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Cruzeiro Campeão da Copa Centro-Oeste 1999

Os campeonatos regionais apresentavam um crescimento sólido no fim dos anos 1990, mas nem todas as regiões foram contempladas de imediato. Foi apenas em 1999 que o Sul e o Centro-Oeste ganharam suas competições, juntando-se ao Norte e ao Nordeste. O Sudeste também possuía seu torneio, mas este se restringia aos grande do Rio de Janeiro e São Paulo. Minas Gerais e Espírito Santo, além do Tocantins (que também ficara de fora da Copa Norte), acabaram incorporados à Copa Centro-Oeste, que voltava a ser disputada após 15 anos. Antes disso, houve três edições extraoficiais: em 1976, vencida pelo Mixto, em 1981, conquistada pelo Gama, e em 1984, ganha pelo Guará.

A Copa Centro-Oeste em 1999, ao lado dos demais regionais, foi uma tentativa da CBF de fortalecer o calendário do primeiro semestre dos grandes clubes brasileiros sem desagradar as federações estaduais, que ganhariam mais um critério de qualificação. Sete estados marcaram presença na estreia, somando dez participantes. Minas Gerais entrou com quatro representantes. Espírito Santo e Tocantins, os outros convidados, enviaram um time cada, assim como os quatro estados nativos da região.

Na primeira fase, as equipes foram divididas em três grupos: um quadrangular composto pelos mineiros e dois triangulares com os demais clubes. O favoritismo recaiu sobre Cruzeiro e Atlético-MG, que acabariam se enfrentando antes da decisão, assim como Vila Nova e Gama, sorteados em outra chave. 

O roteiro se confirmou: no Grupo C, Cruzeiro e Atlético-MG somaram dez pontos cada e garantiram as vagas na semifinal contra América-MG e Villa Nova. No Grupo B, o Vila Nova goiano superou o Gama para encarar o Operário-MT, líder Grupo A. Apesar de ter sido vice-líder na fase inicial, a Raposa levou a melhor nos clássicos contra o rival: venceu por 3 a 2 e 3 a 0. A consagração veio na partida única da semifinal, com uma goleada impiedosa por 5 a 1.

Embalada, a Raposa encarou o Vila Nova na final. O jogo de ida, no Mineirão, terminou com vitória azul por 3 a 0. Na volta, no Serra Dourada, os goianos venceram por 2 a 1 e forçaram uma terceira partida, já que o saldo de gols não era critério de desempate nos dois primeiros jogos. O duelo decisivo, também em Goiânia, terminou em 0 a 0, garantindo o título ao Cruzeiro.

Originalmente, a Copa Centro-Oeste oferecia ao campeão uma vaga na Copa Conmebol. No entanto, como o Cruzeiro já disputava a Copa Mercosul no mesmo período, a vaga foi herdada pelo vice-campeão Vila Nova, que acabou eliminado pelo CSA nas oitavas de final.

A campanha do Cruzeiro:
10 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 3 derrotas | 21 gols marcados | 12 gols sofridos


Foto Eugênio Sávio/Placar

São Raimundo-AM Campeão da Copa Norte 1999

Em 1999, a Copa Norte chegava à sua terceira edição consolidando o formato de mata-mata. O torneio, que já se tornara o objeto de desejo dos grandes clubes da região, apresentou uma leve mudança: uma fase preliminar entre três forças do Pará (Remo, Paysandu e Tuna Luso) para definir quem avançaria ao quadro principal. Ao todo, dez clubes iniciaram a disputa, todos de olho na última vaga da história para a Copa Conmebol.

Embora o Paysandu tenha vencido o triangular paraense na preliminar, a hegemonia que estava prestes a nascer não vinha de Belém, mas sim de Manaus. O São Raimundo, que bateu na trave com o vice-campeonato no ano anterior, entrou no torneio determinado a não deixar o título escapar novamente.

O Tufão da Colina iniciou sua campanha nas quartas de final contra o Baré. Foi um início tenso e equilibrado, com empate sem gols na capital amazonense e um novo empate em 1 a 1 em Boa Vista. A vaga só foi decidida nos pênaltis, com o São Raimundo vencendo por 5 a 4.

Na semifinal, porém, o time mostrou sua verdadeira força contra o Cruzeiro-RO. O jogo de ida, no Estádio da Colina, foi um verdadeiro massacre de 8 a 0 para os donos da casa, resultado que praticamente liquidou a fatura. No jogo de volta, em Rondônia, o São Raimundo apenas confirmou a superioridade com uma vitória por 2 a 1, avançando para a grande final.

O destino reservou um reencontro na decisão: a revanche contra o então campeão, o Sampaio Corrêa, que eliminou Paysandu e Flamengo-PI. O roteiro foi simétrico ao de 1998, mas com os papéis invertidos. Na ida, no Castelão, em São Luís, o São Raimundo surpreendeu e venceu por 1 a 0.

Na volta, um Vivaldão lotado em Manaus viu o time maranhense devolver o placar, vencendo por 2 a 1 e forçando, mais uma vez, a decisão por pênaltis. Desta vez, o trauma de 1998 ficou para trás. Com o pé calibrado e o apoio da torcida, o Tufão venceu por 3 a 1. Era o início de uma dinastia: a primeira de três taças consecutivas da Copa Norte que o clube conquistaria.

Assim como seus antecessores, o São Raimundo não foi à Copa Conmebol apenas a passeio. O clube amazonense honrou o futebol brasileiro ao eliminar o Atlético Huila, da Colômbia, nas oitavas e o Sport Boys, do Peru, nas quartas de final. A histórica caminhada só foi interrompida na semifinal, em um duelo brasileiro (e insólito) contra o CSA.

A campanha do São Raimundo-AM:
6 jogos | 3 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 13 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto João Pinduca Rodrigues/Placar

Espanha Campeã do Mundial Sub-20 1999

A Nigéria conseguiu receber o Mundial Sub-20 em 1999. O país havia sido escolhido como sede em 1991, mas perdeu o direito após uma punição da FIFA por fraudes na idade de jogadores. Em 1995, voltou a ser nomeado, mas desistiu devido a um surto de meningite. Depois de duas tentativas frustradas, os nigerianos conseguiram finalmente organizar a competição.

O regulamento manteve o modelo ampliado a partir da edição anterior: 24 seleções divididas em seis grupos de quatro equipes, com classificação dos dois melhores de cada chave e também dos quatro melhores terceiros colocados. A fase eliminatória, portanto, começava já nas oitavas de final.

A Espanha conquistou seu primeiro título mundial sub-20 naquele ano. Foi a primeira vez em oito anos que uma seleção europeia levantava a taça, desde Portugal em 1991. O elenco espanhol contava com Xavi Hernández como principal referência, além de mais dois nomes que fariam parte da conquista da Copa do Mundo de 2010: Carlos Marchena e Iker Casillas, então goleiro reserva.

Na primeira fase, La Roja integrou o Grupo F e estreou com vitória por 2 a 0 sobre o Brasil. Na sequência, a equipe empatou sem gols com Zâmbia e venceu Honduras por 3 a 1, terminando na liderança da chave com sete pontos.

Nas oitavas de final, a Espanha superou os Estados Unidos por 3 a 2 em um jogo equilibrado. Nas quartas, empatou em 1 a 1 com Gana e avançou nos pênaltis por 8 a 7. Na semifinal, venceu Mali por 3 a 1, garantindo a vaga na decisão. O adversário foi o Japão, que deixou pelo caminho Inglaterra, Portugal, México e Uruguai.

A final contra o Japão foi disputada no Estádio Nacional de Lagos. Na melhor apresentação em toda a competição, a Espanha selou a conquista inédita ao golear por 4 a 0. Os gols foram marcados por José Barkero logo aos cinco minutos do primeiro tempo, Pablo Couñago duas vezes também na etapa inicial, aos 14 e 30, e Gabri, aos seis minutos do segundo tempo.

A campanha da Espanha:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 16 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Arquivo/RFEF

Brasil Campeão da Copa América 1999

Em uma confederação com somente dez países, sempre foi mais complicado de organizar competições entre seleções, mas a Copa América nunca chegou a subverter tanto a geografia como faria em 1999. Sediada no Paraguai, a competição teve pela terceira vez o México como convidado, o que já era normal, pois até na Libertadores isso já acontecia.

O problema ficou no outro convite, que não foi nem Estados Unidos ou Costa Rica, mas para o Japão. Diretamente da Ásia para a América do Sul, o movimento foi parte de um acordo que envolveu a Toyota, patrocinadora master da Libertadores desde 1998. Mas os japoneses empataram um jogo, perderam dois e se despediram ainda na fase de grupos.

A disputa pelo título ficou concentrada nas seleções de sempre. Com uma equipe renovada e disposta a esquecer rápido o vice na Copa do Mundo de 1998, o Brasil entrou louco para levar o hexa e manter a hegemonia em seu quintal. A Canarinho ficou no grupo B da primeira fase, contra Venezuela, México e Chile. Na estreia já veio o primeiro furacão, na goleada por 7 a 0 sobre os venezuelanos, lembrada até hoje pelo golaço do garoto Ronaldinho, de 19 anos. Na sequência, vitórias por 2 a 1 sobre os mexicanos e por 1 a 0 sobre o chilenos garantiram a liderança do grupo B, com nove pontos.

O adversário nas quartas de final foi a Argentina, que na fase de grupos perdido por 3 a 0 para a Colômbia e viu seu atacante Martín Palermo perder três pênaltis na mesma partida. A vitória no clássico aconteceu por 2 a 1, de virada. Os gols da classificação foram feitos por Rivaldo e Ronaldo. Na semifinal, houve o reencontro com o México e outra vitória, desta vez por 2 a 0. Os gols foram anotados por Amoroso e Rivaldo.

Chegada a final, o Brasil enfrentou o Uruguai, repetindo o confronto pela quarta vez nas últimas oito edições. Os uruguaios chegaram lá ao eliminar Equador, Paraguai e Chile. O palco da disputa foi o Defensores del Chaco, em Assunção. Mas, se em 1983, 1989 e 1995 os placares foram apertados, em 1999 os brasileiros trataram de deixar as coisas mais fáceis.

Com 20 minutos de primeiro tempo, Rivaldo abriu o placar para o Brasil. Aos 27, outra vez Rivaldo mandou a bola no fundo da rede. E no primeiro minuto do segundo tempo, Ronaldo fez 3 a 0 e fechou o resultado da decisão. Pela sexta vez, Brasil conquistou o título da Copa América. E pela primeira vez, emendou duas conquistas consecutivas.

A campanha do Brasil:
6 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 17 gols marcados | 2 gols sofridos 


Foto Arquivo/Gazeta Press

Lazio Campeão da Recopa Europeia 1999

O fim de uma era. A Recopa Europeia de 1999 foi a última realizada pela UEFA. Ao mesmo tempo, a Liga dos Campeões seguia seu processo de expansão para além dos campeões nacionais, o que aí incluía muitos ganhadores de copas que eram vices nas ligas. Com cada vez menos vencedores na disputa, a competição perdia o sentido. A partir de 2000, a Copa da UEFA (hoje Liga Europa) abrigaria os campeões das taças nacionais.

Porém, quis o destino que o último campeão fosse também um vencedor de copa. Ganhadora da Copa da Itália de 1998, a Lazio ficou invicta em uma competição com 49 participantes ao todo. Na primeira fase, os "biancocelesti" (brancos e celestes) passaram apertado pelo Lausanne-Sport, com empates por 1 a 1 no Olímpico de Roma e por 2 a 2 na Suíça, garantindo a classificação pela regra do gol fora de casa.

Nas oitavas de final, a Lazio enfrentou o Partizan, precisando mais uma vez correr dobrado. Na ida, os italianos apenas empataram sem gols em casa. A volta aconteceu em Belgrado, e a classificação veio com vitória por 3 a 2, de virada, com dois gols de Marcelo Salas e um de Dejan Stankovic.

A situação foi mais tranquila nas quartas de final, contra o Panionios, da Grécia. Na primeira partida, goleada por 4 a 0 fora de casa. No segundo jogo, vitória por 3 a 0 no Olímpico, com gols de Stankovic e Pavel Nedved e Iván De La Peña.

Na semifinal, a Lazio teve pela frente o Lokomotiv Moscou. A ida foi realizada na capital da Rússia, e terminou empatada por 1 a 1, com Alen Boksic salvando "Le Aquile" (a águia) da derrota a 13 minutos do fim. A volta foi na capital da Itália, mas os biancocelesti não conseguiram furar a defesa russa. Tampouco os russos o fizeram, e o empate por 0 a 0 colocou a Lazio na decisão pelo gol fora de casa.

A final da última Recopa foi entre Lazio e Mallorca, que superou Heart of Midlothian, Genk, Varazdin e Chelsea. O local escolhido para a partida foi o Villa Park, em Birmingham, na Inglaterra. Christian Vieri abriu o placar aos sete minutos do primeiro tempo, mas os espanhóis empataram logo depois. O gol do título só viria aos 36 do segundo tempo, quando Nedved fez 2 a 1 e encerrou de vez a história.

A campanha da Lazio:
9 jogos | 4 vitórias | 5 empates | 0 derrotas | 16 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Richard Sellers/Allstar Picture

Flamengo Campeão da Copa Mercosul 1999

Sucesso no ano de estreia, a Conmebol apostou mais uma vez na Copa Mercosul e repetiu a fórmula para 1999, convidando os clubes do continente com maior audiência e torcida ao redor do Trópico de Capricórnio. Um dos participantes foi o Flamengo, que não fez boa campanha no ano anterior e saiu na fase de grupos. Desta vez, a equipe entrou disposta a fazer diferente e chegou ao título.

Na primeira fase, o Fla ficou no grupo E, com Olimpia, Colo-Colo e Universidad de Chile. A campanha começou com vitória por 2 a 1 no Olimpia em casa e goleada por 4 a 0 no Colo-Colo fora. Depois, o rubro-negro perdeu por 2 a 0 para a Católica em Santiago, e por 3 a 1 para os paraguaios em Assunção. Nos últimos dois jogos contra os chilenos no Maracanã, empate por 2 a 2 com o Colo-Colo e goleada por 7 a 0 na Católica deixou o Flamengo com dez pontos, classificado na vice-liderança.

Nas quartas de final, dois confrontos contra o Independiente. Na ida, empate por 1 a 1 em Avellaneda. Na volta, mais uma goleada por 4 a 0 no Maracanã deu a classificação ao Fla. Curiosidade: um dos gols da partida foi marcado por Romário, que logo depois deixou o clube rumo ao rival Vasco. Mesmo assim, ele ainda seria o artilheiro da competição, com oito gols.

A semifinal do Flamengo foi contra o Peñarol. Depois de vencer por 3 a 0 no Rio de Janeiro, o rubro-negro enfrentou uma pequena guerra em Montevidéu. Os uruguaios bateram muito, ainda mais após sofrer os gols de Athirson e Reinaldo. No fim, o Fla perdeu por 3 a 2, mas passou à decisão.

A final foi contra o Palmeiras, que bateu River Plate, Racing, Cruzeiro e San Lorenzo. A ida foi no Maracanã, com emoção. Os cariocas largaram na frente, sofreram a virada, empataram, ficaram atrás no placar de novo e viraram para 4 a 3 no fim das contas. A volta foi no Palestra Itália, igualmente com drama. Os paulistas abriram o placar, o Fla virou o jogo no segundo tempo com Caio e Rodrigo Mendes e sofreu outra virada em seguida. Até que apareceu o reserva Lê, que empatou por 3 a 3 a sete minutos do fim e garantiu o título inédito para o Flamengo sem precisar do terceiro jogo.

A campanha do Flamengo:
12 jogos | 6 vitórias | 3 empates | 3 derrotas | 33 gols marcados | 18 gols sofridos


Foto Alexandre Battibugli/Placar

Estados Unidos Campeão da Copa do Mundo Feminina 1999

A Copa do Mundo Feminina partiu para a sua grande casa em 1999. A terceira edição foi sediada nos Estados Unidos, que recebeu esse direito por aclamação. Austrália e Chile chegaram a manifestar um desejo de entrar na eleição, mas retiraram-se logo depois. O Mundial contou com mais avanços. As partidas enfim passaram a ter 90 minutos de duração, e o número de participantes subiu de 12 para 16.

Primeira seleção campeã, os Estados Unidos tinham o maior favoritismo, ao lado de Noruega, Alemanha, China e Suécia. Correndo por fora, o Brasil pela primeira vez chamava a atenção das adversárias.

Mas era o próprio time estadunidense que levava os maiores holofotes, com Michelle Akers comandando o meio-campo, Mia Hamm liderando o ataque, Brandi Chastain e Carla Overbeck se garantido na defesa, e Briana Scurry fechando o gol. Todas elas integrariam a seleção da competição. No grupo A da Copa, as estadunidenses começaram fazendo 3 a 0 na Dinamarca. Nas outras duas partidas, 7 a 1 na Nigéria e 3 a 0 na Coreia do Norte garantiram a liderança, com nove pontos.

Nas quartas de final, um confronto gigante contra a Alemanha. Foi sofrido, mas os Estados Unidos venceram de virada por 3 a 2 e avançaram. A semifinal foi jogada contra o Brasil. A força caseira fez a diferença no confronto, no Stanford de San Francisco: o time estadunidense venceu por 2 a 0, gols de Cynthia Parlow e Akers.

A final da Copa do Mundo Feminina aconteceu no dia de 10 de julho, no Rose Bowl de Los Angeles. Eram mais de 90 mil torcedores no estádio, que adquiriu a sina de ser um palco que não recebe gols em decisões mundiais. Assim como ocorreu com os homens em 1994, as mulheres também não conseguiram marcar em 120 minutos. Estados Unidos e China, que chegou lá ao passar por Gana, Austrália, Rússia e Noruega, ficaram no 0 a 0 e precisaram definir nos pênaltis.

Quatro chinesas converteram suas cobranças, exceto Liu Ying, que viu sua bola ser defendida por Scurry. Todas as estadunidenses acertaram, com a lateral-esquerda Chastain marcando o 5 a 4 e entrando para a história junto com as duas dez companheiras. A capitã do bicampeonato dos Estados Unidos foi a zagueira Overbeck.

A campanha dos Estados Unidos:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 18 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto George Tiedemann/Sports Illustrated/Getty Images

Parma Campeão da Liga Europa 1999

A última Copa da UEFA do milênio passado, em 1999, foi também a última antes da fusão com a Recopa, conforme a própria entidade já preparava desde algumas temporadas antes, com 104 participantes. E o título daquele ano voltou a ficar nas mãos de um clube da Itália, o Parma. A virada da década de 1990 para a de 2000 foi também o ponto final para o domínio italiano, que nunca mais chegaria à conquista da competição.

O gialloblù tinha um elenco invejável, do goleiro (Gianluigi Buffon) ao centroavante (Hernán Crespo), passando pela zaga (Fabio Cannavaro), laterais (Lilian Thuram) e meio-campo (Juan Sebastián Verón). Não devia nada para os gigantes da Europa. A campanha do Parma teve início contra o Fenerbahçe, o qual perdeu a ida por 1 a 0 na Turquia, e venceu a volta por 3 a 1 no Ennio Tardini.

Na segunda fase, o adversário foi o Wisla Cracóvia, da Polônia. O primeiro jogo foi fora de casa, e os italianos empataram por 1 a 1. A segunda partida foi na Itália, e o Parma conseguiu mais uma classificação ao vencer por 2 a 1. Nas oitavas de final, foi a vez de passar pelo Rangers. Na ida, empate por 1 a 1 na Escócia, em Glasgow. Na volta, vitória por 3 a 1 em casa.

Na quartas, o Parma enfrentou o Bordeaux. A primeira partida foi disputada no Parc Lescure. Mal, o gialloblù acabou derrotado por 2 a 1, com Hernán Crespo salvando o gol de honra no fim. O segundo jogo, porém, foi muito diferente. No Ennio Tardini, Crespo abriu o placar aos 37 minutos do primeiro tempo. Aos 43, Enrico Chiesa fez o segundo. Aos três da etapa final, Roberto Sensini anotou o terceiro. Aos 14, Chiesa fez o quarto. Aos 21, Crespo marcou o quinto. E aos 44, Abel Balbo fez 6 a 0.

Na semifinal, os italianos jogaram contra o Atlético de Madrid. A ida foi disputada no Vicente Calderón, mas o Parma não se importou com a pressão rival. Com dois gols de Chiesa e um de Crespo, o gialloblù venceu por 3 a 1 e encaminhou a vaga na final. A volta foi no Ennio Tardini, e bastou ganhar novamente, por 2 a 1, para o clube também conhecido como "crociati" (cruzados) chegar à decisão.

A final da Copa da UEFA de 1999 foi entre Parma e Olympique Marselha, que derrubou Sigma Olomouc (República Tcheca), Werder Bremen, Monaco, Celta de Vigo e Bologna. O palco da partida foi o russo Luzhniki, em Moscou. Em campo, o equilíbrio só durou 25 minutos, quando Crespo abriu o placar. Aos 36, Paolo Vanoli fez o segundo italiano. Aos dez do segundo tempo, Chiesa fez 3 a 0 e consumou o bicampeonato do Parma.

A campanha do Parma:
11 jogos | 7 vitórias | 2 empates | 2 derrotas | 25 gols marcados | 10 gols sofridos


Foto Arquivo/Parma

Talleres Campeão da Copa Conmebol 1999

Uma despedida discreta. Foi assim que a Copa Conmebol encerrou suas atividades em 1999. O sucesso das Copas Mercosul e Merconorte eclipsou o pouco que restava do prestígio da competição criada em 1999. Além disso, a expansão da Libertadores de 23 para 32 clubes a partir do ano 2000 ajudou muito para que a entidade sul-americana tomasse tal decisão.

O fato é que as federações nacionais já não davam tanta importância assim para a Copa Conmebol. O Uruguai até indicou seus dois representantes, mas ambos desistiram. O Brasil resolveu fazer as quatro vagas via regionais: Paraná (vice da Copa Sul, entrou no lugar do Grêmio), Vila Nova (vice da Copa Centro-Oeste, pegou o vácuo do Cruzeiro), São Raimundo-AM (campeão da Copa Norte) e CSA (semifinalista da Copa do Nordeste, se aproveitou das recusas de Vitória, Bahia e Sport).

Mas o último título foi argentino, do Talleres de Córdoba. E com fortes emoções. A trajetória começou nas oitavas, contra o Independiente Petrolero. Na ida, na Bolívia, foi goleado por 4 a 1. Na volta, na Argentina, fez 3 a 0 no tempo normal e 5 a 4 nos pênaltis.

Nas quartas, o albizaul eliminou o Paraná após vencer por 1 a 0 no Estádio Mario Kempes, perder pelo mesmo placar em Curitiba, e vencer por 3 a 1 nas penalidades. Na semifinal, o adversário foi o Deportes Concepción. O primeiro jogo acabou com vitória em Córdoba por 2 a 1. A segunda partida foi no Chile, e acabou empatada por 1 a 1.

A final mais alternativa de todos os tempos foi entre Talleres e CSA. Os alagoanos eliminaram Vila Nova, Estudiantes de Mérida e São Raimundo-AM. A ida aconteceu em Maceió, no Rei Pelé. Em péssima atuação, o time argentino levou 4 a 2. Manuel Santos Aguilar e Rodrigo Astudillo salvaram a pátria hermana com os dois gols.

A volta foi disputada no Mario Kempes, em Córdoba. Aos 39 minutos do primeiro tempo, Ricardo Silva abriu o placar. Aos 30 do segundo, Darío Gigena fez o segundo. Aos 45, Julián Maidana deu o número final de 3 a 0, que rendeu o título inédito e derradeiro para o Talleres, um clube de apenas média grandeza na América do Sul.

A campanha do Talleres:
8 jogos | 4 vitórias | 1 empate | 3 derrotas | 13 gols marcados | 11 gols sofridos


Foto Arquivo/Talleres

Vasco Campeão do Torneio Rio-São Paulo 1999

Tudo igual para a disputa do Torneio Rio-São Paulo de 1999. Uma oportunidade para começar o ano com clássicos e jogos grandes era tudo que os clubes paulistas e cariocas poderiam querer na virada do milênio.
A nova edição do campeonato ficou marcada pelos placares elásticos. Entre os resultados incomuns, tivemos o Botafogo aplicando 6 a 1 no Corinthians e São Paulo e Flamengo empatando em 4 a 4, além de outros envolvendo o campeão Vasco. Um W.O. envolvendo o cruz-maltino também ficou marcado na época.
Dono de uma das melhores equipes do momento, o Gigante da Colina abriu sua campanha com goleada por 5 a 1 fora de casa sobre o Palmeiras, mas a euforia baixou com a derrota por 4 a 2 para o Fluminense no Maracanã e o empate por 0 a 0 com o Santos na Vila Belmiro. A recuperação veio com vitórias, ambas em casa, por 2 a 0 sobre o Palmeiras e por 3 a 2 sobre o Santos, o que lhe garantiu a classificação antecipada.
Foi quando houve o problema. A partida entre Vasco e Fluminense na última rodada estava marcada para o Maracanã, mas o cruz-maltino foi para São Januário. Cada federação tinha dado uma instrução diferente para os times, e um W.O. foi aprovado para o rival vascaíno. Como não havia uma orientação clara sobre o local do jogo, a decisão foi anulada em julgamento tempos depois. O não-resultado não fez falta para ninguém.
Com dez pontos, o Vasco ficou empatado com o Santos, porém na vice-liderança do grupo A devido ao saldo de gols. Na semifinal, contra o São Paulo, uma bela remontada: após perderem em casa por 3 a 2, os cariocas reverteram fazendo 3 a 1 em pleno Morumbi.
Na final, o cruz-maltino encontrou novamente o Santos. Em duas partidas tranquilas, o Vasco chegou ao tricampeonato do Torneio Rio-São Paulo vencendo ambas, por 3 a 1 no Maracanã e por 2 a 1 no Morumbi.

A campanha do Vasco:
9 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 2 derrotas | 22 gols marcados | 13 gols sofridos


Foto Alexandre Battibugli/Placar

Manchester United Campeão da Liga dos Campeões 1999

O fim dos anos 90 ficou marcado pelas quebras de longos jejuns na Liga dos Campeões da Europa. Se em 1998, o Real findou com 32 anos de fila, em 1999 foi a vez de o Manchester United colocar ponto final em 31 anos de espera. E a conquista do bicampeonato invicto não poderia ser mais agônica e dramática para o técnico Alex Ferguson e seus comandados.

Não houve alterações no regulamento de uma temporada para a outra, exceto pelo aumento de 55 para 56 participantes. Vice-campeões ingleses, os Red Devils tiveram que iniciar a trajetória na segunda fase preliminar. O adversário foi o LKS Lódz, da Polônia, o qual eliminou ao vencer por 2 a 0 no Old Trafford e empatar por 0 a 0 fora de casa.

O time passou para o grupo D, diante dos fortes Bayern de Munique e Barcelona, além do Brondby, da Dinamarca. A chave foi tão complicada, que o United não conseguiu vencer nenhum jogo contra alemães e espanhóis: foram quatro empates. Mas a classificação ainda assim veio na penúltima rodada, nos 3 a 3 sobre o Barcelona no Camp Nou. E foram as duas goleadas sobre os dinamarqueses - 6 a 2 fora e 5 a 0 em casa - que ajudaram os ingleses a buscar uma das duas vagas de melhor vice-líder, com dez pontos - um a menos que o Bayern.

Nas quartas de final, o United superou a Internazionale com vitória por 2 a 0 no Old Trafford e empate por 1 a 1 no San Siro. A semifinal foi contra o Juventus. Na ida em casa, empate por 1 a 1 obtido aos 47 minutos do segundo tempo. Na volta fora, virada por 3 a 2 após levar dois gols nos primeiros 11 minutos.

A final foi contra o mesmo Bayern de Munique da fase de grupos. Eles passaram por Kaiserslautern  e Dínamo Kiev. E a partida ocorreu no mesmo Camp Nou da classificação. O Manchester United saiu perdendo cedo, aos seis do primeiro tempo, e parecia não ter solução. A luz veio do banco de reservas, nas entradas de Teddy Sheringham e Ole Solskjaer. Aos 47 do segundo tempo, Sheringham empatou. Aos 49, Solskjaer virou para 2 a 1, num dos momentos mais épicos já registrados na Champions.

A campanha do Manchester United:
13 jogos | 6 vitórias | 7 empates | 0 derrotas | 31 gols marcados | 16 gols sofridos


Foto Popperfoto/Getty Images

México Campeão da Copa das Confederações 1999

Agora 100% sob organização da FIFA, a Copa das Confederações deixou a Arábia Saudita e percorreu o mundo. Fixada a cada dois anos, a quarta edição foi marcada para 1999, no México. Inicialmente os jogos seriam em janeiro, mas a entidade máxima do futebol postergou para julho, para não interferir no andamento da temporada europeia.

Do Velho Continente, a Alemanha enfim ocupou sua vaga de direito. Já a campeã do mundo de 1998, a França, abriu mão, deixando seu lugar para o vice Brasil. E como os brasileiros já estavam classificados pelo título da Copa América de 1997, a vice Bolívia entrou na esteira. O bonde ficou completo com Estados Unidos, Nova Zelândia, Egito e Arábia Saudita. Dois estádios sediaram as partidas: o Jalisco, em Guadalajara, e o Azteca, na Cidade do México. 

Atuando em casa, o time mexicano caminhou rumo ao seu título mais importante na história. No grupo A, El Tri começou a campanha goleando a equipe saudita por 5 a 1. Na sequência, garantiu a classificação ao empatar com os egípcios por 2 a 2 e vencer os bolivianos por 1 a 0. Com sete pontos, o México acabou líder, seguido pela Arábia Saudita, com quatro.

No grupo B, o Brasil comandou. Líder com nove pontos, o time começou colocando 4 a 0 na Alemanha, que ficou em terceiro lugar e não passou de fase. A outra vaga foi dos Estados Unidos, com seis pontos.

Dessa forma, o cruzamento da semifinal proporcionou o clássico da América do Norte. E os mexicanos venceram os estadunidenses por 1 a 0, gol de ouro de Cuauhtémoc Blanco. Na outra semi, os brasileiros aplicaram 8 a 2 nos sauditas. Na disputa do terceiro lugar, os Estados Unidos fizeram 2 a 0 na Arábia Saudita.

A decisão entre México e Brasil foi jogada no Estádio Azteca e registrou o maior número de gols entre todas as edições da história. Mesmo sem estar com a seleção principal, a Canarinho tentou engrossar. Mas a força mexicana em casa foi maior. Miguel Zepeda abriu o placar aos 13 minutos do primeiro tempo, José Abundis ampliou aos 28, Serginho e Roni empataram aos 43 e aos dois do segundo tempo, Zepeda e Blanco colocaram o México de novo na frente aos seis e aos 17, e Zé Roberto descontou para 4 a 3 aos 18. Uma vitória movimentada para um título histórico do México.

A campanha do México:
5 jogos | 4 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 13 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Martin Venegas/Mexsport

Palmeiras Campeão da Libertadores 1999

Encerrando a melhor década brasileira na Libertadores até aquele momento, em 1999, o Palmeiras exorcizou os fantasmas dos vices de 1961 e 1968 e levou sua primeira taça na competição. O time conseguiu o título na última edição que contou com 21 clubes, cinco chaves binacionais e o vencedor anterior entrando já no mata-mata.

No grupo 3 da primeira fase, o Verdão jogou contra Corinthians e os paraguaios Olimpia e Cerro Porteño. A estreia foi no Dérbi, no Morumbi, com vitória por 1 a 0. Na sequência, em Assunção, vitória por 5 a 2 sobre o Cerro e derrota por 4 a 2 para o Olimpia. No returno, 1 a 1 com o Olimpia, no Palestra Itália, derrota por 2 a 1 no segundo clássico, no Morumbi, e 2 a 1 no Cerro, também em casa. Com dez pontos, o alviverde ficou em segundo lugar, dois pontos atrás do Corinthians.

As oitavas de final foram contra o Vasco, e o atual campeão não foi páreo após 1 a 1 no Palestra e 4 a 2 em pleno São Januário. Nas quartas, mais dois clássicos com o Corinthians no Morumbi. No primeiro, o Palmeiras venceu 2 a 0. No segundo, o rival devolveu o placar e levou o confronto aos pênaltis. Ali começou a história de "santidade" do goleiro Marcos, que defendeu duas cobranças e ajudou o Palmeiras a eliminar seu maior rival  por 4 a 2.

A semifinal foi contra o River Plate, que complicou ao derrotar os brasileiros por 1 a 0 na ida, no Monumental de Nuñez. Mas o Verdão reverteu com superioridade na volta, no Palestra Itália, fazendo 3 a 0 e se classificando para a final.

A decisão foi contra o Deportivo Cali, que eliminou Colo-Colo, Bella Vista e Cerro Porteño. O primeiro jogo foi no Pascual Guerrero, mas o Palmeiras não resistiu e sofreu 1 a 0. O Palestra Itália recebeu a segunda partida. Evair abriu o placar de pênalti, mas o empate veio em seguida. Oséas fez 2 a 1 a 15 minutos do fim e levou a final aos pênaltis.

Zinho desperdiçou a primeira cobrança, porém Marcos defendeu a quarta batida e os colombianos atiraram e a quinta para fora. Por 4 a 3, o Palmeiras sagrava-se campeão da Libertadores e completava a década de ouro do clube.

A campanha do Palmeiras:
14 jogos | 7 vitórias | 2 empates | 5 derrotas | 24 gols marcados | 18 gols sofridos


Foto Robson Fernandes/Estadão Conteúdo

Grêmio Campeão da Copa Sul 1999

Na onda dos campeonatos regionais, o Sul ganhou uma competição para chamar de sua em 1999. A CBF reuniu clubes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná na Copa Sul, que, em sua única edição, valeu uma vaga na última Copa Conmebol da história.

O sucesso relativo do torneio em sua estreia motivaria uma expansão a partir do ano 2000: as equipes de Minas Gerais seriam desmembradas do torneio Centro-Oeste e incorporadas ao Sul, rebatizando a competição como Copa Sul-Minas. Vale lembrar que a região já tivera um antecedente oficioso: o Campeonato Sul-Brasileiro de 1962, disputado em pontos corridos e vencido pelo Grêmio.

E foi justamente o Grêmio o primeiro e único campeão entre os clubes sulistas, reforçando sua fama de pioneiro em novas competições. A Copa Sul de 1999 contou com 12 times, sendo quatro de cada estado. O Tricolor ficou no Grupo A e estreou contra o Tubarão, vencendo por 1 a 0 no Estádio Olímpico.

A campanha gremista foi sólida, apesar das derrotas fora de casa para Coritiba por 2 a 0 e para o Criciúma por 3 a 1. Nos demais jogos, o time venceu em casa o os catarinenses por 2 a 0 e os paranaense por 3 a 2, além de bater o Tubarão por 2 a 0 em Santa Catarina. Com 12 pontos, o Grêmio classificou-se na vice-liderança, três pontos atrás dos paranaenses.

Seis equipes avançaram à segunda fase, divididas em duas chaves, uma apenas com paranaenses e outra com gaúchos, já que os catarinenses foram eliminados. O grupo do Grêmio foi marcado pelo equilíbrio extremo. Na estreia, o Imortal goleou o Juventude por 4 a 1 no Olímpico. Na sequência, o time de Caxias do Sul aplicou 3 a 1 no Internacional. No primeiro Grenal, empate em 1 a 1 na casa gremista.

No returno, o Imortal buscou um 2 a 2 contra o Juventude no Alfredo Jaconi, enquanto os alviverdes seguraram um 1 a 1 com o Inter. No clássico decisivo no Beira-Rio, o Internacional venceu o Grêmio por 2 a 0. Todos os times terminaram com cinco pontos, e o saldo de gols garantiu o Grêmio na final.

A decisão aconteceu em três jogos contra o Paraná, que despachou Coritiba e Athletico-PR. No primeiro duelo, no Olímpico, o Grêmio venceu por 2 a 1. O segundo jogo ocorreu no Couto Pereira, mas o Imortal adiou o grito de campeão ao perder por 2 a 0. O desempate aconteceu no Pinheirão, também em Curitiba, onde a vantagem do empate pertencia aos paranaenses. Contudo, os tricolores venceram por 1 a 0, garantindo a taça da Copa Sul ao clube gaúcho.

A campanha do Grêmio:
13 jogos | 7 vitórias | 2 empates | 4 derrotas | 20 gols marcados | 16 gols sofridos


Foto Jader da Rocha/Placar

Manchester United Campeão Mundial 1999

Inventores do futebol moderno, os britânicos se consideraram, durante muitos anos, importantes demais para disputar competições contra clubes e seleções de outros países — especialmente os ingleses, que se sobressaíam diante dos escoceses, galeses e irlandeses. Para eles, o mundo era composto apenas por suas duas ilhas. Esse cenário só mudou nos anos 1950, e o preço pela arrogância foi caro: na Copa Intercontinental, demorou quase quatro décadas para que um time do Reino Unido chegasse ao título.

O feito coube ao inglês Manchester United em 1999, após ter sido vice em 1968. Já com 13 anos de comando no clube, Alex Ferguson havia montado uma ótima equipe, com David Beckham, Ryan Giggs, Paul Scholes e Gary Neville. Mas o heroísmo no título da Liga dos Campeões daquela temporada coube a dois reservas: Teddy Sheringham e Ole Solskjaer, autores dos gols na histórica virada por 2 a 1 contra o Bayern de Munique, nos acréscimos do segundo tempo. Antes disso, os Red Devils já tinham deixado para trás Barcelona, Internazionale e Juventus.

O oponente inglês no Mundial veio do Brasil, que conquistava sua terceira taça consecutiva na Libertadores. O Palmeiras enfim alcançava seu primeiro título, após eliminações marcantes sobre Vasco, Corinthians e River Plate. Na decisão contra o Deportivo Cali, derrota na ida por 1 a 0 e vitória na volta por 2 a 1 levaram o Verdão à disputa de pênaltis, onde venceu por 4 a 3.

O Nacional de Tóquio recebeu o Mundial de 1999 no dia 30 de novembro. O Palmeiras não devia nada ao United, já que contava com grandes jogadores, como Alex, Zinho, Paulo Nunes, Francisco Arce e César Sampaio. O foco estava todo no time inglês, mas não houve facilidade para o lado brasileiro, que teve quase o dobro de finalizações durante os 90 minutos.

Dois lances decidiram o título em favor do Manchester United. Aos 35 minutos do primeiro tempo, Giggs fez boa jogada pela ponta esquerda e cruzou para a área. O goleiro Marcos saiu mal, não achou a bola, e ela sobrou para Roy Keane finalizar e abrir o placar. Aos nove minutos do segundo tempo, Evair lançou Alex em profundidade; ele saiu de trás da defesa, ficou cara a cara com Mark Bosnich e empatou o jogo. Ou quase isso, pois o lance acabou mal anulado pelo bandeirinha. Até hoje os palmeirenses reclamam, e com razão.

O fato é que o 1 a 0 permaneceu até o fim, apesar da pressão brasileira. E o United, que não mostrou muito brilho no Japão, ficou com o título inédito não só para si, mas também para toda a Inglaterra, que via, na quinta tentativa, um clube seu ser campeão mundial.


Foto Masahide Tomikoshi

Vitória Campeão da Copa do Nordeste 1999

Definitivamente no gosto popular, a Copa do Nordeste continuou firme e forte para 1999. Tanto que motivou as demais regiões a terem seus próprios campeonatos: o Torneio Rio-SP e a Copa Norte já estavam em pé desde 1997 (Rio-SP teve edição em 1993) e se fortaleciam igualmente. Só faltavam estrear a Copa Centro-Oeste e a Copa Sul (que virou Sul-Minas em 2000).

Voltando ao Nordeste, o regulamento para 1999 teve uma mudança. A segunda fase seria toda realizada em mata-mata. Assim, a competição teve um número menor de jogos, porém maior competitividade. Dento de campo, o Vitória formava um de seus melhores times da história, com Petkovic, Matuzelém, Fábio Costa, Preto Casagrande e outros, e partia para o bicampeonato.

Na primeira fase, o Leão ficou no grupo D, contra Sergipe, Porto de Caruaru e Juazeiro. Não foi tão fácil quanto aparentou, mas o time de Salvador fez o básico. Estreou com vitória por 1 a 0 sobre os conterrâneos do Juazeiro no Barradão. Depois, teve uma sequência negativa com derrota por 3 a 1 para o Sergipe em Aracaju e empate em 1 a 1 com o Porto em casa.

No returno, o Vitória suou e venceu fora de casa o rival baiano por 1 a 0 e os pernambucanos por 4 a 3. Já classificado, empatou em casa por 1 a 1 com os sergipanos. Com 11 pontos, o Leão ficou na vice-liderança.

Nas quartas de final, o adversário foi o Botafogo-PB. No jogo de ida no Barradão, o Vitória foi bem e fez 2 a 0. Defendendo a vantagem, na volta no Almeidão, o time rubro-negro se segurou e teve uma derrota controlada por 3 a 2. Na semifinal contra o Sport, a maior dificuldade no campeonato. O Leão da Barra venceu por 2 a 1 em Salvador e foi derrotado por 1 a 0 na Ilha do Retiro. Na decisão por pênaltis, o time baiano foi mais feliz e venceu por 4 a 2.

Assim, na final, o Vitória enfrentou o arqui-rival Bahia. Enquanto no estadual os dois times não se entenderam e foram à campo em estádios diferentes no jogo de volta, na Copa do Nordeste tudo ocorreu normalmente. Na ida no Barradão, o rubro-negro fez 2 a 0. Na volta na Fonte Nova, o Bahia até tentou, mas só devolveu um gol. Mesmo perdendo por 1 a 0, o Vitória conquistou o bicampeonato. O título antecipou a histórica campanha no Brasileirão, onde o clube foi semifinalista.

A campanha do Vitória:
12 jogos | 6 vitórias | 2 empates | 4 derrotas | 16 gols marcados | 12 gols sofridos


Foto Edson Ruiz/Placar

Fluminense Campeão Brasileiro Série C 1999

A Série C em 1999 foi diferente. Pelo primeiro ano, a competição receberia um clube considerado grande. O Fluminense caiu em uma profunda crise na segunda metade da década e foi rebaixado duas vezes seguidas, atingindo o fundo do poço. E também foi nesta temporada que o campeonato recebeu uma leve repaginada. Os estaduais voltaram a ser o único critério técnico para a classificação, e o número de participantes foi reduzido para 36, divididos em seis grupos.

A obrigação do Fluminense era clara: sair da lama na primeira oportunidade, para o vexame não ficar ainda pior. Misturando atletas jovens, como Magno Alves, Roni e Roger, com outros mais experientes, como Válber e Yan, o time ficou no grupo 4. A estreia foi fora de casa, com derrota por 2 a 0 para o Villa Nova-MG em Nova Lima.

A primeira vitória veio no primeiro jogo em casa, por 1 a 0 sobre o Serra. Na sequência no Maracanã, venceu por 3 a 0 o Goiânia, e por 1 a 0 o Dom Pedro II. Em outros dois jogos como visitante, derrota por 4 a 3 para o Goiânia no Serra Dourada, e vitória por 2 a 0 sobre o Dom Pedro II em Brasília. Voltando ao Rio de Janeiro, o Tricolor perdeu por 1 a 0 para a Anapolina, mas ganhou os pontos no tribunal porque o time goiano contou com escalação irregular. Na "revanche" em Goiás, nova derrota para a Anapolina, agora por 3 a 2. Na reta final da primeira fase, o Flu venceu o Serra por 1 a 0 no Espírito Santo, e por 3 a 1 o Villa Nova no Maracanã.

Assim, com 21 pontos, o time se classificou em segundo lugar. Nas oitavas de final o time carioca enfrentou o Moto Club, o eliminando com empate por 1 a 1 em São Luís e vitórias por 1 a 0 e por 2 a 1 no Rio de Janeiro. Nas quartas, contra o Americano, o Tricolor fez a mesma sequência, com empate por 1 a 1 na ida em Campos, vitória por 4 a 0 na volta no Maracanã, e outra vitória por 2 a 1 no play-off, também no Rio de Janeiro.

O Flu então chega do quadrangular final, contra São Raimundo-AM, Serra e Náutico. A estreia foi vitória sobre o Náutico, por 2 a 1 no Maracanã. Na sequência, empatou sem gols com o São Raimundo no Vivaldão, mas nova escalação irregular deu a vitória ao Tricolor no tribunal. Na virada do turno, derrota em casa por 2 a 1 para o Serra. No returno, o empate por 2 a 2 com o Serra fora de casa e a vitória por 2 a 0 sobre o São Raimundo em casa consumaram o acesso.

Com o peso nas costas bem menor, o Fluminense foi aos Aflitos e enfrentou o Náutico na rodada final. E com gols de Roger, o Tricolor venceu por 2 a 0 e ficou com o título. Que é pouco ou nenhum motivo de orgulho para o torcedor, mas que foi um ponto de partida para a reversão da crise.

A campanha do Fluminense:
22 jogos | 15 vitórias | 3 empates | 4 derrotas | 38 gols marcados | 20 gols sofridos


Foto Eduardo Monteiro/Placar

Goiás Campeão Brasileiro Série B 1999

A Série B deu um importante passo rumo à valorização dentro do futebol brasileiro no ano de 1999. Ela deixava de ser dividida em grupos, e os clubes passariam a jogar todos contra todos em turno único, com oito classificados para a fase seguinte e seis rebaixados. Assim, os participantes teriam o seu calendário dobrado, e os ascendidos mais confiança para a disputa da primeira divisão do ano seguinte.

 Tudo estaria ótimo, não fossem os problemas envolvendo Gama e Botafogo na fuga do rebaixamento na elite. O imbróglio cancelou quase tudo para o ano seguinte, os rebaixamentos não ocorreram, acessos a mais foram forçados, e o únicos resultados respeitados foram o título do Goiás e o vice do Santa Cruz.

Ainda longe de imaginar o que estaria por vir em 2000, o Goiás entrava em campo com um ótimo time, de nomes como Harlei, Sílvio Criciúma, Araújo, Dill e Fernandão, e era um dos favoritos para subir em meio aos 22 participantes. A estreia já mostrou que o Esmeraldino não estava para brincadeira. Logo de cara com o rival Vila Nova, o time venceu por 1 a 0 no Serra Dourada e dava início a sua escalada.

A primeira fase foi tranquila, a equipe sempre frequentou o grupo dos oito melhores, e se classificou no terceiro lugar com 36 pontos em 21 jogos, sendo dez vitórias, seis empates e cinco derrotas. O Goiás ficou nove pontos atrás do líder São Caetano, mas na fase seguinte tudo começaria do zero.

A segunda fase foi um breve mata-mata, e o time alviverde enfrentou o Ceará, sexto colocado. No Castelão, parecia que seria tudo tranquilo com a vitória goiana por 3 a 0. Mas no Serra Dourada, os cearenses foram para cima e igualaram a pontuação vencendo por 4 a 3. Na época, os mata-matas eram em melhor de três, e o Goiás precisou do terceiro jogo. Jogando pelo empate em Goiânia, o time se reencontrou e venceu por 2 a 0, se classificado para o quadrangular final.

Junto ao Goiás chegaram Bahia, Santa Cruz e Vila Nova. A estreia não foi legal, derrota por 2 a 1 para o Santa Cruz no Arruda. As coisas melhoraram no clássico com a vitória por 1 a 0. Na terceira partida, empate zerado com o Bahia em casa. Depois, o Esmeraldino venceu os baianos por 2 a 1 na Fonte Nova. E no clássico com o Vila Nova, outra vitória por 1 a 0 deu o acesso, legítimo, ao clube.

A última rodada valeu o título, e o Serra Dourada ficou lotado para o jogo contra o Santa Cruz. Com dez pontos contra nove dos pernambucanos e seis do rival, bastou ao Goiás segurar o 0 a 0 para conquistar a sua primeira Série B.

A campanha do Goiás:
30 jogos | 15 vitórias | 8 empates | 7 derrotas | 48 gols marcados | 29 gols sofridos


Foto Léo Caldas/Placar

Athletico-PR Campeão da Seletiva da Libertadores 1999

Na virada de 1999 para 2000, a Conmebol surpreendeu a América do Sul ao expandir o número de participantes da Libertadores de 21 para 32 equipes. Com a mudança, o sistema de apenas duas vagas por país foi reformulado, e o Brasil passou a ter direito a quatro representantes. Naquele momento, a CBF já tinha os destinos das duas vagas tradicionais selados para os campeões do Brasileirão e da Copa do Brasil (Corinthians e Juventude), mas precisou, de última hora, definir os outros dois nomes. O primeiro foi o vice-campeão brasileiro, o Atlético-MG, mas a quarta vaga ainda estava em aberto.

Diante da urgência, a entidade instituiu, exclusivamente para aquele ano, a Seletiva para a Libertadores. O torneio era um mata-mata frenético disputado em paralelo à fase final do Campeonato Brasileiro, envolvendo os clubes que não tinham mais chances de chegar à final, mas teriam a chance de lutar pelo sonho continental. Foi uma solução criativa para manter o calendário movimentado e dar utilidade às equipes que haviam encerrado sua participação precoce no Brasileirão.

O regulamento previa a participação dos clubes até o 16º lugar, excluindo os rebaixados. Como o Palmeiras, décimo, já estava classificado como campeão da Libertadores e o Gama, 15º, foi rebaixado, abriram-se duas brechas: uma para o Grêmio, o 18º, e outra decidida em uma preliminar entre os remanescentes não rebaixados, onde a Portuguesa superou o Sport. No entanto, quem roubou a cena foi o Athletico-PR, nono colocado do Brasileirão e que estava em ascensão no fim da década de 1990.

O Furacão estreou na primeira fase contra a Portuguesa. Após um revés por 3 a 1 no Canindé, o time mostrou sua força na Arena da Baixada ao vencer por 2 a 0, garantindo a classificação pelo critério de melhor campanha no Brasileiro. Na fase seguinte, o nível subiu com a entrada dos clubes eliminados nas quartas de final do Brasileirão. O Athletico enfrentou o rival Coritiba em dois Atletibas: goleou por 4 a 1 em pleno Couto Pereira e administrou a vantagem com a derrota por 2 a 1 na volta em casa.

Na terceira fase, o adversário foi o Internacional. Após um empate em 1 a 1 no Beira-Rio, o Furacão confirmou sua superioridade em Curitiba com uma vitória por 2 a 1. Na semifinal, o desafio foi contra o São Paulo, que acabara de ser eliminado da semifinal do Brasileirão. O Athletico foi avassalador em casa, vencendo por 4 a 2 e encaminhando a vaga. No Morumbi, a equipe paranaense segurar a pressão e perdeu por 2 a 1, o que foi suficiente para avançar rumo à decisão.

Na final contra o Cruzeiro, que passou por Guarani e Vasco, o Athletico-PR precisou, mais uma vez, decidir o destino fora de casa. No primeiro duelo, na Arena da Baixada, o rubro-negro foi impecável e construiu uma vantagem sólida de 3 a 0. No Mineirão, o time foi outra vez resiliente e jogou com o regulamento debaixo do braço. O novo revés por 2 a 1 não diminuiu o brilho da conquista inédita. O título da Seletiva colocou o Furacão na Libertadores pela primeira vez em sua história.

A campanha do Athletico-PR:
10 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 4 derrotas | 20 gols marcados | 14 gols sofridos


Foto Osmar Ladeia

Corinthians Campeão Brasileiro 1999

O último Brasileirão do segundo milênio não passou ileso de polêmicas extracampo. Em 1999, a CBF adotou um sistema de rebaixamento baseado na média de pontos das duas últimas temporadas. Durante o certame, o Botafogo obteve três pontos no STJD sobre o São Paulo devido à escalação irregular do jogador Sandro Hiroshi. Esse reajuste salvou o clube carioca e condenou o Gama ao rebaixamento.

O clube do Distrito Federal não aceitou o descenso no tapetão e recorreu à Justiça Comum. O impasse jurídico arrastou-se por meses, culminando na proibição da CBF de organizar o torneio do ano seguinte e na suspensão dos rebaixamentos de 1999. Alheio ao caos institucional, o Corinthians reforçou seu time com Dida e Luizão para consolidar o tricampeonato.

O regulamento manteve o formato de tabela única com 22 participantes e o sistema de melhor de três nas fases eliminatórias. O Corinthians repetiu o domínio do ano anterior, encerrando a fase inicial na liderança com 44 pontos, somando 14 vitórias, dois empates e cinco derrotas. Além do Timão, avançaram Cruzeiro Vasco, Ponte Preta, São Paulo, Vitória, Atlético-MG e Guarani.

No mata-mata, a trajetória alvinegra foi marcada por solidez e rivalidade. Nas quartas de final, contra o Guarani, o Corinthians empatou o primeiro jogo em 0 a 0 em Campinas, venceu o segundo por 2 a 0 em São Paulo, e selou a classificação com novo empate em 1 a 1.

Na semifinal, em dois Majestosos contra o São Paulo, o Corinthians foi letal. Venceu a ida por 3 a 2, com Dida defendendo dois pênaltis do são-paulino Raí, e sacramentou a vaga na final ao vencer a volta por 2 a 1, dispensando a necessidade do terceiro jogo.

A decisão foi em três partidas difíceis contra o Atlético-MG, que despachou Cruzeiro e Vitória. No Mineirão, o time mineiro impôs um ritmo frenético e abriu o placar aos 15 segundos de jogo, vencendo por 3 a 2 e forçando o Corinthians a ganhar os jogos seguintes. No segundo jogo, no Morumbi, Luizão brilhou ao marcar os dois gols da vitória por 2 a 0. No entanto, o artilheiro foi expulso, tornando-se o grande desfalque para o terceiro jogo.

O desfecho veio no desempate. Sob chuva (tal qual em 1998), o Corinthians demonstrou maturidade tática. Sem seu principal goleador, a equipe segurou o empate em 0 a 0 e o resultado garantiu ao Timão o tri e o segundo título brasileiro consecutivo, reafirmando o poder de um elenco que, poucos dias depois, conquistaria seu primeiro Mundial.

A campanha do Corinthians:
29 jogos | 18 vitórias | 5 empates | 6 derrotas | 61 gols marcados | 38 gols sofridos


Foto Alexandre Battibugli/Placar