O último Brasileirão do segundo milênio não passou ileso de polêmicas extracampo. Em 1999, a CBF adotou um sistema de rebaixamento baseado na média de pontos das duas últimas temporadas. Durante o certame, o Botafogo obteve três pontos no STJD sobre o São Paulo devido à escalação irregular do jogador Sandro Hiroshi. Esse reajuste salvou o clube carioca e condenou o Gama ao rebaixamento.
O clube do Distrito Federal não aceitou o descenso no tapetão e recorreu à Justiça Comum. O impasse jurídico arrastou-se por meses, culminando na proibição da CBF de organizar o torneio do ano seguinte e na suspensão dos rebaixamentos de 1999. Alheio ao caos institucional, o Corinthians reforçou seu time com Dida e Luizão para consolidar o tricampeonato.
O regulamento manteve o formato de tabela única com 22 participantes e o sistema de melhor de três nas fases eliminatórias. O Corinthians repetiu o domínio do ano anterior, encerrando a fase inicial na liderança com 44 pontos, somando 14 vitórias, dois empates e cinco derrotas. Além do Timão, avançaram Cruzeiro Vasco, Ponte Preta, São Paulo, Vitória, Atlético-MG e Guarani.
No mata-mata, a trajetória alvinegra foi marcada por solidez e rivalidade. Nas quartas de final, contra o Guarani, o Corinthians empatou o primeiro jogo em 0 a 0 em Campinas, venceu o segundo por 2 a 0 em São Paulo, e selou a classificação com novo empate em 1 a 1.
Na semifinal, em dois Majestosos contra o São Paulo, o Corinthians foi letal. Venceu a ida por 3 a 2, com Dida defendendo dois pênaltis do são-paulino Raí, e sacramentou a vaga na final ao vencer a volta por 2 a 1, dispensando a necessidade do terceiro jogo.
A decisão foi em três partidas difíceis contra o Atlético-MG, que despachou Cruzeiro e Vitória. No Mineirão, o time mineiro impôs um ritmo frenético e abriu o placar aos 15 segundos de jogo, vencendo por 3 a 2 e forçando o Corinthians a ganhar os jogos seguintes. No segundo jogo, no Morumbi, Luizão brilhou ao marcar os dois gols da vitória por 2 a 0. No entanto, o artilheiro foi expulso, tornando-se o grande desfalque para o terceiro jogo.
O desfecho veio no desempate. Sob chuva (tal qual em 1998), o Corinthians demonstrou maturidade tática. Sem seu principal goleador, a equipe segurou o empate em 0 a 0 e o resultado garantiu ao Timão o tri e o segundo título brasileiro consecutivo, reafirmando o poder de um elenco que, poucos dias depois, conquistaria seu primeiro Mundial.

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