Flamengo Campeão Mundial 1981

Sucesso. Esta foi a palavra usada para definir a primeira edição da Copa Intercontinental no Japão. O público local abraçou o torneio, adotando Nacional e Nottingham Forest durante a estadia dos clubes no país. O apoio da Toyota definitivamente resolveu o problema que ameaçava a existência da competição. Mesmo os europeus, que antes viam prejuízo em jogá-la, passaram a lucrar, mesmo com uma eventual derrota.

Para o ano de 1981, o planejamento foi repetido em tudo. A diferença é que, enfim, o Mundial voltaria a acontecer dentro do ano certo. Na Copa dos Campeões da UEFA, o Liverpool conseguiu o tricampeonato depois de eliminar equipes como CSKA Sofia e Bayern de Munique, além do Real Madrid na decisão. Os ingleses aplicaram 1 a 0 nos espanhóis e repetiram os feitos de 1977 e 1978. Nestes dois anos, um Mundial foi disputado pelo vice-campeão europeu e o outro sequer aconteceu. Mas os tempos eram outros, e o Liverpool viu no torneio a chance ideal para expandir sua marca — e também de mostrar a superioridade do futebol britânico.

Na Libertadores, uma nova força do futebol brasileiro surgiu. Logo na estreia, o Flamengo bateu adversários como Atlético-MG, Olimpia e Deportivo Cali. Na final, contra o Cobreloa, foi campeão em três partidas: venceu por 2 a 1 na ida, perdeu por 1 a 0 na volta e venceu por 2 a 0 no desempate. A equipe de Zico, Júnior e Nunes foi a terceira brasileira a vencer a competição sul-americana e a primeira a comparecer no novo formato do Mundial.

Duas escolas diferentes de futebol se enfrentaram no Estádio Nacional de Tóquio, em 13 de dezembro. O Liverpool não seguiu o exemplo do compatriota da edição anterior e mandou o time completo ao jogo. O Flamengo confiava na qualidade de seus craques. Porém, um possível equilíbrio no confronto não foi possível de se ver.

O rubro-negro tomou conta do jogo desde os primeiros minutos. Aos 12 do primeiro tempo, Zico lançou para Nunes, livre da marcação defensiva. O atacante tocou na saída do goleiro Grobbelaar e abriu o placar. O gol desmontou o time inglês, e o Fla assumiu de vez o comando. Aos 34 minutos, Tita sofreu falta próximo à área. Zico bateu, Grobbelaar rebateu, e Adílio aproveitou o rebote para fazer o segundo. O baile carioca seguiu aos 41 minutos, quando Nunes recebeu outro passe de Zico e chutou cruzado no canto direito do goleiro.

Com 3 a 0 já na primeira etapa, o Flamengo dedicou-se a administrar o resultado no tempo seguinte, colocando o Liverpool na roda. Uma atuação inesquecível para os flamenguistas, que madrugaram para comemorar o título mundial, o maior da história do clube. Na volta ao Rio de Janeiro, o Fla ainda achou tempo para vencer o Vasco na final estadual, antecipando o Carnaval de sua torcida.


Foto Arquivo/Jornal do Brasil/Placar

Nacional Campeão Mundial 1980

A década de 1980 foi marcada por muitas transformações no mundo. No futebol, não foi diferente, visto que as fronteiras esportivas entre os países foram diminuindo ano após ano. A Copa Intercontinental também passou por uma profunda reformulação, em 1980.

Depois das disputas capengas dos anos 1970, UEFA e Conmebol precisavam chegar a um consenso para que o Mundial não morresse. A ideia escolhida foi a de realizar o torneio em partida única e em campo neutro. Em um primeiro momento, Nova York foi o local cogitado. Mas era preciso que houvesse apoio financeiro, e nenhuma empresa dos Estados Unidos embarcou no projeto.

Até que entrou na história a Toyota, montadora de carros do Japão. Ela propôs que o Mundial fosse levado a Tóquio, e a organização seria feita a seis mãos. Em troca, a empresa bancaria todas as despesas dos clubes, além das premiações e da entrega de um carro para o craque da partida. O nome oficial da competição também seria alterado, para Copa Toyota (ou Copa Europeia/Sul-Americana). Os únicos trabalhos dos clubes seriam o de viajar e o de jogar.

Mas o principal inconveniente não estava resolvido: como obrigar o campeão europeu a jogar sempre? A UEFA chegou a uma conclusão radical: passou a obrigar os clubes a assinarem um contrato, antes de entrarem na Copa dos Campeões, comprometendo-os a disputar a competição em caso de título. Caso não disputassem o Mundial, a quebra do contrato levaria à suspensão de competições europeias.

A mudança não foi bem digerida no Velho Continente. O Nottingham Forest conquistou o bicampeonato europeu ao fazer 1 a 0 no Hamburgo, e foi ao Japão sob protesto: o técnico Brian Clough levou apenas 14 atletas para o torneio, alegando que o clube só faria aquele “amistoso” para cumprir o contrato. Na Libertadores, o Nacional do Uruguai também foi bi, depois de derrotar o Internacional na decisão, com 0 a 0 na ida e 1 a 0 na volta. Os uruguaios, ao contrário dos ingleses, foram empolgados para a Terra do Sol Nascente.

As negociações entre Conmebol, UEFA e Toyota foram longas, e o Mundial de 1980 foi jogado apenas no dia 11 de fevereiro de 1981. Foi a primeira de 22 finais no Estádio Nacional de Tóquio, que, nesta estreia, recebeu 62 mil torcedores. Ao meio-dia, a bola rolou no gramado queimado pelo frio. Como era de se esperar, o Nottingham se esforçou pouco, enquanto o Nacional deu o seu máximo. Logo aos dez minutos de jogo, Victorino recebeu cruzamento de Moreira e tocou rasteiro entre a zaga: 1 a 0 Bolso. O resultado persistiu até o fim, e a comemoração pelo segundo título varou a madrugada no Uruguai.


Foto Arquivo/Nacional

Olimpia Campeão Mundial 1979

Inúmeros problemas assolaram a realização do Mundial na década de 1970. Um exemplo foi a disputa de 1977 acontecendo somente no ano seguinte, empurrando a edição de 1978 para o início de 1979. Só que o representante europeu de 78 seria o mesmo de 77: o Liverpool, bicampeão da Copa dos Campeões e totalmente desinteressado na Copa Intercontinental. E, desta vez, nem o vice, Brugge, aceitou o convite. Bicampeão da Libertadores ao vencer o Deportivo Cali, o Boca Juniors ficou sem a chance de repetir a dose também no Mundial.

Assim, as atenções passaram a se voltar para a edição de 1979. A torcida de UEFA e Conmebol era para que tudo voltasse ao normal, e a Copa Europeia ficou nas mãos de outro time inglês: o Nottingham Forest, que venceu o Malmö, da Suécia, por 1 a 0 na final. Mas o clube seguiu a tendência dos vencedores anteriores e recusou o Mundial. Na Libertadores, o Olimpia desbancou o Boca Juniors na decisão, vencendo por 2 a 0 na ida e empatando sem gols na volta. O time paraguaio aguardou por quatro meses até que o Malmö aceitasse o convite.

A Copa Intercontinental teve início em 18 de novembro, no Estádio Municipal de Malmö. O público que compareceu à partida de ida é o menor da história dos Mundiais: exatos 4.811 torcedores. Sem pressão e com uma equipe superior à sueca, o Olimpia venceu sem grandes dificuldades. Aos 41 minutos do primeiro tempo, Evaristo Isasi fez 1 a 0 e garantiu a vantagem paraguaia.

A volta mundialista não aconteceu em 1979, por nova falta de espaço no calendário europeu. Só em 2 de março de 1980 a disputa foi retomada. O Defensores del Chaco, em Assunção, recebeu 47 mil pessoas, em um clima totalmente oposto ao da Suécia. O apoio foi fundamental ao Olimpia, que abriu o placar aos 39 minutos da etapa inicial com Solalinde. No primeiro minuto do segundo tempo, Erlandsson assustou a todos ao empatar. Mas o Decano manteve a calma, e aos 26 minutos o reserva Michelagnoli fez 2 a 1 e garantiu o título mundial ao clube paraguaio. Um feito jamais igualado.

O Mundial de 1979 foi mais um realizado a duras penas, sob muita insistência. Porém, a história estaria prestes a mudar na virada da década. Os times deixariam de atravessar o Oceano Atlântico e passariam a viajar pelo Pacífico. O motivo? Na tentativa de salvar a Copa Intercontinental, UEFA e Conmebol firmaram uma parceria com a Toyota, que levou a disputa para o Japão a partir de 1980. O torneio em ida e volta, com o risco de desistências por medo da violência e pela falta de atrativo financeiro, estava extinto.


Foto Arquivo/Olimpia

Boca Juniors Campeão Mundial 1977

Quantas coisas podem ser feitas em um período de 11 meses? E em cinco? Torcedores europeus e sul-americanos fizeram essas perguntas entre 1977 e 1978, durante a crise existencial da Copa Intercontinental. Se em 1974 e 1975 ela quase foi para o espaço, os anos seguintes não contribuíram em nada para a melhora da situação.

A Copa Europeia de 1977 terminou em maio com o primeiro título do Liverpool, que venceu o alemão Borussia Mönchengladbach na final. Nem houve tempo para apreensão na UEFA: os ingleses comunicaram desde o início que não iriam disputar o Mundial. Assim como as desculpas de Ajax e Bayern, o clube alegou que sua agenda local conflitava com a do torneio. Enquanto isso, em setembro, a Libertadores era decidida entre Boca Juniors e Cruzeiro. Após 1 a 0 para cada lado, o desempate terminou sem gols. Nos pênaltis, o time argentino venceu por 5 a 4 e conquistou seu primeiro título continental.

A celeuma já era grande com mais uma desistência, mas o Boca tentou negociar de todas as formas com o Liverpool, chegando inclusive a virar o ano com esse plano em mente. Tudo foi em vão. Com o tempo, surgiu o boato de que os ingleses desistiram em protesto contra a ditadura militar que comandava a Argentina. A solução, mais uma vez, foi recorrer ao vice-campeão europeu, mas o Borussia também não demonstrava muito interesse. Ainda assim, os xeneizes venceram pela insistência, sob a condição de que os alemães jogariam apenas quando o calendário permitisse.

O Mundial começou a ser disputado em 21 de março de 1978, em La Bombonera. O desinteresse do Borussia era só fora de campo. Dentro dele, o Boca passou maus bocados diante dos 60 mil torcedores. Saiu na frente com Mastrángelo, aos 16 minutos do primeiro tempo, mas sofreu a virada com gols de Hannes, aos 24, e Bonhof, aos 29. Os argentinos melhoraram na segunda etapa e empataram em 2 a 2 aos seis minutos, com Ribolzi. Mas foi só o que aconteceu, e nada ficou encaminhado para a volta.

Cinco longos meses se passaram até que, em 1º de agosto, o Borussia conseguiu uma folga. A segunda partida foi no Wildparkstadion, em Karlsruhe, com um bom público de 38 mil torcedores. Porém, pelo visto, os alemães esqueceram o que estavam buscando no Mundial. O time argentino passeou no primeiro tempo: aos dois minutos, Felman abriu o placar; aos 33, Mastrángelo ampliou; e aos 37, Salinas fechou os 3 a 0. No segundo tempo, bastou ao Boca administrar o resultado para, depois, comemorar seu primeiro título mundial.

O mais longo de todos os tempos levou 11 meses de definição e cinco de disputa, com final feliz argentino.


Foto Arquivo/Boca Juniors

Bayern de Munique Campeão Mundial 1976

A Copa Intercontinental atingiu o auge da crise entre 1974 e 1975. O calote dado pelo Bayern de Munique um ano antes bagunçou completamente o cronograma da UEFA e da Conmebol, atrasando a edição de 1974 para abril de 1975. Assim, a solução foi realizar duas edições no mesmo ano.

Mas, como azar pouco é bobagem, calhou de os campeões continentais se repetirem: o Independiente foi hexa da Libertadores e o Bayern foi bicampeão da Copa dos Campeões. Outra vez alegando problemas de agenda, o time alemão declinou. E o vice também não ajudou, pois o inglês Leeds United recusou o convite. Sem solução, a alternativa foi cancelar o Mundial de 1975.

Eis que chega 1976. O Bayern manteve o domínio europeu ao ser tricampeão, vencendo o Saint-Étienne por 1 a 0 na final. Obviamente, os alemães não se manifestaram sobre o Mundial, esperando a definição da Libertadores. Mas as notícias sul-americanas foram boas: o Cruzeiro foi campeão após três jogos contra o River Plate. No primeiro, vitória brasileira por 4 a 1; no segundo, derrota por 2 a 1; e no terceiro, vitória por 3 a 2.

Misteriosamente, os problemas de calendário desapareceram, e o Bayern finalmente confirmou presença no Mundial. Nos bastidores, o motivo da aceitação da vaga só na terceira vez seria o fato de que os brasileiros eram considerados menos violentos que os argentinos, tanto jogadores quanto torcedores.

O ressurgimento do Mundial teve início em 23 de novembro, no Estádio Olímpico de Munique. Debaixo de muito frio e neve, apenas 22 mil torcedores compareceram à partida. O clima favoreceu o Bayern, que controlou todo o jogo contra o Cruzeiro. Nelinho, Palhinha, Joãozinho, Jairzinho e Dirceu Lopes não brilharam, e os alemães marcaram dois gols no segundo tempo: aos 35 minutos, com Gerd Müller, e aos 37, com Jupp Kappellmann. Os 2 a 0 deram grande tranquilidade ao Bayern.

O segundo jogo da decisão ocorreu em 21 de dezembro, no Mineirão, em Belo Horizonte. Mais de 123 mil pessoas foram ao estádio e fizeram de tudo para empurrar o Cruzeiro. Os brasileiros tentaram de todas as formas, mas o time alemão era a base da seleção campeã da Copa do Mundo de 1974, além de contar com nomes que integrariam a vice de 1982. Sepp Maier garantiu o bicho do Bayern com ótimas defesas, e o 0 a 0 manteve o placar naquela noite de quase Natal.

Com o regulamento embaixo do braço, o Bayern de Munique conquistou o Mundial pela primeira vez. Já para o Cruzeiro, sobrou somente o feito de colocar o Brasil na competição depois de 13 anos — e uma sina que teria um capítulo surreal 38 anos depois: ver alemães fazendo festa no Mineirão.


Foto Arquivo/Bayern de Munique

Atlético de Madrid Campeão Mundial 1974

O ano de 1974 foi marcante para a história do Mundial de Clubes. Primeiro, porque ocorreu mais uma tentativa de aproximação entre Conmebol, UEFA e FIFA. Durante a troca de comando na Suíça, com a saída de Stanley Rous e a entrada de João Havelange, a nova direção tentou mais uma vez incluir as outras confederações na competição, mas as conversas novamente não avançaram. E como a prioridade de Havelange era a expansão da Copa do Mundo, as tratativas congelariam pelas próximas décadas.

Segundo, porque a disputa não aconteceu em 1974, e sim no ano seguinte, devido a mais um desgaste envolvendo o lado europeu. Em maio, a Copa dos Campeões teve a final entre Bayern de Munique e Atlético de Madrid. O time alemão foi campeão em dois jogos: 1 a 1 no primeiro e 4 a 0 no desempate. Até então, tudo bem. Em outubro, foi a vez de a Libertadores ser decidida. O Independiente conseguiu o penta após três partidas contra o São Paulo na final: derrota por 2 a 1 na ida, vitória por 2 a 1 na volta e vitória por 2 a 0 no desempate.

Foi só a notícia do título argentino chegar à Alemanha que os problemas começaram. Com a desculpa de que lhe faltavam datas para atuar, o Bayern anunciou sua desistência da Copa Intercontinental. Mas, para os sul-americanos, ficou subentendido que o pretexto era outro. A recusa alemã aconteceu muito tarde, tanto que não houve tempo para o Atlético de Madrid aceitar o convite ainda em 1974, já que os espanhóis também estavam com a agenda lotada. Somente em 1975 foi possível realizar a edição do Mundial.

Finalmente, no dia 12 de março, Independiente e Atlético de Madrid deram início à disputa, na Doble Visera, em Avellaneda. Cerca de 60 mil torcedores compareceram ao primeiro confronto. O Atleti possuía três sul-americanos em campo: os argentinos Heredia e Ayala, e o paraguaio Benegas. A presença deles contribuiu para a partida ser truncada e de poucas oportunidades. O time espanhol não resistiu à pressão e perdeu por 1 a 0, gol de Balbuena aos 34 minutos do primeiro tempo. O campeão Independiente era o claro favorito no Mundial.

Porém, o Atlético de Madrid tinha seu valor e queria o título para compensar a perda europeia. No dia 10 de abril, o Vicente Calderón recebeu 65 mil pessoas prontas para a virada. Com dificuldades, ela aconteceu. Aos 34 minutos de partida, Irureta abriu o placar colchonero. Quando o terceiro jogo parecia a solução, aos 40 do segundo tempo, Ayala fez 2 a 0 e decretou o título mundial para o Atlético de Madrid, que conseguiu ali uma façanha única: ser, ao mesmo tempo, o segundo do seu continente e o primeiro do mundo.


Foto Arquivo/AS Color

Independiente Campeão Mundial 1973

Problemas, problemas e mais problemas. Este foi o lema que regeu a Copa Intercontinental de 1973. A vitória do Ajax sobre o Independiente na edição de 1972 não somente não normalizou a relação entre europeus e sul-americanos, como tratou de azedá-la ainda mais. UEFA e Conmebol tentavam a todo custo manter em pé o prestígio da sua competição, mas a colaboração parecia pequena.

O time holandês — temerário com o jogo violento argentino — voltou atrás na ideia de participar do Mundial imediatamente após a conquista. A decisão só seria mudada outra vez caso outro país conquistasse a Libertadores. A primeira parte da questão foi respondida quando o Ajax venceu o tri na Copa Europeia, derrotando a italiana Juventus por 1 a 0 na final. A segunda parte veio na decisão da Libertadores, e foi “infeliz”: o próprio Independiente foi o campeão (pela quarta vez), batendo o chileno Colo Colo em três jogos — 0 a 0 na ida, 1 a 1 na volta e 2 a 1 no desempate.

O Ajax cumpriu pela segunda vez com a promessa e abriu mão de sua vaga. A equipe alegou dificuldades econômicas, mas nas entrelinhas os dirigentes sabiam o real motivo do declínio. O que restou foi convidar a Juventus. Porém, os incidentes de 1969 com o Milan ainda estavam fortes na memória dos italianos, e o clube de Turim, a princípio, não topou o convite. Mas fez uma contraproposta para aceitá-lo: que o Mundial fosse disputado em partida única na Itália.

Então foi a vez de o Independiente reclamar. O time não queria perder a chance de jogar em casa, já que o rodízio apontava que a volta de 1973 seria na América do Sul. Só após muita negociação o time argentino aceitou fazer um jogo único, assumindo o risco de não conseguir a vitória na Europa e acumular um quarto vice-campeonato.

O atraso causado pela costura do acordo entre Independiente e Juventus empurrou a disputa para o fim do ano. No dia 28 de novembro, o Estádio Olímpico de Roma recebeu a partida decisiva entre os dois clubes. O Mundial já estava em crise, e a organização não ajudou: numa quarta-feira à tarde e em campo neutro, apenas pouco mais de 22 mil torcedores compareceram aos 72 mil lugares disponíveis.

Os italianos dominaram a maior parte do tempo, mas o gol não saiu. O meia Cuccureddu perdeu um pênalti durante o segundo tempo, e o goleiro Santoro salvou várias finalizações. A sorte estava do lado dos Diablos Rojos. Aos 35 minutos da etapa final, o meia Bochini chutou forte na saída do goleiro Zoff, a bola desviou levemente no zagueiro Gentile, ganhou altura e parou dentro do gol. O 1 a 0 permaneceu até o fim, e o Independiente finalmente conseguiu seu grito de campeão mundial, depois de três vices frustrantes.


Foto Arquivo/Independiente