França Campeã da Copa do Mundo 2018

Pela primeira vez em 88 anos de história das Copas do Mundo, a competição ancorou no Leste Europeu. O anfitrião da edição de 2018 foi a Rússia, país que serviu de palco para algumas das surpresas mais impactantes e imprevisíveis do século 21 no futebol. Todos assistiram com surpresa a então campeã Alemanha cair ainda na fase de grupos e a ascensão da Croácia, que contrariou todas as previsões e chegou até a final. Tudo isso sem contar também a não-classificação da Itália, algo que não acontecia desde 1958.

Os croatas, no entanto, só sucumbiram diante do pragmatismo da França, que se sagrou bicampeã do mundo 20 anos após a sua primeira glória. Comandada por Kylian Mbappé, Antoine Griezmann, Paul Pogba, N'Golo Kanté e Hugo Lloris, a equipe foi ganhando corpo à medida que os principais favoritos se complicavam. Embora não iniciasse o torneio cotada como a grande força a ser batida, a seleção francesa provou em campo a força de sua consistência tática.

Na primeira fase, Les Bleus construíram uma campanha segura, embora sem exibições brilhantes no Grupo C. A estreia foi marcada pela vitória por 2 a 1 sobre a Austrália, na histórica primeira partida de Copas a utilizar o árbitro de vídeo (VAR), para assinalar um pênalti. Na sequência, a França bateu o Peru por 1 a 0 com um gol do jovem Mbappé. Na última rodada, poupando titulares, os franceses empataram em 0 a 0 com a Dinamarca, segurando a liderança da chave com sete pontos.

O verdadeiro cartão de visitas da França foi apresentado nas oitavas de final, contra a Argentina. Em uma partida com duas viradas no placar, os franceses eliminaram os sul-americanos ao vencer por 4 a 3, com gols de Griezmann, Benjamin Pavard e dois de Mbappé. Nas quartas de final, a França derrubou o Uruguai por 2 a 0.

A semifinal reservou um duelo tático contra a Bélgica, que vinha de eliminar o Brasil. Em um confronto amarrado e definido nos detalhes, a França triunfou por 1 a 0 graças a uma cabeçada do zagueiro Samuel Umtiti logo no início do segundo tempo, após cobrança de escanteio.

A final ocorreu no Estádio Luzhniki, em Moscou. Do outro lado estava a Croácia, que passou por Nigéria, Islândia, Dinamarca, Rússia e Inglaterra, e estava esgotada fisicamente após disputar três prorrogações no mata-mata. Demonstrando frieza, a França aproveitou cada brecha e aplicou 4 a 2 nos croatas. O placar foi inaugurado aos 18 minutos com um gol contra do atacante Mario Mandzukic. Após o empate croata, Les Bleus retomaram a vantagem ainda no primeiro tempo: Griezmann converteu um pênalti e fez o segundo gol.

No segundo tempo, Pogba acertou um chute de fora da área para fazer o terceiro aos 14 minutos e, aos 20, Mbappé bateu rasteiro para anotar o quarto. Houve tempo ainda para uma bobeira inacreditável do goleiro Lloris, que entregou o segundo gol croata, mas a falha em nada diminuiu a festa francesa no apito final. O título coroou com perfeição o trabalho do técnico Didier Deschamps, que igualou-se a Zagallo e Franz Beckenbauer como os únicos homens no planeta a conquistarem a Copa do Mundo tanto como atleta quanto como técnico. A taça foi erguida pelo capitão e goleiro Lloris, debaixo de um temporal.

A campanha da França:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Odd Andersen/AFP

Alemanha Campeã da Copa do Mundo 2014

Depois de 64 anos, o Brasil voltou a ser o coração do futebol mundial ao sediar a Copa do Mundo de 2014. A competição em solo sul-americano, entrou para a história por contornos dramáticos: a maior humilhação sofrida pela seleção brasileira em todos os tempos e o feito inédito de uma seleção europeia conquistar o título nas Américas. A honra ficou com a Alemanha, que ergueu o tetracampeonato mundial. Sob a liderança técnica de Thomas Müller, Philipp Lahm, Mesut Özil, Sami Khedira, Miroslav Klose e o goleiro Manuel Neuer, o time comandado por Joachim Löw coroou um projeto iniciado pelo treinador oito anos antes.

A caminhada começou com a goleada por 4 a 0 sobre o Portugal, em Salvador. Porém, a estreia fácil foi contrastada pela sequência difícil: a Alemanha enfrentou forte resistência no empate por 2 a 2 contra  Gana, em Fortaleza, e suou para vencer os Estados Unidos por 1 a 0 em Recife. Os resultados garantiram à Mannschaft a liderança do Grupo G com sete pontos.

O confronto mais perigoso da campanha alemã ocorreu nas oitavas de final, contra a Argélia em Porto Alegre. Diante de uma retranca argelina, a Alemanha esbarrou no placar durante os primeiros 90 minutos. Na prorrogação, a eficiência alemã prevaleceu com gols de André Schürrle e Mesut Özil, selando a vitória por 2 a 1. Nas quartas de final, no Rio de Janeiro, o zagueiro Mats Hummels garantiu o triunfo por 1 a 0 sobre a França.

E então, veio a semifinal no Mineirão, em Belo Horizonte... Diante de um Brasil confuso, desorganizado e emocionalmente abalado pelo desfalque de Neymar, a Alemanha protagonizou o maior massacre da história moderna do futebol. O primeiro gol saiu aos 11 minutos do primeiro tempo, com Müller. Aos 22, Klose marcou o segundo e chegou a 16 gols, ultrapassando Ronaldo Fenômeno como o maior artilheiro da história das Copas.

A partir dali, a porteira brasileira se abriu: Toni Kroos fez o terceiro aos 24 e o quarto aos 26 minutos, e Khedira anotou o quinto aos 29, fechando o primeiro tempo. Na etapa complementar, Schürrle saiu do banco para balançar as redes mais duas vezes, aos 24 e aos 34 minutos. O histórico placar de 7 a 1 (com Oscar descontando aos 45) colocou a Alemanha na final no Rio de Janeiro.

A decisão no Maracanã colocou frente a frente Alemanha e Argentina, consolidando este como o confronto mais repetido em finais de Copa do Mundo, com três edições (1986, 1990 e 2014). Os argentinos bateram Bósnia, Irã, Suíça, Bélgica e Holanda. O jogo foi estudado, com a Argentina desperdiçando chances claras de gol. Após 90 minutos de placar zerado, a final partiu rumo à prorrogação.

Foi quando a estrela de Joachim Löw brilhou ao acionar o banco de reservas. Mario Götze entrou no lugar de Klose na etapa final. Aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação, Götze dominou a bola e, sem a deixar cair, emendou um chute cruzado para fazer o gol do título. O 1 a 0 foi o carimbo final para a consagração. Depois de 24 anos de espera, a Copa do Mundo voltava pela quarta vez para os braços da Alemanha. Pelas mãos do capitão Lahm, a taça foi erguida, coroando uma equipe que aliou a frieza tática da Europa ao calor e à simpatia do povo brasileiro.

A campanha da Alemanha:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 18 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Sven Simon/Imago/Sportfotodienst

Espanha Campeã da Copa do Mundo 2010

A primeira vez que o continente africano sediou uma Copa do Mundo foi em 2010. A África do Sul teve a histórica incumbência de realizar a maior competição do futebol mundial, simbolizando a reconciliação da nação liderada por Nelson Mandela. Foi debaixo do ensurdecedor som das vuvuzelas que a Espanha enfim concluiu o seu sonho de alcançar o topo do planeta, deixando para trás o rótulo de "amarelona" após sucessivas decepções. O estilo de jogo baseado na posse de bola paciente e nos passes curtos, o Tiki-Taka, executado por Andrés Iniesta, Xavi Hernández e David Villa rendeu o maior fruto do futebol espanhol, consolidando uma era que também faturou as Eurocopas de 2008 e 2012.

Antes, porém, os espanhóis levaram um choque logo na primeira rodada. A badalada Roja estreou com uma derrota por 1 a 0 para a Suíça. A recuperação na fase de grupos veio com tranquilidade: vitórias por 2 a 0 sobre Honduras e por 2 a 1 sobre o Chile. Os resultados garantiram à Espanha a liderança do Grupo H, com seis pontos. Nas oitavas de final, os espanhóis disputaram um confronto contra Portugal. Em um jogo tático, a vitória veio pelo placar de 1 a 0, graças ao oportunismo do artilheiro David Villa.

Nas quartas de final, o adversário foi o surpreendente Paraguai, em uma das partidas mais emocionantes daquele Mundial. O empate persistiu em um cenário caótico no segundo tempo, onde o goleiro Iker Casillas defendeu um pênalti e, minutos depois, a Espanha também desperdiçou uma penalidade. A classificação para a semifinal só foi selada com um gol chorado de Villa, no qual a bola bateu nas duas traves antes de cruzar a linha: mais um 1 a 0 na conta.

Paralelamente, aquelas quartas de final de 2010 guardaram o confronto mais apoteótico do torneio entre Uruguai e Gana. Os africanos tiveram a chance de colocar o continente em uma semifinal inédita no último minuto da prorrogação, mas o atacante Luis Suárez salvou um gol em cima da linha com as duas mãos. Asamoah Gyan isolou o pênalti resultante e, na disputa subsequente, o Uruguai avançou com o atacante Sebastián Abreu acertando uma cavadinha na cobrança decisiva.

A Alemanha cruzou o caminho espanhol na semifinal. Demonstrando uma maturidade tática impressionante, a Espanha anulou o time alemão e garantiu outro triunfo por 1 a 0 no segundo tempo, graças a uma cabeçada fulminante do zagueiro Carles Puyol após cobrança de escanteio, colocando os espanhóis em sua primeira final em 80 anos de história dos Mundiais.

No Estádio Soccer City, em Johanesburgo, a Espanha enfrentou a Holanda em uma final tensa de onde sairia um campeão inédito para o futebol mundial. A Holanda, que eliminou Japão, Camarões, Eslováquia, Brasil e Uruguai, apostou em uma postura agressiva para quebrar o ritmo espanhol, o que resultou em uma quantidade alta de cartões amarelos na partida. Após um empate sem gols nos 90 minutos regulamentares, a decisão estendeu-se para a prorrogação.

Faltando apenas quatro minutos para o apito final e a disputa por pênaltis, a persistência da Espanha prevaleceu. Cesc Fàbregas encontrou Andrés Iniesta livre pelo lado direito da grande área, e o meia acertou um chute cruzado indefensável no gol holandês. A quarta vitória consecutiva pelo placar de 1 a 0 carimbou o título espanhol. A responsabilidade de erguer a taça coube ao capitão Casillas, eternizando o momento em que a Espanha finalmente chegou ao topo do planeta.

A campanha da Espanha:
7 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 1 derrotas | 8 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Eddie Keogh/Reuters

Itália Campeã da Copa do Mundo 2006

A Copa do Mundo de 2006, sediada na Alemanha, consagrou uma seleção fundamentada no poder de seu jogo coletivo. Na Itália daquele Mundial ninguém carregava o time nas costas. Em vez disso, todos corriam por todos dentro de campo. O tetracampeonato mundial funcionou como um alívio e redenção para o futebol italiano, que novamente vivia um mau momento institucional devido ao escândalo do Calciopoli, a máfia de manipulação de resultados e escolha de árbitros revelada meses antes do torneio.

A crise nos bastidores resultou na cassação de dois títulos nacionais da Juventus e no seu rebaixamento para a segunda divisão, além de perda de pontos para Milan, Fiorentina e Lazio. Porém, o caos uniu o elenco comandado pelo técnico Marcello Lippi. De Turim, o goleiro Gianluigi Buffon, os defensores Gianluca Zambrotta e Fabio Cannavaro, e o meio-campista Mauro Camoranesi formavam a espinha dorsal da desacreditada Azzurra. A caminhada em solo alemão começou com o pé direito através de uma vitória por 2 a 0 sobre Gana. Na sequência, um empate em 1 a 1 contra os Estados Unidos acendeu o sinal de alerta. No entanto, um triunfo por 2 a 0 sobre a talentosa Tchéquia garantiu à Itália a liderança do Grupo E, com sete pontos.

Nas oitavas de final, o drama bateu à porta no confronto contra a Austrália. Após a expulsão de Marco Materazzi no início do segundo tempo, a Itália suportou a pressão até conseguir um pênalti aos 50 minutos do segundo tempo. Francesco Totti fez 1 a 0 e empurrou os italianos, em definitivo, rumo ao título. Nas quartas de final, a equipe deslanchou ao aplicar 3 a 0 sobre a Ucrânia.

A semifinal reservou aquele que é considerado um dos maiores clássicos de toda a história dos Mundiais, contra a anfitriã Alemanha. Em uma partida épica, o placar manteve-se imóvel nos 90 minutos. Foi na prorrogação que a Azzurra calou os alemães: aos 14 minutos do segundo tempo, Fabio Grosso acertou um chute cruzado e abriu o marcador. Um minuto depois, em um contra-ataque Cannavaro, Alessandro Del Piero deu um toque sutil e selou o 2 a 0 que colocou o time italiano na final.

A decisão no Estádio Olímpico de Berlim foi contra a França, que superou Coreia do Sul, Togo, Espanha, Brasil e Portugal. O roteiro começou dramático para os italianos: aos sete minutos de jogo, Zinedine Zidane abriu o placar para os franceses de pênaltir. Mas a Itália reagiu e alcançou o empate aos 19 minutos, quando o zagueiro Materazzi subiu mais alto que a defesa rival para fazer de cabeça o gol do empate. O 1 a 1 arrastou-se para a prorrogação, palco do ato mais chocante da história das finais.

Materazzi e Zidane voltavam caminhando da grande área francesa enquanto trocavam insultos. Provocado, o italiano proferiu ofensas direcionadas à irmã do craque francês. Enfurecido, Zidane  desferiu uma cabeçada violenta no peito de Materazzi, que desabou no gramado. Zidane acabou expulso de campo, encerrando de forma melancólica a sua carreira como atleta.

Na disputa por pênaltis, o fantasma da derrota de 1994 foi finalmente exorcizado. Demonstrando 100% de eficiência, Andrea Pirlo, Materazzi, Daniele De Rossi e Del Piero converteram suas cobranças, enquanto a França desperdiçou uma. Coube a Fabio Grosso a responsabilidade do último chute e decretar a vitória por 5 a 3. A honra de erguer a taça pertenceu ao capitão Cannavaro, que viria a ser eleito o melhor jogador do mundo daquele ano.

A campanha da Itália:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 12 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Jonne Roriz/Estadão Conteúdo

Brasil Campeão da Copa do Mundo 2002

A quinta glória do Brasil em Copas do Mundo aconteceu na primeira edição do século 21, em 2002. Aquela edição foi histórica por ser a primeira realizada na Ásia e a primeira dividida entre dois países-sede: Japão e Coreia do Sul. O triunfo canarinho foi uma verdadeira epopeia, considerando o cenário caótico que antecedeu o torneio. O Brasil flertou com o vexame de ficar de fora do Mundial, enfrentando eliminatórias turbulentas e uma dança das cadeiras que viu dois técnicos (Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão) caírem em dois anos.

Coube a Luiz Felipe Scolari assumir o comando de um elenco desacreditado. Sob sua liderança, o treinador blindou o grupo, criando a "Família Scolari". No Oriente, o pragmatismo do esquema com três zagueiros casou perfeitamente com o talento do quarteto ofensivo composto por Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e o lateral Roberto Carlos. A trajetória começou na Coreia do Sul. A estreia contra a Turquia foi dramática: o Brasil saiu perdendo e precisou de muita insistência para virar o placar para 2 a 1. Passado o susto, a confiança começou a subir com as goleadas por 4 a 0 sobre a China e por 5 a 2 sobre a Costa Rica. Os resultados garantiram ao Brasil a liderança do Grupo C com nove pontos.

O verdadeiro teste de fogo começou no mata-mata, quando a delegação cruzou o mar em direção ao Japão. Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou a Bélgica. Os belgas chegaram a abrir o placar, mas o gol foi anulado pela arbitragem. Após o susto, Rivaldo e Ronaldo decidiram a vitória por 2 a 0.

Nas quartas de final, a pedreira foi contra a Inglaterra. Os ingleses saíram na frente, mas Ronaldinho Gaúcho assumiu o protagonismo brasileiro. Primeiro, ele fez uma jogada genial para servir Rivaldo, que empatou o jogo. No segundo tempo, Ronaldinho cobrou uma falta lateral direto para o gol, encobrindo o goleiro inglês. Logo após marcar o gol da virada por 2 a 1, o meia foi expulso, porém o Brasil segurou o placar.

Na semifinal, ocorreu o reencontro com a surpreendente Turquia. Diferente do primeiro jogo, não houve espaço para erros, mas sim para o oportunismo de Ronaldo Fenômeno. Com um chute de bico de chuteira, ele decretou o placar de 1 a 0, carimbando o passaporte brasileiro para a final.

A decisão, no Estádio Internacional de Yokohama, foi contra a Alemanha, que passou por Camarões, Arábia Saudita, Paraguai, Estados Unidos e Coreia do Sul. Apesar de serem as duas maiores potências da história dos Mundiais, os dois países jamais haviam se enfrentado em uma Copa do Mundo. A partida correu em alta velocidade, com chances reais de gol para ambos os lados.

Mas a noite estava reservada para Ronaldo. Dois anos antes, ele havia sofrido uma lesão no joelho que quase o aposentou do esporte. Aos 22 minutos da etapa final, Ronaldo aproveitou o rebote em um chute de Rivaldo e abriu o placar. Aos 34, Kleberson cruzou rasteiro da direita, Rivaldo fez um corta-luz, e o Fenômeno chutou no canto, fazendo 2 a 0.

O apito final coroou Ronaldo como o artilheiro do torneio, com oito gols. Com a vitória, o Brasil despachou os alemães e conquistou o planeta pela quinta vez. No momento de erguer o troféu, coube ao lateral Cafu ser eternizado como o capitão do pentacampeonato.

A campanha do Brasil:
7 jogos | 7 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 18 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Paulo Pinto/Estadão Conteúdo

França Campeã da Copa do Mundo 1998

A Copa do Mundo de 1998 representou uma nova era para o futebol mundial ao sofrer um aumento no número de participantes, expandindo-se de 24 para 32 seleções. A responsabilidade de sediar e estrear o novo formato coube à França, que não participava da competição desde 1986. Em total sintonia com o seu torcedor, a seleção francesa desbancou o favoritismo das potências tradicionais e marchou firme rumo ao inédito título mundial.

A primeira fase dos donos da casa foi tranquila. Integrando o Grupo C, a França estreou batendo a África do Sul por 3 a 0 e, logo em seguida, goleou a Arábia Saudita por 4 a 0. A equipe fechou a fase de grupos superando a Dinamarca por 2 a 1, garantindo a liderança da chave com nove pontos. O único revés nesse início promissor foi a expulsão do craque do time, Zinedine Zidane, na segunda rodada contra os sauditas. O meia foi suspenso por duas partidas após pisar em um adversário.

Nas oitavas de final, Les Bleus enfrentaram o Paraguai no jogo mais dramático de toda a sua campanha. Diante do ferrolho sul-americano, os franceses não balançaram as redes nos 90 minutos regulamentares. A incerteza pairava no ar quando a prorrogação se encaminhava para o fim. Foi quando o zagueiro Laurent Blanc entrou na área como centroavante para fazer o gol francês. A seis minutos do fim da prorrogação, o gol decretou o placar de 1 a 0 e entrou para a história como o primeiro "gol de ouro", o sistema de morte súbita, da história das Copas do Mundo.

As quartas de final reservaram um confronto contra a Itália, marcando o retorno de Zidane ao time titular. O equilíbrio tático arrastou o placar de 0 a 0 até o término da prorrogação. Na disputa de pênaltis, os franceses demonstraram maior controle emocional e carimbaram a classificação por 4 a 3.

A semifinal colocou a França diante da grande sensação do Mundial: a Croácia, que disputava a sua primeira Copa como nação independente. Os croatas surpreenderam e abriram o placar no início do segundo tempo. Mais surpreendente ainda foi o lateral Lilian Thuram, que jamais havia marcado um gol pela seleção. Com duas bolas roubadas, ele anotou os dois tentos da virada histórica. A vitória por 2 a 1 colocou a França na primeira final de sua história.

No novíssimo Stade de France, nos arredores de Paris, a França encarou o então campeão Brasil na decisão. Os brasileiros eliminaram Marrocos, Escócia, Chile, Dinamarca e Holanda. As horas que antecederam o apito inicial foram marcadas pela convulsão sofrida pelo brasileiro Ronaldo no hotel da delegação, episódio que desestruturou psicologicamente o Brasil e resultou em uma equipe apática em campo.

Alheia ao drama adversário, a França fez a partida de sua vida sob a batuta de Zidane. Demonstrando um oportunismo genial na bola parada, o camisa 10 marcou dois gols idênticos de cabeça no primeiro tempo, aproveitando cobranças de escanteio. No segundo tempo, mesmo com a expulsão do zagueiro Marcel Desailly, a França se defendeu com perfeição. Nos acréscimos, em um contra-ataque, Emmanuel Petit tocou na saída de Taffarel para dar o golpe de misericórdia. A categórica vitória por 3 a 0 conferiu à França o seu primeiro título mundial. Como Laurent Blanc estava suspenso por ter recebido cartão vermelho na semifinal, a honra de erguer a taça diante da torcida francesa a Didier Deschamps.

A campanha da França:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 15 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Brasil Campeão da Copa do Mundo 1994

Foram 24 anos de jejum e de frustrações acumuladas entre o tricampeonato em 1970 e a Copa do Mundo de 1994. No entanto, o destino voltou a sorrir para o Brasil no Mundial realizado nos Estados Unidos, que entrou para a história como a última edição disputada no formato de 24 seleções. A equipe comandada pelo técnico Carlos Alberto Parreira e pelo coordenador Zagallo não encantava, mas era eficiente. Um time que jogava pelo resultado positivo e nada mais. O talento ficava por conta de Romário, que fazia dupla de ataque com Bebeto. No meio e na defesa, Zinho, Mazinho, Dunga, Mauro Silva, Aldair e Taffarel, garantiam a blindagem necessária para o time.

A caminhada começou depois de muita pressão nas Eliminatórias, quando o Brasil se classificou somente na última rodada. Na fase de grupos da Copa, os fantasmas começaram a ser espantados com uma vitória por 2 a 0 sobre a Rússia. Na sequência, os brasileiros venceram Camarões por 3 a 0 e fecharam a primeira fase com um empate em 1 a 1 com a Suécia. O Mundial de 1994 foi o primeiro em que as vitórias passaram a valer três pontos, e a seleção Canarinho garantiu a liderança do Grupo B com sete.

No feriado de 4 de julho, o Brasil enfrentou os donos da casa pelas oitavas de final. Após a expulsão do lateral Leonardo por uma cotovelada em um atleta dos Estados Unidos, Romário apareceu para servir Bebeto, que marcou o gol da vitória brasileira por 1 a 0.

Nas quartas de final, o Brasil protagonizou um dos maiores confrontos da história dos Mundiais contra a Holanda. Após abrir dois gols de vantagem com Romário e Bebeto, o time brasileiro vacilou e cedeu o empate em um intervalo de doze minutos. A vitória veio de forma heroica na bola parada, com a cobrança forte e rasteira de Branco. O placar de 3 a 2 confirmou a classificação para a semifinal.

A Suécia reapareceu no caminho do Brasil na semifinal. Coube novamente a Romário, com 1,69 de altura, subir mais alto que a zaga sueca aos 35 minutos do segundo tempo, decretando o 1 a 0 e colocando o país na final contra a Itália, que passou por Noruega, Nigéria, Espanha e Bulgária.

A decisão reservou um confronto entre brasileiros e italianos no Rose Bowl, em Los Angeles. Era o duelo dos dois únicos tricampeões do planeta, uma reedição da final de 1970 e a chance de revanche da eliminação do Brasil em 1982. O jogo foi tenso e de poucas oportunidades de gol. Romário perdeu uma chance incrível na pequena área na prorrogação e, após 120 minutos, o placar permaneceu em 0 a 0.

Pela primeira vez na história, o título da Copa do Mundo seria decidido nos pênaltis. O drama brasileiro começou quando Márcio Santos errou a primeira cobrança. Porém, a frieza de Romário, Branco e do capitão Dunga manteve o Brasil vivo, ao mesmo tempo que a Itália também desperdiçou a primeira batida, e viu Taffarel defender o quarto pênalti. A cobrança final italiana ficou a cargo de Roberto Baggio. Mas o atacante desferiu um chute forte que subiu muito, voando por cima do travessão.

Com a vitória por 3 a 2 nos pênaltis, o Brasil rompia a fila e se isolava como o primeiro tetracampeão do mundo. Ao erguer a taça, Dunga desabafou contra as críticas sofridas nos anos anteriores, eternizou o triunfo da raça, da organização e do pragmatismo, lavando a alma de uma geração inteira de torcedores.

A campanha do Brasil:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 11 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Jack Mikrut/Imago/TT