Poucas coisas mudaram no futebol brasileiro de 1994 para 1995. Mas o Campeonato Brasileiro daquele ano trouxe uma mudança estrutural que alteraria para sempre a dinâmica do futebol: por determinação da FIFA, a vitória passou a valer três pontos, incentivando o jogo ofensivo. Mantendo 24 equipes, a competição viu o surgimento de um campeão improvável no início da jornada. Sem grandes badalações, o Botafogo, ancorado por Túlio, cresceu no momento certo para encerrar um jejum de 27 anos sem títulos nacionais.
O formato era estratégico, com dois grupos disputando dois turnos. No primeiro, os confrontos eram internos. No segundo, as chaves se cruzavam. Apenas os líderes de cada grupo em cada turno garantiam vaga na semifinal.
A trajetória alvinegra começou no Grupo A de forma discreta. No primeiro turno, o Botafogo fez cinco vitórias, três empates e três derrotas, encerrando em uma modesta quinta posição com 18 pontos, sete atrás do líder Cruzeiro. Entretanto, o cenário mudou drasticamente no returno. Sob o comando de Paulo Autuori, o Fogão engrenou uma sequência avassaladora: em 12 partidas, acumulou oito vitórias, três empates e uma derrota, liderando o grupo com 27 pontos e indo ao mata-mata. No outro grupo, Santos e Fluminense garantiram suas vagas.
Enquanto Santos e Fluminense protagonizavam semifinais históricas, com a épica virada santista de 5 a 2 no Pacaembu, o Botafogo mostrava solidez contra o Cruzeiro. Após um empate em 1 a 1 no Mineirão, o alvinegro segurou o 0 a 0 no Maracanã. A vaga na final veio pela vantagem da melhor campanha geral, um prêmio à regularidade construída na segunda fase.
A decisão entre Botafogo e Santos reviveu os grandes duelos da década de 1960. No primeiro jogo, no Maracanã, o Botafogo foi superior e venceu por 2 a 1, com gols de Wilson Gottardo e Túlio, levando a vantagem do empate para São Paulo.
O confronto de volta, no Pacaembu, tornou-se um dos mais controversos da história do futebol brasileiro devido à atuação da arbitragem de Márcio Rezende de Freitas. Os dois gols da partida foram irregulares: o Botafogo abriu o placar com Túlio em impedimento, e o Santos empatou em lance em que foi usada a mão para dominar a bola. Para completar a tensão, os paulistas tiveram um gol legítimo anulado nos minutos finais. Alheio às polêmicas, o Botafogo segurou o 1 a 1. O apito final selou o título do Glorioso, devolvendo o Botafogo ao topo do futebol brasileiro com o seu bicampeonato nacional.

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