Argentina Campeã da Copa do Mundo 1986

A Copa do Mundo de 1986 entrou para a história como o torneio em que a genialidade de um único craque foi capaz de carregar uma seleção inteira nas costas rumo à glória máxima. Sob a liderança de Diego Maradona, a Argentina conquistou o seu bicampeonato mundial no México. Originalmente, a competição deveria ter sido realizada na Colômbia, mas o governo colombiano desistiu do compromisso quatro anos antes devido a graves problemas econômicos.

Diante da emergência, a FIFA escolheu o México, que superou um trágico terremoto em 1985 para se tornar o primeiro país a sediar o Mundial por duas vezes, reaproveitando a estrutura de 1970. Após a experiência de regulamento na Copa anterior, a entidade máxima do futebol reestruturou o torneio: manteve as 24 seleções, mas restabeleceu o sistema de mata-mata a partir das oitavas de final, classificando os dois primeiros de cada grupo e os quatro melhores terceiros colocados.

A caminhada argentina começou sob desconfiança, mas o time de Carlos Bilardo logo mostrou sua força na estreia com uma vitória por 3 a 1 sobre a Coreia do Sul. A campanha seguiu com um empate em 1 a 1 com a então campeã Itália e fechou a fase de grupos com um 2 a 0 sobre a Bulgária. Classificada na liderança isolada do Grupo A com cinco pontos, a Albiceleste enfrentou o seu tradicional rival, o Uruguai, nas oitavas de final, carimbando a vaga com uma vitória por 1 a 0.

Nas quartas de final, o futebol transcendeu o esporte para se tornar história viva no Estádio Azteca. O confronto contra a Inglaterra estava carregado por uma pesada atmosfera, sendo o primeiro encontro entre as nações após a Guerra das Malvinas de 1982. Em apenas quatro minutos no segundo tempo, o mundo testemunhou as duas faces de Maradona. No primeiro gol, aos seis minutos, o camisa 10 aproveitou um balão rebatido e dividiu pelo alto com o goleiro inglês. Usando a mão esquerda colada à cabeça, ele empurrou a bola para as redes. Na entrevista pós-jogo, Maradona declarou que o gol fora marcado "um pouco com a cabeça de e um pouco com a mão de Deus".

Aos dez minutos, veio a perfeição. Maradona dominou a bola ainda antes da linha do meio-campo, girou sobre dois marcadores ingleses e arrancou em velocidade pela ponta direita. Em uma corrida de mais de 60 metros, ele deixou mais quatro defensores para trás , driblou o goleiro e empurrou a bola para o fundo do gol. O "Gol do Século" selou a histórica vitória por 2 a 1. Na semifinal, a Argentina venceu por 2 a 0 sobre a Bélgica, com mais dois gols de Maradona.

A decisão do Mundial colocou frente a frente Argentina e Alemanha no Azteca. Os alemães eliminaram Escócia, Marrocos, México e França, mas não foram páreo para os argentinos, que abriram 2 a 0 em 55 minutos de jogo, com gols de José Luis Brown e Jorge Valdano. Os alemães chegaram a reagir em um intervalo de apenas seis minutos no final do segundo tempo e empataram a partida aos 35 minutos. 

Quando a final parecia se encaminhar para a prorrogação, Maradona lançou Jorge Burruchaga, que tocou na saída do goleiro e decretou o placar final de 3 a 2. A Argentina conquistava o bicampeonato mundial. Aquela Copa do Mundo selou a total e absoluta consagração de Diego Maradona, que ao erguer a taça como o capitão albiceleste, eternizou-se não como o maior ídolo de uma nação e o dono  de uma era do futebol.

A campanha da Argentina:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto David Cannon/CA/Getty Images

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