A Taça de Ouro de 1983 representou o ápice do futebol como fenômeno de massa no Brasil. Com uma média de público de 22.953 pagantes por jogo, a competição pulsava. O regulamento parecia ter encontrado um equilíbrio: 40 clubes, reforçados por mais quatro da Taça de Prata que ascendiam no mesmo ano. Nesse cenário, o Flamengo mantinha o foco no tricampeonato nacional.
A campanha rubro-negra começou no Grupo A. Em oito partidas, o Flamengo somou cinco vitórias, dois empates e uma derrota. Terminou na vice-liderança com 12 pontos, apenas um atrás do Santos. Àquela altura, paulistas e cariocas mal sabiam que aquele era apenas o primeiro capítulo de um duelo que decidiria o país meses depois.
Na segunda fase, o Fla foi alocado no Grupo M, enfrentando Palmeiras, Americano e Tiradentes-PI. Com inteligência tática, o time administrou a classificação com três vitórias, dois empates e uma derrota, avançando em segundo lugar com oito pontos, um atrás do alviverde paulista.
A terceira fase elevou a tensão. No Grupo T, o Flamengo encarou o Corinthians da "Democracia", o Goiás e o Guarani. Foi o momento da virada de chave: com mais três vitórias, dois empates e uma derrota, o Fla assumiu a liderança, carimbando o passaporte para o mata-mata com mais oito pontos.
Os confrontos eliminatórios foram testes de nervos. Nas quartas de final, no Clássico dos Milhões contra o Vasco, o Flamengo prevaleceu ao vencer a ida por 2 a 1 e empatar em 1 a 1 na volta, eliminando o arquirrival no Maracanã. Na semifinal, o adversário foi o Athletico-PR. No Rio, o Fla foi implacável e venceu por 3 a 0. A vantagem foi vital, pois no Couto Pereira os paranaenses pressionaram. O Flamengo suportou a derrota por 2 a 0 e garantiu a vaga na final.
A decisão promoveu o reencontro com o Santos, que no mata-mata passou por Goiás e Alético-MG. No jogo de ida, no Morumbi, os alvinegros fizeram valer o mando e venceram por 2 a 1, obrigando o Flamengo a vencer no Rio de Janeiro.
Na segunda partida, o Maracanã recebeu o maior público da história do Brasileirão: 155.523 torcedores espremidos para ver a despedida de Zico, que partiria para a Itália. E o Galinho não decepcionou. Com apenas 40 segundos de jogo, ele marcou o gol mais rápido em finais de Brasileiro. Pelo regulamento, o 1 a 0 já bastava, mas o Flamengo queria o espetáculo. Com gols de Leandro e Adílio, o placar foi esticado para 3 a 0. A vitória categórica selou o terceiro título brasileiro em quatro anos.

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