Depois de 64 anos, o Brasil voltou a ser o coração do futebol mundial ao sediar a Copa do Mundo de 2014. A competição em solo sul-americano, entrou para a história por contornos dramáticos: a maior humilhação sofrida pela seleção brasileira em todos os tempos e o feito inédito de uma seleção europeia conquistar o título nas Américas. A honra ficou com a Alemanha, que ergueu o tetracampeonato mundial. Sob a liderança técnica de Thomas Müller, Philipp Lahm, Mesut Özil, Sami Khedira, Miroslav Klose e o goleiro Manuel Neuer, o time comandado por Joachim Löw coroou um projeto iniciado pelo treinador oito anos antes.
A caminhada começou com a goleada por 4 a 0 sobre o Portugal, em Salvador. Porém, a estreia fácil foi contrastada pela sequência difícil: a Alemanha enfrentou forte resistência no empate por 2 a 2 contra Gana, em Fortaleza, e suou para vencer os Estados Unidos por 1 a 0 em Recife. Os resultados garantiram à Mannschaft a liderança do Grupo G com sete pontos.
O confronto mais perigoso da campanha alemã ocorreu nas oitavas de final, contra a Argélia em Porto Alegre. Diante de uma retranca argelina, a Alemanha esbarrou no placar durante os primeiros 90 minutos. Na prorrogação, a eficiência alemã prevaleceu com gols de André Schürrle e Mesut Özil, selando a vitória por 2 a 1. Nas quartas de final, no Rio de Janeiro, o zagueiro Mats Hummels garantiu o triunfo por 1 a 0 sobre a França.
E então, veio a semifinal no Mineirão, em Belo Horizonte... Diante de um Brasil confuso, desorganizado e emocionalmente abalado pelo desfalque de Neymar, a Alemanha protagonizou o maior massacre da história moderna do futebol. O primeiro gol saiu aos 11 minutos do primeiro tempo, com Müller. Aos 22, Klose marcou o segundo e chegou a 16 gols, ultrapassando Ronaldo Fenômeno como o maior artilheiro da história das Copas.
A partir dali, a porteira brasileira se abriu: Toni Kroos fez o terceiro aos 24 e o quarto aos 26 minutos, e Khedira anotou o quinto aos 29, fechando o primeiro tempo. Na etapa complementar, Schürrle saiu do banco para balançar as redes mais duas vezes, aos 24 e aos 34 minutos. O histórico placar de 7 a 1 (com Oscar descontando aos 45) colocou a Alemanha na final no Rio de Janeiro.
A decisão no Maracanã colocou frente a frente Alemanha e Argentina, consolidando este como o confronto mais repetido em finais de Copa do Mundo, com três edições (1986, 1990 e 2014). Os argentinos bateram Bósnia, Irã, Suíça, Bélgica e Holanda. O jogo foi estudado, com a Argentina desperdiçando chances claras de gol. Após 90 minutos de placar zerado, a final partiu rumo à prorrogação.
Foi quando a estrela de Joachim Löw brilhou ao acionar o banco de reservas. Mario Götze entrou no lugar de Klose na etapa final. Aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação, Götze dominou a bola e, sem a deixar cair, emendou um chute cruzado para fazer o gol do título. O 1 a 0 foi o carimbo final para a consagração. Depois de 24 anos de espera, a Copa do Mundo voltava pela quarta vez para os braços da Alemanha. Pelas mãos do capitão Lahm, a taça foi erguida, coroando uma equipe que aliou a frieza tática da Europa ao calor e à simpatia do povo brasileiro.
A campanha da Alemanha:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 18 gols marcados | 4 gols sofridos






