Pouca coisa mudou na Série C para 2005. O número de participantes teve um leve aumento, totalizando 63 equipes. A competição misturou novos projetos promissores com clubes tradicionais que buscavam a reconstrução. Foi justamente nesta segunda categoria que se encaixou o Remo, rebaixado da Série B no ano anterior e diante de uma oportunidade imediata de redenção perante sua apaixonada torcida.
Na etapa inicial, as equipes foram distribuídas em 16 grupos, com o Remo posicionado no Grupo 3. A estreia do Leão ocorreu em Roraima, em um empate em 2 a 2 contra o São Raimundo-RR. Na primeira partida sob seus domínios, no Mangueirão, o time paraense venceu o Abaeté por 2 a 1. Em seguida, fez valer a força da torcida ao bater o São José-AP por 3 a 2, também em Belém. No returno, o Remo segurou um empate em 1 a 1 com o São José em Macapá, superou o Abaeté por 2 a 1 na capital paraense e fechou a fase de grupos com uma goleada por 4 a 0 sobre o São Raimundo. Com 14 pontos conquistados, o Leão Azul avançou para o mata-mata com a liderança da chave.
A segunda fase reservou um enorme susto. Enfrentando o Tocantinópolis, o Remo foi derrotado por 2 a 0 na partida de ida, no Tocantins. No confronto de volta, em um Mangueirão lotado, o time precisou correr dobrado para construir uma vitória por 4 a 1 e reverter o placar.
Nas oitavas de final, ocorreu o reencontro com o Abaeté em uma disputa igualmente suada. Como os dois jogos foram realizados em Belém, o empate em 1 a 1 no primeiro duelo deixou o clima tenso. O alívio só veio na partida decisiva, com um triunfo azulino por 3 a 2. Nas quartas de final, valendo a vaga na fase final, o desafio foi contra o Nacional-AM. O Remo venceu por 2 a 0 em Manaus e, mesmo sofrendo um revés por 1 a 0 no Mangueirão, confirmou a vaga entre os quatro melhores.
Mesmo com uma caminhada oscilante, o Leão Azul alcançou o quadrangular decisivo para disputar o acesso e o título contra América-RN, Ipatinga e Novo Hamburgo. A estreia trouxe otimismo com a vitória por 1 a 0 sobre o time gaúcho em Belém. Contudo, em duas partidas seguidas fora de casa, o Remo sofreu derrotas por 1 a 0 para mineiros e potiguares. A reação começou no returno em Belém: vitória por 2 a 0 sobre o América e um empate em 2 a 2 com o Ipatinga mantiveram o sonho vivo.
O Remo chegou à última rodada ocupando a terceira colocação da chave, com sete pontos, atrás dos nove do América e dos oito do Ipatinga. A matemática era dramática: o Leão precisava vencer o Novo Hamburgo no Estádio Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, para garantir o acesso, e ainda torcer por um empate no confronto entre mineiros e potiguares para ficar com a taça. A combinação mágica se concretizou. Em solo gaúcho, o Leão Azul venceu o Novo Hamburgo por 2 a 1. Simultaneamente, Ipatinga e América não saíram do 0 a 0 em Minas Gerais. Com dez pontos, o Remo igualou o América-RN na pontuação, mas superou o rival no saldo de gols para faturar seu primeiro título nacional.

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