Em seu segundo ano sob a organização da CBF, a Taça de Ouro de 1981 trouxe uma rara estabilidade ao calendário, mantendo os 40 participantes iniciais e o sistema de acesso de quatro clubes vindos da Taça de Prata no meio da competição. Contudo, o regulamento ficou mais dinâmico: a fase de grupos que antecedia a semifinal foi substituída por um sistema de mata-mata, começando já nas oitavas de final.
Este ano também marcou o rigor dos critérios técnicos: o Palmeiras, após uma campanha desastrosa no Paulistão de 1980, tornou-se a primeira grande vítima do regulamento, sendo obrigado a disputar a Taça de Prata (a segunda divisão). Enquanto isso, no Rio Grande do Sul, a gangorra começava a virar: após uma década de domínio colorado, o Grêmio montava um esquadrão para buscar o topo do Brasil.
Na primeira fase, o Grêmio foi inserido no Grupo B. Sem brilhantismo, mas com enorme pragmatismo, o time classificou-se na quarta posição, com dez pontos em quatro vitórias, dois empates e três derrotas.
Na segunda fase, as 28 equipes classificadas uniram-se aos quatro sobreviventes da Taça de Prata, formando oito grupos de quatro. O Grêmio caiu no Grupo E, ao lado de Fortaleza, Inter de Limeira e São Paulo. Este grupo serviu como um ensaio para a final: o São Paulo liderou a chave com nove pontos, deixando o Grêmio em segundo, com oito, acumulando quatro vitórias e duas derrotas.
O mata-mata testou os nervos da torcida gremista. Nas oitavas de Final, contra o Vitória, o Grêmio sofreu na Fonte Nova, perdendo por 2 a 1. Na volta, a força do Estádio Olímpico prevaleceu, e o triunfo por 2 a 0 garantiu a vaga. Nas quartas de final, o adversário foi o Operário-MS. O Tricolor venceu em Porto Alegre por 2 a 0 e carimbou a classificação com uma vitória magra por 1 a 0 em Campo Grande.
Na semifinal, o duelo contra a Ponte Preta foi histórico. Após vencer em Campinas por 3 a 2, o Grêmio recebeu o adversário no Olímpico diante de 98.421 pessoas, o maior público da história do estádio. Apesar da derrota por 1 a 0 em casa, o Grêmio avançou à final por ter tido melhor campanha.
A decisão foi contra o São Paulo, que passou por Santos, Internacional e Botafogo. Na ida, em um Olímpico pulsante, o Grêmio saiu atrás no placar, mas demonstrou a resiliência que viraria sua marca registrada. Com dois gols de Paulo Isidoro, o Tricolor virou para 2 a 1, levando a vantagem para a capital paulista. Na volta, no Morumbi, o São Paulo parou na defesa sólida montada por Ênio Andrade. Aos nove minutos do segundo tempo, Baltazar, dominou no peito e soltou uma bomba para marcar um golaço. O placar de 1 a 0 deu ao Imortal Tricolor o seu primeiro título brasileiro.

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