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Borussia Dortmund Campeão da Recopa Europeia 1966

Chegou a vez da Alemanha. Na Recopa Europeia de 1966, o título ficou nas mãos do Borussia Dortmund, levando o país ao primeiro título continental de todos. Tudo isso foi proporcionado pela conquista da Copa da Alemanha pela primeira vez, em 1965.

A competição sofreu mais um aumento no número de participantes de uma temporada para a outra, de 30 para 31 clubes. O caminho do Borussia Dortmund teve começo na primeira fase, contra o Floriana, de Malta. Na primeira partida, goleada fora de casa por 5 a 1. No segundo jogo, o resultado foi ainda maior: 8 a 0 no Estádio Rote Erde.

Nas oitavas de final, o Borussia encarou o CSKA Sofia, fazendo o placar de 3 a 0 no jogo de ida em Dortmund. Na partida de volta, os alemães foram surpreendidos pelos búlgaros fora de casa e perderam por 4 a 2. A classificação foi confirmada pelo saldo de gols.

O adversário do BVB nas quartas foi o Atlético de Madrid. O primeiro jogo foi realizado na Espanha, no antigo Estádio Metropolitano, que terminou empatada por 1 a 1. A segunda partida foi disputada no Rote Erde, e a simples vitória por 1 a 0 colocou o Borussia na semifinal.

O próximo confronto alemão foi contra o West Ham, o campeão da temporada anterior. A disputa teve início em Londres, no Bolyen Ground. De virada, o BVB venceu por 2 a 1, gols de Lothar Emmerich e abriu vantagem. A volta aconteceu em Dortmund. Emmerich antou mais duas vezes, Gerhard Cyliax fez um e os alemães venceram por 3 a 1, chegando na decisão.

Na final, o Borussia Dortmund ficou frente a frente com o Liverpool, que passou por Juventus, Standard Liège, Honvéd e Celtic. O confronto foi jogado em Glasgow, no Hampden Park, e foi um triunfo complicado. Sigfried Held abriu o placar aos 16 minutos do segundo tempo, mas os ingleses empataram aos 23. Foi só na prorrogação que saiu o 2 a 1, no segundo minuto da segunda etapa, quando Reinhard Libuda antou o gol do título.

A campanha do Borussia Dortmund:
9 jogos | 7 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 27 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Arquivo/Borussia Dortmund

Inglaterra Campeã da Copa do Mundo 1966

A Copa do Mundo desembarcou no país de origem do futebol moderno apenas uma única vez. Foi em 1966, um Mundial na Inglaterra feito para ingleses. E a geração liderada por Bobby Charlton, Bobby Moore e Gordon Banks conseguiu, por ora, confirmar a máxima de que os inventores do esporte são de fato os melhores. Outras línguas dizem que a seleção dos Três Leões só venceu porque o Brasil estava desorganizado, porque Portugal era novato demais, porque a Itália viu a zebra acontecer ante a Coreia do Norte e porque aquela bola que não cruzou a linha do gol na final abalou a Alemanha.

A caminhada da Inglaterra rumo ao título começou com um empate sonolento e sem gols contra o Uruguai. Na sequência, duas vitórias por 2 a 0 sobre México e França deram a liderança do grupo A aos ingleses, com cinco pontos.

Nas quartas de final, a Inglaterra enfrentou a Argentina e venceu por 1 a 0, em partida lembrada pela falha de comunicação entre o argentino Antonio Rattín e o árbitro alemão, enquanto o jogador era expulso. O jogo ficou paralisado por vários minutos pois o jogador não entendia a ordem do árbitro para sair do campo. Por isso, A FIFA inventaria quatro anos depois os cartões amarelo e vermelho.

Sem culpa na história, a Inglaterra seguiu para a semifinal enfrentar Portugal, estreante e coqueluche do Mundial. A tradição teve mais força, e os ingleses venceram por 2 a 1. A equipe seguiu para a final contra a complicada Alemanha Ocidental.

A Inglaterra jogou a decisão em Londres, no Wembley, palco de quase toda a campanha da seleção. A partida foi muito disputada nos 90 minutos. Os alemães marcaram primeiro, e Geoff Hurst empatou no primeiro tempo. Martin Peters virou o jogo, mas a Alemanha empatou aos 44 minutos do segundo tempo.

A maior polêmica da história veio na prorrogação. Hurst chutou forte, a bola bateu no travessão e quicou no gramado. O bandeirinha soviético Bakhramov viu o gol, mas a bola bateu em cima da linha, sem cruzar a meta. Outra vez sem culpa, a Inglaterra marcou o gol do título no último lance, novamente com Hurst. A vitória por 4 a 2 fechou com chave de ouro o sonho dos ingleses. Das mãos da Rainha, Bobby Moore recebeu a taça, a única que a Inglaterra tocou em toda a sua história.

A campanha da Inglaterra:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 11 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto PA Images/Getty Images

Botafogo, Santos, Vasco e Corinthians Campeões do Torneio Rio-São Paulo 1966

A primeira era do Torneio Rio-São Paulo acabou de maneira agridoce, com um título dividido entre quatro campeões. O ano de 1966 foi conturbado para o futebol brasileiro devido à má preparação para a Copa do Mundo. Em abril daquele ano - três meses antes do Mundial -, a CBD pré-convocou 46 jogadores para treinos. Tal fato prejudicou os clubes, que precisaram paralisar suas atividades oficiais por um trimestre inteiro.
A conjuntura dos fatos levou as federações paulista e carioca tomarem duas decisões quanto ao Rio-SP: o regulamento voltou a ser o mesmo de antes, com pontos corridos e turno único, e se mais duas ou mais equipes terminassem empatadas na liderança ao fim das nove rodadas, o saldo de gols definiria o campeão, pois não haveria datas nem atletas de ponta para os jogos extras. Isto aconteceu com quatro clubes, todos alvinegros.
Botafogo, Santos, Vasco e Corinthians protagonizaram uma disputa tão forte pelo título que todos chegaram com chances de serem campeões sozinhos na última rodada. E para evitar desgastes com quaisquer dirigentes, os organizadores do torneio decidiram dividir o título entre os igualados ao invés do saldo de gols. A situação era a seguinte: o Vasco era o primeiro com 11 pontos, seguido por Santos e Corinthians com dez cada, e o Botafogo com nove. O Palmeiras seria o quinto clube na briga, mas acabou derrotado pelo São Paulo na última partida e acabou parado em nove pontos.
No dia seguinte, Corinthians e Santos jogaram no Pacaembu e Botafogo e Vasco se enfrentaram no Maracanã. Os paulistas não saíram do 0 a 0 e atingiram os 11 pontos do cruz-maltino. Então, bastava para o Vasco também empatar para ser campeão isolado, mas o time levou 3 a 0 da Estrela Solitária, que também chegou aos 11 pontos. No saldo de gols, deu Fogão (oito, contra sete do Peixe, um do Vasco e zero do Timão). Mas a regra inicial já tinha sido esquecida.

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Em 1967, as federações de São Paulo e do Rio de Janeiro decidiriam modificar sua competição e convidar clubes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. O conceito e o nome Torneio Rio-São Paulo ficaram extintos até 1993, e no lugar seguiu o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, que deu origem ao Brasileirão moderno.

A campanha do Botafogo:
9 jogos | 4 vitórias | 3 empates | 2 derrotas | 19 gols marcados | 11 gols sofridos

A campanha do Santos:
9 jogos | 4 vitórias | 3 empates | 2 derrotas | 18 gols marcados | 11 gols sofridos

A campanha do Vasco:
9 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 3 derrotas | 12 gols marcados | 11 gols sofridos

A campanha do Corinthians:
9 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 3 derrotas | 15 gols marcados | 15 gols sofridos


Foto Arquivo/Botafogo


Foto Arquivo/Santos


Foto Arquivo/Vasco


Foto Arquivo/Corinthians

Real Madrid Campeão da Liga dos Campeões 1966

Os cinco primeiros anos foram de títulos. Os cinco seguintes, de tropeços e alguns vices. A história do Real Madrid mistura-se com a da Liga dos Campeões da Europa, ainda chamada de Copa dos Campeões em 1966. Naquele ano, o clube espanhol colocou ponto final tanto no domínio italiano quanto no próprio insucesso e conquistou "la sexta".

Já não havia mais a presença de Di Stéfano no elenco merengue. E em fim de carreira, Ferenc Puskás estava em sua última temporada e já não participava de todos os jogos. Aliás, do penta obtido entre 1956 e 1960 só restaria Paco Gento entre os titulares.

Na primeira fase, o time enfrentou o Feyenoord. Na ida, na Holanda, derrota por 2 a 1. Na volta, no Santiago Bernabéu, goleada por 5 a 0 e classificação. Dos seis gols deste confronto, Puskás anotou cinco.

Nas oitavas, o húngaro fez sua despedida da campanha, contra o Kilmarnock, da Escócia, no empate por 2 a 2 na primeira partida, fora de casa. O Real seguiu rumo às quartas de final com outra goleada em Madri, por 5 a 1.

O próximo desafio foi contra o Anderlecht, da Bélgica. Em Bruxelas, os espanhóis saíram derrotados por 1 a 0. Porém, mais uma remontada aconteceu em casa, na vitória por 4 a 2. Na semifinal, passou pela Internazionale ao vencer a ida no Bernabéu por 1 a 0 e empatar a volta no San Siro por 1 a 1.

A decisão foi contra uma surpresa do Leste Europeu, o Partizan. A equipe da Iugoslávia bateu Nantes, Werder Bremen, Sparta Praga e Manchester United. A partida aconteceu em Heysel, em Bruxelas.

Foi um jogo difícil, pois os iugoslavos abriram o placar aos dez minutos do segundo tempo. O empate madridista veio aos 25, com o novo artilheiro Amancio Amaro, e a virada aos 31, com Fernando Serena. Assim, o hexa do Real Madrid estava garantido, e a ponta do ranking de títulos ficou a salvo mesmo com os 38 anos de jejum que viriam a se seguir.

A campanha do Real Madrid:
9 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 2 derrotas | 21 gols marcados | 10 gols sofridos


Foto Ron Kroon/Anefo

Peñarol Campeão da Libertadores 1966

A Libertadores de 1966 trouxe um avanço. Na sétima edição, o número de participantes dobrou para 21. Isso se deu porque a Conmebol passou a distribuir duas vagas para cada país, geralmente o campeão e o vice da ligas nacionais.

Mas Colômbia e Brasil não indicariam representantes. O primeiro por desentendimentos com a entidade e o segundo porque não concordava com o inchaço da competição e, além disso, preferiu dar prioridade à preparação (ruim) da seleção à Copa do Mundo daquele ano.

Com isso, 16 times ficaram divididos em três grupos: dois com seis e um com quatro na primeira fase, avançando dois cada à segunda fase, composta com a adição do Independiente em uma chave de quatro e outra de três. Daqui, sairiam os dois finalistas. E dessa sopa do regulamento ressurgiu o Peñarol rumo ao seu terceiro título sul-americano.

No grupo 3, os carboneros enfrentaram o rival Nacional, os bolivianos Jorge Wilstermann e Deportivo Municipal, e os equatorianos Emelec e 9 de Octubre. Em dez partidas, o time uruguaio venceu oito e perdeu duas, liderando o pelotão com 16 pontos.

Na segunda fase, o Peñarol voltou a jogar contra o Nacional, além da Universidad Católica. A estreia foi com derrota por 1 a 0 no Chile, mas depois o clube emendou três vitórias - incluindo um 3 a 0 sobre o rival -, e classificou-se à decisão com seis pontos. Do outro lado, o River Plate superava a maratona eliminando Boca Juniors, Independiente e Guaraní-PAR para ser o adversário dos uruguaios.

O primeiro jogo da final foi no Centenario, em Montevidéu, com vitória carbonera por 2 a 0. A segunda partida foi no Monumental, em Buenos Aires, e o River sobreviveu ao virar para 3 a 2 no segundo tempo. O desempate foi marcado para o Nacional de Santiago, que acabou empatado por 2 a 2 nos 90 minutos - gols de Alberto Spencer e Julio Abbadie. No prorrogação, Spencer voltou a marcar e Pedro Rocha finalizou o 4 a 2 que deu o tricampeonato ao Peñarol.

A campanha do Peñarol:
17 jogos | 13 vitórias | 0 empates | 4 derrotas | 34 gols marcados | 16 gols sofridos


Foto Arquivo/Peñarol

Peñarol Campeão Mundial 1966

Em seis temporadas de Mundial, ainda poucos clubes tinham tido o privilégio de participar. Apenas sete equipes haviam recebido essa chance até então. Esse número não foi alterado em 1966, pois o torneio daquele ano repetiria a final da primeira edição, em 1960, entre Peñarol e Real Madrid.

O clube carbonero conquistou seu terceiro passaporte para a Copa Intercontinental após uma dificílima final na Libertadores, contra o River Plate. Venceu a ida por 2 a 0, perdeu a volta por 3 a 2, e só foi campeão após a prorrogação do jogo de desempate, vencido por 4 a 2. Enquanto isso, os merengues garantiam sua sexta Copa Europeia e a segunda presença no Mundial. Na decisão, o Real virou sobre o Partizan, da Iugoslávia, vencendo por 2 a 1.

Assim como na final anterior, Peñarol e Real Madrid começaram pela América do Sul. Em 12 de outubro, o Centenario de Montevidéu recebeu a partida de ida. Mesmo já tendo o título de 1961, o time uruguaio ainda guardava atravessado o gosto amargo da derrota para os espanhóis seis anos antes, e a chance de revanche era real. Pois não deu outra. Derrotado em 1960, Spencer lavou a alma com dois gols, aos 39 minutos do primeiro tempo e aos 34 do segundo. Mais de 58 mil torcedores assistiram à vantagem ser construída.

Apesar dos 2 a 0 na ida, o Peñarol precisava evitar a partida de desempate. No dia 26 de outubro, o Santiago Bernabéu recebeu mais de 71 mil pessoas para o segundo confronto. Poucos jogadores de 1960 ainda atuavam pelo Real Madrid, enquanto o Peñarol mantinha uma base mais sólida. Desta vez, o ataque charrua contava com um nome de peso, além de Spencer e Joya: Pedro Rocha. O trio fazia o impossível nos gramados sul-americanos, e repetiu o feito em Madri. Joya não marcou, mas ajudou a infernizar a defesa espanhola. Rocha abriu o placar aos 28 minutos do primeiro tempo, de pênalti. Aos 37, Spencer ampliou. Com outro 2 a 0, o Peñarol conquistava o bicampeonato mundial.

As disputas de 1960 e 1966 são lembradas com carinho pelas duas torcidas até hoje. No entanto, o que parecia ser uma presença frequente para os dois clubes no torneio mundial não se confirmou. O Peñarol levaria 16 anos para voltar a uma final intercontinental. Já o Real Madrid, ainda mais: 32 anos. E refletindo o crescente distanciamento estrutural entre Europa e América do Sul ao longo das décadas seguintes, apenas o clube espanhol conseguiu manter a hegemonia após um hiato tão longo.


Foto Arquivo/Peñarol

Cruzeiro Campeão Brasileiro 1966

O desfecho da Taça Brasil de 1966 é um dos marcos mais profundos da cronologia do futebol brasileiro. Até aquele momento, com a exceção pontual do Bahia em 1959, pairava a crença de que apenas os clubes do eixo Rio-São Paulo possuíam o nível técnico necessário para dominar o país. A ascensão meteórica e o título do Cruzeiro foi o estopim para a integração nacional definitiva do esporte, provando que grandes potências brotavam fora dos gramados cariocas e paulistas.

Essa demonstração de força mineira foi o catalisador para que, já em 1967, as federações paulista e carioca aceitassem ampliar o prestigiado Torneio Rio-São Paulo. Com a inclusão de gigantes de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, nascia o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o popular Robertão, precursor direto do formato moderno do Brasileirão.

Diferente do Santos, que aguardava a semifinal, o Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes precisou trilhar um caminho mais longo. A equipe ingressou em uma fase intermediária, no Grupo Centro, aguardando a definição entre Anápolis, Rabello (Distrito Federal), Desportiva e Americano. Quando entrou em campo contra o Americano, a Raposa deu um cartão de visitas assustador, com duas goleadas por 4 a 0 e 6 a 1.

Na final da Zona Sul, o desafio subiu de nível contra o Grêmio. Após um empate sem gols sob a pressão do Estádio Olímpico, a Raposa impôs seu ritmo no Mineirão, vencendo por 2 a 1.

Já na semifinal nacional, o Cruzeiro despachou o Fluminense com autoridade, vencendo no Rio de Janeiro por 1 a 0 e em Belo Horizonte por 3 a 1, carimbando o passaporte para desafiar Pelé e o Santos, que buscavam o hexacampeonato.

A final de 1966 é cercada de mística. O Santos era o favorito, considerado por muitos a melhor equipe do mundo. No entanto, o que se viu na ida no Mineirão foi um dos maiores choques da história do esporte. O Cruzeiro destruiu qualquer prognóstico ao aplicar um sonoro 6 a 2, que deixou o Brasil atônito diante da velocidade e do refinamento técnico dos mineiros.

Com a vantagem no placar, a Raposa viajou ao Pacaembu para o jogo de volta. O Santos chegou a abrir 2 a 0 no primeiro tempo, parecendo que forçaria o terceiro jogo. Contudo, em uma demonstração de categoria, o Cruzeiro buscou uma virada histórica na etapa final, vencendo por 3 a 2. Ao apito final, a soberania santista estava encerrada e uma nova era começava, com o Cruzeiro campeão.

A campanha do Cruzeiro:
8 jogos | 7 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 25 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Arquivo/EM/D.A Press