Grã-Bretanha Campeã Olímpica 1908

A enorme história do futebol olímpico começa de verdade em 1908. Embora os Jogos de 1900 e 1904 tenham contado com a modalidade, elas foram disputadas na época como esporte de exibição, sem a entrega de medalhas. O reconhecimento do COI veio muito tempo depois, com cerca de um século de diferença. A FIFA, por outro lado, não oficializou os resultados. O motivo alegado para isso é que as partidas foram jogadas com clubes ao invés de seleções, mas à boca pequena se diz que o não-reconhecimento se deve ao fato de a entidade futebolística ainda não existir até aquele momento.

A cidade britânica de Londres abrigou a quarta Olímpiada de Verão, a primeira com seleções disputando o futebol. Donas da casa, Inglaterra, Escócia, País de Gales e a ilha da Irlanda juntaram suas forças e formaram o time da Grã-Bretanha. O favoritismo era natural e ficou provado em campo. Oito equipes estavam programas para entrar na disputa, mas somente seis jogaram: a Hungria desistiu e a Boêmia (posterior Tchecoslováquia) foi impedida pela FIFA por não ser um membro da entidade. Na prática, cinco países estavam mobilizados, pois a França participou com dois elencos.

A estreia britânica foi nas quartas de final contra a Suécia, em goleada por 12 a 1. Na semifinal, 4 a 0 sobre a Holanda já valeu a vaga na decisão. Na outra chave, a Dinamarca garantia seu lugar ao aplicar 9 a 0 na França B e 17 a 0 na França principal. A humilhação foi tão grande para os franceses que eles sequer fizeram a partida pelo bronze. Os suecos foram resgatados, mas os holandeses fizeram 2 a 0 e ficaram em terceiro.

O jogo pelo ouro foi entre Grã-Bretanha e Dinamarca, no White City. Confirmando o que já se imaginava antes do início do torneio, o time britânico sagrou-se campeão pela primeira vez. O placar foi bem econômico perto do que se viu nas fases anteriores: 2 a 0, gols de Frederick Chapman aos 20 do primeiro tempo e de Vivian Woodward no primeiro minuto do segundo tempo. Assim, o primeiro pódio da história do futebol olímpico estava formado. E nas edições seguintes, a competição encararia um forte crescimento na popularidade.

A campanha da Grã-Bretanha:
3 jogos | 3 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 18 gols marcados | 1 gol sofrido


Foto Arquivo/FA

Jogos Olímpicos: uma história de (muito mais que) 120 verões


"Mais rápido, mais alto, mais forte". Tudo começou antes mesmo do nascimento de Cristo, na Grécia antiga. Competições atléticas eram disputadas regularmente a cada quatro anos, entre os séculos 8º a.C. e 5º d.C., em honra aos deuses. A tradição milenar não resistiu ao avanço do poder dos romanos, que eliminaram e destruíram toda e qualquer referência ao que eles chamavam de "práticas e cultos pagãos". O que ficou em pé o tempo tratou de esconder por mais de centenas de anos.

O local onde ficava Olímpia foi descoberto em meados do século 18 (por volta de 1766), com sua exploração sendo feita por arqueólogos franceses, britânicos e alemães a partir do século 19 (a partir de 1829). E desde esta época houve o desejo de se reviver as Olimpíadas, com festivais surgindo na França e na Grã-Bretanha, além da própria Grécia entre 1796 e 1862. Os mais famosos deste período foram os britânicos, realizados nas cidades de Wenlock e Liverpool, com organizações distintas.

E foi da união das ideias destes dois jogos que as Olimpíadas renasceram de fato. O Barão francês Pierre de Coubertin se inspirou em criar o Comitê Olímpico Internacional após assistir ao evento de Wenlock em 1890. De Liverpool veio o regramento montado em 1865 pela Associação Nacional Olímpica, cujos artigos serviram de base para a futura Carta Olímpica, que é o guia para a organização dos Jogos modernos e o comando do Movimento Olímpico atual.

O COI foi fundado em 1894, em Paris. No seu primeiro congresso, ficou definido que o retorno das Olimpíadas aconteceria dois anos depois, em Atenas, e que cada edição seria disputada da mesma forma como na Antiguidade: a cada quatro verões e com atletas amadores. A diferença é que o mundo do fim do século 19 era outro, e Coubertin estabeleceu que os Jogos teriam de ter rotatividade internacional. Foi nesta reunião que também foi cunhada a frase "Citius, Altius, Fortius", pelo padre Henri Didon, amigo de Coubertin. Ela se tornaria no Lema Olímpico a partir de 1924.

A primeira Olimpíada da era moderna foi aberta no dia 6 de abril de 1896, na capital grega. Com nove modalidades, foi um sucesso entre atletas e público. Mas entre as quase dez disputas no programa, nenhuma era o futebol. Crescente na Europa na virada para o século 20, o esporte bretão entrou para o calendário em 1900, em Paris. Como modalidade de exibição (sem a entrega de medalhas) e com presenças de clubes ao invés de seleções nacionais, a primeira edição foi vencida pelos britânicos do Upton Park, batendo os franceses da USFSA e os belgas da Université de Bruxelles.

Em 1904, em Saint Louis, os canadenses do Galt superaram os norte-americanos do Christian Brothers College e do St. Rose Parish. Esta segunda jornada também foi considerada de exibição na época. Somente décadas mais tarde que o COI oficializou as duas demonstrações e outorgou medalhas retroativas aos ganhadores. Medalhas estas que só viraram tradição nas Olimpíadas nesta mesma terceira edição: em Atenas, campeões recebiam prata e vices ficavam com bronze. Em Paris, os vencedores ganhavam um troféu. Ouro antes de prata e bronze, só a partir dos Jogos no sul dos Estados Unidos.

Voltando ao futebol... a competição ganhou ares importantes quando a Olimpíada foi abrigada pela terra onde o esporte nasceu: Londres, em 1908. De lá para cá foram 24 disputas, com duas pausas devido à guerra, uma devido a incertezas, além de várias mudanças no chamamento dos jogadores. É a partir daqui a história vai começar, seguindo o que de mais importante aconteceu no evento principal. Evento esse que reúne o mundo esportivo independentemente da situação, capaz de superar até mesmo duas lutas armadas e duas pandemias.

Portugal Campeão da Eurocopa 2016

A constante expansão da Eurocopa teve mais um passo na edição de 2016, quando a UEFA aumentou mais uma vez o número de seleções participantes e de grupos, passando de 16 para 24 e de quatro para seis. Com quase meio continente na disputa, houve o recorde de estreantes nos estádios da França, a sede do torneio: cinco, com as de Islândia e País de Gales tornando-se as mais memoráveis, de campanhas até as quartas e até a semifinal, respectivamente.

Fora disso, o título ficou com a uma equipe que vinha de muitas batidas na trave e que contava (e ainda conta) com um dos melhores jogadores do século. Portugal e Cristiano Ronaldo atingiram o auge da relação. No grupo F, a campanha portuguesa iniciou longe de parecer um time campeão. Foram três empates nas três partidas. Começou no 1 a 1 com a Islândia, continuou no 0 a 0 com a Áustria e terminou no 3 a 3 com a Hungria. A classificação ficou ameaçada na rodada final, já que os húngaros ficaram três vezes à frente do placar, mas Portugal conseguiu no fim uma vaga de terceiro colocado, com apenas três pontos. 

Depois de tantos três, era a hora do mata-mata. O adversário nas oitavas de final foi a Croácia, vencida somente na prorrogação, por 1 a 0. Nas quartas, mais um empate, agora por 1 a 1 contra a Polônia. Nos pênaltis, 5 a 3 aos portugueses. A semifinal foi jogada contra o País de Gales, e Portugal finalmente conseguiria uma vitória nos 90 minutos: 2 a 0, com gols de Cristiano Ronaldo e Nani.

Na decisão, o encontro com a dona da casa França, que eliminou Irlanda, Islândia e Alemanha. O jogo no Stade de France, em Saint-Denis, foi o tempo todo sob tensão. O capitão CR7 só durou 25 minutos em campo, sendo substituído após sofrer lesão. A partida desenrolou sem gols por 108 minutos, invadindo a prorrogação.

Aos quatro do segundo tempo extra, coube ao reserva Eder anotar o gol do título, com um chute forte e rasteiro de fora da área, sem alcance para o goleiro Hugo Lloris. Calando quase todo o estádio, enfim estava selada a conquista tão sonhada de Portugal. Depois de tantas tentativas frustradas, algumas bem dolorosas, era a hora da comemoração.

A campanha de Portugal:
7 jogos | 3 vitórias | 4 empates | 0 derrotas | 9 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Nick Potts/Empics/Getty Images

Espanha Campeã da Eurocopa 2012

A última edição de Eurocopa com 16 seleções aconteceu em 2012, e ela foi duplamente sediada pela terceira vez na história, com a incumbência ficando nas mãos de Ucrânia e Polônia. Foi nos gramados ucranianos e poloneses que a Espanha completou a trilogia dos grandes títulos. Agora temida, a equipe chegava para buscar o tricampeonato ostentando ainda a Copa do Mundo erguida em 2010.

Na cabeça do grupo C, a Fúria estreou contra a Itália, porém não passou do empate por 1 a 1, tendo saído atrás no placar. As coisas voltariam ao normal a partir da segunda rodada, com a goleada por 4 a 0 sobre a Irlanda. No último jogo da fase, bastou à Espanha vencer a Croácia por 1 a 0 para garantir a liderança da chave com sete pontos. Os italianos também avançaram às quartas de final.

O primeiro mata-mata espanhol foi contra a França, uma velha pedra no sapato espanhol nas Euros de 1984 e de 2000, além do Mundial de 2006. Mas desta vez os franceses não tiveram chances e perderam por 2 a 0, ambos os gols marcados por Xabi Alonso. O confronto mais complicado veio na semifinal, contra Portugal. As equipes ficaram no 0 a 0 em Donetsk, tendo que decidir a vaga nos pênaltis. Os espanhóis foram mais eficientes nas cobranças e venceram por 4 a 3. Dessa forma, a Espanha atingia um feito que apenas União Soviética e Alemanha haviam conseguido: chegar em duas finais seguidas.

Mas soviéticos e alemães jamais conquistaram duas vezes consecutivas a Eurocopa. Era a grande chance espanhola de superá-las. Sua adversárias na decisão foi a Itália, marcando o reencontro da estreia. A partida foi disputada no Olímpico de Kiev, e contaria uma história bem distinta do que foi vista lá atrás. Bem leve em campo, a Espanha abriu o caminho do título aos 14 minutos do primeiro, quando David Silva abriu o placar. Aos 41, Jordi Alba ampliou.

A goleada estava por vir, e ela chegou a partir dos 39 do segundo tempo, com o gol de Fernando Torres. Aos 43, Juan Mata fez 4 a 0 e completou a festa. Pela primeira vez o título europeu ficava duas vezes seguidas com a mesma seleção. Mais: a Espanha igualava o topo do ranking de conquistas, ao lado da Alemanha, com três.

A campanha da Espanha:
6 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 12 gols marcados | 1 gol sofrido


Foto Laurence Griffiths/Getty Images

Espanha Campeã da Eurocopa 2008

Mais uma Eurocopa começa, e junto com ela vem o surgimento de uma nova força, que sempre esteve ali mas que na hora H falhava. A história seria mudada com a Espanha a partir de 2008. Seu único título provinha do distante de 1964, na segunda edição continental. O outro troféu era a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1992. Em Copas do Mundo, a Fúria não passava de um quarto lugar em 1950 e algumas eliminações que são comentada até os dias de hoje, como em 2002. Tudo seria diferente nos gramados da Áustria e da Suíça, as anfitriãs da Euro.

No grupo D da competição, a Fúria estreou contra a Rússia, goleando-a por 4 a 1 com direito a hat-trick de do centroavante David Villa. Contra a Suécia, vitória por 2 a 1 encaminhou a classificação espanhola. Na última partida da fase, a Espanha passou pela então detentora do título, a Grécia, com outro triunfo por 2 a 1. Com os nove pontos possíveis, a equipe avançou na liderança da chave, com os russos logo atrás.

O jogo mais difícil de La Roja aconteceu nas quartas de final. Foi contra a Itália, que endureceu ao máximo e fez com que o placar não saísse do 0 a 0. Nos pênaltis, a Fúria fez 4 a 2 e passou à semifinal. No penúltimo passo, foi a vez de enfrentar novamente a Rússia. E a Espanha fez outro placar dilatado: 3 a 0, com todos os gols marcados no segundo tempo.

De volta à decisão, o time espanhol teria de encarar a Alemanha, que para também chegar ali passou por Áustria, Polônia, Portugal e Turquia. A partida foi disputada no Estádio Ernst-Hapel, em Viena. Melhor o tempo todo, a Espanha dominou os alemães com tranquilidade. O solitário gol do título saiu aos 33 minutos do primeiro tempo, quando Fernando Torres recebeu passe em profundidade e tocou na saída do goleiro Jens Lehmann, encobrindo-o.

O resultado final foi de só 1 a 0, mas poderia ter sido mais devido ao maior volume de jogo da Espanha, que conquistava o bicampeonato europeu. Esta jornada de 2008 foi só o começo de uma escalada marcante da seleção ibérica, que culminaria em três taças na galeria e um novo conceito de futebol.

A campanha da Espanha:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 12 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Shaun Botterill/Getty Images

Grécia Campeã da Eurocopa 2004

O ano das zebras também fez de "vítima" a Eurocopa. Sediada em Portugal, a edição de 2004 trouxe um campeão improvável, que dez em cada dez casas de apostas sequer apontaram antes da competição começar. Pois a Grécia surpreendeu a tudo e todos em uma das melhores histórias já vistas já vistas nos gramados do Velho Continente.

Ausente desde 1980 da Euro, o time grego jogou a primeira fase no grupo A, estreando justamente contra os donos da casa. E logo de cara já pintou e bordou, vencendo os portugueses por 2 a 1. Na segunda rodada, a equipe buscou o empate por 1 a 1 diante da Espanha.

Na última rodada, enfrentou a já eliminada Rússia e perdeu por 2 a 1, enquanto Portugal superava os espanhóis por 1 a 0. A combinação de resultados ajudou os helênicos, que passaram de fase na vice-liderança com quatro pontos, saldo zerado e quatro gols marcados. O time espanhol empatou em quase tudo com o grego, mas ficou de fora porque só anotou dois gols. O primeiro lugar foi português, com seis pontos.

Nas quartas de final, quem veio pela frente foi "só" a França, defensora do título. Mas a Grécia não se intimidou e venceu o confronto por 1 a 0, gol de Angelos Charisteas. Na semifinal, foi a vez de derrubar a República Tcheca com outro 1 a 0, este feito na prorrogação e sob a inédita - e pela única vez utilizada - regra do gol de prata, que consistia em dar a vitória ao time que terminasse o primeiro tempo extra na frente do placar.

Final definida, e ela seria com as mesmas seleções que abriram a Eurocopa. Grécia e Portugal chegavam para a partida no Estádio da Luz, em Lisboa, com o desejo de serem campeãs pela primeira vez. Depois de eliminar Inglaterra e Holanda, os lusitanos contavam com o favoritismo e a fator local, mas os gregos já conheciam o caminho das pedras. E essa estrada foi aberta aos 12 minutos do segundo tempo, quando Charisteas aproveitou cobrança de escanteio, e de cabeça anotou o 1 a 0 do título, para a tristeza de toda uma torcida no estádio e no país. Mas de qualquer forma, uma bonita história já estava escrita em campo.

A campanha da Grécia:
6 jogos | 4 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 7 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Javier Soriano/AFP/Getty Images

França Campeã da Eurocopa 2000

Começa um novo milênio, e a Eurocopa desembarca no ano 2000 com mais uma novidade: pela primeira vez, a sede ficou dividida entre dois países. Os escolhidos foram Holanda e Bélgica, cada um concedendo quatro cidades e estádios para as partidas. Os belgas ficariam com a abertura, e os holandeses com a final. Tudo foi pensado para reduzir os custos da organização, que aumentavam edição após edição.

No campo, as forças se reorganizavam. Defendendo o título, a Alemanha fez uma péssima campanha, empatando um e perdendo dois jogos. Holanda e Itália mantiveram-se em alta, e foram acompanhas pela nova ascensão de Portugal. Mas o centro das atenções era mesmo a França. Vinda da conquista inédita da Copa do Mundo, a equipe de Zinedine Zidane, Youri Djorkaeff e Thierry Henry era a grande favorita a vencer.

No grupo D da Euro, os Bleus estrearam com irreparável vitória por 3 a 0 sobre a Dinamarca. A classificação veio logo na segunda partida, ao fazer 2 a 1 sobre a República Tcheca. O último jogo foi para definir a liderança, mas a França perdeu por 3 a 2 para a Holanda e teve que ficar no segundo lugar, com seis pontos.

O adversário nas quartas de final foi a Espanha, a qual venceu por 2 a 1. Portugal estava no caminho da semifinal, em Bruxelas. Em jogo agônico, o time francês virou para 2 a 1 a três minutos do fim da prorrogação, quando Henry fez o gol de ouro.

A final da Eurocopa aconteceu no De Kuip, estádio na cidade de Roterdã. O adversário da França foi a Itália, que eliminou Romênia e Holanda no mata-mata, além da anfitriã Bélgica na fase de grupos. A decisão foi jogada com altas doses de emoção, para os dois lados. Os italianos abriram o placar aos dez minutos do segundo tempo e ficaram com a taça na mão até aos 48, quando Sylvain Wiltord - que saiu do banco de reservas - empatou.

A prorrogação entrou mais uma vez na vida francesa, e aos 13 do primeiro tempo, David Trezeguet - outro oriundo da reserva - emendou de primeira o cruzamento de Bixente Lizarazu e virou para 2 a 1. Mais um gol de ouro, agora o do título. Bicampeã, a França confirmava todas as previsões e se consolidava com a melhor seleção do momento.

A campanha da França:
6 jogos | 5 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 13 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Arquivo/FFF