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São Raimundo-AM Campeão da Copa Norte 2000

No ano 2000, a Copa Norte testemunhou a consolidação de um domínio poucas vezes visto na região, com o segundo título do São Raimundo. Para esta edição, o regulamento passou por ajustes importantes: o número de participantes subiu para 11, mantendo a fase preliminar paraense, desta vez com quatro equipes disputando uma única vaga. Ao final, oito times foram divididos em dois grupos de quatro, onde apenas os dois melhores de cada chave avançavam para as semifinais.

Favorito ao bicampeonato, o São Raimundo caiu no Grupo A, ao lado de Remo, Vasco-AC e Genus. O Tufão da Colina desfilou em campo, garantindo a classificação de forma invicta. A estreia foi um eletrizante 3 a 3 contra o Remo, em Belém. Depois, os amazonenses emendaram quatro vitórias consecutivas contra os rivais do Acre e de Rondônia, com destaque para o sólido 3 a 0 sobre o Vasco-AC na quarta rodada. O encerramento da fase de grupos veio com um empate em 1 a 1 contra o Remo, em Manaus, selando a liderança da chave com 14 pontos, cinco à frente dos paraenses.

O mata-mata trouxe contornos dramáticos. Na semifinal, o São Raimundo encarou o River. No jogo de ida, em Teresina, o time sentiu o peso do adversário e saiu derrotado por 1 a 0. No entanto, o regulamento favorecia a equipe de melhor campanha, que jogava por uma vitória simples para avançar. No jogo de volta, sob o calor de Manaus, o Tufão fez valer o mando de campo, venceu por 1 a 0 e chegou para mais uma decisão.

A grande final colocou frente a frente o São Raimundo e o Maranhão, que superou Rio Negro-RR, Aliança-AP e Remo. Seguindo o roteiro do ano anterior, o primeiro duelo aconteceu em São Luís, no Castelão. Em uma partida aberta e recheada de gols, o Tufão acabou derrotado por 3 a 2.

Apesar da desvantagem, a confiança no Vivaldão era absoluta. Com um elenco tecnicamente superior e o apoio de sua torcida, o time alviceleste manteve a calma necessária para reverter o cenário. Com uma vitória segura por 2 a 0 em solo amazonense, o São Raimundo ergueu o troféu pela segunda vez consecutiva, confirmando-se como o Rei do Norte.

Com a extinção da Copa Conmebol, o prêmio para o campeão regional tornou-se a vaga na Copa dos Campeões, torneio que reunia a elite do futebol brasileiro e valia um lugar na Libertadores. O São Raimundo, porém, sentiu o nível de exigência da nova competição. Na fase preliminar, o empate contra o Vitória e a derrota para o Goiás interromperam o sonho de voos ainda mais altos em âmbito nacional.

A campanha do São Raimundo-AM:
10 jogos | 6 vitórias | 2 empates | 2 derrotas | 17 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Ariosvaldo Baeta/Placar

Vasco Campeão da Copa Mercosul 2000

O milênio virou, e a Copa Mercosul virou junto para agitar ainda mais as torcidas e os cofres dos clubes. Para o ano 2000, nenhuma vírgula foi alterada na fórmula da competição, que após duas finais brasileiras estaria prestes a ver uma das maiores viradas da história do futebol mundial. Na oportunidade, o Vasco provou que nada está perdido enquanto há jogo em campo.

Na primeira fase, o cruzmaltino enfrentou Atlético-MG, Peñarol e San Lorenzo no grupo E. A estreia foi com derrota por 4 a 3 para os uruguaios em Montevidéu. Depois, venceu o San Lorenzo por 3 a 0 em São Januário e perdeu por 2 a 0 para os mineiros em Belo Horizonte. No returno, o Vasco empatou por 1 a 1 com o Peñarol em casa, venceu o San Lorenzo por 2 a 0 em Buenos Aires e o Atlético também por 2 a 0 em São Januário. Com dez pontos, o Vasco ficou em segundo lugar.

Nas quartas de final, o enfrentamento foi contra o Rosario Central. Depois de vencer por 1 a 0 em São Januário e perder pelo mesmo resultado na Argenitna, vitória vascaína por 5 a 4 nos pênaltis. A semifinal também foi em território hermano, contra o River Plate. O cruzmaltino abriu o confronto no Monumental, e com zero dificuldade goleou por 4 a 1. Na volta em São Januário, nova vitória por 1 a 0.

A decisão foi contra o Palmeiras, que estava ali pela terceira vez em três edições, passando por Independiente, Universidad Católica, Cruzeiro e Atlético-MG. A ida foi em São Januário, com vitória do Vasco por 2 a 0. A volta foi no Palestra Itália, desta vez com vitória palmeirense por 1 a 0.

A situação forçou o terceiro jogo da decisão, também em São Paulo, e que seria lembrada para sempre. Tudo começou a partir da ofensiva do Palmeiras, que fez três gols no fim do primeiro tempo e já gritava "campeão". Tudo mudou no segundo tempo, quando Romário descontou com dois pênaltis, aos 14 e aos 23 minutos. Aos 32, Júnior Baiano foi expulso, deixando o Vasco com dez jogadores. Aos 41, Juninho Paulista empatou. O golpe fatal veio aos 48, com Romário anotando seu terceiro tento. Com o 4 a 3, o cruzmaltino marcou os livros de história do futebol.

A campanha do Vasco:
13 jogos | 8 vitórias | 1 empate | 4 derrotas | 23 gols marcados | 13 gols sofridos


Foto Alexandre Battibugli/Placar

Galatasaray Campeão da Liga Europa 2000

A virada para o ano 2000 trouxe uma nova era para a Copa da UEFA, que já vinha em constante mutação ao longo da década de 1990. Com o fim da Recopa Europeia, as vagas das copas nacionais foram absorvidas pela competição agora alçada à segunda mais importante do velho continente. Mas isso não foi tudo, pois a UEFA também resolveu mexer com a Liga dos Campeões, que passou a ter os terceiros colocados eliminados da fase de grupos "rebaixados" para a terceira fase da copa menor.

De tal forma, o número de participantes saltou para 142. Entre eles, o Galatasaray, clube da Turquia e que tinha como principal atração o goleiro Taffarel, o meia Gheorghe Hagi e o atacante Hakan Sükür. O país jamais havia atingido uma decisão na Europa até a Copa da UEFA de 2000, que seria conquistada de maneira invicta pelos "aslanlar" (os leões). Mas o caminho começou na Liga dos Campeões, superado por Chelsea e Hertha Berlim no grupo H. Porém, a equipe terminou à frente do Milan e garantiu um lugar na Copa da UEFA.

O primeiro adversário do Galatasaray na nova competição foi o Bologna. Na ida, empatou por 1 a 1 na Itália. Na volta, venceu por 2 a 1 no antigo Estádio Ali Sami Yen, em Istambul. Nas oitavas de final, foi a vez de enfrentar o Borussia Dortmund. Na primeira partida, vitória por 2 a 0 em plena Alemanha, com gols de Hakan Sükür e Hagi. No segundo jogo, bastou segurar o 0 a 0 na Turquia.

Nas quartas de final, o Galatasaray encarou o Mallorca. E novamente o time encaminhou a classificação na ida fora de casa, ao golear por 4 a 1, com gols de Arif Erdem, Emre Belözoglu, Hakan Sükür e Okan Buruk. Em casa, a equipe turca voltou a vencer, fazendo 2 a 1 no rival espanhol.

A semifinal foi disputada contra o Leeds United. Desta vez, o primeiro jogo foi realizado em Istambul. Ainda no primeiro tempo, Hakan Sükür e o zagueiro Capone (o brasileiro) anotaram os tentos da vitória por 2 a 0 que encaminhou a vaga do Galatasaray na final. A segunda partida aconteceu em Elland Road e o time turco arrancou dos ingleses o empate por 2 a 2.

Na decisão, o Galatasaray enfrentou outro inglês, o Arsenal. Também egresso da Liga dos Campeões, o clube de Londres passou por Nantes, Deportivo La Coruña, Werder Bremen e Lens. O estádio definido para a partida foi o Parken, em Copenhague, na Dinamarca. Entretanto, apesar das chances criadas pelos dois times, o gol não saiu nem nos 90 minutos, nem na prorrogação. Nos pênaltis, a trave ficou do lado dos turcos, que viram duas cobranças inglesas pararem lá. Por 4 a 1, deu Galatasaray.

A campanha do Galatasaray:
9 jogos | 5 vitórias | 4 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Philippe Huguen/AFP/Getty Images

Palmeiras Campeão do Torneio Rio-São Paulo 2000

Começa o novo milênio, e junto com ele mais uma edição do Torneio Rio-São Paulo. O regulamento para 2000 foi o mesmo pela terceira vez seguida. E pela primeira temporada desde o retorno da competição, sete anos antes, o campeão foi repetido. A honra coube ao Palmeiras, que chegou ao seu quinto título na história e igualou ao Santos como maior vencedor somando as duas eras.
No grupo B do campeonato, estreou empatando por 3 a 3 com o Vasco fora de casa. A única derrota palmeirense foi na segunda rodada, por 2 a 1 para o Corinthians. E nas quatro partidas seguintes o clube emendou vitórias: 6 a 2 sobre o Fluminense, pelos 2 a 1 sobre o Vasco e 3 a 1 sobre o Corinthians em casa, e 2 a 0 sobre o Fluminense no Rio de Janeiro.
O Verdão fechou a fase de grupos classificado na liderança, com 13 pontos. livrando dois em relação ao rival carioca do primeiro jogo. O adversário na semifinal foi o Botafogo, o qual eliminou sem maiores problemas, com empate por 0 a 0 no Maracanã e vitória por 3 a 1 em São Paulo.
Na decisão, um confronto bastante marcado naquela época. O Palmeiras enfrentou o Vasco, marcando o terceiro entre quatro encontros valendo algo importante naqueles tempos: a final do Torneio Rio-São Paulo aconteceu mais de dois após uma disputa de título no Brasileirão, quase um após jogos históricos nas oitavas da Libertadores e nove meses antes da épica decisão da Copa Mercosul.
O Verdão chegava como favorito paras as duas partidas. E venceu ambas, por 2 a 1 no Maracanã, na ida, e por 4 a 0 no Morumbi, na volta. Os gols foram marcados por Pena, Argel, Euller e Arce. O penta regional foi a última conquista do técnico Luiz Felipe Scolari na sua primeira passagem pelo Palmeiras, que durou entre 1997 e 2000.

A campanha do Palmeiras:
10 jogos | 7 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 26 gols marcados | 11 gols sofridos


Foto Alexandre Battibugli/Placar

Real Madrid Campeão da Liga dos Campeões 2000

Na virada do milênio, a Liga dos Campeões bateu um novo recorde no número de participantes. Na edição de 2000, a competição acolheu 71 participantes. A mudança foi um reflexo do fim da Recopa Europeia (Cup Winners' Cup), que foi absorvida pela Copa da UEFA. Esta, por ter ficado muito inchada, motivou a confederação a mexer no seu torneio principal e aumentar a divisão de clubes conforme seu coeficiente, para equilibrar as duas disputas entre si.

Os três melhores países passaram a ter quatro representantes; do quarto ao sexto, três times; do sétimo ao 15º, dois; e do 16º em diante continuou com uma equipe cada. O regulamento foi revisto: as preliminares ficaram com três etapas e a fase de grupos foi ampliada e dividida em duas - uma inicial com oito e outra posterior com quatro.

Foi em meio a esse tanto de números que o Real Madrid reapareceu para conquistar "la octava" da Champions. O clube merengue estreou no grupo E, junto com Molde (Noruega), Olympiacos e Porto. Em seis jogos, foram 13 pontos, quatro vitórias, um empate e a classificação tranquila, na liderança. A vaga foi obtida na penúltima rodada, na vitória por 3 a 0 sobre os gregos no Santiago Bernabéu.

Na fase seguinte, o Real ficou no grupo C, ao lado de Rosenborg (Noruega), Dínamo Kiev e Bayern de Munique. A vaga desta vez veio com dificuldade, na segunda posição depois de seis partidas, com dez pontos, três vitórias e um empate (e duas derrotas feias para os alemães - 4 a 2 em casa e 4 a 1 fora). Empatado com os ucranianos, o time madridista passou graças à vantagem no confronto direto - vitória por 2 a 1 fora e empate por 2 a 2 em casa.

Nas quartas de final, os merengues eliminaram o Manchester United com 0 a 0 no Bernabéu e 3 a 2 fora. Na semifinal, foi a vez de se vingar do Bayern ao vencer em casa por 2 a 0 e perder fora por 2 a 1.

A final foi contra o Valencia, a primeira da história entre clubes de um mesmo país. O rival passou por Rangers, PSV Eindhoven, Fiorentina, Bordeaux, Lazio e Barcelona. O jogo aconteceu no Stade de France, em Saint-Denis, arredores de Paris. Com superioridade, o Real Madrid chegou ao octacampeonato ao vencer por 3 a 0, gols de Fernando Morientes, Steve McManaman e Raúl, o ídolo máximo de uma época vencedora. 

A campanha do Real Madrid:
17 jogos | 10 vitórias | 3 empates | 4 derrotas | 35 gols marcados | 23 gols sofridos


Foto Paul Popper/Popperfoto/Getty Images

Boca Juniors Campeão da Libertadores 2000

Na virada do milênio, a Libertadores passou pela sua mudança mais profunda. A Conmebol aumentou o números de equipes participantes de 21 para 32. Ou melhor, de 23 para 34. Poucos lembram, mas antes de existir a fase preliminar, dois clubes do México e dois da Venezuela disputavam um quadrangular antes da competição de fato, em busca de dois lugares na fase de grupos.

Isso continuou para 2000, porém os outros países subiram de duas para três vagas. Brasil e Argentina, para quatro. E o detentor do título completava a lista. Assim, o Brasil contou com o recorde à época de cinco participantes.

A primeira fase passou a contar com oito grupos sortidos ao invés dos cinco binacionais, e com o campeão anterior entrando logo no começo. Azar ou não, o Palmeiras foi o primeiro a defender a taça nesse formato. Quase deu certo, não fosse pelo melhor Boca Juniors da história, numa história de domínio que iniciou ali e perdurou por mais de meia década.

No grupo 2, o clube xeneize dominou com tranqulidade Peñarol, Universidad Católica e o boliviano Blooming, vencendo quatro jogos e empatando um entre os seis que disputou. Com 13 pontos, colocou quatro de vantagem sobre os uruguaios. Embalado por grandes partidas e uma goleada por 6 a 1 sobre o Blooming na quarta rodada, o Boca seguiu ao mata-mata.

Nas oitavas, eliminou o El Nacional com empate por 0 a 0 no Equador e vitória por 5 a 3 em La Bombonera. Nas quartas, disputou o clássico com o River Plate, perdendo a ida no Monumental por 2 a 1 mas vencendo a volta em casa por 3 a 0. Na semifinal, os xeneizes sofreram porém bateram o América do México com goleada por 4 a 1 na Argentina e derrota por 3 a 1 no Azteca.

Na final, os comandados de Carlos Bianchi encararam o Palmeiras, que superou Peñarol, Atlas e Corinthians. A ida foi na Bombonera. Rodolfo Arruabarrena marcou duas vezes, mas os brasileiros buscaram o 2 a 2 e deixaram a volta em aberto.

No Morumbi, em São Paulo, empate sem gols levou aos pênaltis. Então, Óscar Córdoba brilhou com duas defesas, o Boca Juniors venceu por 4 a 2 e levou o tricampeonato depois de 22 anos. Bianchi mostrava de vez a todos que entendia de Libertadores.

A campanha do Boca Juniors:
14 jogos | 7 vitórias | 4 empates | 3 derrotas | 30 gols marcados | 16 gols sofridos


Foto Arquivo/Gazeta Press

Noruega Campeã Olímpica Feminina 2000

Depois do sucesso que foi a estreia do futebol feminino nas Olimpíadas, na edição do centenário, a modalidade mostrou que veio para ficar nos ciclos seguintes. Nos Jogos que abriram o novo milênio, na australiana Sydney em 2000, foi mantido exatamente o mesmo regulamento e o mesmo sistema de classificação: oito equipes, com sete vagas destinadas às melhores da Copa do Mundo de 1999 mais a do país-sede.

Num esporte em que se há a dominância de apenas uma seleção, é preciso aproveitar bem as oportunidades quando elas surgem. Foi o caso da Noruega, que repetiu a receita do Mundial cinco anos antes e levou a medalha de ouro para casa.

No grupo F da primeira fase, as "Gresshoppene" começaram mal, pois foram derrotadas pelos Estados Unidos por 2 a 0. A primeira vitória veio na rodada seguinte, por 3 a 1 sobre a Nigéria. Na terceira partida, as norueguesas confirmaram a classificação ao fazerem 2 a 1 na China. Com seis pontos, elas ficaram na vice-liderança, com um a menos em relação ao time norte-americano.

Na semifinal, contra a Alemanha, vitória simples por 1 a 0 colocou a Noruega na final, justamente contra os Estados Unidos, que despacharam o Brasil na outra chave. Na disputa do bronze, as alemãs levaram a medalha com vitória por 2 a 0 sobre as brasileiras.

O duelo na decisão entre norueguesas e norte-americanas aconteceu no Estádio Sydney Football. A partida foi muito movimentada, com viradas, empate nos acréscimos e o gol que literalmente valeu ouro. Aos cinco minutos do primeiro tempo, os Estados Unidos abriram o placar com Tiffeny Milbrett. O empate da Noruega veio aos 44, com Gro Espeseth. Aos 33 do segundo tempo, Ragnhild Gulbrandsen virou o jogo e deixou o time europeu perto do título, mas Milbrett empatou novamente aos 47 minutos. Na prorrogação, a morte súbita apareceu: aos 12 do primeiro tempo, Dagny Mellgren anotou o 3 a 2 que deu a única medalha dourada que não ficou nas mãos das norte-americanas, até a edição de 2016.

A campanha da Noruega:
5 jogos | 4 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 9 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Tony Marshall/PA Images

Camarões Campeão Olímpico 2000

Entre datas e marcos históricos, a Olimpíada atravessou o o novo milênio. Os Jogos de 2000 viajaram até ao outro lado do mundo e foram sediados em Sydney, na Austrália. E se quatro anos antes os especialistas ficaram surpreendidos com o ouro da Nigéria, o recado estava dado: camisa já não bastava mais para ganhar partidas e seguir adiante no torneio masculino de futebol. A confirmação dos fatos veio nos gramados da Oceania, com a seleção de Camarões.

A parte dois da escalada africana teve início no grupo C da primeira fase. Os Leões Indomáveis estrearam com vitória por 3 a 2 sobre o Kuwait. Na segunda rodada, empate por 1 a 1 com os Estados Unidos. E no último jogo, outro empate por 1 a 1, desta vez com a República Tcheca. Os resultados deixaram Camarões com cinco pontos, na vice-liderança. Por um gol a menos de saldo, eles perderam a ponta para os norte-americanos.

O principal capítulo da história camaronesa foi escrito nas quartas de final. Contra o Brasil, duas expulsões tornaram as coisas difíceis. Mas o gol de Patrick M'Boma aos 17 minutos do primeiro tempo dava a vitória à equipe. O empate brasileiro veio com Ronaldinho aos 49 do segundo tempo, e parecia que o caminho seria encerrado na prorrogação. Porém Modeste M'bami fez 2 a 1 aos oito do segundo tempo extra, e o gol de ouro deu sequência à trajetória. Na semifinal a vítima foi o Chile, com outro emocionante 2 a 1, agora de virada no último minuto.

A definição das medalhas na final foi contra a Espanha, que eliminou Coreia do Sul, Marrocos, Itália e Estados Unidos. Na disputa pelo bronze, os chilenos fizeram 2 a 0 nos norte-americanos. A grande decisão foi jogada no Olímpico de Sydney, novamente com traços dramáticos. Já aos dois minutos de partida, Xavi abriu o placar aos espanhóis. Aos 47, Gabri García aumentou.

Mas Camarões voltou com tudo para a última etapa, buscando o 2 a 2 com gol contra de Iván Amaya aos oito e Samuel Eto'o aos 13. A prorrogação passou toda em branco, e o ouro foi definido nos pênaltis. Amaya errou pelo lado europeu e todos os camaroneses converteram suas cobranças. Por 5 a 3, os Leões conseguiram o título inédito e histórico.

A campanha de Camarões:
6 jogos | 3 vitórias | 3 empates | 0 derrotas | 11 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Popperfoto/Getty Images

França Campeã da Eurocopa 2000

Começa um novo milênio, e a Eurocopa desembarca no ano 2000 com mais uma novidade: pela primeira vez, a sede ficou dividida entre dois países. Os escolhidos foram Holanda e Bélgica, cada um concedendo quatro cidades e estádios para as partidas. Os belgas ficariam com a abertura, e os holandeses com a final. Tudo foi pensado para reduzir os custos da organização, que aumentavam edição após edição.

No campo, as forças se reorganizavam. Defendendo o título, a Alemanha fez uma péssima campanha, empatando um e perdendo dois jogos. Holanda e Itália mantiveram-se em alta, e foram acompanhas pela nova ascensão de Portugal. Mas o centro das atenções era mesmo a França. Vinda da conquista inédita da Copa do Mundo, a equipe de Zinedine Zidane, Youri Djorkaeff e Thierry Henry era a grande favorita a vencer.

No grupo D da Euro, os Bleus estrearam com irreparável vitória por 3 a 0 sobre a Dinamarca. A classificação veio logo na segunda partida, ao fazer 2 a 1 sobre a República Tcheca. O último jogo foi para definir a liderança, mas a França perdeu por 3 a 2 para a Holanda e teve que ficar no segundo lugar, com seis pontos.

O adversário nas quartas de final foi a Espanha, a qual venceu por 2 a 1. Portugal estava no caminho da semifinal, em Bruxelas. Em jogo agônico, o time francês virou para 2 a 1 a três minutos do fim da prorrogação, quando Henry fez o gol de ouro.

A final da Eurocopa aconteceu no De Kuip, estádio na cidade de Roterdã. O adversário da França foi a Itália, que eliminou Romênia e Holanda no mata-mata, além da anfitriã Bélgica na fase de grupos. A decisão foi jogada com altas doses de emoção, para os dois lados. Os italianos abriram o placar aos dez minutos do segundo tempo e ficaram com a taça na mão até aos 48, quando Sylvain Wiltord - que saiu do banco de reservas - empatou.

A prorrogação entrou mais uma vez na vida francesa, e aos 13 do primeiro tempo, David Trezeguet - outro oriundo da reserva - emendou de primeira o cruzamento de Bixente Lizarazu e virou para 2 a 1. Mais um gol de ouro, agora o do título. Bicampeã, a França confirmava todas as previsões e se consolidava com a melhor seleção do momento.

A campanha da França:
6 jogos | 5 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 13 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Arquivo/FFF

América-MG Campeão da Copa Sul-Minas 2000

A Copa Sul recebeu reforços de peso a partir do ano 2000. Em busca de maior competitividade e visibilidade, os clubes de Minas Gerais retiraram-se da Copa Centro-Oeste e foram realocados pela CBF para o torneio regional do Sul. Com essa mudança, a competição foi rebatizada como Copa Sul-Minas.

Embora o número total de 12 participantes tenha sido mantido, a nova configuração forçou uma redistribuição de forças: os estados sulistas viram suas vagas serem reduzidas de quatro para três, embora, excepcionalmente naquela edição, o Paraná tenha contado com quatro representantes e Santa Catarina com apenas dois.

E os mineiros não perderam tempo, chegando ao torneio com o pé na porta. O grande protagonista dessa invasão foi o América-MG. Integrante do Grupo A, o Coelho mostrou seu cartão de visitas logo na estreia ao surpreender o Internacional em pleno Beira-Rio, vencendo por 1 a 0. Embalado, o time mineiro engatou mais duas vitórias contundentes em casa: um 4 a 1 sobre o Athletico-PR e um 2 a 0 sobre o Avaí.

No returno, a campanha foi mais acirrada, com uma derrota por 3 a 2 para o Athletico fora de casa e empates em 0 a 0 contra o Avaí e em 1 a 1 com o Inter no Independência. Mesmo assim, o América garantiu a liderança da chave com 11 pontos, superando os paranaenses no saldo de gols.

Na semifinal, o destino colocou o Coelho novamente frente a frente com o Athletico-PR. As duas partidas acabaram em dois empates eletrizantes em 2 a 2, tanto na Arena da Baixada quanto no jogo da volta em Belo Horizonte. A vaga para a grande final precisou ser decidida nos pênaltis, onde a frieza americana prevaleceu com a vitória por 4 a 2.

A decisão foi um clássico mineiro contra o Cruzeiro, que eliminou o Paraná na semifinal. Embora o favoritismo histórico pendesse para o lado cruzeirense, o América vivia um momento iluminado. Ambos os confrontos tiveram o Mineirão como palco. No primeiro duelo, o Coelho saiu na frente com uma vitória por 1 a 0.

No jogo decisivo, a tensão tomou conta do estádio quando o Cruzeiro abriu o placar aos 40 minutos do primeiro tempo. O alívio americano na etapa final, com o empate aos oito minutos e a virada aos 38. A vitória por 2 a 1 confirmou a conquista histórica e invicta da Copa Sul-Minas para o América-MG.

A campanha do América-MG:
10 jogos | 5 vitórias | 4 empates | 1 derrotas | 17 gols marcados | 10 gols sofridos


Foto Eugênio Sávio/Placar

Boca Juniors Campeão Mundial 2000

Nada mudou no planejamento de Conmebol, UEFA e Toyota em razão da criação do Mundial de Clubes da FIFA. A Copa Intercontinental seguiu sua programação normal e, no ano 2000, recebeu duas das camisas mais pesadas que o futebol já viu. O Japão falaria espanhol no final do século XX.

Terceiro lugar no Mundial do Brasil em janeiro, o Real Madrid conquistou sua oitava Liga dos Campeões meses depois. No mata-mata europeu, o time merengue derrubou Manchester United, Bayern de Munique e Valencia na decisão, vencendo por 3 a 0.

Na Libertadores, surgia uma nova dinastia sul-americana. O Boca Juniors alcançou seu terceiro título continental sob o comando técnico de Carlos Bianchi e com um jovem Juan Román Riquelme brilhando no meio-campo. O clube xeneize eliminou Universidad Católica, El Nacional, River Plate e América do México, antes de superar o Palmeiras na final em três atos: 2 a 2 na ida, 0 a 0 na volta e 4 a 2 nos pênaltis.

O Mundial mais famoso foi disputado em 28 de novembro. Os dois times chegaram ao Estádio Nacional de Tóquio com elencos repletos de estrelas. De um lado, Raúl, Fernando Hierro, Iker Casillas, Roberto Carlos e Luís Figo. Do outro, Riquelme, Martín Palermo, Óscar Córdoba e José Basualdo. O brilho em campo sugeria uma partida movimentada. Poucos, no entanto, imaginariam que ela seria decidida tão rapidamente.

Já aos três minutos do primeiro tempo surgiu o nome do jogo (e o futuro dono do carro). Palermo abriu o placar para o Boca após escorar cruzamento de Marcelo Delgado pela ponta esquerda. Foi seu primeiro toque na bola, na primeira chance argentina. Aos seis, Riquelme iniciou um contra-ataque com um lançamento do campo defensivo. A bola caiu nos pés de Palermo, que ganhou na corrida do lateral Geremi e tocou na saída de Casillas. Em seis minutos, dois gols de El Loco praticamente decidiram o rumo do Mundial.

O Real Madrid conseguiu descontar tão rápido quanto sofreu os golpes. Aos 12, Roberto Carlos aproveitou um corte errado de Hugo Ibarra e acertou um golaço da entrada da área pela esquerda. Depois do 2 a 1 relâmpago, muitos esperavam uma chuva de gols, mas as redes não balançaram mais até o apito final. Melhor para o Boca Juniors, que conquistou seu segundo título mundial e voltou à primeira fila do futebol após 22 anos. E foi um retorno para durar quase toda a década.


Foto Shaun Botterill/Allsport/Getty Images

Corinthians Campeão Mundial 2000

A Copa Intercontinental e seu êxito em apontar um campeão mundial sempre despertou na FIFA um tipo de “ciúme”. A entidade buscou, por diversas vezes, algum tipo de parceria e a inclusão de outras confederações no torneio. Só que nunca houve acordo com Europa e América do Sul.

Na virada do milênio, a FIFA resolveu criar sua própria competição, anual e paralela à UEFA, Conmebol e Toyota. A ideia, levantada em 1993 e aprovada em 1997, foi o último grande ato de João Havelange na presidência da entidade — e o primeiro de um ainda candidato à presidência Joseph Blatter, que viria a ser eleito em 1998.

O Mundial de Clubes estava previsto para o fim de 1999, e o Brasil acabou escolhido como sede, com grande lobby. Porém, como a temporada brasileira terminava somente na semana do Natal, a disputa foi postergada para janeiro de 2000.

Cada confederação indicou seu representante campeão. A UEFA convocou o Manchester United (vencedor da Liga dos Campeões); a Conmebol optou pelo Vasco (vencedor da Libertadores 1998); a Concacaf designou o mexicano Necaxa; a CAF trouxe o marroquino Raja Casablanca; a AFC enviou o saudita Al-Nassr; e a OFC teve o australiano South Melbourne. Para completar oito equipes, a FIFA convidou o Real Madrid, campeão mundial de 1998, e a CBF chamou o Corinthians, campeão brasileiro do mesmo ano, que viria a vencer também em 1999.

Embalado e com um ótimo time, o Timão jogou a fase de grupos no Morumbi. Sua estreia foi contra o Al-Nassr, vencendo por 2 a 0. No jogo seguinte, empate por 2 a 2 contra o Real Madrid, com Edílson brilhando e marcando os dois gols — o segundo com direito a janelinha nas pernas do volante Christian Karembeu. Por fim, 2 a 0 sobre o Raja Casablanca garantiu a classificação à decisão, com o Corinthians liderando a chave com sete pontos e quatro gols de saldo. O Real foi segundo, também com sete pontos, mas saldo três.

A final foi contra o Vasco, que vinha de ótimas vitórias sobre o Manchester United e os demais adversários. Em 120 minutos, nada de gols. Nos pênaltis, Freddy Rincón, Fernando Baiano, Luizão e Edu converteram para os corintianos, enquanto apenas três vascaínos acertaram. Marcelinho Carioca teve a chance de fazer o gol do título, mas perdeu a última cobrança.

A sorte do dia 14 de janeiro de 2000 estava do lado do Corinthians: Edmundo também errou o último chute carioca. Por 4 a 3, o Alvinegro conquistava seu primeiro título mundial, uma taça especial no coração da fiel torcida. E, apesar do sucesso da FIFA na organização, o Mundial de Clubes nascia com mais dúvidas do que certezas. Como seria em 2001?


Foto Alexandre Battibugli/Placar

Sport Campeão da Copa do Nordeste 2000

Quase nada foi alterado de uma temporada para a outra, e a Copa do Nordeste seguiu com o mesmo regulamento para o ano 2000. Sete Estados e 16 equipes divididas nos quatro grupos da competição que já se mostrava mais rentável que os estaduais. O "quase" ficou por contra de uma mudança: no lugar das disputas por pênaltis no mata-mata, a vantagem do empate agregado para os times de melhor campanha da fase de grupos.

Dentro de campo, a disputa ficou marcada pela presença de clubes pequenos no cenário regional (e xarás), como Juazeiro (CE), Juazeiro (BA), Coritiba (SE), Miguelense (AL), e Poções (BA). Aliás, os dois últimos fizeram um bom papel e chegaram na fase final. Mas a camisa pesou na hora da chegada. Campeão da primeira edição e vindo de um tetra estadual, o Sport vinha sedento pelo bicampeonato. E tal fato se confirmou logo depois (também viria o penta em Pernambuco).

No grupo A da competição, o Leão da Ilha encarou Botafogo-PB, CSA e o Poções. A chave não se mostrou complicada. Na estreia, vitória por 2 a 0 sobre o CSA em Maceió. Depois, outro 2 a 0, desta vez sobre o Botafogo-PB em casa. A única derrota rubro-negra da fase foi no terceiro jogo, na Ilha do Retiro: 2 a 1 para o emergente Poções.

No returno, vitórias por 1 a 0 sobre os paraibanos em João Pessoa e sobre os baianos do interior. Para encerrar com moral, goleada por 6 a 1 sobre os alagoanos em casa. Com 15 pontos, o Sport foi líder com folga.

Nas quartas de final, o rubro-negro passou um grande aperto diante do Treze. Após perder o jogo de ida por 2 a 0 em Campina Grande, o time pernambucano obrigou-se a fazer 3 a 0 no jogo de volta para seguir com o sonho do título. Na semifinal, no reencontro com o Poções, o Sport empatou a primeira partida por 1 a 1 no interior baiano e venceu a segunda partida por 2 a 0 na Ilha do Retiro.

Na final, o duelo entre leões. Sport e Vitória se enfrentaram em duas partidas movimentadas. A ida foi jogada no Barradão, e terminou com empate por 2 a 2. A volta foi jogada na Ilha do Retiro, e outro empate por 2 a 2 aconteceu. Graças a melhor campanha na fase de grupos, o Leão da Ilha conquistou seu segundo título na Copa do Nordeste.

A campanha do Sport:
12 jogos | 7 vitórias | 3 empates | 2 derrotas | 23 gols marcados | 10 gols sofridos


Foro Léo Caldas/Agência Lumiar/Placar

Malutrom Campeão Brasileiro Série C 2000

O Caso Gama afetou quase todo o calendário do futebol brasileiro em 2000. A CBF ficou impossibilitada de organizar as Séries A, B e C daquele ano, e a bola foi passada para o Clube dos 13, que criou a Copa João Havelange. Na teoria, a competição foi um aglomerado de 116 times divididos em quatro módulos. Mas na prática, cada módulo funcionou como uma divisão, sem ligação os resultados da temporada anterior. Isto explica, por exemplo, o Fluminense ter "saltado" da terceira para a primeira divisão.

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O equivalente à Série C em 2000 foi a união dos 55 times nos módulos Verde e Branco, com o seu campeão ganhando uma vaga no mata-mata geral. E este campeão foi um tanto improvável, vindo de Curitiba. O Malutrom foi um clube que nasceu na década de 70 através da união entre as famílias Malucelli e Trombini. Tradicional no futebol amador da cidade, foi transformado em S/A e oficializado em 1994. Quatro anos depois, montou a primeira equipe profissional.

A boa campanha no estadual de 2000 credenciou o clube a ser chamado para a disputa da Copa João Havelange. O "Time do Garoto" ficou no grupo 2 do Módulo Branco, junto com outros seis clubes. A estreia não foi boa, perdendo por 4 a 0 para o Paulista em Jundiaí. Depois, derrota por 2 a 1 para o União Bandeirante fora de casa. A primeira vitória veio em casa, por 3 a 0 sobre o Comercial-SP.

Ainda em Curitiba, fez 3 a 2 no União Rondonópolis. Na sequência, empatou por 2 a 2 com a Inter de Limeira fora. Outra vitória foi sobre o Madureira em Curitiba, por 2 a 1. No returno empatou mais três partidas e venceu outras três, por 2 a 0 sobre o União em Rondonópolis, por 4 a 1 sobre o Comercial em Ribeirão Preto, e por 2 a 1 sobre o Paulista em Curitiba. O Malutrom encerrou a primeira fase classificado como vice-líder, com 22 pontos.

Na segunda fase, em quadrangular, o Garoto melhorou a campanha. Com vitórias por 2 a 0 sobre o Rio Branco-SP em Americana, pelo mesmo placar sobre o Friburguense, por 4 a 2 sobre o Santo André e por 1 a 0 sobre o Rio Branco - as três em casa -, além de dois empates, o Malutrom se classificou com 14 pontos.

Na terceira fase, em outro quadrangular, venceu o Paulista por 2 a 1 fora de casa, a Tuna Luso por 2 a 1 em casa, o Moto Club por 4 a 3 também no Paraná, empatou outros dois jogos e perdeu um. Com 11 pontos, foi para a final.

A decisão foi contra o Uberlândia. Na ida, empatou em 1 a 1 no Parque do Sabiá. Na volta, venceu por 3 a 2 no Durival de Brito e se consagrou campeão dos Módulos Verde e Branco, já na época equivalente a Série C. Na sequência da Copa João Havelange, o Malutrom enfrentou o Cruzeiro, perdendo a ida por 3 a 0 em casa, e empatando a volta por 1 a 1 no Mineirão.

Por incrível que pareça a conquista de 2000 nunca foi reconhecida pela CBF, mas ainda assim é o título mais importante do clube, que passou a ser chamado de J.Malucelli em 2005, Corinthians Paranaense em 2009, e J.Malucelli novamente, de 2012 até 2017, quando encerrou suas atividades.

A campanha do Malutrom:
26 jogos | 14 vitórias | 9 empates | 3 derrotas | 47 gols marcados | 32 gols sofridos


Foto Jader da Rocha/Placar

Paraná Campeão Brasileiro Série B 2000

A Série B de 2000 quase não aconteceu. Aliás, todas as divisões foram ameaçadas com o imbróglio envolvendo Gama e CBF. Uma guerra judicial quanto ao rebaixamento (ou não) do time candango levou o clube para a Justiça Comum. Assim, a entidade foi impedida de organizar o Brasileirão naquele ano e passou a bola para o Clube dos 13, que fez a competição do zero, sem respeitar a ordem de acesso e descenso. Enquanto a primeira divisão foi chamada de Módulo Azul, a segundona virou o Módulo Amarelo.

De 1999, ficaram todos menos Goiás (campeão e com acesso legítimo), Santa Cruz (vice e também com acesso no campo), América-MG (resgatado pelo C13) e Bahia (outro que foi "subido"). E das equipes que jogariam a Série B em 2000, não o fizeram o próprio Gama (que entrou por último na primeira divisão), o Juventude (salvo do rebaixamento pelo C13) e o Fluminense (campeão da Série C de 1999, pinçado pelo C13).

Para completar, muitos dos times do Módulo Amarelo vieram com critério baseado nos estaduais, sem passar pela terceira divisão do ano anterior. No fim, os únicos rebaixamentos respeitados foram o do Botafogo-SP e do Paraná.

O Paraná Clube não foi beneficiado pela confusão que virou a Copa João Havelange. Mas dentro de campo tentou contornar essa situação. O Módulo Amarelo contou com 36 clubes, em dois grupos regionalizados. O Tricolor da Vila ficou no grupo 1, ao lado de times da região Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

A disputa seria em turno único com oito vagas de classificação por grupo. Com uma defesa sólida (11 gols, a menos vazada) e um ataque cirúrgico (18 gols em 17 jogos), o Paraná não encontrou maiores dificuldades para se classificar na terceira posição. Foram 29 pontos, oito vitórias, cinco empates e quatro derrotas, ficando 11 pontos atrás do líder São Caetano.

A segunda fase foi toda em mata-mata de ida e volta, e contou com 16 times. Nas oitavas de final, o Tricolor enfrentou a Anapolina, vencendo por 1 a 0 em Anápolis e por 2 a 0 em Curitiba. Nas quartas, o adversário foi o Bangu, e o Paraná definiu logo no primeiro jogo em Moça Bonita, ao vencer por 3 a 0. Depois, nova vitória por 2 a 1 na Vila Capanema.

Na semifinal, confronto contra o Remo, e na ida em casa o Paraná ficou no 0 a 0. A emoção ficou para a volta no Mangueirão, onde o time paranista venceu por 2 a 1 e se classificou para a final, além de garantir o acesso para a fase final do Módulo Azul ainda na mesma temporada.

A final foi contra o São Caetano, e o primeiro jogo na Vila Capanema acabou 1 a 1. Mais uma vez, o Paraná precisou mostrar seu valor fora de casa. No Palestra Itália, o Tricolor não quis saber de nada, e com 11 minutos já marcava dois gols. No final, vitória paranaense por 3 a 1 e o título do Módulo Amarelo. Pela primeira vez uma equipe chegava ao bicampeonato na Série B. Na sequência, o Paraná disputou o mata-mata da Copa João Havelange, e foi bem. Eliminou o Goiás nas oitavas e só perdeu no saldo de gols para o Vasco (futuro campeão) nas quartas.

A campanha do Paraná:
25 jogos | 14 vitórias | 7 empates | 4 derrotas | 32 gols marcados | 15 gols sofridos


Foto Rogério Pallatta/Placar

Palmeiras Campeão da Copa dos Campeões 2000

Para indicar o quarto representante na Libertadores a partir de 2001, a CBF instituiu no ano 2000 a Copa dos Campeões, uma competição de tiro curto composta pelos vencedores das principais disputas regionais do país. O torneio buscava dar peso ao calendário nacional e contava com os campeões do Torneio Rio-São Paulo, da Copa Sul-Minas, da Copa do Nordeste, da Copa Centro-Oeste e da Copa Norte, além dos campeões estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro e os vices da Sul-Minas e do Nordeste, formando um verdadeiro filtro da elite brasileira.

O Palmeiras garantiu sua vaga como campeão do Torneio Rio-São Paulo, mas vivia um momento de profunda incerteza e reformulação, logo após a derrota nos pênaltis na final da Libertadores contra o Boca Juniors. O fim de um ciclo vitorioso ficou evidente com a saída de pilares do elenco e do técnico Luiz Felipe Scolari. Assim, o auxiliar Flávio Murtosa assumiu o posto interinamente, tendo a tarefa de montar um time competitivo com reforços que ainda buscavam entrosamento.

O vice-campeão nordestino e os vencedores do Norte e Centro-Oeste disputaram uma fase preliminar para designar os últimos dois classificados para a fase final. Goiás e Vitória levaram a melhor sobre o São Raimundo-AM e garantiram o direito de viajar para João Pessoa e Maceió, as sedes escolhidas para o torneio no Nordeste. Já no mata-mata principal, o sorteio colocou o Palmeiras diante do Cruzeiro, vice da Copa Sul-Minas, pelas quartas de final. Na ida, o alviverde surpreendeu ao abrir uma vantagem de 3 a 1 e, na volta, suportou a pressão mineira para confirmar a classificação com um empate em 1 a 1.

Na semifinal, o desafio subiu de nível contra o Flamengo, campeão carioca. Sem o peso do favoritismo, o Palmeiras foi derrotado na primeira partida por 2 a 1, mas demonstrou enorme poder de reação ao devolver o placar no segundo jogo com um gol solitário de Taddei. A vaga na final foi decidida em uma disputa de pênaltis tensa, mas o Verdão mostrou pontaria impecável, não errou nenhuma cobrança e, por 5 a 4, avançou para encarar o Sport, que vinha de eliminar América-MG e São Paulo.

A final foi disputada sob o calor de Maceió, em partida única no Estádio Rei Pelé. O jovem e renovado time palmeirense entrou em campo confiante, ditou o ritmo do jogo contra os pernambucanos e construiu o resultado com gols de Faustino Asprilla e Alberto, unindo a experiência do colombiano que já estava no clube com o faro de gol do novo reforço. O Sport ainda conseguiu descontar no fim da partida, mas a organização alviverde prevaleceu até o apito final. O placar de 2 a 1 selou a conquista de um título inédito, garantindo ao Palmeiras o troféu e o retorno imediato à Libertadores de 2001.

A campanha do Palmeiras:
5 jogos | 3 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 8 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Eduardo Knapp/Folhapress

Vasco Campeão Brasileiro 2000

O Campeonato Brasileiro de 2000 foi o ápice do caos jurídico e administrativo no futebol do país. Com o imbróglio envolvendo o Gama e o conflito de decisões sobre a sua participação no torneio entre STJD (contra) e a Justiça Comum (a favor), a CBF viu-se impedida de organizar o certame. A solução foi delegar a tarefa ao Clube dos 13, que elaborou uma competição monumental, batizada de Copa João Havelange, unificando as divisões nacionais em módulos coloridos.

No Módulo Azul, ficou a elite, que incluiu convidados como Fluminense e Bahia, além de Juventude e América-MG, todos originalmente fora da primeira divisão em 2000. O Módulo Amarelo foi o equivalente à Série B, mas com peso de classificação para o título principal. Os Módulos Verde e Branco reuniram equipes da Série C e destaques estaduais. No papel, qualquer um dos 116 clubes poderia ser campeão. Na prática, o Vasco, impulsionado pelo retorno triunfal de Romário e pela técnica de Juninho Pernambucano, navegou pelas incertezas para conquistar o tetracampeonato.

O regulamento do Módulo Azul previa 24 rodadas em turno único para os 25 participantes. O cruz-maltino manteve a regularidade necessária, encerrando a fase classificatória na quinta posição com 39 pontos, juntando 11 vitórias, seis empates e sete derrotas. O Cruzeiro liderou esta etapa, enquanto o Paraná vencia o Módulo Amarelo e o Malutrom faturava os módulos Verde e Branco. Ao fim da primeira fase, os 12 melhores do Azul, os três primeiros do Amarelo e o campeão do Verde/Branco reuniram-se em um mata-mata de jogos de ida e volta.

A trajetória do Vasco nas eliminatórias foi um teste de resistência e talento. Nas oitavas de final, um duelo eletrizante contra o Bahia, com empate em 3 a 3 na Fonte Nova e vitória por 3 a 2 em São Januário. Nas quartas, superou o Paraná, garantindo a classificação com triunfo por 3 a 1 no Rio de Janeiro e derrota por 1 a 0 em Curitiba. Na semifinal, contra o Cruzeiro, o Gigante da Colina empatou em casa em 2 a 2, mas deu um show no Mineirão ao vencer por 3 a 1.

A final juntou Vasco e São Caetano, a zebra do Módulo Amarelo que havia eliminado Fluminense, Palmeiras e Grêmio. Após um empate em 1 a 1 em São Paulo, no Palestra Itália, o jogo de volta em São Januário, no dia 30 de dezembro, foi interrompido por uma tragédia: o alambrado do estádio cedeu sob o peso da torcida, deixando cerca de 150 feridos e forçando a suspensão da partida.

A decisão foi remarcada para o dia 18 de janeiro de 2001, no Maracanã. Em uma tarde inspirada, o Vasco não deu chances ao adversário. Com gols de Juninho Pernambucano, Jorginho Paulista e Romário, o time da Colina venceu por 3 a 1 e entrou no século 21 como tetracampeão brasileiro.

A campanha do Vasco:
32 jogos | 15 vitórias | 9 empates | 8 derrotas | 54 gols marcados | 49 gols sofridos


Foto Eduardo Monteiro/Placar

Cruzeiro Campeão da Copa do Brasil 2000

O novo milênio começou no ano 2000 e, com ele, a Copa do Brasil passou por mais uma mudança, algo que se tornou constante desde 1995. A alteração da vez foi o aumento no número de participantes, de 64 para 69. A conta era estratégica: 54 clubes via estaduais, dez convidados e os cinco representantes brasileiros na Libertadores, que entravam diretamente nas oitavas de final. Tal configuração exigiu a criação de fases adicionais para acomodar todas as equipes.

O título, contudo, não ficou com nenhum dos "libertadores", mas sim com um clube que iniciou sua jornada desde a primeira fase, protagonizando a campanha mais longa de um vencedor até então. Pela terceira vez, e da maneira mais épica possível, o Cruzeiro chegaria ao topo. Na primeira fase, a Raposa superou o Gama após um empate por 1 a 1 em Brasília e uma goleada por 4 a 1 no Mineirão.

Na segunda fase, o adversário foi o Paraná. No jogo de ida, no Pinheirão, em Curitiba, o Cruzeiro venceu por 2 a 0 e eliminou a necessidade da partida de volta. Na terceira fase, enfrentou o Caxias: triunfo por 3 a 1 no Estádio Centenário, no interior gaúcho. Como a regra de eliminação do jogo de volta não se aplicava mais a partir daquela fase, os mineiros precisaram confirmar a vaga em Belo Horizonte, o que fizeram com uma goleada sonora de 6 a 1.

Nas oitavas de final, o Cruzeiro mediu forças com o Athletico-PR. Na ida, venceu por 2 a 1 no Mineirão; na volta, garantiu a vaga com um empate por 2 a 2 na Arena da Baixada. Nas quartas, a vítima foi o Botafogo, superado com uma vitória por 3 a 2 em Belo Horizonte e um empate sem gols no Rio de Janeiro.

Na semifinal, a Raposa encarou o Santos. A primeira partida, no Mineirão, terminou com uma confortável vantagem de 2 a 0 para os mineiros. No segundo jogo, na Vila Belmiro, a classificação para a final foi selada com um empate por 2 a 2.

A grande decisão foi entre Cruzeiro e São Paulo, que havia superado Comercial-MS, Sinop, América-RN, Palmeiras e Atlético-MG. O jogo de ida, no Morumbi, terminou sem gols. A volta, no Mineirão, foi carregada de tensão. Os paulistas abriram o placar aos 21 minutos do segundo tempo e pareciam ter a taça nas mãos. O empate cruzeirense veio aos 35 minutos, com Fábio Júnior, mas o resultado ainda favorecia o Tricolor pelo gol fora. Até que, aos 45 minutos, uma falta foi marcada na entrada da área. Geovanni bateu rasteiro, a bola passou pelo meio da barreira e morreu no fundo da rede: 2 a 1 para o Cruzeiro, o novo tricampeão da Copa do Brasil.

A campanha do Cruzeiro:
13 jogos | 8 vitórias | 5 empates | 0 derrotas | 29 gols marcados | 12 gols sofridos


Foto Arquivo/EM/D.A Press