Reassumindo o protagonismo no calendário nacional, a Copa do Nordeste ganhou um atrativo de peso em 2014: o campeão passou a garantir vaga na Copa Sul-Americana, resgatando o prestígio dos anos 1990, quando o vencedor assegurava classificação para a antiga Copa Conmebol. A fórmula de disputa da edição anterior (16 clubes em quatro chaves) foi mantida. No entanto, o rigor do critério classificatório pelos estaduais cobrou um preço alto: quarto colocado no Campeonato Paraibano de 2013, o campeão Campinense ficou de fora da competição.
Com o detentor do título ausente, a expectativa era de que as principais forças da região entrassem em campo em ritmo acelerado. A prática, contudo, reservou surpresas: o Bahia decepcionou com uma eliminação ainda na fase de grupos, enquanto o Vitória sofreu uma goleada por 5 a 1 para o Ceará nas quartas de final. Outro grande que flertou com o perigo, mas que no fim venceu, foi o Sport.
No Grupo D ao lado de Náutico, Guarany de Sobral e Botafogo-PB, o Leão da Ilha tentava encerrar um jejum de 14 anos sem erguer o troféu regional. Embalado pelo recente retorno à Série A do Brasileirão, o time demorou a engrenar na competição. A estreia reservou um empate em 1 a 1 contra o Botafogo em João Pessoa. Na sequência, o rubro-negro viveu um momento crítico com três partidas sem vitória: derrota por 1 a 0 no clássico diante do Náutico na Ilha do Retiro, empate sem gols contra o Guarany de Sobral no Recife e um novo revés por 1 a 0 para a equipe cearense fora de casa.
À beira da eliminação, o Sport reagiu nas duas rodadas derradeiras. Primeiro, aplicou 3 a 0 sobre o Náutico na Arena Pernambuco. Em seguida, superou o Botafogo por 1 a 0 na Ilha do Retiro. Com oito pontos, o Leão arrancou a vice-liderança da chave. A classificação foi facilitada também pelos bastidores, já que a equipe paraibana havia perdido quatro pontos no STJD por escalação irregular.
A partir das quartas de final, o Sport apresentou um futebol pragmático e eficiente. Contra o CSA, construiu a vantagem de 2 a 0 na partida de ida, no Recife, e administrou a vaga na semifinal mesmo com a derrota por 1 a 0 no Rei Pelé, em Maceió. Na semifinal diante do rival Santa Cruz, a estratégia se repetiu: vitória por 2 a 0 na Ilha do Retiro e um novo triunfo por 2 a 1 no Estádio do Arruda, avançando para a decisão.
A final colocou frente a frente Sport e Ceará, que superou Vitória e América-RN. O roteiro das fases anteriores foi executado à risca. No confronto de ida, na Ilha do Retiro, o Leão abriu vantagem ao vencer por 2 a 0. No jogo de volta, diante de um Castelão lotado, a equipe pernambucana soube atuar com o regulamento debaixo do braço. Segurando a pressão dos donos da casa, o Sport empatou em 1 a 1, com o atacante Neto Baiano convertendo uma cobrança de pênalti decisiva que selou o placar e garantiu a festa do tricampeonato rubro-negro em solo cearense.

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