O ano de 1969 consolidou definitivamente o Robertão como a espinha dorsal do futebol brasileiro. Com a extinção oficial da Taça Brasil, a Taça de Prata, como o torneio era formalmente chamado pela CBD, tornou-se o único caminho para a glória nacional. A competição também passou a carregar o peso de definir os representantes brasileiros na Libertadores. O certame reuniu a nata do esporte, com 17 clubes de sete estados, divididos em dois grupos altamente competitivos.
Campeão da edição de 1967, o Palmeiras iniciou a jornada sob o peso do favoritismo, mas a trajetória no Grupo B foi tudo menos simples. A chave tornou-se um verdadeiro grupo da morte, onde a diferença técnica entre os times era mínima. Ao final das 16 rodadas, o alviverde assegurou a liderança com nove vitórias, um empate e seis derrotas, com 19 pontos somados. O Botafogo garantiu a segunda vaga. No Grupo A, o cenário foi ligeiramente mais folgado, com Corinthians e Cruzeiro desfilando um futebol superior e avançando sem grandes sustos.
Se a primeira fase foi equilibrada, o quadrangular final elevou a tensão a níveis dramáticos. Na rodada de abertura, o Palmeiras travou um clássico truncado contra o Corinthians, terminando em 0 a 0. Simultaneamente, Botafogo e Cruzeiro dividiam pontos em um eletrizante 2 a 2.
A segunda rodada trouxe mais apreensão para a torcida alviverde. No Mineirão, o Palmeiras buscou um empate em 1 a 1 contra o Cruzeiro. O resultado deixou o Verdão em situação delicada, pois o Corinthians, ao vencer o Botafogo por 1 a 0, assumiu a liderança isolada e colocou as mãos na taça.
A rodada final foi um exercício de matemática e fé. Para ser campeão, o Palmeiras precisava vencer o seu jogo a partir de de dois gols de diferença e contar uma vitória cruzeirense por menos tentos. No Morumbi, o Verdão fez a sua parte com autoridade: derrotou o Botafogo por 3 a 1, com gols de Ademir da Guia e César Maluco, e passou a acompanhar as rádios.
No Mineirão, o cenário era complexo: o empate ou a vitória dariam o título ao Corinthians. Uma vitória mineira por dois ou mais gols daria o título ao Cruzeiro. Mas o destino sorriu para o Palmeiras quando o Cruzeiro venceu por exatamente 2 a 1. Esse placar deixou Palmeiras e Cruzeiro empatados em pontos, mas o título ficou com o clube paulista graças ao critério de saldo de gols. Era a consagração da Segunda Academia, com o Verdão erguendo seu segundo Robertão e seu quarto título brasileiro, fechando a década de 1960 como um dos maiores colecionadores de taças nacionais do país.

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