O Caso Gama provocou uma reviravolta no futebol brasileiro no ano 2000. Impossibilitada pela Justiça de organizar as Séries A, B e C, a CBF repassou a gestão das competições ao Clube dos 13, que criou a Copa João Havelange. Na teoria, o torneio agrupava 116 clubes em quatro módulos. Na prática, cada módulo operou como uma divisão própria, desconsiderando os resultados das edições anteriores, o que explica, por exemplo, o Fluminense ter dado um salto da terceira para a primeira divisão.
O equivalente à Série C naquela temporada resultou da junção de 55 equipes distribuídas pelos Módulos Verde e Branco, cujo campeão garantia uma vaga no mata-mata geral da Copa João Havelange. O dono dessa taça veio de Curitiba: o Malutrom. O clube nasceu na década de 1970 a partir da união das famílias Malucelli e Trombini. Tradicional nas ligas amadoras, a agremiação transformou-se em clube-empresa em 1994 e, quatro anos depois, estruturou seu primeiro departamento profissional.
O Malutrom caiu no Grupo F do Módulo Branco, ao lado de seis adversários. O início, contudo, foi desanimador: derrota por 4 a 0 para o Paulista em Jundiaí e revés por 2 a 1 para o União Bandeirante fora de casa. A reabilitação começou em Curitiba, com um triunfo por 3 a 0 sobre o Comercial-SP. Ainda em solo paranaense, superou o União Rondonópolis por 3 a 2. Na sequência, empatou em 2 a 2 com a Inter de Limeira fora de casa e venceu o Madureira por 2 a 1. No returno, a equipe somou três empates e três vitórias: 2 a 0 sobre o União em Rondonópolis, 4 a 1 sobre o Comercial em Ribeirão Preto e 2 a 1 sobre o Paulista em Curitiba. Com 22 pontos, o Malutrom avançou na vice-liderança.
Na segunda fase, disputada em formato de quadrangular, o desempenho do Caçula aumentou de nível. Com uma campanha irrepreensível em casa, com vitórias sobre o Friburguense por 2 a 0, sobre o Santo André por 4 a 2 e sobre o Rio Branco-SP por 1 a 0, além de um triunfo fora de casa, contra o próprio Rio Branco por 2 a 0, e dois empates, o Malutrom liderou a chave com 14 pontos.
A terceira fase impôs outro quadrangular. O Malutrom manteve a postura: venceu o Paulista por 2 a 1 fora de casa, bateu a Tuna Luso por 2 a 1 no Paraná e superou o Moto Club por 4 a 3. Somando ainda dois empates e uma derrota, o time garantiu a liderança com 11 pontos e avançou para a final.
A decisão colocou frente a frente o Malutrom e o Uberlândia, que bateu Juazeiro, Olimpia-SP e Central no outro quadrangular. Na ida, os paranaenses empataram em 1 a 1 no Parque do Sabiá. Na volta, na Vila Capanema, o Malutrom venceu por 3 a 2 e sagrou-se campeão da divisão equivalente à Série C.
Depois, a equipe encarou o Cruzeiro nas oitavas de final da Copa João Havelange. Na ida, os mineiros venceram por 3 a 0 no Paraná. Na volta, no Mineirão, o Malutrom despediu-se de cabeça erguida ao empatar em 1 a 1. Apesar de a conquista de 2000 nunca ter sido oficializada pela CBF, ela ficou como a maior glória da história do clube, que mudou o nome para J.Malucelli e encerrou as atividades em 2017.

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