quarta-feira, 23 de maio de 2018

Cruzeiro Campeão da Libertadores 1976

Depois do título conquistado pelo Santos em 1963, o futebol brasileiro encarou um hiato de 13 anos sem ter um time vencedor na Libertadores, período jamais igualado na história. Até 1976, muita coisa mudou na competição. A Venezuela entrou na Conmebol em 1964, e os dez países passaram a disputar. O nome "Copa dos Campeões da América" deu lugar ao atual, e o torneio passou a contar com a presença de vice-campeões em 1965. Devido as preparações para as Copas do Mundo de 1966 e 1970, o Brasil não indicou participantes nestes anos. E também em 1969, quando o imbróglio da Taça Brasil ao ano anterior impediu a CBD de ser representada. Nestas temporadas não havia um regulamento fixo, ele era feito de acordo com o número de participantes.
Somente em 1971 que a Libertadores adquiriu uma fórmula fixada, sem países desistentes, com 21 times. Os dez países eram casados em cinco grupos, ou seja, cada um com dois países e suas duplas. O campeão anterior entrava diretamente na fase semifinal, quando o líder de cada grupo avançava para uma disputa em dois grupos triangulares. Os vencedores destes grupos faziam a final.
Nesta época sem títulos brasileiros, o máximo obtido foram dois vices, com o Palmeiras em 1968 (campeão: Estudiantes) e com o São Paulo em 1974 (campeão: Independiente). O Santos foi semifinalista em 1964 e em 1965, assim como o São Paulo em 1972, o Botafogo em 1973 (campeão: Independiente nas quatro), e o Palmeiras em 1971 (campeão: Nacional-URU).

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O Cruzeiro estreou na Libertadores em 1967, quando foi relativamente bem, caindo na fase semifinal para o vice Nacional do Uruguai (campeão: Racing). O time retornaria ao campeonato em 1975, sendo eliminado na mesma fase, desta vez para o campeão Independiente. Neste mesmo ano a Raposa seria vice-campeã do Brasileiro, perdendo a final para o Internacional, mas garantindo outra vaga na Libertadores em 1976.
No grupo 3, ao lado dos paraguaios Olimpia e Sportivo Luqueño e do Internacional, o Cruzeiro começou a competição com uma partida histórica, a vitória de 5 a 4 sobre o time gaúcho no Mineirão. Na sequência, a Raposa fez o tour no Paraguai e voltou de lá 3 a 1 sobre o Sportivo Luqueño e 2 a 2 com o Olimpia. No returno, 4 a 1 sobre o Luqueño em Belo Horizonte e 2 a 0 sobre o Internacional no Beira-Rio. O time celeste encerrou a fase goleando por 4 a 1 o Olimpia em casa. O Cruzeiro se classificou com sobras, fazendo 11 pontos, cinco vitórias e um empate. Na semifinal, os adversários foram a LDU do Equador e o Alianza Lima do Peru. O Cruzeiro começou vencendo os dois jogos fora de casa, 3 a 1 sobre os equatorianos e 4 a 0 sobre os peruanos. Quando então ocorreu uma tragédia: a perda de um dos principais jogadores da equipe, o atacante Roberto Batata, morto em um acidente automobilístico. De luto, os cruzeirenses homenagearam o colega com uma goleada de 7 a 1 sobre o Alianza no Mineirão. A classificação para a final foi confirmada com 4 a 1 sobre a LDU.
A final foi contra o River Plate, que deu início a uma rivalidade cultuada até hoje entre os dois times. A partida de ida foi no Mineirão, e o Cruzeiro manteve a lógica, fazendo 4 a 1 nos argentinos. A volta foi no Monumental de Nuñez, mas a Raposa não segurou o adversário e perdeu por 2 a 1. Sem a regra do saldo de gols, restou fazer a partida extra no Chile, no Nacional de Santiago. Um jogo tenso, onde os mineiros fizeram dois gols e cederam o empate em seguida. Uma disputa de pênaltis seria necessária, até que houve falta para o Cruzeiro aos 43 minutos do segundo tempo. Nelinho estava pronto para bater, quando Joãozinho se "intrometeu" e colocou a bola no ângulo. A "desordem" rendeu a vitória por 3 a 2 à Raposa, campeã da Libertadores de 1976 com justiça, consagrando a geração de Raul, Nelinho, Piazza, Palhinha e Jairzinho.


Foto Arquivo/Placar