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Itália Campeã da Copa do Mundo 2006

A Copa do Mundo de 2006, sediada na Alemanha, consagrou uma seleção fundamentada no poder de seu jogo coletivo. Na Itália daquele Mundial ninguém carregava o time nas costas. Em vez disso, todos corriam por todos dentro de campo. O tetracampeonato mundial funcionou como um alívio e redenção para o futebol italiano, que novamente vivia um mau momento institucional devido ao escândalo do Calciopoli, a máfia de manipulação de resultados e escolha de árbitros revelada meses antes do torneio.

A crise nos bastidores resultou na cassação de dois títulos nacionais da Juventus e no seu rebaixamento para a segunda divisão, além de perda de pontos para Milan, Fiorentina e Lazio. Porém, o caos uniu o elenco comandado pelo técnico Marcello Lippi. De Turim, o goleiro Gianluigi Buffon, os defensores Gianluca Zambrotta e Fabio Cannavaro, e o meio-campista Mauro Camoranesi formavam a espinha dorsal da desacreditada Azzurra. A caminhada em solo alemão começou com o pé direito através de uma vitória por 2 a 0 sobre Gana. Na sequência, um empate em 1 a 1 contra os Estados Unidos acendeu o sinal de alerta. No entanto, um triunfo por 2 a 0 sobre a talentosa Tchéquia garantiu à Itália a liderança do Grupo E, com sete pontos.

Nas oitavas de final, o drama bateu à porta no confronto contra a Austrália. Após a expulsão de Marco Materazzi no início do segundo tempo, a Itália suportou a pressão até conseguir um pênalti aos 50 minutos do segundo tempo. Francesco Totti fez 1 a 0 e empurrou os italianos, em definitivo, rumo ao título. Nas quartas de final, a equipe deslanchou ao aplicar 3 a 0 sobre a Ucrânia.

A semifinal reservou aquele que é considerado um dos maiores clássicos de toda a história dos Mundiais, contra a anfitriã Alemanha. Em uma partida épica, o placar manteve-se imóvel nos 90 minutos. Foi na prorrogação que a Azzurra calou os alemães: aos 14 minutos do segundo tempo, Fabio Grosso acertou um chute cruzado e abriu o marcador. Um minuto depois, em um contra-ataque Cannavaro, Alessandro Del Piero deu um toque sutil e selou o 2 a 0 que colocou o time italiano na final.

A decisão no Estádio Olímpico de Berlim foi contra a França, que superou Coreia do Sul, Togo, Espanha, Brasil e Portugal. O roteiro começou dramático para os italianos: aos sete minutos de jogo, Zinedine Zidane abriu o placar para os franceses de pênaltir. Mas a Itália reagiu e alcançou o empate aos 19 minutos, quando o zagueiro Materazzi subiu mais alto que a defesa rival para fazer de cabeça o gol do empate. O 1 a 1 arrastou-se para a prorrogação, palco do ato mais chocante da história das finais.

Materazzi e Zidane voltavam caminhando da grande área francesa enquanto trocavam insultos. Provocado, o italiano proferiu ofensas direcionadas à irmã do craque francês. Enfurecido, Zidane  desferiu uma cabeçada violenta no peito de Materazzi, que desabou no gramado. Zidane acabou expulso de campo, encerrando de forma melancólica a sua carreira como atleta.

Na disputa por pênaltis, o fantasma da derrota de 1994 foi finalmente exorcizado. Demonstrando 100% de eficiência, Andrea Pirlo, Materazzi, Daniele De Rossi e Del Piero converteram suas cobranças, enquanto a França desperdiçou uma. Coube a Fabio Grosso a responsabilidade do último chute e decretar a vitória por 5 a 3. A honra de erguer a taça pertenceu ao capitão Cannavaro, que viria a ser eleito o melhor jogador do mundo daquele ano.

A campanha da Itália:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 12 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Jonne Roriz/Estadão Conteúdo

Sevilla Campeão da Liga Europa 2006

Em 33 anos de existência, até 2005, a Copa da UEFA premiou 22 times de nove países. Os maiores vencedores eram Liverpool, Internazionale e Juventus, com três títulos cada. Da Espanha, só Real Madrid (duas vezes) e Valencia tinham erguido a taça. Todos esses números ficariam de pernas para o ar a partir de 2006, quando apareceu o terceiro clube espanhol para mudar a história da competição. Nesta temporada, o Sevilla deu início a um caso de genuíno sucesso, de moldar um torneio ao seu gosto.

Campeão espanhol uma única vez (em 1948), o time rojiblanco (alvirrubro) entendeu que, se não era possível competir sempre contra os gigantes Barcelona e Real Madrid, além de outros grandes europeus, na Copa da UEFA a oportunidade era perfeita para beliscar um troféu importante. Sob o comando de Juande Ramos, a primeira de sete conquistas (e contando) teve início contra o Mainz 05, o qual eliminou com empate sem gols no Ramón Sánchez Pizjuán e vitória por 2 a 0 na Alemanha.

Na segunda fase, o Sevilla ficou no grupo H, junto com Besiktas, Zenit, Vitória de Guimarães e Bolton. A estreia foi com vitória por 3 a 0 sobre os turcos em casa. Depois, enfrentou os russos em São Petersburgo e perdeu por 2 a 1. No terceiro jogo, triunfo por 3 a 0 em cima dos portugueses no Ramón Pizjuán. Por fim, os rojiblancos empataram por 1 a 1 com os ingleses fora. Com sete pontos, o Sevilla avançou na liderança da chave, superando o Zenit pelo saldo de gols (4 a 1) e o Bolton por um ponto.

Na terceira fase, o Sevilla passou pelo Lokomotiv Moscou com duas vitóras, por 1 a 0 na Rússia, e por 2 a 0 na Espanha. Nas oitavas de final, o adversário foi o Lille. A primeira partida foi no Estádio Métropole, mas os andaluzes perderam por 1 a 0 na França. O segundo jogo foi no Ramón Pizjuán, onde aconteceu a primeira virada da campanha: 2 a 0, com gols de Frédéric Kanouté e Luís Fabiano.

Nas quartas, os rojiblancos bateram mais uma vez o Zenit, desta vez com goleada por 4 a 1 em casa e empate por 1 a 1 no Estádio Petrovsky. Na semifinal, a vítima foi o Schalke 04, mas no sufoco. A ida foi em Gelsenkirchen, e ficou no empate por 0 a 0. A volta foi no Ramón Pizjuán, e também passou em branco nos 90 minutos. Na prorrogação, o saudoso lateral Antonio Puerta fez o gol do 1 a 0 salvador.

A primeira decisão de Copa da UEFA do Sevilla foi contra o Middlesbrough, que tirou Xanthi, Dnipro, Grasshopper, Suttgart, Roma, Basel e Steaua Bucareste. A final aconteceu no Estádio Philips, na holandesa Eindhoven. E o primeiro título veio com passeio: 4 a 0 fora o baile. Os gols foram de Luís Fabiano, aos 29 minutos do primeiro tempo, Enzo Maresca, aos 33 e 39 do segundo, e Kanouté, aos 44.

A campanha do Sevilla:
15 jogos | 9 vitórias | 4 empates | 2 derrotas | 25 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Jamie McDonald/Getty Images

Pachuca Campeão da Copa Sul-Americana 2006

Após os primeiros anos de ajustes, a Copa Sul-Americana entrou num momento de estabilidade a partir de 2006. Pela primeira vez, a Conmebol conseguiu repetir o regulamento da competição em relação à temporada anterior. A única coisa que mudou foi um dos convidados da Concacaf: saem os Estados Unidos, entra no lugar a Costa Rica, com a Alajuelense.

As surpresas do norte não pararam por aí. Também pela primeira vez, um título sul-americano ficou nas mãos de um forasteiro. No caso, o Pachuca, do interior do México. O clube do Estado de Hidalgo superou todas as forças corriqueiras e partiu para uma conquista histórica e inigualável.

A campanha dos "tuzos" (esquilos) começou diretamente nas oitavas de final, contra o Deportes Tolima. O primeiro jogo foi na cidade de Ibagué, na Colômbia, e terminou com derrota mexicana por 2 a 1. A segunda partida aconteceu em Pachuca de Soto, e o time da casa reverteu a desvantagem com uma goleada autoritária por 5 a 1.

Nas quartas de final, foi a vez de enfrentar o Lanús, que havia eliminado o Corinthians. A ida foi na Argentina, e o Pachuca tratou de fazer a vantagem lá mesmo ao vencer por 3 a 0. Tranquilo para a volta, bastou ficar no empate por 2 a 2 em seu Estádio Hidalgo para chegar na semifinal.

A disputa da semifinal foi contra o Athletico-PR, que tinha passado por gigantes como River Plate e Nacional do Uruguai. Mas os tuzos não ligaram para isso e voltaram a ganhar a ida fora de casa. Desta vez por 1 a 0, na Arena da Baixada, em Curitiba. A volta ocorreu no México, e o Pachuca se classificou para a decisão depois de fazer 4 a 1, de virada.

A final foi entre Pachuca e Colo-Colo. O clube chileno chegou lá depois de bater Huachipato, Coronel Bolognesi, Alajuelense, Gimnasia La Plata e Toluca. A primeira partida foi jogada no México, no Estádio Hidalgo. Andrés Chivita deixou os tuzos na frente do placar, aos 27 minutos do primeiro tempo, mas o adversário chegou ao 1 a 1 no segundo.

O segundo jogo foi no Estádio Nacional de Santiago, e o Pachuca precisou correr. Largou atrás no marcador aos 35 do primeiro tempo. Aos oito do segundo, Gabriel Caballero empatou. Aos 28, Christian Giménez virou para 2 a 1, calou a todos e permitiu aos tuzos arrancar rumo ao título inédito.

A campanha do Pachuca:
8 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 2 derrotas | 19 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Arquivo/Pachuca

Barcelona Campeão da Liga dos Campeões 2006

Na temporada em que completou 50 anos de existência, a Liga dos Campeões também foi decidida com fortes doses de emoção. Embora a final de 2006 não seja tão cultuada quanto a de 2005, a virada do Barcelona é digna das grandes histórias da competição: dois gols em quatro minutos - faltando dez para o fim -, com o segundo saindo dos pés de um atleta que jamais havia marcado com a camisa do clube.

Sob o comando de Frank Rijkaard e com Ronaldinho, Samuel Eto'o, Deco e Carles Puyol em campo, mais um trio de nomes Lionel Messi, Andrés Iniesta e Xavi no banco de reservas, o bicampeonato blaugrana - após 14 anos - teve início no grupo C da primeira fase. Diante de Panathinaikos, Udinese e Werder Bremen, a classificação foi tranquila, com 16 pontos, cinco vitórias e um empate em seis partidas. Tamanha facilidade permitiu ao Barça se classificar em primeiro já na quarta rodada, nos 5 a 0 sobre os gregos no Camp Nou.

A partir das oitavas de final, os catalães passaram a fazer um ótimo uso do regulamento. Contra o Chelsea, conseguiram vencer a ida fora por 2 a 1 e empatar a volta em casa por 1 a 1. Nas quartas, foi a vez de passar pelo Benfica em dinâmica parecida, porém invertida: empate sem gols em Portugal e vitória por 2 a 0 na Espanha. A semifinal foi contra o Milan, e o time blaugrana voltou a conquistar o triunfo fora - 1 a 0 no San Siro - para se garantir em casa - 0 a 0 no Camp Nou.

Depois de 12 anos, o Barcelona voltava à final da Liga dos Campeões. Seu adversário foi o Arsenal, que bateu Thun (Suíça), Sparta Praga, Real Madrid, Juventus e Villarreal. A partida aconteceu em Paris, no Stade de France, e começou com os ingleses largando na frente aos 37 minutos do primeiro tempo. A reação só começou aos 31 do segundo tempo, no empate de Eto'o.

A consagração veio aos 35, quando o lateral-direito reserva Belletti - que até ali nunca tinha feito um gol pelo Barça - acertou um chute cruzado pelo lado direito, quase sem ângulo, e fez 2 a 1. Num prenúncio do que estava por vir na virada da década, o clube catalão assegurou o bicampeonato europeu.

A campanha do Barcelona:
13 jogos | 9 vitórias | 4 empates | 0 derrotas | 24 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Laurence Griffiths/Getty Images

Internacional Campeão da Libertadores 2006

Em 2006, o Brasil bateu o recorde no número de participantes na Libertadores. Foram seis equipes, graças ao título do São Paulo um ano antes. E entre elas, um time que ensaiou o título por duas vezes mas que ficou no quase e amargou 13 anos longe da competição. Pois o Internacional montou um elenco competitivo e jogou a competição sul-americana sem medo para conseguir sua primeira taça.

O Colorado ficou no grupo 6 da primeira fase, com Nacional do Uruguai, Maracaibo, da Venezuela, e Pumas UNAM, do México. O clube não teve problemas nos seis primeiros jogos, vencendo quatro e empatando dois. A partida mais emblemática foi com o Pumas, em Porto Alegre, onde o Inter virou de 2 a 0 para 3 a 2. Os gaúchos se classificaram na liderança da chave, com 14 pontos, conseguindo o segundo lugar geral.

Nas oitavas de final, o Colorado teve de enfrentar mais duas vezes o Nacional, vencendo por 2 a 1, de virada, no Parque Central e empatando por 0 a 0 no Beira-Rio. As quartas ocorreram contra a LDU, e foi nesta fase que o Inter teve sua única derrota em todo o campeonato, por 2 a 1, na ida em Quito. Na volta, o time de Fernandão, Iarley, Clemer e Rafael Sobis venceu por 2 a 0.

Na semifinal o adversário foi o Libertad, do Paraguai. O primeiro jogo foi no Defensores del Chaco, e o Internacional segurou o 0 a 0. No segundo jogo, o time foi empurrado pelo torcedor em Porto Alegre e venceu por 2 a 0, conseguindo assim uma vaga na final da Libertadores depois de 26 anos.

O adversário na decisão foi o então campeão São Paulo, que passou por Palmeiras, Estudiantes e Chivas Guadalajara. A ida foi no Morumbi e, apesar da pressão paulista, Rafael Sobis marcou duas vezes para o Inter vencer por 2 a 1.

A volta aconteceu no Beira-Rio, e Fernandão e Tinga marcaram mais dois gols no confronto. Do outro lado, os paulistas ainda tentaram uma reação ao empatarem por 2 a 2. Só que era a vez de o Internacional comemorar seu primeiro título de Libertadores.

A campanha do Internacional:
14 jogos | 8 vitórias | 5 empates | 1 derrota | 24 gols marcados | 10 gols sofridos


Foto Jefferson Bernardes/Agência Preview

Internacional Campeão Mundial 2006

A reunião de todas as confederações na busca pelo título mundial de clubes foi bem recebida pelos torcedores. Mas nem toda fórmula é perfeita. A FIFA não considerou a história entre 1960 e 2004 por pura birra. A Copa Intercontinental nunca foi organizada por ela, portanto todos os seus campeões acabaram “renegados”. A questão é lógica: o Mundial de Clubes só avançou depois que a entidade se juntou ao que já dava certo; os acontecimentos de um sucedem os do outro — futebol não é geografia.

O Mundial de 2006 ficou marcado pelo encontro de dois extremos na decisão. Pela América do Sul, o Internacional — com pragmatismo e um conjunto forte — conquistou o primeiro título da Libertadores ao derrotar o São Paulo. Pela Europa, o Barcelona — com um futebol de arte e estrelas de peso — conseguiu sua segunda Liga dos Campeões ao vencer o Arsenal.

Entre os dois clubes, completaram o Mundial: o mexicano América, pela América do Norte e Central; o egípcio Al-Ahly, pela África; o sul-coreano Jeonbuk Motors, pela Ásia; e o neozelandês Auckland City, pela Oceania.

Todos os olhos do planeta estavam voltados para o time catalão, amplo favorito e liderado por Ronaldinho, ainda no auge. O Inter, o primeiro rival da carreira do jogador, chegou ao Japão com um trabalho sério e silencioso, comandado por Abel Braga e capitaneado por Fernandão. A promessa era, no mínimo, tornar a final entre as equipes competitiva.

No início do torneio, o Al-Ahly derrotou o Auckland por 2 a 0, e o América eliminou o Jeonbuk por 1 a 0. O time africano foi o adversário do Colorado na semifinal, no dia 13 de dezembro, em Tóquio. Com bom futebol, os gaúchos venceram por 2 a 1, gols de Alexandre Pato e Luiz Adriano. Na outra semifinal, o Barcelona não tomou conhecimento dos mexicanos e aplicou 4 a 0, aumentando ainda mais o favoritismo europeu.

A decisão do Mundial aconteceu em 17 de dezembro, em Yokohama. O ritmo da partida seguiu o esperado: o Barcelona atacando e o Internacional explorando os contra-ataques. Mas o time espanhol desperdiçou inúmeras chances, o que abriu espaço para o sonho brasileiro. O momento decisivo ocorreu aos 31 minutos do segundo tempo, quando Fernandão deu lugar ao rejeitado Adriano Gabiru.

Coisas do destino: aos 36 minutos, Iarley recebeu lançamento, venceu dividida com Carles Puyol e tocou para Gabiru, que entrou livre na área e bateu na saída do goleiro Víctor Valdés. Depois do gol, Clemer apareceu com grandes defesas e garantiu o 1 a 0, surpreendendo o mundo e pintando-o de vermelho.


Foto Daniel Boucinha/Internacional

Criciúma Campeão Brasileiro Série C 2006

A Série C do Brasileirão de 2006 contou com presenças ilustres entre os seus 64 participantes. Tradicionais no cenário nacional, Bahia, Vitória e Criciúma vieram rebaixados da Série B do ano anterior e precisaram cumprir um "estágio" na terceira divisão. Entre os três, o Criciúma foi o mais eficiente e ficou com a taça, enquanto na dupla baiana apenas o Vitória conseguiu garantir o acesso.

Na etapa inicial, os clubes foram divididos em 16 chaves. O Criciúma integrou o Grupo 16, ao lado de Marcílio Dias, Novo Hamburgo e Brasil de Pelotas. O único tropeço do time carvoeiro nesta fase ocorreu logo na estreia: derrota por 3 a 2 para o Brasil em Pelotas. A reabilitação veio na sequência com um triunfo por 3 a 2 sobre o Marcílio Dias no Heriberto Hülse e um empate em 3 a 3 com o Novo Hamburgo fora de casa. No returno, o Tigre engatou três vitórias: duas goleadas em casa, por 6 a 0 no Novo Hamburgo e por 4 a 0 no Brasil de Pelotas, além de um triunfo por 2 a 1 sobre o Marcílio Dias em Itajaí. Com 13 pontos, a equipe catarinense avançou na vice-liderança do grupo.

Os 32 classificados para a segunda fase foram redistribuídos em oito grupos, com o Tigre sendo sorteado no Grupo 23 ao lado de Cabofriense, Joinville e Noroeste. Desta vez, o aproveitamento do Criciúma no Heriberto Hülse foi atípico: vitória por 4 a 1 sobre a Cabofriense, empate em 1 a 1 com o Noroeste e derrota por 1 a 0 no clássico contra o Joinville. O desempenho longe de seus domínios compensou as perdas em casa, com triunfos por 1 a 0 sobre o Noroeste em Bauru e 3 a 1 sobre a Cabofriense em Cabo Frio. Apesar da goleada por 5 a 1 sofrida para o Joinville na segunda rodada, o Criciúma garantiu a classificação no segundo lugar da chave, com dez pontos.

Na terceira fase, os 16 sobreviventes dividiram-se em quatro quadrangulares. O Criciúma ficou no Grupo 28, enfrentando J.Malucelli, América-MG e Barueri. Sob seus domínios, o Tigre superou Barueri e América-MG pelo placar de 2 a 0 e empatou sem gols com o J.Malucelli. Fora de casa, venceu os paranaenses por 1 a 0, mas perdeu para os mineiros por 3 a 2 e para os paulistas por 1 a 0. Mais uma vez, o time avançou na segunda colocação, somando dez pontos.

A fase decisiva reuniu os oito melhores clubes em turno e returno: Criciúma, Treze, Brasil de Pelotas, Bahia, Ferroviário, Barueri, Vitória e Ipatinga. Foi exatamente na hora da verdade que o futebol do time catarinense atingiu seu nível máximo. Em uma campanha impecável no octogonal final, o Tigre somou 31 pontos em 14 partidas, acumulando nove vitórias, quatro empates e apenas uma derrota. O retorno à Série B foi assegurado na 11ª rodada, após um empate por 2 a 2 contra o Barueri no Heriberto Hülse.

A coroação e a conquista da taça vieram na penúltima rodada, com uma histórica goleada por 6 a 0 sobre o Vitória perante uma torcida em êxtase em Criciúma. O troféu da Série C de 2006 consolidou o Criciúma como o clube catarinense mais vencedor a nível nacional, com três títulos (Copa do Brasil de 1991, Série B de 2002 e Série C de 2006).

A campanha do Criciúma:
32 jogos | 19 vitórias | 7 empates | 6 derrotas | 64 gols marcados | 33 gols sofridos


Foto Edmar Melo/Futura Press

Atlético-MG Campeão Brasileiro Série B 2006

A Série B de 2006 ficou marcada na história do futebol brasileiro como a primeira edição disputada no formato de pontos corridos, três anos após a implementação do sistema na primeira divisão. Com a mudança, o torneio finalmente entrou nos eixos, estabilizando-se no formato de 20 equipes em turno e returno. Naquela temporada, a tabela contava com quatro clubes que já haviam conquistado a elite nacional no passado, entre eles o Atlético-MG, que pela primeira vez em sua história disputaria a segunda divisão. Disposto a apagar a péssima impressão do rebaixamento em 2005, o time mineiro entrou no campeonato com uma única missão: ser campeão sem sustos.

O Galo estreou na competição com um empate por 1 a 1 contra o Marília, fora de casa. Na jornada seguinte veio a primeira vitória: 3 a 1 sobre o Náutico, no Mineirão. Não demorou para que o Atlético passasse a frequentar a parte de cima da tabela. Contudo, o percurso teve seus sobressaltos. A primeira derrota aconteceu na sexta rodada, por 2 a 1 para o Ituano, em pleno Mineirão, dando início a um período de oscilação que só foi superado na 13ª rodada, com um triunfo por 4 a 2 sobre o Gama. Sem conseguir engatar uma grande sequência de vitórias imediatas, o Atlético encerrou o primeiro turno na sexta posição, vendo o Sport liderar a disputa.

A reação definitiva veio no segundo turno. O Galo assumiu a liderança pela primeira vez na 29ª rodada, após vencer o Brasiliense por 1 a 0 no Mineirão. A liderança chegou a ser perdida temporariamente na 33ª rodada, quando o empate por 1 a 1 com a Portuguesa, no Canindé, derrubou o time para o segundo lugar. A resposta, porém, foi imediata: no jogo seguinte, o Atlético retomou a ponta ao aplicar 3 a 0 sobre o Paysandu, em Belo Horizonte.

O elenco, que contava com a promessa Diego Alves no gol, e Éder Luís e Marinho no ataque, garantiu o acesso na 36ª rodada, em uma vitória por 3 a 2 sobre o Coritiba no Couto Pereira. Na rodada seguinte, o título nacional foi assegurado com um triunfo por 1 a 0 sobre o Ceará, no Castelão.

A última rodada transformou-se na festa oficial da entrega da taça. Diante de sua torcida, o Galo empatou em 2 a 2 com o América-RN e deu a volta olímpica. Enquanto os mineiros festejavam, os potiguares também comemoravam, pois o empate deixou o América na quarta colocação, com o acesso garantido. As outras duas vagas ficaram com os rivais Sport e Náutico. O Atlético-MG coroou sua campanha na liderança com 71 pontos, acumulados em 20 vitórias, 11 empates e sete derrotas, e terminando com sete pontos de vantagem sobre o vice Sport.

A campanha do Atlético-MG:
38 jogos | 20 vitórias | 11 empates | 7 derrotas | 70 gols marcados | 39 gols sofridos


Foto José Leomar/Placar

São Paulo Campeão Brasileiro 2006

Após um período de transição e ajustes no regulamento, o Campeonato Brasileiro de 2006 finalmente atingiu o formato de 20 equipes, considerado ideal para o calendário nacional. O ano marcou o despertar de uma hegemonia sem precedentes na era dos pontos corridos: o São Paulo. Vindo de um 2005 glorioso com os títulos da Libertadores e do Mundial, o Tricolor iniciou uma sequência de três conquistas nacionais consecutivas.

Enquanto o Morumbi celebrava, o cenário nacional era de contrastes. O Grêmio surpreendeu com um terceiro lugar logo após retornar da Série B. O Palmeiras flertou com o perigo, terminando em 16º. O Corinthians, defensor do título, teve uma debandada de atletas e chegou a estar na lanterna, mas acabou na nona colocação. E o Atlético-MG viveu o seu ano mais difícil, disputando a segunda divisão.

O São Paulo de Muricy Ramalho era sinônimo de eficiência. A estreia foi positiva, com vitória por 1 a 0 sobre o Flamengo no Morumbi. Apesar de um tropeço por 1 a 0 para o Fortaleza, logo na segunda rodada, a equipe encontrou rapidamente sua identidade tática, baseada em uma defesa intransponível liderada por Rogério Ceni, Fabão e Miranda.

A liderança foi conquistada pela primeira vez na nona rodada, ao ao vencer o Fluminense por 1 a 0 em casa. Após um breve hiato nas rodadas seguintes, o São Paulo retomou o topo na 12ª jornada ao vencer o Figueirense, por 2 a 1 no Morumbi, e de lá não saiu mais. Das 38 rodadas da competição, o Tricolor ocupou a primeira posição em 28 delas, demonstrando uma estabilidade emocional e técnica que asfixiou os concorrentes.

A campanha foi marcada por poucos, porém marcantes, momentos de instabilidade, como a goleada sofrida para o Santos por 4 a 0 na 14ª partida, em pleno Morumbi, e o revés de 3 a 1 contra o Palmeiras, na 26ª rodada, em clássico disputado em Presidente Prudente. Entretanto, o time reagia com exibições de gala, como os massacres por 5 a 1 sobre o Vasco, e por 5 a 0 sobre o Juventude, ambos em casa, nos jogos 27 e 29 do campeonato.

A consagração do tetracampeonato veio na 36ª rodada, no Morumbi, com um empate em 1 a 1 contra o Athletico-PR. O São Paulo encerrou a maratona com 78 pontos, nove de vantagem sobre o vice Internacional, e ostentando estatísticas de campeão incontestável: 22 vitórias e apenas quatro derrotas em todo o campeonato.

A campanha do São Paulo:
38 jogos | 22 vitórias | 12 empates | 4 derrotas | 66 gols marcados | 32 gols sofridos


Foto Alexandre Battibugli/Placar

Flamengo Campeão da Copa do Brasil 2006

Quem aprende com um erro não erra duas vezes. Foi com essa mentalidade que o Flamengo conquistou o bicampeonato da Copa do Brasil em 2006. Dois anos após o trauma da derrota em casa para o Santo André, o Rubro-Negro corrigiu sua rota em uma final inesquecível, selada com duas vitórias categóricas sobre seu maior rival.

O Fla iniciou sua trajetória contra o ASA. O primeiro jogo, disputado em Arapiraca, terminou empatado em 1 a 1. Na volta, no Maracanã, a vitória por 2 a 1 garantiu o avanço. Na segunda fase, o adversário foi o ABC. O Flamengo passou com tranquilidade ao vencer por 1 a 0 em Natal e aplicar um 4 a 0 no Rio de Janeiro.

Nas oitavas de final, diante do Guarani, o Flamengo construiu uma excelente vantagem logo na ida, no Maracanã, com uma goleada por 5 a 1. No Brinco de Ouro, em Campinas, a larga diferença permitiu ao time carioca administrar a classificação mesmo com a derrota por 1 a 0 no jogo de volta.

Nas quartas de final, foi a vez de encarar o Atlético-MG. Novamente, a ida foi disputada no Rio de Janeiro e, mais uma vez, o Rubro-Negro goleou para abrir frente: 4 a 1. No Mineirão, bastou segurar o empate sem gols para carimbar o passaporte para a semifinal.

O adversário na semifinal foi o Ipatinga, a zebra daquela edição, comandada pelo técnico Ney Franco. O jogo de ida, no Vale do Aço, terminou em 1 a 1. Na volta, no Maracanã, o Fla buscou a classificação de forma sofrida, com uma vitória de virada por 2 a 1. Essa fase ocorreu antes da Copa do Mundo de 2006, em um momento em que o time atravessava má fase sob o comando de Waldemar Lemos.

Após o Mundial, o Flamengo chegou à decisão com uma novidade no banco de reservas. Devido aos maus resultados no Brasileirão, Waldemar foi demitido e, para seu lugar, foi contratado justamente Ney Franco. O adversário na final foi o Vasco, que chegava após superar Botafogo-PB, Iraty, Criciúma, Volta Redonda e Fluminense. Ambas as partidas ocorreram no Maracanã. Na primeira, Obina e Luizão marcaram dois gols em um intervalo de apenas dois minutos, garantindo a vitória por 2 a 0. No segundo jogo, Juan acertou um belo chute de fora da área, confirmando o triunfo por 1 a 0 e o segundo título flamenguista na história da competição.

A campanha do Flamengo:
12 jogos | 8 vitórias | 3 empates | 1 derrota | 23 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Arquivo/Flamengo