Em 1972, o futebol serviu de palco para a política e a celebração nacional no Brasil. Para comemorar os 150 anos) da independência do país, a CBD idealizou a Taça Independência. Popularmente batizada de Minicopa, a competição reuniu 20 seleções em 12 cidades brasileiras, em uma estrutura que superou o tempo de duração de uma Copa do Mundo daquela época, entre 11 de junho e 9 de julho. As partidas aconteceram em Aracaju, Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
O torneio carregava objetivos por trás dos gramados. Para a ditadura militar, era a chance de inflar o ufanismo civil na esteira do tricampeonato mundial de 1970, surfando no lema do "Brasil Grande" através de estádios recém-construídos ou reformados. Para o presidente da CBD, João Havelange, a Minicopa era a vitrine para demonstrar sua capacidade organizacional ao mundo e pavimentar sua campanha para a presidência da FIFA, o que conseguiu em 1974.
Embora o torneio tenha sofrido com as desistências de Alemanha Ocidental, Itália e Inglaterra, a organização readequou as chaves trazendo outras equipes europeias e combinados regionais. No Grupo 1, ficaram Argentina, Colômbia, França e as seleções da Concacaf e da África. No Grupo 2, estiveram Chile, Equador, Irã, Irlanda e Portugal. No Grupo 3, jogaram Bolívia, Iugoslávia, Paraguai, Peru e Venezuela. As equipes se enfrentaram em turno único dentro de cada chave, e as líderes garantiram uma vaga na segunda fase, onde já estavam Brasil, Escócia, Tchecoslováquia, União Soviética e Uruguai.
No Grupo 1, a Argentina confirmou o favoritismo ao vencer o combinado da África por 2 a 0, golear a equipe da Concacaf por 7 a 0 e bater a Colômbia por 4 a 1. A França também fez campanha impecável, com vitórias por 5 a 0 na Concacaf, 2 a 0 na África e 3 a 2 na Colômbia, deixando a decisão da vaga para o confronto direto. O empate em 0 a 0 beneficiou os argentinos pelo saldo de gols.
No Grupo 2, Portugal sobrou ao aplicar 3 a 0 no Equador, 3 a 0 no Irã, 4 a 1 no Chile e 2 a 1 na Irlanda, avançando com 100% de aproveitamento. Já no Grupo 3, a Iugoslávia estreou impondo uma histórica goleada de 10 a 0 sobre a Venezuela. Na sequência, os iugoslavos empataram em 1 a 1 com a Bolívia, e venceram Paraguai e Peru por 2 a 1 para garantir a liderança, em uma chave marcada ainda por uma briga generalizada na vitória do Paraguai por 4 a 1 sobre a Venezuela.
O Brasil estreou na segunda fase. No Grupo A, a reformulada seleção de Zagallo, que já não contava com Pelé e testava novos nomes visando a Copa do Mundo de 1974, estreou com um frustrante 0 a 0 contra a Tchecoslováquia no Maracanã. Paralelamente, Iugoslávia e Escócia empataram em 2 a 2 no Mineirão. A reabilitação brasileira veio na segunda rodada com um 3 a 0 sobre a Iugoslávia no Morumbi, enquanto escoceses e tchecos não saíram do zero. A classificação foi sacramentada no Rio de Janeiro com uma vitória por 1 a 0 diante da Escócia. No fechamento do grupo, a Iugoslávia garantiu o direito de disputar o terceiro lugar ao vencer a Tchecoslováquia por 2 a 1.
No Grupo B, Portugal venceu a Argentina por 3 a 1 na estreia, enquanto a União Soviética superava o Uruguai por 1 a 0. Na rodada seguinte, os portugueses empataram em 1 a 1 com os uruguaios e os argentinos se recuperaram ao baterem os soviéticos por 1 a 0. Na rodada decisiva, a Argentina derrotou o Uruguai por 1 a 0 e carimbou sua vaga na disputa do bronze, mas a liderança e a vaga na final ficaram com Portugal, que venceu a União Soviética por 1 a 0 em Belo Horizonte. Na decisão do terceiro lugar, a Iugoslávia fez 4 a 2 na Argentina.
Na sequência, diante de um Maracanã lotado, Brasil e Portugal protagonizaram uma final dramática. Com a equipe portuguesa resistindo na defesa, o placar demorou a sair do zero. Foi somente aos 44 minutos do segundo tempo que o time brasileiro marcou seu gol, quando Rivelino cobrou uma falta alçada na área e Jairzinho cabeceou para o fundo das redes. O gol garantiu a vitória por 1 a 0 e o título da Taça Independência ao Brasil, coroando a despedida de Gerson e Tostão da seleção.
A campanha do Brasil:
4 jogos | 4 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 5 gols marcados | 0 gols sofridos
Foto Andre Lecoq/L'Équipe
