Muitos críticos de futebol afirmam que a Copa do Mundo de 1990, na Itália, foi uma das mais fracas da história do ponto de vista técnico. De fato, o torneio ficou marcado pelo excesso de cartões vermelhos, pelo abuso do antijogo e pela menor média de gols de todas as edições dos Mundiais: apenas 2,21 por partida. Porém, classificar essa Copa como esquecível perto de um torcedor alemão é um erro. Afinal, foi em solo italiano que uma Alemanha em pleno processo de reunificação geopolítica transformou o sonho do tricampeonato em realidade.
O Mundial de 1990 demorou a engrenar para as grandes potências. A campeã Argentina, por exemplo, perdeu na estreia para Camarões, que tornou-se a primeira seleção africana a alcançar as quartas de final de uma Copa. A equipe argentina só ganhou sobrevida após eliminar o Brasil nas oitavas de final. Em contrapartida, a Alemanha, que ainda competia como Alemanha Ocidental, sobrou desde o início.
Sob o comando técnico do ídolo Franz Beckenbauer, os alemães estrearam goleando a Iugoslávia por 4 a 1 e, na sequência, atropelaram os Emirados Árabes por 5 a 1. Na última rodada, mesmo o empate em 1 a 1 cedido para a Colômbia no último minuto não tirou a liderança isolada do Grupo D das mãos alemãs, que fecharam a fase com cinco pontos.
Nas oitavas de final, a Alemanha encarou a rival Holanda e venceu por 2 a 1 em uma partida tensa, com gols de Jürgen Klinsmann e Andreas Brehme. Nas quartas, contra a Tchecoslováquia, a classificação veio com um triunfo por 1 a 0, com um gol de pênalti anotado por Lothar Matthäus. A semifinal reservou outro clássico europeu contra a Inglaterra. Após um empate por 1 a 1 nos 120 minutos de tempo normal e prorrogação, a vaga na final foi decidida nos pênaltis. O goleiro Bodo Illgner defendeu uma cobrança, os ingleses desperdiçaram outra, e a classificação alemã para a decisão foi confirmada com o placar de 4 a 3.
A final no Estádio Olímpico de Roma promoveu um reencontro histórico: um replay exato da final de 1986 contra a Argentina que, além do Brasil, eliminou União Soviética, Iugoslávia e Itália. Os alemães pisaram no gramado dispostos a reescrever o desfecho da Copa anterior. Na retranca, o time argentino abdicou do ataque e viu os alemães empilharem chances.
O destino do confronto mudou aos 39 minutos do segundo tempo. O árbitro assinalou um pênalti polêmico sobre o atacante Rudi Völler. Até os dias de hoje, os argentinos juram convictamente que o atacante simulou o contato e que o lance foi uma injustiça histórica. Andreas Brehme chutou forte e rasteiro, no canto esquerdo, vencendo o especialista em pênaltis Sergio Goycochea.
O placar de 1 a 0 foi o suficiente para decretar a Alemanha como tricampeã mundial. A conquista coroou com justiça a geração de Matthäus, Klinsmann, Brehme e Völler, que vinha de dois vice-campeonatos consecutivos em 1982 e 1986. Além de consagrar Beckenbauer como técnico, que se igualou a Mário Jorge Lobo Zagallo ao vencer a Copa como jogador (1974) e como treinador. O título de 1990 ainda serviu como a imagem perfeita para a queda do Muro de Berlim. Meses após a final, as duas Alemanhas unificaram-se oficialmente, transformando aquela conquista esportiva no primeiro abraço de uma nação que se reencontrou.
A campanha da Alemanha:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 5 gols sofridos

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