A Taça de Prata gozava de um relativo sucesso na década de 1980, sendo considerada, por muitos, mais democrática do que a própria primeira divisão. Para 1983, foi repetido exatamente o regulamento do ano anterior: 36 equipes iniciavam na primeira fase e outras 12 ingressavam diretamente no mata-mata. Naquela edição, nenhum dos chamados 12 grandes do futebol brasileiro marcou presença na Série B.
O Guarani, campeão de 1981, voltava à disputa desde o início. Entretanto, o futuro campeão não começou o torneio na divisão de acesso. O Juventus-SP, o querido Moleque Travesso da Mooca, iniciou a temporada na Taça de Ouro, mas, ao não se classificar na primeira fase, foi rebaixado com outros 11 clubes para a terceira fase da Taça de Prata.
No começo, o destaque inicial foi o Santa Cruz, que venceu quatro de seus cinco jogos, marcando dez gols e não sofrendo nenhum. Contudo, a excelente fase parou por ali: a equipe pernambucana foi eliminada na segunda fase pelo Uberaba. Este, por sua vez, conquistou o acesso para a fase final da elite no mesmo ano, ao lado de Guarani, Americano e Botafogo-SP.
A caminhada do Juventus rumo ao título começou nas oitavas de final contra o Itumbiara. Após uma vitória por 3 a 1 em São Paulo e um empate em 1 a 1 no interior goiano, a equipe avançou às quartas de final.
O desafio seguinte foi contra o Galícia. No jogo de ida, na Fonte Nova, em Salvador, o Juventus venceu por 3 a 2. A volta ocorreu no Parque São Jorge, uma vez que o tradicional Estádio da Rua Javari não possuía (e ainda não possui) iluminação artificial para jogos noturnos. O time grená venceu novamente, desta vez por 2 a 1. Na semifinal, o adversário foi o Joinville. Após um empate sem gols em Santa Catarina, a vitória por 2 a 1 em solo paulista garantiu a vaga na decisão.
O rival na final foi o CSA, que chegava à sua terceira final de Série B em quatro anos após eliminar Guarany de Sobral, Mixto e Brasília. Em Maceió, no Rei Pelé, o Juventus foi derrotado por 3 a 1. Na volta, o regulamento exigia que o time paulista vencesse o segundo jogo para forçar o desempate, e o Moleque Travesso não deu chances e aplicou um 3 a 0 no Parque São Jorge. O jogo de desempate, realizado no mesmo local, foi muito mais tenso. O gol do título saiu apenas no segundo tempo, em um pênalti convertido por Paulo Martins. A vitória por 1 a 0 garantiu ao Juventus o acesso para a elite de 1984 e a maior conquista de sua história.
