Em 1971, o futebol brasileiro viveu uma transformação definitiva. Motivada pelo impacto do tricampeonato mundial no México, a CBD encerrou a era do Robertão para dar lugar à primeira edição do Campeonato Nacional de Clubes. A nova competição nasceu com a ambição de integrar o país, expandindo as fronteiras do futebol de elite para mais regiões e estados.
Nesta temporada inaugural, foram somadas três novas equipes aos 17 participantes da Taça de Prata do ano anterior, totalizando 20 clubes e incluindo o Ceará como novo estado representado. Curiosamente, houve também a criação de uma divisão de acesso, embora, na prática, funcionasse como um torneio paralelo, sem um sistema de promoção imediata para o campeão daquela edição.
O regulamento era exigente. Os 20 times jogaram todos contra todos em turno único, mas divididos em duas chaves. O título ficou com o Atlético-MG, comandado por Telê Santana. No Grupo B da primeira fase, a estreia foi um clássico contra o América-MG, terminando em 1 a 1. Ao longo das 19 rodadas, o Galo demonstrou solidez e avançou à fase seguinte na segunda posição do grupo, somando os mesmos 23 pontos que o líder Grêmio, com uma campanha de sete vitórias, nove empates e três derrotas.
Na segunda fase, os 12 melhores classificados foram divididos em três grupos de quatro equipes. O Atlético-MG caiu em uma chave ao lado de Internacional, Santos e Vasco. A classificação para a fase final foi decidida nos detalhes. Na rodada decisiva, o Galo sofreu derrota por 1 a 0 para o Inter no Mineirão, deixando ambas as equipes empatadas com sete pontos. A sorte alvinegra residiu na vitória de 4 a 1 sobre o Colorado no primeiro turno, no Beira-Rio. Esse placar foi determinante para o saldo de gols, garantindo a vaga mineira no triangular final.
O título foi decidido em um triangular entre Atlético-MG, São Paulo e Botafogo. No primeiro embate, o Galo impôs sua hierarquia no Mineirão e venceu o Tricolor Paulista por 1 a 0. No jogo seguinte, o São Paulo goleou o Botafogo por 4 a 1, criando um cenário de tensão para a rodada final.
O Maracanã foi o palco do confronto decisivo entre Botafogo e Atlético-MG. O time carioca precisava de uma vitória por uma diferença improvável de cinco gols para ser campeão. Já o São Paulo torcia por qualquer vitória simples do Botafogo para herdar a taça. Porém, o destino pertencia a Belo Horizonte. Aos 16 minutos do segundo tempo, Dario, o "Dadá Maravilha", subiu mais alto que todos e testou para o fundo das redes. O 1 a 0 persistiu até o fim, selando o segundo título nacional para o Atlético-MG.

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