A maior edição da história da Copa Norte aconteceu em 2002, com 16 participantes em um formato robusto, marcando o encerramento de uma era. Em 2003, a implementação dos pontos corridos no Campeonato Brasileiro retiraria o torneio regional do calendário até o retorno em 2026. O regulamento foi complexo: as equipes foram divididas em quatro grupos na fase inicial, seguidos por dois quadrangulares na segunda etapa e a decisão.
Foi neste cenário que o Paysandu deu o pontapé inicial para a temporada mais vitoriosa de sua história. Integrante do Grupo B, o clube enfrentou o arquirrival Remo e os amapaenses Independente e São José. A trajetória começou em Macapá, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Independente. Os clássicos Repa da primeira fase terminaram em igualdade (0 a 0 e 1 a 1), mas a regularidade bicolor nos demais jogos garantiu a liderança da chave com 12 pontos, um a mais que o rival.
A segunda fase elevou a tensão com mais dois clássicos contra o Remo. Após uma derrota por 1 a 0 e uma vitória por 2 a 1, o Paysandu manteve a concentração contra Moto Club e River, somando três vitórias e apenas um revés nesses duelos. Com 12 pontos conquistados nesta etapa, o Papão assegurou sua vaga na final na rodada decisiva, ao bater os piauienses por 3 a 1 em casa.
A final da Copa Norte reservou um repeteco do ano anterior: Paysandu contra São Raimundo-AM, que eliminou Ji-Paraná, Nacional-AM e Atlético-RR na segunda fase. Era a quinta decisão consecutiva dos amazonenses, que haviam levado a melhor em 2001. No entanto, o equilíbrio de outrora deu lugar ao domínio paraense em 2002. No jogo de ida, no Vivaldão, em Manaus, o Paysandu mostrou sua força ao vencer por 1 a 0.
A consagração definitiva do veio na Curuzu, em Belém, onde o Papão atropelou o adversário por 3 a 0. Com o placar agregado de 4 a 0, o clube conquistou o título da Copa Norte, encerrando a hegemonia do São Raimundo-AM.
O título regional foi apenas o primeiro passo de uma jornada épica. Meses depois, o Paysandu surpreendeu o país ao sagrar-se campeão da Copa dos Campeões, derrotando o Cruzeiro em uma final histórica. O auge absoluto viria na Libertadores de 2003, quando o clube alcançou as oitavas de final e chocou o continente ao vencer o Boca Juniors em plena La Bombonera, na Argentina, um feito que até hoje ecoa como o ponto mais alto do futebol nortista.
A campanha do Paysandu:
14 jogos | 9 vitórias | 3 empates | 2 derrotas | 29 gols marcados | 11 gols sofridos






