quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Uruguai Campeão da Copa do Mundo 1930

Até 1928, a competição de futebol dos Jogos Olímpicos era o principal título que uma seleção nacional poderia ter. Mas segundo as regras da época, apenas jogadores amadores podiam disputá-la. E em uma época que o profissionalismo estava crescente no futebol, era preciso um torneio novo que se ajustasse nas evoluções da modalidade, sem se prender nas amarras de uma tradição olímpica. Foi sob este argumento que - naquele mesmo ano - nasceu a Copa do Mundo, um campeonato idealizado pelo francês Jules Rimet, presidente da FIFA na época.
A primeira edição do Mundial foi marcada para ter início em 1930, e a partir disto ela seria disputada de quatro em quatro anos, alternado entre as edições das Olimpíadas. Vários países se candidatam para ser o anfitrião: Itália, Suécia, Holanda, Espanha, Hungria e Uruguai. A FIFA optou pela última opção, seduzida pelo fato de a seleção uruguaia ser a melhor do mundo na época, bicampeã olímpica. Isto desagradou aos europeus, que sempre se consideraram o berço do futebol. Alegando dificuldades no deslocamento para a América do Sul, nenhum deles aceitou o convite para participar.
Foi então que entraram em jogo os dirigentes da FIFA. Jules Rimet convenceu a França, enquanto o vice-presidente Rodolphe Seeldrayers convenceu a Bélgica a atravessarem o Oceano Atlântico. O Rei Carol II, apaixonado por futebol, bancou todas as despesas da Romênia, inclusive garantiu a manutenção dos empregos e salários dos jogadores, ainda amadores. Por fim, a Iugoslávia aceitou o convite por intervenção do Rei Alexandre I, que passou por cima do boicote dos croatas e montou uma seleção apenas com sérvios. Assim, a primeira Copa do Mundo foi formada com 13 seleções: sete da América do Sul, quatro da Europa e duas da América do Norte.

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O Uruguai tinha a seleção mais forte na década de 1920, vinha de dois títulos olímpicos e praticava o futebol mais bonito. Já pintava como o principal favorito a vencer a primeira Copa do Mundo, em 1930, e na própria casa. Seu principal oponente estava do outro lado do Rio da Prata, a Argentina, vice-campeã olímpica. Quem vinha da Europa não assustava, já que as principais forças fizeram um boicote velado a competição. O time uruguaio era liderado por seu ataque, com Pedro Cea, Hector "Manco" Castro, Hector Scarone, Santos Iriarte e Pedro Petrone. Este último se machucou na estreia, mas foi muito bem substituído por Pelegrino Anselmo e Pablo Dorado. Além deles, o capitão José Nasazzi liderava na defesa.
A estreia uruguaia foi só na segunda rodada, pois seu grupo tinha três seleções e a folga foi já na primeira. O confronto de abertura foi contra o Peru, vencido por simples 1 a 0. A segunda partida foi a da definição da classificação, contra a Romênia. O Uruguai goleou por 4 a 0 e avançou na liderança do grupo C, com quatro pontos. Na semifinal, confronto contra a Iugoslávia e goleada de virada por 6 a 1 em atuação tranquila, apesar da reclamação iugoslava com a arbitragem. A final seria contra a grande rival, a Argentina.
A decisão do Mundial foi disputada no novíssimo Estádio Centenário de Montevidéu, que recebeu mais de 68 mil torcedores. A primeira Copa do Mundo não tinha um material oficial de jogo, cada seleção era responsável pelo seu. Por isso, houve um impasse quanto a bola que seria utilizada. Os uruguaios queriam a sua, e os argentinos a deles. Para resolver isto, cada tempo foi jogado com um bola diferente. Na primeira etapa foi usada a bola argentina. O Uruguai abriu o placar com Dorado, mas a Argentina virou Carlos Peucelle e Guillermo Stábile. A etapa final foi jogada com a bola uruguaia. E a Celeste Olímpica tornou a virar a partida com naturalidade, gols de Cea, Iriarte e Castro. Com a vitória por 4 a 2, o Uruguai celebrou seu primeiro título mundial com muita festa no país todo. E diferentemente do que seria tradição futura, a taça foi entregue somente no vestiário, para o presidente da Associação Uruguaia de Futebol. Mas isto pouco importa diante do fato de o Uruguai ser o primeiro campeão mundial de futebol da história.


Foto Arquivo/AUF

domingo, 11 de novembro de 2018

Fortaleza Campeão Brasileiro Série B 2018

O Fortaleza chegou ao título mais importante de sua história em 2018, o ano de seu centenário. O Tricolor do Pici se tornou campeão brasileiro da Série B, a primeira conquista nacional do clube. Depois de 13 anos, o time estará novamente na disputa da primeira divisão. E durante este hiato, foram oito temporadas de Série C, entre 2010 e 2017. A campanha histórica do clube que veio diretamente da terceira divisão tem um nome importante: Rogério Ceni. O técnico teve todo o ano de trabalho para fazer do Fortaleza um clube de elite mais uma vez, e caiu de vez nas graças do torcedor leonino.
Na zona de acesso em todas as rodadas da Série B, o Leão fez a estreia na competição com vitória, por 2 a 1 sobre o Guarani no Castelão. E logo na segunda rodada o time já estava no primeiro lugar, ao vencer o Boa Esporte por 2 a 0 em Varginha. Desta partida para a frente, o time só não liderou na quarta rodada, quando empatou em 1 a 1 com o Londrina fora de casa. No quinto jogo, uma vitória por 3 a 0 sobre o Goiás no Castelão, o Fortaleza já estava na liderança novamente. Assim o time virou o primeiro turno e seguiu durante todo o segundo.
O acesso se confirmou na 34ª rodada, quando o Tricolor venceu o Atlético-GO por 2 a 1 em Goiânia. E o título foi conquistado na 36ª partida, com vitória por 1 a 0 sobre o Avaí na Ressacada. Até o jogo da confirmação do título, o Fortaleza fez 68 pontos, com 20 vitórias, oito empates e oito derrotas. Com nove pontos para o vice-líder, não pode mais ser alcançado. Dentro de campo, o destaque principal fica para o artilheiro Gustavo - que é chamado de "Gustagol" pelo torcedor -, autor de 12 gols do Tricolor. Junto com ele, o atacante Marcinho e o goleiro Marcelo Boeck também se destacaram na competição.


Foto Leonardo Moreira/Fortaleza

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Itália Campeã da Copa do Mundo 1934

A segunda Copa do Mundo foi a primeira em solo europeu, em 1934. A honra de ser o país-sede coube à Itália, em uma forma prática que Benito Mussolini encontrou para fazer propaganda de seu regime totalitário. E a política já implicava fortemente no futebol. O Uruguai respondeu ao boicote da Europa quatro anos antes e não participou das Eliminatórias, se tornando a única campeã que não defendeu seu título. Apenas Brasil, Argentina e Estados Unidos atravessaram o oceano (o México também havia ido, mas somente jogou - e perdeu - a repescagem da Concacaf). O Egito só precisou cruzar o Mar Mediterrâneo. A dona da casa pintava assim como a principal favorita, comandada pelo atacante Giuseppe Meazza, que viraria nome de estádio no futuro.
O Mundial foi todo disputado no formato mata-mata, desde oitavas de final. A estreia da Itália foi contra os amadores dos Estados Unidos, e a classificação veio com uma sapecada por 7 a 1. O caldo ficou mais grosso para a Azzurra nas quartas de final, contra a Espanha. O confronto, após duas prorrogações, terminou 1 a 1. Não existia disputa por pênaltis, portanto foi necessário fazer uma partida extra, no dia seguinte. No desempate, Meazza marcou o gol da vitória por 1 a 0. A semifinal foi contra a Áustria, que era tida como a segunda seleção mais forte daquela Copa. O jogo foi considerado uma final antecipada, e os italianos garantiram a vaga na decisão com outra vitória por 1 a 0, gol marcado por Enrico Guaita.
A final foi na cidade de Roma, no Stadio Nazionale "del PNF". O adversário da Itália foi a Tchecoslováquia, que tentou engrossar a partida a todo o custo, apesar da nítida diferença na qualidade técnica. E os tchecos conseguiram sair na frente, já aos 26 minutos do segundo tempo. O que a lógica apontava para ser algo fácil, se tornou complicado para a Azzurra. Raimundo Orsi empatou a decisão faltando nove minutos para o fim, o que forçou uma prorrogação. E foi no tempo extra, logo no quinto minuto, que Angelo Schiavio marcou o gol da virada e do título da Itália. O placar de 2 a 1 permaneceu até o apito final, e depois os italianos partiram para festa, consumada na entrega da taça para o capitão e goleiro Gianpiero Combi, o primeiro atleta em Copas a receber o troféu nesta condição.


Foto Arquivo/FIGC

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Itália Campeã da Copa do Mundo 1938

Todos queriam estar na França em 1938. O país era o centro das atenções na primeira metade do século 20, e naquele ano recebeu a Copa do Mundo. Muito porque a FIFA optou por homenagear seu presidente, Jules Rimet, quebrando com o prometido sistema de rodízio entre continentes e realizando dois torneios seguidos na Europa. Isto motivou a um boicote por boa parte das seleções da América do Sul e da América do Norte, somente Brasil e Cuba marcaram presença representando o lado de cá do Atlântico. O grande favorito era europeu mesmo. A Itália estava ainda mais forte do que o time vencedor quatro anos antes, e isto se confirmou nos gramados franceses.
Mais uma vez o regulamento era sem fase de grupos, indo de primeira para o mata-mata. A Azzurra estreou contra a Noruega, que fez jogo duro e levou para a prorrogação. Mas os italianos se classificaram com um gol marcado por Silvio Piola, vencendo por 2 a 1. Nas quartas de final, a Itália enfrentou a França e não se intimidou com a pressão dos donos da casa. Venceu por 3 a 1, com outra atuação brilhante de Piola, autor de dois gols. A semifinal foi contra o Brasil, que segurou até onde foi possível, mas sofreu o revés no segundo tempo. Por 2 a 1, a Azzurra eliminou os brasileiros. Porém, muito na época se reclamou que o segundo gol italiano teria sido marcado em um pênalti inexistente.
A final foi entre Itália e Hungria, no Estádio Olympique de Colombes, em Paris. Partindo para o ataque desde o começo, os italianos conseguiram três gols no primeiro tempo e um gol no segundo tempo. O bicampeonato mundial veio com vitória por 4 a 2, dois tentos marcados por Gino Colaussi e outros dois marcados por Silvio Piola. E comandando a equipe italiana dentro de campo, o atacante Giuseppe Meazza foi o capitão da vez, recebendo a taça direto da tribuna de honra do estádio, um ato inédito em Copas do Mundo.


Foto Arquivo/FIGC

domingo, 28 de outubro de 2018

Uruguai Campeão da Copa do Mundo 1950

Depois de 12 anos de paralisação e atravessar toda a década de 1940 sem competição, a Copa do Mundo voltou a ser realizada em 1950. O Brasil era um dos candidatos a sede em 1942, e foi o único que manteve a proposta quando do retorno. A FIFA tentou antecipar a realização em um ano, mas voltou atrás e seguiu com o cronograma conhecido. O mundo estava em reconstrução e muitos países sequer entraram nas Eliminatórias. Além disso, Alemanha e Japão estavam banidas pela participação na II Guerra Mundial. Inicialmente, 16 países estavam classificados para o Mundial. Mas Turquia, Escócia e Índia desistiram de participar. Seus substitutos, Portugal, França e Irlanda, também declinaram. A competição ficou com 13 seleções e grupos mancos, dois com quatro países, um com três e outro com só dois. Neste último grupo, o Uruguai, um time esforçado que já lembrava com nostalgia do passado vencedor, com jogadores como Alcides Ghiggia e Obdulio Varela.
A Celeste enfrentou apenas a Bolívia na primeira fase, e goleou por 8 a 0 em Recife. As partidas contra a Irlanda e França não aconteceram. Então, com esses dois pontinhos, o time uruguaio liderou o grupo D e avançou para o quadrangular final. Então a Copa começou de fato para o Uruguai. Enfrentou a Espanha em São Paulo, e buscou empate por 2 a 2. Na segunda rodada, virou de maneira sofrida contra a Suécia, 3 a 2 no Pacaembu. Enquanto isso, o Brasil fez 7 a 1 nos suecos e 6 a 1 nos espanhóis, e era o pleno favorito para vencer mais uma.
O Estádio Municipal - ou Maracanã -, do Rio de Janeiro recebeu a partida final. Somente Uruguai e Brasil tinham chances de título, e os brasileiros jogavam pelo empate. A Celeste teve que enfrentar quase 200 mil torcedores, e foi aguentando a pressão. Não se abalou quando sofreu um gol no primeiro minuto do segundo tempo. O Uruguai se aproveitava dos contra-ataques e chegou ao empate com Juan Schiaffino, por volta dos 21 minutos. O Brasil esbarrava na forte defesa uruguaia e se abria em busca de ter mais tranquilidade na partida. E em outro contra-ataque, aos 34 minutos, Ghiggia avançou pela ponta-direita e chutou firme no canto esquerdo do goleiro Barbosa. Com a virada heroica os uruguaios se seguraram ainda mais, e os brasileiros se desesperavam em campo. O jogo terminou com 2 a 1 para o Uruguai, e sob o silêncio desacreditado de todos na arquibancada, a Celeste Olímpica conquistou o bicampeonato da Copa do Mundo, com a taça recebida pelas mãos do capitão e símbolo de raça, o zagueiro Obdulio Varela.


Foto Arquivo/AUF