Brasil Campeão Olímpico 2016

Demorou 120 anos, mas as Olimpíadas enfim desembarcaram na América do Sul. A cidade escolhida para o momento histórico, nos Jogos de 2016, foi o Rio de Janeiro. E precisava ser no Brasil mesmo para que uma espera de 64 chegasse ao fim. A Seleção Brasileira de futebol estreou nos Jogos Olímpicos na edição de 1952, em Helsinque, em uma época em que apenas seleções amadoras eram autorizadas a participar.

De lá até 2012 o Brasil amargou péssimos resultados, como quedas para equipes de menor nome nas fases de grupos e derrotas categóricas para as forças máximas do lado socialista, que dominou o pódio até os anos 1980. E a sonhada medalha ouro veio depois de uma campanha invicta. Mas o começo dela foi preocupante. 

No grupo A da primeira fase, a Canarinho estreou com empate sem gols contra a África do Sul. A sequência seguiu com outro 0 a 0, desta vez contra o Iraque. Com a situação precisando ser revertida imediatamente para que o vexame de ser eliminado cedo diante do próprio torcedor fosse evitado, o Brasil enfrentou a Dinamarca precisando vencer. E conseguiu, goleando-a por 4 a 0. Com cinco pontos, a seleção ficou na primeira posição da chave.

Nas quartas de final, vitória por 2 a 0 sobre a Colômbia. A semifinal foi contra Honduras, e com acachapantes 6 a 0 o time o brasileiro chegou na decisão, contra a carrasca do 7 a 1 na Copa do Mundo 2014: a Alemanha. Ela chegou lá após passar por México, Fiji, Portugal e Nigéria. Na disputa pelo bronze, antes da decisão, os nigerianos bateram os hondurenhos por 3 a 2.

Brasileiros e alemães se enfrentaram no Maracanã. Ambas as equipes nunca haviam vencido uma Olimpíada no futebol masculino. E com essa credencial, somada à do 7 a 1, era possível cortar a tensão no gramado com uma faca. Neymar abriu o placar, de falta, aos 27 minutos do primeiro tempo. Aos 14 do segundo, Max Meyer empatou. O 1 a 1 ficou no placar pelo resto dos 120 minutos da partida, e a definição a favor do Brasil veio nos pênaltis: 5 a 4, com Nils Petersen tendo a última cobrança alemã defendida por Weverton e Neymar convertendo a derradeira do time brasileiro, para delírio da torcida.

A campanha do Brasil:
6 jogos | 3 vitórias | 3 empates | 0 derrotas | 13 gols marcados | 1 gol sofrido


Foto Ricardo Stuckert/CBF

México Campeão Olímpico 2012

Pela terceira vez na história, Londres recebeu uma edição da Olímpiada. Em 2012, a capital britânica tornou-se na pioneira a ter três ciclos dos Jogos em seu currículo. A escolha do COI implicou em um ressurgimento no futebol. Desativada desde 1960, a seleção da Grã-Bretanha foi reunida para representar o país-sede. Mas somente jogadores ingleses e galeses participaram do combinado. De resto, as coisas caminharam dentro das expectativas, com as potenciais zebras desfilando nas partidas e a medalha de ouro no masculino ficando pela primeira vez com uma equipe da Concacaf.

Sem nem mesmo um bronze nas nove participações anteriores que teve, o México conseguiu seu lugar ao sol com muito esforço e uma dose de sorte nos chaveamentos do mata-mata. No grupo B da primeira fase, "El Tri" iniciou a campanha com empate sem gols contra a Coreia do Sul. A primeira vitória veio nos 2 a 0 sobre o Gabão, na partida seguinte. A classificação foi obtida na rodada final, no 1 a 0 sobre a Suíça. Com sete pontos, o time mexicano ficou na liderança da chave.

Nas quartas de final, Senegal foi o adversário e o México precisou da prorrogação para vencer por 4 a 2. A semifinal foi jogada contra o Japão, e por 3 a 1 os mexicanos conseguiram um lugar na decisão, pela primeira vez na história. Do outro lado chegava o Brasil, que àquela altura já transformara a busca pelo ouro em uma obsessão.

Duas pratas, dois bronzes e inúmeros fracassos depois, a equipe brasileira aparecia de novo na final ao eliminar Bielorrússia, Nova Zelândia, Honduras e Coreia do Sul. Antes, a medalha de bronze foi definida a favor dos sul-coreanos, que fizeram 2 a 0 no clássico contra os japoneses.

O ouro foi decidido em Wembley, que em nada lembra - exceto pelo nome - o antigo estádio, palco da final de 1948 e demolido em 2000. O México não temeu o favoritismo brasileiro e tratou logo de enterrar o sonho do adversário no primeiro minuto da partida, no gol de Oribe Peralta. Aos 30 do segundo tempo, Peralta marcou novamente e matou qualquer reação que o Brasil poderia ter. Só aos 46 que o goleiro José Corona foi vazado, por Hulk. No fim, festa dos muchachos pelo primeiro título olímpico.

A campanha do México:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 12 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Arquivo/COI

Argentina Campeã Olímpica 2008

Passam-se mais quatro anos na jornada olímpica. Os Jogos de 2008 aconteceram na cidade de Pequim, a capital da China. Pouca coisa mudou desde a edição anterior do torneio de futebol masculino. A hegemonia seguiu forte, e a Argentina foi premiada com sua segunda medalha de ouro seguida, em um feito atingido somente pela Grã-Bretanha do começo dos anos 1910, pelo Uruguai dos anos 1920 e pela Hungria dos anos 1960.

Liderados em campo por Juan Roman Riquelme e Lionel Messi, os hermanos ficaram no grupo A das Olimpíadas. A estreia foi contra a Costa do Marfim, em partida vencida por 2 a 1 pelo time argentino. Na segunda rodada, vitória por apenas 1 a 0 sobre a Austrália. Com a classificação já garantida, a Argentina derrotou a Sérvia por 2 a 0 na terceira partida e voltou a fazer os nove pontos na primeira fase.

Nas quartas de final, um difícil jogo contra a Holanda. A Albiceleste precisou da prorrogação para fazer 2 a 1 e avançar à semifinal. Então foi a vez de enfrentar o Brasil. Se as dificuldades foram grandes anteriormente, uma incrível facilidade tomou conta da Argentina na semifinal. Com 3 a 0 no placar - dois gols de Sergio Agüero e outro de Riquelme -, a equipe portenha despachou seu arquirrival e partiu rumo a mais um ouro. Os brasileiros tiveram que se contentar com o bronze obtido por 5 a 0 em cima da Bélgica.

O oponente da Argentina na final foi a Nigéria, que chegou lá ao bater Estados Unidos, Japão, Costa do Marfim e Bélgica. O jogo foi realizado no Estádio Nacional de Pequim, conhecido também como Ninho do Pássaro. Diferentemente de 12 anos antes, quando os argentinos foram surpreendidos pelos nigerianos e ficaram com a prata, agora a história seria outra. Foi com um gol solitário de Ángel Di María, aos 13 minutos do segundo tempo, que a Argentina fez 1 a 0 e chegou ao bicampeonato olímpico.

A revanche sobre os africanos completou um ciclo vitorioso nas categoria inferiores do futebol hermano: foram duas medalhas douradas nos Jogos Olímpicos e dois títulos no Mundial Sub-20 entre 2004 e 2008. Um oásis no meio do deserto de taças que já afetava a Argentina há 15 temporadas.

A campanha da Argentina:
6 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 11 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto David Leah/Mexsport

Argentina Campeã Olímpica 2004

Depois de 108 anos, os Jogos Olímpicos voltavam para sua verdadeira casa. A grega Atenas recebeu as Olimpíadas de 2004 com oito anos de atraso, pois o plano original era de que o centenário do evento fosse na cidade. Mesmo assim, nada foi capaz de tirar a grandiosidade da organização. Foi tanto dinheiro investido, que mais tarde a Grécia mergulharia em uma crise econômica sem precedentes.

E se nos primeiros Jogos da história o futebol mal existia e não foi incluído no programa, agora a situação era bem diferente. O torneio seguiu o mesmo regulamento em vigor há quase três décadas, e foi a quarta edição disputada com seleções sub-23.

Algo comum no que se refere às Olimpíadas, países tradicionais no futebol passavam longe da medalha de ouro. Um deles era a Argentina, que até ali colecionava duas pratas (1928 e 1996) e sentia que precisava preencher o espaço que faltava subindo no topo do pódio. A espera enfim acabaria.

No grupo C da competição, a Albiceleste já mostrava suas armas na estreia, ao golear Sérvia e Montenegro por 6 a 0. A classificação chegou antecipadamente, na vitória sobre a Tunísia por 2 a 0. A primeira fase chegaria o fim no 1 a 0 sobre a Austrália, na última partida. Com nove pontos, a Argentina passou na liderança da chave.

A sequência perfeita seguiu nas quartas de final, nos 4 a 0 sobre a Costa Rica. Na semifinal, o time argentino derrotou a Itália por 3 a 0, chegando na decisão com muita facilidade. Seu adversário foi o Paraguai, que eliminou Gana, Japão, Coreia do Sul e Iraque. A disputa valendo o bronze foi jogada entre italianos e iraquianos, com vitória europeia por 1 a 0.

Pelo ouro, Argentina e Paraguai se enfrentaram no Estádio Olímpico de Atenas. Depois de tantos gols nas fases anteriores, o placar que deu o título aos hermanos foi econômico: só 1 a 0, gol marcado por Carlos Tevez aos 18 minutos do primeiro tempo. O merecido título inédito chegou com 100% de aproveitamento na campanha e nenhum gol sofrido. Tevez ainda foi o artilheiro dos Jogos, com oito gols.

A campanha da Argentina:
6 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 17 gols marcados | 0 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Camarões Campeão Olímpico 2000

Entre datas e marcos históricos, a Olimpíada atravessou o o novo milênio. Os Jogos de 2000 viajaram até ao outro lado do mundo e foram sediados em Sydney, na Austrália. E se quatro anos antes os especialistas ficaram surpreendidos com o ouro da Nigéria, o recado estava dado: camisa já não bastava mais para ganhar partidas e seguir adiante no torneio masculino de futebol. A confirmação dos fatos veio nos gramados da Oceania, com a seleção de Camarões.

A parte dois da escalada africana teve início no grupo C da primeira fase. Os Leões Indomáveis estrearam com vitória por 3 a 2 sobre o Kuwait. Na segunda rodada, empate por 1 a 1 com os Estados Unidos. E no último jogo, outro empate por 1 a 1, desta vez com a República Tcheca. Os resultados deixaram Camarões com cinco pontos, na vice-liderança. Por um gol a menos de saldo, eles perderam a ponta para os norte-americanos.

O principal capítulo da história camaronesa foi escrito nas quartas de final. Contra o Brasil, duas expulsões tornaram as coisas difíceis. Mas o gol de Patrick M'Boma aos 17 minutos do primeiro tempo dava a vitória à equipe. O empate brasileiro veio com Ronaldinho aos 49 do segundo tempo, e parecia que o caminho seria encerrado na prorrogação. Porém Modeste M'bami fez 2 a 1 aos oito do segundo tempo extra, e o gol de ouro deu sequência à trajetória. Na semifinal a vítima foi o Chile, com outro emocionante 2 a 1, agora de virada no último minuto.

A definição das medalhas na final foi contra a Espanha, que eliminou Coreia do Sul, Marrocos, Itália e Estados Unidos. Na disputa pelo bronze, os chilenos fizeram 2 a 0 nos norte-americanos. A grande decisão foi jogada no Olímpico de Sydney, novamente com traços dramáticos. Já aos dois minutos de partida, Xavi abriu o placar aos espanhóis. Aos 47, Gabri García aumentou.

Mas Camarões voltou com tudo para a última etapa, buscando o 2 a 2 com gol contra de Iván Amaya aos oito e Samuel Eto'o aos 13. A prorrogação passou toda em branco, e o ouro foi definido nos pênaltis. Amaya errou pelo lado europeu e todos os camaroneses converteram suas cobranças. Por 5 a 3, os Leões conseguiram o título inédito e histórico.

A campanha de Camarões:
6 jogos | 3 vitórias | 3 empates | 0 derrotas | 11 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Popperfoto/Getty Images

Nigéria Campeã Olímpica 1996

As Olímpiadas completaram 100 anos em plena forma e com muitos avanços. Em 1996, foi a vez de a cidade norte-americana de Atlanta receber a edição dos Jogos. Mas em meio à festa houve uma nota triste: o atentado à bomba no Parque Olímpico Centenário, que matou duas pessoas e feriu 111.

O futebol ficou longe do terrorismo e não competiu na cidade olímpica, algo inédito nos 92 anos da modalidade no programa. Outra novidade foi a introdução do torneio feminino, porém esta é uma história que será contada mais tarde. No masculino, a regra das convocações sofreu sua alteração definitiva, que foi a permissão de até três jogadores com idade acima dos 23 anos nos elencos.

O modelo sub-23 nivelou de vez os times que participariam das Olimpíadas. Os resultados que em situações normais seriam chamados de zebra, em terras olímpicas passariam a estar dentro da normalidade. Foi o caso da Nigéria, que levou a África a um ouro inédito e histórico.

No grupo D da competição, as Super Águias estrearam com vitória sobre a Hungria por 1 a 0. Depois, fez 2 a 0 no Japão, encaminhando a classificação. Mesmo a derrota para o Brasil por 1 a 0 não tirou a vaga nigeriana, que terminou na vice-liderança da chave com seis pontos.

Nas quartas de final, a equipe eliminou o México vencendo por 2 a 0. Na semifinal, outra o vez o Brasil pela frente. Em partida lembrada para sempre, a Nigéria chegou a estar perdendo por 3 a 1, mas buscou o empate antes do fim, virando para 4 a 3 na prorrogação, quando Nwankwo Kanu marcou o gol de ouro. A decisão do ouro foi contra a Argentina, que anteriormente bateu Estados Unidos, Tunísia, Espanha e Portugal. Antes, os brasileiros levaram o bronze ao golearem os portugueses por 5 a 0.

A final foi disputada no Estádio Sanford, na cidade de Athens, que é vizinha de Atlanta. Os argentinos abriram o placar aos três minutos de jogo, mas Celestine Babayaro empatou aos 28. Aos cinco do segundo tempo, outro gol argentino. A virada do título veio aos 29, com Daniel Amokachi, e aos 45, com Emmanuel Amunike. Por 3 a 2, a Nigéria atingia o seu ápice.

A campanha da Nigéria:
6 jogos | 5 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 12 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Alain Gadoffre/Icon Sport/Empics Sports

Globo Campeão Potiguar 2021

O Rio Grande do Norte tem um campeão inédito. Fundado em 2012 e ensaiando o título estadual desde a chegada na elite potiguar, em 2014, o Globo enfim conseguiu sua maior glória.

O campeonato foi simples, com oito equipes disputando dois turnos distintos e cada campeão garantindo vaga final. No primeiro, chamado Copa Cidade do Natal, a Águia de Ceará-Mirim venceu quatro e empatou duas das sete partidas que jogou, terminando em segundo lugar, com 14 pontos. Na decisão, bateu o líder América-RN por 2 a 0, em plena Arena das Dunas.

Como a vaga na finalíssima já estava na mão, o Globo deu uma relaxada no segundo turno, nomeado Copa Rio Grande do Norte. O time venceu três e empatou uma nos outros sete jogos, marcando dez pontos e encerrando na quinta posição. Enquanto se preparava, o ABC venceu o Santa Cruz-RN e levou o returno.

Na final geral, a Águia mandou a ida em casa, na cidade de Ceará-Mirim, e venceu por 2 a 1. A volta aconteceu em Natal, no Frasqueirão, e o Globo segurou empate por 1 a 1 para ficar com a taça.

A campanha do Globo:
17 jogos | 9 vitórias | 4 empates | 4 derrotas | 34 gols marcados | 19 gols sofridos


Foto Divulgação/Globo