Exatamente dez anos após a histórica Tríplice Coroa, o Cruzeiro voltou a exercer uma dominância absoluta no cenário nacional, faturando o tricampeonato brasileiro em 2013 com uma rodagem impressionante. Sob o comando de Marcelo Oliveira, a Raposa montou um elenco extremamente equilibrado, revelando para o Brasil nomes como Everton Ribeiro e Ricardo Goulart.
No entanto, o brilho técnico em campo foi contrastado por uma das maiores polêmicas jurídicas do esporte brasileiro na era moderna: o Caso Héverton. Após o término da competição, o STJD puniu a Portuguesa com a perda de quatro pontos pela escalação irregular do meia Héverton na rodada final. A decisão rebaixou a equipe paulista e salvou o Fluminense da Série B. O Flamengo também foi punido em quatro pontos pela escalação irregular de André Santos, terminando perigosamente próximo à zona de descenso.
Alheio às turbulências de bastidores, o Cruzeiro iniciou o certame de forma avassaladora, goleando o Goiás no Mineirão por 5 a 0. Apesar de alguns tropeços iniciais contra rivais como Botafogo e Fluminense, o time encontrou sua identidade tática rapidamente. A briga pela liderança no primeiro turno foi brevemente disputada com o Botafogo, mas a Raposa logo assumiu o controle das ações e caminhou sozinho rumo à taça.
A partir da 16ª rodada, após vencer a Ponte Preta em Campinas por 2 a 0, o Cruzeiro tomou o primeiro lugar para não soltá-lo mais. O time se destacava pela intensidade, com um meio-campo criativo, laterais ofensivos, a segurança defensiva do goleiro Fábio e o poder de finalização de Borges e Dagoberto.
A arrancada cruzeirense no segundo turno foi implacável, não dando chances para perseguidores como Grêmio e Athletico-PR. O título matemático foi selado com quatro rodadas de antecedência, na 34ª jornada, com uma vitória autoritária por 3 a 1 sobre o Vitória, no Barradão.
O Cruzeiro encerrou a campanha com estatísticas dignas de um campeão absoluto. Foram somados 76 pontos ao longo das rodadas, 11 a mais em relação ao vice Grêmio. Em 38 jogos, a Raposa obteve 23 vitórias. O time apresentou o futebol mais plástico e eficiente do país, servindo de base para o título que seria repetido no ano seguinte. A conquista de 2013 foi o fim de um jejum de uma década e o nascimento de uma nova hegemonia celeste que encantou o Brasil pela qualidade técnica.

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