A quinta glória do Brasil em Copas do Mundo aconteceu na primeira edição do século 21, em 2002. Aquela edição foi histórica por ser a primeira realizada na Ásia e a primeira dividida entre dois países-sede: Japão e Coreia do Sul. O triunfo canarinho foi uma verdadeira epopeia, considerando o cenário caótico que antecedeu o torneio. O Brasil flertou com o vexame de ficar de fora do Mundial, enfrentando eliminatórias turbulentas e uma dança das cadeiras que viu dois técnicos (Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão) caírem em dois anos.
Coube a Luiz Felipe Scolari assumir o comando de um elenco desacreditado. Sob sua liderança, o treinador blindou o grupo, criando a "Família Scolari". No Oriente, o pragmatismo do esquema com três zagueiros casou perfeitamente com o talento do quarteto ofensivo composto por Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e o lateral Roberto Carlos. A trajetória começou na Coreia do Sul. A estreia contra a Turquia foi dramática: o Brasil saiu perdendo e precisou de muita insistência para virar o placar para 2 a 1. Passado o susto, a confiança começou a subir com as goleadas por 4 a 0 sobre a China e por 5 a 2 sobre a Costa Rica. Os resultados garantiram ao Brasil a liderança do Grupo C com nove pontos.
O verdadeiro teste de fogo começou no mata-mata, quando a delegação cruzou o mar em direção ao Japão. Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou a Bélgica. Os belgas chegaram a abrir o placar, mas o gol foi anulado pela arbitragem. Após o susto, Rivaldo e Ronaldo decidiram a vitória por 2 a 0.
Nas quartas de final, a pedreira foi contra a Inglaterra. Os ingleses saíram na frente, mas Ronaldinho Gaúcho assumiu o protagonismo brasileiro. Primeiro, ele fez uma jogada genial para servir Rivaldo, que empatou o jogo. No segundo tempo, Ronaldinho cobrou uma falta lateral direto para o gol, encobrindo o goleiro inglês. Logo após marcar o gol da virada por 2 a 1, o meia foi expulso, porém o Brasil segurou o placar.
Na semifinal, ocorreu o reencontro com a surpreendente Turquia. Diferente do primeiro jogo, não houve espaço para erros, mas sim para o oportunismo de Ronaldo Fenômeno. Com um chute de bico de chuteira, ele decretou o placar de 1 a 0, carimbando o passaporte brasileiro para a final.
A decisão, no Estádio Internacional de Yokohama, foi contra a Alemanha, que passou por Camarões, Arábia Saudita, Paraguai, Estados Unidos e Coreia do Sul. Apesar de serem as duas maiores potências da história dos Mundiais, os dois países jamais haviam se enfrentado em uma Copa do Mundo. A partida correu em alta velocidade, com chances reais de gol para ambos os lados.
Mas a noite estava reservada para Ronaldo. Dois anos antes, ele havia sofrido uma lesão no joelho que quase o aposentou do esporte. Aos 22 minutos da etapa final, Ronaldo aproveitou o rebote em um chute de Rivaldo e abriu o placar. Aos 34, Kleberson cruzou rasteiro da direita, Rivaldo fez um corta-luz, e o Fenômeno chutou no canto, fazendo 2 a 0.
O apito final coroou Ronaldo como o artilheiro do torneio, com oito gols. Com a vitória, o Brasil despachou os alemães e conquistou o planeta pela quinta vez. No momento de erguer o troféu, coube ao lateral Cafu ser eternizado como o capitão do pentacampeonato.
A campanha do Brasil:
7 jogos | 7 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 18 gols marcados | 4 gols sofridos






