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Espanha Campeã da Copa do Mundo 2026

Rompendo qualquer limite existente, a Copa do Mundo de 2026 voltou a ancorar na América do Norte. Sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá, esta foi a primeira edição da história a abrigar 48 seleções, transformando o torneio em uma maratona de sobrevivência física e mental ao longo de quase quarenta dias de disputa. Cruzar distâncias entre Vancouver, Cidade do México e Miami sob o calor do verão norte-americano exigiu dos atletas uma resiliência sem precedentes.

No extracampo, as críticas ficam para a interferência política direta na gestão do torneio, que incluem a proibição da entrada de muitos torcedores e até mesmo um de árbitro nos Estados Unidos, as restrições logísticas impostas à participação do Irã, e a anulação do cartão vermelho do atleta estadunidense Folarin Balogun no jogo contra a Bósnia, após um pedido do presidente Donald Trump.

Para a Espanha, no entanto, os desafios serviram como palco para a consagração definitiva de sua identidade tática. Coroando um trabalho que uniu a posse de bola à precisão, tanto ofensiva quanto defensiva, de uma geração de jovens predestinados, a Roja conquistou seu segundo título mundial, desenhando uma era de ouro que já havia faturado a Eurocopa de 2024, tal qual feito em 2008 e 2010.

Apontada com uma das candidatas ao título desde o início, a campanha da Espanha começou no Grupo H. Na estreia, a equipe parou na defesa do estreante Cabo Verde e ficou apenas no empate em 0 a 0. Na segunda rodada, os gols apareceram e os espanhóis a Arábia Saudita por 4 a 0. Na última partida, a Roja garantiu a liderança da chave com sete pontos ao bater o Uruguai por 1 a 0, sem empolgar muito.

Por ser o primeiro Mundial com 48 times, a Espanha precisou passar pela inédita fase de 16 avos de final. O adversário foi a Áustria e a classificação veio com uma vitória por 3 a 0 e a seleção começou a evoluir de fato. Nas oitavas de final, a Espanha enfrentou Portugal e venceu por 1 a 0, gol marcado por Mikel Merino aos 46 minutos do segundo tempo.

Nas quartas de final, a Espanha encarou a Bélgica. Mantendo a frieza, a Roja venceu por 2 a 1, com os gols anotados por Fabián Ruiz, e outra vez por Merino nos minutos finais. Na semifinal, o teste de fogo foi contra a França, que vinha embalada e era a principal favorita ao título. Porém, tudo foi resolvido com maturidade: um incontestável 2 a 0, construído com gols de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro.

A consagração final aconteceu no Estádio Metlife, em Nova York/Nova Jersey. Diante da Argentina, defensora do troféu que passou por Jordânia, Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra, a Espanha precisou flertar com a perfeição. E conseguiu, com domínio absoluto desde o primeiro minuto, mesmo que o gol tenha teimado em não sair. Permitindo apenas duas finalizações do adversário, contra 20 das suas, a seleção espanhola empilhou chances e viu o goleiro argentino fazer várias defesas nos 90 minutos. Na prorrogação, Ferran Torres saiu do banco de reservas para aproveitar a boja ajeita por Nico Williams de cabeça e fazer o gol do bicampeonato, no primeiro minuto do segundo tempo extra.

Com a vitória por 1 a 0, a Espanha provou que a juventude, quando aliada à disciplina tática, é capaz de dominar o planeta, coroando um trabalho que foi construído pelo técnico Luís de La Fuente desde as categorias de base. Por fim, a taça foi erguida pelo capitão Rodri, voltando a ficar sob domínio europeu.

A campanha da Espanha:
8 jogos | 7 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 1 gol sofrido


Foto Franck Fife/AFP/Getty Images

Argentina Campeã da Copa do Mundo 2022

A Copa do Mundo de 2022 foi diferente de quase tudo que já aconteceu nos 92 anos anteriores de história do torneio. Realizada no Catar, foi a primeira edição sediada no Oriente Médio e marcou o retorno da competição ao continente asiático após 20 anos. Diante das temperaturas extremas que assolam o país durante o verão local nos meses de junho e julho, a FIFA tomou a decisão inédita de realocar o calendário do torneio para os meses de novembro e dezembro, quando o clima é mais ameno.

Em campo, o torneio ficou marcado como o Mundial das das zebras históricas. A Itália ficou de fora mais uma vez. No torneio, o Japão desbancou Alemanha e Espanha, a Tunísia derrotou a França e Camarões bateu o Brasil, tudo isso na primeira fase. Acima de tudo, Marrocos fazer história ao se tornar a seleção africana e árabe a alcançar a semifinal de um Mundial.

Mas nenhuma reviravolta foi tão emblemática quanto a da própria campeã. A história da Argentina foi da lama ao sucesso do tricampeonato, encerrando um jejum de 36 anos de espera. Apelidada de "La Scaloneta", em alusão ao jovem técnico Lionel Scaloni, La Albiceleste desembarcou no Catar credenciada por uma invencibilidade de 36 jogos. Contudo, o favoritismo desmoronou logo no primeiro jogo com a derrota de virada por 2 a 1 para a Arábia Saudita.

Forçada a jogar cada partida subsequente uma final, a equipe liderada por Lionel Messi encontrou o equilíbrio com a entrada de jovens como Julián Álvarez e Enzo Fernández, além das defesas de Emiliano Martínez e da classe de Ángel Di María. A reabilitação veio com vitórias por 2 a 0 sobre o México e a Polônia. Com seis pontos somados, a Argentina avançou na liderança do Grupo C.

Nas oitavas de final, a Argentina superou a Austrália por 2 a 1. Nas quartas de final, contra a Holanda, os argentinos protagonizaram uma batalha dramática: abriram dois gols de vantagem, mas permitiram o empate holandês por 2 a 2 no último segundo dos acréscimos. Na disputa de pênaltis, o goleiro Martínez defendeu duas cobranças, garantindo a classificação por 4 a 2. Na semifinal, o time sobrou em campo e despachou a Croácia por 3 a 0, garantindo-se na decisão.

O dia 18 de dezembro de 2022 reservou o ato final no Estádio Nacional de Lusail. A Argentina enfrentou a França, que também buscava o tricampeonato após eliminar Dinamarca, Tunísia, Polônia, Inglaterra e Marrocos. E o que se viu foi a maior final de Copa do Mundo de todos os tempos. Durante os primeiros 80 minutos, os argentinos venceram com um gol de Messi abriu o placar aos 23 do primeiro tempo e Di María aos 36. Porém, em um intervalo de apenas dois minutos, Kylian Mbappé empatou a partida aos 35 e aos 36 do segundo tempo, levando a decisão para a prorrogação.

No tempo extra, Messi aproveitou um rebote na pequena área para fazer o terceiro da Argentina. Mas, valente, a França buscou o empate novamente aos 13 minutos, de novo com Mbappé, que selou o placar de 3 a 3. No último minutos da prorrogação, Emiliano Martínez defendeu com a ponta do pé um chute francês que seria o da virada. Nos pênaltis, o goleiro voltou a brilhar ao defender uma cobrança, somada a outra que a França jogou para fora. Com 100% de eficiência, a Argentina fechou o placar em 4 a 2, e Messi, em sua quinta tentativa, finalmente exorcizou todas as suas dores e recebeu a taça, imortalizando-se de vez no topo do futebol mundial.

A campanha da Argentina:
7 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 15 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Hannah Mckay/Reuters

França Campeã da Copa do Mundo 2018

Pela primeira vez em 88 anos de história das Copas do Mundo, a competição ancorou no Leste Europeu. O anfitrião da edição de 2018 foi a Rússia, país que serviu de palco para algumas das surpresas mais impactantes e imprevisíveis do século 21 no futebol. Todos assistiram com surpresa a então campeã Alemanha cair ainda na fase de grupos e a ascensão da Croácia, que contrariou todas as previsões e chegou até a final. Tudo isso sem contar também a não-classificação da Itália, algo que não acontecia desde 1958.

Os croatas, no entanto, só sucumbiram diante do pragmatismo da França, que se sagrou bicampeã do mundo 20 anos após a sua primeira glória. Comandada por Kylian Mbappé, Antoine Griezmann, Paul Pogba, N'Golo Kanté e Hugo Lloris, a equipe foi ganhando corpo à medida que os principais favoritos se complicavam. Embora não iniciasse o torneio cotada como a grande força a ser batida, a seleção francesa provou em campo a força de sua consistência tática.

Na primeira fase, Les Bleus construíram uma campanha segura, embora sem exibições brilhantes no Grupo C. A estreia foi marcada pela vitória por 2 a 1 sobre a Austrália, na histórica primeira partida de Copas a utilizar o árbitro de vídeo (VAR), para assinalar um pênalti. Na sequência, a França bateu o Peru por 1 a 0 com um gol do jovem Mbappé. Na última rodada, poupando titulares, os franceses empataram em 0 a 0 com a Dinamarca, segurando a liderança da chave com sete pontos.

O verdadeiro cartão de visitas da França foi apresentado nas oitavas de final, contra a Argentina. Em uma partida com duas viradas no placar, os franceses eliminaram os sul-americanos ao vencer por 4 a 3, com gols de Griezmann, Benjamin Pavard e dois de Mbappé. Nas quartas de final, a França derrubou o Uruguai por 2 a 0.

A semifinal reservou um duelo tático contra a Bélgica, que vinha de eliminar o Brasil. Em um confronto amarrado e definido nos detalhes, a França triunfou por 1 a 0 graças a uma cabeçada do zagueiro Samuel Umtiti logo no início do segundo tempo, após cobrança de escanteio.

A final ocorreu no Estádio Luzhniki, em Moscou. Do outro lado estava a Croácia, que passou por Nigéria, Islândia, Dinamarca, Rússia e Inglaterra, e estava esgotada fisicamente após disputar três prorrogações no mata-mata. Demonstrando frieza, a França aproveitou cada brecha e aplicou 4 a 2 nos croatas. O placar foi inaugurado aos 18 minutos com um gol contra do atacante Mario Mandzukic. Após o empate croata, Les Bleus retomaram a vantagem ainda no primeiro tempo: Griezmann converteu um pênalti e fez o segundo gol.

No segundo tempo, Pogba acertou um chute de fora da área para fazer o terceiro aos 14 minutos e, aos 20, Mbappé bateu rasteiro para anotar o quarto. Houve tempo ainda para uma bobeira inacreditável do goleiro Lloris, que entregou o segundo gol croata, mas a falha em nada diminuiu a festa francesa no apito final. O título coroou com perfeição o trabalho do técnico Didier Deschamps, que igualou-se a Zagallo e Franz Beckenbauer como os únicos homens no planeta a conquistarem a Copa do Mundo tanto como atleta quanto como técnico. A taça foi erguida pelo capitão e goleiro Lloris, debaixo de um temporal.

A campanha da França:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Odd Andersen/AFP

Alemanha Campeã da Copa do Mundo 2014

Depois de 64 anos, o Brasil voltou a ser o coração do futebol mundial ao sediar a Copa do Mundo de 2014. A competição em solo sul-americano, entrou para a história por contornos dramáticos: a maior humilhação sofrida pela seleção brasileira em todos os tempos e o feito inédito de uma seleção europeia conquistar o título nas Américas. A honra ficou com a Alemanha, que ergueu o tetracampeonato mundial. Sob a liderança técnica de Thomas Müller, Philipp Lahm, Mesut Özil, Sami Khedira, Miroslav Klose e o goleiro Manuel Neuer, o time comandado por Joachim Löw coroou um projeto iniciado pelo treinador oito anos antes.

A caminhada começou com a goleada por 4 a 0 sobre o Portugal, em Salvador. Porém, a estreia fácil foi contrastada pela sequência difícil: a Alemanha enfrentou forte resistência no empate por 2 a 2 contra  Gana, em Fortaleza, e suou para vencer os Estados Unidos por 1 a 0 em Recife. Os resultados garantiram à Mannschaft a liderança do Grupo G com sete pontos.

O confronto mais perigoso da campanha alemã ocorreu nas oitavas de final, contra a Argélia em Porto Alegre. Diante de uma retranca argelina, a Alemanha esbarrou no placar durante os primeiros 90 minutos. Na prorrogação, a eficiência alemã prevaleceu com gols de André Schürrle e Mesut Özil, selando a vitória por 2 a 1. Nas quartas de final, no Rio de Janeiro, o zagueiro Mats Hummels garantiu o triunfo por 1 a 0 sobre a França.

E então, veio a semifinal no Mineirão, em Belo Horizonte... Diante de um Brasil confuso, desorganizado e emocionalmente abalado pelo desfalque de Neymar, a Alemanha protagonizou o maior massacre da história moderna do futebol. O primeiro gol saiu aos 11 minutos do primeiro tempo, com Müller. Aos 22, Klose marcou o segundo e chegou a 16 gols, ultrapassando Ronaldo Fenômeno como o maior artilheiro da história das Copas.

A partir dali, a porteira brasileira se abriu: Toni Kroos fez o terceiro aos 24 e o quarto aos 26 minutos, e Khedira anotou o quinto aos 29, fechando o primeiro tempo. Na etapa complementar, Schürrle saiu do banco para balançar as redes mais duas vezes, aos 24 e aos 34 minutos. O histórico placar de 7 a 1 (com Oscar descontando aos 45) colocou a Alemanha na final no Rio de Janeiro.

A decisão no Maracanã colocou frente a frente Alemanha e Argentina, consolidando este como o confronto mais repetido em finais de Copa do Mundo, com três edições (1986, 1990 e 2014). Os argentinos bateram Bósnia, Irã, Suíça, Bélgica e Holanda. O jogo foi estudado, com a Argentina desperdiçando chances claras de gol. Após 90 minutos de placar zerado, a final partiu rumo à prorrogação.

Foi quando a estrela de Joachim Löw brilhou ao acionar o banco de reservas. Mario Götze entrou no lugar de Klose na etapa final. Aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação, Götze dominou a bola e, sem a deixar cair, emendou um chute cruzado para fazer o gol do título. O 1 a 0 foi o carimbo final para a consagração. Depois de 24 anos de espera, a Copa do Mundo voltava pela quarta vez para os braços da Alemanha. Pelas mãos do capitão Lahm, a taça foi erguida, coroando uma equipe que aliou a frieza tática da Europa ao calor e à simpatia do povo brasileiro.

A campanha da Alemanha:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 18 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Sven Simon/Imago/Sportfotodienst

Espanha Campeã da Copa do Mundo 2010

A primeira vez que o continente africano sediou uma Copa do Mundo foi em 2010. A África do Sul teve a histórica incumbência de realizar a maior competição do futebol mundial, simbolizando a reconciliação da nação liderada por Nelson Mandela. Foi debaixo do ensurdecedor som das vuvuzelas que a Espanha enfim concluiu o seu sonho de alcançar o topo do planeta, deixando para trás o rótulo de "amarelona" após sucessivas decepções. O estilo de jogo baseado na posse de bola paciente e nos passes curtos, o Tiki-Taka, executado por Andrés Iniesta, Xavi Hernández e David Villa rendeu o maior fruto do futebol espanhol, consolidando uma era que também faturou as Eurocopas de 2008 e 2012.

Antes, porém, os espanhóis levaram um choque logo na primeira rodada. A badalada Roja estreou com uma derrota por 1 a 0 para a Suíça. A recuperação na fase de grupos veio com tranquilidade: vitórias por 2 a 0 sobre Honduras e por 2 a 1 sobre o Chile. Os resultados garantiram à Espanha a liderança do Grupo H, com seis pontos. Nas oitavas de final, os espanhóis disputaram um confronto contra Portugal. Em um jogo tático, a vitória veio pelo placar de 1 a 0, graças ao oportunismo do artilheiro David Villa.

Nas quartas de final, o adversário foi o surpreendente Paraguai, em uma das partidas mais emocionantes daquele Mundial. O empate persistiu em um cenário caótico no segundo tempo, onde o goleiro Iker Casillas defendeu um pênalti e, minutos depois, a Espanha também desperdiçou uma penalidade. A classificação para a semifinal só foi selada com um gol chorado de Villa, no qual a bola bateu nas duas traves antes de cruzar a linha: mais um 1 a 0 na conta.

Paralelamente, aquelas quartas de final de 2010 guardaram o confronto mais apoteótico do torneio entre Uruguai e Gana. Os africanos tiveram a chance de colocar o continente em uma semifinal inédita no último minuto da prorrogação, mas o atacante Luis Suárez salvou um gol em cima da linha com as duas mãos. Asamoah Gyan isolou o pênalti resultante e, na disputa subsequente, o Uruguai avançou com o atacante Sebastián Abreu acertando uma cavadinha na cobrança decisiva.

A Alemanha cruzou o caminho espanhol na semifinal. Demonstrando uma maturidade tática impressionante, a Espanha anulou o time alemão e garantiu outro triunfo por 1 a 0 no segundo tempo, graças a uma cabeçada fulminante do zagueiro Carles Puyol após cobrança de escanteio, colocando os espanhóis em sua primeira final em 80 anos de história dos Mundiais.

No Estádio Soccer City, em Johanesburgo, a Espanha enfrentou a Holanda em uma final tensa de onde sairia um campeão inédito para o futebol mundial. A Holanda, que eliminou Japão, Camarões, Eslováquia, Brasil e Uruguai, apostou em uma postura agressiva para quebrar o ritmo espanhol, o que resultou em uma quantidade alta de cartões amarelos na partida. Após um empate sem gols nos 90 minutos regulamentares, a decisão estendeu-se para a prorrogação.

Faltando apenas quatro minutos para o apito final e a disputa por pênaltis, a persistência da Espanha prevaleceu. Cesc Fàbregas encontrou Andrés Iniesta livre pelo lado direito da grande área, e o meia acertou um chute cruzado indefensável no gol holandês. A quarta vitória consecutiva pelo placar de 1 a 0 carimbou o título espanhol. A responsabilidade de erguer a taça coube ao capitão Casillas, eternizando o momento em que a Espanha finalmente chegou ao topo do planeta.

A campanha da Espanha:
7 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 1 derrotas | 8 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Eddie Keogh/Reuters

Itália Campeã da Copa do Mundo 2006

A Copa do Mundo de 2006, sediada na Alemanha, consagrou uma seleção fundamentada no poder de seu jogo coletivo. Na Itália daquele Mundial ninguém carregava o time nas costas. Em vez disso, todos corriam por todos dentro de campo. O tetracampeonato mundial funcionou como um alívio e redenção para o futebol italiano, que novamente vivia um mau momento institucional devido ao escândalo do Calciopoli, a máfia de manipulação de resultados e escolha de árbitros revelada meses antes do torneio.

A crise nos bastidores resultou na cassação de dois títulos nacionais da Juventus e no seu rebaixamento para a segunda divisão, além de perda de pontos para Milan, Fiorentina e Lazio. Porém, o caos uniu o elenco comandado pelo técnico Marcello Lippi. De Turim, o goleiro Gianluigi Buffon, os defensores Gianluca Zambrotta e Fabio Cannavaro, e o meio-campista Mauro Camoranesi formavam a espinha dorsal da desacreditada Azzurra. A caminhada em solo alemão começou com o pé direito através de uma vitória por 2 a 0 sobre Gana. Na sequência, um empate em 1 a 1 contra os Estados Unidos acendeu o sinal de alerta. No entanto, um triunfo por 2 a 0 sobre a talentosa Tchéquia garantiu à Itália a liderança do Grupo E, com sete pontos.

Nas oitavas de final, o drama bateu à porta no confronto contra a Austrália. Após a expulsão de Marco Materazzi no início do segundo tempo, a Itália suportou a pressão até conseguir um pênalti aos 50 minutos do segundo tempo. Francesco Totti fez 1 a 0 e empurrou os italianos, em definitivo, rumo ao título. Nas quartas de final, a equipe deslanchou ao aplicar 3 a 0 sobre a Ucrânia.

A semifinal reservou aquele que é considerado um dos maiores clássicos de toda a história dos Mundiais, contra a anfitriã Alemanha. Em uma partida épica, o placar manteve-se imóvel nos 90 minutos. Foi na prorrogação que a Azzurra calou os alemães: aos 14 minutos do segundo tempo, Fabio Grosso acertou um chute cruzado e abriu o marcador. Um minuto depois, em um contra-ataque Cannavaro, Alessandro Del Piero deu um toque sutil e selou o 2 a 0 que colocou o time italiano na final.

A decisão no Estádio Olímpico de Berlim foi contra a França, que superou Coreia do Sul, Togo, Espanha, Brasil e Portugal. O roteiro começou dramático para os italianos: aos sete minutos de jogo, Zinedine Zidane abriu o placar para os franceses de pênaltir. Mas a Itália reagiu e alcançou o empate aos 19 minutos, quando o zagueiro Materazzi subiu mais alto que a defesa rival para fazer de cabeça o gol do empate. O 1 a 1 arrastou-se para a prorrogação, palco do ato mais chocante da história das finais.

Materazzi e Zidane voltavam caminhando da grande área francesa enquanto trocavam insultos. Provocado, o italiano proferiu ofensas direcionadas à irmã do craque francês. Enfurecido, Zidane  desferiu uma cabeçada violenta no peito de Materazzi, que desabou no gramado. Zidane acabou expulso de campo, encerrando de forma melancólica a sua carreira como atleta.

Na disputa por pênaltis, o fantasma da derrota de 1994 foi finalmente exorcizado. Demonstrando 100% de eficiência, Andrea Pirlo, Materazzi, Daniele De Rossi e Del Piero converteram suas cobranças, enquanto a França desperdiçou uma. Coube a Fabio Grosso a responsabilidade do último chute e decretar a vitória por 5 a 3. A honra de erguer a taça pertenceu ao capitão Cannavaro, que viria a ser eleito o melhor jogador do mundo daquele ano.

A campanha da Itália:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 12 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Jonne Roriz/Estadão Conteúdo

Brasil Campeão da Copa do Mundo 2002

A quinta glória do Brasil em Copas do Mundo aconteceu na primeira edição do século 21, em 2002. Aquela edição foi histórica por ser a primeira realizada na Ásia e a primeira dividida entre dois países-sede: Japão e Coreia do Sul. O triunfo canarinho foi uma verdadeira epopeia, considerando o cenário caótico que antecedeu o torneio. O Brasil flertou com o vexame de ficar de fora do Mundial, enfrentando eliminatórias turbulentas e uma dança das cadeiras que viu dois técnicos (Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão) caírem em dois anos.

Coube a Luiz Felipe Scolari assumir o comando de um elenco desacreditado. Sob sua liderança, o treinador blindou o grupo, criando a "Família Scolari". No Oriente, o pragmatismo do esquema com três zagueiros casou perfeitamente com o talento do quarteto ofensivo composto por Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e o lateral Roberto Carlos. A trajetória começou na Coreia do Sul. A estreia contra a Turquia foi dramática: o Brasil saiu perdendo e precisou de muita insistência para virar o placar para 2 a 1. Passado o susto, a confiança começou a subir com as goleadas por 4 a 0 sobre a China e por 5 a 2 sobre a Costa Rica. Os resultados garantiram ao Brasil a liderança do Grupo C com nove pontos.

O verdadeiro teste de fogo começou no mata-mata, quando a delegação cruzou o mar em direção ao Japão. Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou a Bélgica. Os belgas chegaram a abrir o placar, mas o gol foi anulado pela arbitragem. Após o susto, Rivaldo e Ronaldo decidiram a vitória por 2 a 0.

Nas quartas de final, a pedreira foi contra a Inglaterra. Os ingleses saíram na frente, mas Ronaldinho Gaúcho assumiu o protagonismo brasileiro. Primeiro, ele fez uma jogada genial para servir Rivaldo, que empatou o jogo. No segundo tempo, Ronaldinho cobrou uma falta lateral direto para o gol, encobrindo o goleiro inglês. Logo após marcar o gol da virada por 2 a 1, o meia foi expulso, porém o Brasil segurou o placar.

Na semifinal, ocorreu o reencontro com a surpreendente Turquia. Diferente do primeiro jogo, não houve espaço para erros, mas sim para o oportunismo de Ronaldo Fenômeno. Com um chute de bico de chuteira, ele decretou o placar de 1 a 0, carimbando o passaporte brasileiro para a final.

A decisão, no Estádio Internacional de Yokohama, foi contra a Alemanha, que passou por Camarões, Arábia Saudita, Paraguai, Estados Unidos e Coreia do Sul. Apesar de serem as duas maiores potências da história dos Mundiais, os dois países jamais haviam se enfrentado em uma Copa do Mundo. A partida correu em alta velocidade, com chances reais de gol para ambos os lados.

Mas a noite estava reservada para Ronaldo. Dois anos antes, ele havia sofrido uma lesão no joelho que quase o aposentou do esporte. Aos 22 minutos da etapa final, Ronaldo aproveitou o rebote em um chute de Rivaldo e abriu o placar. Aos 34, Kleberson cruzou rasteiro da direita, Rivaldo fez um corta-luz, e o Fenômeno chutou no canto, fazendo 2 a 0.

O apito final coroou Ronaldo como o artilheiro do torneio, com oito gols. Com a vitória, o Brasil despachou os alemães e conquistou o planeta pela quinta vez. No momento de erguer o troféu, coube ao lateral Cafu ser eternizado como o capitão do pentacampeonato.

A campanha do Brasil:
7 jogos | 7 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 18 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Paulo Pinto/Estadão Conteúdo

França Campeã da Copa do Mundo 1998

A Copa do Mundo de 1998 representou uma nova era para o futebol mundial ao sofrer um aumento no número de participantes, expandindo-se de 24 para 32 seleções. A responsabilidade de sediar e estrear o novo formato coube à França, que não participava da competição desde 1986. Em total sintonia com o seu torcedor, a seleção francesa desbancou o favoritismo das potências tradicionais e marchou firme rumo ao inédito título mundial.

A primeira fase dos donos da casa foi tranquila. Integrando o Grupo C, a França estreou batendo a África do Sul por 3 a 0 e, logo em seguida, goleou a Arábia Saudita por 4 a 0. A equipe fechou a fase de grupos superando a Dinamarca por 2 a 1, garantindo a liderança da chave com nove pontos. O único revés nesse início promissor foi a expulsão do craque do time, Zinedine Zidane, na segunda rodada contra os sauditas. O meia foi suspenso por duas partidas após pisar em um adversário.

Nas oitavas de final, Les Bleus enfrentaram o Paraguai no jogo mais dramático de toda a sua campanha. Diante do ferrolho sul-americano, os franceses não balançaram as redes nos 90 minutos regulamentares. A incerteza pairava no ar quando a prorrogação se encaminhava para o fim. Foi quando o zagueiro Laurent Blanc entrou na área como centroavante para fazer o gol francês. A seis minutos do fim da prorrogação, o gol decretou o placar de 1 a 0 e entrou para a história como o primeiro "gol de ouro", o sistema de morte súbita, da história das Copas do Mundo.

As quartas de final reservaram um confronto contra a Itália, marcando o retorno de Zidane ao time titular. O equilíbrio tático arrastou o placar de 0 a 0 até o término da prorrogação. Na disputa de pênaltis, os franceses demonstraram maior controle emocional e carimbaram a classificação por 4 a 3.

A semifinal colocou a França diante da grande sensação do Mundial: a Croácia, que disputava a sua primeira Copa como nação independente. Os croatas surpreenderam e abriram o placar no início do segundo tempo. Mais surpreendente ainda foi o lateral Lilian Thuram, que jamais havia marcado um gol pela seleção. Com duas bolas roubadas, ele anotou os dois tentos da virada histórica. A vitória por 2 a 1 colocou a França na primeira final de sua história.

No novíssimo Stade de France, nos arredores de Paris, a França encarou o então campeão Brasil na decisão. Os brasileiros eliminaram Marrocos, Escócia, Chile, Dinamarca e Holanda. As horas que antecederam o apito inicial foram marcadas pela convulsão sofrida pelo brasileiro Ronaldo no hotel da delegação, episódio que desestruturou psicologicamente o Brasil e resultou em uma equipe apática em campo.

Alheia ao drama adversário, a França fez a partida de sua vida sob a batuta de Zidane. Demonstrando um oportunismo genial na bola parada, o camisa 10 marcou dois gols idênticos de cabeça no primeiro tempo, aproveitando cobranças de escanteio. No segundo tempo, mesmo com a expulsão do zagueiro Marcel Desailly, a França se defendeu com perfeição. Nos acréscimos, em um contra-ataque, Emmanuel Petit tocou na saída de Taffarel para dar o golpe de misericórdia. A categórica vitória por 3 a 0 conferiu à França o seu primeiro título mundial. Como Laurent Blanc estava suspenso por ter recebido cartão vermelho na semifinal, a honra de erguer a taça diante da torcida francesa a Didier Deschamps.

A campanha da França:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 15 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Brasil Campeão da Copa do Mundo 1994

Foram 24 anos de jejum e de frustrações acumuladas entre o tricampeonato em 1970 e a Copa do Mundo de 1994. No entanto, o destino voltou a sorrir para o Brasil no Mundial realizado nos Estados Unidos, que entrou para a história como a última edição disputada no formato de 24 seleções. A equipe comandada pelo técnico Carlos Alberto Parreira e pelo coordenador Zagallo não encantava, mas era eficiente. Um time que jogava pelo resultado positivo e nada mais. O talento ficava por conta de Romário, que fazia dupla de ataque com Bebeto. No meio e na defesa, Zinho, Mazinho, Dunga, Mauro Silva, Aldair e Taffarel, garantiam a blindagem necessária para o time.

A caminhada começou depois de muita pressão nas Eliminatórias, quando o Brasil se classificou somente na última rodada. Na fase de grupos da Copa, os fantasmas começaram a ser espantados com uma vitória por 2 a 0 sobre a Rússia. Na sequência, os brasileiros venceram Camarões por 3 a 0 e fecharam a primeira fase com um empate em 1 a 1 com a Suécia. O Mundial de 1994 foi o primeiro em que as vitórias passaram a valer três pontos, e a seleção Canarinho garantiu a liderança do Grupo B com sete.

No feriado de 4 de julho, o Brasil enfrentou os donos da casa pelas oitavas de final. Após a expulsão do lateral Leonardo por uma cotovelada em um atleta dos Estados Unidos, Romário apareceu para servir Bebeto, que marcou o gol da vitória brasileira por 1 a 0.

Nas quartas de final, o Brasil protagonizou um dos maiores confrontos da história dos Mundiais contra a Holanda. Após abrir dois gols de vantagem com Romário e Bebeto, o time brasileiro vacilou e cedeu o empate em um intervalo de doze minutos. A vitória veio de forma heroica na bola parada, com a cobrança forte e rasteira de Branco. O placar de 3 a 2 confirmou a classificação para a semifinal.

A Suécia reapareceu no caminho do Brasil na semifinal. Coube novamente a Romário, com 1,69 de altura, subir mais alto que a zaga sueca aos 35 minutos do segundo tempo, decretando o 1 a 0 e colocando o país na final contra a Itália, que passou por Noruega, Nigéria, Espanha e Bulgária.

A decisão reservou um confronto entre brasileiros e italianos no Rose Bowl, em Los Angeles. Era o duelo dos dois únicos tricampeões do planeta, uma reedição da final de 1970 e a chance de revanche da eliminação do Brasil em 1982. O jogo foi tenso e de poucas oportunidades de gol. Romário perdeu uma chance incrível na pequena área na prorrogação e, após 120 minutos, o placar permaneceu em 0 a 0.

Pela primeira vez na história, o título da Copa do Mundo seria decidido nos pênaltis. O drama brasileiro começou quando Márcio Santos errou a primeira cobrança. Porém, a frieza de Romário, Branco e do capitão Dunga manteve o Brasil vivo, ao mesmo tempo que a Itália também desperdiçou a primeira batida, e viu Taffarel defender o quarto pênalti. A cobrança final italiana ficou a cargo de Roberto Baggio. Mas o atacante desferiu um chute forte que subiu muito, voando por cima do travessão.

Com a vitória por 3 a 2 nos pênaltis, o Brasil rompia a fila e se isolava como o primeiro tetracampeão do mundo. Ao erguer a taça, Dunga desabafou contra as críticas sofridas nos anos anteriores, eternizou o triunfo da raça, da organização e do pragmatismo, lavando a alma de uma geração inteira de torcedores.

A campanha do Brasil:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 11 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Jack Mikrut/Imago/TT

Alemanha Campeã da Copa do Mundo 1990

Muitos críticos de futebol afirmam que a Copa do Mundo de 1990, na Itália, foi uma das mais fracas da história do ponto de vista técnico. De fato, o torneio ficou marcado pelo excesso de cartões vermelhos, pelo abuso do antijogo e pela menor média de gols de todas as edições dos Mundiais: apenas 2,21 por partida. Porém, classificar essa Copa como esquecível perto de um torcedor alemão é um erro. Afinal, foi em solo italiano que uma Alemanha em pleno processo de reunificação geopolítica transformou o sonho do tricampeonato em realidade.

O Mundial de 1990 demorou a engrenar para as grandes potências. A campeã Argentina, por exemplo, perdeu na estreia para Camarões, que tornou-se a primeira seleção africana a alcançar as quartas de final de uma Copa. A equipe argentina só ganhou sobrevida após eliminar o Brasil nas oitavas de final. Em contrapartida, a Alemanha, que ainda competia como Alemanha Ocidental, sobrou desde o início.

Sob o comando técnico do ídolo Franz Beckenbauer, os alemães estrearam goleando a Iugoslávia por 4 a 1 e, na sequência, atropelaram os Emirados Árabes por 5 a 1. Na última rodada, mesmo o empate em 1 a 1 cedido para a Colômbia no último minuto não tirou a liderança isolada do Grupo D das mãos alemãs, que fecharam a fase com cinco pontos.

Nas oitavas de final, a Alemanha encarou a rival Holanda e venceu por 2 a 1 em uma partida tensa, com gols de Jürgen Klinsmann e Andreas Brehme. Nas quartas, contra a Tchecoslováquia, a classificação veio com um triunfo por 1 a 0, com um gol de pênalti anotado por Lothar Matthäus. A semifinal reservou outro clássico europeu contra a Inglaterra. Após um empate por 1 a 1 nos 120 minutos de tempo normal e prorrogação, a vaga na final foi decidida nos pênaltis. O goleiro Bodo Illgner defendeu uma cobrança, os ingleses desperdiçaram outra, e a classificação alemã para a decisão foi confirmada com o placar de 4 a 3.

A final no Estádio Olímpico de Roma promoveu um reencontro histórico: um replay exato da final de 1986 contra a Argentina que, além do Brasil, eliminou União Soviética, Iugoslávia e Itália. Os alemães pisaram no gramado dispostos a reescrever o desfecho da Copa anterior. Na retranca, o time argentino abdicou do ataque e viu os alemães empilharem chances.

O destino do confronto mudou aos 39 minutos do segundo tempo. O árbitro assinalou um pênalti polêmico sobre o atacante Rudi Völler. Até os dias de hoje, os argentinos juram convictamente que o atacante simulou o contato e que o lance foi uma injustiça histórica. Andreas Brehme chutou forte e rasteiro, no canto esquerdo do goleiro.

O placar de 1 a 0 foi o suficiente para decretar a Alemanha como tricampeã mundial. A taça foi erguida pelo capitão Matthäus, e a conquista enfim fez justiça à geração de Klinsmann, Brehme e Völler, que vinha de dois vice-campeonatos consecutivos em 1982 e 1986. Além de consagrar Beckenbauer como técnico, que se igualou a Mário Jorge Lobo Zagallo ao vencer a Copa como jogador (1974) e como treinador. O título de 1990 ainda serviu como a imagem perfeita para a queda do Muro de Berlim. Meses após a final, as duas Alemanhas unificaram-se oficialmente, transformando aquela conquista esportiva no primeiro  abraço de uma nação que se reencontrou.

A campanha da Alemanha:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Bongarts/Getty Images

Argentina Campeã da Copa do Mundo 1986

A Copa do Mundo de 1986 entrou para a história como o torneio em que a genialidade de um único craque foi capaz de carregar uma seleção inteira nas costas rumo à glória máxima. Sob a liderança de Diego Maradona, a Argentina conquistou o seu bicampeonato mundial no México. Originalmente, a competição deveria ter sido realizada na Colômbia, mas o governo colombiano desistiu do compromisso quatro anos antes devido a graves problemas econômicos.

Diante da emergência, a FIFA escolheu o México, que superou um trágico terremoto em 1985 para se tornar o primeiro país a sediar o Mundial por duas vezes, reaproveitando a estrutura de 1970. Após a experiência de regulamento na Copa anterior, a entidade máxima do futebol reestruturou o torneio: manteve as 24 seleções, mas restabeleceu o sistema de mata-mata a partir das oitavas de final, classificando os dois primeiros de cada grupo e os quatro melhores terceiros colocados.

A caminhada argentina começou sob desconfiança, mas o time de Carlos Bilardo logo mostrou sua força na estreia com uma vitória por 3 a 1 sobre a Coreia do Sul. A campanha seguiu com um empate em 1 a 1 com a então campeã Itália e fechou a fase de grupos com um 2 a 0 sobre a Bulgária. Classificada na liderança isolada do Grupo A com cinco pontos, a Albiceleste enfrentou o seu tradicional rival, o Uruguai, nas oitavas de final, carimbando a vaga com uma vitória por 1 a 0.

Nas quartas de final, o futebol transcendeu o esporte para se tornar história viva no Estádio Azteca. O confronto contra a Inglaterra estava carregado por uma pesada atmosfera, sendo o primeiro encontro entre as nações após a Guerra das Malvinas de 1982. Em apenas quatro minutos no segundo tempo, o mundo testemunhou as duas faces de Maradona. No primeiro gol, aos seis minutos, o camisa 10 aproveitou um balão rebatido e dividiu pelo alto com o goleiro inglês. Usando a mão esquerda colada à cabeça, ele empurrou a bola para as redes. Na entrevista pós-jogo, Maradona declarou que o gol fora marcado "um pouco com a cabeça de e um pouco com a mão de Deus".

Aos dez minutos, veio a perfeição. Maradona dominou a bola ainda antes da linha do meio-campo, girou sobre dois marcadores ingleses e arrancou em velocidade pela ponta direita. Em uma corrida de mais de 60 metros, ele deixou mais quatro defensores para trás , driblou o goleiro e empurrou a bola para o fundo do gol. O "Gol do Século" selou a histórica vitória por 2 a 1. Na semifinal, a Argentina venceu por 2 a 0 sobre a Bélgica, com mais dois gols de Maradona.

A decisão do Mundial colocou frente a frente Argentina e Alemanha no Azteca. Os alemães eliminaram Escócia, Marrocos, México e França, mas não foram páreo para os argentinos, que abriram 2 a 0 em 55 minutos de jogo, com gols de José Luis Brown e Jorge Valdano. Os alemães chegaram a reagir em um intervalo de apenas seis minutos no final do segundo tempo e empataram a partida aos 35 minutos. 

Quando a final parecia se encaminhar para a prorrogação, Maradona lançou Jorge Burruchaga, que tocou na saída do goleiro e decretou o placar final de 3 a 2. A Argentina conquistava o bicampeonato mundial. Aquela Copa do Mundo selou a total e absoluta consagração de Diego Maradona, que ao erguer a taça como o capitão albiceleste, eternizou-se não como o maior ídolo de uma nação e o dono de uma era do futebol.

A campanha da Argentina:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto David Cannon/CA/Getty Images

Itália Campeã da Copa do Mundo 1982

A Copa do Mundo de 1982, na Espanha, ficou marcada como o torneio em que o peso da tradição atropelou o favoritismo técnico. A seleção da Itália custou a engrenar naquele Mundial, arrastando-se pelos gramados na fase inicial. Porém, quando a tática e a bola finalmente começaram a se entender com os jogadores, a Azzurra engatou a marcha rumo ao seu terceiro título mundial, quebrando um longo jejum de 44 anos sem títulos.

Para compreender o milagre italiano, é preciso olhar para o caos que antecedeu o torneio. Dois anos antes, em 1980, o futebol do país havia sido sacudido pelo Totonero, um escândalo de manipulação de resultados e apostas ilegais que culminou no rebaixamento de grandes clubes e na suspensão de vários atletas. Entre os envolvidos estava o atacante Paolo Rossi, que pegou dois anos de gancho e só foi liberado para jogar meses antes da Copa. Sob um clima de desconfiança, os jogadores blindaram-se contra as críticas da imprensa local e passaram a atender apenas os jornalistas estrangeiros.

A campanha italiana na primeira fase apenas alimentou o pessimismo. O torneio de 1982 foi o primeiro na história a contar com 24 seleções, divididas em seis grupos, e a Itália caiu no Grupo A. Foram três empates sonolentos: 0 a 0 contra a Polônia, seguido por um duplo 1 a 1 contra o Peru e Camarões. Com apenas três pontos conquistados e na vice-liderança, a Itália flertou com a eliminação precoce e só avançou para a fase seguinte pelo critério de desempate de gols marcados, com dois gols a favor, contra apenas um dos africanos.

Com 12 equipes classificadas para a segunda fase, o regulamento previa uma nova etapa de triangulares, e a Itália foi sorteada para o Grupo 3, ao lado da Argentina e do Brasil, considerado o maior favorito ao título. Contra os argentinos, a Azzurra finalmente acordou, conquistando a primeira vitória no torneio por 2 a 1. Na rodada seguinte, os italianos folgaram e assistiram ao Brasil vencer a Argentina por 3 a 1.

O cenário estava desenhado para uma decisão, Estádio de Sarriá, em Barcelona. O Brasil jogava pelo empate devido ao saldo de gols. À Itália, restava apenas a vitória. Foi então que o desacreditado Paolo Rossi, despertou e fez uma das maiores exibições individuais da história das Copas, com três gols. Os brasileiros buscaram o empate duas vezes, mas não tiveram forças para a terceira igualdade e a Itália venceu por 3 a 2, avançando de fase com quatro pontos. Embalada, a Azzurra reencontrou a Polônia na semifinal e se classificou para a final com um triunfo por 2 a 0, com mais dois gols de Rossi.

A final aconteceu no Santiago Bernabéu, em Madri, contra a Alemanha, que deixou para trás Chile, Argélia, Espanha, Inglaterra e França. No primeiro tempo, Antonio Cabrini chutou para fora uma cobrança de pênalti. Os gols só apareceram na segunda etapa. Aos 12 minutos, Rossi, aproveitou um cruzamento para abrir o placar de cabeça, Aos 24, Marco Tardelli ampliou, e Alessandro Altobelli marcou o terceiro gol aos 36 minutos.

Os alemães ainda descontaram para 3 a 1, mas nada que ameaçasse o triunfo da Itália, que voltou a figurar no topo das potências do futebol. Além disso, a conquista encerrou com chave de ouro a trajetória internacional do goleiro Dino Zoff que, aos 40 anos de idade, tornou-se o jogador mais velho a erguer a taça de campeão do mundo.

A campanha da Itália:
7 jogos | 4 vitórias | 3 empates | 0 derrotas | 12 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Argentina Campeã da Copa do Mundo 1978

A Copa do Mundo de 1978 jamais saiu do imaginário dos torcedores sul-americanos, especialmente dos argentinos, misturando uma das maiores festas do esporte a um dos períodos mais sombrios da história política do continente. Após diversas tentativas frustradas e décadas de espera, a Argentina enfim ganhava o direito de ser o país-sede do Mundial, que entraria para a história também pelo fim de uma era: seria o último torneio realizado no formato clássico de 16 seleções. Conduzida pelo técnico César Luis Menotti, que tomou a controversa decisão de cortar o jovem Diego Maradona, de apenas 17 anos, a seleção Albiceleste carregou nos ombros uma imensa pressão popular e o peso de ser utilizada como ferramenta de propaganda pela ditadura militar de Jorge Rafael Videla. Aquela era a chance de ouro para o país erguer a sua primeira Copa.

A Argentina disputou toda a primeira fase no Estádio Monumental, em Buenos Aires. A caminhada começou com duas vitórias por 2 a 1, contra a Hungria e a França. O ponto fora da curva ocorreu na última rodada: uma derrota por 1 a 0 para a Itália. O tropeço custou caro aos argentinos, que acabaram na segunda posição do Grupo A com quatro pontos, forçados a jogar a segunda fase fora da capital.

A etapa seguinte da Argentina foi disputado em Rosário, no Gigante de Arroyito. A estreia no Grupo 2 se deu com uma vitória por 2 a 0 sobre a Polônia, com dois gols de Mario Kempes. Na segunda rodada, ocorreu o clássico contra o Brasil, na partida que foi nomeada como a "Batalha de Rosário" devido à violência e às poucas chances criadas, resultando em um empate por 0 a 0. Como os brasileiros haviam derrotado o Peru por 3 a 0 anteriormente, a Argentina chegou à última rodada sem depender apenas de si para avançar à final. Naquela época, a FIFA ainda não adotava a regra de jogos simultâneos na rodada decisiva, o que abriu margem para uma das maiores polêmicas da história do futebol.

O Brasil entrou à tarde de 21 de junho e venceu a Polônia por 3 a 1. Com esse resultado, os argentinos atuaram à noite sabendo que precisavam derrotar o Peru por uma diferença de pelo menos quatro gols para ultrapassar o saldo brasileiro e ir à final. O que se viu foi um atropelo: uma goleada impressionante por 6 a 0. Até hoje, pairam suspeitas de que a partida foi arranjada nos bastidores e que os jogadores peruanos, sobretudo o goleiro Ramón Quiroga, nascido na Argentina, teriam recebido suborno ou sofrido ameaças dos militares argentinos. Com ou sem interferência externa, a Argentina garantiu a liderança do grupo com cinco pontos e oito gols de saldo, contra contra cinco gols do Brasil.

A final colocou a Argentina diante da Holanda, que voltou à decisão ao superar Irã, Escócia, Áustria, Alemanha e Itália. No Monumental, em Buenos Aires, o tempo normal foi truncado. Mario Kempes abriu o placar aos 38 minutos do primeiro tempo. Quando o título parecia garantido, os holandeses empataram aos 37 minutos da etapa final. Nos segundos finais, a Holanda acertou a trave do goleiro Ubaldo Fillol. A definição do campeão estendeu-se a prorrogação.

Empurrados por 71 mil torcedores, os argentinos buscaram buscaram a vitória no último lance do primeiro tempo suplementar, quando Kempes marcou seu segundo gol do jogo. Faltando cinco minutos para o fim definitivo, Daniel Bertoni anotou 3 a 1 e, pela primeira vez em sua história, a Argentina sagrou-se campeã mundial. Debaixo de muitos confetes e da euforia popular que invadiu o gramado, o capitão Daniel Passarella finalmente erguia a taça que os argentinos podiam chamar de sua.

A campanha da Argentina:
7 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 15 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Paul Popper/Popperfoto/Getty Images

Alemanha Campeã da Copa do Mundo 1974

A Copa do Mundo de 1974, sediada na Alemanha Ocidental, representou um divisor de águas para a história do futebol. As transformações começaram fora das quatro linhas, com a estreia de um novo troféu, a Taça FIFA, projetada para substituir a Taça Jules Rimet, que havia ficado em posse definitiva do Brasil em 1970. Além disso, a FIFA instituiu um novo regulamento que aboliu o sistema de mata-mata nas quartas e semifinais: a partir de então, os oito classificados da primeira fase seriam divididos em dois novos grupos de quatro equipes, cujos líderes garantiriam vaga direta na decisão.

Mais importante do que as mudanças estruturais, foi o surgimento de novas potências que desafiaram a velha ordem do esporte. O mundo assistiu no Mundial ao nascimento da Holanda de Johan Cruyff e seu revolucionário "Carrossel Holandês", além de uma surpreendente Polônia. Porém, em um torneio de alto nível, o peso da camisa e o fator casa fariam a diferença. A Alemanha Ocidental, que bateu na trave com o vice em 1966 e o terceiro lugar em 1970, partiu rumo ao bicampeonato.

A caminhada da Alemanha começou de forma com uma vitória por 1 a 0 sobre o Chile. Na sequência, um triunfo por 3 a 0 sobre a Austrália classificou antecipadamente os alemães. A última rodada  reservou o emblemático e único confronto em Copas do Mundo entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental. Em Hamburgo, os ocidentais foram surpreendidos e perderam por 1 a 0. O revés empurrou a Alemanha Ocidental para a vice-liderança do Grupo A com quatro pontos, contra cinco dos orientais. Isso evitou que os donos da casa caíssem na chave contra os holandeses na fase seguinte.

Na segunda fase, no Grupo 2, a Alemanha estreou superando a Iugoslávia por 2 a 0. Logo depois, venceu a Suécia por 4 a 2. A rodada final transformou-se em uma semifinal na contra a Polônia, que também venceu seus dois jogos. Em Frankfurt, o goleiro Sepp Maier e o atacante Gerd Müller garantiram a vitória por 1 a 0. Líder do grupo com seis pontos, a Alemanha avançou para a final.

O adversário na decisão não poderia ser outro senão a Holanda, que no torneio todo superou Bulgária, Uruguai, Alemanha Oriental, Argentina e Brasil. Seu estilo de jogo, batizado de "Futebol Total", quebrava todos os paradigmas táticos da época: os jogadores não guardavam posições fixas, sufocavam o adversário com uma marcação sob pressão e confundiam o sistema defensivo rival.

A final foi disputada no Estádio Olímpico de Munique e começou ruim para os anfitriões. Logo no segundo minuto de jogo, antes mesmo que um único jogador alemão conseguisse tocar na bola, a Holanda teve um pênalti a favor, que foi convertido. Mas a Mannschaft não se abalou e partiu para cima. Liderados por Franz Beckenbauer, os alemães alcançaram o empate aos 25 minutos, também de pênalti, convertido por Paul Breitner. Aos 43 minutos do primeiro tempo, Gerd Müller virou para 2 a 1. No segundo tempo, os alemães abdicaram do ataque, armaram uma forte retranca e suportaram a pressão holandesa até o apito final.

Diante de mais de 75 mil torcedores, a Alemanha Ocidental conquistou o bicampeonato mundial. A imagem do capitão Beckenbauer, o Kaiser, erguendo a nova taça imortalizou o triunfo do pragmatismo sobre a inovação e coroou definitivamente uma das gerações mais brilhantes e vencedoras da história do futebol.

A campanha da Alemanha:
7 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 13 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Imago/Werek

Brasil Campeão da Copa do Mundo 1970

Para a maioria dos amantes do futebol, a seleção brasileira de 1970 foi o maior time de futebol de todos os tempos. De fato, aquele grupo reunia um verdadeiro esquadrão no 11 titular, alinhando cinco camisas 10 juntos: Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson, Jairzinho e Rivellino; Tostão e Pelé. Esses atletas foram os responsáveis por trazer o tricampeonato mundial e a posse definitiva da Taça Jules Rimet para o Brasil. O Mundial de 1970 entrou para a história também por ser o primeiro realizada fora da Europa e da América do Sul, tendo como palco o México, na América do Norte, e o primeiro a ser transmitida ao vivo para todo o planeta, pela televisão.

Porém, a caminhada iniciou com turbulências. Meses antes da Copa, o técnico João Saldanha, responsável pela classificação nas Eliminatórias, foi demitido após desavenças com a ditadura militar, abrindo espaço para Mário Jorge Lobo Zagallo. Sob nova direção, o Brasil montou uma preparação física inédita para suportar a altitude mexicana. A trajetória começou em Guadalajara, no Estádio Jalisco, contra a Tchecoslováquia. Após sair atrás no placar, o Brasil aplicou uma goleada de virada por 4 a 1. Foi nessa estreia que o mundo assistiu ao primeiro "quase gol" de Pelé, que arriscou um chute de antes da linha do meio de campo, mas a bola passou ao lado da trave.

Na segunda rodada, ocorreu a vitória por 1 a 0 sobre a campeã Inglaterra. O jogo ficou eternizado pela intensidade tática, pelo gol de Jairzinho após assistência de Pelé e pela histórica defesa de Gordon Banks em uma cabeçada do Rei. O Brasil encerrou a fase inicial superando a Romênia por 3 a 2, classificando-se na liderança do Grupo C com seis pontos.

A campanha seguiu nas quartas de final com a vitória por 4 a 2 sobre o Peru, seleção que era comandada por Didi, bicampeão como jogador pelo Brasil. A semifinal reservou um confronto histórico contra o Uruguai, encarado como uma revanche do Maracanazo de 1950. O drama ganhou força quando os uruguaios abriram o placar, mas o time brasileiro empatou ainda no primeiro tempo com Clodoaldo. Na segunda etapa, Gérson virou e Rivellino fechou o placar em 3 a 1. O jogo ficou marcado pelo terceiro gol que Pelé não fez: ao receber passe de Tostão, o Rei aplicou um drible de corpo no goleiro sem tocar na bola, mas o seu chute cruzado passou raspando a trave.

O Brasil avançou à final contra a Itália, que passou por Suécia, Israel, México e Alemanha, na histórica semifinal vencida por 4 a 3. A partida aconteceu no Estádio Azteca, na Cidade do México. Lá, o mundo viu a maior apresentação coletiva já ocorrida em uma decisão. Pelé abriu o placar com uma cabeçada, mas os italianos empataram ainda no primeiro tempo. No segundo tempo, Gérson desempatou e Jairzinho anotou o terceiro gol, entrando para a história ao marcar em todos os jogos do torneio.

A quatro minutos do fim, o Brasil chegou a um dos gols mais belos do futebol. Após uma sequência de passes pacienciosos envolvendo quase todo o time na defesa e no meio-campo, Clodoaldo driblou quatro italianos, a bola passou por Rivelino e Jairzinho, encontrando Pelé na entrada da área. Avisado por Tostão, o Rei apenas rolou de lado para o chute em alta velocidade de Carlos Alberto Torres, que fechou o placar em 4 a 1. O resultado coroou o Brasil como tricampeão mundial indiscutível, sacramentando aquela como a maior seleção que já pisou em um gramado. A Taça Jules Rimet seria erguida por um capitão campeão pela última vez na história. A honra coube a Carlos Alberto Torres.

A campanha do Brasil:
6 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 19 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Imago/Werek

Inglaterra Campeã da Copa do Mundo 1966

A Copa do Mundo desembarcou no país de origem do futebol moderno em 1966, um Mundial na Inglaterra desenhado para os ingleses. A geração liderada por Bobby Charlton, Bobby Moore e Gordon Banks conseguiu, ao menos uma vez, confirmar a máxima de que os inventores do esporte eram, de fato, os melhores do mundo. No entanto, os críticos argumentam que a seleção dos Três Leões só ergueu a taça porque o bicampeão Brasil ruiu em uma desorganização crônica, porque Portugal era inexperiente em decisões, porque a Itália protagonizou o maior vexame de sua história ao cair diante da Coreia do Norte, e, porque o gol mais polêmico de todos os tempos desestabilizou a Alemanha na final.

A caminhada da Inglaterra rumo ao inédito título começou com um empate sonolento e sem gols contra o Uruguai. Sentindo a pressão de jogar em casa, a equipe comandada por Alf Ramsey precisou acordar nas rodadas seguintes. Com duas vitórias seguras por 2 a 0 sobre o México e a França, os ingleses garantiram a liderança isolada do Grupo A com cinco pontos, sem sofrer um único gol.

Nas quartas de final, o torneio transformou-se. A Inglaterra enfrentou a Argentina em Wembley, em uma partida lembrada pela agressividade e pela histórica expulsão do argentino Antonio Rattín pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein. O jogo ficou paralisado por quase dez minutos porque Rattín, alegando não entender o idioma do juiz, recusou-se a deixar o gramado e chegou a sentar-se no tapete vermelho destinado à Rainha Elizabeth II. A confusão gerou tanta indignação que a FIFA, para evitar novos ruídos de comunicação, idealizou a criação dos cartões amarelo e vermelho, implementados na edição seguinte. Após o apito final que decretou a vitória inglesa por 1 a 0.

Sem se abalar com os protestos sul-americanos, a Inglaterra seguiu para a semifinal para enfrentar Portugal, o xodó do Mundial, que vinha de uma virada sobre a Coreia do Norte. Em campo, o peso da tradição e a solidez defensiva falaram mais alto: Bobby Charlton brilhou com dois gols na vitória por 2 a 1, neutralizando os estreantes lusitanos e carimbando o passaporte para a final contra a Alemanha Ocidental, que ao longo da Copa bateu Espanha, Suíça, Uruguai e União Soviética.

A decisão foi disputada no Estádio de Wembley. Diante de quase 100 mil torcedores, os 90 minutos entregaram um bom espetáculo. Os alemães saíram na frente, mas Geoff Hurst empatou ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa, Martin Peters virou o jogo para os Três Leões, mas os alemães reapareceram aos 44 minutos para empatar novamente e forçar a prorrogação.

Foi no tempo extra que se materializou a maior polêmica da história das Copas do Mundo. Aos 11 minutos do primeiro tempo, Geoff Hurst girou e soltou um chute forte, o qual fez a bola carimbar o travessão, quicar sobre a linha do gol e ser afastada pela defesa alemã. Diante da dúvida, o árbitro suíço Gottfried Dienst consultou o bandeirinha soviético Tofiq Bakhramov, que validou o gol. Imagens de televisão e estudos tecnológicos provaram, décadas mais tarde, que a bola quicou em cima da linha, sem cruzar inteiramente a meta.

Desestabilizada pelo erro de arbitragem, a Alemanha Ocidental abriu-se e, no último lance da prorrogação, Hurst marcou o quarto gol inglês, fechando o placar em 4 a 2. O sonho dos inventores do futebol estava enfim consumado. O capitão Bobby Moore recebeu a taça e comandou a festa inglesa.

A campanha da Inglaterra:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 11 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto PA Images/Getty Images

Brasil Campeão da Copa do Mundo 1962

A Copa do Mundo de 1962 foi a das superações. Dois anos antes, em 1960, o Chile havia sido devastado pelo Terremoto de Valdivia, o mais forte já registrado na história da humanidade. Diante da destruição, o presidente do comitê organizador, Carlos Dittborn, imortalizou a frase: "Porque nada temos, faremos tudo". O país conseguiu se erguer a tempo, com quatro das oito cidades-sede previstas. Santiago, Viña del Mar, Rancagua e Arica receberam os jogos, enquanto Talca, Concepción, Talcahuano e a própria Valdivia ficaram de fora.

Lá estava o Brasil, com sua vaga automática garantida pelo título de 1958 e com uma base experiente e badalada, trazendo Pelé no auge físico e técnico, sintonizado com Garrincha, Didi, Zagallo, Nilton Santos e Vavá. O favoritismo ao bicampeonato era unânime, mas o roteiro guardava dramas inesperados. A caminhada brasileira começou com uma vitória burocrática por 2 a 0 contra o México, com gols de Zagallo e Pelé. O grande susto aconteceu na segunda rodada, no empate em 0 a 0 contra a Tchecoslováquia: Pelé sofreu uma grave lesão muscular na coxa, ficou sem condições de recuperação rápida e foi cortado do restante do torneio.

Coube ao jovem Amarildo a missão de substituir o Rei. E ele mostrou sua estrela na última rodada da fase de grupos, contra a Espanha. O Brasil perdia por um gol e flertava com a eliminação quando Nilton Santos usou da malandragem ao cometer uma falta sobre um atacante espanhol dentro da área: deu dois passos rápidos para fora da linha, enganando o árbitro, que marcou apenas falta. Vivo no jogo, o Brasil buscou a virada por 2 a 1 com dois gols de Amarildo, liderando o Grupo C com cinco pontos.

A partir das quartas de final, a Copa do Mundo ganhou um dono definitivo: o Garrincha. Com Pelé fora, o Mané assumiu o protagonismo do time. No duelo contra a Inglaterra, o meia destruiu o com dois gols e uma assistência para Vavá, sacramentando a vitória por 3 a 1.

Na semifinal, o Brasil cruzou o caminho do Chile, que vinha embalado pelo apoio popular e por uma postura agressiva e violenta em campo. Diante de um Estádio Nacional de Santiago superlotado, a força chilena não foi páreo para Garrincha. Em mais uma tarde inspirada, Mané anotou dois gols, participou diretamente dos outros dois marcados por Vavá e carregou o Brasil nas costas na vitória por 4 a 2.

A final promoveu o reencontro do Brasil com a Tchecoslováquia, que eliminou Hungria e Iugoslávia nas fases anteriores. A partida aconteceu no Estádio Nacional, mas não começou bem para a seleção brasileira, que sofreu o gol tcheco aos 15 minutos do primeiro tempo. Porém, a resposta foi imediata: apenas dois minutos depois, Amarildo empatou a partida.

No segundo tempo, a maturidade do elenco brasileiro prevaleceu. Aos 24 minutos, o volante Zito virou o marcador com um gol de cabeça. Aos 33, Vavá fez 3 a 1 e deu números finais para o título brasileiro. Um milagre tático e emocional foi consumado em gramados chilenos: o Brasil conquistou o bicampeonato mundial consecutivo mesmo sem o seu principal jogador em 80% da campanha. Na hora de erguer a taça, o zagueiro Mauro Ramos manteve a tradição inaugurada por Bellini quatro anos antes e ergueu o troféu acima de sua cabeça, oferecendo a conquista a uma nação que aprendeu que, mesmo sem o Rei, o futebol brasileiro ainda era soberano.

A campanha do Brasil:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Imago/Horstmüller

Brasil Campeão da Copa do Mundo 1958

Em 1958, o planeta finalmente se curvaria ao talento do futebol brasileiro. Sediada na Suécia, a sexta edição da Copa do Mundo foi o palco onde todos testemunharam o surgimento do maior jogador de todos os tempos: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Com apenas 17 anos, o jovem mineiro encantou a Europa e iniciou ali o seu reinado. Ao lado de outros gênios, como Garrincha, Didi, Zagallo, Nilton Santos e Bellini, o futuro Rei arquitetou o primeiro título mundial do Brasil, em um torneio que contou novamente com 16 seleções em quatro grupos, desta vez com todos se enfrentando sem restrições.

A preparação brasileira para aquele Mundial foi revolucionária. Pela primeira vez, a CBD montou uma comissão técnica multiprofissional, que incluía médico, dentista e até um psicólogo, para afastar os fantasmas do vice-campeonato de 1950. A campanha começou firme, com uma vitória por 3 a 0 sobre a Áustria. Na segunda rodada, o Brasil empatou em 0 a 0 com a Inglaterra, registrando o primeiro placar sem gols da história das Copas.

A atuação apática contra os ingleses forçou o técnico Vicente Feola a mexer no elenco. Pressionado também pelas lideranças do grupo, Feola promoveu as entradas de Pelé (que se recuperava de uma lesão no joelho) e Garrincha nos lugares de Mazzola e Joel. Contra a União Soviética, na última rodada, a nova dupla estreou de forma avassaladora, balançando a defesa soviética desde os primeiros minutos. O Brasil venceu por 2 a 0, com dois gols de Vavá, carimbando a classificação como líder do Grupo D com cinco pontos.

Nas quartas de final, o Brasil enfrentou o País de Gales. Em uma partida amarrada, Pelé começou a entrar para a história ao marcar seu primeiro gol em Copas, determinando a vitórias por 1 a 0 que colocou a seleção na semifinal. Na fase seguinte, contra a França, o Brasil deu um show e goleou por 5 a 2, com três gols de Pelé, um de Didi e outro de Vavá.

A final colocou o Brasil diante da Suécia, no Estádio Rasunda, em Estocolmo, após os donos da casa passarem por México, Hungria, União Soviética e Alemanha. Como os dois times usavam amarelo, um sorteio obrigou os brasileiros a jogarem com o uniforme reserva, porém estes não haviam sido levados na bagagem. Camisas azuis tiveram de ser compradas na véspera da partida. Em campo, os suecos abriram o placar logo aos quatro minutos do primeiro tempo, mas o Brasil manteve a frieza. Em duas jogadas parecidas, Garrincha serviu Vavá para empatar aos nove minutos e virar o jogo ainda na primeira etapa.

No segundo tempo, Pelé apareceu duas vezes. Antes, com o histórico chapéu sobre um zagueiro sueco, seguido pelo chute no canto do goleiro, marcando o terceiro gol. Zagallo fez o quarto, a Suécia descontou, e depois, já no último minuto, Pelé cabeceou para fechar o placar em 5 a 2. O Brasil exorcizava definitivamente o "complexo de vira-latas" e era, enfim, campeão do mundo. No momento mais aguardado, o capitão Bellini eternizou um gesto. Cercado por uma multidão de fotógrafos e repórteres que tentavam registrar a taça, o zagueiro ergueu o troféu com as duas mãos acima de sua cabeça para que todos pudessem enxergá-lo. O que nasceu de um improviso para a imprensa transformou-se no símbolo universal de triunfo no esporte. Desde então, todo capitão vencedor ergue o troféu que recebe.

A campanha do Brasil:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 16 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Popperfoto/Getty Images

Alemanha Campeã da Copa do Mundo 1954

O mundo ainda estava se reconstruindo no ano de 1954. Mas isto não impediu que a Europa fosse palco de mais uma Copa do Mundo. A escolha da Suíça como país-sede foi estratégica: o país havia se mantido neutra durante o conflito, preservando intactas suas ferrovias, hotéis e estádios. Além disso, o torneio celebrava os 50 anos da FIFA, que havia transferido sua sede de Paris para Zurique.

Este Mundial marcou o verdadeiro recomeço para diversas nações, incluindo a Alemanha, agora dividida, competindo como Alemanha Ocidental. Perdoados do banimento imposto em 1950, os alemães desembarcaram na Suíça longe do radar dos favoritos. Todos os holofotes apontavam para a Hungria, dona da maior geração de sua história, que revolucionou o esporte taticamente e ostentava uma invencibilidade de meses. O sorteio colocou as duas seleções no Grupo B. Naquela edição, a FIFA adotou um regulamento bizarro com 16 países divididos em quatro chaves: cada grupo continha dois cabeças de chave que não se enfrentavam, resultando em apenas duas rodadas por equipe na fase inicial. Outra peculiaridade foi quanto aos empates, que não eram permitidos nos 90 minutos, a não ser que persistissem no placar após a prorrogação.

A Alemanha estreou vencendo a Turquia por 4 a 1. Na rodada final, o técnico alemão Sepp Herberger tomou uma decisão ousada: sabendo da superioridade húngara, escalou um time misto. O resultado foi um atropelo da Hungria, que goleou por 8 a 3, mas a estratégia de Herberger poupou seus principais jogadores e escondeu suas verdadeiras armas. Como o saldo de gols não era critério de desempate, os alemães terminaram igualados com os turcos e precisaram disputar um jogo extra. Com o time titular descansado, a Alemanha goleou a Turquia por 7 a 2.

Nas quartas de final, os alemães despacharam a Iugoslávia por 2 a 0. A semifinal foi um espetáculo contra a Áustria. Liderada pelos irmãos Ottmar e Fritz Walter, a Mannschaft sobrou em campo e garantiu a vaga na decisão com um imponente 6 a 1. Do outro lado, a Hungria tirou do caminho Coreia do Sul, Brasil e Uruguai.

O palco da final foi o Estádio Wankdorf, em Berna, onde quase todos davam a vitória húngara como certa. Em oito minutos, a Hungria já vencia por por dois gols. Mas a Alemanha acordou imediatamente. Max Morlock descontou aos dez minutos e, aos 18, Helmut Rahn empatou. A partir dali, as condições climáticas e a tecnologia entraram em campo. Um temporal desabou sobre Berna, deixando o gramado encharcado e destruindo o toque de bola dos húngaros, que viram a lama acumular nas baixas e pesadas travas de metal de suas chuteiras. Já os alemães contavam com chuteiras com travas altas de borracha, mais leves e que permitiam maior mobilidade, fornecidas por Adi Dassler, o fundador da Adidas.

Durante todo o segundo tempo, os alemães correram firmes no barro, enquanto os húngaros sucumbiram ao cansaço e à falta de aderência. O gol da virada veio aos 39 minutos, com Rahn chutando cruzado da entrada da área húngara. A Hungria ainda teve um gol anulado por impedimento nos minutos finais, mas o placar de 3 a 2 estava selado, trazendo a primeira conquista de Copa do Mundo para a Alemanha. O "Milagre de Berna" foi o marco do renascimento de uma nação castigada no pós-guerra, e Fritz Walter passou para a história como o primeiro capitão a receber a taça em nome dos alemães, iniciando a tradição de uma das camisas mais respeitadas do planeta.

A campanha da Alemanha:
6 jogos | 5 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 25 gols marcados | 14 gols sofridos


Foto DPA/Picture Alliance

Uruguai Campeão da Copa do Mundo 1950

Após um hiato de 12 anos provocado pela Segunda Guerra Mundial, que engoliu toda a década de 1940, a Copa do Mundo finalmente voltou a ser realizada em 1950. O Brasil, que já havia se postulado como candidato para a edição cancelada de 1942, foi o único país a manter a proposta de sediar o torneio no pós-guerra. A FIFA, ansiosa pelo retorno, cogitou antecipar o evento para 1949, mas recuou diante da necessidade de tempo para que a imensa infraestrutura brasileira, incluindo a construção do maior estádio do mundo, ficasse pronta, deixando o cronograma para 1950.

Mas o planeta ainda estava em escombros e os desdobramentos geopolíticos esvaziaram a competição. Muitas nações europeias e asiáticas, fragilizadas economicamente, sequer se inscreveram nas Eliminatórias. Além disso, as seleções da Alemanha e do Japão foram suspensas pela FIFA devido à participação de seus países na guerra, enquanto os países do bloco soviético recusaram-se a participar. A organização do torneio virou um quebra-cabeça: inicialmente, 16 seleções garantiram vaga, mas Turquia, Escócia e Índia desistiram de última hora. A FIFA tentou convidar Portugal, França e Irlanda como substitutos, mas todos declinaram devido aos custos e à logística.

O torneio acabou ocorrendo com apenas 13 seleções, com quatro chaves desconfiguradas. O Grupo D, por exemplo, transformou-se em um duelo único entre Uruguai e Bolívia. Longe de ser apenas um time esforçado que vivia de nostalgia, La Celeste contava com uma geração de boa técnica, liderada pelo capitão Obdulio Varela e pelo meia Juan Schiaffino. Em sua única partida na primeira fase, disputada no Estádio Independência, em Belo Horizonte, o Uruguai massacrou os bolivianos por 8 a 0. Com essa vitória, os uruguaios somaram dois pontos e avançaram para o quadrangular final. Das outros grupos, avançaram Brasil, Espanha e Suécia.

A verdadeira Copa do Mundo para os uruguaios começou nessa fase decisiva, disputada em pontos corridos. Na estreia, sofreram para buscar um empate por 2 a 2 contra a Espanha, em São Paulo. Na segunda rodada, arrancaram uma virada heroica por 3 a 2 contra a Suécia no Pacaembu. Enquanto La Celeste avançava de forma sofrida, o Brasil aplicou goleadas por 7 a 1 nos suecos e por 6 a 1 nos espanhóis. A seleção brasileira era a absoluta favorita e o clima no país já era de "já ganhou".

O palco do ato final foi o recém-inaugurado Estádio Municipal do Rio de Janeiro, o futuro Maracanã. Na última rodada do quadrangular, apenas Brasil e Uruguai tinham chances de título, e os donos da casa jogavam pelo empate. Diante de 200 mil torcedores, a seleção uruguaia manteve o sangue frio. Sob o comando ríspido e motivador de Varela, o Uruguai suportou o bombardeio inicial e não desmoronou nem mesmo quando o Brasil abriu o placar no primeiro minuto do segundo tempo.

Aos 21 minutos, Alcides Ghiggia cruzou pela direita e Schiaffino apareceu na área para empatar o jogo. Mesmo com o resultado ainda a favor, o Brasil ficou nervoso e cometeu o erro de se abrir em busca de um gol que trouxesse tranquilidade. Aos 34 minutos, o lance que mudaria para sempre a história do futebol se repetiu: Ghiggia avançou pela ponta direita, mas, em vez de cruzar como no primeiro gol, percebeu o goleiro Barbosa dar um passo à frente e soltou um chute rasteiro no canto esquerdo. O gol silenciou a torcida e o placar de 2 a 1 sacramentou o Maracanazo. Sem cerimônias oficiais no gramado, Obdulio Varela recebeu a taça e o Uruguai conquistou seu histórico bicampeonato mundial.

A campanha do Uruguai:
4 jogos | 3 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 15 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Keystone/Getty Images