Grêmio Campeão Brasileiro Série B 2005

O Grêmio encontrou o fundo do poço em 2005. Após gestões desastrosas nos anos anteriores e o rebaixamento no Brasileirão de 2004, o clube vivia a maior crise de sua história. Asfixiado financeiramente, o Tricolor precisava do acesso de forma urgente. O cenário era tão grave que uma possível licença das competições nacionais ou até a falência institucional chegaram a ser cogitadas.

A única salvação era conquistar uma das duas vagas de ascensão na Série B, torneio pelo qual o clube já havia passado em 1992, quando garantiu um acesso sem maiores brilhos na nona posição. Em 2005, a segunda divisão contou com 22 equipes e manteve o regulamento padrão do período: turno único na primeira fase, classificando os oito melhores e rebaixando os seis piores.

A campanha gremista começou claudicante. A estreia registrou uma derrota por 2 a 1 para o Gama, fora de casa. Na sequência, veio a primeira vitória: 4 a 3 sobre o Avaí, disputado no Beira-Rio de portões fechados, reflexo de uma punição por incidentes ocorridos ainda em 2004. Até a metade da primeira fase, o Tricolor alternou grandes momentos e tropeços duros: venceu por 2 a 1 o Paulista de Jundiaí, recém campeão da Copa do Brasil, no Olímpico, mas foi goleado por 4 a 0 pela Anapolina fora de casa.

A engrenagem só começou a funcionar a partir da 11ª rodada, em uma vitória de virada por 4 a 3 sobre o Ceará no Castelão. A classificação para a segunda fase veio na 18ª rodada, com um triunfo por 2 a 1 sobre a Portuguesa no Canindé. O Grêmio encerrou a fase inicial na quarta colocação, somando 35 pontos com nove vitórias, oito empates e quatro derrotas.

Na segunda fase, em um quadrangular contra Santo André, Avaí e Santa Cruz, o time gaúcho venceu quatro vezes, perdeu duas e avançou na segunda posição com 12 pontos.

A fase decisiva reuniu Grêmio, Santa Cruz, Náutico e Portuguesa. O Tricolor começou bem ao bater o Náutico por 1 a 0 no Olímpico. Depois, vieram dois empates por 1 a 1 fora de casa contra Santa Cruz e Portuguesa. No início do returno, um novo empate por 2 a 2 com o time paulista e uma vitória por 2 a 0 sobre o Santa Cruz, em Porto Alegre, deixaram o Grêmio a um empate do acesso.

A última rodada, em 26 de novembro de 2005, entrou para a história. Enquanto o Santa Cruz vencia a Portuguesa e garantia a primeira vaga, Náutico e Grêmio faziam uma partida tensa e empatada em Recife. No primeiro tempo, o time pernambucano já havia desperdiçado um pênalti, cobrado na trave por Bruno Carvalho. Quando o árbitro anotou uma segunda penalidade máxima a favor do Náutico, na reta final do jogo, a indignação gremista travou a partida por mais de 20 minutos. Após uma confusão generalizada com a polícia e a arbitragem, quatro jogadores do Grêmio foram expulsos: Patrício, Nunes, Rodrigo e Escalona. O time estava no limite, reduzido a sete atletas e precisando pontuar para subir.

Foi no ambiente hostil do Estádio dos Aflitos que o impossível aconteceu. Na cobrança do pênalti, o goleiro Galatto defendeu com as pernas o chute de Ademar, mantendo o Grêmio vivo. No lance seguinte, após a cobrança de escanteio, o jovem prodígio Anderson pegou a bola, tabelou, arrancou em velocidade, passou pela defesa adversária desorganizada e tocou para o fundo da rede. Com apenas sete jogadores em campo, defendendo um pênalti e marcando o gol da vitória por 1 a 0 logo em seguida, o Tricolor garantiu o retorno à primeira divisão de 2006 e conquistou o título da Série B daquele ano.

A campanha do Grêmio:
33 jogos | 16 vitórias | 11 empates | 6 derrotas | 48 gols marcados | 34 gols sofridos


Foto Teófilo Pereira/Fone Mídia

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