Tuna Luso Campeã do Brasileiro Série C 1992

Da virada dos anos 1980 até a metade da década de 1990, a Série C do Campeonato Brasileiro foi disputada em intervalos intermitentes de duas temporadas. As edições da Série B de 1989 e 1991 foram severamente infladas, o que acabou por inviabilizar o terceiro escalão nacional. Já em 1990 e 1992, fez-se o caminho inverso: a Segundona encolheu, abrindo espaço para que a Série C fosse organizada.

A edição de 1992 adotou uma fórmula semelhante às anteriores, com os clubes se classificando através do desempenho nos campeonatos estaduais. Consolidada como a terceira força do futebol do Pará, a Tuna Luso entrou na disputa com a experiência de ter conquistado o título da Série B em 1985.

As 31 equipes participantes daquela Série C foram divididas em sete chaves. A Tuna Luso foi alocada no Grupo 2, ao lado de Izabelense, Sampaio Corrêa, Moto Club e Flamengo-PI. A caminhada tunante começou com vitória por 1 a 0 em Belém, que abriu as portas para mais três triunfos dentro de casa: 1 a 0 no Flamengo-PI, 3 a 1 no clássico regional contra a Izabelense e 3 a 0 sobre o Sampaio Corrêa.

No returno, longe de seus domínios, a Águia manteve a invencibilidade. Segurou um 0 a 0 contra o Moto Club no Maranhão, bateu a Izabelense por 1 a 0 em Santa Izabel, empatou em 1 a 1 com o Flamengo no Piauí e coroou a fase vencendo o Sampaio Corrêa por 1 a 0 em São Luís. Com 14 pontos conquistados, a Tuna garantiu a liderança e a única vaga do grupo.

Na segunda fase, o desafio foi um triangular contra o Auto Esporte e o Nacional-AM. A Tuna começou vencendo o Auto Esporte por 1 a 0 na Paraíba. Na sequência, jogando em Belém, empatou sem gols com o Nacional e repetiu o 1 a 0 sobre os paraibanos. A vaga para a decisão foi carimbada em Manaus, com um empate em 1 a 1 diante do Nacional, garantindo a liderança da chave com seis pontos.

O adversário da Tuna Luso na grande final foi o Fluminense de Feira, que bateu Rio Pardo-ES e Matsubara. Na ida, disputada na Bahia, no Joia da Princesa, o alviverde paraense acabou derrotado por 2 a 0. O resultado obrigava a Tuna a devolver exatamente a mesma diferença de saldo de gols em Belém para ficar com a taça, já que ostentava a melhor campanha geral do torneio.

A volta aconteceu no Estádio Baenão e ganhou contornos de drama. A Tuna vencia por 1 a 0, gol marcado por Ageu, mas esbarrava na defesa baiana ao tentar o segundo gol. O pior aconteceu aos 42 minutos do segundo tempo: o Fluminense empatou. O placar dava o título aos baianos, mas o que se viu a seguir foi um dos finais de jogo mais inacreditáveis. Aos 45 minutos, o reserva Manelão recolocou a Águia do Souza na frente: 2 a 1. Aos 49 minutos, Júnior cobrou escanteio e Juninho testou forte para decretar o épico 3 a 1. O gol deu o título à Tuna Luso e torcida invadiu o gramado para celebrar.

A campanha da Tuna Luso:
14 jogos | 9 vitórias | 4 empates | 1 derrota | 17 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Cezar Magalhães/Arquivo

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