primeira edição do Mundial foi marcada para ter início em 1930 e, a partir daí, ela seria disputada de quatro em quatro anos, alternando com as edições das Olimpíadas. Vários países se candidataram para ser o anfitrião: Itália, Suécia, Holanda, Espanha, Hungria e Uruguai. A FIFA optou pela última opção, seduzida pelo fato de a seleção uruguaia ser a melhor do mundo na época, o que a tornava bicampeã olímpica. Isso desagradou aos europeus que, alegando dificuldades no deslocamento para a América do Sul, recusaram o convite para participar.
Foi então que entraram em jogo os dirigentes da FIFA. Jules Rimet convenceu a França, enquanto o vice-presidente Rodolphe Seeldrayers convenceu a Bélgica a atravessar o Oceano Atlântico. O Rei Carol II, bancou todas as despesas da seleção da Romênia. Por fim, a Iugoslávia aceitou o convite por intervenção do Rei Alexandre I, que passou por cima do boicote dos croatas e montou uma seleção apenas com sérvios. Assim, a primeira Copa do Mundo foi formada por 13 seleções: sete da América do Sul, quatro da Europa e duas da América do Norte.
O Uruguai tinha a seleção mais forte na década de 1920 e despontava como o principal favorito a vencer a primeira Copa do Mundo, dentro de casa. Seu principal oponente estava do outro lado do Rio da Prata: a Argentina, vice-campeã olímpica. Quem vinha da Europa não assustava, já que as principais forças fizeram um boicote velado à competição. O time uruguaio era liderado por seu ataque, com Pedro Cea, Héctor Castro, Héctor Scarone, Santos Iriarte e Pedro Petrone. Este último se machucou na estreia, substituído por Pablo Dorado. Além deles, o capitão José Nasazzi liderava a defesa.
A estreia uruguaia foi só na segunda rodada, pois seu grupo tinha três seleções e a folga foi logo na primeira. O confronto de abertura foi contra o Peru, vencido por 1 a 0. A segunda partida foi a da definição da classificação, contra a Romênia. O Uruguai goleou por 4 a 0 e avançou na liderança do Grupo C, com quatro pontos. Na semifinal, houve o confronto contra a Iugoslávia e uma goleada de virada por 6 a 1, em uma atuação tranquila. A final seria contra a grande rival, a Argentina, que bateu Chile, França, México e Estados Unidos. A decisão do Mundial foi disputada no novíssimo Estádio Centenario, em Montevidéu, que recebeu mais de 68 mil torcedores.
Um impasse atrasou o início da decisão. Como a Copa do Mundo não tinha um material oficial de jogo, uruguaios e argentinos divergiram quanto à bola que seria utilizada. Os uruguaios queriam a sua, e os argentinos, a deles. Para resolver isso, cada tempo foi jogado com uma bola diferente. Na primeira etapa, foi usada a bola argentina. O Uruguai abriu o placar com Dorado, mas a Argentina virou antes do intervalo. A etapa final foi jogada com a bola uruguaia. E La Celeste tornou a virar a partida com naturalidade, com gols de Cea, Iriarte e Castro. Com a vitória por 4 a 2, o Uruguai celebrou seu primeiro título mundial com muita festa no país todo.
A campanha do Uruguai:
4 jogos | 4 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 3 gols sofridos
4 jogos | 4 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 3 gols sofridos



















