Alemanha Campeã da Copa do Mundo 1974

A Copa do Mundo de 1974, sediada na Alemanha Ocidental, representou um divisor de águas para a história do futebol. As transformações começaram fora das quatro linhas, com a estreia de um novo troféu, a Taça FIFA, projetada para substituir a Taça Jules Rimet, que havia ficado em posse definitiva do Brasil em 1970. Além disso, a FIFA instituiu um novo regulamento que aboliu o sistema de mata-mata nas quartas e semifinais: a partir de então, os oito classificados da primeira fase seriam divididos em dois novos grupos de quatro equipes, cujos líderes garantiriam vaga direta na decisão.

Mais importante do que as mudanças estruturais, foi o surgimento de novas potências que desafiaram a velha ordem do esporte. O mundo assistiu no Mundial ao nascimento da Holanda de Johan Cruyff e seu revolucionário "Carrossel Holandês", além de uma surpreendente Polônia. Porém, em um torneio de alto nível, o peso da camisa e o fator casa fariam a diferença. A Alemanha Ocidental, que bateu na trave com o vice em 1966 e o terceiro lugar em 1970, partiu rumo ao bicampeonato.

A caminhada da Alemanha começou de forma com uma vitória por 1 a 0 sobre o Chile. Na sequência, um triunfo por 3 a 0 sobre a Austrália classificou antecipadamente os alemães. A última rodada  reservou o emblemático e único confronto em Copas do Mundo entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental. Em Hamburgo, os ocidentais foram surpreendidos e perderam por 1 a 0. O revés empurrou a Alemanha Ocidental para a vice-liderança do Grupo A com quatro pontos, contra cinco dos orientais. Isso evitou que os donos da casa caíssem na chave contra os holandeses na fase seguinte.

Na segunda fase, no Grupo 2, a Alemanha estreou superando a Iugoslávia por 2 a 0. Logo depois, venceu a Suécia por 4 a 2. A rodada final transformou-se em uma semifinal na contra a Polônia, que também venceu seus dois jogos. Em Frankfurt, o goleiro Sepp Maier e o atacante Gerd Müller garantiram a vitória por 1 a 0. Líder do grupo com seis pontos, a Alemanha avançou para a final.

O adversário na decisão não poderia ser outro senão a Holanda, que no torneio todo superou Bulgária, Uruguai, Alemanha Oriental, Argentina e Brasil. Seu estilo de jogo, batizado de "Futebol Total", quebrava todos os paradigmas táticos da época: os jogadores não guardavam posições fixas, sufocavam o adversário com uma marcação sob pressão e confundiam o sistema defensivo rival.

A final foi disputada no Estádio Olímpico de Munique e começou ruim para os anfitriões. Logo no segundo minuto de jogo, antes mesmo que um único jogador alemão conseguisse tocar na bola, a Holanda teve um pênalti a favor, que foi convertido. Mas a Mannschaft não se abalou e partiu para cima. Liderados por Franz Beckenbauer, os alemães alcançaram o empate aos 25 minutos, também de pênalti, convertido por Paul Breitner. Aos 43 minutos do primeiro tempo, Gerd Müller virou para 2 a 1. No segundo tempo, os alemães abdicaram do ataque, armaram uma forte retranca e suportaram a pressão holandesa até o apito final.

Diante de mais de 75 mil torcedores, a Alemanha Ocidental conquistou o bicampeonato mundial. A imagem do capitão Beckenbauer, o Kaiser, erguendo a nova taça imortalizou o triunfo do pragmatismo sobre a inovação e coroou definitivamente uma das gerações mais brilhantes e vencedoras da história do futebol.

A campanha da Alemanha:
7 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 13 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Imago/Werek

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