Espanha Campeã da Copa do Mundo 2010

A primeira vez que o continente africano sediou uma Copa do Mundo foi em 2010. A África do Sul teve a histórica incumbência de realizar a maior competição do futebol mundial, simbolizando a reconciliação da nação liderada por Nelson Mandela. Foi debaixo do ensurdecedor som das vuvuzelas que a Espanha enfim concluiu o seu sonho de alcançar o topo do planeta, deixando para trás o rótulo de "amarelona" após sucessivas decepções. O estilo de jogo baseado na posse de bola paciente e nos passes curtos, o Tiki-Taka, executado por Andrés Iniesta, Xavi Hernández e David Villa rendeu o maior fruto do futebol espanhol, consolidando uma era que também faturou as Eurocopas de 2008 e 2012.

Antes, porém, os espanhóis levaram um choque logo na primeira rodada. A badalada Roja estreou com uma derrota por 1 a 0 para a Suíça. A recuperação na fase de grupos veio com tranquilidade: vitórias por 2 a 0 sobre Honduras e por 2 a 1 sobre o Chile. Os resultados garantiram à Espanha a liderança do Grupo H, com seis pontos. Nas oitavas de final, os espanhóis disputaram um confronto contra Portugal. Em um jogo tático, a vitória veio pelo placar de 1 a 0, graças ao oportunismo do artilheiro David Villa.

Nas quartas de final, o adversário foi o surpreendente Paraguai, em uma das partidas mais emocionantes daquele Mundial. O empate persistiu em um cenário caótico no segundo tempo, onde o goleiro Iker Casillas defendeu um pênalti e, minutos depois, a Espanha também desperdiçou uma penalidade. A classificação para a semifinal só foi selada com um gol chorado de Villa, no qual a bola bateu nas duas traves antes de cruzar a linha: mais um 1 a 0 na conta.

Paralelamente, aquelas quartas de final de 2010 guardaram o confronto mais apoteótico do torneio entre Uruguai e Gana. Os africanos tiveram a chance de colocar o continente em uma semifinal inédita no último minuto da prorrogação, mas o atacante Luis Suárez salvou um gol em cima da linha com as duas mãos. Asamoah Gyan isolou o pênalti resultante e, na disputa subsequente, o Uruguai avançou com o atacante Sebastián Abreu acertando uma cavadinha na cobrança decisiva.

A Alemanha cruzou o caminho espanhol na semifinal. Demonstrando uma maturidade tática impressionante, a Espanha anulou o time alemão e garantiu outro triunfo por 1 a 0 no segundo tempo, graças a uma cabeçada fulminante do zagueiro Carles Puyol após cobrança de escanteio, colocando os espanhóis em sua primeira final em 80 anos de história dos Mundiais.

No Estádio Soccer City, em Johanesburgo, a Espanha enfrentou a Holanda em uma final tensa de onde sairia um campeão inédito para o futebol mundial. A Holanda, que eliminou Japão, Camarões, Eslováquia, Brasil e Uruguai, apostou em uma postura agressiva para quebrar o ritmo espanhol, o que resultou em uma quantidade alta de cartões amarelos na partida. Após um empate sem gols nos 90 minutos regulamentares, a decisão estendeu-se para a prorrogação.

Faltando apenas quatro minutos para o apito final e a disputa por pênaltis, a persistência da Espanha prevaleceu. Cesc Fàbregas encontrou Andrés Iniesta livre pelo lado direito da grande área, e o meia acertou um chute cruzado indefensável no gol holandês. A quarta vitória consecutiva pelo placar de 1 a 0 carimbou o título espanhol. A responsabilidade de erguer a taça coube ao capitão Casillas, eternizando o momento em que a Espanha finalmente chegou ao topo do planeta.

A campanha da Espanha:
7 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 1 derrotas | 8 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Eddie Keogh/Reuters

Itália Campeã da Copa do Mundo 2006

A Copa do Mundo de 2006, sediada na Alemanha, consagrou uma seleção fundamentada no poder de seu jogo coletivo. Na Itália daquele Mundial ninguém carregava o time nas costas. Em vez disso, todos corriam por todos dentro de campo. O tetracampeonato mundial funcionou como um alívio e redenção para o futebol italiano, que novamente vivia um mau momento institucional devido ao escândalo do Calciopoli, a máfia de manipulação de resultados e escolha de árbitros revelada meses antes do torneio.

A crise nos bastidores resultou na cassação de dois títulos nacionais da Juventus e no seu rebaixamento para a segunda divisão, além de perda de pontos para Milan, Fiorentina e Lazio. Porém, o caos uniu o elenco comandado pelo técnico Marcello Lippi. De Turim, o goleiro Gianluigi Buffon, os defensores Gianluca Zambrotta e Fabio Cannavaro, e o meio-campista Mauro Camoranesi formavam a espinha dorsal da desacreditada Azzurra. A caminhada em solo alemão começou com o pé direito através de uma vitória por 2 a 0 sobre Gana. Na sequência, um empate em 1 a 1 contra os Estados Unidos acendeu o sinal de alerta. No entanto, um triunfo por 2 a 0 sobre a talentosa Tchéquia garantiu à Itália a liderança do Grupo E, com sete pontos.

Nas oitavas de final, o drama bateu à porta no confronto contra a Austrália. Após a expulsão de Marco Materazzi no início do segundo tempo, a Itália suportou a pressão até conseguir um pênalti aos 50 minutos do segundo tempo. Francesco Totti fez 1 a 0 e empurrou os italianos, em definitivo, rumo ao título. Nas quartas de final, a equipe deslanchou ao aplicar 3 a 0 sobre a Ucrânia.

A semifinal reservou aquele que é considerado um dos maiores clássicos de toda a história dos Mundiais, contra a anfitriã Alemanha. Em uma partida épica, o placar manteve-se imóvel nos 90 minutos. Foi na prorrogação que a Azzurra calou os alemães: aos 14 minutos do segundo tempo, Fabio Grosso acertou um chute cruzado e abriu o marcador. Um minuto depois, em um contra-ataque Cannavaro, Alessandro Del Piero deu um toque sutil e selou o 2 a 0 que colocou o time italiano na final.

A decisão no Estádio Olímpico de Berlim foi contra a França, que superou Coreia do Sul, Togo, Espanha, Brasil e Portugal. O roteiro começou dramático para os italianos: aos sete minutos de jogo, Zinedine Zidane abriu o placar para os franceses de pênaltir. Mas a Itália reagiu e alcançou o empate aos 19 minutos, quando o zagueiro Materazzi subiu mais alto que a defesa rival para fazer de cabeça o gol do empate. O 1 a 1 arrastou-se para a prorrogação, palco do ato mais chocante da história das finais.

Materazzi e Zidane voltavam caminhando da grande área francesa enquanto trocavam insultos. Provocado, o italiano proferiu ofensas direcionadas à irmã do craque francês. Enfurecido, Zidane  desferiu uma cabeçada violenta no peito de Materazzi, que desabou no gramado. Zidane acabou expulso de campo, encerrando de forma melancólica a sua carreira como atleta.

Na disputa por pênaltis, o fantasma da derrota de 1994 foi finalmente exorcizado. Demonstrando 100% de eficiência, Andrea Pirlo, Materazzi, Daniele De Rossi e Del Piero converteram suas cobranças, enquanto a França desperdiçou uma. Coube a Fabio Grosso a responsabilidade do último chute e decretar a vitória por 5 a 3. A honra de erguer a taça pertenceu ao capitão Cannavaro, que viria a ser eleito o melhor jogador do mundo daquele ano.

A campanha da Itália:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 12 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Jonne Roriz/Estadão Conteúdo

Brasil Campeão da Copa do Mundo 2002

A quinta glória do Brasil em Copas do Mundo aconteceu na primeira edição do século 21, em 2002. Aquela edição foi histórica por ser a primeira realizada na Ásia e a primeira dividida entre dois países-sede: Japão e Coreia do Sul. O triunfo canarinho foi uma verdadeira epopeia, considerando o cenário caótico que antecedeu o torneio. O Brasil flertou com o vexame de ficar de fora do Mundial, enfrentando eliminatórias turbulentas e uma dança das cadeiras que viu dois técnicos (Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão) caírem em dois anos.

Coube a Luiz Felipe Scolari assumir o comando de um elenco desacreditado. Sob sua liderança, o treinador blindou o grupo, criando a "Família Scolari". No Oriente, o pragmatismo do esquema com três zagueiros casou perfeitamente com o talento do quarteto ofensivo composto por Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e o lateral Roberto Carlos. A trajetória começou na Coreia do Sul. A estreia contra a Turquia foi dramática: o Brasil saiu perdendo e precisou de muita insistência para virar o placar para 2 a 1. Passado o susto, a confiança começou a subir com as goleadas por 4 a 0 sobre a China e por 5 a 2 sobre a Costa Rica. Os resultados garantiram ao Brasil a liderança do Grupo C com nove pontos.

O verdadeiro teste de fogo começou no mata-mata, quando a delegação cruzou o mar em direção ao Japão. Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou a Bélgica. Os belgas chegaram a abrir o placar, mas o gol foi anulado pela arbitragem. Após o susto, Rivaldo e Ronaldo decidiram a vitória por 2 a 0.

Nas quartas de final, a pedreira foi contra a Inglaterra. Os ingleses saíram na frente, mas Ronaldinho Gaúcho assumiu o protagonismo brasileiro. Primeiro, ele fez uma jogada genial para servir Rivaldo, que empatou o jogo. No segundo tempo, Ronaldinho cobrou uma falta lateral direto para o gol, encobrindo o goleiro inglês. Logo após marcar o gol da virada por 2 a 1, o meia foi expulso, porém o Brasil segurou o placar.

Na semifinal, ocorreu o reencontro com a surpreendente Turquia. Diferente do primeiro jogo, não houve espaço para erros, mas sim para o oportunismo de Ronaldo Fenômeno. Com um chute de bico de chuteira, ele decretou o placar de 1 a 0, carimbando o passaporte brasileiro para a final.

A decisão, no Estádio Internacional de Yokohama, foi contra a Alemanha, que passou por Camarões, Arábia Saudita, Paraguai, Estados Unidos e Coreia do Sul. Apesar de serem as duas maiores potências da história dos Mundiais, os dois países jamais haviam se enfrentado em uma Copa do Mundo. A partida correu em alta velocidade, com chances reais de gol para ambos os lados.

Mas a noite estava reservada para Ronaldo. Dois anos antes, ele havia sofrido uma lesão no joelho que quase o aposentou do esporte. Aos 22 minutos da etapa final, Ronaldo aproveitou o rebote em um chute de Rivaldo e abriu o placar. Aos 34, Kleberson cruzou rasteiro da direita, Rivaldo fez um corta-luz, e o Fenômeno chutou no canto, fazendo 2 a 0.

O apito final coroou Ronaldo como o artilheiro do torneio, com oito gols. Com a vitória, o Brasil despachou os alemães e conquistou o planeta pela quinta vez. No momento de erguer o troféu, coube ao lateral Cafu ser eternizado como o capitão do pentacampeonato.

A campanha do Brasil:
7 jogos | 7 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 18 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Paulo Pinto/Estadão Conteúdo

França Campeã da Copa do Mundo 1998

A Copa do Mundo de 1998 representou uma nova era para o futebol mundial ao sofrer um aumento no número de participantes, expandindo-se de 24 para 32 seleções. A responsabilidade de sediar e estrear o novo formato coube à França, que não participava da competição desde 1986. Em total sintonia com o seu torcedor, a seleção francesa desbancou o favoritismo das potências tradicionais e marchou firme rumo ao inédito título mundial.

A primeira fase dos donos da casa foi tranquila. Integrando o Grupo C, a França estreou batendo a África do Sul por 3 a 0 e, logo em seguida, goleou a Arábia Saudita por 4 a 0. A equipe fechou a fase de grupos superando a Dinamarca por 2 a 1, garantindo a liderança da chave com nove pontos. O único revés nesse início promissor foi a expulsão do craque do time, Zinedine Zidane, na segunda rodada contra os sauditas. O meia foi suspenso por duas partidas após pisar em um adversário.

Nas oitavas de final, Les Bleus enfrentaram o Paraguai no jogo mais dramático de toda a sua campanha. Diante do ferrolho sul-americano, os franceses não balançaram as redes nos 90 minutos regulamentares. A incerteza pairava no ar quando a prorrogação se encaminhava para o fim. Foi quando o zagueiro Laurent Blanc entrou na área como centroavante para fazer o gol francês. A seis minutos do fim da prorrogação, o gol decretou o placar de 1 a 0 e entrou para a história como o primeiro "gol de ouro", o sistema de morte súbita, da história das Copas do Mundo.

As quartas de final reservaram um confronto contra a Itália, marcando o retorno de Zidane ao time titular. O equilíbrio tático arrastou o placar de 0 a 0 até o término da prorrogação. Na disputa de pênaltis, os franceses demonstraram maior controle emocional e carimbaram a classificação por 4 a 3.

A semifinal colocou a França diante da grande sensação do Mundial: a Croácia, que disputava a sua primeira Copa como nação independente. Os croatas surpreenderam e abriram o placar no início do segundo tempo. Mais surpreendente ainda foi o lateral Lilian Thuram, que jamais havia marcado um gol pela seleção. Com duas bolas roubadas, ele anotou os dois tentos da virada histórica. A vitória por 2 a 1 colocou a França na primeira final de sua história.

No novíssimo Stade de France, nos arredores de Paris, a França encarou o então campeão Brasil na decisão. Os brasileiros eliminaram Marrocos, Escócia, Chile, Dinamarca e Holanda. As horas que antecederam o apito inicial foram marcadas pela convulsão sofrida pelo brasileiro Ronaldo no hotel da delegação, episódio que desestruturou psicologicamente o Brasil e resultou em uma equipe apática em campo.

Alheia ao drama adversário, a França fez a partida de sua vida sob a batuta de Zidane. Demonstrando um oportunismo genial na bola parada, o camisa 10 marcou dois gols idênticos de cabeça no primeiro tempo, aproveitando cobranças de escanteio. No segundo tempo, mesmo com a expulsão do zagueiro Marcel Desailly, a França se defendeu com perfeição. Nos acréscimos, em um contra-ataque, Emmanuel Petit tocou na saída de Taffarel para dar o golpe de misericórdia. A categórica vitória por 3 a 0 conferiu à França o seu primeiro título mundial. Como Laurent Blanc estava suspenso por ter recebido cartão vermelho na semifinal, a honra de erguer a taça diante da torcida francesa a Didier Deschamps.

A campanha da França:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 15 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Brasil Campeão da Copa do Mundo 1994

Foram 24 anos de jejum e de frustrações acumuladas entre o tricampeonato em 1970 e a Copa do Mundo de 1994. No entanto, o destino voltou a sorrir para o Brasil no Mundial realizado nos Estados Unidos, que entrou para a história como a última edição disputada no formato de 24 seleções. A equipe comandada pelo técnico Carlos Alberto Parreira e pelo coordenador Zagallo não encantava, mas era eficiente. Um time que jogava pelo resultado positivo e nada mais. O talento ficava por conta de Romário, que fazia dupla de ataque com Bebeto. No meio e na defesa, Zinho, Mazinho, Dunga, Mauro Silva, Aldair e Taffarel, garantiam a blindagem necessária para o time.

A caminhada começou depois de muita pressão nas Eliminatórias, quando o Brasil se classificou somente na última rodada. Na fase de grupos da Copa, os fantasmas começaram a ser espantados com uma vitória por 2 a 0 sobre a Rússia. Na sequência, os brasileiros venceram Camarões por 3 a 0 e fecharam a primeira fase com um empate em 1 a 1 com a Suécia. O Mundial de 1994 foi o primeiro em que as vitórias passaram a valer três pontos, e a seleção Canarinho garantiu a liderança do Grupo B com sete.

No feriado de 4 de julho, o Brasil enfrentou os donos da casa pelas oitavas de final. Após a expulsão do lateral Leonardo por uma cotovelada em um atleta dos Estados Unidos, Romário apareceu para servir Bebeto, que marcou o gol da vitória brasileira por 1 a 0.

Nas quartas de final, o Brasil protagonizou um dos maiores confrontos da história dos Mundiais contra a Holanda. Após abrir dois gols de vantagem com Romário e Bebeto, o time brasileiro vacilou e cedeu o empate em um intervalo de doze minutos. A vitória veio de forma heroica na bola parada, com a cobrança forte e rasteira de Branco. O placar de 3 a 2 confirmou a classificação para a semifinal.

A Suécia reapareceu no caminho do Brasil na semifinal. Coube novamente a Romário, com 1,69 de altura, subir mais alto que a zaga sueca aos 35 minutos do segundo tempo, decretando o 1 a 0 e colocando o país na final contra a Itália, que passou por Noruega, Nigéria, Espanha e Bulgária.

A decisão reservou um confronto entre brasileiros e italianos no Rose Bowl, em Los Angeles. Era o duelo dos dois únicos tricampeões do planeta, uma reedição da final de 1970 e a chance de revanche da eliminação do Brasil em 1982. O jogo foi tenso e de poucas oportunidades de gol. Romário perdeu uma chance incrível na pequena área na prorrogação e, após 120 minutos, o placar permaneceu em 0 a 0.

Pela primeira vez na história, o título da Copa do Mundo seria decidido nos pênaltis. O drama brasileiro começou quando Márcio Santos errou a primeira cobrança. Porém, a frieza de Romário, Branco e do capitão Dunga manteve o Brasil vivo, ao mesmo tempo que a Itália também desperdiçou a primeira batida, e viu Taffarel defender o quarto pênalti. A cobrança final italiana ficou a cargo de Roberto Baggio. Mas o atacante desferiu um chute forte que subiu muito, voando por cima do travessão.

Com a vitória por 3 a 2 nos pênaltis, o Brasil rompia a fila e se isolava como o primeiro tetracampeão do mundo. Ao erguer a taça, Dunga desabafou contra as críticas sofridas nos anos anteriores, eternizou o triunfo da raça, da organização e do pragmatismo, lavando a alma de uma geração inteira de torcedores.

A campanha do Brasil:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 11 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Jack Mikrut/Imago/TT

Alemanha Campeã da Copa do Mundo 1990

Muitos críticos de futebol afirmam que a Copa do Mundo de 1990, na Itália, foi uma das mais fracas da história do ponto de vista técnico. De fato, o torneio ficou marcado pelo excesso de cartões vermelhos, pelo abuso do antijogo e pela menor média de gols de todas as edições dos Mundiais: apenas 2,21 por partida. Porém, classificar essa Copa como esquecível perto de um torcedor alemão é um erro. Afinal, foi em solo italiano que uma Alemanha em pleno processo de reunificação geopolítica transformou o sonho do tricampeonato em realidade.

O Mundial de 1990 demorou a engrenar para as grandes potências. A campeã Argentina, por exemplo, perdeu na estreia para Camarões, que tornou-se a primeira seleção africana a alcançar as quartas de final de uma Copa. A equipe argentina só ganhou sobrevida após eliminar o Brasil nas oitavas de final. Em contrapartida, a Alemanha, que ainda competia como Alemanha Ocidental, sobrou desde o início.

Sob o comando técnico do ídolo Franz Beckenbauer, os alemães estrearam goleando a Iugoslávia por 4 a 1 e, na sequência, atropelaram os Emirados Árabes por 5 a 1. Na última rodada, mesmo o empate em 1 a 1 cedido para a Colômbia no último minuto não tirou a liderança isolada do Grupo D das mãos alemãs, que fecharam a fase com cinco pontos.

Nas oitavas de final, a Alemanha encarou a rival Holanda e venceu por 2 a 1 em uma partida tensa, com gols de Jürgen Klinsmann e Andreas Brehme. Nas quartas, contra a Tchecoslováquia, a classificação veio com um triunfo por 1 a 0, com um gol de pênalti anotado por Lothar Matthäus. A semifinal reservou outro clássico europeu contra a Inglaterra. Após um empate por 1 a 1 nos 120 minutos de tempo normal e prorrogação, a vaga na final foi decidida nos pênaltis. O goleiro Bodo Illgner defendeu uma cobrança, os ingleses desperdiçaram outra, e a classificação alemã para a decisão foi confirmada com o placar de 4 a 3.

A final no Estádio Olímpico de Roma promoveu um reencontro histórico: um replay exato da final de 1986 contra a Argentina que, além do Brasil, eliminou União Soviética, Iugoslávia e Itália. Os alemães pisaram no gramado dispostos a reescrever o desfecho da Copa anterior. Na retranca, o time argentino abdicou do ataque e viu os alemães empilharem chances.

O destino do confronto mudou aos 39 minutos do segundo tempo. O árbitro assinalou um pênalti polêmico sobre o atacante Rudi Völler. Até os dias de hoje, os argentinos juram convictamente que o atacante simulou o contato e que o lance foi uma injustiça histórica. Andreas Brehme chutou forte e rasteiro, no canto esquerdo do goleiro.

O placar de 1 a 0 foi o suficiente para decretar a Alemanha como tricampeã mundial. A taça foi erguida pelo capitão Matthäus, e a conquista enfim fez justiça à geração de Klinsmann, Brehme e Völler, que vinha de dois vice-campeonatos consecutivos em 1982 e 1986. Além de consagrar Beckenbauer como técnico, que se igualou a Mário Jorge Lobo Zagallo ao vencer a Copa como jogador (1974) e como treinador. O título de 1990 ainda serviu como a imagem perfeita para a queda do Muro de Berlim. Meses após a final, as duas Alemanhas unificaram-se oficialmente, transformando aquela conquista esportiva no primeiro  abraço de uma nação que se reencontrou.

A campanha da Alemanha:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Bongarts/Getty Images

Argentina Campeã da Copa do Mundo 1986

A Copa do Mundo de 1986 entrou para a história como o torneio em que a genialidade de um único craque foi capaz de carregar uma seleção inteira nas costas rumo à glória máxima. Sob a liderança de Diego Maradona, a Argentina conquistou o seu bicampeonato mundial no México. Originalmente, a competição deveria ter sido realizada na Colômbia, mas o governo colombiano desistiu do compromisso quatro anos antes devido a graves problemas econômicos.

Diante da emergência, a FIFA escolheu o México, que superou um trágico terremoto em 1985 para se tornar o primeiro país a sediar o Mundial por duas vezes, reaproveitando a estrutura de 1970. Após a experiência de regulamento na Copa anterior, a entidade máxima do futebol reestruturou o torneio: manteve as 24 seleções, mas restabeleceu o sistema de mata-mata a partir das oitavas de final, classificando os dois primeiros de cada grupo e os quatro melhores terceiros colocados.

A caminhada argentina começou sob desconfiança, mas o time de Carlos Bilardo logo mostrou sua força na estreia com uma vitória por 3 a 1 sobre a Coreia do Sul. A campanha seguiu com um empate em 1 a 1 com a então campeã Itália e fechou a fase de grupos com um 2 a 0 sobre a Bulgária. Classificada na liderança isolada do Grupo A com cinco pontos, a Albiceleste enfrentou o seu tradicional rival, o Uruguai, nas oitavas de final, carimbando a vaga com uma vitória por 1 a 0.

Nas quartas de final, o futebol transcendeu o esporte para se tornar história viva no Estádio Azteca. O confronto contra a Inglaterra estava carregado por uma pesada atmosfera, sendo o primeiro encontro entre as nações após a Guerra das Malvinas de 1982. Em apenas quatro minutos no segundo tempo, o mundo testemunhou as duas faces de Maradona. No primeiro gol, aos seis minutos, o camisa 10 aproveitou um balão rebatido e dividiu pelo alto com o goleiro inglês. Usando a mão esquerda colada à cabeça, ele empurrou a bola para as redes. Na entrevista pós-jogo, Maradona declarou que o gol fora marcado "um pouco com a cabeça de e um pouco com a mão de Deus".

Aos dez minutos, veio a perfeição. Maradona dominou a bola ainda antes da linha do meio-campo, girou sobre dois marcadores ingleses e arrancou em velocidade pela ponta direita. Em uma corrida de mais de 60 metros, ele deixou mais quatro defensores para trás , driblou o goleiro e empurrou a bola para o fundo do gol. O "Gol do Século" selou a histórica vitória por 2 a 1. Na semifinal, a Argentina venceu por 2 a 0 sobre a Bélgica, com mais dois gols de Maradona.

A decisão do Mundial colocou frente a frente Argentina e Alemanha no Azteca. Os alemães eliminaram Escócia, Marrocos, México e França, mas não foram páreo para os argentinos, que abriram 2 a 0 em 55 minutos de jogo, com gols de José Luis Brown e Jorge Valdano. Os alemães chegaram a reagir em um intervalo de apenas seis minutos no final do segundo tempo e empataram a partida aos 35 minutos. 

Quando a final parecia se encaminhar para a prorrogação, Maradona lançou Jorge Burruchaga, que tocou na saída do goleiro e decretou o placar final de 3 a 2. A Argentina conquistava o bicampeonato mundial. Aquela Copa do Mundo selou a total e absoluta consagração de Diego Maradona, que ao erguer a taça como o capitão albiceleste, eternizou-se não como o maior ídolo de uma nação e o dono de uma era do futebol.

A campanha da Argentina:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto David Cannon/CA/Getty Images