Brasil Campeão da Copa do Mundo 1970

Para a maioria dos amantes do futebol, a seleção brasileira de 1970 foi o maior time de futebol de todos os tempos. De fato, aquele grupo reunia um verdadeiro esquadrão no 11 titular, alinhando cinco camisas 10 juntos: Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson, Jairzinho e Rivellino; Tostão e Pelé. Esses atletas foram os responsáveis por trazer o tricampeonato mundial e a posse definitiva da Taça Jules Rimet para o Brasil. O Mundial de 1970 entrou para a história também por ser o primeiro realizada fora da Europa e da América do Sul, tendo como palco o México, na América do Norte, e o primeiro a ser transmitida ao vivo para todo o planeta, pela televisão.

Porém, a caminhada iniciou com turbulências. Meses antes da Copa, o técnico João Saldanha, responsável pela classificação nas Eliminatórias, foi demitido após desavenças com a ditadura militar, abrindo espaço para Mário Jorge Lobo Zagallo. Sob nova direção, o Brasil montou uma preparação física inédita para suportar a altitude mexicana. A trajetória começou em Guadalajara, no Estádio Jalisco, contra a Tchecoslováquia. Após sair atrás no placar, o Brasil aplicou uma goleada de virada por 4 a 1. Foi nessa estreia que o mundo assistiu ao primeiro "quase gol" de Pelé, que arriscou um chute de antes da linha do meio de campo, mas a bola passou ao lado da trave.

Na segunda rodada, ocorreu a vitória por 1 a 0 sobre a campeã Inglaterra. O jogo ficou eternizado pela intensidade tática, pelo gol de Jairzinho após assistência de Pelé e pela histórica defesa de Gordon Banks em uma cabeçada do Rei. O Brasil encerrou a fase inicial superando a Romênia por 3 a 2, classificando-se na liderança do Grupo C com seis pontos.

A campanha seguiu nas quartas de final com a vitória por 4 a 2 sobre o Peru, seleção que era comandada por Didi, bicampeão como jogador pelo Brasil. A semifinal reservou um confronto histórico contra o Uruguai, encarado como uma revanche do Maracanazo de 1950. O drama ganhou força quando os uruguaios abriram o placar, mas o time brasileiro empatou ainda no primeiro tempo com Clodoaldo. Na segunda etapa, Gérson virou e Rivellino fechou o placar em 3 a 1. O jogo ficou marcado pelo terceiro gol que Pelé não fez: ao receber passe de Tostão, o Rei aplicou um drible de corpo no goleiro sem tocar na bola, mas o seu chute cruzado passou raspando a trave.

O Brasil avançou à final contra a Itália, que passou por Suécia, Israel, México e Alemanha, na histórica semifinal vencida por 4 a 3. A partida aconteceu no Estádio Azteca, na Cidade do México. Lá, o mundo viu a maior apresentação coletiva já ocorrida em uma decisão. Pelé abriu o placar com uma cabeçada, mas os italianos empataram ainda no primeiro tempo. No segundo tempo, Gérson desempatou e Jairzinho anotou o terceiro gol, entrando para a história ao marcar em todos os jogos do torneio.

A quatro minutos do fim, o Brasil chegou a um dos gols mais belos do futebol. Após uma sequência de passes pacienciosos envolvendo quase todo o time na defesa e no meio-campo, Clodoaldo driblou quatro italianos, a bola passou por Rivelino e Jairzinho, encontrando Pelé na entrada da área. Avisado por Tostão, o Rei apenas rolou de lado para o chute em alta velocidade de Carlos Alberto Torres, que fechou o placar em 4 a 1. O resultado coroou o Brasil como tricampeão mundial indiscutível, sacramentando aquela como a maior seleção que já pisou em um gramado. A Taça Jules Rimet seria erguida por um capitão campeão pela última vez na história. A honra coube a Carlos Alberto Torres.

A campanha do Brasil:
6 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 19 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Imago/Werek

Inglaterra Campeã da Copa do Mundo 1966

A Copa do Mundo desembarcou no país de origem do futebol moderno em 1966, um Mundial na Inglaterra desenhado para os ingleses. A geração liderada por Bobby Charlton, Bobby Moore e Gordon Banks conseguiu, ao menos uma vez, confirmar a máxima de que os inventores do esporte eram, de fato, os melhores do mundo. No entanto, os críticos argumentam que a seleção dos Três Leões só ergueu a taça porque o bicampeão Brasil ruiu em uma desorganização crônica, porque Portugal era inexperiente em decisões, porque a Itália protagonizou o maior vexame de sua história ao cair diante da Coreia do Norte, e, porque o gol mais polêmico de todos os tempos desestabilizou a Alemanha na final.

A caminhada da Inglaterra rumo ao inédito título começou com um empate sonolento e sem gols contra o Uruguai. Sentindo a pressão de jogar em casa, a equipe comandada por Alf Ramsey precisou acordar nas rodadas seguintes. Com duas vitórias seguras por 2 a 0 sobre o México e a França, os ingleses garantiram a liderança isolada do Grupo A com cinco pontos, sem sofrer um único gol.

Nas quartas de final, o torneio transformou-se. A Inglaterra enfrentou a Argentina em Wembley, em uma partida lembrada pela agressividade e pela histórica expulsão do argentino Antonio Rattín pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein. O jogo ficou paralisado por quase dez minutos porque Rattín, alegando não entender o idioma do juiz, recusou-se a deixar o gramado e chegou a sentar-se no tapete vermelho destinado à Rainha Elizabeth II. A confusão gerou tanta indignação que a FIFA, para evitar novos ruídos de comunicação, idealizou a criação dos cartões amarelo e vermelho, implementados na edição seguinte. Após o apito final que decretou a vitória inglesa por 1 a 0.

Sem se abalar com os protestos sul-americanos, a Inglaterra seguiu para a semifinal para enfrentar Portugal, o xodó do Mundial, que vinha de uma virada sobre a Coreia do Norte. Em campo, o peso da tradição e a solidez defensiva falaram mais alto: Bobby Charlton brilhou com dois gols na vitória por 2 a 1, neutralizando os estreantes lusitanos e carimbando o passaporte para a final contra a Alemanha Ocidental, que ao longo da Copa bateu Espanha, Suíça, Uruguai e União Soviética.

A decisão foi disputada no Estádio de Wembley. Diante de quase 100 mil torcedores, os 90 minutos entregaram um bom espetáculo. Os alemães saíram na frente, mas Geoff Hurst empatou ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa, Martin Peters virou o jogo para os Três Leões, mas os alemães reapareceram aos 44 minutos para empatar novamente e forçar a prorrogação.

Foi no tempo extra que se materializou a maior polêmica da história das Copas do Mundo. Aos 11 minutos do primeiro tempo, Geoff Hurst girou e soltou um chute forte, o qual fez a bola carimbar o travessão, quicar sobre a linha do gol e ser afastada pela defesa alemã. Diante da dúvida, o árbitro suíço Gottfried Dienst consultou o bandeirinha soviético Tofiq Bakhramov, que validou o gol. Imagens de televisão e estudos tecnológicos provaram, décadas mais tarde, que a bola quicou em cima da linha, sem cruzar inteiramente a meta.

Desestabilizada pelo erro de arbitragem, a Alemanha Ocidental abriu-se e, no último lance da prorrogação, Hurst marcou o quarto gol inglês, fechando o placar em 4 a 2. O sonho dos inventores do futebol estava enfim consumado. O capitão Bobby Moore recebeu a taça e comandou a festa inglesa.

A campanha da Inglaterra:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 11 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto PA Images/Getty Images

Brasil Campeão da Copa do Mundo 1962

A Copa do Mundo de 1962 foi a das superações. Dois anos antes, em 1960, o Chile havia sido devastado pelo Terremoto de Valdivia, o mais forte já registrado na história da humanidade. Diante da destruição, o presidente do comitê organizador, Carlos Dittborn, imortalizou a frase: "Porque nada temos, faremos tudo". O país conseguiu se erguer a tempo, com quatro das oito cidades-sede previstas. Santiago, Viña del Mar, Rancagua e Arica receberam os jogos, enquanto Talca, Concepción, Talcahuano e a própria Valdivia ficaram de fora.

Lá estava o Brasil, com sua vaga automática garantida pelo título de 1958 e com uma base experiente e badalada, trazendo Pelé no auge físico e técnico, sintonizado com Garrincha, Didi, Zagallo, Nilton Santos e Vavá. O favoritismo ao bicampeonato era unânime, mas o roteiro guardava dramas inesperados. A caminhada brasileira começou com uma vitória burocrática por 2 a 0 contra o México, com gols de Zagallo e Pelé. O grande susto aconteceu na segunda rodada, no empate em 0 a 0 contra a Tchecoslováquia: Pelé sofreu uma grave lesão muscular na coxa, ficou sem condições de recuperação rápida e foi cortado do restante do torneio.

Coube ao jovem Amarildo a missão de substituir o Rei. E ele mostrou sua estrela na última rodada da fase de grupos, contra a Espanha. O Brasil perdia por um gol e flertava com a eliminação quando Nilton Santos usou da malandragem ao cometer uma falta sobre um atacante espanhol dentro da área: deu dois passos rápidos para fora da linha, enganando o árbitro, que marcou apenas falta. Vivo no jogo, o Brasil buscou a virada por 2 a 1 com dois gols de Amarildo, liderando o Grupo C com cinco pontos.

A partir das quartas de final, a Copa do Mundo ganhou um dono definitivo: o Garrincha. Com Pelé fora, o Mané assumiu o protagonismo do time. No duelo contra a Inglaterra, o meia destruiu o com dois gols e uma assistência para Vavá, sacramentando a vitória por 3 a 1.

Na semifinal, o Brasil cruzou o caminho do Chile, que vinha embalado pelo apoio popular e por uma postura agressiva e violenta em campo. Diante de um Estádio Nacional de Santiago superlotado, a força chilena não foi páreo para Garrincha. Em mais uma tarde inspirada, Mané anotou dois gols, participou diretamente dos outros dois marcados por Vavá e carregou o Brasil nas costas na vitória por 4 a 2.

A final promoveu o reencontro do Brasil com a Tchecoslováquia, que eliminou Hungria e Iugoslávia nas fases anteriores. A partida aconteceu no Estádio Nacional, mas não começou bem para a seleção brasileira, que sofreu o gol tcheco aos 15 minutos do primeiro tempo. Porém, a resposta foi imediata: apenas dois minutos depois, Amarildo empatou a partida.

No segundo tempo, a maturidade do elenco brasileiro prevaleceu. Aos 24 minutos, o volante Zito virou o marcador com um gol de cabeça. Aos 33, Vavá fez 3 a 1 e deu números finais para o título brasileiro. Um milagre tático e emocional foi consumado em gramados chilenos: o Brasil conquistou o bicampeonato mundial consecutivo mesmo sem o seu principal jogador em 80% da campanha. Na hora de erguer a taça, o zagueiro Mauro Ramos manteve a tradição inaugurada por Bellini quatro anos antes e ergueu o troféu acima de sua cabeça, oferecendo a conquista a uma nação que aprendeu que, mesmo sem o Rei, o futebol brasileiro ainda era soberano.

A campanha do Brasil:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Imago/Horstmüller

Brasil Campeão da Copa do Mundo 1958

Em 1958, o planeta finalmente se curvaria ao talento do futebol brasileiro. Sediada na Suécia, a sexta edição da Copa do Mundo foi o palco onde todos testemunharam o surgimento do maior jogador de todos os tempos: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Com apenas 17 anos, o jovem mineiro encantou a Europa e iniciou ali o seu reinado. Ao lado de outros gênios, como Garrincha, Didi, Zagallo, Nilton Santos e Bellini, o futuro Rei arquitetou o primeiro título mundial do Brasil, em um torneio que contou novamente com 16 seleções em quatro grupos, desta vez com todos se enfrentando sem restrições.

A preparação brasileira para aquele Mundial foi revolucionária. Pela primeira vez, a CBD montou uma comissão técnica multiprofissional, que incluía médico, dentista e até um psicólogo, para afastar os fantasmas do vice-campeonato de 1950. A campanha começou firme, com uma vitória por 3 a 0 sobre a Áustria. Na segunda rodada, o Brasil empatou em 0 a 0 com a Inglaterra, registrando o primeiro placar sem gols da história das Copas.

A atuação apática contra os ingleses forçou o técnico Vicente Feola a mexer no elenco. Pressionado também pelas lideranças do grupo, Feola promoveu as entradas de Pelé (que se recuperava de uma lesão no joelho) e Garrincha nos lugares de Mazzola e Joel. Contra a União Soviética, na última rodada, a nova dupla estreou de forma avassaladora, balançando a defesa soviética desde os primeiros minutos. O Brasil venceu por 2 a 0, com dois gols de Vavá, carimbando a classificação como líder do Grupo D com cinco pontos.

Nas quartas de final, o Brasil enfrentou o País de Gales. Em uma partida amarrada, Pelé começou a entrar para a história ao marcar seu primeiro gol em Copas, determinando a vitórias por 1 a 0 que colocou a seleção na semifinal. Na fase seguinte, contra a França, o Brasil deu um show e goleou por 5 a 2, com três gols de Pelé, um de Didi e outro de Vavá.

A final colocou o Brasil diante da Suécia, no Estádio Rasunda, em Estocolmo, após os donos da casa passarem por México, Hungria, União Soviética e Alemanha. Como os dois times usavam amarelo, um sorteio obrigou os brasileiros a jogarem com o uniforme reserva, porém estes não haviam sido levados na bagagem. Camisas azuis tiveram de ser compradas na véspera da partida. Em campo, os suecos abriram o placar logo aos quatro minutos do primeiro tempo, mas o Brasil manteve a frieza. Em duas jogadas parecidas, Garrincha serviu Vavá para empatar aos nove minutos e virar o jogo ainda na primeira etapa.

No segundo tempo, Pelé apareceu duas vezes. Antes, com o histórico chapéu sobre um zagueiro sueco, seguido pelo chute no canto do goleiro, marcando o terceiro gol. Zagallo fez o quarto, a Suécia descontou, e depois, já no último minuto, Pelé cabeceou para fechar o placar em 5 a 2. O Brasil exorcizava definitivamente o "complexo de vira-latas" e era, enfim, campeão do mundo. No momento mais aguardado, o capitão Bellini eternizou um gesto. Cercado por uma multidão de fotógrafos e repórteres que tentavam registrar a taça, o zagueiro ergueu o troféu com as duas mãos acima de sua cabeça para que todos pudessem enxergá-lo. O que nasceu de um improviso para a imprensa transformou-se no símbolo universal de triunfo no esporte. Desde então, todo capitão vencedor ergue o troféu que recebe.

A campanha do Brasil:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 16 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Popperfoto/Getty Images

Alemanha Campeã da Copa do Mundo 1954

O mundo ainda estava se reconstruindo no ano de 1954. Mas isto não impediu que a Europa fosse palco de mais uma Copa do Mundo. A escolha da Suíça como país-sede foi estratégica: o país havia se mantido neutra durante o conflito, preservando intactas suas ferrovias, hotéis e estádios. Além disso, o torneio celebrava os 50 anos da FIFA, que havia transferido sua sede de Paris para Zurique.

Este Mundial marcou o verdadeiro recomeço para diversas nações, incluindo a Alemanha, agora dividida, competindo como Alemanha Ocidental. Perdoados do banimento imposto em 1950, os alemães desembarcaram na Suíça longe do radar dos favoritos. Todos os holofotes apontavam para a Hungria, dona da maior geração de sua história, que revolucionou o esporte taticamente e ostentava uma invencibilidade de meses. O sorteio colocou as duas seleções no Grupo B. Naquela edição, a FIFA adotou um regulamento bizarro com 16 países divididos em quatro chaves: cada grupo continha dois cabeças de chave que não se enfrentavam, resultando em apenas duas rodadas por equipe na fase inicial. Outra peculiaridade foi quanto aos empates, que não eram permitidos nos 90 minutos, a não ser que persistissem no placar após a prorrogação.

A Alemanha estreou vencendo a Turquia por 4 a 1. Na rodada final, o técnico alemão Sepp Herberger tomou uma decisão ousada: sabendo da superioridade húngara, escalou um time misto. O resultado foi um atropelo da Hungria, que goleou por 8 a 3, mas a estratégia de Herberger poupou seus principais jogadores e escondeu suas verdadeiras armas. Como o saldo de gols não era critério de desempate, os alemães terminaram igualados com os turcos e precisaram disputar um jogo extra. Com o time titular descansado, a Alemanha goleou a Turquia por 7 a 2.

Nas quartas de final, os alemães despacharam a Iugoslávia por 2 a 0. A semifinal foi um espetáculo contra a Áustria. Liderada pelos irmãos Ottmar e Fritz Walter, a Mannschaft sobrou em campo e garantiu a vaga na decisão com um imponente 6 a 1. Do outro lado, a Hungria tirou do caminho Coreia do Sul, Brasil e Uruguai.

O palco da final foi o Estádio Wankdorf, em Berna, onde quase todos davam a vitória húngara como certa. Em oito minutos, a Hungria já vencia por por dois gols. Mas a Alemanha acordou imediatamente. Max Morlock descontou aos dez minutos e, aos 18, Helmut Rahn empatou. A partir dali, as condições climáticas e a tecnologia entraram em campo. Um temporal desabou sobre Berna, deixando o gramado encharcado e destruindo o toque de bola dos húngaros, que viram a lama acumular nas baixas e pesadas travas de metal de suas chuteiras. Já os alemães contavam com chuteiras com travas altas de borracha, mais leves e que permitiam maior mobilidade, fornecidas por Adi Dassler, o fundador da Adidas.

Durante todo o segundo tempo, os alemães correram firmes no barro, enquanto os húngaros sucumbiram ao cansaço e à falta de aderência. O gol da virada veio aos 39 minutos, com Rahn chutando cruzado da entrada da área húngara. A Hungria ainda teve um gol anulado por impedimento nos minutos finais, mas o placar de 3 a 2 estava selado, trazendo a primeira conquista de Copa do Mundo para a Alemanha. O "Milagre de Berna" foi o marco do renascimento de uma nação castigada no pós-guerra, e Fritz Walter passou para a história como o primeiro capitão a receber a taça em nome dos alemães, iniciando a tradição de uma das camisas mais respeitadas do planeta.

A campanha da Alemanha:
6 jogos | 5 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 25 gols marcados | 14 gols sofridos


Foto DPA/Picture Alliance

Uruguai Campeão da Copa do Mundo 1950

Após um hiato de 12 anos provocado pela Segunda Guerra Mundial, que engoliu toda a década de 1940, a Copa do Mundo finalmente voltou a ser realizada em 1950. O Brasil, que já havia se postulado como candidato para a edição cancelada de 1942, foi o único país a manter a proposta de sediar o torneio no pós-guerra. A FIFA, ansiosa pelo retorno, cogitou antecipar o evento para 1949, mas recuou diante da necessidade de tempo para que a imensa infraestrutura brasileira, incluindo a construção do maior estádio do mundo, ficasse pronta, deixando o cronograma para 1950.

Mas o planeta ainda estava em escombros e os desdobramentos geopolíticos esvaziaram a competição. Muitas nações europeias e asiáticas, fragilizadas economicamente, sequer se inscreveram nas Eliminatórias. Além disso, as seleções da Alemanha e do Japão foram suspensas pela FIFA devido à participação de seus países na guerra, enquanto os países do bloco soviético recusaram-se a participar. A organização do torneio virou um quebra-cabeça: inicialmente, 16 seleções garantiram vaga, mas Turquia, Escócia e Índia desistiram de última hora. A FIFA tentou convidar Portugal, França e Irlanda como substitutos, mas todos declinaram devido aos custos e à logística.

O torneio acabou ocorrendo com apenas 13 seleções, com quatro chaves desconfiguradas. O Grupo D, por exemplo, transformou-se em um duelo único entre Uruguai e Bolívia. Longe de ser apenas um time esforçado que vivia de nostalgia, La Celeste contava com uma geração de boa técnica, liderada pelo capitão Obdulio Varela e pelo meia Juan Schiaffino. Em sua única partida na primeira fase, disputada no Estádio Independência, em Belo Horizonte, o Uruguai massacrou os bolivianos por 8 a 0. Com essa vitória, os uruguaios somaram dois pontos e avançaram para o quadrangular final. Das outros grupos, avançaram Brasil, Espanha e Suécia.

A verdadeira Copa do Mundo para os uruguaios começou nessa fase decisiva, disputada em pontos corridos. Na estreia, sofreram para buscar um empate por 2 a 2 contra a Espanha, em São Paulo. Na segunda rodada, arrancaram uma virada heroica por 3 a 2 contra a Suécia no Pacaembu. Enquanto La Celeste avançava de forma sofrida, o Brasil aplicou goleadas por 7 a 1 nos suecos e por 6 a 1 nos espanhóis. A seleção brasileira era a absoluta favorita e o clima no país já era de "já ganhou".

O palco do ato final foi o recém-inaugurado Estádio Municipal do Rio de Janeiro, o futuro Maracanã. Na última rodada do quadrangular, apenas Brasil e Uruguai tinham chances de título, e os donos da casa jogavam pelo empate. Diante de 200 mil torcedores, a seleção uruguaia manteve o sangue frio. Sob o comando ríspido e motivador de Varela, o Uruguai suportou o bombardeio inicial e não desmoronou nem mesmo quando o Brasil abriu o placar no primeiro minuto do segundo tempo.

Aos 21 minutos, Alcides Ghiggia cruzou pela direita e Schiaffino apareceu na área para empatar o jogo. Mesmo com o resultado ainda a favor, o Brasil ficou nervoso e cometeu o erro de se abrir em busca de um gol que trouxesse tranquilidade. Aos 34 minutos, o lance que mudaria para sempre a história do futebol se repetiu: Ghiggia avançou pela ponta direita, mas, em vez de cruzar como no primeiro gol, percebeu o goleiro Barbosa dar um passo à frente e soltou um chute rasteiro no canto esquerdo. O gol silenciou a torcida e o placar de 2 a 1 sacramentou o Maracanazo. Sem cerimônias oficiais no gramado, Obdulio Varela recebeu a taça e o Uruguai conquistou seu histórico bicampeonato mundial.

A campanha do Uruguai:
4 jogos | 3 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 15 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Keystone/Getty Images

Itália Campeã da Copa do Mundo 1938

O mundo já vivia sob a sombra iminente da Segunda Guerra Mundial quando a França sediou a terceira edição da Copa do Mundo, em 1938. Paris era o epicentro cultural do planeta na primeira metade do século 20, mas a escolha do país-sede gerou crise nos bastidores do futebol. A FIFA, em uma decisão polêmica, optou por homenagear seu presidente, o francês Jules Rimet, quebrando a promessa de alternância de continentes após a edição de 1934 na Itália. Realizar dois torneios seguidos em solo europeu enfureceu as federações americanas. Como protesto, a Argentina, que se considerava a candidata natural a sediar o torneio, liderou um boicote em massa. O movimento foi aderido por quase todas as seleções das Américas do Sul, do Norte e Central.

Apenas Cuba e o Brasil cruzaram o oceano. Enquanto os cubanos herdaram a vaga por W.O., os brasileiros decidiram ir à França justamente para estreitar laços políticos com a FIFA, visando sediar o torneio no futuro. Na Europa, a geopolítica também agiu: a Áustria, que havia se classificado em campo, foi dissolvida e anexada pela Alemanha Nazista de Adolf Hitler meses antes do torneio, forçando seus atletas a jogarem sob a bandeira alemã. Mas a grande favorita era mesmo a atual campeã. A Itália de Vittorio Pozzo estava ainda mais madura e entrosada do que o time de quatro anos antes.

O Mundial aconteceu outra vez com um regulamento de mata-mata direto. A Azzurra estreou contra a Noruega, que fez um jogo duro, segurou o empate em 1 a 1 e arrastou a disputa para a prorrogação. O temor da eliminação precoce só foi espantado quando Silvio Piola marcou o gol da vitória por 2 a 1, salvando os italianos.

Nas quartas de final, a Itália ficou frente a frente com a dona da casa, a França. Com o uniforme inteiramente preto (a cor simbólica do fascismo), a Azzurra não se intimidou com a pressão das arquibancadas e venceu por 3 a 1, em outra atuação brilhante de Piola, autor de dois gol.

A semifinal reservou um confronto contra o Brasil. Os brasileiros vinham empolgados após eliminarem a Tchecoslováquia, lutaram muito, mas sofreram o revés no segundo tempo. A Azzurra abriu o placar com Gino Colaussi e ampliou para 2 a 1 através de Giuseppe Meazza. Até hoje, historiadores e torcedores brasileiros reclamam daquele segundo gol italiano, assinalado em um pênalti polêmico, onde alegam que o jogo já estava paralisado.

A final foi disputada em Paris, no Estádio Colombes, reunindo a força da Itália contra a Hungria, que superou Índias Orientais Holandesas, Suíça e Suécia. Partindo para o ataque desde o apito inicial, a máquina italiana impôs seu ritmo, anotando três gols ainda no primeiro tempo, com dois gols de Colaussi e um de Piola, enquanto os húngaros marcaram apenas um.

Na etapa final, a Hungria ameaçou uma reação ao fazer o segundo gol, mas o dia era mesmo da Itália. Piola anotou o quarto tento da Azzurra, sepultando as reações adversárias e fechando o placar em 4 a 2. Comandando e organizando a equipe dentro das quatro linhas, Giuseppe Meazza, capitão da equipe, subiu os degraus da tribuna de honra para receber a taça. A Itália consagrava-se como a primeira bicampeã mundial da história, reafirmando-se no topo do futebol mundial antes que os campos de jogo dessem lugar aos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial.

A campanha da Itália:
4 jogos | 4 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 11 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Staff/Getty Images