A Série B de 2002 foi mais uma edição que começou sob a sombra de indefinições jurídicas. A polêmica havia estourado na última rodada do quadrangular final de 2001, na partida entre Figueirense e Caxias. O time catarinense vencia por 1 a 0 e carimbava o acesso quando sua torcida invadiu o gramado para comemorar antes do apito final. O clube gaúcho alegou falta de segurança e exigiu a remarcação do confronto. A disputa arrastou-se pelos tribunais desportivos por meses, mas o resultado de campo acabou mantido: o Figueirense subiu e o Caxias permaneceu na segunda divisão.
Longe dos tribunais, a Série B de 2002 adotou um regulamento idêntico ao da Série A: os 26 clubes se enfrentaram em um grupo único, em turno único, com os oito melhores avançando para o mata-mata. Pouco antes da bola rolar, houve mais um contratempo: o Malutrom abriu mão de sua vaga devido a problemas financeiros. Para o seu lugar, foi convidado o Guarany de Sobral, terceiro colocado da Série C anterior. Curiosamente, um ano antes, o próprio Malutrom havia escapado do rebaixamento ao lado do Criciúma. O time carvoeiro, contudo, escreveria uma história completamente diferente em 2002.
Liderado por um lateral-direito chamado Paulo César, que anos mais tarde ganharia fama nacional como Paulo Baier, o Tigre sobrou na competição de cabo a rabo. A estreia aconteceu com uma vitória por 2 a 0 sobre o Paulista de Jundiaí, no Heriberto Hülse. A classificação para as quartas de final foi carimbada com um acachapante 5 a 1 sobre o Sport, também em casa, a quatro rodadas do fim da primeira fase. Ao término das 25 rodadas, o Criciúma garantiu a liderança com 51 pontos, 16 vitórias, três empates e seis derrotas. Também avançaram Sport, Fortaleza, Santa Cruz, Avaí, América-MG, Paulista e Remo.
Nas quartas de final, o Criciúma cruzou com o Remo, oitavo colocado. No Baenão, em Belém, os paraenses impuseram uma derrota de virada por 2 a 1. A resposta em Santa Catarina foi categórica: uma goleada por 4 a 0 classificou o Tigre.
Na semifinal, o adversário foi o Santa Cruz. No jogo de ida, no Arruda, o Criciúma venceu por 1 a 0. O acesso à elite foi sacramentado na partida de volta, com vitória por 3 a 0 no Heriberto Hülse.
A decisão reservou um duelo contra o Fortaleza, que passou por América-MG e Paulista. No Castelão, os cearenses deram um susto nos catarinenses e venceram por 2 a 0, desenhando um cenário dramático para o segundo jogo. Mas, no Heriberto Hülse, Paulo Baier apareceu para a história ao marcar três gols para o Criciúma, que venceu por 4 a 1 e garantiu a taça da Série B de 2002.

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