Santa Cruz Campeão Pernambucano 1976

O título pernambucano de 1976 tem um gosto especial para o Santa Cruz. Não só porque o clube voltou a vencer o estadual depois de três anos, mas também porque foi o segundo "supercampeonato". Tal como em 1957, a fase final do torneio teve esse nome, e o time cobra-coral levou ambos.

Porém, apesar da comoção, o estadual de 1976 foi normal como qualquer outro. Foram oito participantes, que na primeira fase se enfrentaram em dois turnos. Na segunda fase, os seis melhores voltaram a jogar duas vezes entre si. A terceira fase foi igual, mas com os cinco melhores da etapa anterior. Por fim, o supercampeonato reuniu os três melhores da fase anterior.

Embalado pela histórica campanha no Brasileiro de 1975, quando chegou na semifinal, o Santa Cruz iniciou o estadual com vitória por 5 a 2 sobre o Ferroviário de Recife. Depois, venceu mais nove jogos, empatou três e perdeu um. Entre os triunfos, destaque para duas goleadas: 11 a 0 sobre o Íbis e por 5 a 0 sobre o Sport. Com 23 pontos, o Santinha passou em segundo lugar, três pontos atrás dos rubro-negros.

Para a segunda fase, Íbis e Santo Amaro foram eliminados. E o Santa começou a trajetória com empate por 1 a 1 com o Central. Este foi o único tropeço coral nesta etapa, emendando nove vitórias nas outras nove partidas. O Santa Cruz passou em primeiro lugar com 19 pontos, sete a mais que o vice Sport.

O América se despediu para a terceira fase. O Santa Cruz seguiu e estreou com vitória por 1 a 0 sobre o Sport. Nos outros sete jogos, a equipe venceu três, empatou três e perdeu um. O Santinha se classificou para o supercampeonato na vice-liderança, com 11 pontos, dois a menos que o Náutico.

O supercampeonato contou com as grandes forças pernambucanas: Santa Cruz, Sport e Náutico. A abertura foi com o Clássico das Multidões, com vitória do Santa por 2 a 0 sobre o Sport na Ilha do Retiro. Depois, o Náutico venceu o Clássico dos Clássicos por 1 a 0 nos Aflitos, eliminando os rubro-negros. O Clássico das Emoções decidiu o título no Arruda. Por 2 a 0, o Santa Cruz despachou os alvirrubros em casa e conquistou a 15ª taça estadual.

A campanha do Santa Cruz:
34 jogos | 25 vitórias | 7 empates | 2 derrotas | 79 gols marcados | 16 gols sofridos


Foto Arlindo Marinho/Placar

Bahia Campeão Baiano 1976

A saga do Bahia rumo ao hepta estadual teve continuidade em 1976, com a conquista do tetra. Foi a terceira vez que o clube conseguiu quatro títulos consecutivos, repetindo os feitos de 1948 e 1961.

O Baianão de 1976 teve 12 times e foi disputado em quatro fases. Em todas elas, os participantes foram divididos em dois grupos. Na primeira e terceira fases, se enfrentaram dentro das próprias chaves. Na segunda e na quarta, uma chave enfrentou a outra. Ao final de cada etapa, os dois melhores colocados de cada grupo avançaram para um quadrangular que apontou um finalista e deu um ponto extra.

O Bahia ficou no grupo A, ao lado de Fluminense de Feira, Ypiranga, Jequié, Leônico e Redenção. Na estreia da primeira fase, o Tricolor de Aço goleou o Redenção por 6 a 0. Na partida seguinte, fez 9 a 0 no Leônico. Nos outros três jogos, conseguiu mais três triunfos e terminou na liderança com dez pontos. No quadrangular, o time ganhou de Jequié e Atlético Alagoinhas, mas perdeu para o Vitória por 1 a 0 e ficou em segundo lugar com quatro pontos, dois atrás do rival.

Na segunda fase, o Bahia começou triunfando sobre o Humaitá por 4 a 0. Depois, ganhou mais três jogos e empatou dois, voltando a ser líder do grupo A com dez pontos. Porém, no quadrangular, a equipe empatou sem gols com o Leônico, ganhou por 3 a 0 do Atlético e perdeu novamente por 1 a 0 para o Vitória, fechando mais uma vez em segundo lugar, com três pontos, três atrás do rubro-negro.

A chave começa a virar na terceira fase. O Bahia faz 2 a 0 no Leônico e ganha as outras quatro partidas do grupo, sendo líder novamente com dez pontos. No quadrangular, o Tricolor de Aço triunfa sobre Fluminense, Atlético e Vitória, somando seis pontos e conquistando a vaga na decisão.

Mas era preciso igualar os pontos extras do rival. Na quarta fase, o Bahia derrota o Humaitá por 2 a 0, ganha mais três jogos, empata um e perde um, sendo líder da chave com nove pontos. No quadrangular, o time bate Ypiranga, Atlético e Vitória para fazer seis pontos e conseguir a segunda bonificação.

Por fim, Bahia e Vitória chegar para a final com dois pontos extras para cada lado, ou seja, ninguém teve vantagem de fato. Em dois Bavis na Fonte Nova, o Tricolor de Aço chegou ao título com triunfos por 2 a 1 na ida e por 1 a 0 na volta.

A campanha do Bahia:
36 jogos | 29 triunfos | 4 empates | 3 derrotas | 94 gols marcados | 14 gols sofridos


Foto Arquivo/Placar

Coritiba Campeão Paranaense 1976

Nenhum time paranaense venceu mais estaduais consecutivos que o Coritiba entre 1971 e 1976. Antes, o clube nunca havia de passado de alguns bicampeonatos. O hexa foi o 25º título estadual coxa-branca.

Foram 14 os participantes do Paranaense de 1976. Na primeira e segunda fases, todos se enfrentaram uma vez, com o líder de cada etapa garantindo um lugar no quadrangular final e um ponto extra. As oito melhores campanhas somadas seguiram para a terceira fase, onde se enfrentaram em turno único. O líder também teve vaga garantida na decisão e um ponto extra. O quadrangular seria fechado com a melhor campanha não-classificada somando todas as três fases, sem levar ponto extra.

O Coxa iniciou a campanha com vitória por 1 a 0 sobre o Operário em Ponta Grossa. Em Curitiba, começou fazendo 2 a 1 no Iguaçu. Nos outros 11 jogos, venceu nove, empatou um e perdeu um. Assim, a equipe conseguiu 23 pontos e se classificou para a final com um ponto a mais que o vice Athletico.

Na segunda fase, o Coritiba estreou novamente contra o Operário, vencendo por 4 a 2 no Belfort Duarte. Nas 12 partidas seguintes, o time emendou outras nove vitórias e três empates. Mais uma vez com 23 pontos, o Coxa repetiu o roteiro e ficou na primeira posição com um ponto a mais que o Athletico, garantindo assim dois pontos extras para o quadrangular.

Na terceira fase, os alviverdes tiraram o pé. Venceram o Iguaçu por 3 a 0 na abertura e depois acumularam um empate e cinco derrotas. Com apenas três pontos, o Coritiba foi sétimo colocado e viu o Colorado ser líder e se classificar para a decisão com 12 pontos. O quadrangular foi fechado com Athletico e Londrina, que tiveram as melhores campanhas no geral.

O quadrangular final aconteceu em março de 1977, após sete meses de pausa para o Brasileirão. Com dois pontos de bônus, o Coritiba nem precisou de muito para ser hexacampeão. Foram duas vitórias, três empates e nove pontos coxas-branca antes da última rodada contra o Colorado, que tinha sete pontos. Jogando pelo empate no Belfort Duarte, o time alviverde segurou o 0 a 0 e confirmou o título. 

A campanha do Coritiba:
39 jogos | 24 vitórias | 9 empates | 6 derrotas | 72 gols marcados | 24 gols sofridos


Foto Amilton Vieira/Placar

Atlético-MG Campeão Mineiro 1976

Depois de seis anos sem vencer, o Atlético-MG quebrou o domínio do rival Cruzeiro e garantiu o título mineiro em 1976. Foi uma conquista obtida com autoridade, invicto ao final da maratona de jogos.

O estadual foi disputado por 23 times. A primeira fase foi a Taça Minas Gerais, com 22 times divididos em dois grupos e em turno único. O melhor líder foi à decisão, enquanto o outro jogou a semifinal com o Cruzeiro (dispensado da etapa anterior pela presença na Libertadores). Na segunda fase, os 11 melhores e o Cruzeiro jogaram a Taça Governador do Estado, enquanto os outros 11 foram ao Torneio Paralelo. Ambos tiveram duas chaves e turno único. Os oito melhores da Taça Governador foram à terceira fase, em dois quadrangulares e partidas todos contra todos. Os dois melhores de cada grupo e os dois melhores do Torneio Paralelo disputaram o hexagonal que apontou os dois finalistas.

O regulamento foi difícil de entender, ao contrário da campanha do Galo. Na estreia da primeira fase, goleou o Democrata de Governador Valadares por 5 a 1. Após, venceu os nove jogos seguintes e passou à final com 20 pontos na liderança. O título da Taça Minas Gerais veio com vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, que havia derrotado o Uberaba na semifinal.

Na segunda fase, o Atlético jogou no grupo B. Começou goleando o Nacional de Uberaba por 8 a 0. Depois, ganhou as outras quatro partidas e voltou a ser líder, com dez pontos. Na decisão da Taça Governador, o Galo bateu a Caldense ao vencer a ida por 2 a 1 e empatar a volta por 0 a 0.

O Atlético ficou no grupo B da terceira fase, estreando com vitória por 2 a 0 sobre o Guaxupé. Nas outras seis partidas, o time venceu três e empatou três, passando ao hexagonal seguinte como líder da chave, com 11 pontos. O hexagonal começou com o Galo fazendo 1 a 0 no Guarani de Divinópolis. Depois, se classificou à final com uma rodada de antecedência ao vencer mais dois jogos e empatar um, somando sete pontos, assim como Cruzeiro. A última rodada até foi cancelada.

O Galo foi à decisão estadual contra o Cruzeiro, mas a disputa do Brasileirão empurrou os confrontos de agosto de 1976 para março e abril de 1977. No Mineirão, o Atlético venceu as duas partidas por 2 a 0 e recuperou o título, sendo este o 24º do clube.

A campanha do Atlético-MG:
31 jogos | 26 vitórias | 5 empates | 0 derrotas | 81 gols marcados | 8 gols sofridos


Foto Célio Apolinário/Placar

Internacional Campeão Gaúcho 1976

Oito, e nada mais. Em 1976, o Internacional atingiu o octa gaúcho, a maior sequência de título para um mesmo clube no Rio Grande do Sul, superando o hepta do Grêmio, obtido imediatamente antes, em 1968. E tal como aconteceu em 1975, foi uma conquista que abriu caminho para o título brasileiro.

O Gauchão do auge teve 32 participantes. Destes, 30 começaram na primeira fase, divididos em seis grupos. Os três melhores de cada chave se juntaram à Inter e Grêmio na segunda fase, que foi disputada em grupo e turno únicos. O melhor time da segunda fase tinha vaga garantida na final, enquanto os quatro melhores avançaram para a terceira e quarta fases, jogadas em quadrangulares de turno único. O vencedor de cada quadrangular também passou à decisão.

O Colorado já mostrou suas armas na estreia, ao fazer 5 a 1 no São Luiz em Porto Alegre. O time ficou invicto durante os 19 jogos da segunda fase, com mais 16 vitórias e dois empates nas partidas seguintes. O ponto alto aconteceu na 10ª rodada, quando aplicou 14 a 0 no Ferrocarril de Uruguaiana, no que foi a maior goleada da história do Campeonato Gaúcho. O Inter somou 36 pontos, empatado com o Grêmio mas com uma vitória a menos. No Grenal de desempate, acabou derrotado por 2 a 0 no Olímpico. Além da dupla, Caxias e Esportivo se classificaram.

No quadrangular da terceira fase, o Colorado bateu o Esportivo por 3 a 0, o Caxias por 4 a 2 e o Grêmio por 1 a 0, todos no Beira-Rio, conquistando seis pontos e a vaga na final. Na quarta fase, o Inter voltou a vencer o Esportivo por 2 a 0 e o Caxias por 1 a 0, além de empatar por 1 a 1 o Grêmio, desta vez fora de casa, conseguindo cinco pontos e nova liderança. Com isso, o Colorado foi à final estadual com vantagem sobre o maior rival.

Cada fase valia um ponto para a decisão, e o Internacional chegou nela com dois. O campeão gaúcho seria quem chegasse primeiro a quatro pontos. Assim, bastou vencer o Grêmio por 2 a 0 no Beira-Rio para o Colorado ser octa e vencer o 24º estadual logo na primeira partida.

A campanha do Internacional:
27 jogos | 23 vitórias | 3 empates | 1 derrota | 69 gols marcados | 9 gols sofridos


Foto Arquivo/Internacional

Fluminense Campeão Carioca 1976

Com um dos melhores times de sua história e boas doses de drama, o Fluminense quebrou a alternância com o Flamengo e levou o bicampeonato carioca em 1976, um feito que não acontecia há 35 anos, quando o clube venceu os títulos em 1940 e 1941. Foi também o 23º estadual na conta geral.

O Cariocão de 1976 foi o primeiro disputado após a Guanabara ser absorvida pelo Estado do Rio de Janeiro. Desta forma, o torneio teve os 12 participantes comuns da cidade do Rio e três convidados fluminenses: Americano, Goytacaz e Volta Redonda. Na Taça Guanabara, os 15 times se enfrentaram em turno único, com o vencedor indo para a final, os oito melhores para o grupo dos ganhadores e os sete piores para o grupo dos perdedores. Na segunda fase, os oito ganhadores disputaram a segunda vaga na final em turno único. Já o pior colocado da chave trocou de lugar com o líder do grupo de perdedores. Na terceira fase, cada chave definiu os dois últimos finalistas, também em um só turno.

O Fluminense começou a Taça Guanabara muito mal, com derrota por 3 a 0 para o Bonsucesso. Depois, se recuperou com dez vitórias e três empates nas 13 partidas seguintes, mas o tropeço na estreia fez o time ficar em terceiro lugar com 23 pontos, um a menos que Flamengo e Vasco, que foi campeão.

Na segunda fase, a Taça José Wânder Rodrigues Mendes, o tricolor iniciou com vitória por 4 a 2 sobre o Goytacaz. Nos outros seis jogos, conseguiu mais quatro triunfos, um empate e uma derrota. Este revés foi para o Botafogo e tirou a segunda chance de final do Flu, que ficou na vice-liderança com 11 pontos, dois atrás do próprio rival alvinegro.

A última chance era a Taça Amadeu Rodrigues Sequeira, na terceira fase. O Fluminense estrou fazendo 2 a 0 no Americano e emendou mais quatro vitórias, um empate e uma goleada por 5 a 1 sobre o Botafogo na última rodada. Sem vacilar, o time ficou em primeiro com 13 pontos, foi à final e ainda eliminou o Flamengo, que fez 11 pontos. No outro grupo, o America buscou a quarta vaga na decisão.

No quadrangular final, o Flu começou com vitória por 2 a 0 sobre o America. Depois, empatou por 0 a 0 com o Botafogo e por 2 a 2 com o Vasco. Esses resultados deixaram a equipe tricolor com quatro pontos e igualada com os cruz-maltinos na tabela. Assim, foi necessário um jogo extra para definir o campeão carioca. Ele aconteceu no Maracanã, e o Fluminense venceu o Vasco por 1 a 0, faturando o título.

A campanha do Fluminense:
32 jogos | 23 vitórias | 7 empates | 2 derrotas | 74 gols marcados | 26 gols sofridos


Foto Arquivo/Jornal do Brasil

Palmeiras Campeão Paulista 1976

Um título histórico, que depois viraria lembrança para o Palmeiras. Mal sabiam os palmeirenses que o próximo título após o Paulistão de 1976 aconteceria somente 17 anos depois. Foi a conquista que fechou o ciclo da Segunda Academia e precedeu a maior entressafra alviverde.

O estadual de São Paulo em 1976 teve a participação de 18 times. Na primeira fase, todos se enfrentaram em turno único, porém separados em três grupos. Os quatro melhores de cada chave avançaram para a segunda fase, com a melhor campanha geral ganhando um ponto de bonificação. Na etapa seguinte, os 12 classificados voltaram a atuar em turno único, mas sem divisão de grupos, com o melhor colocado garantindo o título.

O Palmeiras disputou a primeira fase pelo grupo C, disputando posição com América de Rio Preto, Noroeste, Ponte Preta, Portuguesa e Santos. Na estreia, o Verdão venceu a Ferroviária por 3 a 1 em casa. Nas 16 partidas seguintes, conseguiu mais oito vitórias, sete empates e uma derrota. Com 25 pontos, a equipe se classificou na primeira posição da chave. Contudo, a campanha não foi suficiente para a conquista da bonificação, que ficou com o Guarani com 26 pontos.

Na reta final, o Palmeiras manteve o alto nível de disputa. Na abertura, o time venceu o América de Rio Preto por 3 a 2 em casa. Depois, a campanha manteve-se invicta com mais quatro vitórias e três empates até a nona rodada, quando venceu o São Paulo por 1 a 0. Na classificação, 15 pontos para o Verdão contra 12 do Guarani, 11 do XV de Piracicaba e 11 do América, os únicos com chances de título.

Na penúltima rodada, o Palmeiras teve um confronto direto com o XV de Piracicaba no Palestra Itália. Uma vitória simples já era o bastante para o título, e ela veio pelo placar mínimo de 1 a 0. Na última rodada, o jogo da taça e das faixas foi o triunfo por 2 a 1 sobre o Corinthians no Morumbi. Com 19 pontos, o time alviverde terminou quatro à frente do vice, o próprio XV de Piracicaba.

A campanha do Palmeiras:
28 jogos | 17 vitórias | 10 empates | 1 derrota | 39 gols marcados | 18 gols sofridos


Foto Arquivo/Palmeiras