Atlético-MG Campeão Mineiro 1970

O Campeonato Mineiro é dos principais do Brasil, que tem em seu domínio duas grandes forças, tanto em campo quanto na arquibancada, Atlético e Cruzeiro. De vem em quando, surge um terceiro time para beliscar algumas taças, o América. Mas, pelo menos desde a década de 1930, a hegemonia majoritária fica entre atleticanos e cruzeirenses.

Em 1970, esse domínio maior dos dois principais clubes de Belo Horizonte bateu cerca de 35 anos, após o último título de um tetra do Villa Nova, em 1935, e a sequência inigualável de dez conquistas do América, entre 1916 e 1925. Porém, ao mesmo tempo já faziam cinco temporadas que só dava Cruzeiro, penta entre 1963 e 1969. O Atlético queria acabar com a sequência de uma vez por todas, e conseguiu.

O estadual de Minas Gerais em 1970 teve a participação de 28 times, em duas fases diferentes. Na primeira, 24 equipes atuaram divididas em três grupos e dois turnos, de onde se classificaram os oito melhores. Na fase seguinte, esses clubes juntaram-se a América, Atlético, Cruzeiro e Villa Nova e jogaram mais dois turnos. Ao fim de 22 rodadas, o primeiro colocado foi declarado campeão.

Da primeira fase, avançaram Uberlândia, Fluminense de Araguari, Valeriodoce, Sport Juiz de Fora, Tupi, Flamengo de Varginha e Atlético de Três Corações. A campanha do título do Atlético teve início contra o Valeriodoce, com vitória por 3 a 2 no Mineirão. A sequência seguiu com mais 16 triunfos e apenas uma derrota até a 18ª rodada. O Galo estava em primeiro com 34 pontos, contra 27 do vice Cruzeiro.

Na 19ª rodada, o Atlético entrou apenas dependendo de si para ser campeão antecipadamente e pela 23ª vez. Bastava vencer o Atlético de Três Corações, sem importar o placar do rival. Jogando no Mineirão, o Galo se impôs diante do xará do interior e venceu por 2 a 0, chegando a 36 pontos e ficando inalcançável para o Cruzeiro, que ainda assim venceu o Tupi por 1 a 0. Nas três partidas finais, ainda teve mais duas vitórias e um empate, que fizeram o Atlético encerrar o estadual com 41 pontos.

A campanha do Atlético-MG:
22 jogos | 20 vitórias | 1 empate | 1 derrota | 51 gols marcados | 12 gols sofridos


Foto Arquivo/Atlético-MG

Internacional Campeão Gaúcho 1970

Depois de oito anos, o Internacional enfim havia voltado a ser campeão estadual, em 1969. O título, juntamente com a inauguração do Beira-Rio, deu início a uma era de dominação do clube gaúcho. Em 1970, veio o bicampeonato. Era apenas o começo de uma década histórica.

O Gauchão de 1970 teve a participação de 18 clubes, em um regulamento quase parecido com o da temporada anterior. Na primeira fase, as equipes ficaram divididas em dois grupos de nove, com enfrentamentos em dois turnos. A diferença é que se classificaram cinco times por chave ao invés das quatro de 1969. A fase final foi composta por dez times, que disputaram o título em mais dois turnos.

O Colorado ficou no grupo B da primeira fase, também chamado de chave sul. Em 16 jogos, o time venceu 12, empatou dois e perdeu dois, se classificando na liderança com 26 pontos. As outras vagas ficaram com Novo Hamburgo, Cruzeiro de Porto Alegre, Pelotas e Santa Cruz. Brasil de Pelotas, Aimoré, Guarany de Bagé e Farroupilha caíram fora.

No decagonal final, o Internacional e os demais classificados juntaram-se a Grêmio, Flamengo de Caxias, Inter de Santa Maria, Esportivo e 14 de Julho de Passo Fundo. Foram mais 18 rodadas para a definição do título. O Colorado deu início à fase com vitória por 1 a 0 sobre o Novo Hamburgo no Beira-Rio. A sequência prosseguiu com o time sem perder, com mais 12 vitórias e quatro empates.

Ao final da penúltima rodada, Inter e Grêmio eram os únicos ainda com chances de vencer, como quase sempre acontecia. Os colorados tinham 30 pontos e os gremistas tinham 28. Ou seja, um empate já era suficiente para o Internacional levar a 18ª taça estadual. Na última rodada, o time enfrentou o 14 de Julho no Beira-Rio, enquanto o Grêmio visitou o Flamengo em Caxias do Sul. A maré estava muito boa para o Colorado, pois o rival perdeu seu jogo fora de casa por 2 a 1 e inviabilizou qualquer possibilidade de conquista. Assim, o Inter podia podia levar o título até com derrota. Mas a equipe preferiu comemorar o estadual com vitória por 2 a 0.

A campanha do Internacional:
34 jogos | 26 vitórias | 6 empates | 2 derrotas | 52 gols marcados | 10 gols sofridos


Foto Arquivo/Internacional

Vasco Campeão Carioca 1970

O Campeonato Carioca é considerado por muitos como o mais charmoso do Brasil. Muito dessa fama é devido as disputas que lotavam e dividiam o Maracanã em dois, em uma época que cabia mais de 100 mil torcedores no estádio. E também devido aos craques que vestiram as camisas de Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo, os maiores vencedores do estadual.

Durante muito tempo, mais precisamente até 1978, o Cariocão era restrito aos clubes da cidade do Rio de Janeiro, afinal o estado era separado do município. Até 1960, a cidade era o Distrito Federal, depois tornou-se o estado da Guanabara. O restante disputava o Campeonato Fluminense.

Em 1970, faltavam cinco anos para a unificação dos estados e oito para a união dos campeonatos. Na contramão, faziam 12 anos que o Vasco não era campeão estadual, o maior jejum da história do clube. Era preciso colocar um ponto final na fila, e assim foi. O torneio daquele ano foi disputado por 12 times em dois turnos. No primeiro, todos se enfrentaram uma vez. No segundo, os oito primeiros seguiram e se enfrentaram novamente, com o título ficando para quem mais somou pontos nos dois momentos.

O cruz-maltino começou a campanha em uma disputa ponto a ponto pela primeira colocação. Em 11 partidas do primeiro turno, A equipe venceu sete, empatou três e perdeu uma. Com 17 pontos, se classificou na terceira posição, um ponto a menos que o líder Fluminense e empatado com o vice America. Botafogo, Flamengo, Olaria, Madureira e Campo Grande foram os outros que avançaram. Bangu, São Cristóvão, Bonsucesso e Portuguesa foram eliminados.

O alto nível foi mantido no segundo turno. Nas cinco primeiras partidas, o Vasco venceu o Olaria por 3 a 1, o Flamengo por 1 a 0, o Madureira por 2 a 0, o Campo Grande por 4 a 0 e o America por 3 a 2. Faltando dois jogos, o cruz-maltino somava 27 pontos contra 25 do Fluminense e 23 do Botafogo. Assim, bastava ao Vasco vencer os botafoguenses na penúltima rodada, junto a um tropeço dos tricolores. Foi o que aconteceu: o Fluminense ficou no 0 a 0 com o America e os vascaínos venceram o Botafogo por 2 a 1, conquistando de forma antecipada o 13º título estadual.

A campanha do Vasco:
18 jogos | 13 vitórias | 3 empates | 2 derrotas | 30 gols marcados | 14 gols sofridos


Foto Arquivo/O Globo

São Paulo Campeão Paulista 1970

O Campeonato Paulista é o mais disputado e importante do Brasil. E também o mais antigo, tendo começado em 1902. O torneio é dominado pelas quatro maiores forças do estado, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos, mas de vez em quando aparecem algumas surpresas, com título ou não.

No ano de 1970, o panorama do Paulistão era o seguinte: Palmeiras e Santos alternaram suas conquistas ao longo da década de 1960, enquanto Corinthians e São Paulo viviam longos jejuns, um desde 1954 e o outro desde 1957. Para o Tricolor, a fila acabaria naquele ano mesmo, pouco depois de o clube ter concluído a obra do Estádio do Morumbi e voltado a focar suas finanças na formação do elenco.

O estadual em 1970 foi disputado por 16 clubes, em duas fases. Na primeira, 11 times do interior e do litoral disputaram dois turnos preliminares, de onde saíram classificados os cinco primeiros colocados. Na fase final, essas cinco equipes juntaram-se à Corinthians, Palmeiras, Portuguesa, Santos e São Paulo em outro enfrentamento de dois turnos. Após 18 rodadas, o clube com mais pontos tornou-se campeão.

Os times classificados da primeira fase foram Guarani, Ferroviária, Botafogo de Ribeirão Preto, Ponte Preta e São Bento. O início da campanha do nono título do São Paulo foi com vitória por 1 a 0 sobre o São Bento em casa. Na sequência, perdeu por 2 a 1 para a Portuguesa e empatou por 2 a 2 com a Ponte Preta. As vitórias reapareceram nos 3 a 2 sobre o Santos fora de casa.

Com um futebol vistoso e seguro, o Tricolor foi batendo seus adversários um a um, caminhando para colocar fim nos 13 anos de fila de títulos paulista. Na penúltima rodada, o São Paulo visitou o Guarani no Brinco de Ouro, em Campinas, precisando da vitória junto com dois tropeços de Palmeiras e Ponte Preta, os perseguidores na tabela. Os rivais empataram seus jogos, enquanto os são-paulinos venceram por 2 a 1 e confirmaram a conquista antecipada. Na última partida, ainda sobrou espaço para erguer a taça com vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians, no Morumbi.

A campanha do São Paulo:
18 jogos | 12 vitórias | 3 empates | 3 derrotas | 29 gols marcados | 15 gols sofridos


Foto Arquivo/São Paulo

Santa Cruz Campeão Pernambucano 1969

O Campeonato Pernambucano é dominado por três forças de Recife: Sport, Náutico e Santa Cruz, com algumas alternâncias de hegemonia ao longo da história. No caso do Santinha, a maior dominância aconteceu entre 1969 e 1973, quando o clube venceu o penta estadual.

Imediatamente antes, o rival Náutico havia chegado ao hexa em Pernambuco. Ao passo que o Santa Cruz já estava há dez anos sem vencer. O ponto de virada na história veio no fim da década de 1960, em uma competição com oito participantes e regulamento simples. Na primeira fase, as equipes se enfrentaram em dois turnos. O líder garantiu vaga na decisão e os seis primeiros avançaram à segunda fase, que também disputada em dois turnos. Ao fim da fase, o líder garantiu a outra vaga na final.

O Santa Cruz iniciou a campanha do 10º título estadual enfrentando Sport, Náutico, Central, América de Recife, Santo Amaro, Ferroviário de Recife e Íbis. Em 14 partidas, o time venceu 11, empatou duas e perdeu uma, somando 24 pontos. Mas, apesar do alto aproveitamento e algumas goleadas, como os 15 a 2 sobre o Santo Amaro na quarta rodada, o Tricolor ficou na segunda posição da fase, um ponto atrás do rival Sport, que se colocou na final.

A última chance de classificação era o hexagonal da segunda fase, onde o Santinha encarou novamente Sport, Náutico, Central, América e Santo Amaro. Em mais dez jogos, a equipe venceu sete, empatou uma e perdeu duas. Com 15 pontos, o Santa Cruz garantiu lugar na decisão de maneira antecipada, ao golear o Santo Amaro por 4 a 0 em Recife.

O Clássico das Multidões decidiu o título pernambucano de 1969. Ainda sem o estádio próprio, o Santa Cruz mandou seus jogos nos Aflitos, enquanto o Sport possuía a Ilha do Retiro. A primeira partida foi na casa rubro-negra, mas o Santa venceu por 3 a 0. O segundo jogo foi com mando tricolor, e ficou empatado por 0 a 0, forçando o terceiro confronto. De novo na Ilha do Retiro, o Santa Cruz perdeu por 2 a 0 para o rival, o que levou ao quarto jogo. Por fim, de volta aos Aflitos, o Santinha fez 2 a 1 no Sport e colocou fim à decisão e ao jejum de títulos.

A campanha do Santa Cruz:
28 jogos | 20 vitórias | 4 empates | 4 derrotas | 78 gols marcados | 22 gols sofridos


Foto Arquivo/Santa Cruz

Internacional Campeão Gaúcho 1969

O Campeonato Gaúcho é um dos estaduais mais polarizados do Brasil. Quase sempre, ou ganha o Grêmio ou ganha o Internacional. Mas existem aquelas épocas em que só um dos rivais vence. Foi o caso do Colorado entre 1969 e 1976, que emendou um inesquecível octacampeonato.

A década de 1960 não estava boa para o Inter, que viu seu maior rival conquistar um hepta entre 1962 e 1968. Porém, no apagar das luzes, em 1969, tudo começaria a mudar. Primeiro, o clube inaugurou o Beira-Rio, em Porto Alegre, que se tornou o maior aliado do time em uma era de dominação. Depois, veio o 17º título estadual. Sem mais precisar direcionar dinheiro para as obras do estádio, o Colorado voltou a investir mais forte no elenco, que rendeu o primeiro fruto logo na primeira competição.

O Gauchão de 1969 foi disputado por 18 times. Na primeira fase, eles ficaram divididos em dois grupos e se enfrentaram em dois turnos. Na fase final, os quatro melhores de cada chave disputaram um octogonal, também em dois turnos. O Inter ficou no grupo A e enfrentou Cruzeiro de Porto Alegre, Gaúcho de Passo Fundo, Santa Cruz, Novo Hamburgo, Juventude, Farroupilha, Pelotas e São Paulo de Rio Grande. Em 16 jogos, o Colorado conseguiu 13 vitórias, um empate e duas derrotas, que deixaram a equipe com 27 pontos, classificada na primeira colocação da chave.

No octogonal final, Inter, Cruzeiro, Gaúcho e Santa Cruz juntaram-se a Grêmio, Flamengo (atual Caxias), Brasil de Pelotas e 14 de Julho de Passo Fundo. Foram mais 14 jogos para o Colorado reconquistar o título. Na estreia, bateu o 14 de Julho por 3 a 0 em Porto Alegre. Na sequência até a última rodada, o time fez mais doze partidas, com oito vitórias, três empates e uma derrota.

Para a última rodada, o Inter chegou como líder, com 21 pontos. Com sete vitórias e seis empates, o Grêmio era o segundo com 20 pontos e o único que tinha chance de ultrapassá-lo. A decisão aconteceu em um Grenal no Beira-Rio. No jogo do turno, no Olímpico, os times empataram sem gols. Ou seja, se o resultado se repetisse, o Colorado seria o campeão. E foi o que aconteceu. Com o regulamento a favor, o Internacional segurou o 0 a 0 e levou o título que deu início a sua maior hegemonia estadual.

A campanha do Internacional:
30 jogos | 22 vitórias | 5 empates | 3 derrotas | 53 gols marcados | 12 gols sofridos


Foto Arquivo/Revista do Esporte

Campeonatos estaduais: uma explicação para o novo projeto do blog


Hoje (30 de junho de 2024), o blog Edição dos Campeões dá início ao seu maior projeto: contar a história dos campeões estaduais brasileiros nas últimas décadas. Foram quase dez anos de trajetória até que chegasse o momento. Antes, passamos pelos mais variados torneios mundiais, continentais, nacionais e regionais, de clubes, seleções e femininos.

Uma hora ou outra os estaduais seriam nosso objeto de trabalho, tanto que a pesquisa de fotos foi iniciada há alguns anos. Mas, como são 27 campeonatos, não é tão simples para encontrar material de qualidade de todos os estados em todos os anos. Afinal, esse tipo de disputa existe desde 1902, com o Campeonato Paulista. Também não foi fácil encontrar um método para as postagens.

Depois de muita pesquisa e planejamento, o blog enfim chegou a uma conclusão, conforme segue:

  • Não serão postados os estaduais desde a primeira edição, pois tem campeonatos com mais de 120 anos de existência e tem times extintos do século 20 que é impossível de encontrar fotos decentes.
  • Nosso ponto de partida será 1970, porque é o ano da conquista definitiva da taça da Copa do Mundo e da criação da Revista Placar, nossa principal fonte de pesquisa.
  • São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Pernambuco, Santa Catarina, Ceará e Goiás terão fotos postadas desde 1970. As exceções serão RS e PE, que iremos começar em 1969, pois neste ano seus campeões iniciaram sequências de títulos. Com o avançar das temporadas, mais estados irão entrar na lista.
  • Quando chegarmos em 1973, começaremos com o Pará.
  • Quando chegarmos em 1978, começaremos com Sergipe.
  • Quando chegarmos em 1979, começaremos com Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo.
  • Quando chegarmos em 1980, começaremos com Alagoas, Maranhão e Piauí.
  • Quando chegarmos em 1981, começaremos com a Paraíba.
  • Quando chegarmos em 1982, começaremos com o Amazonas.
  • Quando chegarmos em 1989, começaremos com o Acre.
  • Quando chegarmos em 1991, começaremos com Amapá e Rondônia.
  • Quando chegarmos em 1993, começaremos com o Tocantins.
  • Quando chegarmos em 1995, começaremos com Roraima.

O roteiro dos estaduais também será entrecortado por postagens de outros campeonatos e dos campeões comuns da temporada vigente, conforme o planejamento do blog. Nosso início com as postagens será no próximo dia 02 de julho. Até o próximo post!