A Copa do Mundo de 2006, sediada na Alemanha, consagrou uma seleção fundamentada no poder de seu jogo coletivo. Na Itália daquele Mundial ninguém carregava o time nas costas. Em vez disso, todos corriam por todos dentro de campo. O tetracampeonato mundial funcionou como um alívio e redenção para o futebol italiano, que novamente vivia um mau momento institucional devido ao escândalo do Calciopoli, a máfia de manipulação de resultados e escolha de árbitros revelada meses antes do torneio.
A crise nos bastidores resultou na cassação de dois títulos nacionais da Juventus e no seu rebaixamento para a segunda divisão, além de perda de pontos para Milan, Fiorentina e Lazio. Porém, o caos uniu o elenco comandado pelo técnico Marcello Lippi. De Turim, o goleiro Gianluigi Buffon, os defensores Gianluca Zambrotta e Fabio Cannavaro, e o meio-campista Mauro Camoranesi formavam a espinha dorsal da desacreditada Azzurra. A caminhada em solo alemão começou com o pé direito através de uma vitória por 2 a 0 sobre Gana. Na sequência, um empate em 1 a 1 contra os Estados Unidos acendeu o sinal de alerta. No entanto, um triunfo por 2 a 0 sobre a talentosa Tchéquia garantiu à Itália a liderança do Grupo E, com sete pontos.
Nas oitavas de final, o drama bateu à porta no confronto contra a Austrália. Após a expulsão de Marco Materazzi no início do segundo tempo, a Itália suportou a pressão até conseguir um pênalti aos 50 minutos do segundo tempo. Francesco Totti fez 1 a 0 e empurrou os italianos, em definitivo, rumo ao título. Nas quartas de final, a equipe deslanchou ao aplicar 3 a 0 sobre a Ucrânia.
A semifinal reservou aquele que é considerado um dos maiores clássicos de toda a história dos Mundiais, contra a anfitriã Alemanha. Em uma partida épica, o placar manteve-se imóvel nos 90 minutos. Foi na prorrogação que a Azzurra calou os alemães: aos 14 minutos do segundo tempo, Fabio Grosso acertou um chute cruzado e abriu o marcador. Um minuto depois, em um contra-ataque Cannavaro, Alessandro Del Piero deu um toque sutil e selou o 2 a 0 que colocou o time italiano na final.
A decisão no Estádio Olímpico de Berlim foi contra a França, que superou Coreia do Sul, Togo, Espanha, Brasil e Portugal. O roteiro começou dramático para os italianos: aos sete minutos de jogo, Zinedine Zidane abriu o placar para os franceses de pênaltir. Mas a Itália reagiu e alcançou o empate aos 19 minutos, quando o zagueiro Materazzi subiu mais alto que a defesa rival para fazer de cabeça o gol do empate. O 1 a 1 arrastou-se para a prorrogação, palco do ato mais chocante da história das finais.
Materazzi e Zidane voltavam caminhando da grande área francesa enquanto trocavam insultos. Provocado, o italiano proferiu ofensas direcionadas à irmã do craque francês. Enfurecido, Zidane desferiu uma cabeçada violenta no peito de Materazzi, que desabou no gramado. Zidane acabou expulso de campo, encerrando de forma melancólica a sua carreira como atleta.
Na disputa por pênaltis, o fantasma da derrota de 1994 foi finalmente exorcizado. Demonstrando 100% de eficiência, Andrea Pirlo, Materazzi, Daniele De Rossi e Del Piero converteram suas cobranças, enquanto a França desperdiçou uma. Coube a Fabio Grosso a responsabilidade do último chute e decretar a vitória por 5 a 3. A honra de erguer a taça pertenceu ao capitão Cannavaro, que viria a ser eleito o melhor jogador do mundo daquele ano.
A campanha da Itália:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 12 gols marcados | 2 gols sofridos






