A Copa do Mundo de 1998 representou uma nova era para o futebol mundial ao sofrer um aumento no número de participantes, expandindo-se de 24 para 32 seleções. A responsabilidade de sediar e estrear o novo formato coube à França, que não participava da competição desde 1986. Em total sintonia com o seu torcedor, a seleção francesa desbancou o favoritismo das potências tradicionais e marchou firme rumo ao inédito título mundial.
A primeira fase dos donos da casa foi tranquila. Integrando o Grupo C, a França estreou batendo a África do Sul por 3 a 0 e, logo em seguida, goleou a Arábia Saudita por 4 a 0. A equipe fechou a fase de grupos superando a Dinamarca por 2 a 1, garantindo a liderança da chave com nove pontos. O único revés nesse início promissor foi a expulsão do craque do time, Zinedine Zidane, na segunda rodada contra os sauditas. O meia foi suspenso por duas partidas após pisar em um adversário.
Nas oitavas de final, Les Bleus enfrentaram o Paraguai no jogo mais dramático de toda a sua campanha. Diante do ferrolho sul-americano, os franceses não balançaram as redes nos 90 minutos regulamentares. A incerteza pairava no ar quando a prorrogação se encaminhava para o fim. Foi quando o zagueiro Laurent Blanc entrou na área como centroavante para fazer o gol francês. A seis minutos do fim da prorrogação, o gol decretou o placar de 1 a 0 e entrou para a história como o primeiro "gol de ouro", o sistema de morte súbita, da história das Copas do Mundo.
As quartas de final reservaram um confronto contra a Itália, marcando o retorno de Zidane ao time titular. O equilíbrio tático arrastou o placar de 0 a 0 até o término da prorrogação. Na disputa de pênaltis, os franceses demonstraram maior controle emocional e carimbaram a classificação por 4 a 3.
A semifinal colocou a França diante da grande sensação do Mundial: a Croácia, que disputava a sua primeira Copa como nação independente. Os croatas surpreenderam e abriram o placar no início do segundo tempo. Mais surpreendente ainda foi o lateral Lilian Thuram, que jamais havia marcado um gol pela seleção. Com duas bolas roubadas, ele anotou os dois tentos da virada histórica. A vitória por 2 a 1 colocou a França na primeira final de sua história.
No novíssimo Stade de France, nos arredores de Paris, a França encarou o então campeão Brasil na decisão. Os brasileiros eliminaram Marrocos, Escócia, Chile, Dinamarca e Holanda. As horas que antecederam o apito inicial foram marcadas pela convulsão sofrida pelo brasileiro Ronaldo no hotel da delegação, episódio que desestruturou psicologicamente o Brasil e resultou em uma equipe apática em campo.
Alheia ao drama adversário, a França fez a partida de sua vida sob a batuta de Zidane. Demonstrando um oportunismo genial na bola parada, o camisa 10 marcou dois gols idênticos de cabeça no primeiro tempo, aproveitando cobranças de escanteio. No segundo tempo, mesmo com a expulsão do zagueiro Marcel Desailly, a França se defendeu com perfeição. Nos acréscimos, em um contra-ataque, Emmanuel Petit tocou na saída de Taffarel para dar o golpe de misericórdia. A categórica vitória por 3 a 0 conferiu à França o seu primeiro título mundial. Como Laurent Blanc estava suspenso por ter recebido cartão vermelho na semifinal, a honra de erguer a taça diante da torcida francesa a Didier Deschamps.
A campanha da França:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 15 gols marcados | 2 gols sofridos






