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França Campeã da Copa do Mundo 1998

A Copa do Mundo de 1998 representou uma nova era para o futebol mundial ao sofrer um aumento no número de participantes, expandindo-se de 24 para 32 seleções. A responsabilidade de sediar e estrear o novo formato coube à França, que não participava da competição desde 1986. Em total sintonia com o seu torcedor, a seleção francesa desbancou o favoritismo das potências tradicionais e marchou firme rumo ao inédito título mundial.

A primeira fase dos donos da casa foi tranquila. Integrando o Grupo C, a França estreou batendo a África do Sul por 3 a 0 e, logo em seguida, goleou a Arábia Saudita por 4 a 0. A equipe fechou a fase de grupos superando a Dinamarca por 2 a 1, garantindo a liderança da chave com nove pontos. O único revés nesse início promissor foi a expulsão do craque do time, Zinedine Zidane, na segunda rodada contra os sauditas. O meia foi suspenso por duas partidas após pisar em um adversário.

Nas oitavas de final, Les Bleus enfrentaram o Paraguai no jogo mais dramático de toda a sua campanha. Diante do ferrolho sul-americano, os franceses não balançaram as redes nos 90 minutos regulamentares. A incerteza pairava no ar quando a prorrogação se encaminhava para o fim. Foi quando o zagueiro Laurent Blanc entrou na área como centroavante para fazer o gol francês. A seis minutos do fim da prorrogação, o gol decretou o placar de 1 a 0 e entrou para a história como o primeiro "gol de ouro", o sistema de morte súbita, da história das Copas do Mundo.

As quartas de final reservaram um confronto contra a Itália, marcando o retorno de Zidane ao time titular. O equilíbrio tático arrastou o placar de 0 a 0 até o término da prorrogação. Na disputa de pênaltis, os franceses demonstraram maior controle emocional e carimbaram a classificação por 4 a 3.

A semifinal colocou a França diante da grande sensação do Mundial: a Croácia, que disputava a sua primeira Copa como nação independente. Os croatas surpreenderam e abriram o placar no início do segundo tempo. Mais surpreendente ainda foi o lateral Lilian Thuram, que jamais havia marcado um gol pela seleção. Com duas bolas roubadas, ele anotou os dois tentos da virada histórica. A vitória por 2 a 1 colocou a França na primeira final de sua história.

No novíssimo Stade de France, nos arredores de Paris, a França encarou o então campeão Brasil na decisão. Os brasileiros eliminaram Marrocos, Escócia, Chile, Dinamarca e Holanda. As horas que antecederam o apito inicial foram marcadas pela convulsão sofrida pelo brasileiro Ronaldo no hotel da delegação, episódio que desestruturou psicologicamente o Brasil e resultou em uma equipe apática em campo.

Alheia ao drama adversário, a França fez a partida de sua vida sob a batuta de Zidane. Demonstrando um oportunismo genial na bola parada, o camisa 10 marcou dois gols idênticos de cabeça no primeiro tempo, aproveitando cobranças de escanteio. No segundo tempo, mesmo com a expulsão do zagueiro Marcel Desailly, a França se defendeu com perfeição. Nos acréscimos, em um contra-ataque, Emmanuel Petit tocou na saída de Taffarel para dar o golpe de misericórdia. A categórica vitória por 3 a 0 conferiu à França o seu primeiro título mundial. Como Laurent Blanc estava suspenso por ter recebido cartão vermelho na semifinal, a honra de erguer a taça diante da torcida francesa a Didier Deschamps.

A campanha da França:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 15 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Sampaio Corrêa Campeão da Copa Norte 1998

A segunda edição da Copa Norte passou por mudanças estruturais significativas em 1998. As cidades-sede foram abolidas, mas a competição manteve um caráter experimental. O número de participantes foi reduzido de dez para oito, tornando o torneio, que já era breve, ainda mais dinâmico. Os estaduais do ano anterior seguiram como critério de qualificação, oferecendo aos campeões (ou vices) a chance de conquistar um título regional e garantir vaga na Copa Conmebol.

Em fase esplêndida, após conquistar o Campeonato Maranhense e a Série C do Brasileiro em 1997, o Sampaio Corrêa entrou na disputa como um dos favoritos ao título. A Bolívia Querida confirmou as expectativas com uma campanha dominante e venceu a competição.

Nas quartas de final, o adversário foi o São Raimundo-RR. Logo no jogo de ida, em Boa Vista, o Sampaio praticamente selou a classificação ao golear por 5 a 1. Na volta, em São Luís, a superioridade foi ainda mais gritante, com um sonoro 10 a 0.

Na semifinal, o desafio do Tubarão foi contra o Ypiranga-AP. No Castelão, em casa, o Sampaio Corrêa venceu por 2 a 0. no Zerão, em Macapá, um novo triunfo por 2 a 1 classificou a equipe tricolor para a decisão da Copa Norte.

O adversário na final foi o São Raimundo-AM, que passou por Paysandu e Rio Branco-AC. No jogo de ida, no Estádio da Colina, o Sampaio Corrêa não resistiu à pressão em Manaus e foi derrotado por 1 a 0. A decisão então ficou para São Luís.

Com o apoio massivo da torcida no Castelão, o Sampaio devolveu a diferença ao vencer por 2 a 1 no tempo normal. A definição do título foi para os pênaltis, onde brilhou o emocional dos maranhenses: a Bolívia Querida converteu suas três primeiras cobranças, enquanto os amazonenses desperdiçaram todas as suas chances. O placar de 3 a 0 confirmou o título, tornando o Sampaio Corrêa o primeiro campeão regional fora de sua divisão geográfica de origem.

Na Copa Conmebol, o Sampaio Corrêa representou bem o futebol nortista e maranhense. O clube eliminou o América-RN nas oitavas de final e o Deportes Quindío, da Colômbia, nas quartas, parando apenas na semifinal diante do Santos, em uma das campanhas mais memoráveis de um clube da região Norte-Nordeste em torneios continentais.

A campanha do Sampaio Corrêa:
6 jogos | 5 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 21 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Biaman Prado/Placar

Chelsea Campeão da Recopa Europeia 1998

A temporada 1997/1998 foi um marco no futebol europeu. A UEFA decidiu ampliar a Liga dos Campeões, que até então recebia apenas os vencedores da ligas nacionais, passando a aceitar também alguns vices dos principais países. O problema é que, em alguns casos, o segundo colocado conquistava a copa nacional e a vaga na Recopa Europeia. Com isso, os clubes jogavam o torneio principal e esvaziavam o outro.

Foi o caso do Barcelona, que exerceu seu benefício de vice espanhol e não defendeu o título na Recopa. Como a Winners' Cup não seria mais tão winner, a UEFA decidiu pela extinção do campeonato em 1999. Portanto, 1998 foi o ano da penúltima disputa, tendo o Chelsea bicampeão. Ao menos, os blues se classificaram como campeões da Copa FA em 1997. 

Com a curiosa política de ter os próprios atletas como técnico (primeiro Ruud Gullit, depois Gianluca Vialli), o Chelsea começou a campanha contra o Slovan Bratislava. Na primeira partida, vitória por 2 a 0 no Stamford Bridge. No segundo jogo, novamente 2 a 0 para os ingleses na Eslováquia. Nas oitavas de final, passou pelo Tromso, da Noruega, com derrota por 3 a 2 fora e goleada por 7 a 1 em casa.

Nas quartas, o Chelsea enfrentou o Betis. No jogo de ida, em Sevilha, vitória dos blues por 2 a 1, com gols marcados por Tore André Flo. A volta foi realizada no Stamford Bridge, e os ingleses venceram mais uma vez, por 3 a 1. Os gols foram de Frank Sinclair, Roberto Di Matteo e Gianfranco Zola.

Os blues chegaram na semifinal, onde encararam o Vicenza. A primeira partida aconteceu na Itália, com derrota inglesa por 1 a 0. No segundo jogo, em Londres, os italianos saíram na frente, mas Gustavo Poyet, Zola e Mark Hughes viraram para 3 a 1, colocando o Chelsea na decisão.

Na final, Chelsea e Stuttgart se enfrentaram no Rasunda, em Estocolmo. Os alemães eliminaram ÍBV, Germinal Ekeren, Slavia Praga e Lokomotiv Moscou. Mais efetivo nas chances que criaram, os blues chegaram à vitória por 1 a 0, e ao título, com o gol de Zola aos 26 minutos do segundo tempo.

A campanha do Chelsea:
9 jogos | 7 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 22 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Popperfoto/Getty Images

Palmeiras Campeão da Copa Mercosul 1998

A Supercopa Libertadores mudou de fórmula apenas para dar o último suspiro em 1997. A competição havia saturado com a presença dos mesmos clubes independente do momento. Então, ela foi cancelada em 1998. O grande motivo para tal foi a parceria entre Conmebol e a agência Traffic, que deu início à montagem de uma nova competição para alternar com a Libertadores a partir de 1998.

Nasceu ali a Copa Mercosul, que, como sugere o nome, contava apenas com os países do bloco econômico: Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. O critério para a participação dos clubes era simples: ter grande torcida e ter boa audiência  televisão. A Mercosul de 1998 teve 20 participantes divididos em cinco grupos, de onde seguiam oito para o mata-mata.

Desde a primeira edição, os brasileiros dominaram. O campeão foi o Palmeiras, que já tinha levado a Copa do Brasil naquele ano e encarou a Mercosul como laboratório para a Libertadores do ano seguinte. Na primeira fase, o Verdão ficou no grupo B, com Nacional do Uruguai, Independiente e Universidad Católica. Foram seis vitórias em seis jogos: 2 a 1 no Independiente em casa, 5 a 0 no Nacional, 2 a 1 na Católica e 3 a 0 nos argentinos fora, 3 a 1 nos uruguaios e 1 a 0 nos chilenos em São Paulo. Com 18 pontos, o Palmeiras avançou sozinho às quartas de final.

O próximo adversário foi o Boca Juniors. A ida foi no velho Palestra Itália, com vitória palmeirense por 3 a 1. Na volta em La Bombonera, empate por 1 a 1 colocou o alviverde na semifinal. Contra o Olimpia e o Palmeiras avançou com vitórias por 2 a 0 em casa e por 1 a 0 no Defensores del Chaco.

O adversário na final da Copa Mercosul foi o Cruzeiro, que eliminou São Paulo, Colo-Colo, River Plate e San Lorenzo. A ida foi no Mineirão, onde ocorreu a única derrota do Palmeiras no campeonato, por 2 a 1. A volta foi no Palestra Itália, e de virada o Verdão fez 3 a 1 e forçou a terceira partida no mesmo estádio, já que o saldo de gols não era o primeiro critério. O título alviverde enfim veio com vitória por 1 a 0 no desempate, gol marcado por Arce, que pegou rebote em cobrança de falta de Zinho.

A campanha do Palmeiras:
13 jogos | 11 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 28 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Acervo/Gazeta Press

Internazionale Campeã da Liga Europa 1998

A edição de 1998 da Copa da UEFA foi um marco muito especial na competição. Foi neste ano que a final passou a ser em partida única, em sede neutra, num movimento que culminaria na fusão do torneio com a Recopa, que sabidamente já vivia seus últimos dias no fim da década.

A decisão em um só jogo foi o passo derradeiro para que a Copa da UEFA assumisse o posto de segunda competição mais importante da Europa. E naquele 1998, o título foi parar pela terceira vez nas mãos da Internazionale, o que fez com que a Itália recuperasse seu domínio. Mas, mesmo com melhor jogador do mundo da época em seu ataque, Ronaldo Fenômeno, a conquista não foi fácil.

Na primeira fase, o time nerazzurri enfrentou o Neuchâtel Xamax, da Suíça, e venceu as duas partidas por 2 a 0, primeiro em casa e depois fora. Na segunda fase, o adversário foi o Lyon. A ida foi no San Siro, e os franceses surpreenderam ao impor derrota por 2 a 1 nos italianos. A volta aconteceu no antigo Gerland, e a Inter teve de reverter o confronto fora de casa, no triunfo por 3 a 1.

Nas oitavas de final, a Inter jogou contra outro francês, o Strasbourg. A primeira partida foi fora, no La Meinau, e os nerazzurri acabaram derrotados por 2 a 0. Foi preciso buscar outro placar na volta, desta vez em Milão. Ronaldo, Javier Zanetti e Diego Simeone marcaram uma vez cada na vitória por 3 a 0 que colocou a Inter nas quartas.

Na fase seguinte, um algoz recente: o Schalke 04, que venceu a Copa da UEFA de 1997 em pleno San Siro. A ida foi disputada no próprio estádio italiano, e a Inter venceu por 1 a 0, gol de Ronaldo. A volta foi no velho Parkstadion, em Gelsenkirchen. Até os 44 minutos do segundo tempo, tudo estava empatado. Até que os alemães acharam um gol aos 45, e o confronto foi à prorrogação. Logo no primeiro minuto, Taribo West fez 1 a 1 e colocou o time nerazzurri na semifinal.

Na semi, contra o Spartak Moscou, a Inter avançou com duas vitórias por 2 a 1. Em Milão, Ivan Zamorano e Zé Elias foram os autores dos gols. Na Rússia, Ronaldo anotou duas vezes.

A final da Copa da UEFA foi, pela quarta vez, entre dois italianos: Internazionale e Lazio, que superou Vitória de Guimarães, Rotor Volgogrado, Rapid Viena, Auxerre e Atlético de Madrid. O estádio escolhido para a primeira decisão única foi o Parc des Princes, em Paris. Logo aos cinco do primeiro tempo, Zamorano abriu o placar. Aos 15 do segundo, Zanetti fez o segundo. Aos 25, Ronaldo fechou o placar e o título nerazzurri por 3 a 0.

A campanha da Internazionale:
11 jogos | 8 vitórias | 1 empate | 2 derrotas | 20 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Arquivo/Internazionale

Santos Campeão da Copa Conmebol 1998

A Copa Conmebol entrava em suas últimas emoções em 1998. Num contexto de mudanças na entidade sul-americana, a competição foi mantida num primeiro momento. No mesmo ano, a Supercopa Libertadores foi extinta, abrindo espaço para as Copas Mercosul e Merconorte. Como estas duas tinham a audiência dos clubes como critério de classificação, qualquer potencial que a Copa Conmebol ainda pudesse ter murchou de vez.

Sem nada a ver com a história, o Santos conseguiu uma das vagas para o torneio depois de ficar em sétimo no Brasileirão e contar com as impossibilidades de Palmeiras (na Mercosul), Internacional (disse não), Flamengo (na Mercosul) e Portuguesa (disse não). As demais posições ficaram com Atlético-MG (Brasileiro), Sampaio Corrêa (Copa Norte) e América-RN (Copa do Nordeste).

A campanha do título inédito do Peixe começou contra o Once Caldas. Após fazer 2 a 1 na Vila Belmiro, o time perdeu pelo mesmo placar na Colômbia. Nos pênaltis, venceu por 3 a 2. Nas quartas, foi a vez de encarar a LDU Quito. Na ida, empate por 2 a 2 no Equador. Na volta, vitória por 3 a 0 na Vila.

A semifinal foi contra o Sampaio Corrêa. A primeira partida foi em Santos, mas os maranhenses seguraram o 0 a 0. O segundo jogo foi em São Luís, diante de quase 100 mil torcedores no Castelão. E o Sampaio marcou primeiro, aos 34 minutos. Aos 42, o Peixe empatou, virando ainda na etapa inicial e goleando por 5 a 1 no segundo tempo. Os gols foram de Lúcio, Argel, Eduardo Marques, Adiel e Viola.

A decisão foi disputada contra o Rosario Central, que superou Audax Italiano, Huracán Buceo e Atlético-MG. A Vila Belmiro recebeu o primeiro jogo. Foi nervoso, com cinco expulsões (duas brasileiras e três argentinas), mas o Santos abriu vantagem com vitória por 1 a 0, gol de Claudiomiro aos 28 do primeiro tempo.

O segundo jogo foi no Gigante de Arroyito. Também rolaram vermelhos na volta (um para cada lado), mas o Peixe segurou o 0 a 0 e tudo deu certo. A Copa Conmebol de 1998 representou o fim de 35 anos de tabu sem títulos internacionais (ou 30, se contarmos a Recopa Intercontinental de 1968).

A campanha do Santos:
8 jogos | 4 vitórias | 3 empates | 1 derrota | 14 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Daniel Augusto Jr./Agência Estado

Botafogo Campeão do Torneio Rio-São Paulo 1998

De volta no gosto do torcedor, o Torneio Rio-São Paulo seguiu para 1998 com um regulamento ampliado. A fase com dois grupos voltava a ser disputada, e a diferença em relação à 1993 é que líder e vice avançavam para a fase final. Outra ideia executada foi a de realizar os clássicos estaduais fora das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro: paulistas jogavam entre si em Ribeirão Preto, Presidente Prudente e Campinas, enquanto cariocas se enfrentavam em Brasília.
E foi nesta terceira edição após o retorno que o título voltou a ficar nas mãos de um clube carioca. A felicidade coube ao Botafogo, liderado pela dupla de ataque Túlio e Bebeto. A estreia alvinegra foi com vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians fora de casa, seguida pela única derrota na competição inteira, por 1 a 0 para o Vasco.
Na sequência da fase, o Fogão conseguiu mais duas vitórias e dois empates, que lhe deixou classificado em segundo lugar do grupo A, com 11 pontos. A vaga foi obtida na última rodada, ao vencer o já líder Palmeiras por 1 a 0 na capital paulista, no que deixou o time a dois pontos do adversário e quatro na frente do rival Vasco. A semifinal foi contra o Santos, com quem empatou os dois jogos: 0 a 0 no Maracanã e 2 a 2 no Pacaembu. Nos pênaltis, o Botafogo venceu por 4 a 3.
O São Paulo foi o adversário botafoguense na decisão do torneio. Com a melhor campanha, os alvinegros puderam fazer a partida de volta em casa. Mas antes tinha a ida, no Morumbi. Em partida emocionante, o Botafogo venceu por 3 a 2 fora de casa, após sair na frente do placar, levar a virada e reverter outra vez a seu favor.
O jogo no Maracanã teve o roteiro parecido, com o Fogão largando na frente aos 12 minutos e sofrendo a virada são-paulina aos 35 e aos 44 do primeiro tempo. A agonia durou até os 32 minutos da etapa final, quando o atacante Zé Carlos empatou em 2 a 2 e selou o título alvinegro. A conquista representou o tetra o Botafogo no Torneio Rio-São Paulo.

A campanha do Botafogo:
10 jogos | 4 vitórias | 5 empates | 1 derrota | 15 gols marcados | 12 gols sofridos


Foto Arquivo/Botafogo

Real Madrid Campeão da Liga dos Campeões 1998

Existem coisas que, depois de aprendidas, jamais são esquecidas. Pode passar o tempo que for. Para o Real Madrid, no caso, vencer a Liga dos Campeões da Europa. Em 1998, o clube completou 32 anos sem o maior título continental, e nesse meio tempo o máximo obtido foi um vice em 1981. Era chegada a hora de quebrar a fila e conquistar "la séptima".

Para aquele 1998, a UEFA voltou a mexer na fórmula. A restrição de países pelo coeficiente caiu e as sete melhores nações ganharam o direito de ter duas equipes na disputa. Dessa forma, o número de participantes subiu para 55, as preliminares ficaram com duas fases e a quantidade de grupos posteriores aumentou para seis - com oito vagas para o mata-mata.

Campeão espanhol, o Real Madrid começou a campanha diretamente no grupo D, contra Porto, Olympiacos e Rosenborg (Noruega). Nos seis jogos que fez o time conseguiu a liderança com 13 pontos, quatro vitórias e um empate. Em casa, foram três goleadas: 4 a 1 nos noruegueses, 5 a 1 nos gregos e 4 a 0 nos portugueses. E a classificação veio exatamente na vitória sobre o Porto, na última rodada.

Nas quartas de final, os merengues enfrentaram o Bayer Leverkusen. Na ida, empate por 1 a 1 na Alemanha. Na volta, triunfo por 3 a 0 no Santiago Bernabéu. A semifinal foi contra outro alemão, o Borussia Dortmund. A primeira partida foi na Espanha, com vitória madridista por 2 a 0. O segundo jogo aconteceu fora de casa, e o empate por 0 a 0 reconduziu o Real para a decisão.

O adversário na final foi a Juventus, que eliminou Kosice (Eslováquia), Feyenoord, Dínamo Kiev e Monaco. A partida foi disputada na Amsterdam Arena, em Amsterdã. E o Real Madrid conquistou o hepta pelo placar simples: 1 a 0, gol marcado por Predrag Mijatovic aos 21 minutos do segundo tempo. Apesar da pressão italiana, o resultado não foi mais alterado, e os espanhóis enfim recuperaram o cobiçado título de destaque.

A campanha do Real Madrid:
11 jogos | 7 vitórias | 3 empates | 1 derrota | 22 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Tony Marshall/Empics/Getty Images

Vasco Campeão da Libertadores 1998

O ano de 1998 foi de perda na final da Copa do Mundo com o Brasil, mas nos clubes as coisas estiveram boas. O Vasco vinha de um título brasileiro incontestável no ano anterior, e voltava para a Libertadores justamente no seu centenário.

O time carioca participou ao lado do Grêmio e dos mexicanos do América e do Chivas. Inclusive, foi nesta edição que ocorreu a estreia do México na competição, passando por uma fase preliminar com os venezuelanos nos meses anteriores.

Apesar do alto nível do elenco, as coisas começaram ruins para o cruz-maltino: derrotas por 1 a 0 para o Grêmio, no Olímpico, e para o Chivas, em Guadalajara, além do empate por 1 a 1 com o América, no Azteca. A arrancada veio no returno em São Januário, onde fez 3 a 0 no Grêmio, 2 a 0 no Chivas e voltou a marcar 1 a 1 com o América. Com oito pontos, o Vasco terminou na vice-liderança, quatro pontos a menos que os gaúchos.

Nas oitavas de final, o clube carioca encarou o terceiro brasileiro do torneio, o Cruzeiro, beneficiado pelo título da temporada passada. O cruz-maltino fez 2 a 1 no Rio de Janeiro e segurou o 0 a 0 no Mineirão. Nas quartas, reencontro com o Grêmio, e em Porto Alegre a equipe conseguiu empate por 1 a 1 na ida. A volta foi em São Januário, e vitória por 1 a 0 colocou o time na semifinal.

A semifinal foi contra o River Plate. Em casa, o Vasco abriu vantagem ao vencer por 1 a 0. No Monumental de Nuñez, empate por 1 a 1, com o golaço em cobrança de falta perfeita de Juninho Pernambucano, quase do meio de campo. A vaga para a final estava na mão.

O adversário foi o Barcelona de Guayaquil, que tinha batido Colo-Colo, Bolívar e Cerro Porteño. São Januário recebeu mais de 36 mil pessoas para ver Donizete e Luizão marcarem os gols da vitória por 2 a 0, que encaminhou a conquista.

No Monumental do Equador a dupla voltou a marcar, calando os 72 mil torcedores adversários, o Vasco venceu por 2 a 1 e comemorou o título da Libertadores de 1998, o mais importante da história cruz-maltina, no ano do centenário e 50 anos depois da primeira conquista continental, que inspirou a criação da disputa atual.

A campanha do Vasco:
14 jogos | 7 vitórias | 5 empates | 2 derrotas | 17 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Edison Vara/Placar

Real Madrid Campeão Mundial 1998

Uma vida inteira pode ser colocada em quanto tempo? Talvez, em mais de 38 anos. Mas, para os torcedores do Real Madrid, 38 invernos foram mais do que suficientes para criar um sentimento nostálgico geral. Durou de 1960 a 1998 o período em que o clube merengue esteve fora do topo do futebol mundial.

Neste meio tempo, o Real co-dominou com o Barcelona o futebol espanhol e levou só três taças europeias: a longínqua Copa dos Campeões de 1996 e as Copas da UEFA de 1985 e 1986. Milionário, o clube formou um dos primeiros elencos mundiais da era pós-Lei Bosman. Só quatro espanhóis entraram em campo na final da Liga dos Campeões de 1998, contra a Juventus. O Real Madrid venceu por 1 a 0 e conquistou o sétimo título continental e a vaga ao Mundial. Antes, o time impôs eliminações sobre Feyenoord, Dínamo de Kiev e Mônaco.

Ao mesmo tempo em que o Real conseguia um retorno de 32 anos à Copa Intercontinental, um grande esquadrão brasileiro chegava ao primeiro título na Libertadores. O Vasco, que tinha uma remota aparição na Copa Rio de 1951 e o título sul-americano de 1948, venceu os dois jogos da decisão contra o Barcelona de Guayaquil, por 2 a 0 na ida e 2 a 1 na volta. Para chegar à conquista, o cruz-maltino bateu justamente os últimos três campeões do torneio: Cruzeiro, Grêmio e River Plate.

O encontro no Mundial aconteceu no dia 1º de dezembro. O Real Madrid possuía o favoritismo, mas o Vasco chegava com um grupo unido, que não daria sossego em campo. Diferentemente das três finais anteriores no Nacional de Tóquio, a partida foi lá e cá. Dois fatores foram determinantes para a decisão do título em favor do time espanhol: a sorte e a habilidade de um jovem ídolo.

Os dois times criavam oportunidades quando uma infelicidade vascaína levou ao primeiro gol do Real. Aos 25 minutos do primeiro tempo, Clarence Seedorf inverteu uma bola para Roberto Carlos, no lado esquerdo. O lateral avançou e arriscou a finalização de fora da área. A bola iria para fora, não fosse o desvio do volante Nasa, que tentou afastar de cabeça, mas atirou para dentro do gol defendido por Carlos Germano.

Aos poucos, a equipe brasileira equilibrou a partida, chegando ao empate aos 11 do segundo tempo, quando Juninho Pernambucano aproveitou um rebote dado pelo goleiro Bodo Illgner e soltou uma bomba na entrada da grande área. Mas o dia era espanhol. Aos 38, Raúl recebeu lançamento em velocidade, deixou Vítor e Odvan no chão com dois dribles e marcou 2 a 1, sem chances para a defesa de Germano. E, 38 anos depois, o Real Madrid conseguia ser novamente o campeão mundial.


Foto Arquivo/Associated Press

Cruzeiro Campeão da Recopa Sul-Americana 1998

A primeira era da Recopa Sul-America estava próxima do fim. Depois do título gremista em 1996, a Conmebol organizou só mais duas edições antes da paralisação. Em 1997, dois argentinos na partida realizada em Kobe. Vélez Sarsfield e River Plate empataram por 1 a 1 no tempo normal, e nos pênaltis a equipe do Liniers venceu por 4 a 2.

A edição de 1998 deveria ter ocorrido como as anteriores, com jogo único no Japão, mas Cruzeiro, River Plate e Conmebol não conseguiram acertar uma data para a disputa. O ano passou, as duas equipes até se enfrentaram pela Copa Mercosul, mas nada foi decidido.

Então chegamos em 1999. Coincidentemente, brasileiros e argentinos ficaram novamente no mesmo grupo da Mercosul. Assim, para não deixar passar mais um cavalo encilhado, a Conmebol utilizou os dois confrontos para definir o campeão da Recopa equivalente a 1998. Os jogos aconteceram entre agosto e setembro. Não se confunda: as partidas foram em 1999, mas valeram por 1998.

A ida foi em Belo Horizonte, no Mineirão. Com tranquilidade, o Cruzeiro conseguiu abrir uma boa vantagem, vencendo por 2 a 0, gols de Müller e Geovanni. A volta foi em Buenos Aires, no Monumental de Nuñez. Pouco mais de 20 mil argentinos se animaram a ver um River Plate quase eliminado na Mercosul e que precisava devolver três gols. A trinca foi marcada, mas pela Raposa.

Aos 18 minutos do primeiro tempo, Geovanni recebeu lançamento de Marcos Paulo, arrancou pelo lado esquerdo e fez um lindo gol por cobertura, sem chances para o goleiro Bonano. Aos 37 minutos do segundo tempo, o meia Paulo Isidoro sofreu pênalti. Marcelo Ramos cobrou no meio do gol, marcando o segundo cruzeirense. O terceiro gol saiu aos 47 minutos, com o lateral Gustavo entrando pela direita e chutando cruzado.

O 3 a 0 no placar consumou a primeira conquista da Recopa para o Cruzeiro, que assim superou os vices seguidos de 1992 e 1993. E após 1998/99, a competição entrou em recesso. Sem Copa Conmebol, e com Mercosul e Merconorte dividindo o confederação, não havia mais adversário para confrontar com o vencedor da Libertadores até 2002.


Foto Arquivo/Jornal Hoje em Dia

América-RN Campeão da Copa do Nordeste 1998

O enorme sucesso da edição de 1997 motivou a CBF a ampliar o calendário e o formato da Copa do Nordeste em 1998. Para a nova temporada, o sistema puramente de mata-mata deu lugar a uma fase de grupos: as 16 equipes participantes foram distribuídas em quatro chaves de quatro clubes, classificando os dois melhores de cada agrupamento para a etapa seguinte.

Enquanto diversos postulantes tradicionais ostentavam o status de favoritos, a taça acabou nas mãos de um azarão de respeito. Integrante da Série A do Campeonato Brasileiro à época, o América de Natal iniciou sua caminhada de forma discreta, cresceu no momento decisivo da segunda fase e arrancou de maneira avassaladora rumo ao título.

Na etapa inicial, o Dragão ficou no Grupo C ao lado de Botafogo-PB, Fluminense de Feira e Náutico. A estreia deu-se com vitória por 1 a 0 sobre os pernambucanos nos Aflitos, em Recife. Na sequência, o Alvirrubro arrancou um empate por 1 a 1 contra os baianos em Feira de Santana e superou os paraibanos por 3 a 2 no Machadão, em Natal. Contudo, derrotas seguidas, por 1 a 0 para o Fluminense em Natal e por 3 a 1 para o Botafogo em João Pessoa, colocaram em risco a continuidade potiguar.

Ocupando a terceira posição da chave antes da última rodada, o América precisava vencer o Náutico e torcer por um tropeço do Fluminense de Feira. A combinação perfeita aconteceu: o Mecão atropelou a equipe pernambucana por 5 a 0 no Machadão e viu o clube baiano ser derrotado em Feira de Santana. Com o desfecho favorável, o time potiguar avançou na vice-liderança do grupo, somando dez pontos.

Na segunda fase, formada por dois quadrangulares que definiam os finalistas, o Dragão enfrentou Santa Cruz, Ceará e o rival ABC. Foi o momento em que a equipe engrenou de forma avassaladora. No primeiro turno, o América impôs vitórias marcantes dentro do Machadão: 4 a 0 no clássico contra o ABC, 3 a 0 no Santa Cruz e 2 a 0 no Ceará. No returno, manteve o ritmo intenso ao vencer os cearenses por 2 a 1 no Castelão e novamente o ABC por 2 a 1. Já com a vaga garantida na decisão, o time poupou forças e perdeu por 3 a 1 para o Santa Cruz no Arruda.

Com 15 pontos acumulados no quadrangular, dois a mais que o Vitória, líder da outra chave em cima de Bahia, Botafogo-PB e Fortaleza, o América conquistou o direito de fazer o segundo e decisivo confronto em casa. A primeira partida da final ocorreu no Barradão, em Salvador. O Alvirrubro suportou a pressão baiana durante quase toda a partida, mas sofreu a derrota por 2 a 1 aos 45 minutos da etapa final. No reencontro, no Machadão Biro-Biro e Paulinho Kobayashi já haviam balançado as redes em cinco minutos de jogo, revertendo a vantagem do Vitória. Na etapa complementar, o cenário virou um drama quando os visitantes descontaram o placar. A alívio veio a 11 minutos do apito final, quando Carioca converteu um pênalti. A vitória por 3 a 1 consagrou o título do América-RN.

A campanha do América-RN:
14 jogos | 9 vitórias | 1 empate | 4 derrotas | 29 gols marcados | 15 gols sofridos


Foto Arquivo/América-RN

Avaí Campeão Brasileiro Série C 1998

O cenário da Série C do Campeonato Brasileiro mudou novamente para 1998. A competição ganhou um participante a mais, totalizando 65 equipes, e adotou um regulamento diferente, com menos grupos na fase inicial. Foram estruturadas 11 chaves: dez compostas por seis times e uma por cinco integrantes. Aquela foi a última edição da história a permitir inscrições livres por parte das federações. Foi também o ano em que, pela primeira vez, um clube da Região Sul ergueu a taça do torneio: o Avaí, que um ano antes já havia quebrado um longo jejum de títulos no Campeonato Catarinense.

O Leão da Ilha foi alocado no Grupo 11. A estreia aconteceu em Chapecó, em um empate por 2 a 2 contra a Chapecoense. Na sequência, jogando na Ressacada, o time venceu o 15 de Novembro por 3 a 1. Nos compromissos seguintes, o Avaí tropeçou diante do Pelotas na Boca do Lobo, caindo por 3 a 1, mas recuperou-se ao bater o Brasil de Pelotas por 1 a 0 e superar o Tubarão por 3 a 2, ambos em casa.

No returno, o Avaí perdeu para o Tubarão fora de casa por 2 a 1. Depois, goleou o Pelotas por 4 a 1 na Ressacada, perdeu por 2 a 0 para o Brasil de Pelotas no Bento Freitas, bateu o 15 de Novembro por 1 a 0 em Campo Bom e fechou a fase aplicando 6 a 0 sobre a Chapecoense em Florianópolis. Ao término da primeira etapa, o Leão da Ilha garantiu a classificação na liderança do grupo, com 19 pontos.

No mata-mata da segunda fase, o adversário foi o Caxias. O Avaí perdeu o jogo de ida por 3 a 2 no Estádio Centenário, mas impôs sua força na volta com um 2 a 0 na Ressacada para avançar mais um degrau. Nas oitavas de final, cruzou o caminho do Santo André: abriu uma enorme vantagem de 4 a 0 jogando em casa e empatou em 1 a 1 em solo paulista. As quartas de final foram decididas contra o Rio Branco-SP, e o Leão venceu por 2 a 0 em Florianópolis e empatou em 1 a 1 em Americana.

Toda essa trajetória culminou no quadrangular final, contra Anapolina, Itabaiana e São Caetano. Na estreia, na na Ressacada, vitória avaiana por 2 a 1 sobre o São Caetano. Na sequência, o time viajou até Goiás e empatou em 3 a 3 com a Anapolina. Na virada do turno, o Avaí empatou por 1 a 1 com o Itabaiana em Florianópolis, mas se recuperou no returno ao bater os sergipanos por 2 a 1 em Sergipe. Na rodada seguinte, um empate por 0 a 0 contra a Anapolina, em casa, garantiu o acesso à Série B.

Para soltar o grito de campeão na última rodada, o Avaí precisava vencer ou empatar com o São Caetano. Havia ainda uma terceira via: o time catarinense poderia até perder, desde que o Itabaiana não vencesse a Anapolina no outro confronto. Foi justamente a terceira combinação que se concretizou. No Anacleto Campanella, o Avaí acabou superado pelo São Caetano por 1 a 0, placar que deu o acesso e o vice-campeonato aos paulistas. Em Goiânia, a Anapolina fez 5 a 0 no Itabaiana. Graças ao saldo de gols e à combinação de resultados, a taça viajou para Santa Catarina.

A campanha do Avaí:
22 jogos | 10 vitórias | 7 empates | 5 derrotas | 43 gols marcados | 28 gols sofridos


Foto Reinaldo Marques/Placar

Gama Campeão Brasileiro Série B 1998

A Série B de 1998 permanece como uma das edições mais emblemáticas da história do futebol brasileiro. Naquele ano, a competição contou com o Fluminense, o quarto integrante do grupo dos 12 grandes a pisar na segunda divisão. Contudo, o clube carioca tornou-se o primeiro gigante a fracassar completamente no torneio: em meio a 24 participantes, o clube terminou na 19ª posição geral, foi vice-lanterna de sua chave e acabou rebaixado para a Série C, batendo no fundo do poço de sua história.

Longe do drama carioca, na capital federal, o Gama fazia o caminho inverso. Antes de a bola rolar, o regulamento da competição sofreu novas alterações: os participantes ficaram em quatro grupos e o número de rebaixados subiu para seis, sendo eles os quatro lanternas e os dois piores quintos colocados.

Na primeira fase, o Gama integrou o Grupo C, mas não teve um início avassalador. O time conquistou a última vaga de classificação, na quarta posição, somando 13 pontos em dez jogos, com quatro vitórias, um empate e cinco derrotas. O alviverde carimbou a vaga superando o Bahia apenas no saldo de gols, terminando a etapa inicial 11 pontos atrás do líder XV de Piracicaba.

A partir das oitavas de final, contra o Remo, a competição ganhou contornos de superação para os candangos. No jogo de ida, no Bezerrão, vitória gamense por 1 a 0. Na volta, no Mangueirão, goleada maiúscula por 4 a 1 eliminou a necessidade de um terceiro jogo e classificou o time do Distrito Federal.

Na terceira fase, os oito sobreviventes foram divididos em dois grupos de quatro. O Gama enfrentou Criciúma, Desportiva e XV de Piracicaba. Em um grupo extremamente equilibrado, o alviverde garantiu a liderança com dez pontos, obtidos em três vitórias, um empate e duas derrotas.

Gama, Desportiva, Botafogo-SP e Londrina alcançaram o quadrangular final. Nessa fase decisiva, o time do Distrito Federal não soube o que era perder. A caminhada começou com um empate sem gols contra os paranaenses no Estádio do Café, seguido por um 2 a 2 com a Desportiva, em Brasília. A primeira vitória veio em Ribeirão Preto, por 2 a 1 sobre o Botafogo-SP. Na sequência, mais dois empates mantiveram a equipe na briga: 1 a 1 com os paulistas em casa e 2 a 2 com os capixabas fora.

Com a tabela embolada, tudo ficou para a última rodada, e o Gama dependia apenas de suas próprias forças. No Mané Garrincha, o time recebeu o Londrina. Com uma atuação impecável, o Gama aplicou um 3 a 0 e conquistou o título inédito da Série B e o acesso à elite de 1999 ao lado do vice Botafogo-SP.

A campanha do Gama:
24 jogos | 11 vitórias | 6 empates | 7 derrotas | 33 gols marcados | 24 gols sofridos


Foto Nonato Borges/Placar

Corinthians Campeão Brasileiro 1998

O Campeonato Brasileiro de 1998 testemunhou o nascimento de uma hegemonia histórica. Com um elenco que reunia nomes como Gamarra, Rincón, Vampeta, Marcelinho Carioca e Edilson, o Corinthians, comandado por Vanderlei Luxemburgo, dominou a competição de ponta a ponta e levou o segundo título.

O torneio voltou a ter 24 participantes, e o regulamento resgatou o formato de tabela única seguido por mata-mata, mas com uma novidade: as fases eliminatórias passariam a ser decididas em uma série melhor de três jogos, premiando a equipe de melhor campanha com a vantagem do empate em pontos ou saldo de gols.

A fase classificatória foi um duelo particular entre os gigantes de São Paulo. O Corinthians disputou a liderança ponto a ponto com o Palmeiras, levando a melhor ao final das 23 partidas. O Timão somou 46 pontos, com 14 vitórias, quatro empates e cinco derrotas, apenas um ponto à frente do rival. Além dos dois, avançaram Coritiba, Santos, Sport, Portuguesa, Cruzeiro e Grêmio.

O sistema de três jogos testou o fôlego e o favoritismo do Corinthians em confrontos dramáticos no mata-mata. Nas quartas de Final, contra o Grêmio, o Timão venceu no Olímpico por 1 a 0, mas foi surpreendido no Pacaembu e perdeu por 2 a 0. Como o saldo de gols não era cumulativo entre as partidas, foi necessário o terceiro jogo, onde o Corinthians venceu por 1 a 0 e avançou.

Na semifinal, no clássico contra o Santos, a tensão foi ao limite. Após perder na Vila Belmiro por 2 a 1 e vencer no Pacaembu por 2 a 0, o Corinthians garantiu a vaga na final com um empate em 1 a 1 no terceiro jogo, valendo-se da vantagem do regulamento.

A decisão colocou frente a frente o Corinthians e o Cruzeiro, que superou Palmeiras e Portuguesa. No primeiro jogo, no Mineirão, o alvinegro mostrou poder de reação e buscou um empate fundamental em 2 a 2. Na segunda partida, no Morumbi, novo equilíbrio e novo empate, desta vez por 1 a 1, confirmando a necessidade da partida de desempate.

No terceiro ato, sob uma chuva torrencial em São Paulo, o Corinthians decidiu não se escorar na vantagem do empate. No segundo tempo, o Edilson e Marcelinho Carioca balançaram as redes, selando a vitória por 2 a 0 e consagrando o Corinthians como bicampeão brasileiro, dando início a um período de glórias que culminaria no topo do mundo pouco tempo depois.

A campanha do Corinthians:
32 jogos | 18 vitórias | 7 empates | 7 derrotas | 57 gols marcados | 38 gols sofridos


Foto Alexandre Battibugli/Placar

Palmeiras Campeão da Copa do Brasil 1998

A Copa do Brasil completou dez edições em 1998 com uma novidade impactante: o retorno da Rede Globo às transmissões, nove anos após a emissora preterir o torneio. Em um primeiro momento, os direitos foram divididos com o SBT, mas, a partir de 1999, a emissora carioca assumiria o protagonismo (com outros canais sublicenciados).

Dentro de campo, 42 clubes participaram da competição, que manteve o formato de fases preliminares. O título ficou com um campeão inédito: o Palmeiras. Dois anos após o trauma do vice-campeonato em casa para o Cruzeiro, o Verdão conseguiu sua revanche da melhor maneira possível. No comando técnico estava Luiz Felipe Scolari, que àquela altura já se consolidava como o maior especialista na história do torneio.

A campanha alviverde começou na fase preliminar diante do CSA, eliminado com vitórias por 1 a 0 em Maceió e 3 a 0 no Palestra Itália. Na primeira fase, o oponente foi o Ceará. Após um empate por 1 a 1 no Castelão, o Palmeiras aplicou uma goleada irretocável por 6 a 0 no jogo de volta, em São Paulo.

Nas oitavas de final, o desafio foi o Botafogo, em dois confrontos equilibrados. Na ida, no Maracanã, o Palmeiras foi derrotado por 2 a 1. Na volta, precisando do resultado, o time paulista venceu pelo placar mínimo: o 1 a 0 garantiu a classificação graças ao critério do gol marcado como visitante.

Nas quartas, o Palmeiras superou o Sport com uma vitória por 2 a 0 em plena Ilha do Retiro e um empate por 1 a 1 em casa. Na semifinal, o adversário foi o Santos. O Verdão conquistou a vaga de maneira suada, com dois empates: 1 a 1 no Palestra Itália e 2 a 2 na Vila Belmiro. Mais uma vez, o regulamento do gol qualificado salvou a pátria verde.

De volta à final, o Palmeiras reencontrou seu algoz de 1996, o Cruzeiro, que chegava à decisão após eliminar Amapá, Corinthians, Vitória e Vasco. O primeiro jogo, no Mineirão, terminou com derrota alviverde por 1 a 0. A decisão ocorreu no Morumbi, escolhido para comportar um público maior que o Palestra Itália. Logo aos 12 minutos, Paulo Nunes abriu o placar e igualou o confronto no agregado. Quando a disputa parecia caminhar para os pênaltis, aos 44 minutos do segundo tempo, Oséas aproveitou o rebote de uma falta cobrada por Zinho e, quase sem ângulo, estufou as redes para fazer 2 a 0, consagrando a primeira Copa do Brasil do Palmeiras.

A campanha do Palmeiras:
12 jogos | 6 vitórias | 4 empates | 2 derrotas | 21 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Djalma Vassão/Gazeta Press