A terceira divisão do Campeonato Brasileiro esteve longe de ser considerada uma prioridade pela CBF por muito tempo. Suas primeiras edições foram intermitentes, espaçadas e geridas por regulamentos quase aleatórios. Prova disso é que, logo após a edição de 1988, a entidade máxima do futebol cancelou a organização da Série C em 1989, optando por inflar a segunda divisão com 96 clubes.
Contudo, o hiato durou pouco: em 1990, a Terceirona estava de volta ao calendário. Mais enxuta em comparação ao torneio de dois anos antes, a competição manteve o propósito original de reunir equipes de menor orçamento que haviam se destacado nos campeonatos estaduais. Ao todo, 30 clubes entraram na disputa, divididos geograficamente em seis grupos. O topo do pódio daquele ano seria conquistado pelo Atlético-GO, uma das forças mais tradicionais do futebol do Centro-Oeste.
O Atlético iniciou sua jornada no Grupo D, ao lado de Ubiratan, União Rondonópolis, Gama e do rival Vila Nova. Com uma campanha irretocável, o Dragão não deu chances aos adversários na primeira fase, disputada apenas em turno único. A estreia foi em grande estilo, goleando o Vila Nova por 4 a 1. Na sequência, o rubro-negro bateu o Gama por 1 a 0 e aplicou 5 a 1 no Ubiratan, ambos os jogos no Serra Dourada, fechando a fase com um triunfo por 2 a 1 sobre o União, em solo mato-grossense. Com oito pontos, o Dragão avançou na liderança.
Nas quartas de final, o chaveamento colocou o Gama novamente no caminho do Dragão. No jogo de ida, em Brasília, os goianos conheceram sua única derrota no torneio ao perderem por 1 a 0. A resposta, porém, veio com autoridade no Serra Dourada: um fácil 4 a 0 que carimbou a vaga na semifinal.
Na semifinal, o Atlético mediu forças com o América-RN. O time goiano praticamente selou a classificação logo na primeira partida, ao construir uma bela vantagem de 2 a 0 no Machadão, em Natal. No confronto de volta, em Goiânia, o Dragão confirmou o favoritismo ao vencer por 5 a 2.
A final foi decidida contra o América-MG, que passou por Paysandu e Paraná. Por ostentar uma campanha geral superior à do time mineiro, o regulamento assegurava ao Atlético a vantagem de jogar por dois empates ou por igualdade no saldo de gols para ficar com o título. A primeira batalha aconteceu no Independência, em Belo Horizonte, e terminou empatada em 0 a 0.
O último capítulo foi escrito no Serra Dourada, em Goiânia. Os mineiros pressionaram, o Dragão se defendeu com unhas e dentes, e o gol insistiu em não sair para nenhum dos lados durante os 90 minutos. O novo 0 a 0 foi o placar da glória e o Atlético-GO soltou o grito de campeão da Série C de 1990. Aquela foi a primeira conquista nacional da história do clube goiano.

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