domingo, 20 de maio de 2018

Santos Campeão da Libertadores 1963

O Santos chegou ao topo do mundo em 1962, vencendo tudo o que foi possível. Paulista, Taça Brasil, Libertadores e o Mundial. Era a hora de manter a hegemonia em 1963. No estadual não conseguiu, mas na Taça Brasil repetiu o êxito, e na Libertadores igualmente.
O Peixe na entrou na "Copa dos Campeões da América" com o status de campeão diretamente na semifinal. Sua vaga pelo nacional foi herdada pelo Botafogo. Foram nove times na disputa da Libertadores. A Venezuela ainda não fazia parte da Conmebol e a Bolívia não indicou ninguém. Enquanto o Santos esperava seu adversário, a primeira fase ocorreu em três grupos. Em terras brasileiras o Botafogo fez um bom papel, e se classificou com folgas sobre o Millonarios da Colômbia e o Alianza Lima do Peru. Peñarol e Boca Juniors foram os demais classificados. Argentinos e uruguaios se enfrentam na semifinal, com duas vitórias e a classificação do Boca Juniors. Na outra chave, o Santos de Pelé enfrentou o Botafogo de Garrincha. A partida de ida foi no Pacaembu, e o Peixe não conseguiu vantagem, apenas empatando em 1 a 1. A volta foi no Maracanã, onde apareceu o talento do Alvinegro Praiano. A goleada de 4 a 0 colocou o Santos em sua segunda final.
A decisão contra o Boca Juniors foi emocionante. O jogo de ida aconteceu no Maracanã, e o público carioca viu o Santos fazer três gols no primeiro tempo. O Boca tentou a reação e marcou duas vezes no segundo tempo. O 3 a 2 dava uma leve vantagem ao Peixe e uma esperança aos argentinos. O jogo de volta foi em La Bombonera, que na época continha somente dois andares de arquibancada ao invés dos três atuais. A rivalidade Brasil e Argentina ficou evidente em campo, com muita marcação e poucas jogadas efetivas. Os gols só saíram no segundo tempo, e o Boca Juniors marcou primeiro. A final estava indo para a partida extra, no momento em que a dupla Coutinho-Pelé surgiu para decidir. Os dois atacantes marcaram os gols da virada, e o Santos voltou de Buenos Aires com a vitória por 2 a 1 e o bicampeonato da Libertadores. A supremacia santista seria consolidada dois meses depois com a nova conquista do Mundial.


Foto Arquivo/Santos/El Gráfico/Gazeta Press

sábado, 19 de maio de 2018

Santos Campeão da Libertadores 1962

A história da Copa Libertadores da América começa bem antes de 1960. A primeira competição que fazia os times ultrapassarem fronteiras na América do Sul foi a Copa Río de La Plata, que promoveu o enfrentamento entre os campeões da Argentina e do Uruguai entre os anos de 1916 e 1947. Em 1948 o Colo Colo organizou o já mencionado Torneio Sul-Americano, vencido pelo Vasco e que teve o aval da Conmebol. Apesar do sucesso da competição em Santiago, ela não teve sequência.
A retomada do futebol mundial durante a Copa do Mundo de 1950 reacendeu a vontade da FIFA de realizar um certame de clubes. Entre 1951 e 1952 foi realizada a Copa Rio, vencidas por Palmeiras e Fluminense, na ordem. Esta competição encheu os olhos dos dirigentes, mas também não rendeu sequência porque passaram a pipocar torneios semelhantes pelo planeta, como o Torneio de Caracas e o Torneio de Paris.
Em 1955 a UEFA criou a Copa dos Campeões Europeus, inspirada nas ideias de 1948 e 1951, e que reunia todos os campeões da Europa em um mata-mata. Foi a partir de então que a Conmebol resolveu recuperar a ideia chilena e formar um campeonato com os campeões do continente.
Em 1959, o brasileiro José Ramos de Freitas, então presidente da Conmebol, foi ao 30º Congresso Ordinário da entidade, na Argentina, para tratar da criação de um campeonato sul-americano de clubes campeões. Ali foi anunciada a criação da Copa dos Campeões da América, que reuniria todos os times campeões nacionais na América do Sul para uma disputa de melhor time do continente, a partir de 1960. Em 1965, esse mesmo torneio seria rebatizado de Copa Libertadores da América em homenagem aos heróis das independências das nações sul-americanas, como Simón Bolívar, José de San Martín, Dom Pedro I, Bernardo O'Higgins, José Gervasio Artigas, entre outros.
A primeira edição da Libertadores foi vencida pelo uruguaio Peñarol, e contou com a presença do Bahia como representante brasileiro. O Palmeiras foi o primeiro brasileiro finalista, em 1961, mas perdeu a decisão para o mesmo Peñarol.

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Em 1962 o Santos já era o melhor time de futebol do Brasil, e ia para a primeira Libertadores embalado pela conquista da Taça Brasil de 1961. Era um representante a altura para derrubar a hegemonia do Peñarol. Depois de duas edições totalmente em mata-mata, a competição ganharia pela primeira vez uma fase de grupos. Isto foi possível graças à introdução da vaga automática para o campeão anterior já na semifinal. A regra permitiu que nove equipes fossem divididas em grupos de três times. A Venezuela ainda não era filiada na Conmebol e não foi representada. No total foram dez clubes participantes, sendo oito campeões nacionais, o campeão vigente Peñarol, e o vice Nacional, pois o seu rival também faturou o Uruguaio.
O Peixe ficou no grupo 1, ao lado do Cerro Porteño do Paraguai e do Deportivo Municipal da Bolívia. O time de Pelé, Coutinho e Pepe não teve nenhum problema em passar de fase. Na Vila Belmiro goleou os bolivianos por 6 a 1 e os paraguaios por 9 a 1 - esta a maior goleada brasileira até hoje. No Paraguai empatou em 1 a 1, e na Bolívia venceu por 4 a 3. O Alvinegro se classificou na liderança com sete pontos e 20 gols marcados. O sorteio da semifinal colocou o Santos frente a frente com a Universidad Católica do Chile. Em dois jogos difíceis, o Peixe empatou em 1 a 1 em Santiago e venceu por 1 a 0 em casa, gol de Zito. Na outra chave, o Peñarol bateu o Nacional no clássico.
A final foi entre Santos e Peñarol, e contou com regras totalmente diferentes das atuais. Caso cada time vencesse uma partida, não havia saldo de gols nem disputa de pênaltis para definir o campeão. No lugar era marcada uma partida extra em campo neutro, com vantagem do empate - aí sim - para o time de melhor saldo. E foi o que aconteceu. A ida foi no Centenário em Montevidéu, e Coutinho decidiu a parada para o Peixe, fazendo os gols na virada de 2 a 1. A volta foi na Vila Belmiro, e o Santos não conseguiu conter o ataque uruguaio, perdendo por 3 a 2. Depois deste terceiro gol do Peñarol, uma agressão ao árbitro vinda da arquibancada fez a partida ser suspensa pela Conmebol. Ela chegou a ocorrer inteira por pressão santista, mas somente 51 minutos são considerados oficiais.
O jogo extra foi no Monumental de Nuñez em Buenos Aires, em uma incomum quinta-feira a tarde, mesmo para a época. Apesar da tensão gerada em Santos, tudo ocorreu de forma tranquila. Em campo, nenhum time tinha a vantagem do saldo, então se houvesse empate a decisão seria no cara ou coroa. Mas isto não foi necessário, já que Pelé foi o craque da partida marcando dois gols na vitória de 3 a 0 do Peixe. Assim, o Alvinegro Praiano derrubou a supremacia uruguaia comemorou o primeiro título de Libertadores da história do clube e do Brasil.


Foto Arquivo/Wikimedia Commons

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Paysandu Campeão da Copa Verde 2018

O Paysandu se tornou o maior vencedor da Copa Verde, competição estreada em 2014 e que reúne clubes do Norte, Centro-Oeste e o Estado do Espírito Santo. Campeão em 2016, o Papão levantou o bicampeonato em 2018. Nas oitavas de final, o Paysandu eliminou o Interporto com empate sem gols no Tocantins e vitória de 4 a 0 em Belém. Nas quartas, enfrentou o Santos do Amapá e avançou com duas vitórias, 3 a 2 no Zerão e 4 a 2 na Curuzu. A semifinal foi contra o Manaus, e mais duas vitórias do time bicolor, ambas por 2 a 1, tanto no Pará quanto no Amazonas. A final foi a contra uma surpresa, o Atlético Itapemirim, que passou por Brasiliense, Cuiabá e Luverdense. O jogo de ida foi no Kléber Andrade em Cariacica, e o Papão abriu confortável vantagem ao vencer por 2 a 0. A volta foi no Mangueirão, e o time capixaba bem que tentou melar a festa, mas Pedro Carmona garantiu o empate em 1 a 1 e o título para o Paysandu.


Foto Wagner Santana/Diário do Pará

segunda-feira, 14 de maio de 2018

São Raimundo-RR Campeão Roraimense 2018

Só dá São Raimundo em Roraima. O Mundão se sagrou tricampeão estadual e confirmou a atual hegemonia no estado. Venceu o primeiro turno com 100% de aproveitamento, com três vitórias no seu grupo e na final contra o GAS (aquele mesmo que tentou um dia tomar o lugar do Íbis). Se manteve invicto no segundo turno, indo para outra final com duas vitórias e dois empates. Na final contra o Baré, empate em 2 a 2 e vitória por 3 a 0 nos pênaltis. Campeão dos dois turnos, o São Raimundo faturou o título roraimense antecipado e invicto. É a nona conquista do clube alviceleste.


Foto Johann Barbosa/Divulgação/Roraima em Foco

domingo, 13 de maio de 2018

Vasco Campeão Sul-Americano 1948

Nas primeiras décadas de existência do futebol, a posição de entidades como UEFA, Conmebol e FIFA era de organizar somente competições de seleções, deixando os torneios de clubes nas mãos de clubes e federações. Em 1948, o clube chileno Colo Colo teve a ideia de reunir a melhor equipe de cada país da América do Sul em uma competição em Santiago.
O torneio saiu do papel com o apoio de Luiz Valenzuela, presidente da Conmebol na época, e os oito filiados da entidade no momento deveriam indicar os campeões nacionais. Colômbia e Venezuela ainda não faziam parte da instituição, o Paraguai não indicou representante, o Peru indicou o vice nacional, e a Bolívia e o Equador indicaram, respectivamente, o campeões citadinos de La Paz e Guayaquil, pois os países não possuíam competição nacional e estas eram as maiores cidades. O Brasil também não possuía uma competição nacional, a não ser pelo Campeonato Brasileiro de Seleções. O Distrito Federal/Guanabara (Rio de Janeiro) era o Estado campeão, e assim o Vasco campeão carioca foi indicado.
O torneio teve elementos em comum com a primeira edição da Libertadores, disputada apenas em 1960: sete países sul-americanos, cada um representado por seu melhor clube. O objetivo do Colo Colo era fazer um torneio que indicasse o campeão sul-americano, conforme o nome oficial do torneio em espanhol, "Campeonato Sudamericano de Campeones", que era bastante semelhante ao nome original da Libertadores até 1965: "Copa de Campeones de América".
Na época, o Vasco fora tratado como campeão da América, embora não houvesse posição oficial da Conmebol. Mas o critério de convites e as bases do torneio de 1948, juntamente com a concepção das Copas Rio de 1951 e 1952 serviram de embrião para a criação das competições continentais que existem até hoje, a Liga dos Campeões da Europa (desde 1955/56) e a Copa Libertadores (desde 1960). O Torneio Sul-Americano passou a ser tratado como precursor da Libertadores, e em 1996 a conquista do Vasco recebeu o reconhecimento da Conmebol e da FIFA como oficial.

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O Vasco foi convidado para o Torneio Sul-Americano de 1948 a partir do critério empregado pela CBD. Não existia uma competição nacional de clubes. Os Estados formavam seleções e disputavam uma espécie de Campeonato Brasileiro. Em 1947 o vencedor foi o Estado do Distrito Federal, que se mais tarde mudaria de nome para Guanabara, e mais tarde ainda se uniria com o Rio de Janeiro. Assim, o campeão carioca daquele ano foi definido como o representante brasileiro na competição.
Foram sete times no torneio, jogando todos contra todos em turno único, com todas as partidas senso disputadas no Estádio Nacional. O Vasco já era conhecido como o Expresso da Vitória e, comandado pelo técnico Flávio Costa, entrou como um dos favoritos. A estreia do Cruz-maltino foi contra o Litoral da Bolívia, e com vitória tranquila por 2 a 1. O resultado do segundo jogo foi ainda maior, goleada de 4 a 1 sobre o Nacional do Uruguai. O terceiro confronto foi contra o Deportivo Municipal do Peru, e contou com outra goleada por 4 a 0. Na quarta partida as coisas foram mais apertadas, mas o Vasco superou o Emelec do Equador por 1 a 0. Líder do torneio, o time da Colina enfrentou a pressão da torcida contra o Colo Colo, e se saiu bem ao empatar em 1 a 1.
A última rodada reuniu os únicos times com chances de ser campeão. Vasco e River Plate tinham as melhores equipes da competição, dois esquadrões. O Cruz-maltino dependia somente de si, enquanto os argentinos precisavam vencer. Como toda rivalidade Brasil x Argentina pede, o jogo foi tenso, de muita marcação e faltas. O Vasco soube aguentar a catimba do River Plate e manteve o 0 a 0 no placar. Dessa maneira, o time de Barbosa, Ademir de Menezes, Friaça, Augusto e Danilo se tornou o campeão dos campeões, o primeiro da América do Sul. Precursor do continente com o devido reconhecimento.


Foto Arquivo/Lance