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Portugal Campeão Mundial Sub-20 1989

A FIFA levou o Mundial Sub-20 de 1989 de volta para a Ásia. Naquele ano, a competição foi realizada na Arábia Saudita. Para evitar o calor intenso do meio do ano no Oriente Médio, os jogos foram disputados entre fevereiro e março, em uma adaptação necessária em relação ao que vinha acontecendo nas edições anteriores, com disputas do meio para o fim da temporada.

O regulamento manteve o formato com 16 seleções divididas em quatro grupos, com as duas melhores de cada chave avançando para as quartas de final. O torneio também ficou marcado pela ausência do México, suspenso pela FIFA devido ao escândalo dos Cachirules um ano antes, sendo substituído pelos Estados Unidos.

Portugal chegou ao Mundial em busca de afirmação no cenário de base. A conquista acabou sendo o primeiro título sub-20 do país, conquistado por uma geração que ocuparia a década de 1990 no futebol português, mas sem repetir grandes feitos na seleção principal.

Na fase de grupos, Portugal ficou no Grupo A. Venceu a Tchecoslováquia por 1 a 0 na estreia e repetiu o placar contra a Nigéria na segunda partida. Na última rodada, a Seleção das Quinas perdeu por 3 a 0 para a anfitriã Arábia Saudita, mas o resultado não afetou a classificação, muito menos a liderança da chave, com quatro pontos somados.

Nas quartas de final, os portugueses derrotaram a Colômbia por 1 a 0. Na semifinal, superaram o Brasil com outro 1 a 0, garantindo presença na decisão sem empolgar muito. O adversário foi mais uma vez a Nigéria, em um reencontro da primeira fase. Os nigerianos eliminaram União Soviética e Estados Unidos no mata-mata. 

A final contra a Nigéria foi realizada no Estádio King Fahd, na cidade de Riad. Em sua melhor apresentação no Mundial Sub-20, Portugal venceu por 2 a 0. Abel Silva abriu o placar aos 44 minutos do primeiro tempo e Jorge Couto ampliou aos 31 da segunda etapa, assegurando o título inédito para a equipe.

A campanha de Portugal:
6 jogos | 5 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 6 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Arquivo/FPF

Brasil Campeão da Copa América 1989

Agora de dois em dois anos, a Copa América desembarcou no Brasil em 1989. Junto, veio uma mudança mais radical no regulamento, que dobrou o número de jogos de 13 para 26. A partir desta edição, os dez participantes ficaram divididos em dois grupos de cinco, com líderes e vices avançando para o quadrangular final. Assim, o campeão perdeu o benefício de entrar só na semifinal. Mas, apesar do aumento no número de partidas, a duração continuou em torno de duas semanas.

Dono da casa após 40 anos, o Brasil convivia com uma sina na Copa América, a de nunca ter vencido sem ser fora do país. Portanto, as quatro décadas somavam um longo jejum de títulos pelo continente. O caminho para o fim da fila começou em Salvador, que sediou o grupo A junto com Recife. Na Fonte Nova, os brasileiros estrearam com vitória por 3 a 1 sobre a Venezuela. Porém, a sequência contou com dois empates sem gols contra Peru e Colômbia, que azedaram a relação com a torcida baiana.

O clima ficou tão ruim que fez a seleção brasileira mudar o local da última partida para Recife. No Estádio do Arruda, e com o apoio mais acalorado dos pernambucanos, a Canarinho fez 2 a 0 no Paraguai e se classificou na vice-liderança da chave, empatado em seis pontos com os próprios paraguaios, que tiveram melhor saldo de gols. No grupo B, sediado totalmente em Goiânia, no Serra Dourada, Argentina e Uruguai garantiram as outras vagas.

O quadrangular final foi disputado totalmente no Rio de Janeiro, no Maracanã. A estreia do Brasil foi contra a Argentina, e mais de 100 mil pessoas acompanharam a vitória por 2 a 0 e o lindo gol de voleio marcado por Bebeto, que abriu o placar. Na segunda rodada, triunfo por 3 a 0 sobre o Paraguai, que eliminou o adversário e manteve a Canarinho na briga pelo título. Nos demais jogos, o Uruguai fez exatamente os mesmos resultados sobre os rivais. Ambos somavam quatro pontos, cinco gols marcados e nenhum sofrido.

Empatados em tudo, Brasil e Uruguai decidiram a Copa América de 1989 no dia 16 de julho, mesma data em que foi definida a Copa do Mundo em 1950 a favor dos uruguaios. O ambiente estava propício para o retorno de velhos fantasmas para assombrar a cabeça dos mais de 148 mil torcedores no Maracanã. Mas a história seria reescrita a partir dos quatro minutos do segundo tempo, quando Romário cabeceou de maneira certeira o cruzamento de Mazinho e fez 1 a 0. Na sequência, os brasileiros souberam controlar a vantagem e seguraram a vitória mínima até o fim, para acabar com a fila no próprio território. Faltava ainda ser campeão sul-americano fora do país.

A campanha do Brasil:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 11 gols marcados | 1 gol sofrido


Foto César Loureiro/Agência O Globo

Barcelona Campeão da Recopa Europeia 1989

A década de 1980 chega ao fim com um líder isolado no ranking de campeões da Recopa Europeia. Em 1989, o Barcelona chegou ao tricampeonato e desempatou a disputa com Milan, Anderlecht e Dínamo Kiev. Foi com este título que também começou a era Johan Cruyff no comando do clube, que duraria até 1996.

Saído do Ajax ao fim da temporada 1987/88, o lendário holandês assumiu a equipe que havia sido campeã da Copa do Rei na mesma temporada. E levou os blaugranas a outra conquista entre a tranquilidade e o sufoco. Na primeira fase, foram duas vitórias em cima do Fram, da Islândia, por 2 a 0 fora de casa e por 5 a 0 no Camp Nou.

Nas oitavas de final, o adversário foi o Lech Poznan. O primeiro jogo aconteceu no Camp Nou, mas o Barça não passou do empate por 1 a 1. A segunda partida foi realizada na Polônia, terminando com o mesmo resultado. A classificação veio suada, nos pênaltis, por 5 a 4.

O Barcelona avançou às quartas de final, onde encarou o AGF, da Dinamarca. A primeira partida foi disputada fora de casa, e o time blaugrana conseguiu abrir vantagem na vitória por 1 a 0, gol anotado por Gary Lineker. O segundo jogo foi no Camp Nou, um empate sem gols que não agradou.

Na semifinal, duas partidas contra o CSKA Sofia. A ida aconteceu na Espanha, com o Barcelona conseguindo vencer por 4 a 2, de virada, no Camp Nou. Os gols foram de Lineker, Guillermo Amor, José Bakero e Julio Salinas. A volta foi realizada na Bulgária, novamente vencida pelo Barça, por 2 a 1.

Chegada a final, o Barcelona enfrentou a Sampdoria. Os italianos passaram por IFK Norrköping, Carl Zeiss Jena, Dínamo Bucareste e Mechelen. A partida aconteceu no Wankdorf, em Berna. Logo aos quatro minutos do primeiro tempo, Salinas abriu o placar. Aos 34 do segundo tempo, Luis López Rekarte fez 2 a 0 e confirmou, de maneira invicta, o terceiro título blaugrana.

A campanha do Barcelona:
9 jogos | 6 vitórias | 3 empates | 0 derrotas | 18 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Boca Juniors Campeão da Supercopa Libertadores 1989

A primeira edição da Supercopa Libertadores foi aprovada, apesar do regulamento confuso. O que já era esperado, visto que foram 13 participantes em mata-mata. Para 1989, a competição ganharia mais um representante, vencedor da Libertadores naquele ano e que a Conmebol tratou de rapidamente inscrever no torneio, que foi repassado para o segundo semestre da temporada.

Com 14 times, o chaveamento da Supercopa ficou mais amigável, com seis confrontos nas oitavas de final e duas equipes já colocadas nas quartas, o então campeão Racing e o Boca Juniors. A sorte xeneize já estava em alta desde o sorteio das partidas. O clube estava adormecido desde o bi da Libertadores em 1978, e o título da Supercopa deu um alento ao torcedor.

A campanha do Boca teve início exatamente contra o Racing. O primeiro confronto foi disputado em La Bombonera, mas acabou empatado por 0 a 0. A vitória precisaria vir em Avellaneda. A segunda partida aconteceu no El Cilindro, e o xeneize conseguiu a classificação ao fazer 2 a 1 no rival.

O adversário argentino na semifinal foi o Grêmio. Um ano antes, os brasileiros foram algozes do Boca nas oitavas de final, portanto esta acabou sendo a revanche. Na ida, no Olímpico Monumental, em Porto Alegre, empate sem gols. A volta foi em Buenos Aires, com La Bombonera lotada. Em 24 minutos, Claudio Marangoni e José Luis Cuciuffo anotaram os gols da vitória por 2 a 0.

A final foi entre Boca Juniors e Independiente, que passou por Santos, Atlético Nacional e Argentinos Juniors. A primeira partida foi realizada em La Bombonera, terminando com mais um empate por 0 a 0. O segundo jogo ocorreu na Doble Visera, em Avellaneda, e novamente os dois times não conseguiram balançar as redes. Nos pênaltis, o goleiro Navarro Montoya defendeu a quarta cobrança do Independiente, Blas Giunta converteu a última batida xeneize e os demais jogadores não erraram nenhuma outra. O Boca levou o título invicto da Supercopa por 5 a 3. 

A campanha do Boca Juniors:
6 jogos | 2 vitórias | 4 empates | 0 derrotas | 4 gols marcados | 1 gol sofrido


Foto Arquivo/Boca Juniors

Napoli Campeão da Liga Europa 1989

A consagração de um dos maiores atletas de todos os tempos. Com Diego Maradona no ataque, na inesquecível parceria com Careca, o Napoli atingia o auge de sua história ao conquistar o título da Copa da UEFA de 1989. O título veio em meio a outros dois no Campeonato Italiano, em 1987 e 1990. E ajudou a ditar a tendência do que seria a década de 1990, com clubes italianos dominando e vencendo taças continentais quase todos os anos.

A campanha napolitana começou contra o PAOK, da Grécia. Na ida, vitória por 1 a 0 no San Paolo, em casa. Na volta, empate por 1 a 1 na cidade de Tessalônica. Na segunda fase, o adversário foi o Lokomotive Leipzig.  O primeiro jogo aconteceu na Alemanha Oriental, e ficou empatado por 1 a 1. A segunda partida foi em Nápoles, e acabou com vitória italiana por 2 a 0.

Nas oitavas de final, o Napoli encarou o Bordeaux. Na França, Andrea Carnevale anotou o gol da vitória dos azzurri por 1 a 0. No San Paolo, os italianos garantiram a classificação às quartas ao ficarem no empate por 0 a 0.

O próximo adversário foi a Juventus, em época de rivalidade pesada. A partida de ida foi disputa em Turim, no Estádio Comunale, e o Napoli acabou derrotado por 2 a 0. O jogo de volta aconteceu em Nápoles, para mais 83 mil torcedores no San Paolo. Maradona abriu o placar de pênalti, e Carnevale fez o gol que igualou o confronto. No último minuto da prorrogação, Alessandro Renica fez 3 a 0 e explodiu a cidade em festa.

A semifinal foi contra o Bayern de Munique. O primeiro jogo aconteceu em casa, e o Napoli abriu vantagem confortável por 2 a 0, com gols de Careca e Carnevale. No Olímpico de Munique, a confirmação da vaga na decisão com o empate por 2 a 2, com mais dois tentos de Careca.

A final foi disputada contra o Stuttgart, que bateu Tatabányai (Hungria), Dínamo Zagreb, Groningen, Real Sociedad e Dínamo Dresden. A ida ocorreu no San Paolo, e o Napoli venceu de virada por 2 a 1. Os gols italianos foram marcados pela dupla Maradona-Careca. A volta foi no Neckarstadion, na Alemanha. Com gols de Alemão aos 18 minutos do primeiro tempo, Ciro Ferrara aos 39, e Careca aos 17 da segunda etapa, os azzurri ficaram com o título ao empatarem por 3 a 3.

A campanha do Napoli:
12 jogos | 6 vitórias | 5 empates | 1 derrota | 18 gols marcados | 10 gols sofridos


Foto Arquivo/Napoli

Milan Campeão da Liga dos Campeões 1989

Depois de um período bem variado de vencedores na Copa dos Campeões da Europa, o fim dos anos 80 viu o ressurgimento de uma nova força, vinda da Itália. Com um futebol que fugia completamente das características defensivas italianas, o Milan do técnico Arrigo Sacchi encantou o Velho Continente a partir de 1989.

O time, de toque de bola rápido e ofensivo, era uma mistura de Itália e Holanda, com Paolo Maldini, Franco Baresi, Alessandro Costacurta e Carlo Ancelotti do lado azul, e Frank Rijkaard, Marco Van Basten e Ruud Gullit do lado laranja. Na primeira fase, o rossonero enfrentou o Vitosha Sofia (atual Levski), da Bulgária. Tranquilamente, venceu os dois jogos, por 2 a 0 fora de casa, e por 5 a 2 no San Siro.

Nas oitavas de final, foi a vez de encarar o Estrela Vermelha, da Iugoslávia. Na ida, em Milão, empate por 1 a 1. Na volta, em Belgrado, os iugoslavos chegaram a abrir o placar, mas a comemoração da torcida com o uso de muita fumaça obrigou o árbitro a apitar o fim da partida com 20 minutos do segundo tempo. Ela foi remarcada para o dia seguinte, e refeita do zero. Na nova disputa, o Milan largou na frente e levou o 1 a 1. Nos pênaltis, venceu por 4 a 2 e passou de fase.

Nas quartas, o adversário foi o Werder Bremen, da Alemanha. O primeiro jogo acabou sem gols fora, e no segundo, o clube italiano venceu por 1 a 0 em casa e chegou à semifinal.

O confronto seguinte foi contra o Real Madrid. A ida foi no Santiago Bernabéu, com mais um empate por 1 a 1. A volta aconteceu no San Siro, e foi um show rossonero. Ancelotti, Rijkaard, Gullit, Van Basten e Roberto Donadoni anotaram um gol cada, e o Milan goleou por 5 a 0.

O adversário milanista na final foi o Steaua Bucareste, que superou Sparta Praga, Spartak Moscou, IFK Gotemburgo e Galatasaray. A partida foi em Barcelona, no Camp Nou. Com show holandês, o Milan foi tricampeonato ao golear por 4 a 0, dois gols de Gullit e outros dois de Van Basten.

A campanha do Milan:
9 jogos | 5 vitórias | 4 empates | 0 derrotas | 20 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Peter Robinson/Getty Images

Atlético Nacional Campeão da Libertadores 1989

Depois de 16 anos de estabilidade, a Libertadores viveu um caos em 1988 com o novo regulamento. A equação difícil de entender foi desfeita a partir de 1989. O desejo da Conmebol e das dez federações era o de ver mais times lutando pelo título nas fases agudas. Então, resolveu-se classificar ao mata-mata três equipes por grupo ao invés de duas. Assim, essas 15 poderiam juntar-se ao campeão logo nas oitavas de final e formar um chaveamento perfeito logo de cara.

Em campo, o continente veria a força dos narcodólares fazer-se presente naquele ano. Vindo da Colômbia e patrocinado por Pablo Escobar, o Atlético Nacional faturou o primeiro título sul-americano do país. Para os adversários, o sucesso só foi possível devido às ameaças e subornos a árbitros e dirigentes. O fato é que aquele time foi a base de uma das melhores seleções colombianas da história. 

No grupo 3 da primeira fase, os verdolagas fizeram uma campanha segura, com duas vitórias, três empates e uma derrota, marcando sete pontos ao todo. Na vice-liderança, ficou três pontos atrás do Millonarios e três na frente do Deportivo Quito. O Emelec foi o outro equatoriano na chave.

Nas oitavas, o Atlético enfrentou o Racing, o qual eliminou com vitória por 2 a 0 em Medellín e derrota por 2 a 1 em Avellaneda. Nas quartas, novamente contra o Millonarios, a classificação veio com 1 a 0 na ida em casa e empate por 1 a 1 na volta fora. Na semifinal, nenhum problema para eliminar o uruguaio Danubio: 0 a 0 em Montevidéu e 6 a 0 em Medellín. Só faltava mais uma etapa.

Do outro lado, o Olimpia chegava para a decisão depois de passar por Boca Juniors, Sol de América e Internacional. A primeira partida aconteceu no Defensores del Chaco, em Assunção, e terminou ruim para o clube colombiano, que perdeu por 2 a 0.

O segundo jogo foi no Atanasio Girardot em Medellín, e o Nacional precisava devolver a diferença para levar aos pênaltis, já que desde o ano anterior havia caído a regra do desempate em campo neutro. Fidel Miño e Albeiro Usuriaga foram os responsáveis pelos 2 a 0 que igualaram o confronto. Nas penalidades, René Higuita contribuiu com um gol e algumas defesas. Ao fim de 18 cobranças, o Atlético Nacional foi campeão ao vencer por 5 a 4.

A campanha do Atlético Nacional:
14 jogos | 6 vitórias | 5 empates | 3 derrotas | 21 gols marcados | 12 gols sofridos


Foto Arquivo/Atlético Nacional

Milan Campeão Mundial 1989

São poucos os esquadrões de futebol que marcaram época e ficaram para sempre na memória dos torcedores. Um deles é o Milan do final da década de 80 e início dos anos 90. Uma equipe que levava o melhor da Itália e da Holanda para os quatro cantos da Europa — e que, depois, voltaria a ganhar o mundo, vinte anos mais tarde.

Mas o que a Holanda tem a ver com isso? Foi de lá que desembarcou um trio que ajudaria o clube rossonero a atingir o topo: Ruud Gullit, Frank Rijkaard e Marco van Basten. A presença deles foi fundamental na conquista do tricampeonato da Copa dos Campeões. O Milan eliminou Estrela Vermelha, Werder Bremen e Real Madrid antes de vencer, na final, o Steaua Bucareste por 4 a 0.

Pelo lado sul-americano, a Libertadores ganhava um novo campeão. O Atlético Nacional, de Medellín, levou a Colômbia ao seu primeiro título na competição. Os Verdolagas passaram por Emelec, Racing, Millonarios e, na decisão, bateram o Olimpia: perderam por 2 a 0 na ida, devolveram o placar na volta e, nos pênaltis, venceram por 6 a 5. Foi o auge de uma era obscura do futebol colombiano, que era "patrocinado" pelos cartéis do narcotráfico.

Mas a grana dos Escobares da vida não valia na Copa Intercontinental. E o Milan tinha mais bola que o Atlético Nacional. No dia 17 de dezembro, os clubes se enfrentaram diante de mais de 60 mil pessoas no Estádio Nacional de Tóquio. Gullit não pôde estar em campo, mas o time italiano contava com parte da base da seleção, como Franco Baresi, Paolo Maldini e Roberto Donadoni. O Atlético vinha com a estrela de René Higuita no gol, além de Leonel Álvarez no meio-campo.

Conhecendo seus limites, os colombianos atuaram concentrados na defesa, e os italianos não conseguiram, de jeito nenhum, furar a marcação adversária nos 90 minutos regulamentares. O Milan já era conhecido por fugir do estilo tradicional do Calcio — que plantava zagueiros e meias mais recuados que o normal, o catenaccio — e praticava um futebol ofensivo, de mais movimentação. Porém, isso não foi suficiente contra o Atlético, e o Mundial foi à prorrogação.

Nos 30 minutos extras, o bombardeio do Milan continuou e, na base da insistência, deu o resultado esperado. Tudo parecia apontar para outra decisão nos pênaltis quando, aos 14 do segundo tempo, o Rossonero conseguiu uma falta dentro da meia-lua da área adversária. Alberigo Evani, que havia entrado durante o tempo normal, foi para a cobrança. Ele bateu à meia-altura, por fora da barreira, e a bola acabou desviando em John Jairo Tréllez, ficando fora do alcance de Higuita. Pouco tempo depois, o 1 a 0 confirmou o merecido bicampeonato ao Milan.


Foto Imago/Buzzi

Bragantino Campeão Brasileiro Série B 1989

A Divisão Especial de 1989 passou por uma mudança radical em sua estrutura. O número de equipes saltou de 24 para 96, unificando a segunda e terceira divisões. À exceção dos quatro rebaixados do Brasileirão de 1988, as outras 92 vagas foram preenchidas via campeonatos estaduais.

Semifinalista do Paulistão e comandado por um jovem técnico promissor chamado Vanderlei Luxemburgo, o Bragantino entrou na disputa com credenciais de favorito. A gigantesca primeira fase contou com 16 grupos de seis times cada. O Braga foi sorteado no Grupo J, enfrentando adversários de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ao fim de dez rodadas, o time consolidou uma liderança absoluta: somou 18 pontos em uma campanha invicta, com oito vitórias e dois empates e uma folga de oito pontos sobre o vice-líder São José.

Os dois melhores de cada chave avançaram para o mata-mata, totalizando 32 clubes. Na segunda fase, o Massa Bruta enfrentou o Catanduvense. Venceu por 1 a 0 fora de casa e administrou a vaga com um empate em 1 a 1 em Bragança Paulista. Nas oitavas de final, o duelo foi contra o Juventus. Duas vitórias confirmaram a superioridade alvinegra: 1 a 0 na Rua Javari e 3 a 2 no Marcelo Stéfani.

Nas quartas de final, o desafio contra o Criciúma marcou a única derrota do Bragantino na competição, por 1 a 0 no Heriberto Hülse. No jogo de volta, entretanto, o Braga foi soberano e reverteu o placar com um contundente 3 a 0.

Na semifinal, o confronto mais equilibrado foi contra o Remo. Após dois empates sem gols, tanto em Belém quanto em Bragança Paulista, a decisão foi para os pênaltis. O Bragantino venceu por 4 a 1, consolidando o acesso para a elite nacional de 1990.

Na final, o Bragantino reencontrou o conhecido São José, que eliminou Botafogo-SP, XV de Piracicaba, Juventude e Catuense. No primeiro duelo, no Estádio Martins Pereira, em São José dos Campos, o Braga venceu por 1 a 0. No jogo de volta, no Marcelo Stéfani, o time de Luxemburgo voltou a triunfar, desta vez por 2 a 1, garantindo o troféu.

O título da Série B de 1989 foi um dos degraus fundamentais da escalada histórica do clube. Após vencer a Série A-2 do Paulista em 1988 e a Série B em 1989, o Bragantino alcançaria o título paulista em 1990, o vice-campeonato brasileiro em 1991 e a semifinal nacional em 1992.

A campanha do Bragantino:
18 jogos | 14 vitórias | 3 empates | 1 derrota | 26 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Arquivo/Gazeta Press

Vasco Campeão Brasileiro 1989

O ano de 1989 foi um marco para o Brasileirão, pois foi a primeira vez que a principal competição do país adotou oficialmente o nome de Campeonato Brasileiro. Além do batismo, a CBF consolidou o sistema de acesso e descenso, conferindo maior seriedade ao calendário. Enquanto os quatro piores de 1988 amargavam a queda, o Vasco, que havia ido bem no ano anterior, montou um esquadrão, apelidado de "SeleVasco", para buscar o bicampeonato encerrar um hiato de 15 anos sem títulos brasileiros.

Nesta edição, as 22 equipes participantes foram divididas em dois grupos de 11. O regulamento previa que os oito melhores de cada chave avançariam, enquanto os três últimos de cada grupo disputariam um melancólico Torneio da Morte para definir o rebaixamento.

Inserido no Grupo B, o Vasco demonstrou sua força logo de início. Nos dez primeiros jogos, o time de São Januário conquistou a segunda posição, somando cinco vitórias, quatro empates e uma derrota. Com 14 pontos, terminou a fase na segunda colocação e com a mesma pontuação do líder Palmeiras, garantindo sua vaga na etapa seguinte com tranquilidade.

Na segunda fase, os 16 sobreviventes mantiveram seus grupos originais, carregando a pontuação e os jogos da fase anterior. A novidade foi que os times do Grupo A enfrentaram os do Grupo B. O Gigante da Colina manteve o nível em mais oito confrontos, com três vitórias, quatro empates e uma derrota.

Ao final desta maratona, o Vasco tomou a liderança isolada do seu grupo, encerrando a fase com um retrospecto de oito vitórias, oito empates e duas derrotas. Com 24 pontos acumulados, o time se classificou para a final. Na outra chave, o São Paulo protagonizou uma recuperação impressionante, saltando da sétima colocação para a liderança do Grupo A.

Pelo regulamento, o Vasco detinha a melhor campanha geral e, por isso, tinha o direito de escolher a ordem dos mandos de campo e decidir o título em jogo único, caso vencesse a primeira partida) Em uma demonstração de confiança absoluta no seu elenco, que contava com nomes como Bebeto, Mazinho, Bismarck e Sorato, a diretoria vascaína optou por resolver a fatura no Morumbi.

O estádio do São Paulo estava lotado, mas o Vasco não se intimidou. Aos cinco minutos do segundo tempo, após um cruzamento preciso de Luiz Carlos Winck, Sorato subiu mais alto que a defesa tricolor e testou para o fundo das redes. Os paulistas pressionaram, mas a barreira cruz-maltina foi intransponível. A vitória por 1 a 0 selou o bicampeonato brasileiro do Vasco.

A campanha do Vasco:
19 jogos | 9 vitórias | 8 empates | 2 derrotas | 27 gols marcados | 16 gols sofridos


Foto Custódio Coimbra/Agência O Globo

Grêmio Campeão da Copa do Brasil 1989

Entre 1973 e 1986, o Campeonato Brasileiro serviu como um verdadeiro instrumento político para as federações estaduais, com edições que superavam facilmente os 40 times e atingiram o ápice de 94 participantes em 1979. A partir de 1987, porém, a Copa União e a fundação do Clube dos 13 surgiram para fechar essa torneira.

Em 1989, as federações passaram a pressionar o então novo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, pela criação de uma competição que voltasse a contemplá-las. Assim, a Copa do Brasil foi introduzida no calendário. Inspirada nos clássicos mata-matas europeus, a primeira edição contou com 32 participantes: os 22 campeões estaduais de 1988, somados a dez vices das federações melhor colocadas no ranking da entidade nacional. Na época, apenas estados com futebol profissional tinham permissão para integrar o torneio.

O primeiro campeão foi o Grêmio, que ali iniciou uma histórica identificação com o estilo da competição, mantendo-se por décadas como seu maior vencedor. A campanha tricolor começou contra o Ibiraçu, do Espírito Santo: vitória por 1 a 0 fora de casa na ida e goleada por 6 a 0 no Estádio Olímpico na volta.

Nas oitavas de final, o adversário foi o Mixto. Em Cuiabá, o Imortal aplicou um 5 a 0 e liquidou a fatura logo no primeiro jogo. Ainda não existia a regra de eliminação direta no jogo de ida (criada apenas em 1995), mas a desvantagem elástica fez os mato-grossenses desistirem de viajar a Porto Alegre, embora a versão oficial alegue a falta de voos. O Grêmio avançou por W.O. Nas quartas, o Tricolor Gaúcho eliminou o Bahia com vitórias por 2 a 0 na Fonte Nova e 1 a 0 no Olímpico.

A semifinal foi contra o Flamengo. O primeiro jogo, no Maracanã, terminou empatado em 2 a 2. Na volta, no Olímpico, o Grêmio aplicou uma de suas goleadas mais memoráveis: 6 a 1 sobre os cariocas.

A final da primeira Copa do Brasil foi disputada entre Grêmio e Sport. Os pernambucanos chegaram à decisão após eliminarem Fortaleza, Guarani, Vitória e Goiás. O jogo de ida, na Ilha do Retiro, terminou sem gols. No duelo decisivo no Olímpico, Assis abriu o placar aos nove minutos, mas o goleiro Mazaropi acabou empatando com um gol contra aos 31. Aos sete minutos do segundo tempo, Cuca marcou o gol do 2 a 1, consolidando o primeiro título, invicto, da história da Copa do Brasil para o Grêmio.

A campanha do Grêmio:
10 jogos | 8 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 25 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Sérgio Sade/Placar