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Alemanha Campeã da Copa do Mundo 1990

Muitos críticos de futebol afirmam que a Copa do Mundo de 1990, na Itália, foi uma das mais fracas da história do ponto de vista técnico. De fato, o torneio ficou marcado pelo excesso de cartões vermelhos, pelo abuso do antijogo e pela menor média de gols de todas as edições dos Mundiais: apenas 2,21 por partida. Porém, classificar essa Copa como esquecível perto de um torcedor alemão é um erro. Afinal, foi em solo italiano que uma Alemanha em pleno processo de reunificação geopolítica transformou o sonho do tricampeonato em realidade.

O Mundial de 1990 demorou a engrenar para as grandes potências. A campeã Argentina, por exemplo, perdeu na estreia para Camarões, que tornou-se a primeira seleção africana a alcançar as quartas de final de uma Copa. A equipe argentina só ganhou sobrevida após eliminar o Brasil nas oitavas de final. Em contrapartida, a Alemanha, que ainda competia como Alemanha Ocidental, sobrou desde o início.

Sob o comando técnico do ídolo Franz Beckenbauer, os alemães estrearam goleando a Iugoslávia por 4 a 1 e, na sequência, atropelaram os Emirados Árabes por 5 a 1. Na última rodada, mesmo o empate em 1 a 1 cedido para a Colômbia no último minuto não tirou a liderança isolada do Grupo D das mãos alemãs, que fecharam a fase com cinco pontos.

Nas oitavas de final, a Alemanha encarou a rival Holanda e venceu por 2 a 1 em uma partida tensa, com gols de Jürgen Klinsmann e Andreas Brehme. Nas quartas, contra a Tchecoslováquia, a classificação veio com um triunfo por 1 a 0, com um gol de pênalti anotado por Lothar Matthäus. A semifinal reservou outro clássico europeu contra a Inglaterra. Após um empate por 1 a 1 nos 120 minutos de tempo normal e prorrogação, a vaga na final foi decidida nos pênaltis. O goleiro Bodo Illgner defendeu uma cobrança, os ingleses desperdiçaram outra, e a classificação alemã para a decisão foi confirmada com o placar de 4 a 3.

A final no Estádio Olímpico de Roma promoveu um reencontro histórico: um replay exato da final de 1986 contra a Argentina que, além do Brasil, eliminou União Soviética, Iugoslávia e Itália. Os alemães pisaram no gramado dispostos a reescrever o desfecho da Copa anterior. Na retranca, o time argentino abdicou do ataque e viu os alemães empilharem chances.

O destino do confronto mudou aos 39 minutos do segundo tempo. O árbitro assinalou um pênalti polêmico sobre o atacante Rudi Völler. Até os dias de hoje, os argentinos juram convictamente que o atacante simulou o contato e que o lance foi uma injustiça histórica. Andreas Brehme chutou forte e rasteiro, no canto esquerdo do goleiro.

O placar de 1 a 0 foi o suficiente para decretar a Alemanha como tricampeã mundial. A taça foi erguida pelo capitão Matthäus, e a conquista enfim fez justiça à geração de Klinsmann, Brehme e Völler, que vinha de dois vice-campeonatos consecutivos em 1982 e 1986. Além de consagrar Beckenbauer como técnico, que se igualou a Mário Jorge Lobo Zagallo ao vencer a Copa como jogador (1974) e como treinador. O título de 1990 ainda serviu como a imagem perfeita para a queda do Muro de Berlim. Meses após a final, as duas Alemanhas unificaram-se oficialmente, transformando aquela conquista esportiva no primeiro  abraço de uma nação que se reencontrou.

A campanha da Alemanha:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Bongarts/Getty Images

Sampdoria Campeã da Recopa Europeia 1990

Aberta a década de 1990, a última da história da Recopa Europeia. A edição de 1990 trouxe uma tendência que foi regra em boa parte das competições da UEFA  nos últimos anos antes da virada do século: Itália levantando taça. Nesta ocasião, o título ficou com a Sampdoria, de Gênova.

No melhor momento de sua história, o "blucerchiati" (círculo azul), foi vice-campeão da própria Recopa em 1989 e tricampeão da Copa da Itália em 1985, 1988 e 1989. Também viria a ser campeão italiano em 1991, tetra da Copa em 1994 e vice da Liga dos Campeões de 1992. A campanha europeia vencedora teve início contra o Brann, da Noruega, com vitórias por 2 a 0 fora e por 1 a 0 na Itália.

A Samp seguiu para as oitavas de final, onde enfrentou o Borussia Dortmund. O primeiro jogo aconteceu na Alemanha, no Westfalenstadion, e ficou no empate por 1 a 1. A segunda partida foi em Gênova, no Estádio Luigi Ferraris, que foi vencida pelos italianos por 2 a 0. Gianluca Vialli fez os gols.

Nas quartas de final, foi a vez de encarar o Grasshopper, da Suíça. O jogo de ida foi realizado em Gênova, terminando com vitória da Sampdoria por 2 a 0. A partida de volta ocorreu em Zurique, também com triunfo italiano, por 2 a 1 e gols de Toninho Cerezo e Attilio Lombardo.

A semifinal reuniu Sampdoria e Monaco. O primeiro jogo aconteceu no principado, e ficou empatado por 2 a 2, com mais dois gols de Vialli. A segunda partida foi no Luigi Ferraris, e a classificação para a final foi obtida com vitória por 2 a 0. Os tentos foram anotados por Pietro Vierchowod e Lombardo.

A Samp estava mais uma vez na final, desta vez contra o Anderlecht, que eliminou Ballymena United, Barcelona, Admira Wacker e Dínamo Bucareste. A partida foi disputada em Gotemburgo, no Ullevi. Os 90 minutos normais não viram mudança no placar e os times precisaram da prorrogação. Foi quando apareceu o artilheiro Vialli, que fez 2 a 0 aos 15 minutos do primeiro tempo e os sete do segundo, coroando o título invicto da Sampdoria.

A campanha da Sampdoria:
9 jogos | 7 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 16 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Serge Philippot/Onze/Icon Sport/Getty Images

Olimpia Campeão da Supercopa Libertadores 1990

O ano de 1990 foi o melhor da história do Olimpia. O clube conseguiu na mesma temporada levar os títulos tanto da Libertadores quanto da Supercopa, sendo esta a única conquista fora do eixo Argentina-Brasil no campeonato, que chegava em sua terceira edição com o número de 13 participantes, visto que a Conmebol puniu o Atlético Nacional por manipulação de resultados no mesmo ano. Desta forma, o regulamento voltou a ser confuso como em 1988, com um clube avançado direto das oitavas de final para a semifinal, no caso o Estudiantes, e o defensor do título Boca Juniors entrando já nas quartas.

Entretanto, quem brilhou desde o começo foi o Olimpia. Os paraguaios enfrentaram o River Plate nas oitavas. Na ida, perderam por 3 a 0 no Monumental, em Buenos Aires. Na volta, no Defensores del Chaco, devolveram os 3 a 0 em grande atuação. Nos pênaltis, a virada foi consumada por 4 a 3.

Nas quartas, foi a vez de encarar o Racing. A primeira partida foi realizada em Assunção, e ficou empatada por 1 a 1. O segundo jogo aconteceu em Avellaneda, no El Cilindro. Fora de casa, o Olimpia conseguiu outra belíssima atuação, e com mais uma vitória por 3 a 0 conseguiu a classificação.

O próximo confronto do Olimpia foi contra o Peñarol. O primeiro jogo foi no Centenario, em Montevideú, e o time paraguaio perdeu por 2 a 1. De novo com a necessidade de vencer no Defensores del Chaco, a equipe sacou do bolso mais um desempenho de luxo e goleou os uruguaios por 6 a 0, com dois gols de Gabriel González, dois de Raúl Amarilla, um de Silvio Suárez e um de Virginio Cáceres.

A decisão da Supercopa foi entre Olimpia e Nacional do Uruguai, que deixou para trás Independiente, Argentinos Juniors e Estudiantes. A ida aconteceu no Centenario, e os paraguaios encaminharam o título ao vencerem por 3 a 0, gols de González, Amarilla e Adriano Samaniego. A volta foi no Defensores del Chaco, com o Olimpia confirmando o título ao empatar por 3 a 3.

A campanha do Olimpia:
8 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 2 derrotas | 20 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Arquivo/Olimpia

Juventus Campeã da Liga Europa 1990

O futebol da Itália era, de muito longe, o mais competitivo da Europa entre o fim da década de 1980 e quase toda a de 1990. Liga forte, clubes fortes e jogadores consagrados. Tal fato se refletia também nas competições europeias. Na Copa da UEFA, de 1972 até 1988, só um título ficou em solo italiano. Já entre 1989 e 1999, foram oito conquistas, fora os vices.

O título solitário da Itália havia sido em 1977, com a Juventus. Em 1990, o clube de Turim chegou ao bicampeonato e deu sequência à hegemonia aberta com o Napoli em 1989. Foi nesta época que o torneio sofreu a primeira mudança de regulamento, com a participação de 65 times. Tudo porque França e Iugoslávia estavam empatadas no ranking da UEFA e precisaram de uma fase preliminar para ver com quem ficaria com uma das vagas da Inglaterra, excluída desde 1986 devido à Tragédia de Heysel.

A campanha do bianconero começou contra o Górnik Zabrze, o qual venceu por 1 a 0 na Polônia, e por 4 a 2 no Estádio Comunale, em Turim. Na segunda fase, a Juve eliminou o Paris Saint-Germain com mais duas vitórias, por 1 a 0 na França, e por 2 a 1 na Itália.

Nas oitavas de final, o adversário foi o Karl-Marx-Stadt (hoje Chemnitzer), da Alemanha Oriental (já sem o Muro de Berlim). A campanha 100% da Juventus continuou firme, com triunfos por 2 a 1 em Turim, e por 1 a 0 fora de casa. Nas quartas, o time bianconeri teve problemas contra o Hamburgo. Depois de vencer por 2 a 0 em plena Alemanha, os italianos levaram 2 a 1 de virada em casa, mas se classificaram.

A Juventus enfrentou o Colônia na semifinal. A ida foi disputada no Comunale, e a equipe teve um grande início com gols de Rui Barros, Giancarlo Marocchi e um contra de Alfons Higl. Mas os alemães se aproximaram com dois tentos no fim e o placar ficou 3 a 2 para Juve. A volta aconteceu no Müngersdorfer. Com resistência, os italianos seguraram o 0 a 0 e chegaram à final.

A final foi contra a Fiorentina, que eliminou Atlético de Madrid, Sochaux, Dínamo Kiev, Auxerre e Werder Bremen. O primeiro jogo foi disputado no Comunale de Turim, e a Juventus abriu vantagem de 3 a 1, com gols de Roberto Galia, Pierluigi Casiraghi e Luigi De Agostini. A segunda partida foi na cidade de Avellino, no Estádio Partenio, pois o Artemio Franchi, em Florença, já estava à disposição da FIFA para a Copa do Mundo de 1990. Num campo praticamente neutro, a Vecchia Signora segurou outro empate sem gols para ficar com o título da Copa da UEFA.

A campanha da Juventus:
12 jogos | 9 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 20 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Milan Campeão da Liga dos Campeões 1990

Os anos 90 chegaram, e a Copa dos Campeões da Europa passaria a viver seus últimos dias de simplicidade. Até mesmo seu nome estava com os dias contados. Assim como o continente no geral, a UEFA iria absorver todas as mudanças que a queda do socialismo iria trazer naquela época.

Enquanto isso não acontecia, o Milan continuava à frente dos outros. Em 1990, o estilo de jogo da equipe já não era mais novidade e a campanha foi mais difícil, mas ainda assim suficiente para o tetra.
Na primeira fase, o rossonero enfrentou o HJK, da Finlândia. Tranquilamente, venceu a ida em Milão por 4 a 0, e a volta em Helsinque por 1 a 0.

Nas oitavas de final, o adversário foi o Real Madrid. Outra vez o primeiro confronto foi na Itália, com vitória milanista por 2 a 0. O segundo jogo ocorreu na Espanha. O Milan se classificou, mas passou aperto ao perder por 1 a 0.

Nas quartas, foi a vez de enfrentar o Mechelen, da Bélgica. Contra uma equipe surpreendentemente complicada, o rossonero só foi fazer gols depois de quase 200 minutos. Na ida, empate por 0 a 0 em Bruxelas. Na volta, no San Siro, o tempo normal também passou zerado. Apenas na segunda etapa da prorrogação que o Milan desencantou: Marco Van Basten e Marco Simone marcaram os tentos do 2 a 0 que levaram o clube à semifinal.

O penúltimo oponente foi o Bayern de Munique. A primeira partida aconteceu na Itália, com simples 1 a 0 a favor do time rossonero. O segundo jogo foi na Alemanha, e os locais devolveram o resultado. De novo na prorrogação, Stefano Borgonovo fez o gol fora do alívio antes do segundo alemão. A derrota por 2 a 1 colocou o Milan em mais uma final.

A decisão reeditou 1963 contra o Benfica, que amargava a sina de quatro vices nas quatro últimas finais disputadas. Os portugueses bateram Derry City (Irlanda), Honvéd (Hungria), Dnipro (União Soviética) e Olympique Marselha. A partida foi no Praterstadion, em Viena. De modo apertado, o Milan foi campeão ao ganhar por 1 a 0, gol de Frank Rijkaard aos 23 minutos do segundo tempo.

A campanha do Milan:
9 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 2 derrotas | 12 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Olimpia Campeão da Libertadores 1990

A Libertadores entra nos grandiosos anos 90 com sua estabilidade recuperada. O que não colaboravam eram os países. Detentor do título de 1989, a Colômbia não indicou ninguém para a edição de 1990. O motivo? O campeonato local foi encerrado sem campeão devido ao assassinato de um árbitro durante a fase final.

As acusações da época recaíram sobre o Cartel de Medellín e as motivações davam conta de que o crime foi cometido em retaliação a um gol anulado do Independiente. Pressionada, a federação cancelou o restante da competição e só o Atlético Nacional pôde defender sua taça no ano seguinte.

Com 18 times na primeira fase, a vida seguiu com as velhas forças de sempre. Vice do momento, o Olimpia estava disposto a subir mais um degrau na escada, e a sua campanha pelo bicampeonato começou diante do rival Cerro Porteño, do Vasco e do Grêmio, no grupo 5. Os resultados foram super equilibrados e as distâncias entre as equipes ao fim das seis rodadas foi se só dois pontos. Com sete, o Decano paraguaio classificou-se na liderança, acima de Cerro e Vasco. Foram três vitórias e um empate na largada.

Nas oitavas de final, o Olimpia iria enfrentar o terceiro colocado da chave 2, mas esta foi a que ficou desfalcada dos colombianos, portanto os paraguaios foram já às quartas. Contra a Universidad Católica, o clube venceu a ida em Assunção por 2 a 0 e empatou sensacionalmente a volta na Chile por 4 a 4.

Na semifinal, surgiu a chance da revanche contra o Atlético Nacional. O clima na Colômbia dominada pelo narcotráfico era tenso, e a Conmebol marcou a ida para o Nacional de Santiago, no Chile, onde o Olimpia venceu por 2 a 1. No Defensores del Chaco, o Atlético fez 3 a 2 e forçou os pênaltis. Depois de 12 cobranças, só três entraram e o Decano foi à decisão ao vencer por 2 a 1.

O Olimpia enfrentou na derradeira o Barcelona de Guayaquil, que colocou o Equador pela primeira vez em uma final após bater o uruguaio Progreso, o Emelec e o River Plate. A ida aconteceu no Defensores del Chaco, em Assunção, e o paraguaios abriram vantagem ao fazerem 2 a 0, gols de Raúl Amarilla e Adriano Samaniego. A volta foi no Monumental de Guayaquil, e o Olimpia confirmou seu segundo título com outro gol de Amarilla e o empate por 1 a 1.

A campanha do Olimpia:
12 jogos | 6 vitórias | 3 empates | 3 derrotas | 22 gols marcados | 17 gols sofridos


Foto Arquivo/Olimpia

Milan Campeão Mundial 1990

A década de 90 começou da mesma forma que terminou a de 80: com o Milan atropelando tudo e todos, vencendo quase tudo o que via pela frente. Tudo era fruto do trabalho de Arrigo Sacchi, um jovem técnico que trouxe uma nova perspectiva ao futebol italiano. Seus times não atuavam na retranca e possuíam uma força ofensiva mais acentuada, com toque de bola rápido e contra-ataques mortais.

Na campanha do tetra europeu, o Rossonero eliminou Real Madrid e Bayern de Munique antes de vencer o Benfica na final, por 1 a 0. A base da equipe era praticamente a mesma da temporada anterior, com o trio holandês e boa parte da seleção italiana que participaria da Copa do Mundo. Ela sofreu apenas duas modificações para a Copa Intercontinental: o goleiro Giovanni Galli deixou a equipe e o reserva Andrea Pazzagli assumiu a camisa 1, enquanto o volante Angelo Carbone chegou para ocupar o lugar de Diego Fuser.

A Libertadores acabou reconquistada pelo Olimpia. O bicampeonato do clube paraguaio passou por eliminações sobre Grêmio e Universidad Católica, uma revanche contra o Atlético Nacional e a decisão diante do Barcelona de Guayaquil. O Decano venceu por 2 a 0 na ida e segurou um empate por 1 a 1 na volta.

O Mundial no Japão completava dez anos de existência com o confronto entre Milan e Olimpia, no dia 9 de dezembro, no sempre requisitado Estádio Nacional de Tóquio. A partida foi equilibrada enquanto os paraguaios conseguiram segurar. O poderio italiano começou a ser mostrado a partir dos 43 minutos do primeiro tempo, quando Ruud Gullit, pela ponta esquerda, cruzou na cabeça do compatriota Frank Rijkaard, que mandou para o gol.

Aos 17 do segundo tempo, Marco Van Basten arrancou com a bola entre a zaga rumo à área. Ele driblou um marcador e o goleiro Ever Hugo Almeida antes do chute, que desviou em um zagueiro e bateu na trave. No rebote, Giovanni Stroppa conferiu para o gol e ampliou o placar. Aos 20, Van Basten aprontou novamente e tentou um gol por cobertura. A bola tocou outra vez na trave, e Rijkaard aproveitou para marcar.

Com 3 a 0 no marcador, o Milan passou a administrar a vantagem, enquanto o Olimpia buscou, sem sucesso, um gol de honra. Ao final da partida, o trio holandês foi alçado à glória pelos italianos. Eles participaram dos três gols da equipe, e Rijkaard foi eleito o melhor em campo, levando para casa o famoso carro da Toyota. O Milan igualou o feito de Peñarol e Nacional, tornando-se o primeiro clube europeu tricampeão do mundo.


Foto Arquivo/Milan

Grêmio Campeão da Supercopa do Brasil 1990

Um campeonato que nasceu junto com a Copa do Brasil, mas que não teve continuidade. E está retornando em 2020. A Supercopa do Brasil foi criada nos moldes europeus, em que o campeão da liga nacional enfrenta o campeão da copa, com o objetivo de (talvez) apontar a melhor equipe do momento. 

A primeira edição foi disputada em 1990 entre o Grêmio, primeiro vencedor da Copa do Brasil, e o Vasco, então bicampeão brasileiro. O plano inicial da CBF na época era de introduzir a Supercopa em partida única, abrindo a temporada. Mas logo na primeira vez houve desacerto de datas, então ficou decidido que as partidas entre os dois clubes pela Libertadores seriam também válidas para a Supercopa.

Assim, a estreia de Grêmio e Vasco na competição sul-americana foi a partida de ida da final. Jogada no velho Estádio Olímpico, em Porto Alegre, o Tricolor fez 2 a 0 com tranquilidade. Nilson abriu o placar de cabeça e Darci completou com uma arrancada e um chute forte da entrada da área.

A volta da Supercopa foi a quarta rodada da Libertadores, 44 dias depois da ida (14 de março e 18 de abril). Um dilúvio caiu sobre São Januário, no Rio de Janeiro, o que tornou a partida feia. Nada de relevante aconteceu, nem mesmo os atletas tinham a noção que um título estava em disputa. O placar ficou no 0 a 0, favorecendo o Grêmio como o primeiro vencedor da Supercopa do Brasil.

Mas por que os atletas não sabiam do que se tratava a Supercopa? A resposta é simples. A CBF "esqueceu" que usaria a Libertadores para definir um campeão para o novo torneio. Tanto que sequer aconteceu uma entrega de taça. Passados 30 anos, a reparação ainda não ocorreu, e o Grêmio espera até hoje o que é seu por direito.


Foto Lemyr Martins/Placar

Atlético-GO Campeão Brasileiro Série C 1990

A terceira divisão do Campeonato Brasileiro esteve longe de ser considerada uma prioridade pela CBF por muito tempo. Suas primeiras edições foram intermitentes, espaçadas e geridas por regulamentos quase aleatórios. Prova disso é que, logo após a edição de 1988, a entidade máxima do futebol cancelou a organização da Série C em 1989, optando por inflar a segunda divisão com 96 clubes.

Contudo, o hiato durou pouco: em 1990, a Terceirona estava de volta ao calendário. Mais enxuta em comparação ao torneio de dois anos antes, a competição manteve o propósito original de reunir equipes de menor orçamento que haviam se destacado nos campeonatos estaduais. Ao todo, 30 clubes entraram na disputa, divididos geograficamente em seis grupos. O topo do pódio daquele ano seria conquistado pelo Atlético-GO, uma das forças mais tradicionais do futebol do Centro-Oeste.

O Atlético iniciou sua jornada no Grupo D, ao lado de Ubiratan, União Rondonópolis, Gama e do rival Vila Nova. Com uma campanha irretocável, o Dragão não deu chances aos adversários na primeira fase, disputada apenas em turno único. A estreia foi em grande estilo, goleando o Vila Nova por 4 a 1. Na sequência, o rubro-negro bateu o Gama por 1 a 0 e aplicou 5 a 1 no Ubiratan, ambos os jogos no Serra Dourada, fechando a fase com um triunfo por 2 a 1 sobre o União, em solo mato-grossense. Com oito pontos, o Dragão avançou na liderança.

Nas quartas de final, o chaveamento colocou o Gama novamente no caminho do Dragão. No jogo de ida, em Brasília, os goianos conheceram sua única derrota no torneio ao perderem por 1 a 0. A resposta, porém, veio com autoridade no Serra Dourada: um fácil 4 a 0 que carimbou a vaga na semifinal.

Na semifinal, o Atlético mediu forças com o América-RN. O time goiano praticamente selou a classificação logo na primeira partida, ao construir uma bela vantagem de 2 a 0 no Machadão, em Natal. No confronto de volta, em Goiânia, o Dragão confirmou o favoritismo ao vencer por 5 a 2.

A final foi decidida contra o América-MG, que passou por Paysandu e Paraná. Por ostentar uma campanha geral superior à do time mineiro, o regulamento assegurava ao Atlético a vantagem de jogar por dois empates ou por igualdade no saldo de gols para ficar com o título. A primeira batalha aconteceu no Independência, em Belo Horizonte, e terminou empatada em 0 a 0.

O último capítulo foi escrito no Serra Dourada, em Goiânia. Os mineiros pressionaram, o Dragão se defendeu com unhas e dentes, e o gol insistiu em não sair para nenhum dos lados durante os 90 minutos. O novo 0 a 0 foi o placar da glória e o Atlético-GO soltou o grito de campeão da Série C de 1990. Aquela foi a primeira conquista nacional da história do clube goiano.

A campanha do Atlético-GO:
10 jogos | 7 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 23 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Arquivo/Atlético-GO

Sport Campeão Brasileiro Série B 1990

Não é de hoje que a CBF demonstra certa incongruência em sua organização. Após realizar uma Série B inchada com 96 clubes em 1989, a entidade voltou a separar as competições em três divisões em 1990, fazendo com que a segunda divisão retornasse ao formato de 24 equipes.

Rebaixado no ano anterior, o Sport tinha uma missão clara: retornar à elite com uma campanha sólida. Com o rival Náutico como único representante pernambucano na Série A, o Leão não poderia se dar ao luxo de falhar. Os 24 participantes foram divididos em quatro grupos, com o Sport no Grupo D.

Com quatro vagas de classificação por grupo, o rubro-negro não teve dificuldades para garantir a liderança, somando 12 pontos em dez jogos, com três vitórias, seis empates e uma derrota. O time terminou empatado em pontos com o Moto Club, mas garantiu a ponta graças ao saldo de gols. De quebra, viu o rival Santa Cruz ser eliminado ainda nesta etapa.

Na segunda fase, os 16 classificados foram reorganizados em quatro novos grupos. O Leão da Ilha caiu no Grupo H, ao lado de Operário-PR, Itaperuna e Remo. Em uma disputa extremamente acirrada, o Sport somou seis pontos, com uma vitória, quatro empates, uma derrota, quatro gols marcados e quatro sofridos, terminando rigorosamente empatado em todos os critérios com o Itaperuna. O desempate veio no confronto direto: após um 0 a 0 na Ilha do Retiro e um 1 a 1 no Estádio Jair Bittencourt, a regra do gol fora de casa foi aplicada a favor dos pernambucanos. Assim, o Sport avançou de fase ao lado do Operário.

Na terceira fase, os oito sobreviventes foram divididos em dois grupos de quatro. O Sport figurou no Grupo I, junto a Juventude, Moto Club e Guarani. Nesta etapa, o clima foi menos tenso: o rubro-negro manteve a invencibilidade com três vitórias e três empates, somando nove pontos. Como apenas o líder de cada grupo subia, o clube garantiu o acesso antecipado à Série A de 1991. A celebração ocorreu no Brinco de Ouro, após um empate em 1 a 1 com o Guarani na última rodada.

A decisão do título foi um duelo de rubro-negros contra o Athletico-PR, que havia superado Criciúma, Operário-PR e Catuense. A primeira partida, disputada no Pinheirão, em Curitiba, terminou empatada em 1 a 1. Por ser detentor da melhor campanha geral, o Sport tinha a vantagem de jogar por dois resultados iguais. Na partida de volta, na Ilha do Retiro, o placar de 0 a 0 garantiu o título da Série B para o Leão, colocando mais uma taça nacional na galeria do clube.

A campanha do Sport:
24 jogos | 7 vitórias | 15 empates | 2 derrotas | 22 gols marcados | 14 gols sofridos


Foto Arquivo/Sport

Corinthians Campeão Brasileiro 1990

Foram décadas de espera, promessas e batidas na trave, mas em 1990, o destino finalmente sorriu para o Corinthians. Liderado por Neto, Ronaldo e Tupãzinho, o clube conquistou o seu tão sonhado primeiro título nacional. Fora das quatro linhas, o Campeonato Brasileiro vivia um raro momento de estabilidade administrativa. Dentro delas, porém, o futebol era marcado pelo pragmatismo, registrando algumas das médias de gols mais baixas da história. Com 20 clubes na disputa, o desafio estava na regularidade.

A campanha alvinegra começou no Grupo A. No primeiro turno, as equipes enfrentaram os adversários do grupo oposto. O Timão teve um início promissor: em dez rodadas, somou seis vitórias, dois empates e duas derrotas. Com 14 pontos, encerrou na vice-liderança, apenas dois pontos atrás do Atlético-MG, que garantiu a vaga antecipada.

No segundo turno, quando os confrontos ocorreram dentro do próprio grupo, o rendimento caiu drasticamente. O Corinthians terminou em uma modesta nona posição na chave, com duas vitórias, quatro empates e três derrotas em nove jogos. Como apenas os líderes de cada grupo em cada turno garantiam vaga direta, o Corinthians precisou recorrer à soma total de pontos para sobreviver. Ao final da fase de grupos, o Timão ocupava o sétimo lugar na classificação geral, com 22 pontos, garantindo a última vaga para o mata-mata.

A partir das quartas de final, o Corinthians transformou-se em uma equipe cirúrgica, derrubando quem ostentava campanhas superiores. Nas quartas de final, o adversário foi o Atlético-MG, dono da segunda melhor campanha geral. No Pacaembu, o Corinthians venceu por 2 a 1 de virada, com dois gols de Neto. No Mineirão, segurou um 0 a 0 heroico para avançar. Na semifinal, o desafio foi contra o Bahia. Repetindo a estratégia, o alvinegro venceu no Pacaembu por 2 a 1 e administrou um empate sem gols na Fonte Nova, indo para a final contra o rival São Paulo, que bateu Santos e Grêmio.

A decisão de 1990 foi um Majestoso disputado em dois atos no Morumbi. Mesmo com o São Paulo chegando como favorito pela consistência técnica, o Corinthians impôs sua raça. No jogo de ida, o Timão venceu por 1 a 0 com um gol de Wilson Mano, logo aos quatro minuto do primeiro tempo.

Três dias depois, houve o segundo confronto. O São Paulo pressionava, mas o Corinthians era perigoso nos contra-ataques. Aos nove minutos do segundo tempo, após uma jogada confusa na área, Tupãzinho, o "Talismã da Fiel", empurrou a bola para as redes. O placar de 1 a 0 se manteve até o apito final, consagrando o Corinthians como campeão brasileiro.

A campanha do Corinthians:
25 jogos | 12 vitórias | 8 empates | 5 derrotas | 23 gols marcados | 20 gols sofridos


Foto Antônio Milena/Placar

Flamengo Campeão da Copa do Brasil 1990

A primeira Copa do Brasil foi um sucesso em campo, mas um “fracasso” fora dele. A final entre Grêmio e Sport foi considerada de baixo apelo para a televisão. Como consequência, tanto a Globo quanto a Bandeirantes deixaram de transmitir o torneio a partir de 1990. Apenas emissoras públicas ou regionais exibiram os jogos naquele ano, o que prejudicou consideravelmente a visibilidade da competição na época.

Ainda assim, o modelo do torneio era visto com bons olhos, pois atendia aos interesses da CBF e das federações estaduais. O regulamento com 32 participantes foi mantido e, com a profissionalização do futebol no Acre, a divisão de vagas passou a ser de 23 campeões e nove vices estaduais.

O título de 1990 ficou com o Flamengo, que se redimiu do revés sofrido na semifinal de 1989. No primeiro ano após a aposentadoria de Zico, e com o lateral Júnior liderando um elenco de jovens promessas, o Rubro-Negro iniciou sua jornada contra o Capelense, de Alagoas. Na ida, goleou por 5 a 1 na Gávea; na volta, aplicou um 4 a 0 no interior alagoano.

Nas oitavas de final, o Fla enfrentou o Taguatinga, do Distrito Federal. Novamente, a primeira partida ocorreu no Rio de Janeiro, com vitória flamenguista por 2 a 0. O segundo jogo, no Serejão (hoje conhecido como Boca do Jacaré), terminou em empate por 1 a 1. Nas quartas, o Flamengo eliminou o Bahia com outro empate por 1 a 1 na Fonte Nova e uma vitória por 1 a 0 no Estádio Mário Helênio, na mineira Juiz de Fora.

Na semifinal, o Rubro-Negro encarou o Náutico. A primeira partida aconteceu em Juiz de Fora, que se tornou a casa do Flamengo até a final. O time carioca abriu uma vantagem confortável de 3 a 0 logo na ida, tornando o duelo de volta nos Aflitos, em Recife, bem mais tranquilo. O empate por 2 a 2 carimbou o passaporte do Fla para sua primeira final na competição.

A decisão da Copa do Brasil de 1990 foi disputada contra o Goiás, que havia superado Cruzeiro, Operário-MS, Atlético-MG e Criciúma. O primeiro jogo foi realizado novamente no Mário Helênio. Em uma tarde de quinta-feira, apenas 2.437 torcedores testemunharam o zagueiro Fernando marcar, de cabeça, o gol da vitória por 1 a 0. Na segunda partida, no Serra Dourada, em Goiânia, os cariocas seguraram o 0 a 0 e conquistaram o título invicto.

A campanha do Flamengo:
10 jogos | 6 vitórias | 4 empates | 0 derrotas | 20 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Carlos Costa/Placar