Em 1996, a CBF buscou simplificar a estrutura do Campeonato Brasileiro. Os 24 participantes foram reunidos em uma tabela única, enfrentando-se em turno único. O regulamento previa que os oito melhores avançariam ao mata-mata, enquanto os dois últimos seriam rebaixados. Entretanto, o que deveria ser um ano de estabilidade administrativa foi abalado pelo Caso Ivens Mendes.
O escândalo explodiu após a divulgação de gravações que sugeriam a manipulação de resultados na Copa do Brasil. Os áudios implicavam os presidentes de Corinthians e Athletico-PR em negociações suspeitas com Ivens Mendes, então presidente da Comissão de Arbitragem. Para evitar punições desportivas que alterariam a tabela, a CBF optou por uma solução política: cancelou o rebaixamento daquela temporada, salvando Fluminense e Bragantino da queda para a Série B.
Alheio aos bastidores, o Grêmio vivia uma década de ouro sob o comando de Luiz Felipe Scolari. Após conquistar a Copa do Brasil e a Libertadores, o Brasileirão era o título que faltava para coroar aquela geração. Embora o Cruzeiro tenha liderado a primeira fase com 44 pontos, o Grêmio manteve-se no G-8 durante quase todo o certame. O Tricolor encerrou a fase classificatória na sexta posição, somando 38 pontos com 11 vitórias, cinco empates e sete derrotas. O grupo que avançou ao mata-mata contou ainda com Palmeiras, Guarani, Athletico-PR, Atlético-MG, Goiás e Portuguesa.
Nas quartas de final, o adversário do Grêmio foi o Palmeiras. No Olímpico, o Imortal venceu por 3 a 1. No Morumbi, suportou a pressão e a derrota por 1 a 0, garantindo a vaga pelo saldo de gols. Na semifinal, contra o Goiás, o Tricolor venceu a ida no Serra Dourada por 3 a 1. Na volta, em Porto Alegre, o jogo foi dramático: os goianos estiveram à frente no placar duas vezes, mas o Grêmio buscou o empate em 2 a 2, carimbando um lugar na final.
A decisão contra a Portuguesa, que eliminou Cruzeiro e Atlético-MG, testou os nervos da torcida gremista. No jogo de ida, no Morumbi, o Grêmio jogou com um a menos por uma hora e acabou derrotado por 2 a 0. Para ser campeão, o Imortal precisava devolver o placar em Porto Alegre, já que possuía a vantagem do empate no saldo de gols pela melhor campanha.
Na volta, o Estádio Olímpico era um caldeirão. Paulo Nunes incendiou a torcida ao abrir o placar logo aos três minutos. No entanto, a Portuguesa se fechou e o segundo gol parecia não vir. Foi então que Felipão lançou Ailton. Aos 39 minutos do segundo tempo, após bate-rebate na área, Ailton estufou as redes e decretou o 2 a 0. O Grêmio era bicampeão brasileiro.

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