São Paulo Campeão Brasileiro 1986

O ano de 1986 consolidou-se como um dos mais caóticos da história administrativa do futebol brasileiro. Em mais uma mudança de rumo, a CBF resgatou o nome Copa Brasil e transformou a Série B no Torneio Paralelo, cujos acessos ocorriam no meio da competição, sem a concessão de um título formal. Alheio à desorganização nos bastidores, o São Paulo, sob o comando de Pepe e embalado pela geração conhecida como "Menudos do Morumbi", preparava-se para o bicampeonato.

A primeira fase foi implacável: 44 clubes divididos em quatro grupos de 11. O regulamento previa que apenas os seis melhores de cada chave e mais quatro por índice técnico avançariam, enquanto o restante seria automaticamente rebaixado para a segunda divisão em 1987. O Tricolor sobrou no Grupo A, terminando invicto e na liderança isolada, com sete vitórias e três empates. Com 17 pontos e um futebol vistoso liderado por Careca, Müller e Silas, o São Paulo despontou como o grande favorito ao título.

Na segunda fase, o torneio inchou ainda mais. Os 28 classificados tornaram-se 32, devido a imbróglios jurídicos e mudanças de critério (LER TEXTO ABAIXO), que se uniram a quatro equipes do Torneio Paralelo. No Grupo I, o São Paulo manteve a regularidade ao longo de 16 rodadas. Classificou-se em segundo com 21 pontos, um atrás do líder Palmeiras, com sete vitórias, sete empates e duas derrotas.

Totalmente focado no campo, enquanto os tribunais ferviam em virtude de viradas de mesa e contestações de regulamento (LER TEXTO ABAIXO), o São Paulo encarou um sistema eliminatório de alto nível. Nas oitavas de Final, contra a Inter de Limeira, o Tricolor perdeu a ida por 2 a 1, mas deu o troco com um categórico 3 a 0 no Morumbi. Nas quartas de final, eliminou o Fluminense após uma vitória por 2 a 0 em casa e uma derrota por 2 a 1 no Rio de Janeiro.

Na semifinal, o São Paulo enfrentou a surpresa do torneio, o America-RJ. Após vencer por 1 a 0 no Morumbi, o São Paulo segurou empate em 1 a 1 no Maracanã, carimbando a vaga para a final contra o Guarani, que deixou para trás Vasco, Bahia e Atlético-MG.

A decisão, disputada em fevereiro de 1987, colocou frente a frente duas das melhores equipes do país. Após um empate em 1 a 1 no Morumbi, o destino foi selado no Brinco de Ouro, em Campinas. O jogo foi uma obra-prima: após um 1 a 1 no tempo normal, a prorrogação foi teste para cardíacos, com quatro gols marcados. O Guarani vencia e já sentia o gosto do título quando, no último minuto do segundo tempo, Careca acertou um chute violento para empatar em 3 a 3. Nos pênaltis, a estrela do goleiro Gilmar Rinaldi brilhou, e o São Paulo venceu por 4 a 3, conquistando seu segundo título brasileiro.

A campanha do São Paulo:
34 jogos | 17 vitórias | 13 empates | 4 derrotas | 62 gols marcados | 22 gols sofridos


Foto Sérgio Brezovsky/Placar

As confusões de 1986 nos Tribunais

O primeiro grande imbróglio jurídico do Brasileirão de 1986 eclodiu ainda na fase inicial. O Vasco, que não figurava entre os classificados dentro de campo, acionou a Justiça Comum para tentar anular uma decisão do STJD. O tribunal havia concedido dois pontos ao Joinville em uma partida contra o Sergipe, devido a um caso de doping. A anulação desse veredito transferiria a vaga dos catarinenses para os cariocas. O Joinville, por sua vez, também recorreu à Justiça para preservar seu direito. Em uma medida drástica, a CBF optou por classificar ambos, mas eliminou a Portuguesa como punição por também ter buscado as vias judiciais em outro processo.

A exclusão da Lusa gerou uma onda de solidariedade de diversos clubes paulistas, que ameaçaram abandonar o certame, forçando a CBF a recuar. A solução política foi classificar 33 clubes para a segunda fase. Entretanto, diante da impossibilidade técnica de organizar uma tabela com número ímpar de participantes, a entidade decretou a promoção de mais três equipes por índice técnico, elevando o total de 32 para 36 equipes.

A segunda confusão, de proporções ainda maiores, teve início na segunda fase e comprometeu o planejamento do ano seguinte. De acordo com o regulamento da época, seriam rebaixados para a segunda divisão em 1987 os eliminados da primeira fase e os oito piores colocados da segunda fase, deixando a primeira divisão com apenas 24 times (que virariam 28 em meio à primeira confusão).

Entre os clubes condenados à queda estava o Botafogo, que obteve no STJD o direito de permanecer na elite, abrindo um precedente para que outras equipes (como o Coritiba) seguissem o mesmo caminho. Essa insegurança jurídica e a incapacidade da CBF de fazer cumprir o regulamento de rebaixamento implodiram a organização do futebol nacional, culminando na fundação do Clube dos 13 e na criação da Copa União em 1987.

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