Pela primeira vez em 88 anos de história das Copas do Mundo, a competição ancorou no Leste Europeu. O anfitrião da edição de 2018 foi a Rússia, país que serviu de palco para algumas das surpresas mais impactantes e imprevisíveis do século 21 no futebol. Todos assistiram com surpresa a então campeã Alemanha cair ainda na fase de grupos e a ascensão da Croácia, que contrariou todas as previsões e chegou até a final. Tudo isso sem contar também a não-classificação da Itália, algo que não acontecia desde 1958.
Os croatas, no entanto, só sucumbiram diante do pragmatismo da França, que se sagrou bicampeã do mundo 20 anos após a sua primeira glória. Comandada por Kylian Mbappé, Antoine Griezmann, Paul Pogba, N'Golo Kanté e Hugo Lloris, a equipe foi ganhando corpo à medida que os principais favoritos se complicavam. Embora não iniciasse o torneio cotada como a grande força a ser batida, a seleção francesa provou em campo a força de sua consistência tática.
Na primeira fase, Les Bleus construíram uma campanha segura, embora sem exibições brilhantes no Grupo C. A estreia foi marcada pela vitória por 2 a 1 sobre a Austrália, na histórica primeira partida de Copas a utilizar o árbitro de vídeo (VAR), para assinalar um pênalti. Na sequência, a França bateu o Peru por 1 a 0 com um gol do jovem Mbappé. Na última rodada, poupando titulares, os franceses empataram em 0 a 0 com a Dinamarca, segurando a liderança da chave com sete pontos.
O verdadeiro cartão de visitas da França foi apresentado nas oitavas de final, contra a Argentina. Em uma partida com duas viradas no placar, os franceses eliminaram os sul-americanos ao vencer por 4 a 3, com gols de Griezmann, Benjamin Pavard e dois de Mbappé. Nas quartas de final, a França derrubou o Uruguai por 2 a 0.
A semifinal reservou um duelo tático contra a Bélgica, que vinha de eliminar o Brasil. Em um confronto amarrado e definido nos detalhes, a França triunfou por 1 a 0 graças a uma cabeçada do zagueiro Samuel Umtiti logo no início do segundo tempo, após cobrança de escanteio.
A final ocorreu no Estádio Luzhniki, em Moscou. Do outro lado estava a Croácia, que passou por Nigéria, Islândia, Dinamarca, Rússia e Inglaterra, e estava esgotada fisicamente após disputar três prorrogações no mata-mata. Demonstrando frieza, a França aproveitou cada brecha e aplicou 4 a 2 nos croatas. O placar foi inaugurado aos 18 minutos com um gol contra do atacante Mario Mandzukic. Após o empate croata, Les Bleus retomaram a vantagem ainda no primeiro tempo: Griezmann converteu um pênalti e fez o segundo gol.
No segundo tempo, Pogba acertou um chute de fora da área para fazer o terceiro aos 14 minutos e, aos 20, Mbappé bateu rasteiro para anotar o quarto. Houve tempo ainda para uma bobeira inacreditável do goleiro Lloris, que entregou o segundo gol croata, mas a falha em nada diminuiu a festa francesa no apito final. O título coroou com perfeição o trabalho do técnico Didier Deschamps, que igualou-se a Zagallo e Franz Beckenbauer como os únicos homens no planeta a conquistarem a Copa do Mundo tanto como atleta quanto como técnico. A taça foi erguida pelo capitão e goleiro Lloris, debaixo de um temporal.
A campanha da França:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 6 gols sofridos






