Costa Rica Campeão Sul-Mato-Grossense 2021

Os estaduais sempre são uma ótima chance para os clubes chegarem a um título inédito. Foi o caso do Costa Rica no Mato Grosso do Sul. O clube localizado na cidade de mesmo nome chegou ao primeiro estadual de sua história com uma campanha belíssima, com uma rodada de antecipação.

Dez equipes participaram da competição, divididas em dois grupos se enfrentando em dois turnos. A Cobra do Norte ficou na chave B, liderando-a com 20 pontos, seis vitórias e dois empates nas oito partidas que disputou. Foi a melhor pontuação da primeira fase.

Os três primeiros de cada grupos avançaram ao hexagonal final, que também foi disputado em dois turnos. A trajetória do Costa Rica continuou em alta, derrotando adversários como Operário-MS, Comercial-MS e o novato Dourados. O título veio na nona rodada, ao golear o Comercial por 4 a 1 no Morenão. Ao todo, o time ficou com apenas uma derrota em 17 jogos.

A campanha do Costa Rica:
17 jogos | 13 vitórias | 3 empates | 1 derrota | 35 gols marcados | 6 gols sofridos


Foto Divulgação/Costa Rica

Suécia Campeã Olímpica 1948

As tensões políticas e o totalitarismo aumentavam a cada dia na segunda metade dos anos 30. Os Jogos Olímpicos de 1936 já tiveram um forte reflexo disso, com a Alemanha Nazista sediando o evento e a Itália Fascista vencendo no futebol. Para 1940, tudo estava sendo preparado para que Tóquio fosse a cidade anfitriã, mas em setembro de 1939, o exército alemão invadiu a Polônia e deflagrou o início da Segunda Guerra Mundial. Os japoneses faziam parte das Potências do Eixo, juntamente com Alemanha e Itália, e o COI incialmente transferiu as Olimpíadas para Helsinque, na Finlândia. Mas o conflito espalhou-se rapidamente pela Europa, e as competições foram canceladas de vez.

A guerra durou até 1945, afetando também os Jogos Olímpicos de 1944. O retorno só aconteceu em 1948, com Londres sediando o evento pela segunda vez. O regulamento do torneio de futebol foi mantido, e 18 seleções confirmaram participação. Alemanha e Japão estiveram ausentes, cumprindo suspensão devido ao fato de serem os principais causadores do conflito armado. A Itália foi poupada e pôde defender seu título. Entre as novidades, Coreia do Sul, Índia e República da China fizeram o contingente asiático.

Nessa época, o profissionalismo já superava o amadorismo na maioria dos participantes da competição. Um dos poucos que ainda mantinha-se "jogando por amor" era a Suécia, que logo despontou com a favorita ao ouro, pois utilizava sua seleção principal. A estreia foi nas oitavas de final, derrotado a Áustria por 3 a 0. Nas quartas, os suecos não tiveram pena da Coreia do Sul, goleando-a por 12 a 0. Na semifinal, foi a vez de derrotar a Dinamarca por 4 a 2. Na outra chave, a Iugoslávia eliminava a Grã-Bretanha. Na disputa pelo bronze, dinamarqueses fizeram 5 a 3 nos britânicos.

O ouro ficaria mesmo entre suecos e iugoslavos, ambos com força máxima. A partida foi disputa no antigo Wembley, e a Suécia não encontrou muitos problemas para conseguir a vitória. Gunnar Gren abriu o placar aos 24 minutos do primeiro tempo. Aos 42, Stjepan Bobek empatou, mas o destino apontava à Escandinávia. Gunnar Nordahl desempatou aos três do segundo e Gren fez 3 a 1 aos 22. O resultado confirmou o único título sueco até a atualidade.

A campanha da Suécia:
4 jogos | 4 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 22 gols marcados | 3 gols sofridos


Foto Arquivo/SVFF

Itália Campeã Olímpica 1936

Depois da calmaria, a tempestade estava pronta para chegar ao Torneio Olímpico. A estreia da Copa do Mundo, em 1930, mexeu com a relação entre FIFA e COI. Para os Jogos de 1932, em Los Angeles, não houve competição. A situação só seria resolvida para 1936, quando ficou acertado que apenas atletas amadores fariam parte das seleções olímpicas. Como o profissionalismo estava crescente no futebol da época, não foi difícil para FIFA e COI se acertarem.

Desta forma, a maioria dos 16 times que desembarcaram em Berlim eram compostos pelos quadros de aspirantes ou de jogadores de clubes menores. O regulamento usado nas Olimpíadas da capital alemã foi o mesmo de sempre: mata-mata a partir das oitavas de final. Sem a presença do Uruguai, que boicotou tudo o que se organizava na Europa em represália aos poucos europeus que disputaram a Copa de 1930, a principal seleção era a da Itália, que mesmo com uma equipe B era a mais forte e a favorita ao ouro.

Sua estreia foi com vitória por 1 a 0 sobre os Estados Unidos. Nas quartas, a Azzurra goleou por 8 a 0 o Japão, que surpreendentemente passou pela Suécia na fase anterior. Na semifinal, foi a vez de eliminar por 2 a 1, na prorrogação, a Noruega, que também tinha aprontado, batendo a Alemanha uma partida antes. Os noruegueses ficariam com a medalha de bronze, após fazerem 3 a 2 na Polônia.

O ouro ficaria entre Itália e Áustria, que chegou na final após vencer Egito e Polônia e perder para o Peru. Isso mesmo, o time austríaco perdeu nas quartas para os peruanos por 4 a 2. Mas a organização europeia deu um jeito de anular o jogo, alegando invasão de campo da delegação sul-americana. Em protesto, o Peru abandonou o torneio. Italianos e austríacos disputaram a decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

Sob olhares dos ditadores Hitler e Mussolini, a Azzurra bateu o adversário por 2 a 1, gols marcados por Annibale Frossi (sempre de óculos) aos 25 minutos do segundo tempo e aos dois da etapa inicial da prorrogação - Karl Kainberger havia empatado aos 34. Ao receberam as medalhas, quase todos os atletas fizeram a saudação fascista/nazista, numa triste cultura que havia se tornado comum naqueles tempos. E isso viria a causar um mal enorme ao mundo todo, nos anos seguintes.

A campanha da Itália:
4 jogos | 4 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 12 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Arquivo/FIGC

Brasiliense Campeão Candango 2021

Com uma campanha irretocável, a melhor de todos os tempos do Candangão, o Brasiliense conquistou o décimo título estadual em sua história de 21 anos. O campeonato foi jogado por 12 times divididos em dois grupos. O Jacaré ficou no grupo A, e na primeira fase venceu todas as suas seis partidas, já que o regulamento previu o enfrentamento entre as chaves ao invés do interno.

Na segunda fase, oito clubes formaram dois novos grupos em turno único, e o Brasiliense voltou a fazer 100% de aproveitamento em três jogos. Na terceira fase, quatro equipes compuseram o quadrangular semifinal, agora em dois turnos. Os únicos pontos perdidos pelo Jacaré foram aqui, na quinta rodada, ao empatar por 1 a 1 com o Ceilândia fora de casa.

Com 16 pontos em seis partidas, o time superou Gama e Luziânia e foi à final, contra o próprio Ceilândia. No único jogo, que definiu o primeiro campeão estadual de 2021, o Brasiliense por 1 a 0 no Mané Garrincha, voltando a comemorar no Distrito Federal, invicto, depois de quatro anos.

A campanha do Brasiliense:
16 jogos | 15 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 43 gols marcados | 7 gols sofridos


Foto Júlio César Silva/Esportes Brasília

Uruguai Campeão Olímpico 1928

O apogeu do Torneio Olímpico de futebol aconteceu na edição de 1928, sediada em Amsterdã, a capital da Holanda. O projeto da Copa do Mundo já estava encaminhado neste ano, com a FIFA determinando o início dela para 1930 e uma periodicidade quadrienal, com disputas entre os ciclos da Olimpíada. E o que se viu nos gramados holandeses foi uma prévia do que viria a ser o novo Mundial.

O regulamento dos Jogos seguiu o mesmo formato de sempre, com chaveamentos de mata-mata em quatro fases. Desta vez foram 17 seleções participantes, algo muito próximo do que a própria Copa presenciara em 1934 e 1938. O número de não-europeus aumentou de quatro para sete, com Argentina, México e Chile juntando-se a Estados Unidos, Egito, Turquia e Uruguai. Mais forte do que quatro anos antes, a Celeste era a grande favorita ao bicampeonato, e desta vez contava com o respeito de todos (tanto que o país foi o escolhido para ser o anfitrião da primeira Copa).

Sua estreia nas oitavas de final foi exatamente contra a dona da casa Holanda, a qual derrotou por 2 a 0. Nas quartas, a equipe goleou a Alemanha por 4 a 1. A semifinal foi um pouco mais complicada, mas os uruguaios tiraram de letra a dificuldade, vencendo por 3 a 2, de virada. Indo à disputa pela medalha de bronze, os italianos pegaram o lugar mais baixo do pódio ao aplicar 11 a 3 no Egito.

O ouro e a prata ficaram em decisão entre Uruguai e Argentina, que pela primeira vez extrapolaram as linhas do clássico para fora da América do Sul. O rival da Celeste chegou na final eliminando Estados Unidos, Bélgica e Egito. E como o previsto, a partida entre as duas seleções foi pegada, de muita oportunidades mas poucos gols. Após 90 minutos de jogo e 60 de prorrogação no Estádio Olímpico de Amsterdã, o resultado ficou no 1 a 1, gol uruguaio marcado por Pedro Petrone e argentino por Manuel Ferreira.

O jeito foi fazer o desempate três dias depois, no mesmo local. O Uruguai abriu o placar aos 17 minutos do primeiro tempo com Roberto Figueroa. Aos 28, Luis Monti empatou à Argentina. Para evitar mais desgastes, Héctor Scarone fez 2 a 1 aos 28 do segundo tempo, confirmando o segundo título e o status de melhor seleção do mundo dos uruguaios. E ainda viria mais, mas na Copa do Mundo. No Torneio Olímpico, a incerteza passaria a rondar a mente dos torcedores e do COI.

A campanha do Uruguai:
5 jogos | 4 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 12 gols marcados | 5 gols sofridos


Foto Arquivo/AUF

Uruguai Campeão Olímpico 1924

Um Mundial antes de existir a Copa do Mundo. Este era o status do Torneio Olímpico nos anos 20. Conquistar a medalha de ouro era o máximo que um atleta poderia almejar naquela época. Por isso, não é a toa que o Uruguai se considera tetracampeão, somando as vitórias de 1924 e 1928 aos títulos de 1930 e 1950. A edição de 1924 das Olimpíadas foi em Paris. Era a segunda experiência da capital francesa com a organização, e diferentemente de 1900, quando o futebol foi só um evento de demonstração com três times, agora 22 seleções marcariam presença na competição.

A Celeste foi a primeira representação oriunda da América do Sul. Junto com Estados Unidos, Egito e Turquia (na época representante da Ásia), foram as equipes de fora da Europa. O sistema de disputa foi outra vez o mata-mata, com cinco fases. A estreia uruguaia foi na primeira etapa, arrasando por 7 a 0 a Iugoslávia. Nas oitavas de final, derrubou os norte-americanos ao vencer por 3 a 0. A campanha seguiu com mais uma vitória história, desta vez goleando por 5 a 1 a França. A vítima do Uruguai na semifinal foi a Holanda, derrotada por 2 a 1.

A partida valendo o ouro seria contra a Suíça, que chegou até a decisão eliminando Lituânia, Tchecoslováquia, Itália e Suécia. Antes, no confronto que valeu a medalha de bronze, suecos bateram holandeses em dois jogos: 1 a 1 no original, 3 a 1 no extra. 

A partida aconteceu no Estádio Olímpico de Colombes, município localizado na região metropolitana de Paris. Com um futebol que encantou não apenas o público presente, como também a Europa inteira, o Uruguai conquistou sua primeira medalha com uma incontestável vitória por 3 a 0. O placar foi aberto por Pedro Petrone aos nove minutos do primeiro tempo. Pedro Cea ampliou aos 20 do segundo. E o lendário Ángel Romano fechou a conta aos 37 minutos.

O título da Celeste foi um marco da primeira grande revolução no futebol. Ela aconteceu menos na parte tática e mais na parte das ideias fora de campo, porque foi neste momento que a Europa percebeu que havia vida futebolística fora do seu território. E foi a partir desta escalada uruguaia que o projeto da FIFA de criar uma Copa do Mundo independente começou a sair do papel.

A campanha do Uruguai:
5 jogos | 5 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 20 gols marcados | 2 gols sofridos


Foto Arquivo/AUF

Bélgica Campeã Olímpica 1920

As Olimpíadas continuam a fazer sucesso, e cada vez mais países se interessam pela participação no evento. Para a edição de 1916, a cidade alemã de Berlim foi eleita a sede. Um enorme estádio estava sendo construído para abrigar as cerimônias, o atletismo e o futebol, mas tudo viraria pó em 1914, quando o Império Austro-Húngaro e o Reino da Sérvia deram início à Primeira Guerra Mundial. O conflito terminou em 1918, com a vitória dos Aliados (Reino Unido, França e Império Russo) sobre os Impérios Centrais, a Alemanha e a Áustria-Hungria.

O resultado da luta refletiu nos Jogos Olímpicos de 1920, realizado na cidade belga de Antuérpia. As seleções da Alemanha, Áustria, Hungria, Bulgária e Turquia foram banidas da disputa, que contou com a presença de 14 times. Pela primeira vez uma equipe de fora da Europa entrou na competição: o Egito. O sistema de disputa foi o mata-mata.

Anfitriã, a Bélgica começou diretamente nas quartas de final. Isto porque sua adversária, a Polônia, desistiu antes do início. Para efeito de tabela, o confronto das oitavas foi considerado W.O., com vitória belga por 2 a 0. A estreia de fato aconteceu contra a Espanha, vencendo-a por 3 a 1. A partir da semifinal, o Torneio Olímpico dividiu-se em dois: os vencedores das quartas partiam para duelos pelo ouro e pela prata, enquanto os perdedores jogavam na busca pelo bronze. Nesta fase, os Diabos Vermelhos (que atuavam de preto) venceram a Holanda por 3 a 0.

A final foi contra a Tchecoslováquia, que até ali despachou Iugoslávia, Noruega e França. A partida aconteceu no Estádio Olímpico de Antuérpia e só durou 40 minutos. Isso porque os tchecos abandonaram o campo em protesto contra a arbitragem, que expulsou o lateral-esquerdo Karel Steiner. Antes, Robert Coppée havia aberto o placar aos seis minutos, e Henry Larnoe fez 2 a 0 aos 30.

O resultado foi confirmado pela organização, que puniu a Tchecoslováquia com a eliminação e a perda da medalha de prata. Antes com o bronze, a Espanha herdou o vice, já que a equipe havia derrotado por 3 a 1 a Holanda na decisão do torneio paralelo. O terceiro lugar, finalmente, ficou com os holandeses. E a Bélgica, dona da casa, comemorou sem culpa o ouro, sendo seu único título até a atualidade.

A campanha da Bélgica:
3 jogos | 3 vitórias | 0 empates | 0 derrotas | 8 gols marcados | 1 gol sofrido


Foto Arquivo/RBFA