Remo Campeão da Copa Verde 2021

Infelizmente pouco valorizada, a Copa Verde de 2021 teve seu desfecho quase que às escondidas, no final do ano e sem televisionamento em rede nacional. Mas o que vale no fim das contas é a taça na galeria do campeão. No caso, de um clube que há tempos sofria com vices difíceis de engolir. Mas o Remo mostrou que o importante é nunca desistir.

A temporada azulina foi ruim. Fora da decisão estadual, o time paraense ainda teve que lidar com o rebaixamento da Série B para a C do Brasileirão. Porém, as coisas caminharam diferentes na Copa Verde. Disputada inteiramente em mata-mata, 24 equipes participaram - 16 desde a primeira fase e oito já nas oitavas. O Remo foi uma dessas oito.

Seu primeiro adversário foi o Galvez, do Acre, que bateu nos pênaltis o Ypiranga-AP. E o Leão da Amazônia goleou por 9 a 0 no jogo único dentro de seu estádio, o Baenão. Nas quartas de final, contra o Manaus, o Remo empatou a ida por 1 a 1, no Amazonas, e venceu a volta por 3 a 0, em Belém.

Na semifinal, os azulinos encararam o Paysandu. Em dois Re-Pas dignos da história do clássico, o Remo eliminou seu maior rival com empate por 2 a 2 na primeira partida e vitória por 2 a 0 na segunda. Os jogos foram realizados, respectivamente, na Curuzu e no Baenão, estádios localizados quase que na mesma esquina (da Travessa Antônio Baena com a Avenida Almirante Barroso), mas ainda separados por um quarteirão e a 200 metros de distância.

Na final, o Leão enfrentou o Vila Nova, que chegou lá ao superar Rio Branco de Venda Nova, Aquidauanense e Nova Mutum. Em dois jogos de poucas oportunidades, o 0 a 0 imperou no placar tanto no OBA, em Goiânia, quanto no Baenão. A decisão foi para os pênaltis, e o Remo viu no seu goleiro Vinícius um herói. Ele defendeu duas cobranças, e o time paraense acertou as quatro que bateu, com a do título convertida pelo zagueiro Fredson. Por 4 a 2, o azulino enfim conquistou a Copa Verde.

A campanha do Remo:
7 jogos | 3 vitórias | 4 empates | 0 derrotas | 17 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Fernando Torres/CBF

LDU Quito Campeã da Libertadores 2008

A Libertadores já mostrou várias vezes que é difícil sair um campeão de fora da Argentina, do Brasil e, até certa época, do Uruguai. Até 2007, fora o trio principal, Paraguai, Chile e Colômbia tinham, somados, seis títulos. Em 2008, o Equador foi o sétimo país a juntar-se à lista de vencedores, com a agônica conquista da LDU Quito.

A Liga ficou no grupo 8 da primeira fase, junto com Arsenal de Sarandí, Libertad e Fluminense, que cruzaria sua história com a do clube equatoriano mais de uma vez na oportunidade. Em seis jogos, a LDU venceu três e empatou um, somando dez pontos e ficando na vice-liderança da chave, três pontos atrás dos brasileiros, com os quais empataram na estreia, em casa, por 0 a 0 e perderam no encerramento, fora, por 1 a 0.

Nas oitavas de final, o adversário foi o Estudiantes. Na ida, no Casa Blanca, vitória por 2 a 0. Na volta, em La Plata, derrota por 2 a 1 com classificação. Nas quartas, foi a vez de enfrentar o San Lorenzo, com emoção. O primeiro jogo foi 1 a 1, em Buenos Aires. O segundo também, em Quito. Nos pênaltis, a LDU venceu por 5 a 3 e chegou à semifinal.

A próxima parada foi contra o América do México, mais uma vez com sofrimento. A ida foi no Azteca, e terminou com outro empate por 1 a 1. A volta aconteceu no Casa Blanca, e o placar em 0 a 0 só permitiu o alívio depois do apito final. Pela regra do gol fora, a Liga era finalista pela primeira vez na história.

Na decisão, dois estreantes: LDU Quito e Fluminense. Os cariocas eram tidos como favoritos, depois de baterem Atlético Nacional, São Paulo e Boca Juniors. Mas os equatorianos souberam usar o fator local a favor e venceram a ida por 4 a 2, no Casa Blanca.

A volta foi no Maracanã, no Rio de Janeiro, e o Fluminense devolveu 3 a 1, de virada. O gol no início, de Luis Bolaños, levou o confronto aos pênaltis. Então, o goleiro José Cevallos apareceu com defesas e a LDU levou o título inédito ao vencer por 3 a 1.

A campanha da LDU Quito:
14 jogos | 5 vitórias | 5 empates | 4 derrotas | 21 gols marcados | 15 gols sofridos


Foto Arquivo/Conmebol

Boca Juniors Campeão da Libertadores 2007

A América do Sul que fala espanhol quase não viu a cor da bola na Libertadores entre 2005 e 2006. Depois de duas decisões 100% brasileiras, a Conmebol tomou uma atitude e proibiu um mesmo país de colocar dois finalistas em suas competições. Se dois times conterrâneos chegassem à semifinal, eles deveriam obrigatoriamente se enfrentar. A mudança reabriu o caminho para que velhas forças latinas voltassem a triunfar. Foi o que aconteceu com o Boca Juniors em 2007.

Voltando após um ano ausente, o xeneize trazia de volta algumas peças das equipes vencedoras de 2000, 2001 e 2003, como Hugo Ibarra, Sebastián Battaglia (os únicos que jogaram nas três), Martín Palermo e, principalmente, Juan Román Riquelme. Em comum entre eles, a saída do clube em algum momento entre as conquistas. O técnico não era mais Carlos Bianchi, e sim Miguel Russo.

Na primeira fase, o Boca jogou no grupo 7, contra Toluca, Cienciano e Bolívar. De campanha trepidante, o time só avançou em segundo, com três vitórias e dez pontos. Foram dois a menos que os mexicanos e só um a mais que os peruanos. A vaga, porém, veio com históricos 7 a 0 sobre os bolivianos, em La Bombonera, na última rodada.

Nas oitavas de final, os argentinos bateram o Vélez Sarsfield, depois de vencerem a ida por 3 a 0, em casa, e perderem a volta por 3 a 1, fora. As quartas foram contra o Libertad. O Boca empatou a ida por 1 a 1, na Bombonera, e venceu a volta por 2 a 0, no Paraguai. Na semifinal, sufoco contra o Cúcuta, da Colômbia: derrota fora por 3 a 1 e vitória em casa por 3 a 0.

Na final, o Boca Juniors enfrentou o Grêmio, que igualmente suou para eliminar São Paulo, Defensor e Santos. Foi então que o talento fez a diferença. Riquelme brilhou marcando um gol na vitória por 3 a 0 na ida, na Bombonera, e os dois do triunfo por 2 a 0 na volta, no Olímpico, em Porto Alegre. Com a conquista do hexa, o Boca isolou-se na vice-liderança do ranking de campeões da Libertadores.

A campanha do Boca Juniors:
14 jogos | 8 vitórias | 2 empates | 4 derrotas | 27 gols marcados | 12 gols sofridos


Foto Alexandre Battibugli/Placar

Internacional Campeão da Libertadores 2006

Em 2006, o Brasil bateu o recorde no número de participantes na Libertadores. Foram seis equipes, graças ao título do São Paulo um ano antes. E entre elas, um time que ensaiou o título por duas vezes mas que ficou no quase e amargou 13 anos longe da competição. Pois o Internacional montou um elenco competitivo e jogou a competição sul-americana sem medo para conseguir sua primeira taça.

O Colorado ficou no grupo 6 da primeira fase, com Nacional do Uruguai, Maracaibo, da Venezuela, e Pumas UNAM, do México. O clube não teve problemas nos seis primeiros jogos, vencendo quatro e empatando dois. A partida mais emblemática foi com o Pumas, em Porto Alegre, onde o Inter virou de 2 a 0 para 3 a 2. Os gaúchos se classificaram na liderança da chave, com 14 pontos, conseguindo o segundo lugar geral.

Nas oitavas de final, o Colorado teve de enfrentar mais duas vezes o Nacional, vencendo por 2 a 1, de virada, no Parque Central e empatando por 0 a 0 no Beira-Rio. As quartas ocorreram contra a LDU, e foi nesta fase que o Inter teve sua única derrota em todo o campeonato, por 2 a 1, na ida em Quito. Na volta, o time de Fernandão, Iarley, Clemer e Rafael Sobis venceu por 2 a 0.

Na semifinal o adversário foi o Libertad, do Paraguai. O primeiro jogo foi no Defensores del Chaco, e o Internacional segurou o 0 a 0. No segundo jogo, o time foi empurrado pelo torcedor em Porto Alegre e venceu por 2 a 0, conseguindo assim uma vaga na final da Libertadores depois de 26 anos.

O adversário na decisão foi o então campeão São Paulo, que passou por Palmeiras, Estudiantes e Chivas Guadalajara. A ida foi no Morumbi e, apesar da pressão paulista, Rafael Sobis marcou duas vezes para o Inter vencer por 2 a 1.

A volta aconteceu no Beira-Rio, e Fernandão e Tinga marcaram mais dois gols no confronto. Do outro lado, os paulistas ainda tentaram uma reação ao empatarem por 2 a 2. Só que era a vez de o Internacional comemorar seu primeiro título de Libertadores.

A campanha do Internacional:
14 jogos | 8 vitórias | 5 empates | 1 derrota | 24 gols marcados | 10 gols sofridos


Foto Jefferson Bernardes/Agência Preview

Atlético-MG Campeão Brasileiro 2021

Para o torcedor do Atlético-MG, o Campeonato Brasileiro de 2021 foi uma redenção histórica. Após 50 anos de espera e cinco vice-campeonatos que amarguraram gerações, o Galo finalmente soltou o grito de campeão nacional. Sob a batuta de Cuca e liderado pelo brilho avassalador de Hulk, o clube dominou a competição com uma campanha que aliou técnica e raça.

A diretoria atleticana não poupou esforços, montando um elenco estelar com nomes como Hulk, Diego Costa, Nacho Fernández e Matías Zaracho. No entanto, o início foi um choque: derrota por 2 a 1 para o Fortaleza no Mineirão. A reabilitação veio com vitórias magras, mas o verdadeiro divisor de águas ocorreu a partir da oitava rodada.

Com uma goleada de 4 a 1 sobre o Atlético-GO em Belo Horizonte, o Galo iniciou uma sequência de nove vitórias consecutivas. O time assumiu a liderança na 15ª rodada, ao vencer o Juventude por 2 a 1, de virada, em Caxias do Sul, e estabeleceu uma invencibilidade de 18 partidas que asfixiou qualquer tentativa de aproximação dos rivais.

Diferente do ano anterior, onde o sarrafo de pontos foi mais baixo, em 2021 o Flamengo forçou o Atlético ao limite. Para superar o ímpeto carioca, o Galo precisou manter uma regularidade impressionante, transformando o Mineirão em um caldeirão onde quase ninguém conseguia pontuar. A segurança de Everson e a liderança de Junior Alonso na defesa deram a base para que o ataque decidisse os jogos mais complicados.

O roteiro da consagração pareceu testar a fé do atleticano até o último segundo. Em jogo atrasado da 32ª rodada, o Galo enfrentou o Bahia na Fonte Nova precisando da vitória para selar o título. O cenário era catastrófico: o Bahia vencia por 2 a 0 até os 27 minutos do segundo tempo. O que se seguiu foi uma das reações mais fulminantes da história do Brasileirão. Em um intervalo de apenas cinco minutos, Hulk, de pênalti, e Keno, duas vezes viraram o jogo para 3 a 2. Foi o golpe final em um hiato de cinco décadas e o início de uma festa que englobaria ainda a conquista da Copa do Brasil semanas depois. 

O Galo encerrou sua campanha histórica com números fortes: 84 pontos e 26 vitórias em 38 partidas. O protagonista do título foi Hulk, que terminou como artilheiro com 19 gols e craque do campeonato, simbolizando o retorno do Atlético-MG ao topo do Brasil após meio século de espera.

A campanha do Atlético-MG:
38 jogos | 26 vitórias | 6 empates | 6 derrotas | 67 gols marcados | 33 gols sofridos


Foto Pedro Vilela/Getty Images

União Frederiquense Campeão Gaúcho Série A2 2021

Depois de uma temporada perdida, voltou a ter disputa no segundo escalão do futebol gaúcho. O competição, nomeada Divisão de Acesso até 2019, passou a ser chamada de Série A2 em 2021. E o título ficou nas mãos do jovem União Frederiquense, clube fundado há 11 anos que chegou à primeira conquista de sua história e ao seu segundo acesso.

Antes, o time da cidade de Frederico Westphalen precisou enfrentar outros 15 adversários. Esses 16 times ficaram divididos em dois grupos de oito, que se enfrentaram em turno e returno. Em 14 jogos, o Leão da Colina conseguiu oito vitórias e cinco empates, liderando o grupo A com 29 pontos. Quatro equipes de cada chave passaram ao mata-mata.

Nas quartas de final, o União passou pelo São Paulo-RS ao vencer por 2 a 0 em Rio Grande e por 4 a 1 em casa. Na semifinal, subiu ao eliminar o Lajeadense com empate por 1 a 1 fora e vitória por 3 a 1 em Frederico.

A final foi contra o Guarany de Bagé, que bateu Brasil de Farroupilha e Avenida. A ida foi no Estádio Estrela D'Alva, e ficou empatada por 0 a 0. A volta foi na Arena União, em Frederico, e o União Frederiquense levou o título ao golear por 5 a 0.

A campanha do União Frederiquense:
20 jogos | 12 vitórias | 7 empates | 1 derrota | 36 gols marcados | 14 gols sofridos


Foto Matheus Pé/FGF