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Paysandu Campeão da Copa Norte 2002

A maior edição da história da Copa Norte aconteceu em 2002, com 16 participantes em um formato robusto, marcando o encerramento de uma era. Em 2003, a implementação dos pontos corridos no Campeonato Brasileiro retiraria o torneio regional do calendário até o retorno em 2026. O regulamento foi complexo: as equipes foram divididas em quatro grupos na fase inicial, seguidos por dois quadrangulares na segunda etapa e a decisão.

Foi neste cenário que o Paysandu deu o pontapé inicial para a temporada mais vitoriosa de sua história. Integrante do Grupo B, o clube enfrentou o arquirrival Remo e os amapaenses Independente e São José. A trajetória começou em Macapá, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Independente. Os clássicos Repa da primeira fase terminaram em igualdade (0 a 0 e 1 a 1), mas a regularidade bicolor nos demais jogos garantiu a liderança da chave com 12 pontos, um a mais que o rival.

A segunda fase elevou a tensão com mais dois clássicos contra o Remo. Após uma derrota por 1 a 0 e uma vitória por 2 a 1, o Paysandu manteve a concentração contra Moto Club e River, somando três vitórias e apenas um revés nesses duelos. Com 12 pontos conquistados nesta etapa, o Papão assegurou sua vaga na final na rodada decisiva, ao bater os piauienses por 3 a 1 em casa.

A final da Copa Norte reservou um repeteco do ano anterior: Paysandu contra São Raimundo-AM, que eliminou Ji-Paraná, Nacional-AM e Atlético-RR na segunda fase. Era a quinta decisão consecutiva dos amazonenses, que haviam levado a melhor em 2001. No entanto, o equilíbrio de outrora deu lugar ao domínio paraense em 2002. No jogo de ida, no Vivaldão, em Manaus, o Paysandu mostrou sua força ao vencer por 1 a 0.

A consagração definitiva do veio na Curuzu, em Belém, onde o Papão atropelou o adversário por 3 a 0. Com o placar agregado de 4 a 0, o clube conquistou o título da Copa Norte, encerrando a hegemonia do São Raimundo-AM.

O título regional foi apenas o primeiro passo de uma jornada épica. Meses depois, o Paysandu surpreendeu o país ao sagrar-se campeão da Copa dos Campeões, derrotando o Cruzeiro em uma final histórica. O auge absoluto viria na Libertadores de 2003, quando o clube alcançou as oitavas de final e chocou o continente ao vencer o Boca Juniors em plena La Bombonera, na Argentina, um feito que até hoje ecoa como o ponto mais alto do futebol nortista.

A campanha do Paysandu:
14 jogos | 9 vitórias | 3 empates | 2 derrotas | 29 gols marcados | 11 gols sofridos


Foto Arquivo/Paysandu

Feyenoord Campeão da Liga Europa 2002

Em competições de final única, geralmente o estádio é escolhido com antecedência, antes de se conhecer os times finalistas. Algumas vezes, pode acontecer de um deles ser o próprio usuário do palco. Foi o caso do Feyenoord na Copa da UEFA de 2002. O clube levou o bicampeonato depois de 28 anos junto à sorte que acompanha os competentes. Foi a primeira conquista europeia do clube holandês desde a década de 1970.

Mas a caminhada do Feyenoord inicia na Liga dos Campeões, onde o time sucumbiu na fase de grupos. Na chave D, foi eliminado para Nantes e Galatasaray, ficando à frente somente da Lazio. A terceira colocação jogou a equipe para a Copa da UEFA, e é aí que a história de verdade começa a ser escrita, com atacantes experientes somados a uma jovem promessa, ainda discreta, chamada Robin Van Persie.

Na terceira fase, o Feyenoord enfrentou o Freiburg. O primeiro jogo foi realizado no De Kuip, a casa do clube em Roterdã. O resultado foi de vitória por 1 a 0. A segunda partida aconteceu no Dreisamstadion. O adversário alemão até chegou a reverter o confronto com dois gols, mas os holandeses conseguiram buscar o empate por 2 a 2. Nas oitavas de final, foi a vez de passar pelo Rangers ao empatar por 1 a 1 em Glasgow, e vencer por 3 a 2, de virada, em Roterdã.

Na quartas, dois clássicos duros com o PSV Eindhoven. O primeiro foi no Estádio Philips, e ficou empatado por 1 a 1. O segundo foi realizado no De Kuip e teve o mesmo resultado, obtido de maneira agônica aos 48 minutos do segundo tempo, no gol de Pierre Van Hooijdonk. Nos pênaltis, vitória do Feyenoord por 5 a 4.

Na semifinal, o adversário foi a Internazionale. A ida aconteceu no San Siro, e os holandeses conseguiram vencer por 1 a 0. A volta foi em Roterdã. O Feyenoord abriu dois gols de frente com Van Hooijdonk e Jon Dahl Tomasson, mas levou o empate por 2 a 2 nos minutos finais e passou de maneira sofrida.

Na decisão, Feyenoord e Borussia Dortmund, que eliminou Copenhagen, Lille, Slovan Liberec e Milan. Como já mencionado, o estádio da final previamente escolhido foi o De Kuip, em Roterdã. Em casa, os holandeses anotaram dois gols no primeiro tempo, ambos com Van Hooijdonk. Os alemães reagiram aos três do segundo tempo, mas aos cinco Tomasson fez o terceiro. Logo depois, outro tento alemão deu o placar definitivo de 3 a 2, que coroou a invicta história do Feyenoord bicampeão.

A campanha do Feyenoord:
9 jogos | 4 vitórias | 5 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 11 gols sofridos


Foto Robert Vos/ANP

San Lorenzo Campeão da Copa Sul-Americana 2002

A Copa Conmebol durou até 1999, suplantada pelo aumento de times na Libertadores e o sucesso inicial das Copas Mercosul e Merconorte. Mas não demorou muito para que o modelo de dividir a América do Sul em duas - e quase sempre com os mesmos clubes da Libertadores nas disputas - ficasse insustentável. Pensando nisso, em 2002, a Conmebol resolveu extinguir as Mercos, reunir tudo e recriar no lugar a Copa Sul-Americana, nos moldes do torneio dos anos 90.

A verdade é que a entidade só ressuscitou mesmo a ideia, pois os critérios técnicos ficaram bagunçados. Cada país podia fazer o que bem entendesse: tinha vaga para os melhores times fora da Libertadores, para os melhores também dentro dela, via competições especiais, convidados... Só não teve brasileiros na edição de estreia. A demora da Conmebol em confirmar a Copa Sul-Americana fez com que a CBF fechasse o calendário do segundo semestre de 2002 somente com o Brasileirão.

Assim, o favoritismo pendeu para os clubes argentinos. Como o San Lorenzo, que foi o vencedor da Mercosul de 2001 e recebeu uma vaga na Sul-Americana por causa disso. "El ciclón" superou outros 20 participantes para ser o primeiro campeão do novo torneio, que foi disputado em mata-mata desde o início. Nas oitavas de final, passou fácil pelo Monagas, após vencer por 3 a 0 na Venezuela, e por 5 a 1 em Buenos Aires.

Nas quartas, o San Lorenzo enfrentou o Racing. Na ida, venceu por 3 a 1 no Nuevo Gasómetro. Na volta, perdeu por 2 a 0 em Avellaneda, tendo que fazer 4 a 3 nos pênaltis para passar de fase. A semifinal foi contra o Bolívar. Em La Paz, perder por 2 a 1, de virada. Na Argentina, o time azulgrana teve que suar para vencer por 4 a 2 e se classificar para final.

A decisão foi contra o Atlético Nacional, clube colombiano que eliminou América de Cali, Santiago Wanderers e Nacional do Uruguai. O primeiro jogo foi realizado em Medellín, no Atanasio Girardot. Em atuação de luxo, o San Lorenzo calou mais de 50 mil torcedores e goleou por 4 a 0, gols de Sebastián Saja (goleiro, de pênalti), Pablo Michelini, Leandro Romagnoli e Rodrigo Astudillo. A segunda partida foi no Nuevo Gasómerto, e o ciclón teve apenas que segurar o empate por 0 a 0 para ser campeão.

A campanha do San Lorenzo:
8 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 2 derrotas | 20 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Juan Manuel Foglia/Olé

Corinthians Campeão do Torneio Rio-São Paulo 2002

O que era para ter sido uma revolução no trato com os estaduais e regionais no futebol brasileiro, tornou-se na edição derradeira do Torneio Rio-São Paulo. Em 2002, a FPF tentou dar mais um passo no fortalecimento da competição. O número de participantes foi aumentado para 16 e a proposta era de que os mesmos ficassem ausentes dos estaduais, o que aconteceu de fato no Paulista.
Mas a FERJ não concordou inteiramente com a ideia, exigindo que seus clubes jogassem também o Carioca. Foram nove equipes de São Paulo e sete do Rio de Janeiro no torneio de grupo e turno únicos na primeira fase, e que ainda previa o rebaixamento do pior time colocado de cada Estado.
O desnível entre paulistas e cariocas ficou evidente, já que um lado jogava apenas o Rio-SP enquanto o outro era obrigado a dividir titulares e reservas com o estadual. Corinthians e Palmeiras ficaram disparados na frente com 31 pontos cada, mas a liderança sendo alvinegra devido ao saldo de gols. São Paulo e São Caetano fecharam o G-4 com 26 e 25 pontos, respectivamente.
O melhor carioca foi o Fluminense, em quinto com 24 pontos, seguido imediatamente por Vasco e Botafogo, que marcaram 24 e 23. Outros que lutaram pelas vagas na semifinal foram Paulista e Santos, oitavo e nono com 23 pontos. No limbo da classificação ficaram Portuguesa, Ponte Preta e Guarani, com 20 pontos cada. As decepções foram todas de um só lado: Flamengo com 15 pontos, Americano com 11, Bangu com oito e America com sete.
Líder e com o melhor elenco, o Corinthians enfrentou o São Caetano na semifinal, empatando a ida fora por 1 a 1 e vencendo a volta em casa por 3 a 1. A final foi contra o São Paulo, em duas partidas emocionantes no Morumbi. O Timão venceu a ida por 3 a 2 e foi campeão empatando a volta por 1 a 1. Foi a quinta e última conquista corintiana do Torneio Rio-São Paulo, que de 2003 em diante ficou sem lugar no calendário por causa do advento do Brasileirão de pontos corridos.

A campanha do Corinthians:
19 jogos | 11 vitórias | 6 empates | 2 derrotas | 38 gols marcados | 19 gols sofridos


Foto Ricardo Corrêa/Placar

Brasil Campeão da Copa do Mundo 2002

A última conquista do Brasil em Copas do Mundo foi na primeira competição do século 21, em 2002, na primeira vez em que a competição foi até à Ásia e ficou dividida entre dois países-sede: Japão e Coreia do Sul. Mesmo após as turbulências que afetaram o time nas Eliminatórias, com direito a três técnicos no comando em dois anos, a seleção que no fim foi comandada pelo técnico Luiz Felipe Scolari brilhou no Oriente, também debaixo das lideranças técnicas de Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e Roberto Carlos.

Com 100% de aproveitamento ao todo, a trajetória da "Família Scolari" começou em solo sul-coreano, com uma vitória inesperadamente difícil por 2 a 1 sobre a Turquia. Os resultados da sequência foram mais tranquilos, com goleadas por 4 a 0 sobre a China e por 5 a 2 sobre a Costa Rica. Os resultados renderam a liderança absoluta do grupo C ao Brasil, com nove pontos.

O caldo engrossou mesmo foi no mata-mata, já em terras japonesas. Contra a Bélgica nas oitavas de final, o jogo mais duro que o time canarinho teve. Mas um golaço de voleio de Rivaldo tranquilizou a situação e a vitória por 2 a 0 manteve o sonho.

Nas quartas, a pedreira foi contra a Inglaterra e o golaço da vez foi de Ronaldinho Gaúcho, que bateu uma falta lateral direto no gol. De virada, o Brasil venceu por 2 a 1 e seguiu. Na semifinal, foi a vez de reencontrar a Turquia, uma das muitas surpresas daquele Mundial, junto com Senegal e Coreia do Sul. Não teve golaço, apenas o oportunismo de Ronaldo, com o bico da chuteira para garantir a vitória por 1 a 0 e a vaga na final.

A decisão contra a Alemanha foi no Estádio Internacional de Yokohama, no Japão. Era a primeira vez que os dois países se enfrentavam em mundiais, e a partida correu com chances de gol dos dois lados. Até que Ronaldo Fenômeno apareceu para decidir na etapa final. Aos 22 minutos, ele pegou o rebote do goleiro Kahn, Aos 34, o craque se aproveitou do corta-luz de Rivaldo para marcar os dois gols do jogo e se consagrar na artilharia do torneio, com oito tentos no total. Por 2 a 0, o Brasil despachou os alemães e venceu pela quinta vez a Copa do Mundo. E coube ao "100% Jardim Irene" Cafu a honra de ser o capitão do penta, o quinto guardião da taça.

A campanha do Brasil:
7 jogos | 7 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 18 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Paulo Pinto/Estadão Conteúdo

Real Madrid Campeão da Liga dos Campeões 2002

Temporada sim, temporada não. Esse foi o lema do Real Madrid na segunda era de conquistas da Liga dos Campeões da Europa. Em 2002 - antes da formação dos "galácticos" -, o clube espanhol venceu "la novena", o eneacampeonato. Ainda que o time já fosse suficientemente estrelado, com Zinedine Zidane, Luís Figo, Raúl González, Fernando Hierro e Roberto Carlos, os galácticos só pegaram mesmo entre 2003 e 2006, num momento sem títulos continentais.

A campanha madridista começou no grupo A, contra Anderlecht, Lokomotiv Moscou e Roma. A classificação veio sem tropeços, ainda na quarta rodada, na vitória por 2 a 0 sobre o adversário belga em Bruxelas. A liderança foi confirmada no jogo seguinte, no empate por 1 a 1 com os italianos no Santiago Bernabéu. Em seis partidas, foram quatro vitórias, um empate e 13 pontos obtidos.

Na segunda fase, o Real passou invicto no grupo C, diante de Porto, Sparta Praga e Panathinaikos. Com mais cinco vitórias, um empate e 16 pontos, a qualificação foi ainda mais tranquila. A vaga estava na mão mais uma vez na quarta partida, nos 2 a 1 sobre os portugueses fora de casa. E liderança no jogo seguinte, nos 3 a 0 sobre os tchecos em Madri.

Nas quartas de final, a equipe merengue eliminou o Bayern de Munique após perder por 2 a 1 na Alemanha e reverter com 2 a 0 na Espanha. A semifinal reservou simplesmente El Clásico com o Barcelona. O primeiro foi no Camp Nou, com vitória do Real por 2 a 0. O lugar na final foi conquistado no Santiago Bernabéu, com empate protocolar por 1 a 1.

A final foi contra o Bayer Leverkusen, surpresa da Alemanha que passou por Fenerbahçe, Lyon, Juventus, Arsenal, Liverpool e Manchester United. A partida foi disputada no Hampden Park, em Glasgow, na Escócia. Raúl abriu o placar para o Real Madrid aos oito minutos do primeiro tempo, mas os alemães empataram aos 13. Aos 45, Zidane acertou um dos gols mais bonitos em uma decisão, de voleio. O 2 a 1 foi o resultado do título, depois de os espanhóis suportarem a pressão adversária.

A campanha do Real Madrid:
17 jogos | 12 vitórias | 3 empates | 2 derrotas | 35 gols marcados | 14 gols sofridos


Foto Popperfoto/Getty Images

Olimpia Campeão da Libertadores 2002

Uma Libertadores vista como um dos maiores pecados já cometidos pelos deuses do futebol. Em 2002, a maior competição da América do Sul quase viu a zebra pintar todo o continente, mas no fim quem brilhou mesmo foi uma das camisas mais pesadas da história do torneio. No ano do centenário, o Olimpia superou todas as forças possíveis para levar o terceiro título.

No grupo 8 da primeira fase, o Decano paraguaio enfrentou Universidad Católica, Flamengo e Once Caldas. Adversários difíceis, mas o clube conseguiu superar bem as seis partidas. Venceu três e empatou duas, liderando a chave com 11 pontos, superando os chilenos por um, os colombianos por dois e os brasileiros por sete.

Nas oitavas de final, o Olimpia encarou o Cobreloa, ganhando os dois jogos: 2 a 0 em Calama, no Chile, 2 a 1 no Defensores del Chaco. Nas quartas, o clube paraguaio segurou o Boca Juniors, buscando o empate por 1 a 1 na Bombonera, na ida, e vencendo por 1 a 0 no Paraguai, na volta.

Na semifinal, bateu o Grêmio com certa dificuldade, após fazer 3 a 2 no primeiro jogo, em casa, levar 1 a 0 na segunda partida, fora, e vencer por 5 a 4 nos pênaltis.

Na final, o Olimpia enfrentou o São Caetano, clube brasileiro que estava apenas na segunda participação de Libertadores, além de estar só no terceiro ano na primeira divisão nacional. Eles chegaram lá depois de passar por Universidad Católica, Peñarol e América do México. E quase houve o crime. A ida foi no Defensores del Chaco, em Assunção, e os brasileiros venceram por 1 a 0.

A volta aconteceu no Pacaembu, em São Paulo, e o São Caetano saiu na frente do placar no primeiro tempo. O Olimpia renasceu no segundo tempo e virou para 2 a 1, com gols de Gastón Córdoba e Richart Báez. Nos pênaltis, os paraguaios estavam com o emocional mais equilibrado e venceram por 4 a 2. Mauro Caballero converteu a cobrança do tricampeonato.

A campanha do Olimpia:
14 jogos | 8 vitórias | 3 empates | 3 derrotas | 19 gols marcados | 12 gols sofridos


Foto Arquivo/Olimpia

Cruzeiro Campeão da Copa Sul-Minas 2002

A última edição da Copa Sul-Minas, em 2002, foi o pilar de um plano que pretendia revolucionar o calendário do futebol brasileiro através do sistema quadrienal. A ideia era que os torneios regionais suplantassem os campeonatos estaduais, que passariam a ser disputados apenas por clubes de menor expressão. Sob esse novo conceito, a competição foi transformada em uma liga, na qual os 16 participantes se enfrentavam em turno único. O regulamento ainda previa um sistema de rebaixamento, com a equipe de pior campanha de cada estado seria substituída pelo respectivo campeão estadual do ano anterior.

Campeão vigente, o Cruzeiro entrou na disputa focado no bicampeonato e demonstrou sua força logo na estreia ao bater o Athletico-PR por 2 a 0, em Curitiba. A Raposa iniciou o certame de forma avassaladora, acumulando quatro vitórias consecutivas até sofrer o primeiro tropeço: um empate por 3 a 3 contra o Internacional, em Porto Alegre.

Contudo, o grande cartão de visitas daquela campanha foi a histórica goleada de 7 a 0 sobre o América-MG, na sexta rodada, uma exibição de gala em Belo Horizonte. Ao fim da primeira fase, o Cruzeiro ostentava números incontestáveis: 11 vitórias, dois empates e apenas duas derrotas, garantindo a liderança isolada com 35 pontos, seis a mais que o vice-líder Athletico-PR.

Na semifinal, o chaveamento impôs dois clássicos contra o Atlético-MG. Após dois empates por 1 a 1 no Mineirão, a Raposa levou a melhor nos pênaltis, vencendo por 4 a 2 e carimbando a vaga na final.

A decisão foi um embate contra o Athletico-PR, que ostentava o título de campeão brasileiro da época e passou pelo Grêmio na semifinal. No jogo de ida, na Arena da Baixada, o Cruzeiro deu um passo gigante rumo à taça ao vencer por 2 a 1. O confronto decisivo ocorreu no Mineirão. Com um gol do ídolo argentino Juan Pablo Sorín, que realizava ali sua partida de despedida antes de partir para a Europa, o Cruzeiro venceu por 1 a 0 e sagrou-se bicampeão da última Copa Sul-Minas da história.

Apesar do sucesso, o projeto do calendário quadrienal foi atropelado pela implementação do Campeonato Brasileiro de pontos corridos em 2003. Com a mudança de rumos da CBF, os torneios regionais foram descontinuados e os clubes grandes retornaram definitivamente aos seus estaduais. Um esboço de competição unindo o Sul e Minas Gerais só voltaria a ganhar entre 2016 e 2017, com a criação da Primeira Liga. Em 2026, seria instituída a Copa Sul-Sudeste, em formato inédito.

A campanha do Cruzeiro:
19 jogos | 13 vitórias | 4 empates | 2 derrotas | 39 gols marcados | 16 gols sofridos


Foto Eugênio Sávio/Placar

Real Madrid Campeão Mundial 2002

Tóquio agora fazia parte do passado. A partir de 2002, a Copa Intercontinental desembarcava de vez no século 21. Sequer cogitado para uma reforma, o Estádio Nacional não foi um dos escolhidos para sediar a Copa do Mundo naquele ano, pois o Japão preferiu construir praticamente tudo do zero.

Quatro anos antes, surgira o Estádio Internacional, em Yokohama. Com 73 mil lugares de capacidade e muito mais moderno que a sede olímpica de 1964, a casa do local F. Marinos foi escolhida para receber a final do torneio de seleções. Diante da nova realidade, Toyota, UEFA e Conmebol viram no novo estádio uma oportunidade de elevar ainda mais o nível do Mundial Interclubes, tanto no aspecto financeiro quanto no espetáculo em si. Assim, a disputa mudava de sede pela primeira vez em 22 anos.

O primeiro clube europeu a pisar em Yokohama foi também o primeiro a jogar um Mundial, e um dos últimos a atuar em Tóquio: o Real Madrid. O nono título da Liga dos Campeões foi o início da “Era Galácticos” do time madridista, ainda que nem todos estivessem no elenco na época da decisão, vencida por 2 a 1 sobre o Bayer Leverkusen. Antes disso, o Real já havia superado Porto, Bayern de Munique e Barcelona pelo caminho. A conquista ainda marcava os 100 anos de história do clube.

Pela América do Sul, o Olimpia também coroava seu centenário com o tricampeonato da Libertadores. O clube paraguaio eliminou Cobreloa, Boca Juniors e Grêmio, até fazer história na final contra a surpresa São Caetano: depois de perder a ida em casa por 1 a 0 e sair atrás na volta, conseguiu virar para 2 a 1 no segundo tempo e venceu nos pênaltis por 4 a 2.

Campeão da Europa com Zinedine Zidane e Luís Figo no comando do meio-campo, além de Raúl no ataque, Roberto Carlos e Fernando Hierro na defesa, o Real Madrid seguia a construção dos Galácticos com as chegadas de Esteban Cambiasso e Ronaldo — que seis meses antes do Mundial havia marcado os dois gols do Brasil na final da Copa contra a Alemanha. A história do Fenômeno em Yokohama não se restringiria ao penta. Em 3 de dezembro, ele voltou ao Estádio Internacional para ser o nome do jogo contra o Olimpia, que sentiu a pressão de enfrentar uma verdadeira seleção mundial.

Aos 14 minutos do primeiro tempo, Roberto Carlos lançou para Ronaldo, que, na entrada da área, driblou um zagueiro e abriu o placar após tocar na saída do goleiro Ricardo Tavarelli. O Fenômeno ainda teve outras chances de ampliar a vantagem espanhola, mas foi o reserva Guti quem marcou o 2 a 0, aos 38 minutos do segundo tempo, ao escorar de cabeça uma bola cruzada por Figo. Sem sofrer riscos ao longo da partida, o Real Madrid conquistava seu terceiro título mundial — o primeiro na nova casa japonesa.


Foto Masahide Tomikoshi

Bahia Campeão da Copa do Nordeste 2002

Chegamos a 2002. Nesta temporada, os estaduais foram deixados em segundo plano, e os regionais foram a prioridade do futebol brasileiro no primeiro semestre. Não foi diferente com a Copa do Nordeste, que também atingiu o seu ápice neste ano.

Em nome do sucesso, o regulamento de 2001 foi mantido, com a diferença que a fase final seria em jogos de ida e volta. Com o bom elenco da temporada anterior, e o consequente bom Brasileirão realizado depois (8º lugar), o Bahia entrou mai uma vez como o maior favorito ao título.

O Tricolor de Aço fez uma boa campanha na primeira fase, apesar de abaixo da média em relação ao ano anterior. A estreia foi com empate sem gols com o América-RN na Fonte Nova. O primeiro triunfo foi na segunda rodada, também em casa: 3 a 1 sobre o Náutico. Na quarta partida, a primeira das quatro derrotas, por 2 a 1 para o Ceará fora de casa.

Enquanto o Bahia fazia seus pontos necessários para se manter na briga por vaga, seu rival disparava na liderança. Tanto que na nona rodada, o Vitória impôs uma derrota por 3 a 0 ao Tricolor. Foi o período mais complicado do time no campeonato, que também levou 1 a 0 do Fluminense em Feira de Santana. 

A recuperação começou no 11º jogo, ao golear o CSA por 4 a 1 na Fonte Nova, passou pelo suado triunfo de 4 a 3 sobre o Treze na Paraíba no jogo seguinte, e culminou na histórica goleada por 10 a 2 sobre o Confiança em casa, na última rodada. Este resultado ajudou o Bahia a se classificar na vice-liderança com 27 pontos e quatro gols de saldo a mais que o Náutico.

Ainda assim, foram oito ponto a menos que o líder Vitória. Mas no mata-mata a competição zerou. Na semifinal contra o time pernambucano, o Tricolor segurou empate por 0 a 0 nos Aflitos e vencer por 1 a 0 na Fonte Nova. Enquanto isto, o Vitória eliminou o Santa Cruz.

A final da Copa do Nordeste reservou dois Ba-Vis. O primeiro foi na Fonte Nova, onde o trio de ataque Nonato, Robson e Sérgio Alves comandou o triunfo por 3 a 1. Com a vantagem, o Bahia foi ao Barradão no segundo jogo. Sem se descontrolar, o time buscou duas vezes o empate no segundo tempo, sempre com o artilheiro Nonato. Com 2 a 2 no placar, o Bahia chegou ao bicampeonato.

A campanha do Bahia:
19 jogos | 10 vitórias | 5 empates | 4 derrotas | 42 gols marcados | 24 gols sofridos


Foto Edson Ruiz/Placar

Brasiliense Campeão Brasileiro Série C 2002

O ano do penta do Brasil também foi o ano em que uma nova força do futebol despontou, diretamente do Distrito Federal. Com apenas dois anos de fundação, o Brasiliense já havia aprontado naquele 2002 durante a Copa do Brasil, quando eliminou Fluminense e Atlético-MG e foi parado na final contra o Corinthians.

Ao mesmo tempo, o clube foi terceiro colocado estadual e se classificou para a Série C. A competição não diferiu muito em relação às temporadas anteriores. Foram 61 participantes em 16 grupos que variaram entre três e cinco equipes cada.

Naquela primeira fase, o Brasiliense ficou no grupo 9. A estreia foi contra o Anápolis, derrota por 4 a 2 fora de casa. Na sequência, foram dois jogos na Boca do Jacaré com duas goleadas, por 5 a 0 sobre o CFZ e por 4 a 0 sobre o Grêmio Inhumense. No returno, vitória por 4 a 2 sobre o Grêmio Inhumense em Goiás, empate por 0 a 0 com o CFZ em Brasília e vitória por 1 a 0 sobre o Anápolis em casa deram a liderança e a classificação para o Jacaré, com 13 pontos.

Na segunda fase, o enfrentamento foi contra o CENE, o qual derrotou por 4 a 3 no Mato Grosso do Sul e perdeu por 2 a 1 no Distrito Federal. Nos pênaltis, vitória do Brasiliense por 6 a 5. Nas oitavas de final, novamente contra o Anápolis, empate sem gols fora de casa e vitória por 2 a 0 em Taguatinga. Nas quartas foi a vez de encarar o Villa Nova-MG. Venceu por 2 a 1 em Nova Lima e por 2 a 0 na Boca do Jacaré.

Rapidamente, o Brasiliense chegou ao quadrangular final. A luta final pelo acesso foi contra Marília, Ipatinga e Nacional-AM. A estreia foi no interior paulista contra o Marília, e terminou 1 a 1. Contra o Ipatinga em casa, novo empate por 1 a 1. A primeira vitória foi por 1 a 0 sobre o Nacional em Manaus. A série positiva seguiu com outra vitória sobre os amazonenses, agora por 2 a 0 em casa, e com a vitória que consolidou a vaga na segunda divisão, por 3 a 2 sobre o Ipatinga em Minas Gerais.

A partida final seria uma disputa exclusiva pelo título, contra o Marília, pois ambos já haviam conseguido o acesso. O jogo foi no Serra Dourada, em Goiânia. O Brasiliense largou atrás no placar mas empatou com o zagueiro Romildo. O 1 a 1 já servia para o time de Wellington Dias e Túlio Maravilha comemorar o primeiro título de sua meteórica história.

Com a conquista, o Jacaré foi para a Série B e ali permaneceu até 2010, quando caiu e não retornou mais. Antes, em 2005, o clube teve sua única passagem pela primeira divisão nacional.

A campanha do Brasiliense:
18 jogos | 11 vitórias | 5 empates | 2 derrotas | 37 gols marcados | 17 gols sofridos


Foto Carlos Costa/Focal Image/Futura Press

Criciúma Campeão Brasileiro Série B 2002

A Série B de 2002 foi mais uma competição que começou com indefinições. A polêmica começou em 2001, na partida entre Figueirense e Caxias. O time catarinense vencia por 1 a 0 e conquistava o acesso. Nisso, torcedores invadiram o gramado para comemoração antes do apito final. O time gaúcho alegou que o jogo não havia encerrado, e queria a remarcação da partida. A questão se arrastou nos tribunais da vida, mas o resultado foi mantido, o Figueirense subiu e o Caxias permaneceu na segunda divisão.

O campeonato teve o regulamento exatamente igual ao da Série A, com 26 clubes em grupo único, com os oito melhores se classificando ao mata-mata. E antes do início, um outro problema. O Malutrom comunicou desistência da competição, e no seu lugar entrou o Guarany de Sobral, terceiro lugar da Série C anterior. Um ano antes, o time paranaense havia escapado por pouco do rebaixamento, ao lado do Criciúma. O time carvoeiro teria uma história bem diferente naquela Série B.

Liderado por um cara chamado Paulo César, que passaria a se chamar Paulo Baier, o Tigre foi o melhor time da Série B, de cabo a rabo. A estreia foi com vitória em casa sobre o Paulista de Jundiaí por 2 a 0, e a classificação para a fase final foi confirmada com acachapantes 5 a 1 sobre o Sport no Heriberto Hülse, a quatro rodadas do fim. Ao final de 25 rodadas, o Criciúma terminou na liderança, com 51 pontos, 16 vitórias, três empates e seis derrotas. Também foram ao mata-mata, Sport, Fortaleza, Santa Cruz, Avaí, América-MG, Paulista e Remo.

Nas quartas de final, o Tigre enfrentou o time paraense, oitavo colocado. No Baenão, o Criciúma não resistiu e perdeu de virada por 2 a 1. A situação foi revertida no Heriberto Hülse, com a goleada por 4 a 0. Depois do Remo, o adversário foi o Santa Cruz. A semifinal foi aberta no Arruda, e o Criciúma venceu por 1 a 0. O acesso foi consumado com outra vitória por 3 a 0 em casa.

A final foi contra o Fortaleza. Na ida no Castelão, um susto, e a derrota por 2 a 0 deixou tudo com tons dramáticos. Foi na volta que apareceu o protagonismo de Paulo Baier. Precisando devolver o resultado, o então lateral-direito marcou três vezes e o Criciúma venceu por 4 a 1, conquistando assim o título da Série B de 2002, a segunda taça nacional do clube.

A campanha do Criciúma:
31 jogos | 20 vitórias | 3 empates | 8 derrotas | 58 gols marcados | 39 gols sofridos


Foto Cristiano Andujar/Placar

Paysandu Campeão da Copa dos Campeões 2002

A Copa dos Campeões consolidou-se como um sucesso em suas duas primeiras edições, impulsionando também o prestígio dos torneios regionais. Em 2002, essas competições assumiram o protagonismo do primeiro semestre, relegando os estaduais quase exclusivamente às equipes menores. Diante do crescimento do torneio, a CBF expandiu o número de participantes de nove para 16 e a quantidade de sedes para quatro, mantendo como grande trunfo a vaga direta para a Libertadores ao campeão.

Apesar do sucesso de público e do retorno financeiro, esta acabou sendo a última edição da Copa, que foi extinta para abrir espaço ao novo calendário de 2003, marcado pela introdução do Brasileirão de pontos corridos. Entretanto, essa despedida foi histórica para o Paysandu, que trilhou o caminho rumo ao maior título de sua trajetória centenária. Além da taça, o clube paraense conquistou a honra de ser o primeiro representante do Norte a garantir vaga na principal competição de clubes da América do Sul.

A competição introduziu uma fase de grupos para acomodar as 16 equipes: cinco do Torneio Rio-SP, quatro da Copa Sul-Minas, três da Copa do Nordeste, uma da Copa Centro-Oeste, uma da Copa Norte e o Flamengo, campeão vigente. O Papão integrou o Grupo A, sediado no Mangueirão, em Belém. A equipe estreou com empate em 1 a 1 contra o Corinthians, depois empatou sem gols com o Fluminense. Na rodada decisiva, bateu o Náutico por 3 a 2, garantindo a liderança da chave com cinco pontos.

Nas quartas de final, o Paysandu cruzou com o Bahia. Em um jogo disputado, os paraenses venceram por 2 a 1 e avançaram para a semifinal contra o Palmeiras. Jogando mais uma vez sob o incentivo fervoroso de sua torcida em Belém, o Papão foi avassalador e carimbou sua vaga na final ao vencer. O desafio final seria contra o Cruzeiro, que vinha embalado após eliminar Goiás e  Flamengo.

A finalíssima foi dividida em dois atos. No jogo de ida, no Mangueirão, o Paysandu não conseguiu transformar o apoio da casa em vantagem e acabou derrotado por 2 a 1. Com o favoritismo pendendo para o lado mineiro, o duelo de volta aconteceu no Castelão, em Fortaleza. Mesmo saindo atrás no placar, o Papão conseguiu uma histórica virada para 4 a 3, com um hat-trick do atacante Vandick.

A decisão foi ao pênaltis e o Cruzeiro sucumbiu, desperdiçando as suas três primeiras cobranças. Já o Papão converteu seus três chutes e liquidou a fatura sem a necessidade das cobranças restantes. Ao vencer por 3 a 0, o Paysandu sagrou-se campeão dos campeões de 2002 e partiu para a histórica campanha na Libertadores de 2003, onde chegou a derrotar o Boca Juniors em plena La Bombonera.

A campanha do Paysandu:
7 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 14 gols marcados | 10 gols sofridos


Foto José Leomar/Placar

Santos Campeão Brasileiro 2002

O Brasileirão de 2002 foi o último em que o regulamento contou com mata-mata e final, fechando um ciclo histórico da competição. Com 26 participantes, o torneio começou sob tensão jurídica: Figueirense e Caxias travaram uma batalha nos tribunais por uma vaga na elite. O time gaúcho exigia a repetição da partida entre eles na última rodada da Série B de 2001, interrompida por uma invasão de campo da torcida catarinense. Contudo, o resultado foi mantido, e o Figueirense ratificou seu acesso.

Resolvido o imbróglio, a bola rolou para consagrar uma brilhante geração. Liderado pelos jovens Robinho e Diego, acompanhados por Elano, Renato, Alex e Alberto, o Santos quebrou um jejum de 34 anos sem conquistas nacionais. A trajetória santista foi cercada de drama. A garotada demorou a engrenar e chegou a ocupar a 19ª posição no início do torneio. A classificação para o mata-mata veio de forma milagrosa na última rodada da primeira fase: mesmo perdendo para o São Caetano por 3 a 2, o Peixe contou com a derrota do Coritiba para o rebaixado Gama.

O Santos avançou em oitavo lugar, com 39 pontos, distribuídos em 11 vitórias, seis empates e oito derrotas. A campanha foi modesta se comparada aos 52 pontos do líder São Paulo. Além dos dois, avançaram São Caetano, Corinthians, Juventude, Grêmio, Atlético-MG e Fluminense. Na parte inferior da tabela, o ano foi trágico para duas potências: Palmeiras e Botafogo foram rebaixados para a Série B.

Nas fases eliminatórias, o "azarão" santista transformou-se em um gigante. Nas quartas de final: O Peixe atropelou o favorito São Paulo. Venceu por 3 a 1 na Vila Belmiro e confirmou a classificação com um 2 a 1, de virada, em pleno Morumbi. Na semifinal, Contra o Grêmio, o Santos deu um show em casa ao vencer por 3 a 0. No jogo de volta, no Olímpico, administrou a pressão gaúcha e a derrota por 1 a 0 foi suficiente para carimbar o passaporte para a final.

A decisão reservou um clássico épico contra o Corinthians, após o rival passar por Atlético-MG e Fluminense. Em dois atos no Morumbi, o Santos provou sua superioridade. No primeiro jogo, a vitória por 2 a 0 deixou o título encaminhado.

A partida de volta tornou-se lendária. Robinho protagonizou o lance que simboliza aquela geração: as oito pedaladas sobre o lateral Rogério, sofrendo o pênalti que ele mesmo converteu. O Corinthians buscou a virada para 2 a 1, o que trazia contornos dramáticos ao jogo, mas o Santos liquidou a fatura nos contra-ataques com gols de Elano e Léo nos acréscimos. A vitória por 3 a 2 deu ao Santos o seu sétimo título nacional. Foi o encerramento perfeito para a era do mata-mata.

A campanha do Santos:
31 jogos | 16 vitórias | 6 empates | 9 derrotas | 59 gols marcados | 41 gols sofridos


Foto Renato Pizzutto/Placar

Corinthians Campeão da Copa do Brasil 2002

No ano do pentacampeonato mundial, em 2002, a Copa do Brasil quase testemunhou a maior zebra da história do futebol nacional. O fenômeno atendia pelo nome de Brasiliense Futebol Clube, equipe fundada em 2000 em Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal. Por muito pouco, o clube não se sagrou campeão da segunda maior competição do país com menos de dois anos de existência.

No fim, o título ficou com o Corinthians, que conquistou o bicampeonato. Ainda sob o impacto do vice em 2001, o clube paulista trouxe um nome de peso para o comando técnico: Carlos Alberto Parreira, que, pela primeira vez desde 1982, não treinaria uma seleção em ano de Copa do Mundo. Sorte do Timão.

Na primeira fase, o Corinthians enfrentou o River, do Piauí, e venceu ambos os jogos: 2 a 1 no Albertão, em Teresina, e 2 a 0 no Pacaembu. Na segunda fase, eliminou o Americano em partida única, ao golear por 6 a 2 no Estádio Godofredo Cruz, em Campos dos Goytacazes, dispensando o jogo de volta.

Nas oitavas de final, o adversário foi o Cruzeiro, em dois confrontos equilibrados. No primeiro jogo, no Morumbi, o Alvinegro empatou em 2 a 2, ficando dependente de um resultado positivo fora de casa. A classificação veio no Mineirão, com uma vitória por 3 a 2. Nas quartas, o Corinthians eliminou o Paraná com uma vitória por 3 a 1 no Pacaembu e uma derrota mínima por 1 a 0 em Curitiba.

A semifinal reservou dois clássicos Majestosos contra o São Paulo. Na verdade, as equipes se enfrentaram quatro vezes em um curto intervalo, pois também decidiam o Torneio Rio-São Paulo. O Corinthians levou a melhor em ambas as frentes. Na Copa do Brasil, venceu a ida por 2 a 0 e perdeu a volta por 2 a 1, ambos os jogos no Morumbi. Deivid foi o autor do gol decisivo que garantiu a vaga na final nacional.

A decisão de 2002 foi disputada entre Corinthians e Brasiliense. O Jacaré assombrou o país ao superar Vasco-AC, Náutico, Confiança, Fluminense e Atlético-MG. No primeiro jogo, no Morumbi, o Timão venceu por um apertado 2 a 1, com dois gols de Deivid. A volta ocorreu na Boca do Jacaré, em Taguatinga. O Brasiliense abriu o placar ainda no primeiro tempo e, naquele momento, tinha a mão na taça devido ao critério do gol fora de casa. Contudo, Deivid, iluminado, marcou o gol do empate por 1 a 1 no segundo tempo, garantindo o título ao Corinthians.

A campanha do Corinthians:
11 jogos | 7 vitórias | 2 empates | 2 derrotas | 24 gols marcados | 13 gols sofridos


Foto Daniel Augusto Júnior/Corinthians