Todos os terceiros colocados da Copa do Mundo

Tirando o campeão, uma seleção que também sai feliz da Copa do Mundo é a que vence a disputa do terceiro lugar. Por isso, o blog trás todas as 23 seleções que já ficaram no terceiro posto dos Mundiais ao longo de 96 anos de história. Para ver os campeões e o vices, clique nos links.

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Todos os vice-campeões da Copa do Mundo

Após a longa série com todos os campeões mundiais e o fim da Copa do Mundo 2026, é a hora de trazer também todos os vice-campeões mundiais.
São 23 equipes que quase mudaram a história do futebol. Para rever todos os campeões da Copa do Mundo, acesse o link.

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Espanha Campeã da Copa do Mundo 2026

Rompendo qualquer limite existente, a Copa do Mundo de 2026 voltou a ancorar na América do Norte. Sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá, esta foi a primeira edição da história a abrigar 48 seleções, transformando o torneio em uma maratona de sobrevivência física e mental ao longo de quase quarenta dias de disputa. Cruzar distâncias entre Vancouver, Cidade do México e Miami sob o calor do verão norte-americano exigiu dos atletas uma resiliência sem precedentes.

No extracampo, as críticas ficam para a interferência política direta na gestão do torneio, que incluem a proibição da entrada de muitos torcedores e até mesmo um de árbitro nos Estados Unidos, as restrições logísticas impostas à participação do Irã, e a anulação do cartão vermelho do atleta estadunidense Folarin Balogun no jogo contra a Bósnia, após um pedido do presidente Donald Trump.

Para a Espanha, no entanto, os desafios serviram como palco para a consagração definitiva de sua identidade tática. Coroando um trabalho que uniu a posse de bola à precisão, tanto ofensiva quanto defensiva, de uma geração de jovens predestinados, a Roja conquistou seu segundo título mundial, desenhando uma era de ouro que já havia faturado a Eurocopa de 2024, tal qual feito em 2008 e 2010.

Apontada com uma das candidatas ao título desde o início, a campanha da Espanha começou no Grupo H. Na estreia, a equipe parou na defesa do estreante Cabo Verde e ficou apenas no empate em 0 a 0. Na segunda rodada, os gols apareceram e os espanhóis a Arábia Saudita por 4 a 0. Na última partida, a Roja garantiu a liderança da chave com sete pontos ao bater o Uruguai por 1 a 0, sem empolgar muito.

Por ser o primeiro Mundial com 48 times, a Espanha precisou passar pela inédita fase de 16 avos de final. O adversário foi a Áustria e a classificação veio com uma vitória por 3 a 0 e a seleção começou a evoluir de fato. Nas oitavas de final, a Espanha enfrentou Portugal e venceu por 1 a 0, gol marcado por Mikel Merino aos 46 minutos do segundo tempo.

Nas quartas de final, a Espanha encarou a Bélgica. Mantendo a frieza, a Roja venceu por 2 a 1, com os gols anotados por Fabián Ruiz, e outra vez por Merino nos minutos finais. Na semifinal, o teste de fogo foi contra a França, que vinha embalada e era a principal favorita ao título. Porém, tudo foi resolvido com maturidade: um incontestável 2 a 0, construído com gols de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro.

A consagração final aconteceu no Estádio Metlife, em Nova York/Nova Jersey. Diante da Argentina, defensora do troféu que passou por Jordânia, Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra, a Espanha precisou flertar com a perfeição. E conseguiu, com domínio absoluto desde o primeiro minuto, mesmo que o gol tenha teimado em não sair. Permitindo apenas duas finalizações do adversário, contra 20 das suas, a seleção espanhola empilhou chances e viu o goleiro argentino fazer várias defesas nos 90 minutos. Na prorrogação, Ferran Torres saiu do banco de reservas para aproveitar a boja ajeita por Nico Williams de cabeça e fazer o gol do bicampeonato, no primeiro minuto do segundo tempo extra.

Com a vitória por 1 a 0, a Espanha provou que a juventude, quando aliada à disciplina tática, é capaz de dominar o planeta, coroando um trabalho que foi construído pelo técnico Luís de La Fuente desde as categorias de base. Por fim, a taça foi erguida pelo capitão Rodri, voltando a ficar sob domínio europeu.

A campanha da Espanha:
8 jogos | 7 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 1 gol sofrido


Foto Franck Fife/AFP/Getty Images

Argentina Campeã da Copa do Mundo 2022

A Copa do Mundo de 2022 foi diferente de quase tudo que já aconteceu nos 92 anos anteriores de história do torneio. Realizada no Catar, foi a primeira edição sediada no Oriente Médio e marcou o retorno da competição ao continente asiático após 20 anos. Diante das temperaturas extremas que assolam o país durante o verão local nos meses de junho e julho, a FIFA tomou a decisão inédita de realocar o calendário do torneio para os meses de novembro e dezembro, quando o clima é mais ameno.

Em campo, o torneio ficou marcado como o Mundial das das zebras históricas. A Itália ficou de fora mais uma vez. No torneio, o Japão desbancou Alemanha e Espanha, a Tunísia derrotou a França e Camarões bateu o Brasil, tudo isso na primeira fase. Acima de tudo, Marrocos fazer história ao se tornar a seleção africana e árabe a alcançar a semifinal de um Mundial.

Mas nenhuma reviravolta foi tão emblemática quanto a da própria campeã. A história da Argentina foi da lama ao sucesso do tricampeonato, encerrando um jejum de 36 anos de espera. Apelidada de "La Scaloneta", em alusão ao jovem técnico Lionel Scaloni, La Albiceleste desembarcou no Catar credenciada por uma invencibilidade de 36 jogos. Contudo, o favoritismo desmoronou logo no primeiro jogo com a derrota de virada por 2 a 1 para a Arábia Saudita.

Forçada a jogar cada partida subsequente uma final, a equipe liderada por Lionel Messi encontrou o equilíbrio com a entrada de jovens como Julián Álvarez e Enzo Fernández, além das defesas de Emiliano Martínez e da classe de Ángel Di María. A reabilitação veio com vitórias por 2 a 0 sobre o México e a Polônia. Com seis pontos somados, a Argentina avançou na liderança do Grupo C.

Nas oitavas de final, a Argentina superou a Austrália por 2 a 1. Nas quartas de final, contra a Holanda, os argentinos protagonizaram uma batalha dramática: abriram dois gols de vantagem, mas permitiram o empate holandês por 2 a 2 no último segundo dos acréscimos. Na disputa de pênaltis, o goleiro Martínez defendeu duas cobranças, garantindo a classificação por 4 a 2. Na semifinal, o time sobrou em campo e despachou a Croácia por 3 a 0, garantindo-se na decisão.

O dia 18 de dezembro de 2022 reservou o ato final no Estádio Nacional de Lusail. A Argentina enfrentou a França, que também buscava o tricampeonato após eliminar Dinamarca, Tunísia, Polônia, Inglaterra e Marrocos. E o que se viu foi a maior final de Copa do Mundo de todos os tempos. Durante os primeiros 80 minutos, os argentinos venceram com um gol de Messi abriu o placar aos 23 do primeiro tempo e Di María aos 36. Porém, em um intervalo de apenas dois minutos, Kylian Mbappé empatou a partida aos 35 e aos 36 do segundo tempo, levando a decisão para a prorrogação.

No tempo extra, Messi aproveitou um rebote na pequena área para fazer o terceiro da Argentina. Mas, valente, a França buscou o empate novamente aos 13 minutos, de novo com Mbappé, que selou o placar de 3 a 3. No último minutos da prorrogação, Emiliano Martínez defendeu com a ponta do pé um chute francês que seria o da virada. Nos pênaltis, o goleiro voltou a brilhar ao defender uma cobrança, somada a outra que a França jogou para fora. Com 100% de eficiência, a Argentina fechou o placar em 4 a 2, e Messi, em sua quinta tentativa, finalmente exorcizou todas as suas dores e recebeu a taça, imortalizando-se de vez no topo do futebol mundial.

A campanha da Argentina:
7 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 15 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Hannah Mckay/Reuters

França Campeã da Copa do Mundo 2018

Pela primeira vez em 88 anos de história das Copas do Mundo, a competição ancorou no Leste Europeu. O anfitrião da edição de 2018 foi a Rússia, país que serviu de palco para algumas das surpresas mais impactantes e imprevisíveis do século 21 no futebol. Todos assistiram com surpresa a então campeã Alemanha cair ainda na fase de grupos e a ascensão da Croácia, que contrariou todas as previsões e chegou até a final. Tudo isso sem contar também a não-classificação da Itália, algo que não acontecia desde 1958.

Os croatas, no entanto, só sucumbiram diante do pragmatismo da França, que se sagrou bicampeã do mundo 20 anos após a sua primeira glória. Comandada por Kylian Mbappé, Antoine Griezmann, Paul Pogba, N'Golo Kanté e Hugo Lloris, a equipe foi ganhando corpo à medida que os principais favoritos se complicavam. Embora não iniciasse o torneio cotada como a grande força a ser batida, a seleção francesa provou em campo a força de sua consistência tática.

Na primeira fase, Les Bleus construíram uma campanha segura, embora sem exibições brilhantes no Grupo C. A estreia foi marcada pela vitória por 2 a 1 sobre a Austrália, na histórica primeira partida de Copas a utilizar o árbitro de vídeo (VAR), para assinalar um pênalti. Na sequência, a França bateu o Peru por 1 a 0 com um gol do jovem Mbappé. Na última rodada, poupando titulares, os franceses empataram em 0 a 0 com a Dinamarca, segurando a liderança da chave com sete pontos.

O verdadeiro cartão de visitas da França foi apresentado nas oitavas de final, contra a Argentina. Em uma partida com duas viradas no placar, os franceses eliminaram os sul-americanos ao vencer por 4 a 3, com gols de Griezmann, Benjamin Pavard e dois de Mbappé. Nas quartas de final, a França derrubou o Uruguai por 2 a 0.

A semifinal reservou um duelo tático contra a Bélgica, que vinha de eliminar o Brasil. Em um confronto amarrado e definido nos detalhes, a França triunfou por 1 a 0 graças a uma cabeçada do zagueiro Samuel Umtiti logo no início do segundo tempo, após cobrança de escanteio.

A final ocorreu no Estádio Luzhniki, em Moscou. Do outro lado estava a Croácia, que passou por Nigéria, Islândia, Dinamarca, Rússia e Inglaterra, e estava esgotada fisicamente após disputar três prorrogações no mata-mata. Demonstrando frieza, a França aproveitou cada brecha e aplicou 4 a 2 nos croatas. O placar foi inaugurado aos 18 minutos com um gol contra do atacante Mario Mandzukic. Após o empate croata, Les Bleus retomaram a vantagem ainda no primeiro tempo: Griezmann converteu um pênalti e fez o segundo gol.

No segundo tempo, Pogba acertou um chute de fora da área para fazer o terceiro aos 14 minutos e, aos 20, Mbappé bateu rasteiro para anotar o quarto. Houve tempo ainda para uma bobeira inacreditável do goleiro Lloris, que entregou o segundo gol croata, mas a falha em nada diminuiu a festa francesa no apito final. O título coroou com perfeição o trabalho do técnico Didier Deschamps, que igualou-se a Zagallo e Franz Beckenbauer como os únicos homens no planeta a conquistarem a Copa do Mundo tanto como atleta quanto como técnico. A taça foi erguida pelo capitão e goleiro Lloris, debaixo de um temporal.

A campanha da França:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Odd Andersen/AFP

Alemanha Campeã da Copa do Mundo 2014

Depois de 64 anos, o Brasil voltou a ser o coração do futebol mundial ao sediar a Copa do Mundo de 2014. A competição em solo sul-americano, entrou para a história por contornos dramáticos: a maior humilhação sofrida pela seleção brasileira em todos os tempos e o feito inédito de uma seleção europeia conquistar o título nas Américas. A honra ficou com a Alemanha, que ergueu o tetracampeonato mundial. Sob a liderança técnica de Thomas Müller, Philipp Lahm, Mesut Özil, Sami Khedira, Miroslav Klose e o goleiro Manuel Neuer, o time comandado por Joachim Löw coroou um projeto iniciado pelo treinador oito anos antes.

A caminhada começou com a goleada por 4 a 0 sobre o Portugal, em Salvador. Porém, a estreia fácil foi contrastada pela sequência difícil: a Alemanha enfrentou forte resistência no empate por 2 a 2 contra  Gana, em Fortaleza, e suou para vencer os Estados Unidos por 1 a 0 em Recife. Os resultados garantiram à Mannschaft a liderança do Grupo G com sete pontos.

O confronto mais perigoso da campanha alemã ocorreu nas oitavas de final, contra a Argélia em Porto Alegre. Diante de uma retranca argelina, a Alemanha esbarrou no placar durante os primeiros 90 minutos. Na prorrogação, a eficiência alemã prevaleceu com gols de André Schürrle e Mesut Özil, selando a vitória por 2 a 1. Nas quartas de final, no Rio de Janeiro, o zagueiro Mats Hummels garantiu o triunfo por 1 a 0 sobre a França.

E então, veio a semifinal no Mineirão, em Belo Horizonte... Diante de um Brasil confuso, desorganizado e emocionalmente abalado pelo desfalque de Neymar, a Alemanha protagonizou o maior massacre da história moderna do futebol. O primeiro gol saiu aos 11 minutos do primeiro tempo, com Müller. Aos 22, Klose marcou o segundo e chegou a 16 gols, ultrapassando Ronaldo Fenômeno como o maior artilheiro da história das Copas.

A partir dali, a porteira brasileira se abriu: Toni Kroos fez o terceiro aos 24 e o quarto aos 26 minutos, e Khedira anotou o quinto aos 29, fechando o primeiro tempo. Na etapa complementar, Schürrle saiu do banco para balançar as redes mais duas vezes, aos 24 e aos 34 minutos. O histórico placar de 7 a 1 (com Oscar descontando aos 45) colocou a Alemanha na final no Rio de Janeiro.

A decisão no Maracanã colocou frente a frente Alemanha e Argentina, consolidando este como o confronto mais repetido em finais de Copa do Mundo, com três edições (1986, 1990 e 2014). Os argentinos bateram Bósnia, Irã, Suíça, Bélgica e Holanda. O jogo foi estudado, com a Argentina desperdiçando chances claras de gol. Após 90 minutos de placar zerado, a final partiu rumo à prorrogação.

Foi quando a estrela de Joachim Löw brilhou ao acionar o banco de reservas. Mario Götze entrou no lugar de Klose na etapa final. Aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação, Götze dominou a bola e, sem a deixar cair, emendou um chute cruzado para fazer o gol do título. O 1 a 0 foi o carimbo final para a consagração. Depois de 24 anos de espera, a Copa do Mundo voltava pela quarta vez para os braços da Alemanha. Pelas mãos do capitão Lahm, a taça foi erguida, coroando uma equipe que aliou a frieza tática da Europa ao calor e à simpatia do povo brasileiro.

A campanha da Alemanha:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 18 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Sven Simon/Imago/Sportfotodienst