A Copa do Mundo de 2022 foi diferente de quase tudo que já aconteceu nos 92 anos anteriores de história do torneio. Realizada no Catar, foi a primeira edição sediada no Oriente Médio e marcou o retorno da competição ao continente asiático após 20 anos. Diante das temperaturas extremas que assolam o país durante o verão local nos meses de junho e julho, a FIFA tomou a decisão inédita de realocar o calendário do torneio para os meses de novembro e dezembro, quando o clima é mais ameno.
Em campo, o torneio ficou marcado como o Mundial das das zebras históricas. A Itália ficou de fora mais uma vez. No torneio, o Japão desbancou Alemanha e Espanha, a Tunísia derrotou a França e Camarões bateu o Brasil, tudo isso na primeira fase. Acima de tudo, Marrocos fazer história ao se tornar a seleção africana e árabe a alcançar a semifinal de um Mundial.
Mas nenhuma reviravolta foi tão emblemática quanto a da própria campeã. A história da Argentina foi da lama ao sucesso do tricampeonato, encerrando um jejum de 36 anos de espera. Apelidada de "La Scaloneta", em alusão ao jovem técnico Lionel Scaloni, La Albiceleste desembarcou no Catar credenciada por uma invencibilidade de 36 jogos. Contudo, o favoritismo desmoronou logo no primeiro jogo com a derrota de virada por 2 a 1 para a Arábia Saudita.
Forçada a jogar cada partida subsequente uma final, a equipe liderada por Lionel Messi encontrou o equilíbrio com a entrada de jovens como Julián Álvarez e Enzo Fernández, além das defesas de Emiliano Martínez e da classe de Ángel Di María. A reabilitação veio com vitórias por 2 a 0 sobre o México e a Polônia. Com seis pontos somados, a Argentina avançou na liderança do Grupo C.
Nas oitavas de final, a Argentina superou a Austrália por 2 a 1. Nas quartas de final, contra a Holanda, os argentinos protagonizaram uma batalha dramática: abriram dois gols de vantagem, mas permitiram o empate holandês por 2 a 2 no último segundo dos acréscimos. Na disputa de pênaltis, o goleiro Martínez defendeu duas cobranças, garantindo a classificação por 4 a 2. Na semifinal, o time sobrou em campo e despachou a Croácia por 3 a 0, garantindo-se na decisão.
O dia 18 de dezembro de 2022 reservou o ato final no Estádio Nacional de Lusail. A Argentina enfrentou a França, que também buscava o tricampeonato após eliminar Dinamarca, Tunísia, Polônia, Inglaterra e Marrocos. E o que se viu foi a maior final de Copa do Mundo de todos os tempos. Durante os primeiros 80 minutos, os argentinos venceram com um gol de Messi abriu o placar aos 23 do primeiro tempo e Di María aos 36. Porém, em um intervalo de apenas dois minutos, Kylian Mbappé empatou a partida aos 35 e aos 36 do segundo tempo, levando a decisão para a prorrogação.
No tempo extra, Messi aproveitou um rebote na pequena área para fazer o terceiro da Argentina. Mas, valente, a França buscou o empate novamente aos 13 minutos, de novo com Mbappé, que selou o placar de 3 a 3. No último minutos da prorrogação, Emiliano Martínez defendeu com a ponta do pé um chute francês que seria o da virada. Nos pênaltis, o goleiro voltou a brilhar ao defender uma cobrança, somada a outra que a França jogou para fora. Com 100% de eficiência, a Argentina fechou o placar em 4 a 2, e Messi, em sua quinta tentativa, finalmente exorcizou todas as suas dores e recebeu a taça, imortalizando-se de vez no topo do futebol mundial.






