O Campeonato Brasileiro de 1985, de volta Taça de Ouro, ostentou um regulamento confuso. A CBF dividiu os 44 participantes em dois níveis: os grupos A e B abrigavam as 20 equipes consideradas de elite, enquanto os grupos C e D reuniam as outras 24. A primeira fase era um quebra-cabeça de turnos e chaves cruzadas, onde se classificavam os campeões de cada turno e as melhores campanhas gerais. Em meio ao caos, o Coritiba soube sofrer no início para arrancar em direção à maior glória de sua história.
A trajetória do Coxa começou no Grupo A, mas o início foi desanimador. No primeiro turno, a equipe amargou a sétima posição, somando sete pontos com três vitórias, um empate e seis derrotas, e ficando oito pontos atrás do líder Atlético-MG. No entanto, sob o comando de Ênio Andrade, que buscava seu terceiro título brasileiro por três clubes diferentes, o time se transformou no segundo turno.
Com uma postura mais agressiva, o alviverde liderou o returno com cinco vitórias, dois empates e três derrotas, somando 12 pontos e garantindo sua vaga na fase seguinte. Na soma geral dos turnos, o Coritiba terminou apenas em sétimo no grupo, mas o regulamento premiava o desempenho por etapa, salvando o time da eliminação precoce.
Os 16 sobreviventes foram redistribuídos em quatro grupos de quatro equipes. O Coritiba caiu no Grupo G, ao lado de Corinthians, Sport e Joinville. Nesta fase, o Coxa demonstrou maturidade tática: em seis jogos, obteve três vitórias e dois empates, sofrendo apenas uma derrota. A liderança da chave com oito pontos deu a vaga para a semifinal, onde apenas os vencedores de cada grupo avançaram.
As semifinais de 1985 foram marcadas pela surpresa, com o Coritiba enfrentando o Atlético-MG de um lado, enquanto do outro, Bangu e Brasil de Pelotas duelavam pela outra vaga. No seu confronto, o Coxa foi cirúrgico contra os mineiros. No Couto Pereira, venceu por 1 a 0 com gol de Heraldo. Na volta, diante de um Mineirão lotado, o sistema defensivo paranaense foi impecável e seguraou o 0 a 0.
Pela primeira vez no Brasileirão, dois "intrusos" decidiam o título em partida única no Maracanã: Coritiba e Bangu. Foi um duelo de nervos. O Coritiba abriu o placar com uma cobrança de falta de Índio, mas o Bangu empatou ainda na primeira etapa. Após um segundo tempo tenso e uma prorrogação sem gols, o título foi para os pênaltis. As dez primeiras cobranças foram convertidas. Nas alternadas, Ado desperdiçou para o Bangu, chutando para fora. Coube ao lateral Gomes a responsabilidade de bater o último pênalti. Com frieza, ele selou o placar de 6 a 5 e o Coritiba tornou-se campeão brasileiro, o primeiro título do futebol paranaense.

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