Argentina Campeã da Copa do Mundo 1978

A Copa do Mundo de 1978 jamais saiu do imaginário dos torcedores sul-americanos, especialmente dos argentinos, misturando uma das maiores festas do esporte a um dos períodos mais sombrios da história política do continente. Após diversas tentativas frustradas e décadas de espera, a Argentina enfim ganhava o direito de ser o país-sede do Mundial, que entraria para a história também pelo fim de uma era: seria o último torneio realizado no formato clássico de 16 seleções. Conduzida pelo técnico César Luis Menotti, que tomou a controversa decisão de cortar o jovem Diego Maradona, de apenas 17 anos, a seleção Albiceleste carregou nos ombros uma imensa pressão popular e o peso de ser utilizada como ferramenta de propaganda pela ditadura militar de Jorge Rafael Videla. Aquela era a chance de ouro para o país erguer a sua primeira Copa.

A Argentina disputou toda a primeira fase no Estádio Monumental, em Buenos Aires. A caminhada começou com duas vitórias por 2 a 1, contra a Hungria e a França. O ponto fora da curva ocorreu na última rodada: uma derrota por 1 a 0 para a Itália. O tropeço custou caro aos argentinos, que acabaram na segunda posição do Grupo A com quatro pontos, forçados a jogar a segunda fase fora da capital.

A etapa seguinte da Argentina foi disputado em Rosário, no Gigante de Arroyito. A estreia no Grupo 2 se deu com uma vitória por 2 a 0 sobre a Polônia, com dois gols de Mario Kempes. Na segunda rodada, ocorreu o clássico contra o Brasil, na partida que foi nomeada como a "Batalha de Rosário" devido à violência e às poucas chances criadas, resultando em um empate por 0 a 0. Como os brasileiros haviam derrotado o Peru por 3 a 0 anteriormente, a Argentina chegou à última rodada sem depender apenas de si para avançar à final. Naquela época, a FIFA ainda não adotava a regra de jogos simultâneos na rodada decisiva, o que abriu margem para uma das maiores polêmicas da história do futebol.

O Brasil entrou à tarde de 21 de junho e venceu a Polônia por 3 a 1. Com esse resultado, os argentinos atuaram à noite sabendo que precisavam derrotar o Peru por uma diferença de pelo menos quatro gols para ultrapassar o saldo brasileiro e ir à final. O que se viu foi um atropelo: uma goleada impressionante por 6 a 0. Até hoje, pairam suspeitas de que a partida foi arranjada nos bastidores e que os jogadores peruanos, sobretudo o goleiro Ramón Quiroga, nascido na Argentina, teriam recebido suborno ou sofrido ameaças dos militares argentinos. Com ou sem interferência externa, a Argentina garantiu a liderança do grupo com cinco pontos e oito gols de saldo, contra contra cinco gols do Brasil.

A final colocou a Argentina diante da Holanda, que voltou à decisão ao superar Irã, Escócia, Áustria, Alemanha e Itália. No Monumental, em Buenos Aires, o tempo normal foi truncado. Mario Kempes abriu o placar aos 38 minutos do primeiro tempo. Quando o título parecia garantido, os holandeses empataram aos 37 minutos da etapa final. Nos segundos finais, a Holanda acertou a trave do goleiro Ubaldo Fillol. A definição do campeão estendeu-se a prorrogação.

Empurrados por 71 mil torcedores, os argentinos buscaram buscaram a vitória no último lance do primeiro tempo suplementar, quando Kempes marcou seu segundo gol do jogo. Faltando cinco minutos para o fim definitivo, Daniel Bertoni anotou 3 a 1 e, pela primeira vez em sua história, a Argentina sagrou-se campeã mundial. Debaixo de muitos confetes e da euforia popular que invadiu o gramado, o capitão Daniel Passarella finalmente erguia a taça que os argentinos podiam chamar de sua.

A campanha da Argentina:
7 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 15 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Paul Popper/Popperfoto/Getty Images

Alemanha Campeã da Copa do Mundo 1974

A Copa do Mundo de 1974, sediada na Alemanha Ocidental, representou um divisor de águas para a história do futebol. As transformações começaram fora das quatro linhas, com a estreia de um novo troféu, a Taça FIFA, projetada para substituir a Taça Jules Rimet, que havia ficado em posse definitiva do Brasil em 1970. Além disso, a FIFA instituiu um novo regulamento que aboliu o sistema de mata-mata nas quartas e semifinais: a partir de então, os oito classificados da primeira fase seriam divididos em dois novos grupos de quatro equipes, cujos líderes garantiriam vaga direta na decisão.

Mais importante do que as mudanças estruturais, foi o surgimento de novas potências que desafiaram a velha ordem do esporte. O mundo assistiu no Mundial ao nascimento da Holanda de Johan Cruyff e seu revolucionário "Carrossel Holandês", além de uma surpreendente Polônia. Porém, em um torneio de alto nível, o peso da camisa e o fator casa fariam a diferença. A Alemanha Ocidental, que bateu na trave com o vice em 1966 e o terceiro lugar em 1970, partiu rumo ao bicampeonato.

A caminhada da Alemanha começou de forma com uma vitória por 1 a 0 sobre o Chile. Na sequência, um triunfo por 3 a 0 sobre a Austrália classificou antecipadamente os alemães. A última rodada  reservou o emblemático e único confronto em Copas do Mundo entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental. Em Hamburgo, os ocidentais foram surpreendidos e perderam por 1 a 0. O revés empurrou a Alemanha Ocidental para a vice-liderança do Grupo A com quatro pontos, contra cinco dos orientais. Isso evitou que os donos da casa caíssem na chave contra os holandeses na fase seguinte.

Na segunda fase, no Grupo 2, a Alemanha estreou superando a Iugoslávia por 2 a 0. Logo depois, venceu a Suécia por 4 a 2. A rodada final transformou-se em uma semifinal na contra a Polônia, que também venceu seus dois jogos. Em Frankfurt, o goleiro Sepp Maier e o atacante Gerd Müller garantiram a vitória por 1 a 0. Líder do grupo com seis pontos, a Alemanha avançou para a final.

O adversário na decisão não poderia ser outro senão a Holanda, que no torneio todo superou Bulgária, Uruguai, Alemanha Oriental, Argentina e Brasil. Seu estilo de jogo, batizado de "Futebol Total", quebrava todos os paradigmas táticos da época: os jogadores não guardavam posições fixas, sufocavam o adversário com uma marcação sob pressão e confundiam o sistema defensivo rival.

A final foi disputada no Estádio Olímpico de Munique e começou ruim para os anfitriões. Logo no segundo minuto de jogo, antes mesmo que um único jogador alemão conseguisse tocar na bola, a Holanda teve um pênalti a favor, que foi convertido. Mas a Mannschaft não se abalou e partiu para cima. Liderados por Franz Beckenbauer, os alemães alcançaram o empate aos 25 minutos, também de pênalti, convertido por Paul Breitner. Aos 43 minutos do primeiro tempo, Gerd Müller virou para 2 a 1. No segundo tempo, os alemães abdicaram do ataque, armaram uma forte retranca e suportaram a pressão holandesa até o apito final.

Diante de mais de 75 mil torcedores, a Alemanha Ocidental conquistou o bicampeonato mundial. A imagem do capitão Beckenbauer, o Kaiser, erguendo a nova taça imortalizou o triunfo do pragmatismo sobre a inovação e coroou definitivamente uma das gerações mais brilhantes e vencedoras da história do futebol.

A campanha da Alemanha:
7 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 13 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Imago/Werek

Brasil Campeão da Copa do Mundo 1970

Para a maioria dos amantes do futebol, a seleção brasileira de 1970 foi o maior time de futebol de todos os tempos. De fato, aquele grupo reunia um verdadeiro esquadrão no 11 titular, alinhando cinco camisas 10 juntos: Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson, Jairzinho e Rivellino; Tostão e Pelé. Esses atletas foram os responsáveis por trazer o tricampeonato mundial e a posse definitiva da Taça Jules Rimet para o Brasil. O Mundial de 1970 entrou para a história também por ser o primeiro realizada fora da Europa e da América do Sul, tendo como palco o México, na América do Norte, e o primeiro a ser transmitida ao vivo para todo o planeta, pela televisão.

Porém, a caminhada iniciou com turbulências. Meses antes da Copa, o técnico João Saldanha, responsável pela classificação nas Eliminatórias, foi demitido após desavenças com a ditadura militar, abrindo espaço para Mário Jorge Lobo Zagallo. Sob nova direção, o Brasil montou uma preparação física inédita para suportar a altitude mexicana. A trajetória começou em Guadalajara, no Estádio Jalisco, contra a Tchecoslováquia. Após sair atrás no placar, o Brasil aplicou uma goleada de virada por 4 a 1. Foi nessa estreia que o mundo assistiu ao primeiro "quase gol" de Pelé, que arriscou um chute de antes da linha do meio de campo, mas a bola passou ao lado da trave.

Na segunda rodada, ocorreu a vitória por 1 a 0 sobre a campeã Inglaterra. O jogo ficou eternizado pela intensidade tática, pelo gol de Jairzinho após assistência de Pelé e pela histórica defesa de Gordon Banks em uma cabeçada do Rei. O Brasil encerrou a fase inicial superando a Romênia por 3 a 2, classificando-se na liderança do Grupo C com seis pontos.

A campanha seguiu nas quartas de final com a vitória por 4 a 2 sobre o Peru, seleção que era comandada por Didi, bicampeão como jogador pelo Brasil. A semifinal reservou um confronto histórico contra o Uruguai, encarado como uma revanche do Maracanazo de 1950. O drama ganhou força quando os uruguaios abriram o placar, mas o time brasileiro empatou ainda no primeiro tempo com Clodoaldo. Na segunda etapa, Gérson virou e Rivellino fechou o placar em 3 a 1. O jogo ficou marcado pelo terceiro gol que Pelé não fez: ao receber passe de Tostão, o Rei aplicou um drible de corpo no goleiro sem tocar na bola, mas o seu chute cruzado passou raspando a trave.

O Brasil avançou à final contra a Itália, que passou por Suécia, Israel, México e Alemanha, na histórica semifinal vencida por 4 a 3. A partida aconteceu no Estádio Azteca, na Cidade do México. Lá, o mundo viu a maior apresentação coletiva já ocorrida em uma decisão. Pelé abriu o placar com uma cabeçada, mas os italianos empataram ainda no primeiro tempo. No segundo tempo, Gérson desempatou e Jairzinho anotou o terceiro gol, entrando para a história ao marcar em todos os jogos do torneio.

A quatro minutos do fim, o Brasil chegou a um dos gols mais belos do futebol. Após uma sequência de passes pacienciosos envolvendo quase todo o time na defesa e no meio-campo, Clodoaldo driblou quatro italianos, a bola passou por Rivelino e Jairzinho, encontrando Pelé na entrada da área. Avisado por Tostão, o Rei apenas rolou de lado para o chute em alta velocidade de Carlos Alberto Torres, que fechou o placar em 4 a 1. O resultado coroou o Brasil como tricampeão mundial indiscutível, sacramentando aquela como a maior seleção que já pisou em um gramado. A Taça Jules Rimet seria erguida por um capitão campeão pela última vez na história. A honra coube a Carlos Alberto Torres.

A campanha do Brasil:
6 jogos | 6 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 19 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Imago/Werek

Inglaterra Campeã da Copa do Mundo 1966

A Copa do Mundo desembarcou no país de origem do futebol moderno em 1966, um Mundial na Inglaterra desenhado para os ingleses. A geração liderada por Bobby Charlton, Bobby Moore e Gordon Banks conseguiu, ao menos uma vez, confirmar a máxima de que os inventores do esporte eram, de fato, os melhores do mundo. No entanto, os críticos argumentam que a seleção dos Três Leões só ergueu a taça porque o bicampeão Brasil ruiu em uma desorganização crônica, porque Portugal era inexperiente em decisões, porque a Itália protagonizou o maior vexame de sua história ao cair diante da Coreia do Norte, e, porque o gol mais polêmico de todos os tempos desestabilizou a Alemanha na final.

A caminhada da Inglaterra rumo ao inédito título começou com um empate sonolento e sem gols contra o Uruguai. Sentindo a pressão de jogar em casa, a equipe comandada por Alf Ramsey precisou acordar nas rodadas seguintes. Com duas vitórias seguras por 2 a 0 sobre o México e a França, os ingleses garantiram a liderança isolada do Grupo A com cinco pontos, sem sofrer um único gol.

Nas quartas de final, o torneio transformou-se. A Inglaterra enfrentou a Argentina em Wembley, em uma partida lembrada pela agressividade e pela histórica expulsão do argentino Antonio Rattín pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein. O jogo ficou paralisado por quase dez minutos porque Rattín, alegando não entender o idioma do juiz, recusou-se a deixar o gramado e chegou a sentar-se no tapete vermelho destinado à Rainha Elizabeth II. A confusão gerou tanta indignação que a FIFA, para evitar novos ruídos de comunicação, idealizou a criação dos cartões amarelo e vermelho, implementados na edição seguinte. Após o apito final que decretou a vitória inglesa por 1 a 0.

Sem se abalar com os protestos sul-americanos, a Inglaterra seguiu para a semifinal para enfrentar Portugal, o xodó do Mundial, que vinha de uma virada sobre a Coreia do Norte. Em campo, o peso da tradição e a solidez defensiva falaram mais alto: Bobby Charlton brilhou com dois gols na vitória por 2 a 1, neutralizando os estreantes lusitanos e carimbando o passaporte para a final contra a Alemanha Ocidental, que ao longo da Copa bateu Espanha, Suíça, Uruguai e União Soviética.

A decisão foi disputada no Estádio de Wembley. Diante de quase 100 mil torcedores, os 90 minutos entregaram um bom espetáculo. Os alemães saíram na frente, mas Geoff Hurst empatou ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa, Martin Peters virou o jogo para os Três Leões, mas os alemães reapareceram aos 44 minutos para empatar novamente e forçar a prorrogação.

Foi no tempo extra que se materializou a maior polêmica da história das Copas do Mundo. Aos 11 minutos do primeiro tempo, Geoff Hurst girou e soltou um chute forte, o qual fez a bola carimbar o travessão, quicar sobre a linha do gol e ser afastada pela defesa alemã. Diante da dúvida, o árbitro suíço Gottfried Dienst consultou o bandeirinha soviético Tofiq Bakhramov, que validou o gol. Imagens de televisão e estudos tecnológicos provaram, décadas mais tarde, que a bola quicou em cima da linha, sem cruzar inteiramente a meta.

Desestabilizada pelo erro de arbitragem, a Alemanha Ocidental abriu-se e, no último lance da prorrogação, Hurst marcou o quarto gol inglês, fechando o placar em 4 a 2. O sonho dos inventores do futebol estava enfim consumado. O capitão Bobby Moore recebeu a taça e comandou a festa inglesa.

A campanha da Inglaterra:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 11 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto PA Images/Getty Images

Brasil Campeão da Copa do Mundo 1962

A Copa do Mundo de 1962 foi a das superações. Dois anos antes, em 1960, o Chile havia sido devastado pelo Terremoto de Valdivia, o mais forte já registrado na história da humanidade. Diante da destruição, o presidente do comitê organizador, Carlos Dittborn, imortalizou a frase: "Porque nada temos, faremos tudo". O país conseguiu se erguer a tempo, com quatro das oito cidades-sede previstas. Santiago, Viña del Mar, Rancagua e Arica receberam os jogos, enquanto Talca, Concepción, Talcahuano e a própria Valdivia ficaram de fora.

Lá estava o Brasil, com sua vaga automática garantida pelo título de 1958 e com uma base experiente e badalada, trazendo Pelé no auge físico e técnico, sintonizado com Garrincha, Didi, Zagallo, Nilton Santos e Vavá. O favoritismo ao bicampeonato era unânime, mas o roteiro guardava dramas inesperados. A caminhada brasileira começou com uma vitória burocrática por 2 a 0 contra o México, com gols de Zagallo e Pelé. O grande susto aconteceu na segunda rodada, no empate em 0 a 0 contra a Tchecoslováquia: Pelé sofreu uma grave lesão muscular na coxa, ficou sem condições de recuperação rápida e foi cortado do restante do torneio.

Coube ao jovem Amarildo a missão de substituir o Rei. E ele mostrou sua estrela na última rodada da fase de grupos, contra a Espanha. O Brasil perdia por um gol e flertava com a eliminação quando Nilton Santos usou da malandragem ao cometer uma falta sobre um atacante espanhol dentro da área: deu dois passos rápidos para fora da linha, enganando o árbitro, que marcou apenas falta. Vivo no jogo, o Brasil buscou a virada por 2 a 1 com dois gols de Amarildo, liderando o Grupo C com cinco pontos.

A partir das quartas de final, a Copa do Mundo ganhou um dono definitivo: o Garrincha. Com Pelé fora, o Mané assumiu o protagonismo do time. No duelo contra a Inglaterra, o meia destruiu o com dois gols e uma assistência para Vavá, sacramentando a vitória por 3 a 1.

Na semifinal, o Brasil cruzou o caminho do Chile, que vinha embalado pelo apoio popular e por uma postura agressiva e violenta em campo. Diante de um Estádio Nacional de Santiago superlotado, a força chilena não foi páreo para Garrincha. Em mais uma tarde inspirada, Mané anotou dois gols, participou diretamente dos outros dois marcados por Vavá e carregou o Brasil nas costas na vitória por 4 a 2.

A final promoveu o reencontro do Brasil com a Tchecoslováquia, que eliminou Hungria e Iugoslávia nas fases anteriores. A partida aconteceu no Estádio Nacional, mas não começou bem para a seleção brasileira, que sofreu o gol tcheco aos 15 minutos do primeiro tempo. Porém, a resposta foi imediata: apenas dois minutos depois, Amarildo empatou a partida.

No segundo tempo, a maturidade do elenco brasileiro prevaleceu. Aos 24 minutos, o volante Zito virou o marcador com um gol de cabeça. Aos 33, Vavá fez 3 a 1 e deu números finais para o título brasileiro. Um milagre tático e emocional foi consumado em gramados chilenos: o Brasil conquistou o bicampeonato mundial consecutivo mesmo sem o seu principal jogador em 80% da campanha. Na hora de erguer a taça, o zagueiro Mauro Ramos manteve a tradição inaugurada por Bellini quatro anos antes e ergueu o troféu acima de sua cabeça, oferecendo a conquista a uma nação que aprendeu que, mesmo sem o Rei, o futebol brasileiro ainda era soberano.

A campanha do Brasil:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 14 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Imago/Horstmüller

Brasil Campeão da Copa do Mundo 1958

Em 1958, o planeta finalmente se curvaria ao talento do futebol brasileiro. Sediada na Suécia, a sexta edição da Copa do Mundo foi o palco onde todos testemunharam o surgimento do maior jogador de todos os tempos: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Com apenas 17 anos, o jovem mineiro encantou a Europa e iniciou ali o seu reinado. Ao lado de outros gênios, como Garrincha, Didi, Zagallo, Nilton Santos e Bellini, o futuro Rei arquitetou o primeiro título mundial do Brasil, em um torneio que contou novamente com 16 seleções em quatro grupos, desta vez com todos se enfrentando sem restrições.

A preparação brasileira para aquele Mundial foi revolucionária. Pela primeira vez, a CBD montou uma comissão técnica multiprofissional, que incluía médico, dentista e até um psicólogo, para afastar os fantasmas do vice-campeonato de 1950. A campanha começou firme, com uma vitória por 3 a 0 sobre a Áustria. Na segunda rodada, o Brasil empatou em 0 a 0 com a Inglaterra, registrando o primeiro placar sem gols da história das Copas.

A atuação apática contra os ingleses forçou o técnico Vicente Feola a mexer no elenco. Pressionado também pelas lideranças do grupo, Feola promoveu as entradas de Pelé (que se recuperava de uma lesão no joelho) e Garrincha nos lugares de Mazzola e Joel. Contra a União Soviética, na última rodada, a nova dupla estreou de forma avassaladora, balançando a defesa soviética desde os primeiros minutos. O Brasil venceu por 2 a 0, com dois gols de Vavá, carimbando a classificação como líder do Grupo D com cinco pontos.

Nas quartas de final, o Brasil enfrentou o País de Gales. Em uma partida amarrada, Pelé começou a entrar para a história ao marcar seu primeiro gol em Copas, determinando a vitórias por 1 a 0 que colocou a seleção na semifinal. Na fase seguinte, contra a França, o Brasil deu um show e goleou por 5 a 2, com três gols de Pelé, um de Didi e outro de Vavá.

A final colocou o Brasil diante da Suécia, no Estádio Rasunda, em Estocolmo, após os donos da casa passarem por México, Hungria, União Soviética e Alemanha. Como os dois times usavam amarelo, um sorteio obrigou os brasileiros a jogarem com o uniforme reserva, porém estes não haviam sido levados na bagagem. Camisas azuis tiveram de ser compradas na véspera da partida. Em campo, os suecos abriram o placar logo aos quatro minutos do primeiro tempo, mas o Brasil manteve a frieza. Em duas jogadas parecidas, Garrincha serviu Vavá para empatar aos nove minutos e virar o jogo ainda na primeira etapa.

No segundo tempo, Pelé apareceu duas vezes. Antes, com o histórico chapéu sobre um zagueiro sueco, seguido pelo chute no canto do goleiro, marcando o terceiro gol. Zagallo fez o quarto, a Suécia descontou, e depois, já no último minuto, Pelé cabeceou para fechar o placar em 5 a 2. O Brasil exorcizava definitivamente o "complexo de vira-latas" e era, enfim, campeão do mundo. No momento mais aguardado, o capitão Bellini eternizou um gesto. Cercado por uma multidão de fotógrafos e repórteres que tentavam registrar a taça, o zagueiro ergueu o troféu com as duas mãos acima de sua cabeça para que todos pudessem enxergá-lo. O que nasceu de um improviso para a imprensa transformou-se no símbolo universal de triunfo no esporte. Desde então, todo capitão vencedor ergue o troféu que recebe.

A campanha do Brasil:
6 jogos | 5 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 16 gols marcados | 4 gols sofridos


Foto Popperfoto/Getty Images

Alemanha Campeã da Copa do Mundo 1954

O mundo ainda estava se reconstruindo no ano de 1954. Mas isto não impediu que a Europa fosse palco de mais uma Copa do Mundo. A escolha da Suíça como país-sede foi estratégica: o país havia se mantido neutra durante o conflito, preservando intactas suas ferrovias, hotéis e estádios. Além disso, o torneio celebrava os 50 anos da FIFA, que havia transferido sua sede de Paris para Zurique.

Este Mundial marcou o verdadeiro recomeço para diversas nações, incluindo a Alemanha, agora dividida, competindo como Alemanha Ocidental. Perdoados do banimento imposto em 1950, os alemães desembarcaram na Suíça longe do radar dos favoritos. Todos os holofotes apontavam para a Hungria, dona da maior geração de sua história, que revolucionou o esporte taticamente e ostentava uma invencibilidade de meses. O sorteio colocou as duas seleções no Grupo B. Naquela edição, a FIFA adotou um regulamento bizarro com 16 países divididos em quatro chaves: cada grupo continha dois cabeças de chave que não se enfrentavam, resultando em apenas duas rodadas por equipe na fase inicial. Outra peculiaridade foi quanto aos empates, que não eram permitidos nos 90 minutos, a não ser que persistissem no placar após a prorrogação.

A Alemanha estreou vencendo a Turquia por 4 a 1. Na rodada final, o técnico alemão Sepp Herberger tomou uma decisão ousada: sabendo da superioridade húngara, escalou um time misto. O resultado foi um atropelo da Hungria, que goleou por 8 a 3, mas a estratégia de Herberger poupou seus principais jogadores e escondeu suas verdadeiras armas. Como o saldo de gols não era critério de desempate, os alemães terminaram igualados com os turcos e precisaram disputar um jogo extra. Com o time titular descansado, a Alemanha goleou a Turquia por 7 a 2.

Nas quartas de final, os alemães despacharam a Iugoslávia por 2 a 0. A semifinal foi um espetáculo contra a Áustria. Liderada pelos irmãos Ottmar e Fritz Walter, a Mannschaft sobrou em campo e garantiu a vaga na decisão com um imponente 6 a 1. Do outro lado, a Hungria tirou do caminho Coreia do Sul, Brasil e Uruguai.

O palco da final foi o Estádio Wankdorf, em Berna, onde quase todos davam a vitória húngara como certa. Em oito minutos, a Hungria já vencia por por dois gols. Mas a Alemanha acordou imediatamente. Max Morlock descontou aos dez minutos e, aos 18, Helmut Rahn empatou. A partir dali, as condições climáticas e a tecnologia entraram em campo. Um temporal desabou sobre Berna, deixando o gramado encharcado e destruindo o toque de bola dos húngaros, que viram a lama acumular nas baixas e pesadas travas de metal de suas chuteiras. Já os alemães contavam com chuteiras com travas altas de borracha, mais leves e que permitiam maior mobilidade, fornecidas por Adi Dassler, o fundador da Adidas.

Durante todo o segundo tempo, os alemães correram firmes no barro, enquanto os húngaros sucumbiram ao cansaço e à falta de aderência. O gol da virada veio aos 39 minutos, com Rahn chutando cruzado da entrada da área húngara. A Hungria ainda teve um gol anulado por impedimento nos minutos finais, mas o placar de 3 a 2 estava selado, trazendo a primeira conquista de Copa do Mundo para a Alemanha. O "Milagre de Berna" foi o marco do renascimento de uma nação castigada no pós-guerra, e Fritz Walter passou para a história como o primeiro capitão a receber a taça em nome dos alemães, iniciando a tradição de uma das camisas mais respeitadas do planeta.

A campanha da Alemanha:
6 jogos | 5 vitórias | 0 empates | 1 derrota | 25 gols marcados | 14 gols sofridos


Foto DPA/Picture Alliance

Uruguai Campeão da Copa do Mundo 1950

Após um hiato de 12 anos provocado pela Segunda Guerra Mundial, que engoliu toda a década de 1940, a Copa do Mundo finalmente voltou a ser realizada em 1950. O Brasil, que já havia se postulado como candidato para a edição cancelada de 1942, foi o único país a manter a proposta de sediar o torneio no pós-guerra. A FIFA, ansiosa pelo retorno, cogitou antecipar o evento para 1949, mas recuou diante da necessidade de tempo para que a imensa infraestrutura brasileira, incluindo a construção do maior estádio do mundo, ficasse pronta, deixando o cronograma para 1950.

Mas o planeta ainda estava em escombros e os desdobramentos geopolíticos esvaziaram a competição. Muitas nações europeias e asiáticas, fragilizadas economicamente, sequer se inscreveram nas Eliminatórias. Além disso, as seleções da Alemanha e do Japão foram suspensas pela FIFA devido à participação de seus países na guerra, enquanto os países do bloco soviético recusaram-se a participar. A organização do torneio virou um quebra-cabeça: inicialmente, 16 seleções garantiram vaga, mas Turquia, Escócia e Índia desistiram de última hora. A FIFA tentou convidar Portugal, França e Irlanda como substitutos, mas todos declinaram devido aos custos e à logística.

O torneio acabou ocorrendo com apenas 13 seleções, com quatro chaves desconfiguradas. O Grupo D, por exemplo, transformou-se em um duelo único entre Uruguai e Bolívia. Longe de ser apenas um time esforçado que vivia de nostalgia, La Celeste contava com uma geração de boa técnica, liderada pelo capitão Obdulio Varela e pelo meia Juan Schiaffino. Em sua única partida na primeira fase, disputada no Estádio Independência, em Belo Horizonte, o Uruguai massacrou os bolivianos por 8 a 0. Com essa vitória, os uruguaios somaram dois pontos e avançaram para o quadrangular final. Das outros grupos, avançaram Brasil, Espanha e Suécia.

A verdadeira Copa do Mundo para os uruguaios começou nessa fase decisiva, disputada em pontos corridos. Na estreia, sofreram para buscar um empate por 2 a 2 contra a Espanha, em São Paulo. Na segunda rodada, arrancaram uma virada heroica por 3 a 2 contra a Suécia no Pacaembu. Enquanto La Celeste avançava de forma sofrida, o Brasil aplicou goleadas por 7 a 1 nos suecos e por 6 a 1 nos espanhóis. A seleção brasileira era a absoluta favorita e o clima no país já era de "já ganhou".

O palco do ato final foi o recém-inaugurado Estádio Municipal do Rio de Janeiro, o futuro Maracanã. Na última rodada do quadrangular, apenas Brasil e Uruguai tinham chances de título, e os donos da casa jogavam pelo empate. Diante de 200 mil torcedores, a seleção uruguaia manteve o sangue frio. Sob o comando ríspido e motivador de Varela, o Uruguai suportou o bombardeio inicial e não desmoronou nem mesmo quando o Brasil abriu o placar no primeiro minuto do segundo tempo.

Aos 21 minutos, Alcides Ghiggia cruzou pela direita e Schiaffino apareceu na área para empatar o jogo. Mesmo com o resultado ainda a favor, o Brasil ficou nervoso e cometeu o erro de se abrir em busca de um gol que trouxesse tranquilidade. Aos 34 minutos, o lance que mudaria para sempre a história do futebol se repetiu: Ghiggia avançou pela ponta direita, mas, em vez de cruzar como no primeiro gol, percebeu o goleiro Barbosa dar um passo à frente e soltou um chute rasteiro no canto esquerdo. O gol silenciou a torcida e o placar de 2 a 1 sacramentou o Maracanazo. Sem cerimônias oficiais no gramado, Obdulio Varela recebeu a taça e o Uruguai conquistou seu histórico bicampeonato mundial.

A campanha do Uruguai:
4 jogos | 3 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 15 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Keystone/Getty Images

Itália Campeã da Copa do Mundo 1938

O mundo já vivia sob a sombra iminente da Segunda Guerra Mundial quando a França sediou a terceira edição da Copa do Mundo, em 1938. Paris era o epicentro cultural do planeta na primeira metade do século 20, mas a escolha do país-sede gerou crise nos bastidores do futebol. A FIFA, em uma decisão polêmica, optou por homenagear seu presidente, o francês Jules Rimet, quebrando a promessa de alternância de continentes após a edição de 1934 na Itália. Realizar dois torneios seguidos em solo europeu enfureceu as federações americanas. Como protesto, a Argentina, que se considerava a candidata natural a sediar o torneio, liderou um boicote em massa. O movimento foi aderido por quase todas as seleções das Américas do Sul, do Norte e Central.

Apenas Cuba e o Brasil cruzaram o oceano. Enquanto os cubanos herdaram a vaga por W.O., os brasileiros decidiram ir à França justamente para estreitar laços políticos com a FIFA, visando sediar o torneio no futuro. Na Europa, a geopolítica também agiu: a Áustria, que havia se classificado em campo, foi dissolvida e anexada pela Alemanha Nazista de Adolf Hitler meses antes do torneio, forçando seus atletas a jogarem sob a bandeira alemã. Mas a grande favorita era mesmo a atual campeã. A Itália de Vittorio Pozzo estava ainda mais madura e entrosada do que o time de quatro anos antes.

O Mundial aconteceu outra vez com um regulamento de mata-mata direto. A Azzurra estreou contra a Noruega, que fez um jogo duro, segurou o empate em 1 a 1 e arrastou a disputa para a prorrogação. O temor da eliminação precoce só foi espantado quando Silvio Piola marcou o gol da vitória por 2 a 1, salvando os italianos.

Nas quartas de final, a Itália ficou frente a frente com a dona da casa, a França. Com o uniforme inteiramente preto (a cor simbólica do fascismo), a Azzurra não se intimidou com a pressão das arquibancadas e venceu por 3 a 1, em outra atuação brilhante de Piola, autor de dois gol.

A semifinal reservou um confronto contra o Brasil. Os brasileiros vinham empolgados após eliminarem a Tchecoslováquia, lutaram muito, mas sofreram o revés no segundo tempo. A Azzurra abriu o placar com Gino Colaussi e ampliou para 2 a 1 através de Giuseppe Meazza. Até hoje, historiadores e torcedores brasileiros reclamam daquele segundo gol italiano, assinalado em um pênalti polêmico, onde alegam que o jogo já estava paralisado.

A final foi disputada em Paris, no Estádio Colombes, reunindo a força da Itália contra a Hungria, que superou Índias Orientais Holandesas, Suíça e Suécia. Partindo para o ataque desde o apito inicial, a máquina italiana impôs seu ritmo, anotando três gols ainda no primeiro tempo, com dois gols de Colaussi e um de Piola, enquanto os húngaros marcaram apenas um.

Na etapa final, a Hungria ameaçou uma reação ao fazer o segundo gol, mas o dia era mesmo da Itália. Piola anotou o quarto tento da Azzurra, sepultando as reações adversárias e fechando o placar em 4 a 2. Comandando e organizando a equipe dentro das quatro linhas, Giuseppe Meazza, capitão da equipe, subiu os degraus da tribuna de honra para receber a taça. A Itália consagrava-se como a primeira bicampeã mundial da história, reafirmando-se no topo do futebol mundial antes que os campos de jogo dessem lugar aos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial.

A campanha da Itália:
4 jogos | 4 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 11 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Staff/Getty Images

Itália Campeã da Copa do Mundo 1934

A segunda Copa do Mundo, realizada em 1934, foi a primeira disputada em solo europeu. A honra de ser o país-sede coube à Itália, uma escolha que o ditador Benito Mussolini transformou em uma engrenagem de propaganda para o seu regime fascista. Naquele ano, a geopolítica fundia-se definitivamente ao futebol. Como resposta ao boicote sofrido pelos europeus quatro anos antes, o Uruguai recusou-se a participar do torneio, tornando-se a única seleção campeã da história a não defender o seu título na edição seguinte. Além da ausência dos uruguaios, o torneio sofreu com o desfalque das seleções britânicas, que se mantinham isoladas da FIFA desde 1928.

Diante do complexo cenário de deslocamento e tensões, o continente americano teve baixa representatividade: apenas Brasil, Argentina e Estados Unidos atravessaram o Oceano Atlântico. O México também chegou a viajar para a Europa, mas sua participação foi curta, sendo eliminado pelos estadunidenses em uma repescagem realizada em Roma, poucos dias antes da abertura. Representando a África, o Egito se tornou o primeiro país do continente a disputar o Mundial, precisando apenas cruzar o Mar Mediterrâneo. Com um ambiente moldado para o seu sucesso e sob os olhares atentos do Duce, a seleção italiana despontava como a favorita, liderada pelo atacante Giuseppe Meazza.

Ao contrário de 1930, o Mundial de 1934 foi inteiramente disputado no formato de mata-mata, sem fase de grupos. Qualquer deslize significaria a eliminação imediata. A estreia da Itália ocorreu contra os amadores dos Estados Unidos e a classificação veio sem sustos, em uma goleada acachapante por 7 a 1. Contudo, o cenário complicou-se para a Azzurra nas quartas de final, diante da Espanha. O confronto original, marcado por extrema violência física de ambos os lados, terminou empatado em 1 a 1 após duas prorrogações. Como na época não existiam disputas por pênaltis, foi necessário realizar uma partida extra no dia seguinte. Com os dois elencos mutilados por lesões e cansaço, a Itália prevaleceu graças a um gol solitário de Meazza, selando o 1 a 0.

Na semifinal, os donos da casa enfrentaram a Áustria. O duelo foi amplamente considerado a final antecipada do torneio, jogado em Milão. Em uma partida nervosa, os italianos garantiram a vaga na grande decisão com outra vitória por 1 a 0, gol marcado pelo ítalo-argentino Enrico Guaita.

A final foi realizada em Roma, no Estádio Nazionale del PNF (Partido Nacional Fascista), sob uma atmosfera de extrema pressão, reza a lenda que Mussolini teria enviado bilhetes aos jogadores com o ultimato "vencer ou morrer". O adversário era a Tchecoslováquia que, eliminou Romênia, Suíça e Alemanha. O drama tomou conta do estádio quando os tchecos silenciaram a torcida local, abrindo o placar aos 26 minutos do segundo tempo. O que a lógica apontava como uma consagração fácil transformava-se em um pesadelo para a Azzurra. O alívio só veio faltando nove minutos para o apito final, quando Raimundo Orsi empatou a decisão e forçou a prorrogação.

No tempo extra, logo no quinto minuto, Angelo Schiavio virou o marcador, e o placar de 2 a 1 foi defendido até o fim. Ao apito final, a Itália explodiu em festa, um triunfo esportivo que se consolidou na entrega da taça ao capitão e goleiro Gianpiero Combi, o primeiro atleta a história das Copas a receber o troféu nessa condição. O Uruguai era o passado, e o mundo agora pertencia ao futebol pragmático e blindado da Itália de 1934.

A campanha da Itália:
5 jogos | 4 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 12 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto PA Images/Getty Images

Uruguai Campeão da Copa do Mundo 1930

Até 1928, a competição de futebol dos Jogos Olímpicos era o principal título que uma seleção nacional poderia ter. Mas, segundo as regras da época, apenas jogadores amadores podiam disputá-la. Em uma época em que o profissionalismo crescia no futebol, era preciso um torneio novo que se ajustasse às evoluções da modalidade. Foi sob esse argumento que, naquele mesmo ano, nasceu a Copa do Mundo, um campeonato idealizado pelo francês Jules Rimet, presidente da FIFA na época.  

A primeira edição do Mundial foi marcada para ter início em 1930 e, a partir daí, ela seria disputada de quatro em quatro anos, alternando com as edições das Olimpíadas. Vários países se candidataram para ser o anfitrião: Itália, Suécia, Holanda, Espanha, Hungria e Uruguai. A FIFA optou pela última opção, seduzida pelo fato de a seleção uruguaia ser a melhor do mundo na época, o que a tornava bicampeã olímpica. Isso desagradou aos europeus que, alegando dificuldades no deslocamento para a América do Sul, recusaram o convite para participar.  

Foi então que entraram em jogo os dirigentes da FIFA. Jules Rimet convenceu a França, enquanto o vice-presidente Rodolphe Seeldrayers convenceu a Bélgica a atravessar o Oceano Atlântico. O Rei Carol II, bancou todas as despesas da seleção da Romênia. Por fim, a Iugoslávia aceitou o convite por intervenção do Rei Alexandre I, que passou por cima do boicote dos croatas e montou uma seleção apenas com sérvios. Assim, a primeira Copa do Mundo foi formada por 13 seleções: sete da América do Sul, quatro da Europa e duas da América do Norte.  

O Uruguai tinha a seleção mais forte na década de 1920 e despontava como o principal favorito a vencer a primeira Copa do Mundo, dentro de casa. Seu principal oponente estava do outro lado do Rio da Prata: a Argentina, vice-campeã olímpica. Quem vinha da Europa não assustava, já que as principais forças fizeram um boicote velado à competição. O time uruguaio era liderado por seu ataque, com Pedro Cea, Héctor Castro, Héctor Scarone, Santos Iriarte e Pedro Petrone. Este último se machucou na estreia, substituído por Pablo Dorado. Além deles, o capitão José Nasazzi liderava a defesa.

A estreia uruguaia foi só na segunda rodada, pois seu grupo tinha três seleções e a folga foi tirada logo na primeira. O confronto de abertura foi contra o Peru, vencido por 1 a 0. A segunda partida foi a da definição da classificação, contra a Romênia. O Uruguai goleou por 4 a 0 e avançou na liderança do Grupo C, com quatro pontos. Na semifinal, houve o confronto contra a Iugoslávia e uma goleada de virada por 6 a 1, em uma atuação tranquila. A final seria contra a grande rival, a Argentina, que bateu Chile, França, México e Estados Unidos. A decisão do Mundial foi disputada no novíssimo Estádio Centenario, em Montevidéu, que recebeu mais de 68 mil torcedores. 

Um impasse atrasou o início da decisão. Como a Copa do Mundo não tinha um material oficial de jogo, uruguaios e argentinos divergiram quanto à bola que seria utilizada. Os uruguaios queriam a sua, e os argentinos, a deles. Para resolver isso, cada tempo foi jogado com uma bola diferente. Na primeira etapa, foi usada a bola argentina. O Uruguai abriu o placar com Dorado, mas a Argentina virou antes do intervalo. A etapa final foi jogada com a bola uruguaia. E La Celeste tornou a virar a partida com naturalidade, com gols de Cea, Iriarte e Castro. Com a vitória por 4 a 2, o Uruguai celebrou seu primeiro título mundial com muita festa no país todo.

A campanha do Uruguai:
4 jogos | 4 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 15 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Popperfoto/Getty Images

Vitória Campeão da Copa do Nordeste 2026

Profundas mudanças marcaram a Copa do Nordeste de 2026, junto com a reformulação de calendário promovida pela CBF. A principal alteração foi a extinção da fase preliminar, deixando a competição com 20 clubes diretamente na fase de grupos, e dando ao campeão uma vaga na terceira fase da Copa do Brasil de 2027. Mas a polêmica do novo formato foi a decisão da CBF de colocar o torneio em paralelo com os torneios sul-americanos, excluindo quem disputava a Libertadores ou a Copa Sul-Americana. Isso tirou o então defensor do título, o Bahia, da disputa. O problema é que o clube caiu ainda na segunda fase da pré-Libertadores, ficando de fora de todas as competições.

Sob o novo formato, o Vitória se sagrou campeão pela quinta vez. Ou pela sexta, se for considerado o Torneio José Américo de Almeida Filho de 1976, sem reconhecimento pela CBF. De qualquer forma, eram 16 anos longe da taça, desde a conquista obtida em 2010. O regulamento da competição dividiu os 20 times em quatro grupos de cinco integrantes, em um formato onde as equipes do Grupo A enfrentavam as do Grupo B, e as do Grupo C duelavam contra as do Grupo D.

O Vitória iniciou sua trajetória no Grupo A, mas estreou com derrota por 2 a 1 para o Botafogo-PB no Barradão. A recuperação veio fora de casa, com a vitória por 4 a 2 sobre o CRB em Maceió. Nos outros três jogos, o Leão da Barra fez 4 a 1 no Juazeirense em casa, 3 a 1 no Piauí, também em Salvador, e empatou em 2 a 2 com o Confiança em Aracaju. Ao fim dessa etapa, o clube avançou na liderança da chave, somando dez pontos.

Nas quartas de final, disputada em jogo único no Barradão, o Vitória superou o Ceará por 1 a 0. Na semifinal, contra o ABC, o Leão abriu o confronto em Salvador e encaminhou a classificação ao golear por 6 a 2. Na volta, a equipe confirmou a vaga na final ao fazer 4 a 3 em Natal, na Arena das Dunas.

A decisão colocou o Vitória diante do Fortaleza, que passou por Confiança e Sport nas fases anteriores. Na ida, no Castelão, o Leão rubro-negro saiu perdendo, mas virou para 2 a 1 e abriu vantagem. Na volta, diante de um Barradão lotado, o Vitória voltou a largar atrás no placar, mas fez dois gols com Emmanuel Martínez e Renato Kayzer, selando outra virada para 2 a 1 e o título do Nordeste.

A campanha do Vitória:
10 jogos | 8 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 29 gols marcados | 15 gols sofridos


Foto Divulgação/Flickr oficial da Copa do Nordeste

Paysandu Campeão da Copa Verde 2026

A Copa Verde ganhou nova sobrevida em 2026. Juntamente com a reformulação do calendário nacional, a CBF substituiu o formato inteiramente em mata-mata e passou a colocar os 24 participantes em quatro grupos, dando ao campeão uma vaga direta na terceira fase da Copa do Brasil de 2027. No entanto, a grande novidade foi a subdivisão das primeiras fases em dois torneios: a Copa Norte e a Copa Centro-Oeste, cada uma com 12 equipes. Na prática, os campeões de cada uma dessas regiões asseguraram suas vagas na final da Copa Verde. Além disso, a CBF passou a realizar os jogos em paralelo com os torneios sul-americanos, excluindo qualquer clube que estivesse participando das competições da Conmebol.

Quase tudo mudou na Copa Verde, menos o campeão. Pela sexta vez, sendo a terceira consecutiva, o Paysandu conquistou o título, reafirmando-se como o maior vencedor da competição. Pelo novo regulamento, os participantes se enfrentaram em turno único dentro de seus grupos na primeira fase.

O Paysandu iniciou sua caminhada no Grupo A da Copa Norte. Na estreia, o Papão fez 3 a 1 sobre o GAS, mandando o jogo no Estádio Modelão, em Castanhal. Depois, o clube perdeu duas fora de casa, por 1 a 0 para o Guaporé, em Rondônia, e uma goleada por 7 a 0 para o Nacional-AM, em Manaus. A recuperação bicolor veio nas vitórias por 2 a 1 sobre o Independência, na Curuzu, e por 3 a 0 sobre o Trem, no Amapá. O clube se classificou para o mata-mata na vice-liderança da chave, com nove pontos.

Nas quartas de final, em jogo único, o Paysandu bateu no Águia de Marabá, por 5 a 1 no Zinho de Oliveira, fora de casa. Na sequência, valendo o título da Copa Norte e a vaga na final da Copa Verde, a semifinal foi decidida no reencontro com o Nacional-AM. Na ida, o Papão fez 1 a 0 no Mangueirão. Na volta, no Carlos Zamith, em Manaus, novo triunfo por 4 a 2 deu o título nortista à equipe bicolor.

A final da Copa Verde reuniu o Paysandu contra o Anápolis, equipe que venceu a Copa Centro-Oeste após eliminar Vila Nova e Rio Branco-ES. Na partida de ida, no Jonas Duarte, o confronto terminou com derrota bicolor por 3 a 1. O ápice aconteceu no jogo de volta, onde o Papão fez a remontada e garantiu o hexa ao golear por 4 a 0, com gols de Kleiton Pego, Castro e dois de Ítalo Carvalho.

A campanha do Paysandu:
10 jogos | 7 vitórias | 0 empates | 3 derrotas | 23 gols marcados | 16 gols sofridos


Foto Jorge Luís Totti/Paysandu

Avaí Campeão da Copa Sul-Sudeste 2026

A Copa Sul-Sudeste nasceu como a grande novidade do futebol brasileiro, criada pela CBF dentro da reformulação do calendário em 2026. O torneio trouxe uma clara inspiração na antiga Copa Sul-Minas, com a inclusão de times de São Paulo e do Rio de Janeiro, reunindo 12 participantes e oferecendo ao campeão uma vaga na terceira fase da Copa do Brasil de 2027. A competição foi realizada em paralelo com os torneios continentais, excluindo qualquer clube que estivesse disputando a Libertadores ou a Copa Sul-Americana. Também houve uma desistência: o Internacional tinha direito de participar do novo torneio, mas abriu da sua vaga alegando prioridade sobre a Copa do Brasil e o Brasileirão. O Caxias herdou seu lugar.

Em meio a esse cenário, o Avaí e gravou seu nome na história como o primeiro vencedor da Copa Sul-Sudeste, assegurando um troféu regional inédito para a sua galeria e para o futebol de Santa Catarina. O regulamento da competição foi enxuto e dinâmico, dividindo os 12 times em dois grupos de seis, onde as equipes de uma chave enfrentavam os integrantes da outra.

O Avaí iniciou a campanha no Grupo B, contra os rivais do Grupo A. Na abertura, o Leão da Ilha perdeu por 3 a 2 para o Tombense em Minas Gerais. Depois, empatou em 2 a 2 com o Cianorte na Ressacada e levou 2 a 1 da Chapecoense em Chapecó. O início ruim foi compensado com três vitórias na segunda metade da primeira fase: 1 a 0 no Caxias em casa, 2 a 1 no Novorizontino fora, e 2 a 0 no Sampaio Corrêa-RJ na Ressacada. Após essa virada, o clube garantiu sua classificação na liderança de sua chave, com dez pontos.

Na semifinal, o Avaí teve pela frente o Volta Redonda, vice-líder do Grupo A. Na partida de ida, o placar foi de empate em 2 a 2 no Raulino de Oliveira, obrigando a equipe avaiana a decidir a vaga no segundo jogo. Na volta, o Leão fechou o serviço e se classificou para a decisão ao vencer por 2 a 0 em Florianópolis.

A final colocou frente a frente uma grande rivalidade entre a capital e o interior catarinense, onde o Avaí mediu forças contra a Chapecoense, equipe que eliminou o Novorizontino na semifinal. No jogo de ida, o Leão dominou totalmente o rival e venceu por 3 a 0 na Ressacada, com dois gols de Jean Lucas e um de Wallison. Na volta, o Avaí tentou resistir e a Chapecoense tentou a reação, devolvendo o placar de 3 a 0 e forçando a disputa de pênaltis. Porém, o Avaí foi mais eficiente e venceu por 5 a 4, entrando definitivamente para a história como o primeiro vencedor da Copa Sul-Sudeste.

A campanha do Avaí:
10 jogos | 5 vitórias | 2 empates | 3 derrotas | 18 gols marcados | 13 gols sofridos


Foto Léo Piva/Mix Mídia

Brasil Campeão da Taça Independência 1972

Em 1972, o futebol serviu de palco para a política e a celebração nacional no Brasil. Para comemorar os 150 anos) da independência do país, a CBD idealizou a Taça Independência. Popularmente batizada de Minicopa, a competição reuniu 20 seleções em 12 cidades brasileiras, em uma estrutura que superou o tempo de duração de uma Copa do Mundo daquela época, entre 11 de junho e 9 de julho. As partidas aconteceram em Aracaju, Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

O torneio carregava objetivos por trás dos gramados. Para a ditadura militar, era a chance de inflar o ufanismo civil na esteira do tricampeonato mundial de 1970, surfando no lema do "Brasil Grande" através de estádios recém-construídos ou reformados. Para o presidente da CBD, João Havelange, a Minicopa era a vitrine para demonstrar sua capacidade organizacional ao mundo e pavimentar sua campanha para a presidência da FIFA, o que conseguiu em 1974.

Embora o torneio tenha sofrido com as desistências de Alemanha Ocidental, Itália e Inglaterra, a organização readequou as chaves trazendo outras equipes europeias e combinados regionais. No Grupo 1, ficaram Argentina, Colômbia, França e as seleções da Concacaf e da África. No Grupo 2, estiveram Chile, Equador, Irã, Irlanda e Portugal. No Grupo 3, jogaram Bolívia, Iugoslávia, Paraguai, Peru e Venezuela. As equipes se enfrentaram em turno único dentro de cada chave, e as líderes garantiram uma vaga na segunda fase, onde já estavam Brasil, Escócia, Tchecoslováquia, União Soviética e Uruguai.

No Grupo 1, a Argentina confirmou o favoritismo ao vencer o combinado da África por 2 a 0, golear a equipe da Concacaf por 7 a 0 e bater a Colômbia por 4 a 1. A França também fez campanha impecável, com vitórias por 5 a 0 na Concacaf, 2 a 0 na África e 3 a 2 na Colômbia, deixando a decisão da vaga para o confronto direto. O empate em 0 a 0 beneficiou os argentinos pelo saldo de gols.

No Grupo 2, Portugal sobrou ao aplicar 3 a 0 no Equador, 3 a 0 no Irã, 4 a 1 no Chile e 2 a 1 na Irlanda, avançando com 100% de aproveitamento. Já no Grupo 3, a Iugoslávia estreou impondo uma histórica goleada de 10 a 0 sobre a Venezuela. Na sequência, os iugoslavos empataram em 1 a 1 com a Bolívia, e venceram Paraguai e Peru por 2 a 1 para garantir a liderança, em uma chave marcada ainda por uma briga generalizada na vitória do Paraguai por 4 a 1 sobre a Venezuela.

O Brasil estreou na segunda fase. No Grupo A, a reformulada seleção de Zagallo, que já não contava com Pelé e testava novos nomes visando a Copa do Mundo de 1974, estreou com um frustrante 0 a 0 contra a Tchecoslováquia no Maracanã. Paralelamente, Iugoslávia e Escócia empataram em 2 a 2 no Mineirão. A reabilitação brasileira veio na segunda rodada com um 3 a 0 sobre a Iugoslávia no Morumbi, enquanto escoceses e tchecos não saíram do zero. A classificação foi sacramentada no Rio de Janeiro com uma vitória por 1 a 0 diante da Escócia. No fechamento do grupo, a Iugoslávia garantiu o direito de disputar o terceiro lugar ao vencer a Tchecoslováquia por 2 a 1.

No Grupo B, Portugal venceu a Argentina por 3 a 1 na estreia, enquanto a União Soviética superava o Uruguai por 1 a 0. Na rodada seguinte, os portugueses empataram em 1 a 1 com os uruguaios e os argentinos se recuperaram ao baterem os soviéticos por 1 a 0. Na rodada decisiva, a Argentina derrotou o Uruguai por 1 a 0 e carimbou sua vaga na disputa do bronze, mas a liderança e a vaga na final ficaram com Portugal, que venceu a União Soviética por 1 a 0 em Belo Horizonte. Na decisão do terceiro lugar, a Iugoslávia fez 4 a 2 na Argentina.

Na sequência, diante de um Maracanã lotado, Brasil e Portugal protagonizaram uma final dramática. Com a equipe portuguesa resistindo na defesa, o placar demorou a sair do zero. Foi somente aos 44 minutos do segundo tempo que o time brasileiro marcou seu gol, quando Rivelino cobrou uma falta alçada na área e Jairzinho cabeceou para o fundo das redes. O gol garantiu a vitória por 1 a 0 e o título da Taça Independência ao Brasil, coroando a despedida de Gerson e Tostão da seleção.

A campanha do Brasil:
4 jogos | 4 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 5 gols marcados | 0 gols sofridos


Foto Andre Lecoq/L'Équipe 

Londrina Campeão da Primeira Liga 2017

A segunda e última edição da Primeira Liga, realizada em 2017, teve um cenário ainda mais conturbado que o de sua estreia. Embora o número de participantes tenha saltado para 16, a competição sofreu baixas de peso: Athletico-PR e Coritiba, fundadores da liga, desistiram do torneio devido a divergências internas. Para suprir as ausências, Londrina e Paraná foram integrados ao certame, juntamente com novos membros como Chapecoense, Joinville, Brasil de Pelotas e Ceará. No entanto, o torneio já nascia desgastado pela péssima relação entre os dirigentes e pela falta de apoio das federações.

Apesar dos bastidores caóticos, a Primeira Liga de 2017 tornou-se um capítulo glorioso na história do Londrina. O Tubarão ignorou o favoritismo dos gigantes do eixo Rio-Minas-RS e trilhou uma campanha invicta e irretocável, erguendo um troféu que hoje figura na galeria do clube com o mesmo peso de seus títulos estaduais e da Série B do Brasileiro de 1980.

Sorteado no Grupo D, ao lado do Paraná e da dupla catarinense Avaí e Figueirense, o Londrina demonstrou sua força logo cedo. O time paranaense venceu todos os seus compromissos da primeira fase: bateu o Figueirense por 1 a 0 no Orlando Scarpelli, superou o Avaí por 1 a 0 na Ressacada e derrotou o Paraná por 2 a 1 no Estádio do Café. Com 100% de aproveitamento e nove pontos somados, o Tubarão avançou como líder absoluto da chave.

Nas quartas de final, o sorteio colocou o Fluminense, então campeão defensor, no caminho paranaense. Beneficiado pelo regulamento de jogo único e por ter a segunda melhor campanha geral, o Londrina teve a vantagem de mandar o confronto em casa. Com autoridade, despachou os cariocas por 2 a 0.

A semifinal reservou um duelo dramático contra o Cruzeiro, de novo no Estádio do Café. Após sair atrás no placar, o Londrina buscou o empate por 2 a 2 de forma heroica aos 51 minutos do segundo tempo. Nos pênaltis, o goleiro César brilhou e o Tubarão venceu por 3 a 1, garantindo a vaga na final.

A decisão foi contra o Atlético-MG, que chegava embalado após eliminar Internacional e Paraná. Com o Estádio do Café completamente lotado por uma torcida esperançosa, as duas equipes travaram um duelo de muita marcação, e o placar permaneceu em 0 a 0 durante os 90 minutos. A definição do campeão então foi para as penalidades máximas. Sob o peso da responsabilidade, o Londrina converteu suas cobranças com precisão e triunfou por 4 a 2. A conquista coroou a competência do clube em meio ao colapso de uma liga nacional.

A campanha do Londrina:
6 jogos | 4 vitórias | 2 empates | 0 derrotas | 8 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Gustavo Oliveira/Londrina

Todos os campeões da Copa do Brasil Sub-17

A seguir, todos os campeões da Copa do Brasil Sub-17. A competição foi criada em 2013 pela CBF e é a oficial mais antiga da categoria, que até então vivia apenas de estaduais e de torneios pequenos organizados por prefeituras. Em 2026, ocorreu a 14ª edição do campeonato.

Em 2026, o Athletico-PR foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o Ibrachina-SP. Nas oitavas de final, passou pelo Sfera-SP. Nas quartas de final, bateu o Monte Roraima. Na semifinal, superou o Cruzeiro. Na final, empatou com o Atlético-MG por 2 a 2 em Belo Horizonte, vencendo por 4 a 3 nos pênaltis.

Foto Luciano Brew/@lucianobrewfotografia/@werbbrow

Em 2025, o Vasco foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o Coimbra. Nas oitavas de final, passou pelo Cuiabá. Nas quartas de final, bateu o Mazagão-AP. Na semifinal, superou o Flamengo. Na final, empatou com o Bahia por 2 a 2 no Rio de Janeiro, vencendo por 5 a 3 nos pênaltis.

Foto Rafael Ribeiro/CBF

Em 2024, o Fluminense foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o Porto Vitória. Nas oitavas de final, passou pelo América-MG. Nas quartas de final, bateu o CRB. Na semifinal, superou o Sport. Na final, venceu o São Paulo por 2 a 1 em Volta Redonda.

Foto Nayra Halm/Staff Images/CBF

Em 2023, o Palmeiras foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o Instituto AEFA-MS. Nas oitavas de final, passou pelo Azuriz. Nas quartas de final, bateu o Sampaio Corrêa. Na semifinal, superou o Vasco. Na final, venceu o Athletico-PR por 4 a 1 em Barueri.

Foto Fábio Menotti/Palmeiras

Em 2022, o Palmeiras foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o Saint Germain-RO. Nas oitavas de final, passou pelo Remo. Nas quartas de final, bateu o Atlético-MG. Na semifinal, superou o Sport. Na final, venceu o Vasco por 4 a 1 em São Paulo e perdeu por 4 a 2 no Rio de Janeiro.

Foto Adriano Fontes/CBF

Em 2021, o Flamengo foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o Vasco-AC. Nas oitavas de final, passou pelo Gama. Nas quartas de final, bateu o Cruzeiro. Na semifinal, superou o Palmeiras. Na final, venceu o São Paulo por 3 a 1 em São Paulo e por 3 a 0 em Volta Redonda.

Foto Thais Magalhães/CBF

Em 2020, o São Paulo foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o 1º BPM-TO. Nas oitavas de final, passou pelo CRB. Nas quartas de final, bateu o River. Na semifinal, superou o Palmeiras. Na final, empatou com o Fluminense por 0 a 0 em Cotia e venceu por 2 a 1 no Rio de Janeiro.

Foto Gilvan de Souza/CBF

Em 2019, o Palmeiras foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o União Rondonópolis. Nas oitavas de final, passou pelo Náutico. Nas quartas de final, bateu o Betim. Na semifinal, superou o Fluminense. Na final, perdeu para o São Paulo por 3 a 2 e venceu por 2 a 0, ambos em São Paulo.

Foto Mauro Horita/CBF

Em 2018, o Flamengo foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o Londrina. Nas oitavas de final, passou pelo América-MG. Nas quartas de final, bateu o São Paulo. Na semifinal, superou o Santos. Na final, empatou com o Fluminense por 1 a 1 e venceu por 1 a 0, ambos no Rio de Janeiro.

Foto Staff Images/Flamengo

Em 2017, o Palmeiras foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o Brasil de Pelotas. Nas oitavas de final, passou pelo Atlético-MG. Nas quartas de final, bateu o Vasco. Na semifinal, superou o Flamengo. Na final, venceu o Corinthians por 1 a 0 e perdeu por 1 a 0, ambos em São Paulo, vencendo por 4 a 3 nos pênaltis.

Foto Lucas Figueiredo/CBF

Em 2016, o Corinthians foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o Luverdense. Nas oitavas de final, passou pelo Coritiba. Nas quartas de final, bateu a Chapecoense. Na semifinal, superou o Cruzeiro. Na final, empatou com o Sport por 2 a 2 em Recife e venceu por 2 a 0 em São Paulo.

Foto Robson Fernandjes/Allsports

Em 2015, o Vitória foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o Sampaio Corrêa. Nas oitavas de final, passou pelo Palmeiras. Nas quartas de final, bateu o São Paulo. Na semifinal, superou o Flamengo. Na final, perdeu para o Botafogo por 3 a 1 em Salvador e venceu por 3 a 1 Rio de Janeiro, vencendo por 4 a 3 nos pênaltis.

Foto Francisco Galvão/Vitória

Em 2014, o Atlético-MG foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o Paraná. Nas oitavas de final, passou pelo Coritiba. Nas quartas de final, bateu o Vitória. Na semifinal, superou o Flamengo. Na final, venceu o Grêmio por 1 a 0 em Porto Alegre e empatou por 1 a 1 em Belo Horizonte.

Foto Bruno Cantini/Atlético-MG

Em 2013, o São Paulo foi o campeão. Na primeira fase, o clube eliminou o Criciúma. Nas oitavas de final, passou pelo Sport. Nas quartas de final, bateu o Coritiba. Na semifinal, superou o Fluminense. Na final, venceu o Flamengo por 2 a 0 em São Paulo e por 3 a 1 em Macaé.

Foto Miguel Schincariol/São Paulo

Todas as campeãs do Brasileirão Feminino Sub-18 e Sub-20

O Brasileirão Feminino Sub-20 é a principal competição de base da modalidade no país. Sua estreia aconteceu em 2022, em substituição à categoria sub-18. O mesmo caso aconteceu com a categoria sub-16, que lugar à sub-17. Em 2025, tivemos a quarta edição da competição.

A seguir, as campeãs do Brasileirão Sub-18 (entre 2019 e 2021) e Sub-20 (desde 2022):

Em 2026, o Flamengo foi o campeão. Na primeira fase, o clube foi líder do grupo B. Nas quartas de final, eliminou o Fluminense. Na semifinal, bateu o Internacional. Na final, venceu o São Paulo por 1 a 0 em Diadema e por 2 a 1 no Rio de Janeiro.

Foto Paula Reis/Flamengo

Em 2025, o Botafogo foi o campeão. Na primeira fase, o clube foi líder do grupo B. Nas quartas de final, eliminou o Santos. Na semifinal, bateu o Internacional. Na final, venceu o Flamengo por 1 a 0 no Rio de Janeiro.

Foto Thiago Ribeiro/Staff Images/CBF

Em 2024, o Flamengo foi o campeão. Na primeira fase, o clube foi vice-líder do grupo C. Nas quartas de final, eliminou o São Paulo. Na semifinal, bateu o Internacional. Na final, venceu o Botafogo por 7 a 0 no Rio de Janeiro.

Foto Nayra Halm/Staff Images Woman/CBF

Em 2023, o Internacional foi o campeão. Na primeira fase, o clube foi líder do grupo A. Nas quartas de final, eliminou a Ferroviária. Na semifinal, bateu o Fluminense. Na final, empatou com o São Paulo por 1 a 1 em Santo André, vencendo por 5 a 3 nos pênaltis.

Foto Fernanda Luz/Staff Images Woman/CBF

Em 2022, o Internacional foi o campeão. Na primeira fase, o clube foi vice-líder do grupo D. Na segunda fase, foi líder do grupo H. Na semifinal, eliminou o Grêmio. Na final, venceu o São Paulo por 2 a 0 em Porto Alegre e empatou por 2 a 2 em Santana de Parnaíba.

Foto Mauro Horita/CBF

Em 2021, o São Paulo foi o campeão. Na primeira fase, o clube foi líder do grupo C. Na segunda fase, foi líder do grupo G. Na semifinal, eliminou o Internacional. Na final, venceu o Corinthians por 3 a 0 em São Paulo e por 2 a 0 em Cotia.

Foto Thais Magalhães/CBF

Em 2020, o Fluminense foi o campeão. Na primeira fase, o clube foi vice-líder do grupo B. Na segunda fase, foi vice-líder do grupo H. Na semifinal, eliminou o Santos. Na final, venceu o Internacional por 2 a 1 em Porto Alegre e perdeu por 4 a 1 em Porto Alegre, vencendo nos pênaltis por 7 a 6.

Foto Adriano Fontes/Fluminense

Em 2019, o Internacional foi o campeão. Na primeira fase, o clube foi líder do grupo B. Na segunda fase, foi vice-líder do grupo G. Na semifinal, eliminou o Iranduba. Na final, venceu o São Paulo por 1 a 0 em Porto Alegre e empatou por 1 a 1 em São Paulo.

Foto Mariana Capra/Internacional