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Juventude Campeão Brasileiro Série B 1994

Em mais de duas décadas de existência, o Campeonato Brasileiro da Série B vivia uma profunda crise de identidade no ano de 1994. A competição sofria com a falta de um regulamento definitivo e, em algumas temporadas, sequer chegava a ser disputada. Um ano antes, em decorrência do massivo acesso de 12 clubes para a elite, o torneio foi cancelado junto com a Série C. Em seus lugares, foram realizadas seletivas regionais que definiram 16 participantes para o retorno da segunda divisão em 1994. As outras oito vagas foram preenchidas pelos rebaixados da Série A.

Entre os 24 contemplados estava o Juventude, que na seletiva de 1993 eliminou Brasil de Farroupilha e Figueirense, garantindo sua vaga ao lado do Londrina. A primeira fase da Série B foi dividida em quatro chaves de seis equipes. O Ju ficou no Grupo D e fez uma campanha segura, o suficiente para avançar na terceira posição entre as quatro vagas disponíveis. Em dez jogos, o alviverde somou 11 pontos, com quatro vitórias, três empates e três derrotas, terminando três pontos atrás da líder Ponte Preta.

Na segunda fase, os 16 classificados foram redistribuídos em quatro novos grupos. O Papo caiu novamente na última chave, medindo forças com Athletico-PR, Goiatuba e, mais uma vez, a Ponte Preta. Com apenas uma vaga em disputa para a semifinal, o Juventude subiu de produção: manteve-se invicto com quatro vitórias e dois empates, somando dez pontos e terminando na liderança.

A semifinal carregava o peso máximo da temporada, pois os finalistas garantiriam o tão sonhado acesso. O Juventude enfrentou o Americano e foi cirúrgico: venceu por 1 a 0 no Estádio Godofredo Cruz, em Campos dos Goytacazes e repetiu o placar no Alfredo Jaconi, carimbando o retorno à primeira divisão após 15 anos de ausência.

A decisão foi contra o Goiás, que havia superado a Desportiva. No primeiro jogo, disputado no Serra Dourada, o Juventude foi derrotado por 2 a 1. Na partida de volta, apenas a vitória interessava em Caxias do Sul. Como detinha a melhor campanha, o time gaúcho jogava por uma vitória simples para ficar com a taça.

Em um Alfredo Jaconi lotado, o Juventude devolveu o placar de 2 a 1. O gol do título e do desafogo alviverde foi marcado pelo volante Galeano, a apenas dez minutos do fim do jogo. Pela primeira vez na história, o interior do Rio Grande do Sul celebrava um título nacional. Era o início de uma era de ouro para o clube, que culminaria com a conquista da Copa do Brasil cinco anos mais tarde.

A campanha do Juventude:
20 jogos | 11 vitórias | 5 empates | 4 derrotas | 36 gols marcados | 23 gols sofridos


Foto Edison Vara/Placar

Juventude Campeão da Copa do Brasil 1999

Dez anos após sua criação, a Copa do Brasil dobrou de tamanho. Em 1999, o torneio contou com 64 participantes. Na verdade, 65, pois a CBF precisou de um jogo extra para definir o terceiro representante pernambucano entre Náutico e Santa Cruz (vencido pelo Tricolor). Os critérios de classificação permaneceram baseados nos estaduais e em convites, que foram numerosos naquela temporada.

Em meio a tantos gigantes, o título ficou nas mãos de um campeão improvável: o Juventude. Vivendo uma fase histórica no fim dos anos 1990, o time de Caxias do Sul surpreendeu o país ao eliminar adversários de peso no mata-mata, que oficialmente ganhou uma fase a mais naquela edição.

O Ju iniciou sua trajetória contra o Guará, do Distrito Federal. No antigo Mané Garrincha, goleou por 5 a 1 e eliminou a necessidade da partida de volta. Na segunda fase, enfrentou o Fluminense, que na época disputava a Série C. Em um confronto marcante, o Juventude perdeu no Maracanã por 3 a 1, mas aplicou uma sonora goleada de 6 a 0 no Alfredo Jaconi para avançar.

Nas oitavas de final, o adversário foi o Corinthians, então campeão brasileiro e um dos favoritos. No Alfredo Jaconi, o Juventude venceu por 2 a 0. Na volta, em pleno Pacaembu, o Alviverde voltou a triunfar, desta vez por 1 a 0. Nas quartas, contra o Bahia, o Ju avançou graças ao critério do gol qualificado, após dois empates: 1 a 1 em casa e 2 a 2 na Fonte Nova.

A semifinal foi um clássico regional contra o Internacional. Naquela época, o Juventude mantinha uma incômoda superioridade sobre o rival da capital, o que se confirmou na Copa do Brasil. Após um empate sem gols no Jaconi, a decisão foi para o Beira-Rio. Nem mesmo a pressão da torcida colorada parou o Juventude, que aplicou um histórico 4 a 0 fora de casa.

Na inédita decisão, o Juventude enfrentou o Botafogo, que também buscava seu primeiro título após superar Paysandu, Criciúma, São Paulo, Athletico-PR e Palmeiras. No primeiro jogo, no Alfredo Jaconi, Fernando e Márcio Mixirica marcaram os gols da vitória gaúcha por 2 a 1. Esses tentos acabariam selando o título, pois, na partida de volta, no Maracanã, os gaúchos seguraram um empate por 0 a 0. A taça foi erguida diante de 101.581 torcedores, o último público de seis dígitos registrado na história do futebol brasileiro.

A campanha do Juventude:
11 jogos | 6 vitórias | 4 empates | 1 derrota | 25 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Paulo Franken/Agência RBS