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Iugoslávia Campeã do Mundial Sub-20 1987

O Mundial Sub-20 de 1987 foi realizado no Chile, na primeira vez que a competição aconteceu na América do Sul. Com isso, a FIFA completou o ciclo de levar o torneio para todas as confederações, após edições anteriores na África, Ásia, Oceania, América do Norte e Europa.

O regulamento manteve o formato tradicional da época: 16 seleções divididas em quatro grupos de quatro equipes, com os dois melhores de cada chave avançando às quartas de final. A partir daí, os jogos eram eliminatórios até a decisão do título.

A Iugoslávia conquistou seu único título na categoria nesta edição, com uma geração que ficaria marcada pela qualidade e também pelo simbolismo histórico, já que poucos anos depois o país se fragmentaria em diversas nações. Entre os destaques estavam nomes que fariam sucesso sobretudo na Croácia e no que sobraria da nova Iugoslávia, como Zvonimir Boban, Davor Suker, Robert Prosinecki e Predrag Mijatovic.

Na primeira fase, a equipe iugoslava integrou o Grupo A e teve campanha impecável. Logo na estreia, venceu o dono da casa Chile por 4 a 2. Na sequência, goleou a Austrália por 4 a 0. Na última rodada, aplicou 4 a 1 sobre Togo, fechando a chave na liderança com seis pontos.

Nas quartas de final, a Iugoslávia eliminou o Brasil com vitória de virada por 2 a 1, gols anotados por Mijatovic e Prosinecki. Na semifinal, o time bateu a Alemanha Oriental também por 2 a 1, garantindo vaga na grande final contra a outra Alemanha, a Ocidental, que passou por Estados Unidos, Arábia Saudita, Escócia e Chile.

O Estádio Nacional, em Santiago, recebeu a decisão entre Iugoslávia e Alemanha Ocidental. O jogo terminou empatado em 1 a 1 no tempo normal, com Boban marcando aos 40 minutos do segundo tempo e os alemães empatando de pênalti dois minutos depois. Após prorrogação sem gols, a disputa foi definida nos pênaltis, em que a Iugoslávia venceu por 5 a 4, com o goleiro Dragoje Lekovic defendendo a primeira cobrança alemã e selando o título.

A campanha da Iugoslávia:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 17 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Arquivo/FSS

Uruguai Campeão da Copa América 1987

A Copa América desembarca em 1987 com novidades. Algumas ditariam os anos seguintes da competição, como a introdução do rodízio de sedes. A Conmebol determinou que, a partir daquele ano e pelas nove edições seguintes, todos os federados seriam anfitriões uma vez, começando pela Argentina. Outra mudança anunciada foi a redução da periodicidade a cada dois anos, o que inicialmente garantiu até 2005 a realização do torneio. Mas, para que tudo desse certo, foi preciso mexer no regulamento. Em 1987, foram cortados o returno da fase de grupos e as voltas da semifinal e da final, o que reduziu o torneio de um semestre para 16 dias.

O caminho ficou bem curto para o Uruguai ser campeão pela 13ª vez e assumir a liderança no ranking de títulos, pois a equipe já tinha uma vaga direta na semifinal. Na fase de grupos, La Celeste assistiu as classificações de Argentina, Chile e Colômbia. No grupo A, a dona da casa empatou com o Peru e venceu o Equador. No grupo B, os chilenos bateram e Venezuela e golearam o Brasil com um histórico 4 a 0. No grupo C, os colombianos derrotaram Bolívia e Paraguai.

Com os quatro semifinalistas definidos, ficou determinado que o Uruguai enfrentaria a Argentina em Buenos Aires. Uma tarefa ingrata contra o anfitrião e então campeão mundial de 1986, que havia eliminado os próprios uruguaios nas oitavas de final. Porém, dessa vez La Celeste venceu, em pleno Estádio Monumental, por 1 a 0, gol de Antonio Alzamendi aos 43 minutos do primeiro tempo.

Na final, o Uruguai encarou o Chile, que eliminou a Colômbia na semifinal com uma sofrida vitória na prorrogação, disputada em Córdoba. Entretanto, com a Argentina fora da Copa América, o público local não se empolgou muito em assistir a decisão no Monumental, em Buenos Aires. Apenas 35 mil torcedores compareceram ao estádio, e a maioria eram uruguaios que atravessaram o Rio da Prata, vindos de Montevidéu.

A facilidade geográfica de certa forma ajudou os uruguaios quanto a pressão imposta pelas arquibancadas. Em campo, a partida com os chilenos ficou marcada mais pela violência dos jogadores do que o futebol praticado. Dois atletas acabaram expulsos para cada Time: no Uruguai, foram ao chuveiro mais cedo dois dos jogadores mais importantes, o craque Enzo Francescoli e o capitão José Perdomo. Mesmo com as ausências mais importantes, o Uruguai chegou no gol do título aos 11 minutos do segundo tempo, com Pablo Bengoechea. O placar de 1 a 0 confirmou a conquista consecutiva de Copa América para La Celeste.

A campanha do Uruguai:
2 jogos | 2 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 2 gols marcados | 0 gols sofridos


Foto Arquivo/AUF

Ajax Campeão da Recopa Europeia 1987

Símbolo do chamado "futebol total" - também conhecido como carrossel holandês - nos anos 1970, Johan Cruyff deixou os gramados em maio de 1984, pelo Feyenoord. Pouco mais de um ano depois, em junho de 1985, ele tornou-se técnico, assumindo o comando do Ajax e dando início a mais uma trajetória de sucesso.

O primeiro fruto foi colhido na conquista da Copa da Holanda daquela mesma temporada, em 1986, que classificou a equipe à Recopa de 1987. E foi nesta edição do torneio que o Ajax voltou a comemorar um título continental, depois de 14 anos. Em meio aos 32 participantes, os holandeses iniciaram eliminando o Bursaspor com vitórias por 2 a 0 na Turquia e por 5 a 0 em Amsterdã.

Nas oitavas de final, o Ajax enfrentou o Olympiacos. A primeira partida aconteceu no Estádio De Meer, antiga casa do clube, terminando com goleada por 4 a 0. Os gols foram de John Bosman, Frank Rijkaard, Marco Van Basten e Arnold Mühren. O segundo jogo foi realizado no Olímpico de Atenas, e o empate por 1 a 1 bastou para a classificação.

O Ajax encarou o Malmö nas quartas de final. A ida foi disputada na Suécia, local onde os holandeses conheceram a única derrota na competição, por 1 a 0. A volta foi em Amsterdã e, com dois gols de Van Basten e outro de Aron Winter, a equipe vermelha venceu por 3 a 1, revertendo o confronto.

A campanha teve sequência na semifinal, contra o Zaragoza. O primeiro jogo foi na Espanha, em La Romareda, terminando com uma ótima vitória por 3 a 2, com dois de gols de Bosman e um de Rob Witschge. A segunda foi no Olímpico de Amsterdã, e o Ajax se classificou a decisão ao vencer por 3 a 0, com mais um gol de Witschge, um de Rijkaard e o primeiro de John Van 't Schip.

Na final, o Ajax encarou o Lokomotive Leipzig, da Alemanha Oriental, que bateu Glentoran, Rapid Viena, Sion e Bordeaux. De volta ao Estádio Olímpico de Atenas, os holandeses conquistaram o título da Recopa com uma simples vitória por 1 a 0. O gol foi marcado por Van Basten. 

A campanha do Ajax:
9 jogos | 7 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 22 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

IFK Gotemburgo Campeão da Liga Europa 1987

Em 1987, tivemos a volta do IFK Gotemburgo ao topo da Copa da UEFA, no que é até o momento a última grande incursão da Suécia em competições europeias. Depois de cinco anos, o clube azul e branco chegou ao bicampeonato com campanha invicta, de longe superior às feitas pelo Real Madrid nos títulos das duas temporadas anteriores.

Na primeira fase, o blavitt enfrentou o Sigma Olomouc, da Tchecoslováquia. A ida foi disputada no Leste Europeu, e terminou empatada por 1 a 1. A volta foi jogada no Ullevi, em casa, e o IFK aplicou a primeira goleada da campanha, por 4 a 0. Na segunda fase, foi a vez de encarar o Stahl Brandemburgo, da Alemanha Oriental, e passar com vitória por 2 a 0 na Suécia e empate por 1 a 1 fora de casa.

Nas oitavas de final, o IFK jogou contra o Gent. A partida de ida foi realizada na Bélgica, e terminou com vitória simples dos suecos, por 1 a 0. O jogo de volta aconteceu no Ullevi, e outra vez a equipe alviazul goleou por 4 a 0.

Nas quartas, o confronto mais complicado da campanha, contra a Internazionale. A primeira partida foi em Gotemburgo, mas o IFK não conseguiu sair do 0 a 0. O segundo foi disputado no San Siro, em Milão. Os italianos largaram na frente do placar no começo do segundo tempo. Com parcimônia, os suecos mantiveram a calma e chegaram ao empate aos 33 minutos, com Stefan Pettersson. O 1 a 1 colocou o time nórdico na semifinal.

A semi foi jogada contra o Swarovski Tirol, da Áustria. Desta vez sem passar dificuldades, o IFK logo fez 5 a 1 na ida em casa. Na volta, em Innsbruck, Michael Andersson fez o gol da vitória por 1 a 0 que colocou a equipe sueca na decisão.

A final da Copa da UEFA de 1987 foi entre IFK Gotemburgo e Dundee United, clube da Escócia que no mata-mata superou Lens, Universitatea Craiova, Hajduk Split, Barcelona e Borussia Mönchengladbach. A ida foi jogada no Ullevi. Com gol de Pettersson aos 38 minutos do primeiro tempo, o IFK venceu por 1 a 0. A volta foi no Tannadice Park, em Dundee. Lennart Nilsson abriu o placar para os suecos aos 22 da primeira etapa, e praticamente sacramentou o título. Os escoceses chegaram a marcar 1 a 1, mas não mudou a situação, e os visitantes fizeram a festa.

A campanha do IFK Gotemburgo:
12 jogos | 7 vitórias | 5 empates | 0 derrotas | 21 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Charlie Gustavsson

Porto Campeão da Liga dos Campeões 1987

Portugal passou bons anos longe do maior título europeu. Desde o Benfica, em 1962, o país amargou somente mais dois vices na Copa dos Campeões. Foi então quando apareceu - fora da capital - o Futebol Clube do Porto, equipe de sucesso nacional, mas que ainda não tinha uma glória internacional para chamar de sua.

Na primeira fase, os dragões enfrentaram o amador Rabat Ajax, de Malta. Na ida em casa, a classificação já estava garantida nos 9 a 0 aplicados. Só Fernando Gomes marcou quatro vezes. Na volta fora, o Porto completou o serviço e os dez gols na vitória por 1 a 0.

Nas oitavas de final, foi a vez de encarar o Vítkovice, da Tchecoslováquia. O primeiro jogo aconteceu em território tcheco, e os azuis perderam de maneira surpreendente por 1 a 0. A segunda partida foi no antigo Estádio das Antas, e o Porto reverteu com sobras, com 3 a 0 no placar.

Nas quartas, o adversário foi o Brondby, da Dinamarca. O confronto foi aberto em Portugal, com vitória azul por 1 a 0, gol do argelino Rabah Madjer. Depois, o brasileiro Juary salvou a pátria portista com o gol do empate por 1 a 1 na volta.

Na semifinal, foi a vez de enfrentar o Dínamo Kiev. A primeira partida ocorreu nas Antas, com vitória lusitana por 2 a 1. O segundo jogo foi na União Soviética, e os dragões repetiram o 2 a 1 no resultado. Com isso, o Porto chegava na final da competição continental pela primeira vez na história.

O adversário português foi clube experiente em decisões, mas que já não vencia há 11 anos: o Bayern de Munique. Os alemães derrotaram PSV Eindhoven, Austria Viena, Anderlecht e Real Madrid. A partida foi disputada no Praterstadion, em Viena.

O Porto saiu perdendo aos 25 minutos do primeiro tempo e buscou a reação no restante do tempo. Após insistir muito, Madjer empatou aos 32 do segundo tempo. E o reserva Juary, em campo desde o intervalo, virou para 2 a 1 aos 35. A conquista europeia dos azuis precisou de apenas três minutos para acontecer.

A campanha do Porto:
9 jogos | 7 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 20 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Arquivo/Porto

Peñarol Campeão da Libertadores 1987

Algumas histórias que o futebol produz chegam a beirar o cúmulo do absurdo. A da final da Libertadores de 1987 é uma delas. Imagine um time que, depois de dois vices, chega à terceira final seguida da competição, vence na ida, mantém a vantagem na volta, vai ao jogo extra com o benefício do empate mas, quando parecia que o título enfim viria, leva o gol da derrota no último minuto da prorrogação e fica com outro vice? Foi o caso do América de Cali, que nessa trilogia do desastre sofreu o revés mais doído. 

Alheio à tristeza, o Peñarol sentiria o gosto do topo pela quinta e última vez. Foi o último ano da Libertadores com o regulamento que classificava apenas o líder de cada grupo à fase seguinte. Os carboneros ficaram na chave 5, ao lado do pequeno Progreso e dos peruanos Alianza Lima e San Agustín.

Não foi difícil para os uruguaios abocanharem a vaga na semifinal, com dez pontos, quatro vitórias e dois empates. Foram quatro de vantagem sobre o Alianza, que em dezembro daquele mesmo ano passaria pela tragédia de perder quase todo o elenco e comissão técnica num acidente aéreo.

O Peñarol seguiu à segunda fase para enfrentar Independiente e River Plate. E não poderia ter início melhor com os 3 a 0 em casa sobre a equipe de Avellaneda. Depois, empate sem gols, também em Montevidéu, com o River. A ida antecipada à final veio na terceira partida: 4 a 2 sobre o Independiente na Doble Visera. No fim, a derrota por 1 a 0 para o River em Buenos Aires não fez diferença para o clube, que somou cinco pontos.

O América de Cali apareceu para a famigerada decisão depois de bater Cobreloa e Barcelona de Guayaquil no triangular. O primeiro jogo, no Pascual Guerrero, terminou com 2 a 0 aos colombianos. No segundo, o Peñarol venceu por 2 a 1, de virada a três minutos do fim e gols de Diego Aguirre e Jorge Villar.

Na partida extra, no Nacional de Santiago, o saldo de gols dava a vantagem do empate ao América. O resultado zerado perdurou até os 15 minutos do segundo tempo da prorrogação, quando Aguirre deu o golpe que mudou o título de lado. Os uruguaios venceram o penta por 1 a 0 e os colombianos ganharam para sempre a fama de azarados.

A campanha do Peñarol:
13 jogos | 8 vitórias | 3 empates | 2 derrotas | 20 gols marcados | 10 gols sofridos


Foto Arquivo/El País

Porto Campeão Mundial 1987

A Copa Intercontinental de 1987 entrou para a história menos pelo confronto em si e mais pelo clima que a envolveu. Nunca se viu tanta neve em uma partida tão importante de futebol. O jogo de ida de 1976 também foi sob gelo, mas não na mesma intensidade que Tóquio viveu 11 anos depois.

O caminho para o Japão revelou uma força inédita e trouxe de volta uma camisa pesada. Na Copa dos Campeões da Europa, o Porto conseguiu sua primeira conquista. Após eliminar o Dínamo de Kiev na semifinal, derrotou o Bayern de Munique na decisão, por 2 a 1. O título resgatou Portugal para o Mundial depois de 25 anos de intervalo.

Na Libertadores, o Peñarol fez o (ainda desconhecido) canto do cisne. Os uruguaios derrubaram Alianza Lima, Independiente e River Plate antes de vencer o América de Cali, na maior reviravolta vista até então. O time carbonero perdeu a ida por 2 a 0 e venceu a volta por 2 a 1. No desempate, o título foi ganho por 1 a 0, aos 15 minutos do segundo tempo da prorrogação. O épico penta deu um favoritismo ao Peñarol. Mas o Porto chegava com uma grande equipe, liderada por Rabah Madjer, Juary, Fernando Gomes e Józef Mlynarczyk.

A ideia era que o Japão recebesse mais uma grande final. O inverno em Tóquio sempre foi rigoroso, mas o máximo que se havia visto durante o Mundial era a chuva em 1985. Na semana da partida de 1987, o tempo fechou. No dia do jogo, 13 de dezembro, a neve resolveu aparecer por toda Tóquio. Ela não deu trégua, e portugueses e uruguaios cogitaram adiar a peleja. Mas os direitos de televisão estavam vendidos, torcedores estavam deslocados e o calendário dos clubes não permitia um adiamento.

Porto e Peñarol foram ao Estádio Nacional de piso branco e com bola amarela. Pela primeira vez, o público não lotou: apenas 45 mil se animaram a enfrentar a neve. E a partida foi péssima, com diversos erros em campo e imagens televisivas comprometidas. Quem tinha mais costume com o clima no gelo se deu melhor.

Gomes abriu o placar para os Dragões aos 41 minutos do primeiro tempo, depois de fintar o zagueiro Obdulio Trasante na área e chutar cruzado. A bola passou da linha do gol e parou sem balançar a rede, e Madjer e o resto da zaga ainda apareceram para dividir o lance. O Peñarol empatou aos 35 do segundo tempo, com Ricardo Viera aproveitando um passe de cabeça de José Perdomo e finalizando de perna esquerda na pequena área. Na prorrogação, aos quatro minutos do segundo tempo, Madjer roubou a bola de Trasante e finalizou de fora da área, encobrindo o goleiro Eduardo Pereira e fazendo 2 a 1. Pela primeira vez, pelo Porto, Portugal chegava ao título mundial.


Foto Arquivo/Striker Magazine

Operário-MS Campeão Brasileiro Série C 1987 (Módulo Branco)

O ano de 1987 foi um dos mais confusos que o futebol brasileiro já produziu. Enquanto CBF e Clube dos 13 se engalfinhavam no desfecho da Copa União e do Módulo Amarelo, outras duas competições movimentavam as divisões inferiores.

Os clubes preteridos na composição dos campeonatos já citados acabaram movidos para outras duas competições, o Módulo Azul e o Módulo Branco. Na teoria, eles eram duas segundas divisões, mas na prática funcionaram como uma terceira divisão. No grupo Branco ficaram equipes do Norte e do Nordeste. No Azul, os clubes do Sul e do Sudeste. O Centro-Oeste se dividiu entre os dois.

O Módulo Branco foi chamado de Taça Rubem Moreira e também teve a participação de 24 times. Com grandes lembranças de Brasileirões do passado, o Operário de Campo Grande possuía boa tradição para ser considerado um favorito.

O clube ficou no grupo 1, com Mixto, Operário-MT e Sobradinho. A estreia do Galo não foi boa, perdendo por 2 a 1 para o Mixto em Cuiabá. A recuperação veio com duas vitórias no Morenão, por 4 a 0 sobre o Sobradinho e por 1 a 0 sobre o Operário de Várzea Grande. A classificação foi consolidada com vitórias por 2 a 1 sobre o Operário VG no Mato Grosso, e por 1 a 0 sobre o Sobradinho no Distrito Federal. Na última rodada, perdeu por 1 a 0 para o Mixto em casa. Com oito pontos em seis jogos, o Operário-MS se classificou na vice-liderança.

Na segunda fase, o adversário foi a Catuense. Venceu por 2 a 0 no Morenão e empatou em 2 a 2 na Bahia. Na terceira fase, enfrentou mais duas vezes o Mixto. A revanche foi completa, vencendo por 2 a 0 no Mato Grosso do Sul, e empatando em 2 a 2 no José Fragelli.

O time alvinegro se classificou para o triangular final (também com apenas um turno) ao lado de Botafogo-PB e Paysandu. A primeira rodada foi de folga, enquanto paraenses bateram nos paraibanos. A estreia foi em João Pessoa, com empate sem gols com o Botafogo da Paraíba. A partida final decidiria o título

Já em 1988, Operário-MS e Paysandu se enfrentaram no Morenão, e o Galo conseguiu a vitória que precisava, por 2 a 1. Com três pontos em dois jogos, o time sul-mato-grossense conseguiu o título do Módulo Branco, a única conquista nacional do clube. Mas hoje em dia, a competição caiu no esquecimento, somente os alvinegros a mantém viva na lembrança. Nem a CBF reconhece o título como oficial.

A campanha do Operário-MS:
12 jogos | 7 vitórias | 3 empates | 2 derrotas | 19 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Arquivo/Operário-MS

Americano Campeão Brasileiro Série C 1987 (Módulo Azul)

O ano de 1987 foi um dos mais confusos que o futebol brasileiro já produziu. Enquanto CBF e Clube dos 13 se engalfinhavam no desfecho da Copa União e do Módulo Amarelo, outras duas competições movimentavam as divisões inferiores.

Os clubes preteridos na composição dos campeonatos já citados acabaram movidos para outras duas competições, o Módulo Azul e o Módulo Branco. Na teoria, eles eram duas segundas divisões, mas na prática funcionaram como uma terceira divisão. No grupo Branco ficaram equipes do Norte e do Nordeste. No Azul, os clubes do Sul e do Sudeste. O Centro-Oeste se dividiu entre os dois.

O Módulo Azul foi rebatizado de Taça Heleno Nunes e contou com a presença de 24 times. Uma das forças do futebol carioca na década, o Americano de Campos era frequente nas listas de favoritos. O clube ficou no grupo 3, ao lado de Juventus-SP, Desportiva-ES e Estrela do Norte.

Apesar do favoritismo, o Mancha Negra demorou e engrenar. Estreou em casa com empate sem gols contra o Juventus. Depois, perdeu por 1 a 0 para o Estrela do Norte no Espírito Santo. Na terceira rodada, novo empate no Godofredo Cruz, em 1 a 1 com a Desportiva. O terceiro empate foi outro 0 a 0 com a Juventus, mas em São Paulo. A arrancada veio no fim, com duas vitórias por 1 a 0, sobre o Estrela do Norte em Campos, e sobre a Desportiva em Cariacica. Com sete pontos em seis jogos, o Americano se classificou na vice-liderança. 

Na segunda fase, enfrentou o Tupi. Venceu por 1 a 0 no Godofredo Cruz, e pelo mesmo placar em Juiz de Fora. Na terceira fase, encarou o Botafogo-SP e se classificou com vitória por 3 a 1 em Campos e derrota por 1 a 0 em Ribeirão Preto.

Junto com o Juventude e o Uberlândia, o Americano chegou no triangular final, de tiro curto, com um turno só. O time alvinegro fez o primeiro jogo contra o Juventude no Alfredo Jaconi, e empatou em 0 a 0. O segundo jogo foi no Godofredo Cruz contra o Uberlândia, e o Americano venceu por 2 a 0. Com três pontos em duas partidas, seria ainda necessário secar o time gaúcho.

E em pleno Natal de 1987, Uberlândia e Juventude se enfrentaram em Minas Gerais, com vitória por 2 a 0 dos mineiros. O Americano se tornou campeão do Módulo Azul sem entrar em campo, mas a festa não foi menor por isso. Hoje em dia, a competição caiu no esquecimento, somente os alvinegros a mantém viva na lembrança. Nem a CBF reconhece o título como oficial.

A campanha do Americano:
12 jogos | 6 vitórias | 4 empates | 2 derrotas | 10 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Arquivo pessoal/Alexandre Guerreiro

Sport Campeão Brasileiro 1987

O futebol brasileiro nunca esteve tão dividido quanto em 1987. A fundação do Clube dos 13 e a criação da Copa União restrita a apenas 16 convidados gerou uma onda de indignação nacional. Clubes que haviam brilhado no ano anterior, como Guarani, America-RJ, Criciúma e Inter de Limeira, viram-se subitamente excluídos da elite por critérios políticos, e não técnicos.

Pressionada pela exclusão dos "novos grandes", a CBF recuou na ideia de terceirizar o campeonato. Para retomar o controle, a entidade organizou uma competição paralela com outras 16 equipes, batizada com o antigo nome de Copa Brasil. No papel, a CBF hierarquizou a Copa União como o Módulo Verde e a Copa Brasil como o Módulo Amarelo. O regulamento imposto previa o cruzamento dos campeões e vices de ambos os módulos em um quadrangular final para unificar o título brasileiro.

A CBF aproveitou o momento para punir clubes que haviam acionado o STJD contra o rebaixamento de 1986. A Ponte Preta foi enviada ao Módulo Azul, enquanto Fortaleza e Nacional-AM foram relegados ao Módulo Branco (equivalentes a divisões inferiores). O caso mais emblemático foi o do America-RJ: quarto colocado em 1986, o clube recusou-se a disputar o Módulo Amarelo por considerar sua exclusão do Verde uma afronta. Por outro lado, Sport e Vitória venceram suas batalhas jurídicas e garantiram vaga no Módulo Amarelo. Mal sabia o Leão da Ilha que aquela decisão pavimentaria o caminho para sua maior glória.

O regulamento do Módulo Amarelo espelhava o do Verde: dois grupos em dois turnos (um de chaves cruzadas e outro interno). O Sport, comandado por Emerson Leão, sobrou tecnicamente: No primeiro turno, o rubro-negro foi avassalador. Com cinco vitórias e três empates, liderou seu grupo com 13 pontos e carimbou a vaga antecipada na semifinal.

Com a classificação no bolso, o Sport administrou o returno, liderando o Grupo B com nove pontos, quatro vitórias, um empate e uma derrota. Como já possuía a vaga, esta foi repassada ao vice-líder Bangu. Na outra chave, Athletico-PR e Guarani confirmaram o favoritismo e completaram o mata-mata.

A semifinal contra o Bangu testou o coração da torcida pernambucana. Após perder por 3 a 2 em Moça Bonita, o Sport rugiu na Ilha do Retiro, vencendo por 3 a 1 e garantindo a vaga na final contra o Guarani, que bateu o Athletico-PR.

A decisão do Módulo Amarelo foi uma epopeia. O Sport perdeu a ida em Campinas por 2 a 0, mas devolveu um sonoro 3 a 0 no Recife. Como o regulamento ignorava o saldo de gols, a partida foi para a prorrogação e para os pênaltis. Após 24 cobranças e um empate em 11 a 11, as diretorias, exaustas, concordaram em dividir o título do módulo. Dias depois, o Guarani abriu mão da taça, e o Sport foi declarado o único campeão do Módulo Amarelo.

Já no início de 1988, o quadrangular decisivo foi convocado. Seguindo o pacto do Clube dos 13, Flamengo e Internacional recusaram-se a entrar em campo. Com os W.O.s confirmados, Sport e Guarani reeditaram a final para decidir, oficialmente, quem herdaria a taça da CBF. No Brinco de Ouro, o Leão, agora comandado por Jair Picerni, segurou um empate valioso em 1 a 1, com gol do zagueiro Betão. Na volta, a Ilha do Retiro explodiu quando Marco Antônio, de cabeça, marcou o 1 a 0 sobre o Bugre.

O apito final selou o Sport como o campeão brasileiro de 1987. Embora o caso tenha gerado décadas de batalhas jurídicas que chegaram até o STF, para a história oficial e para o povo do rubro-negro pernambucano, o Leão gravou seu nome no topo do futebol nacional naquele domingo em Recife.

A campanha do Sport:
20 jogos | 12 vitórias | 5 empates | 3 derrotas | 29 gols marcados | 13 gols sofridos


Foto Arquivo/Sport

Flamengo Campeão Brasileiro 1987 (Copa União)

O ano de 1987 é o marco zero de uma disputa eterna entre Sport e Flamengo. A crise começou no ano anterior, quando a tentativa da CBF de rebaixar 16 dos 48 clubes do Brasileirão naufragou em liminares judiciais de equipes que buscavam a permanência na elite. Desgastada politicamente e alegando insolvência financeira, a entidade declarou-se incapaz de organizar o campeonato nacional de 1987.

Diante do vácuo de poder e do risco de um ano sem futebol, as 13 principais forças do país uniram-se para fundar o Clube dos 13. A entidade assumiu a responsabilidade de organizar a Copa União, convidando outras três equipes para fechar um quórum de 16 clubes de elite.

A exclusão de clubes tradicionais que, pelo regulamento de 1986, deveriam estar na primeira divisão, gerou revolta. Pressionada, a CBF interveio: não reconheceu a seletividade da Copa União e criou um torneio paralelo com as equipes preteridas pelo C13. A solução de conciliação foi dividir o campeonato em Módulo Verde (Copa União/C13) e Módulo Amarelo (CBF). A entidade determinou que os dois finalistas de cada módulo deveriam realizar um quadrangular final para decidir o campeão brasileiro.

Desde o princípio, os clubes do Módulo Verde prometeram boicotar o cruzamento, sustentando que a final da Copa União já representaria a decisão do título nacional. Flamengo e Internacional honraram o pacto e recusaram-se a entrar em campo contra Sport e Guarani, os finalistas do Módulo Amarelo.

O Flamengo iniciou a Copa União sob desconfiança, vindo de um vice-campeonato carioca. Contudo, o elenco era estelar, contando com a experiência de Zico e Leandro, além da explosão de jovens como Bebeto e a força de Renato Gaúcho. Os 16 times foram divididos em dois grupos. No primeiro turno, as equipes de uma chave enfrentaram as da outra. O Fla teve um início irregular no Grupo A: em oito jogos, conquistou apenas duas vitórias, três empates e três derrotas. Com sete pontos, viu o Atlético-MG dominar a chave com o dobro da pontuação e garantir a primeira vaga na semifinal. No outro grupo, o Internacional também assegurou sua classificação antecipada.

O cenário mudou no segundo turno, quando os times jogaram dentro de seus próprios grupos. O Flamengo encontrou seu equilíbrio, somando quatro vitórias, dois empates e apenas uma derrota em sete partidas. Com dez pontos, o rubro-negro ficou na vice-liderança do grupo. Como o Atlético-MG liderou novamente (com 11 pontos), o regulamento previa que a vaga seria repassada ao segundo colocado do turno. Assim, o Flamengo avançou, enquanto o Cruzeiro completava o quadro de semifinalistas na outra chave.

A semifinal reservou o confronto entre Flamengo e Atlético-MG. No Maracanã, o Fla venceu a ida por 1 a 0. No jogo de volta, no Mineirão, o Flamengo protagonizou uma exibição épica: venceu por 3 a 2, manteve a histórica freguesia alvinegra em decisões e carimbou a vaga na final contra o Internacional, que passou pelo Cruzeiro.

A decisão foi o encontro de duas das camisas mais pesadas do país. No Beira-Rio, as equipes empataram em 1 a 1, deixando a decisão aberta para o Rio de Janeiro. Diante de sua torcida no Maracanã, o Flamengo foi cirúrgico. Logo no início, Bebeto marcou o gol da vitória por 1 a 0. O triunfo garantiu ao rubro-negro o troféu da Copa União e, na visão de muitos, o quarto título brasileiro.

A campanha do Flamengo:
19 jogos | 9 vitórias | 6 empates | 4 derrotas | 22 gols marcados | 15 gols sofridos


Foto Sebastião Marinho/Agência O Globo