Espanha Campeã Olímpica 1992

O ano de 1992 foi marcado pelas diversas mudanças no mapa-múndi olímpico. A União Soviética dividiu-se em quatro, mudou de nome para Comunidade de Estados Independentes e competiu como a Equipe Unificada, antecedendo sua divisão definitiva em 15 nações. A Iugoslávia também fragmentou-se em quatro países, e os atletas da banida república-mãe competiram como Atletas Independentes. Por fim, a África do Sul foi reincluída entre as participantes após o fim do apartheid.

O futebol não vivenciou nenhuma dessas alterações, mas contou com outra modificação na maneira de convocar as seleções. A partir dos Jogos de Barcelona, na Espanha, apenas jogadores abaixo dos 23 anos de idade teriam permissão para a disputa, independentemente de serem amadores, profissionais ou de já terem atuado em Copa do Mundo. Muitas possibilidades surgiriam a partir de então.

Porém, a primeira experiência sub-23 seria conservadora, com o ouro ficando a dona da casa.  No grupo B da primeira fase, a Espanha estreou com goleada por 4 a 0 sobre a Colômbia. Depois, antecipou sua classificação ao fazer 2 a 0 no Egito. Por fim, novo 2 a 0 sobre o Catar, que deixou a Fúria na liderança, com seis pontos.

Nas quartas de final, vitória por 1 a 0 sobre a Itália. Na semifinal, foi a vez de derrotar por 2 a 0 o time de Gana. E assim, vencendo todos os jogos e não sofrendo gols, a Espanha chegou na decisão. A adversária foi a Polônia, que deixou para trás Estados Unidos, Kuwait, Catar e Austrália. Antes do ouro e da prata, foi definido quem levou a medalha de bronze: Gana fez 1 a 0 na Austrália. 

Espanhóis e poloneses se encontraram na final logo depois. Jogando no Camp Nou, La Roja encontrou as maiores dificuldades até então. Wojciech Kowalczyk abriu o placar aos 44 minutos do primeiro tempo. A Espanha empatou aos 20 do segundo, com Abelardo. Aos 27, Kiko virou a partida, mas Ryszard Staniek empatou de novo aos 31. Quando tudo se encaminhava à prorrogação, aos 45, Kiko fez 3 a 2 e explodiu a torcida espanhola em Barcelona. Na Olimpíada considerada como a melhor organizada da história, o título veio em casa.

A campanha da Espanha:
6 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 14 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Arquivo/EFE

Campinense Campeão Paraibano 2021

De cancelado para ter no fim a volta de um campeão, este foi o Campeonato Paraibano de 2021. Seu início foi apenas em abril, depois de muita discussão entre federação e clubes, pois a FPF alegava não ter dinheiro para organizar a competição. No fim ela aconteceu, e o Campinense voltou a vencê-la depois de cinco anos.

O regulamento do torneio foi simples, com oito participantes se enfrentando em turno único. Os dois melhores avançavam direto à semifinal, e do terceiro ao sexto jogavam as quartas, tudo em partidas únicas. Em sete jogos, a Raposa venceu três e empatou outras três, ficando na terceira posição, com 12 pontos.

Nas quartas de final, enfrentou em Campina Grande o Atlético Cajazeirense, empatando sem gols e vencendo nos pênaltis por 3 a 1. Na semi, contra o Botafogo-PB em João Pessoa, voltou a empatar sem gols, vencendo nas penalidades por 5 a 4.

A final foi contra o Sousa. Na ida, no Amigão, ganhou por  1 a 0. A vantagem permitiu que o Campinense segurasse outro 0 a 0 na volta, no no Marizão, conquistando assim o seu 22º título estadual na história.

A campanha do Campinense:
11 jogos | 4 vitórias | 6 empates | 1 derrota | 10 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Pedro Nunes

União Soviética Campeã Olímpica 1988

Após 16 anos e três Olimpíadas neste intervalo de tempo, não houve nenhum boicote para atrapalhar a maior festa esportiva do mundo. A edição de 1988 dos Jogos ficou ancorada em Seul, a capital da Coreia do Sul. E o torneio de futebol foi revitalizado e com as principais forças para mais uma disputa. Mas nem tudo foram sorrisos, e no fim foi necessário trocar uma equipe: o México foi banido de todas as competições pela FIFA por causa de adulterações na idade de alguns jogadores durante as qualificatórias. A Guatemala entrou no lugar.

Se quatro anos antes não foi possível ver o resultado da reforma que permitiu a convocação de atletas profissionais, devido à ausência da maioria dos times do lado socialista - amadores desde a raiz -, agora a resposta estaria mais próxima. E ela não foi diferente ao que se via desde os anos 50. Vivendo com as incertezas da "perestroika" e da "glasnost", a União Soviética daria seu último suspiro olímpico.

No grupo C do futebol, sua estreia foi com empate por 0 a 0 com a Coreia do Sul. Na rodada seguinte, venceu a Argentina por 2 a 1. Na última partida, contra os Estados Unidos, uma emblemática vitória por 4 a 2 garantiu a liderança soviética, com cinco pontos.

Nas quartas de final, foi a vez de bater a Austrália por 3 a 0. A semifinal foi contra a Itália, e com um difícil 3 a 2 na prorrogação a União Soviética conseguiu seu lugar na decisão. Pela outra chave, o Brasil eliminava Iugoslávia, Nigéria, Argentina e Alemanha. Os italianos ficaram com o bronze ao baterem os alemães por 3 a 0.

O Olímpico de Seul recebeu a disputa do ouro entre União Soviética e Brasil. Os brasileiros saíram na frente aos 30 minutos do primeiro tempo, com Romário. O empate soviético aconteceu aos 16 do segundo, quando Igor Dobrovolski acertou um pênalti. A virada e o bicampeonato vieram aos 13 da primeira etapa da prorrogação, quando o reserva Yury Savichev fez 2 a 1. De um lado, a comemoração pelo segundo ouro, 36 anos depois do primeiro. Do outro, a decepção pelo segundo vice consecutivo. Uma obsessão nascia naquele momento.

A campanha da União Soviética:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Arquivo/COI

França Campeã Olímpica 1984

Foram quase oito décadas de futebol puramente amador, do esporte pelo esporte. Mas chegou o momento em que não houve mais como ignorar. O Torneio Olímpico chegou para 1984, nos Jogos de Los Angeles com mudanças na forma de convocar os atletas. COI e FIFA fizeram um novo acordo e, a partir da edição na cidade norte-americana, passaram a permitir a presença de jogadores profissionais nas seleções. Com um porém: seleções de UEFA e Conmebol não podiam ter jogadores com participação na Copa do Mundo.

Foi o jeito que as entidades encontraram para nivelar a competição e barrar a hegemonia do Leste Europeu, que vivia na época o apogeu do socialismo, sob a desculpa que seus futebolistas eram todos militares ou funcionários dos respectivos governos, portanto não recebiam salário dos clubes que defendiam.

Aliás, falando nos países desse bloco, eles não se esqueceram do boicote capitalista quatro anos antes, e devolveram na mesma moeda o destrato, com 14 nações dizendo não às Olimpíadas. Três deles estavam no torneio de futebol: Tchecoslováquia, Alemanha Oriental e União Soviética foram trocados por Itália, Noruega e Alemanha Ocidental.

Alheia aos fatos, a França aparecia em Los Angeles com um time promissor, mas que só cresceu no decorrer das partidas. No grupo A, estreou com empate por 2 a 2 com o Catar. Depois, venceu por 2 a 1 a Noruega e empatou por 1 a 1 com o Chile. Com quatro pontos, liderou a chave superando os chilenos no número de gols marcados. Foi no mata-mata que Les Bleus adquiriram o favoritismo e evoluíram de fato. Nas quartas de final, vitória por 2 a 0 sobre o Egito. Na semifinal, 4 a 2 sobre a Iugoslávia, na prorrogação. A medalha de bronze foi definida a favor dos iugoslavos, que fizeram 2 a 1 nos italianos. 

A decisão foi contra o Brasil, que eliminou Marrocos, Arábia Saudita, Canadá e Itália. Valendo o ouro, franceses e brasileiros jogaram no Rose Bowl, em Pasadena. E com dois gols em cinco minutos - aos dez do segundo tempo com François Brisson e aos 15 com Daniel Xuereb -, a França ganhou por 2 a 0 do time sul-americano e levou sua medalha para casa.

A campanha da França:
6 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 13 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Tchecoslováquia Campeã Olímpica 1980

Os Jogos Olímpicos entram nos anos 80, e a era dos boicotes seguiu intensa na edição de 1980 em Moscou, a capital da União Soviética. Desta vez não foi só um grupo de países que disseram não às Olimpíadas, mas praticamente meio mundo. Liderados pelos Estados Unidos, 63 nações protestaram contra a invasão soviética no Afeganistão ocorrida um ano antes. A lista aumentou para 65 quando China e Taiwan recusaram-se a participar, mas estes saíram devido a divergências mútuas quanto ao nome utilizado por ambos.

O torneio de futebol acabou afetado. Das 16 seleções classificadas, sete foram substituídas: pela África, Gana e Egito deram lugar para Nigéria e Zâmbia; na Ásia, Malásia e Irã foram trocadas por Iraque e Síria; pelas Américas, Estados Unidos e Argentina deixaram as vagas para Cuba e Venezuela; e na Europa, a Noruega deixou espaço livre à Finlândia. Dessa forma, o domínio do amadorismo socialista ficou ainda maior.

Com uma prata e uma final abandonada na história, a Tchecoslováquia caminhou para o que seria o último ouro do Leste Europeu antes da reformulação na maneira de se convocar dos atletas. No grupo B da competição, estreou fazendo 3 a 0 na Colômbia. Depois, cedeu empate por 1 a 1 à Nigéria. Por fim, o time tcheco empatou perigosamente sem gols com o Kuwait. Isso porque, se sofresse um gol, a equipe estaria eliminada.

Com quatro pontos, a seleção ficou na liderança, superando os kuwaitianos no saldo de gols (3 a 2). Nas quartas, a Tchecoslováquia derrotou a Argélia por 3 a 0. Na semifinal, foi a vez de passar ganhando por 2 a 0 da Iugoslávia.

A disputa pela medalha de ouro foi entre Tchecoslováquia e Alemanha Oriental, que passou por Espanha, Síria, Iraque e União Soviética. Valendo o bronze, os soviéticos venceram os iugoslavos por 2 a 0. Enfim, a decisão aconteceu no Luzhniki, à época conhecido como Central Lenin. Em partida dura, os tchecos levaram o título ao vencer por 1 a 0, gol marcado pelo reserva Jindrich Svoboda, aos 32 minutos do segundo tempo.

A campanha da Tchecoslováquia:
6 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 10 gols marcados | 1 gol sofrido


Foto CTKxPhoto/JirixKrulis/Imago Images

Alemanha Oriental Campeã Olímpica 1976

Os Jogos Olímpicos atravessam o Oceano Atlântico rumo à oeste e aterrissam em Montreal, no Canadá. Para a edição de 1976, o torneio de futebol reverteu a última alteração no regulamento, voltando com o mata-mata na segunda fase ao invés de outros dois grupos. O restante ficou inalterado, incluindo as 16 seleções participantes.

Mas... quatro equipes retiraram-se das Olimpíadas antes de seu início. Gana, Nigéria e Zâmbia aderiram ao boicote africano, um movimento de protesto contra a falta de punição sobre a Nova Zelândia, que meses antes fez excursão pela segregada e banida África do Sul com seu time de rugby. Outro que pulou fora foi o Uruguai, porém este foi sem motivo aparente. Os sul-americanos foram substituídos por Cuba, e a competição ficou com 13 países.

Após a conturbação, tudo seguiu nos conforme, com o Leste Europeu dominando as ações. Flertando com o ouro há tempos, a Alemanha Oriental finalmente chegaria lá em solo canadense. No grupo A, estreou com empate sem gols contra o Brasil. Depois de folgar na segunda rodada, foi a vez de encerrar a chave contra a Espanha. O confronto direto com 1 a 0 a favor dos alemães. Com dois pontos, o time ficou na vice-liderança, perdendo a ponta para os brasileiros por causa de um gol marcado a menos.

Nas quartas de final, eliminou a França com uma bela goleada por 4 a 0. Na semifinal, foi a vez de passar pela União Soviética, vencendo por 2 a 1. Na decisão, o adversário alemão seria a Polônia, que chegou lá eliminando Cuba, Coreia do Norte e Brasil. Antes disso, pela medalha de bronze, os soviéticos derrotaram os brasileiros por 2 a 0.

O Estádio Olímpico de Montreal recebeu a final entre Alemanha Oriental e Polônia. Com um ótimo futebol, a equipe alemã construiu o caminho rumo ao ouro em 14 minutos: Hartmut Schade abriu o placar aos sete e Martin Hoffmann ampliou. Grzegorz Lato descontou aos 14 do segundo tempo, mas o dia era germânico, e Reinhard Häfner fechou a conta aos 39, fazendo 3 a 1. A medalha dourada foi a única conquista nos 38 anos de história (1952-1990) da seleção da Alemanha Oriental.

A campanha da Alemanha Oriental:
5 jogos | 4 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 10 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Arquivo/DFV (07/1977: Argentina x Alemanha Oriental)

Polônia Campeã Olímpica 1972

Chegam os anos 70, e junto com a nova década a Olimpíada entra em uma nova fase. A tecnologia começa torna-se cada vez mais um aliado, tanto no auxílio às modalidades quanto nas transmissões televisivas. Os Jogos de 1972, em Munique, eram para ter sido um símbolo de uma nova Alemanha, cada vez mais afastada de seu passado totalitarista.

Mas as competições são lembradas até hoje pelo medo, depois do atentado à delegação de Israel na Vila Olímpica. Orquestrado pelo grupo terrorista Setembro Negro, o ataque matou 17 pessoas, dentre eles seis treinadores e cinco atletas israelenses. Depois desse episódio, a segurança redobrou nas instalações olímpicas, tanto na cidade alemã quanto nas futuras edições, mudando para sempre o trato entre público, atletas e organização.

No futebol, o Torneio Olímpico mudou mais uma vez o regulamento. O mata-mata foi substituído pela segunda fase, onde os oito classificados da primeira seriam divididos em mais dois grupos, com líderes avançando rumo ao ouro e a prata, e vice indo para disputar o bronze. O que não mudou foi o domínio do Leste Europeu.

Uma nova força crescia por aqueles lados: a Polônia, frenteada por Kazimierz Deyna e Robert Gadocha, e com um jovem Grzegorz Lato no banco de reservas. No grupo D, estreou goleando a Colômbia por 5 a 1. Na sequência, aplicou 4 a 0 em Gana. Na rodada final, disputou a liderança com a Alemanha Oriental, vencendo-a por 2 a 1 e terminando com 6 pontos.

Na segunda fase, o time polaco ficou no grupo 2. Seu primeiro adversário foi a Dinamarca, com a qual empatou por 1 a 1. Contra a União Soviética, uma inesquecível vitória por 2 a 1, de virada. Precisando vencer de novo para ir à final, a Polônia derrotou o Marrocos por 5 a 0, encerrando outra vez no primeiro, com cinco pontos.

O bronze foi definido entre soviéticos e alemães-orientais, que empataram por 2 a 2 e dividiram a medalha. Pelo ouro, os poloneses enfrentaram a Hungria, no Estádio Olímpico de Munique. A Polônia conquistou seu único título vencendo por 2 a 1, novamente de virada. Ambos os gols foram marcados por Deyna, aos dois e aos 23 minutos do segundo tempo.

A campanha da Polônia:
7 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 21 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Peter Robinson/PA Images