A Copa Brasil de 1979 representou o ápice da desorganização administrativa no futebol brasileiro. Em seu último ano de atividade antes de dar lugar à CBF, a CBD promoveu um torneio com 94 equipes. Tamanho caos no calendário e no regulamento levou à desistência de potências paulistas como Corinthians, São Paulo, Santos e Portuguesa antes mesmo do pontapé inicial. Alheio ao tumulto institucional, o Internacional vivia um momento de renovação técnica, lapidando um esquadrão que unia a experiência de Falcão ao vigor de jovens talentos como Mauro Galvão.
O caminho para a eternidade foi longo. Na primeira fase, 80 clubes foram distribuídos em dez grupos. O Colorado, colocado no Grupo G, demonstrou sua autoridade logo de partida: terminou a fase na liderança isolada, com seis vitórias e três empates em nove jogos. Com 15 pontos conquistados, avançou sem sustos para a etapa seguinte.
Na segunda fase, os 44 classificados somaram-se a 12 clubes de São Paulo e Rio de Janeiro que entraram direto nesta fase, em oito grupos. O Internacional, no Grupo K, manteve a invencibilidade com quatro vitórias e três empates, liderando a chave com 11 pontos, um a mais que o vice Athletico-PR.
A terceira fase reuniu os 14 sobreviventes aos finalistas do ano anterior, Guarani e Palmeiras, divididos em quatro grupos. No Grupo R, o Inter atingiu a maturidade total: venceu o Goiás, o Cruzeiro e obteve os pontos contra o Atlético-MG por W.O., após o clube mineiro retirar-se do torneio em protesto contra a desorganização. O Inter avançou à semifinal ao lado de Coritiba, Palmeiras e Vasco.
A semifinal promoveu o reencontro com o Palmeiras, carrasco do ano anterior. No entanto, desta vez a história foi escrita em vermelho. No Morumbi, o Inter aplicou um eletrizante 3 a 2, com uma atuação magistral de Falcão. No Beira-Rio, a vaga na final foi confirmada com um empate em 1 a 1, mantendo a invencibilidade colorada sob o comando de Ênio Andrade.
A final colocou frente a frente os dois únicos times que ainda não haviam perdido no torneio: Internacional e Vasco, que tirou o Coritiba. No jogo de ida, no Maracanã, o Colorado deu um passo gigante rumo ao título ao vencer por 2 a 0, com dois gols do reserva Chico Spina. Na volta, um Beira-Rio lotado celebrou a coroação definitiva. Com gols de Jair e Falcão, o Internacional venceu por 2 a 1. O apito final imortalizou aquele elenco: o Inter sagrava-se tricampeão brasileiro e, até hoje, permanece como o último clube a ter conquistado o título nacional de forma invicta (16 vitórias e sete empates).

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