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Espanha Campeã da Copa do Mundo 2026

Rompendo qualquer limite existente, a Copa do Mundo de 2026 voltou a ancorar na América do Norte. Sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá, esta foi a primeira edição da história a abrigar 48 seleções, transformando o torneio em uma maratona de sobrevivência física e mental ao longo de quase quarenta dias de disputa. Cruzar distâncias entre Vancouver, Cidade do México e Miami sob o calor do verão norte-americano exigiu dos atletas uma resiliência sem precedentes.

No extracampo, as críticas ficam para a interferência política direta na gestão do torneio, que incluem a proibição da entrada de muitos torcedores e até mesmo um de árbitro nos Estados Unidos, as restrições logísticas impostas à participação do Irã, e a anulação do cartão vermelho do atleta estadunidense Folarin Balogun no jogo contra a Bósnia, após um pedido do presidente Donald Trump.

Para a Espanha, no entanto, os desafios serviram como palco para a consagração definitiva de sua identidade tática. Coroando um trabalho que uniu a posse de bola à precisão, tanto ofensiva quanto defensiva, de uma geração de jovens predestinados, a Roja conquistou seu segundo título mundial, desenhando uma era de ouro que já havia faturado a Eurocopa de 2024, tal qual feito em 2008 e 2010.

Apontada com uma das candidatas ao título desde o início, a campanha da Espanha começou no Grupo H. Na estreia, a equipe parou na defesa do estreante Cabo Verde e ficou apenas no empate em 0 a 0. Na segunda rodada, os gols apareceram e os espanhóis a Arábia Saudita por 4 a 0. Na última partida, a Roja garantiu a liderança da chave com sete pontos ao bater o Uruguai por 1 a 0, sem empolgar muito.

Por ser o primeiro Mundial com 48 times, a Espanha precisou passar pela inédita fase de 16 avos de final. O adversário foi a Áustria e a classificação veio com uma vitória por 3 a 0 e a seleção começou a evoluir de fato. Nas oitavas de final, a Espanha enfrentou Portugal e venceu por 1 a 0, gol marcado por Mikel Merino aos 46 minutos do segundo tempo.

Nas quartas de final, a Espanha encarou a Bélgica. Mantendo a frieza, a Roja venceu por 2 a 1, com os gols anotados por Fabián Ruiz, e outra vez por Merino nos minutos finais. Na semifinal, o teste de fogo foi contra a França, que vinha embalada e era a principal favorita ao título. Porém, tudo foi resolvido com maturidade: um incontestável 2 a 0, construído com gols de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro.

A consagração final aconteceu no Estádio Metlife, em Nova York/Nova Jersey. Diante da Argentina, defensora do troféu que passou por Jordânia, Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra, a Espanha precisou flertar com a perfeição. E conseguiu, com domínio absoluto desde o primeiro minuto, mesmo que o gol tenha teimado em não sair. Permitindo apenas duas finalizações do adversário, contra 20 das suas, a seleção espanhola empilhou chances e viu o goleiro argentino fazer várias defesas nos 90 minutos. Na prorrogação, Ferran Torres saiu do banco de reservas para aproveitar a boja ajeita por Nico Williams de cabeça e fazer o gol do bicampeonato, no primeiro minuto do segundo tempo extra.

Com a vitória por 1 a 0, a Espanha provou que a juventude, quando aliada à disciplina tática, é capaz de dominar o planeta, coroando um trabalho que foi construído pelo técnico Luís de La Fuente desde as categorias de base. Por fim, a taça foi erguida pelo capitão Rodri, voltando a ficar sob domínio europeu.

A campanha da Espanha:
8 jogos | 7 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 1 gol sofrido


Foto Franck Fife/AFP/Getty Images

Espanha Campeã da Copa do Mundo 2010

A primeira vez que o continente africano sediou uma Copa do Mundo foi em 2010. A África do Sul teve a histórica incumbência de realizar a maior competição do futebol mundial, simbolizando a reconciliação da nação liderada por Nelson Mandela. Foi debaixo do ensurdecedor som das vuvuzelas que a Espanha enfim concluiu o seu sonho de alcançar o topo do planeta, deixando para trás o rótulo de "amarelona" após sucessivas decepções. O estilo de jogo baseado na posse de bola paciente e nos passes curtos, o Tiki-Taka, executado por Andrés Iniesta, Xavi Hernández e David Villa rendeu o maior fruto do futebol espanhol, consolidando uma era que também faturou as Eurocopas de 2008 e 2012.

Antes, porém, os espanhóis levaram um choque logo na primeira rodada. A badalada Roja estreou com uma derrota por 1 a 0 para a Suíça. A recuperação na fase de grupos veio com tranquilidade: vitórias por 2 a 0 sobre Honduras e por 2 a 1 sobre o Chile. Os resultados garantiram à Espanha a liderança do Grupo H, com seis pontos. Nas oitavas de final, os espanhóis disputaram um confronto contra Portugal. Em um jogo tático, a vitória veio pelo placar de 1 a 0, graças ao oportunismo do artilheiro David Villa.

Nas quartas de final, o adversário foi o surpreendente Paraguai, em uma das partidas mais emocionantes daquele Mundial. O empate persistiu em um cenário caótico no segundo tempo, onde o goleiro Iker Casillas defendeu um pênalti e, minutos depois, a Espanha também desperdiçou uma penalidade. A classificação para a semifinal só foi selada com um gol chorado de Villa, no qual a bola bateu nas duas traves antes de cruzar a linha: mais um 1 a 0 na conta.

Paralelamente, aquelas quartas de final de 2010 guardaram o confronto mais apoteótico do torneio entre Uruguai e Gana. Os africanos tiveram a chance de colocar o continente em uma semifinal inédita no último minuto da prorrogação, mas o atacante Luis Suárez salvou um gol em cima da linha com as duas mãos. Asamoah Gyan isolou o pênalti resultante e, na disputa subsequente, o Uruguai avançou com o atacante Sebastián Abreu acertando uma cavadinha na cobrança decisiva.

A Alemanha cruzou o caminho espanhol na semifinal. Demonstrando uma maturidade tática impressionante, a Espanha anulou o time alemão e garantiu outro triunfo por 1 a 0 no segundo tempo, graças a uma cabeçada fulminante do zagueiro Carles Puyol após cobrança de escanteio, colocando os espanhóis em sua primeira final em 80 anos de história dos Mundiais.

No Estádio Soccer City, em Johanesburgo, a Espanha enfrentou a Holanda em uma final tensa de onde sairia um campeão inédito para o futebol mundial. A Holanda, que eliminou Japão, Camarões, Eslováquia, Brasil e Uruguai, apostou em uma postura agressiva para quebrar o ritmo espanhol, o que resultou em uma quantidade alta de cartões amarelos na partida. Após um empate sem gols nos 90 minutos regulamentares, a decisão estendeu-se para a prorrogação.

Faltando apenas quatro minutos para o apito final e a disputa por pênaltis, a persistência da Espanha prevaleceu. Cesc Fàbregas encontrou Andrés Iniesta livre pelo lado direito da grande área, e o meia acertou um chute cruzado indefensável no gol holandês. A quarta vitória consecutiva pelo placar de 1 a 0 carimbou o título espanhol. A responsabilidade de erguer a taça coube ao capitão Casillas, eternizando o momento em que a Espanha finalmente chegou ao topo do planeta.

A campanha da Espanha:
7 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 1 derrotas | 8 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Eddie Keogh/Reuters

Espanha Campeã do Mundial Sub-20 1999

A Nigéria conseguiu receber o Mundial Sub-20 em 1999. O país havia sido escolhido como sede em 1991, mas perdeu o direito após uma punição da FIFA por fraudes na idade de jogadores. Em 1995, voltou a ser nomeado, mas desistiu devido a um surto de meningite. Depois de duas tentativas frustradas, os nigerianos conseguiram finalmente organizar a competição.

O regulamento manteve o modelo ampliado a partir da edição anterior: 24 seleções divididas em seis grupos de quatro equipes, com classificação dos dois melhores de cada chave e também dos quatro melhores terceiros colocados. A fase eliminatória, portanto, começava já nas oitavas de final.

A Espanha conquistou seu primeiro título mundial sub-20 naquele ano. Foi a primeira vez em oito anos que uma seleção europeia levantava a taça, desde Portugal em 1991. O elenco espanhol contava com Xavi Hernández como principal referência, além de mais dois nomes que fariam parte da conquista da Copa do Mundo de 2010: Carlos Marchena e Iker Casillas, então goleiro reserva.

Na primeira fase, La Roja integrou o Grupo F e estreou com vitória por 2 a 0 sobre o Brasil. Na sequência, a equipe empatou sem gols com Zâmbia e venceu Honduras por 3 a 1, terminando na liderança da chave com sete pontos.

Nas oitavas de final, a Espanha superou os Estados Unidos por 3 a 2 em um jogo equilibrado. Nas quartas, empatou em 1 a 1 com Gana e avançou nos pênaltis por 8 a 7. Na semifinal, venceu Mali por 3 a 1, garantindo a vaga na decisão. O adversário foi o Japão, que deixou pelo caminho Inglaterra, Portugal, México e Uruguai.

A final contra o Japão foi disputada no Estádio Nacional de Lagos. Na melhor apresentação em toda a competição, a Espanha selou a conquista inédita ao golear por 4 a 0. Os gols foram marcados por José Barkero logo aos cinco minutos do primeiro tempo, Pablo Couñago duas vezes também na etapa inicial, aos 14 e 30, e Gabri, aos seis minutos do segundo tempo.

A campanha da Espanha:
7 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 16 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Arquivo/RFEF

Espanha Campeã Olímpica 2024

De volta à normalidade. Os Jogos Olímpicos retomaram seu estado natural em 2024: com público nos eventos, sem restrição de pandemia e dentro do ano correto. A cidade de Paris voltou a sediar as Olimpíadas depois de exatos 100 anos, pela terceira vez em sua história. Mas, quem marcou a história em terras francesas foi a Espanha, que chegou ao bicampeonato no futebol masculino depois de 32 anos e devolveu a medalha de ouro da modalidade à Europa, algo que também não acontecia desde 1992.

O regulamento manteve mais uma vez o formato adotado em definitivo em 1976. Na primeira fase, 16 seleções foram divididas em quatro grupos, com as duas primeiras colocadas indo até o mata-mata. E sim, com a regra do limite de três jogadores acima dos 23 anos convocados para cada time, retornando ao habitual em função do adiamento dos jogos anteriores, de 2020 para 2021, quando o limite de idade foi esticado para 24 anos.

O ouro espanhol começou a ser desenhado no grupo C da primeira fase. Na estreia, a equipe venceu o Uzbequistão por 2 a 1. Na segunda rodada, bateu a República Dominicana por 3 a 1. Na terceira partida, porém, perdeu para o Egito por 2 a 1. O tropeço deixou a Espanha com seis pontos, classificada na segunda posição da chave.

A campanha no mata-mata teve início nas quartas de final, contra o Japão. Para se recuperar da derrota no fim da fase anterior, a Espanha venceu por 3 a 0, com dois gols do artilheiro Fermín López e um de Abel Ruiz. Na semifinal, foi a vez de passar pelo Marrocos com vitória por 2 a 1, de virada. Os marroquinos foram à disputa do bronze, em um confronto africano com o Egito, e levaram a medalha para casa ao golearem por 6 a 0.

O futebol masculino dos Jogos Olímpicos chegou na final entre Espanha e França, que eliminou Nova Zelândia, Guiné, Argentina e Egito. A partida foi disputada em Paris, no Parc des Princes. Os espanhóis começaram perdendo, mas viraram em dez minutos ainda no primeiro tempo, com dois gols de Fermín López e um de Álex Baena. Perto do fim do segundo tempo, os franceses buscaram o empate. Porém, na prorrogação, a Espanha mostrou mais força e conquistou a medalha de ouro ao fazer 5 a 3 no placar, com dois gols de Sergio Camello, vindo do banco de reservas.

A campanha da Espanha:
6 jogos | 5 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 16 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Patrícia de Melo Moreira/AFP/Getty Images

Espanha Campeã da Eurocopa 2024

O principal campeonato de seleções depois da Copa do Mundo, a Eurocopa, teve mais uma edição em 2024, três anos depois da disputa adiada de 2020/2021. Esse foi o menor tempo de espera entre um torneio e outro, pois o normal é aguardar quatro temporadas. Normal também é o uso de um ou dois países-sede, e não 11 como aconteceu na última vez. Nesta oportunidade, a UEFA optou por colocar a competição inteiramente na Alemanha. 

Em solo alemão, foi vista uma Eurocopa que começou com jogos abertos e de muitos gols, ficou amarrada e econômica na metade, e terminou com viradas e fortes emoções. O título ficou nas mãos da Espanha, que repetiu 1964, 2008 e 2012 e chegou ao tetra do campeonato, sendo a equipe de melhor futebol apresentado. No grupo B da primeira fase, iniciou a campanha vencendo a Croácia por 3 a 0. Na segunda rodada, derrotou a Itália por 1 a 0. Por fim, os espanhóis fizeram 1 a 0 na Albânia e encerraram a etapa no primeiro lugar da chave, com nove pontos.

La Roja chegou para as oitavas de final para enfrentar a Geórgia. De virada, venceu por 4 a 1. Depois, encarou a Alemanha nas quartas. Na prorrogação, a equipe passou pela anfitriã do torneio ao vencer por 2 a 1. Na semifinal, foi a vez de eliminar a França com os mesmos 2 a 1, de virada, com gols marcados por Lamine Yamal, de apenas 17 anos, e Dani Olmo.

Na decisão, a Espanha enfrentou a Inglaterra. Para chegar lá, os ingleses superaram Sérvia, Eslováquia, Suíça e Holanda. O estádio que recebeu a partida foi o Olímpico de Berlim, na capital alemã. Mais de 70 mil torcedores assistiram à final. No primeiro tempo, os espanhóis foram ao ataque e os ingleses atuaram esperando um erro adversário, mas nada aconteceu.

Os gols só surgiram no segundo tempo. Aos dois minutos, Nico Williams abriu o placar para La Roja. Os ingleses até empataram o jogo aos 28, mas os espanhóis tinham mais time e mais vontade de vencer. Aos 43 minutos, Mikel Oyarzabal saiu do banco de reservas para fazer 2 a 1 e confirmar um tetracampeonato único na história da Eurocopa. Afinal, a Espanha desempatou o ranking de títulos com a Alemanha e se tornou a maior vencedora de todos os tempos na Europa, com 100% de aproveitamento.

A campanha da Espanha:
7 jogos | 7 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Stu Forster/Getty Images

Espanha Campeã da Copa do Mundo Feminina 2023

A Copa do Mundo Feminina de 2023 foi a maior de todos os tempos, superando a edição de 2019 em tudo, desde audiência (quase duas bilhões de pessoas pelo planeta assistiram ao menos uma partida), número de jogos e de gols. Tudo isso, logicamente, puxado pelo aumento de 24 para 32 seleções. A competição foi disputada pela primeira vez em dois países, na Austrália e na Nova Zelândia, que superaram a concorrência da Colômbia na eleição e deram à Oceania a primeira sede de um torneio adulto da FIFA.

E só podia ser em terras inéditas o nascimento de uma nova campeã mundial, a quinta seleção da história a erguer a taça: a Espanha, que confirmou sua evolução no futebol feminino ao longo dos anos. Antes disso, porém, tivemos surpresas como as quedas de Alemanha e Brasil ainda na primeira fase, e dos Estados Unidos nas oitavas de final. Na contramão, a Colômbia foi até às quartas, e Jamaica, África do Sul e Marrocos chegaram às oitavas.

A campanha de La Roja teve início no grupo C, ancorado na Nova Zelândia. O início foi com vitória por 3 a 0 sobre a Costa Rica. Na sequência, as espanholas golearam a estreante Zâmbia por 5 a 0. Já classificada, a Espanha teve pela frente o Japão na última rodada, mas acabou derrotada por 4 a 0 e encerrou a chave na segunda colocação, com seis pontos.

Nas oitavas de final, a seleção de Aitana Bonmatí (futura Bola de Ouro da Copa), Olga Carmona Jennifer Hermoso, Alba Redondo, Alexia Putellas, Salma Paralluelo, entre outras, goleou a Suíça por 5 a 1. Nas quartas, foi a vez de eliminar a Holanda por 2 a 1, com gols de Mariona Caldentey e Paralluelo, este segundo na prorrogação. Na semifinal, a Espanha derrotou a Suécia pelo mesmo placar de 2 a 1, com mais um gol de Paralluelo e outro de Carmona.

A tão sonhada final da Copa foi entre Espanha e Inglaterra, que superou China, Haiti, Nigéria, Colômbia e Austrália. A partida foi realizada no Estádio Olímpico de Sydney, no dia 20 de agosto, para um público de quase 76 mil torcedores. O título de La Roja veio pela vitória mínima de 1 a 0. O gol foi anotado por Olga Carmona, lateral-direita e capitã da seleção, aos 29 minutos do primeiro tempo.

A campanha da Espanha:
7 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 20 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Dean Lewins/EPA

Espanha Campeã da Liga das Nações 2023

A Liga das Nações da UEFA chegou na terceira edição em 2023, cada vez mais importante e consolidada como uma taça de respeito para as seleções da Europa. A seleção campeã foi a Espanha, que supera a frustração do vice nessa mesma competição em 2021, além das eliminações recentes em Copas do Mundo e Eurocopas, voltando a comemorar um título depois de 11 anos.

Esta edição da Liga das Nações contou com o mesmo regulamento de 2021, com 16 seleções na Liga A, divididas em quatro grupos. Só houve duas diferenças: os piores da Liga C e os melhores da Liga D não fazem mais a troca direta de divisão, sendo submetidos a um play-off de acesso/permanência; e a exclusão e rebaixamento da Rússia na Liga B, em consequência da guerra provocada na Ucrânia.

A Liga A viu algumas surpresas em campo, como o rebaixamento da Inglaterra e a pífia campanha da Alemanha no grupo 3. Também teve a péssima jornada da França no grupo 1, quando defendia o título. A fase de grupos aconteceu antes da Copa do Mundo de 2022, então as perspectivas eram diferentes. Ainda sob o comando de Luis Enrique, a Espanha ficou no grupo 2. La Roja enfrentou Portugal, Suíça e República Tcheca. Em seis jogos, conseguiu três vitórias, dois empates e uma derrota.

Com 11 pontos, a Espanha superou os portugueses por um ponto e os suíços por dois. O início foi com empates por 1 a 1 com Portugal em casa, e por 2 a 2 com os tchecos fora. Depois, venceu a Suíça fora por 1 a 0, e a República Tcheca em casa por 2 a 0. No quinto jogo, a derrota por 2 a 1 para os suíços em Zaragoza deixou tudo aberto para a última rodada. E em Braga, La Roja venceu Portugal por 1 a 0.

A fase final da Liga das Nações aconteceu depois da Copa, em junho de 2023. Com técnico novo, Luis de la Fuente, a Espanha disputou o título com Holanda (sede), Croácia e Itália. A semifinal foi contra os italianos, no De Grolsch Veste, na cidade de Enschede, e os espanhóis venceram por 2 a 1, com gols de Yeremy Pino e Joselu.

A final foi contra a Croácia, que tirou a dona da casa Holanda na prorrogação da semi. A partida foi realizada no Estádio De Kuip, em Roterdã, e contou com a maioria da torcida croata. Mesmo assim, a Espanha foi superior em campo, com as melhores chances criadas. Porém, o 0 a 0 não saiu do placar em 120 minutos. Nos pênaltis, Unai Simón defendeu duas cobranças, Dani Carvajal acertou a batida decisiva, e La Roja foi campeã inédita por 5 a 4 na disputa.

A campanha da Espanha:
8 jogos | 4 vitórias | 3 empates | 1 derrota | 10 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Lars Baron/Getty Images

Espanha Campeã Olímpica 1992

O ano de 1992 foi marcado pelas diversas mudanças no mapa-múndi olímpico. A União Soviética dividiu-se em quatro, mudou de nome para Comunidade de Estados Independentes e competiu como a Equipe Unificada, antecedendo sua divisão definitiva em 15 nações. A Iugoslávia também fragmentou-se em quatro países, e os atletas da banida república-mãe competiram como Atletas Independentes. Por fim, a África do Sul foi reincluída entre as participantes após o fim do apartheid.

O futebol não vivenciou nenhuma dessas alterações, mas contou com outra modificação na maneira de convocar as seleções. A partir dos Jogos de Barcelona, na Espanha, apenas jogadores abaixo dos 23 anos de idade teriam permissão para a disputa, independentemente de serem amadores, profissionais ou de já terem atuado em Copa do Mundo. Muitas possibilidades surgiriam a partir de então.

Porém, a primeira experiência sub-23 seria conservadora, com o ouro ficando a dona da casa.  No grupo B da primeira fase, a Espanha estreou com goleada por 4 a 0 sobre a Colômbia. Depois, antecipou sua classificação ao fazer 2 a 0 no Egito. Por fim, novo 2 a 0 sobre o Catar, que deixou a Fúria na liderança, com seis pontos.

Nas quartas de final, vitória por 1 a 0 sobre a Itália. Na semifinal, foi a vez de derrotar por 2 a 0 o time de Gana. E assim, vencendo todos os jogos e não sofrendo gols, a Espanha chegou na decisão. A adversária foi a Polônia, que deixou para trás Estados Unidos, Kuwait, Catar e Austrália. Antes do ouro e da prata, foi definido quem levou a medalha de bronze: Gana fez 1 a 0 na Austrália. 

Espanhóis e poloneses se encontraram na final logo depois. Jogando no Camp Nou, La Roja encontrou as maiores dificuldades até então. Wojciech Kowalczyk abriu o placar aos 44 minutos do primeiro tempo. A Espanha empatou aos 20 do segundo, com Abelardo. Aos 27, Kiko virou a partida, mas Ryszard Staniek empatou de novo aos 31. Quando tudo se encaminhava à prorrogação, aos 45, Kiko fez 3 a 2 e explodiu a torcida espanhola em Barcelona. Na Olimpíada considerada como a melhor organizada da história, o título veio em casa.

A campanha da Espanha:
6 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 14 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Arquivo/EFE

Espanha Campeã da Eurocopa 2012

A última edição de Eurocopa com 16 seleções aconteceu em 2012, e ela foi duplamente sediada pela terceira vez na história, com a incumbência ficando nas mãos de Ucrânia e Polônia. Foi nos gramados ucranianos e poloneses que a Espanha completou a trilogia dos grandes títulos. Agora temida, a equipe chegava para buscar o tricampeonato ostentando ainda a Copa do Mundo erguida em 2010.

Na cabeça do grupo C, a Fúria estreou contra a Itália, porém não passou do empate por 1 a 1, tendo saído atrás no placar. As coisas voltariam ao normal a partir da segunda rodada, com a goleada por 4 a 0 sobre a Irlanda. No último jogo da fase, bastou à Espanha vencer a Croácia por 1 a 0 para garantir a liderança da chave com sete pontos. Os italianos também avançaram às quartas de final.

O primeiro mata-mata espanhol foi contra a França, uma velha pedra no sapato espanhol nas Euros de 1984 e de 2000, além do Mundial de 2006. Mas desta vez os franceses não tiveram chances e perderam por 2 a 0, ambos os gols marcados por Xabi Alonso. O confronto mais complicado veio na semifinal, contra Portugal. As equipes ficaram no 0 a 0 em Donetsk, tendo que decidir a vaga nos pênaltis. Os espanhóis foram mais eficientes nas cobranças e venceram por 4 a 3. Dessa forma, a Espanha atingia um feito que apenas União Soviética e Alemanha haviam conseguido: chegar em duas finais seguidas.

Mas soviéticos e alemães jamais conquistaram duas vezes consecutivas a Eurocopa. Era a grande chance espanhola de superá-las. Sua adversárias na decisão foi a Itália, marcando o reencontro da estreia. A partida foi disputada no Olímpico de Kiev, e contaria uma história bem distinta do que foi vista lá atrás. Bem leve em campo, a Espanha abriu o caminho do título aos 14 minutos do primeiro, quando David Silva abriu o placar. Aos 41, Jordi Alba ampliou.

A goleada estava por vir, e ela chegou a partir dos 39 do segundo tempo, com o gol de Fernando Torres. Aos 43, Juan Mata fez 4 a 0 e completou a festa. Pela primeira vez o título europeu ficava duas vezes seguidas com a mesma seleção. Mais: a Espanha igualava o topo do ranking de conquistas, ao lado da Alemanha, com três.

A campanha da Espanha:
6 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 12 gols marcados | 1 gol sofrido


Foto Laurence Griffiths/Getty Images

Espanha Campeã da Eurocopa 2008

Mais uma Eurocopa começa, e junto com ela vem o surgimento de uma nova força, que sempre esteve ali mas que na hora H falhava. A história seria mudada com a Espanha a partir de 2008. Seu único título provinha do distante de 1964, na segunda edição continental. O outro troféu era a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1992. Em Copas do Mundo, a Fúria não passava de um quarto lugar em 1950 e algumas eliminações que são comentada até os dias de hoje, como em 2002. Tudo seria diferente nos gramados da Áustria e da Suíça, as anfitriãs da Euro.

No grupo D da competição, a Fúria estreou contra a Rússia, goleando-a por 4 a 1 com direito a hat-trick de do centroavante David Villa. Contra a Suécia, vitória por 2 a 1 encaminhou a classificação espanhola. Na última partida da fase, a Espanha passou pela então detentora do título, a Grécia, com outro triunfo por 2 a 1. Com os nove pontos possíveis, a equipe avançou na liderança da chave, com os russos logo atrás.

O jogo mais difícil de La Roja aconteceu nas quartas de final. Foi contra a Itália, que endureceu ao máximo e fez com que o placar não saísse do 0 a 0. Nos pênaltis, a Fúria fez 4 a 2 e passou à semifinal. No penúltimo passo, foi a vez de enfrentar novamente a Rússia. E a Espanha fez outro placar dilatado: 3 a 0, com todos os gols marcados no segundo tempo.

De volta à decisão, o time espanhol teria de encarar a Alemanha, que para também chegar ali passou por Áustria, Polônia, Portugal e Turquia. A partida foi disputada no Estádio Ernst-Hapel, em Viena. Melhor o tempo todo, a Espanha dominou os alemães com tranquilidade. O solitário gol do título saiu aos 33 minutos do primeiro tempo, quando Fernando Torres recebeu passe em profundidade e tocou na saída do goleiro Jens Lehmann, encobrindo-o.

O resultado final foi de só 1 a 0, mas poderia ter sido mais devido ao maior volume de jogo da Espanha, que conquistava o bicampeonato europeu. Esta jornada de 2008 foi só o começo de uma escalada marcante da seleção ibérica, que culminaria em três taças na galeria e um novo conceito de futebol.

A campanha da Espanha:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 12 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Shaun Botterill/Getty Images

Espanha Campeã da Eurocopa 1964

Foi bem-sucedido o começo da Eurocopa, apesar de a adesão de seleções nas eliminatórias em 1960 não tenha sido completa, inclusive com notáveis ausências, como as de Alemanha Ocidental, Itália e Inglaterra. O cenário mudou para 1964, e o número de participantes aumentou de 17 para 29, embora os alemães do lado oeste do muro ainda estivessem de fora. Todas as outras grandes estavam ali, tentando recuperar o tempo perdido.

E se quatro anos antes a Espanha havia ficado de fora da fase final apenas porque se recusou a desembarcar na União Soviética, agora não só ela seria a dona da casa nas partidas decisivas como também derrotaria a própria detentora do título na disputa derradeira. Mas antes, precisou bater alguns adversários durante os anos de 1962 e 1963. Na primeira eliminatória, passou pela Romênia com vitória por 6 a 0 em casa e derrota por 3 a 1 fora.

Nas oitavas de final, sofreu um bocado mas passou pela Irlanda do Norte ao empatar por 1 a 1 em casa e vencer por 1 a 0 fora. Nas quartas, não teve problemas para derrubar a Irlanda ao golear por 5 a 1 em casa e por 2 a 0 fora. A Fúria chegou na semifinal ao lado de Hungria, Dinamarca e União Soviética, e acabou escolhida como sede, com jogos em Madrid e em Barcelona. Na semifinal, o time espanhol venceu o húngaro por 2 a 1 na prorrogação, gols de Jesús Pereda e Amancio. Do outro lado, os soviéticos fizeram 3 a 0 nos dinamarqueses.

Espanha e União Soviética faziam na segunda decisão de Eurocopa um confronto que não aconteceu nas eliminatórias de 1960. O general Francisco Franco não era simpático ao colega Josef Stalin e os dois regimes de governo não se entendiam. Isso motinou a proibição da Fúria ao comparecimento em território russo. Mas para 1964 a UEFA chegou em acordo com Franco, que permitiu que os soviéticos jogassem em solo ibérico.

E a final aconteceu no Santiago Bernabéu, em Madrid. Gols, só no começo e no fim da partida. Pereda abriu o placar aos seis minutos do primeiro tempo e os soviéticos empataram aos oito. O 2 a 1 que valeu a primeira de três Eurocopas à Espanha veio aos 39 do segundo tempo, através do atacante Marcelino.

A campanha da Espanha:
2 jogos | 2 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 4 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Arquivo/RFEF