Juventus Campeã da Liga dos Campeões 1985

A Copa dos Campeões da Europa de 1985 poderia ficar marcada por vários acontecimentos positivos. Poderia ter sido pela campanha quase perfeita da Juventus, que recolocou a Itália no mapa da competição depois de 16 anos. Poderia ter sido também pela trajetória do Liverpool, que foi à sua quinta final em nove temporadas, e que por pouco não levou o penta. Mas o que marcou aquele torneio foi a tragédia protagonizada pelos "hooligans" ingleses na final.

Antes, o torneio ocorreu sem maiores problemas. Sob as lideranças de Michel Platini e Paolo Rossi, a Juventus iniciou seu caminho rumo ao título inédito diante do Ilves, da Finlândia. Com vitórias por 4 a 0 fora e 2 a 1 em casa, os "bianconeri" avançaram tranquilamente. Nas oitavas de final, mais dois triunfos contra o Grasshopper, da Suíça: 2 a 0 em Turim e 4 a 2 em Zurique.

O adversário de "La Vecchia Signora" nas quartas foi o Sparta Praga. No Comunale, em casa, os italianos abriram vantagem de 3 a 0. Na Tchecoslováquia, derrota controlada por 1 a 0 classificou a equipe. A semifinal foi contra o Bordeaux. E outra vez com a ida em Turim, o Juventus repetiu os 3 a 0. A volta foi na França, no Parc Lescure, e o time bianconeri passou aperto antes de chegar na decisão, pois perdeu por 2 a 0.

A segunda final da história da Juventus foi contra o Liverpool, que eliminou Lech Poznan (Polônia), Benfica, Austria Viena e Panathinaikos. O local escolhido foi Heysel, em Bruxelas.
 
Na Bélgica, torcedores italianos e ingleses provocaram-se desde a chegada até dentro do estádio. A barreira policial montada e as grades na arquibancada eram fracas. Bêbados, os hooligans invadiram o espaço dos italianos e os agrediram violentamente. Em pânico, quem fugia passava por cima de qualquer coisa, até mesmo de outras pessoas. Resultado: 39 mortes e mais de 600 feridos.

A UEFA não adiou a partida e, sem saberem de nada, os jogadores foram à campo. Platini fez o gol do 1 a 0 que deu o título à Juventus aos 13 minutos do segundo tempo, de pênalti.

A campanha da Juventus:
9 jogos | 7 vitórias | 0 empates | 2 derrotas | 19 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Arquivo/Juventus

Liverpool Campeão da Liga dos Campeões 1984

Os clubes ingleses tiveram um fim de anos 1970 e início de anos 1980 muito forte, com seis títulos consecutivos na Copa dos Campeões da Europa. Até que em 1983 o alemão Hamburgo quebrou a sequência. Mas não fosse por isso, a Inglaterra poderia ter emendado oito conquistas. Em 1984, o Liverpool isolou-se como segundo maior vencedor da competição, quando chegou ao tetracampeonato.

Agora sob o comando do técnico Joe Fagan, os reds iniciaram a campanha contra o dinamarquês Odense, na primeira fase. Na ida, vitória por 1 a 0 na Dinamarca, com gol de Kenny Dalglish. Na volta, goleada por 5 a 0 no Anfield Road.

Nas oitavas de final, o adversário foi o duro Athletic Bilbao, da Espanha. O primeiro jogo aconteceu na Inglaterra e terminou empatado sem gols. O Liverpool foi para a segunda partida no País Basco precisando vencer. E conseguiu, por 1 a 0, no gol marcado por Ian Rush no Estádio San Mamés.

Nas quartas, foi a vez de enfrentar o Benfica. A ida foi mais uma vez no Anfield, e acabou com vitória inglesa por 1 a 0, de novo por meio de Rush. A pequena vantagem aumentou muito na volta em Lisboa, no Estádio da Luz: goleada por 4 a 1, ao natural.

A semifinal foi contra o romeno Dínamo Bucareste. Mais uma vez em casa, o Liverpool abriu 1 a 0 de frente. O gol desta vez foi de Sammy Lee. O segundo jogo foi na Romênia e, com dois tentos do artilheiro Rush, os reds avançaram à final com vitória por 2 a 1.

A decisão foi contra a italiana Roma, que passou por IFK Gotemburgo, CSKA Sofia, Dínamo Berlim (Alemanha Oriental) e Dundee United (Escócia). A partida foi justamente na capital da Itália, no Estádio Olímpico, e tudo parecia ir contra o Liverpool.

Aos 13 minutos do primeiro tempo, Phil Neal abriu o placar, mas a Roma empatou aos 42. Com 1 a 1 no placar, a disputa foi aos pênaltis pela primeira vez em uma final. Steve Nicol errou a primeira batida, mas os italianos erraram duas vezes e os reds venceram por 4 a 2 para levar para casa o quarto - e invicto - título europeu.

A campanha do Liverpool:
9 jogos | 7 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 16 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Andrew Cowie/Colorsport

Hamburgo Campeão da Liga dos Campeões 1983

Foram longas seis temporadas de hegemonia inglesa na Copa dos Campeões da Europa. Até que em 1983 apareceu alguém para quebrar a sequência. E foi exatamente o último país a vencer antes da Inglaterra: a Alemanha. Ela chegou lá com o Hamburgo, que viveu sua melhor época entre as décadas de 1970 e 1980.

Na primeira fase, os "rothosen" (shorts vermelhos) enfrentaram o coirmão do leste, o Dínamo Berlim. A ida foi jogada na Alemanha Oriental, com empate por 1 a 1. A volta aconteceu no Volksparkstadion, e o Hamburgo passou com vitória tranquila por 2 a 0.

Nas oitavas de final, foi a vez de encarar o Olympiacos, da Grécia. Desta vez, a primeira partida foi em casa e acabou com 1 a 0 para o clube alemão. O segundo jogo foi em Atenas, no Estádio Olímpico. E a primeira alegria do HSV em terras gregas veio na goleada por 4 a 0.

Nas quartas de final, o Hamburgo foi até a União Soviética enfrentar o Dìnamo Kiev. Mas a ida não aconteceu na Ucrânia, e sim na Geórgia, em Tbilisi, devido ao mau tempo. O campo praticamente neutro ajudou os alemães, que ganharam por 3 a 0 - obtidos no hat-trick do atacante dinamarquês Lars Bastrup. Na Alemanha, o Dínamo assustou, mas a derrota por 2 a 1 serviu para a classificação do HSV.

Na semifinal, o adversário foi a Real Sociedad, da Espanha. A ida ocorreu no País Basco, na cidade de San Sebastián, e terminou empatada por 1 a 1. O Volksparkstadion recebeu a volta, e o Hamburgo conquistou um lugar na final inédita ao vencer por 2 a 1.

Decisão inédita para o HSV, mas não para seu adversário, o Juventus. Os italianos chegaram lá pela segunda vez ao baterem Hvidovre (Dinamarca), Standard Liège, Aston Villa e Widzew Lódz (Polônia). O estádio? O mesmo Olímpico de Atenas da goleada do Hamburgo nas oitavas. Desta vez com um resultado mais modesto, 1 a 0, gol de Felix Magath aos nove minutos do primeiro tempo, o time alemão levou para casa seu maior título em toda a história.

A campanha do Hamburgo:
9 jogos | 6 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 16 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Arquivo/Hamburgo

Aston Villa Campeão da Liga dos Campeões 1982

Quando a oportunidade do sucesso aparece, precisamos aproveitá-la da melhor maneira possível. Foi o caso do Aston Villa no começo dos anos 80. O clube da cidade de Birmingham não era campeão inglês desde 1910 (chegou a passear até mesmo pela terceira divisão nacional na década de 70). Até que conseguiu sair da fila em 1981.

E em 1982 o time chegou ao histórico título da Copa dos Campeões da Europa, que estabeleceu o recorde definitivo de seis conquistas consecutivas da Inglaterra na competição. Na primeira fase, os lions enfrentaram o Valur, da Islândia. No primeiro jogo, goleada por 5 a 0 no Villa Park. Na segunda partida, vitória por 2 a 0 em Reykjavik e classificação fácil.

Nas oitavas de final, foi a vez de encarar o Dínamo Berlim. A ida foi disputada na Alemanha Oriental, e o Villa conseguiu vencer por 2 a 1. A volta aconteceu na Inglaterra, e os berlinenses do lado leste até ganharam por 1 a 0, mas a regra do gol fora de casa valeu para mais um avanço britânico.

Nas quartas, o adversário foi o Dínamo Kiev. Na União Soviética (em solo ucraniano), empate por 0 a 0. Tudo ficou para o confronto em Birmingham, e em casa os lions passaram de fase na vitória por 2 a 0. A semifinal foi contra o Anderlecht, da Bélgica. E mais uma vez o time inglês se classificou de modo simples, com 1 a 0 a favor em casa e empate sem gols fora.

Na final inédita, o Aston Villa encarou o cascudo Bayern de Munique, que havia eliminado Östers (Suécia), Benfica, Universitatea Craiova (Romênia) e CSKA Sofia. O jogo contra os alemães foi realizado no Estádio De Kuip, na holandesa Roterdã.

Tal qual havia acontecido nas quatro decisões anteriores, o 1 a 0 mínimo serviu para definir o campeão europeu. Aos 22 minutos do segundo tempo, Peter Withe marcou o gol da maior glória jamais vista antes e igualada depois pelo clube das cores grená e azul.

A campanha do Aston Villa:
9 jogos | 6 vitórias | 2 empates | 1 derrota | 13 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Bob Thomas/Getty Images

Liverpool Campeão da Liga dos Campeões 1981

Maior força do futebol inglês, o Liverpool recuperou também o domínio na Europa após duas temporadas vencedoras do Nottingham Forest. Ainda comandados por Bob Paisley, os reds conquistaram o tricampeonato da Copa dos Campeões, em 1981, e deram continuidade ao domínio da Inglaterra com cinco taças consecutivas (e ainda teremos mais uma).

Na primeira fase, o Liverpool enfrentou o Oulun Palloseura, da Finlândia. Mesmo sem se tratar de um adversário competitivo, os ingleses cederam o empate para o time nórdico na ida, fora, por 1 a 1. A compensação veio na volta, na goleada por 10 a 1 no Anfield Road.

As goleadas foram a tônica do Liverpool em quase todo o campeonato. Nas oitavas de final, contra o Aberdeen, o clube inglês avançou com duas vitórias, por 1 a 0 na Escócia e por 4 a 0 na Inglaterra.
Nas quartas, o adversário foi o CSKA Sofia. O primeiro jogo foi no Anfield, e os reds aplicaram 5 a 1 nos búlgaros. A segunda partida aconteceu na Bulgária, e o Liverpool outra vez ganhou fora por simples 1 a 0.

A semifinal reservou um duelo de titãs contra o Bayern de Munique. O primeiro confronto entre os campeões da década anterior foi disputado na Inglaterra, na casa do Liverpool, e terminou empatado sem gols. O segundo jogo ocorreu na Alemanha, no Olímpico de Munique, e novamente acabou com empate. Os reds abriram o placar aos 38 minutos do segundo tempo, com Ray Kennedy, e os alemães buscaram o 1 a 1 aos 43. Pela regra do gol fora de casa, o Liverpool se classificou para a final.

A terceira decisão vermelha na Copa dos Campeões teve como adversário o Real Madrid, hexacampeão que estava há 15 anos longe do título. Os espanhóis voltaram para mais uma tentativa após bater Limerick (Irlanda), Honvéd (Hungria), Spartak Moscou e Internazionale. O Parc des Princes, em Paris, recebeu a partida. A equipe inglesa era a favorita e confirmou a conquista na vitória por 1 a 0, gol marcado por Alan Kennedy aos 37 minutos do segundo tempo.

A campanha do Liverpool:
9 jogos | 6 vitórias | 3 empate | 0 derrotas | 24 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Peter Robinson/Empics/Getty Images

Nottingham Forest Campeão da Liga dos Campeões 1980

Mais uma década ficou para trás, e a Copa dos Campeões da Europa seguiu forte. Os anos 80 ficaram marcados pela alternância de forças no domínio da competição, mas não sem antes ver a consolidação inglesa com mais três taças em sequência às que vieram no fim dos anos 70. Quem emendou o quarto título consecutivo para a terra da rainha em 1980 foi, de novo, o assombroso Nottingham Forest.

A campanha do bicampeonato vermelho teve início contra o Östers, da Suécia. No primeiro jogo, vitória por 2 a 0 dentro do City Ground. Na segunda partida, empate por 1 a 1 no interior sueco. Nas oitavas de final, foi a vez de enfrentar outra equipe pouco conhecida, o Arges Pitesti, da Romênia. E mais uma vez o Nottingham passou de maneira tranquila, vencendo a ida em casa por 2 a 0, e a volta fora por 2 a 1.

Nas quartas, quase que a história foi para o buraco. Contra o Dínamo Berlim, da Alemanha Oriental, o Nottingham perdeu a primeira desde o início da edição anterior, por 1 a 0 no City Ground. A equipe precisou se recuperar fora de casa, e os britânicos conseguiram a classificação no outro lado do muro, no triunfo por 3 a 1.

O oponente da semifinal foi o Ajax. Novamente abrindo a série na Inglaterra, o time todo vermelho venceu por 2 a 0. No Olímpico de Amsterdã, o time holandês até largou na frente, mas a derrota por 1 a 0 classificou o Nottingham Forest.

Mais uma final para os ingleses. O último adversário rubro foi o Hamburgo, clube alemão que eliminou Valur (Islândia), Dínamo Tbilisi (União Soviética), Hajduk Split (Iugoslávia) e Real Madrid. A partida aconteceu no já figurinha carimbada Santiago Bernabéu, em Madrid, palco da decisão pela terceira vez na história.

E tal qual ocorreu em 1979, poucas chances de gol surgiram. A única fatal veio aos 20 minutos do primeiro tempo pelo escocês John Robertson, que fez 1 a 0 e confirmou mais uma conquista para a soberana e - até ali - inquestionável Inglaterra.

A campanha do Nottingham Forest:
9 jogos | 6 vitórias | 1 empate | 2 derrotas | 13 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Peter Robinson/Empics/Getty Images

Nottingham Forest Campeão da Liga dos Campeões 1979

O Liverpool levou o bicampeonato europeu em 1978, mas não conseguiu fazer o mesmo na busca pelo tri no campeonato inglês. O time terminou a competição no segundo lugar, atrás do Nottingham Forest, um clube médio do interior da Inglaterra que até então nunca havia vencido a primeira divisão.

Pois este foi o primeiro passo de uma ascensão fulminante na vida da equipe do centro-leste britânico, treinada pelo histórico Brian Clough e cujo torcedores também são conhecidos como "reds", que culminaria no período de dominância mais alternativo já visto na Copa dos Campeões da Europa.

Na primeira fase, a UEFA tratou de eliminar um dos ingleses ao fazer o confronto caseiro entre os ganhadores do país e do continente. Na ida, o Nottingham abriu vantagem ao fazer 2 a 0 no seu estádio, o City Ground. Na volta, bastou segurar o empate sem gols no Anfield para conseguir a classificação e despachar o defensor de título de maneira precoce.

Nas oitavas de final, foi a vez de enfrentar o AEK Atenas. Com tranquilidade, a equipe da árvore venceu os dois jogos, por 2 a 1 na Grécia e por 5 a 1 na Inglaterra. Nas quartas, o adversário foi o Grasshopper, da Suíça. No primeiro jogo, o Nottingham voltou a golear em casa, agora de virada, por 4 a 1. Na segunda partida, o empate por 1 a 1 em Zurique selou a vaga na semifinal.

O oponente seguinte foi o alemão Colônia (ou Köln). Na ida, um emocionante empate por 3 a 3, cheio de reviravoltas no City Ground. Na volta, o Nottingham precisou desembolsar uma suada vitória por 1 a 0 fora de casa para atingir a final.

A novidade britânica na decisão enfrentou outro clube igualmente estreante nesta fase, o Malmö. Os suecos chegaram lá ao passar por Monaco, Dínamo Kiev, Wisla Cracóvia (Polônia) e Austria Viena. O jogo foi disputado no Estádio Olímpico de Munique, na Alemanha. De poucas oportunidades, o jogo teve o placar definitivo aos 46 minutos do primeiro tempo, quando Trevor Francis fez 1 a 0 para o Nottingham Forest - um pequeno, grande, novo e invicto campeão.

A campanha do Nottingham Forest:
9 jogos | 6 vitórias | 3 empates | 0 derrotas | 19 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Paul Popper/Popperfoto/Getty Images