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Uruguai Campeão da Copa do Mundo 1950

Após um hiato de 12 anos provocado pela Segunda Guerra Mundial, que engoliu toda a década de 1940, a Copa do Mundo finalmente voltou a ser realizada em 1950. O Brasil, que já havia se postulado como candidato para a edição cancelada de 1942, foi o único país a manter a proposta de sediar o torneio no pós-guerra. A FIFA, ansiosa pelo retorno, cogitou antecipar o evento para 1949, mas recuou diante da necessidade de tempo para que a imensa infraestrutura brasileira, incluindo a construção do maior estádio do mundo, ficasse pronta, deixando o cronograma para 1950.

Mas o planeta ainda estava em escombros e os desdobramentos geopolíticos esvaziaram a competição. Muitas nações europeias e asiáticas, fragilizadas economicamente, sequer se inscreveram nas Eliminatórias. Além disso, as seleções da Alemanha e do Japão foram suspensas pela FIFA devido à participação de seus países na guerra, enquanto os países do bloco soviético recusaram-se a participar. A organização do torneio virou um quebra-cabeça: inicialmente, 16 seleções garantiram vaga, mas Turquia, Escócia e Índia desistiram de última hora. A FIFA tentou convidar Portugal, França e Irlanda como substitutos, mas todos declinaram devido aos custos e à logística.

O torneio acabou ocorrendo com apenas 13 seleções, com quatro chaves desconfiguradas. O Grupo D, por exemplo, transformou-se em um duelo único entre Uruguai e Bolívia. Longe de ser apenas um time esforçado que vivia de nostalgia, La Celeste contava com uma geração de boa técnica, liderada pelo capitão Obdulio Varela e pelo meia Juan Schiaffino. Em sua única partida na primeira fase, disputada no Estádio Independência, em Belo Horizonte, o Uruguai massacrou os bolivianos por 8 a 0. Com essa vitória, os uruguaios somaram dois pontos e avançaram para o quadrangular final. Das outros grupos, avançaram Brasil, Espanha e Suécia.

A verdadeira Copa do Mundo para os uruguaios começou nessa fase decisiva, disputada em pontos corridos. Na estreia, sofreram para buscar um empate por 2 a 2 contra a Espanha, em São Paulo. Na segunda rodada, arrancaram uma virada heroica por 3 a 2 contra a Suécia no Pacaembu. Enquanto La Celeste avançava de forma sofrida, o Brasil aplicou goleadas por 7 a 1 nos suecos e por 6 a 1 nos espanhóis. A seleção brasileira era a absoluta favorita e o clima no país já era de "já ganhou".

O palco do ato final foi o recém-inaugurado Estádio Municipal do Rio de Janeiro, o futuro Maracanã. Na última rodada do quadrangular, apenas Brasil e Uruguai tinham chances de título, e os donos da casa jogavam pelo empate. Diante de 200 mil torcedores, a seleção uruguaia manteve o sangue frio. Sob o comando ríspido e motivador de Varela, o Uruguai suportou o bombardeio inicial e não desmoronou nem mesmo quando o Brasil abriu o placar no primeiro minuto do segundo tempo.

Aos 21 minutos, Alcides Ghiggia cruzou pela direita e Schiaffino apareceu na área para empatar o jogo. Mesmo com o resultado ainda a favor, o Brasil ficou nervoso e cometeu o erro de se abrir em busca de um gol que trouxesse tranquilidade. Aos 34 minutos, o lance que mudaria para sempre a história do futebol se repetiu: Ghiggia avançou pela ponta direita, mas, em vez de cruzar como no primeiro gol, percebeu o goleiro Barbosa dar um passo à frente e soltou um chute rasteiro no canto esquerdo. O gol silenciou a torcida e o placar de 2 a 1 sacramentou o Maracanazo. Sem cerimônias oficiais no gramado, Obdulio Varela recebeu a taça e o Uruguai conquistou seu histórico bicampeonato mundial.

A campanha do Uruguai:
4 jogos | 3 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 15 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Keystone/Getty Images

Corinthians Campeão do Torneio Rio-São Paulo 1950

O primeiro Torneio Rio-São Paulo, em 1933, foi bem-sucedido. Tanto que houve uma tentativa se de fazer uma nova edição em 1934. Mais curta que a de antes, ela teria uma primeira fase com um grupo paulista e outro carioca, e um hexagonal final com as três melhores equipes de cada lado. Mas a competição acabou cancelada após a debandada de alguns clubes da FBF, como Palestra Itália, Corinthians e Vasco, que voltaram à CBD após esta admitir o profissionalismo do futebol.
Uma novo projeto para o certame foi executado em 1940, desta vez pela CBD, que na época já tinha absorvido praticamente toda a FBF. Durou oito rodadas, quando os times paulistas abandonaram a competição. No momento da paralisação, Flamengo e Fluminense eram os líderes e ambos se intitularam campeões, porém os resultados jamais foram homologados.
Em 1942, houve mais uma tentativa de um torneio entre paulistas e cariocas, a Quinela de Ouro. Disputada inteiramente no Pacaembu, teve cinco participantes num pentagonal de turno único e acabou com o Corinthians vencedor. Mas também não houve a oficialização como Rio-SP.
Somente em 1950 que o Torneio Rio-São Paulo voltaria a vingar. Desta vez por meio das mãos da Federação Metropolitana (atual FERJ) e da Federação Paulista de Futebol, que uniram as forças.

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Foram quase 17 anos de intervalo entre a primeira e a segunda edição do Torneio Rio-São Paulo. Entre dezembro de 1949 e fevereiro de 1950 teve início a nova disputa, repaginada, com oito clubes que se enfrentaram em turno único. O tiro curto do campeonato ficou caracterizado como uma transição de uma temporada para outra.
Era a oportunidade perfeita para que algum clube pudesse conquistar um título rápido ou quebrar algum jejum. Como o Corinthians, que passou quase toda a década de 1940 sem levantar taças. Os últimos títulos foram o Paulistão de 1941 e a Quinela de Ouro de 1942. No estadual de 1949, a equipe foi apenas a quinta colocada. Mas a campanha do Timão começou ruim, com uma goleada por 6 a 2 sofrida para o Flamengo.
Para compensar, o Corinthians emendou cinco vitórias consecutivas: 4 a 1 sobre o São Paulo, 3 a 2 sobre o Palmeiras (desde 1942 o novo nome do Palestra Itália), 2 a 1 sobre o Vasco, 3 a 1 sobre o Fluminense e 5 a 3 sobre a Portuguesa. Assim, a equipe chegou para a última partida na liderança com dez pontos, empatada com o Vasco. Todavia o time vascaíno já havia feito todos os sete jogos.
Para que o Timão fosse campeão, bastava um empate contra o Botafogo, que àquela altura não brigava por mais nada. E diante de 45 mil torcedores no Pacaembu, o Corinthians conseguiu o ponto que faltava. Com o 1 a 1 no placar, o alvinegro paulista chegou aos 11 pontos e conquistou seu primeiro de cinco títulos no Torneio Rio São-Paulo.
A conquista corinthiana só foi possível por meio à base de esforço dos jogadores. O principal deles, o atacante Baltazar. Com nove gols, o Cabecinha de Ouro foi o artilheiro do campeonato. Na decisão contra o Botafogo, o gol do título foi marcado pelo atacante Noronha.

A campanha do Corinthians:
7 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 20 gols marcados | 15 gols sofridos


Foto Arquivo/Corinthians